NICOLAS DE CLAIRVAUX (século XII), nascido nos primeiros anos do século XII, foi primeiro monge em Motiéramey (Moutier-Ramey = Aremarum), a quatro léguas de Troyes. Conheceu são Bernardo no concílio de Sens, em 1141, e foi encarregado de levar ao papa Inocêncio II os escritos do abade de Claraval relativos a Abelardo. Cf. S. Bernardo, Epist., clxxxix, P. L., t. clxxxii, col. 357 A.
Atraído para Claraval, deve ter entrado ali por volta de 1145 e, depois de professar, tornou-se secretário do abade. Foi ele, por exemplo, quem escreveu as cartas cdlxvii-cdlxix, ibid., col. 671 sq. Mas são Bernardo não tardou a perceber que Nicolas traía sua confiança; o secretário teve de deixar Claraval (1151). Ver a carta ccxcviii de são Bernardo ao papa Eugênio III, ibid., col. 500.
Não se sabe bem para onde se retirou primeiro o monge expulso; mas ele tinha flexibilidade e trato social, e terminou sem dúvida por voltar ao seu convento de Motiéramey. Soube interessar pelos seus negócios os dois papas Adriano IV e Alexandre III. Do primeiro desses pontífices, duas cartas de 1157-1159, dirigidas respectivamente a Samson, arcebispo de Reims, e a Henrique, bispo de Beauvais, recomendam-lhes o monge Nicolas de Aremarum. Jaffé, n. 10491-2. Uma carta de Alexandre III, de 6 de março de 1161, agradece ao nosso Nicolas (a menos que se trate de Nicolas de Amiens) os serviços prestados à causa da Igreja, e anuncia-lhe que o papa o recomenda aos arcebispos de Sens e de Reims e a Henrique, conde de Champagne. Jaffé, n. 10658.
De fato, vemos Nicolas ao serviço deste último; mas ele acabou por voltar ao seu mosteiro; a última carta que dele se tem é dirigida de Motiéramey a Guilherme, arcebispo de Reims de 1176 a 1202.
Escritor floreado e eloquente, Nicolas cuidou ele mesmo de reunir certo número das cartas que escrevera por conta própria, ou por conta de seus confrades, durante sua estada em Claraval. Elas têm algum interesse pelas informações que dão sobre os primeiros começos da vida cisterciense, sobre a ascese que se praticava em Claraval. Mais interessantes são do ponto de vista literário; mostram que Cister, assim como Cluny, não desprezava as flores da retórica.
Os sermões de Nicolas, dos quais vários foram atribuídos ora a Pedro Damião, ora a são Bernardo, assemelham-se muito de perto aos do abade de Claraval; panegíricos de santos, não apresentam do ponto de vista teológico nada de muito particular.
I. Obras. As Cartas foram editadas pela primeira vez por Jean Picard, cônego regular de Saint-Victor, o editor de são Bernardo; edição reproduzida na Maxima bibliotheca veterum Patrum, Lyon, 1677, t. xxii, p. 517-553; Baluze publicou outras duas, nas Miscellanea, t. ii, 1679, p. 234-238; o todo em P. L., t. cxcvi, col. 1589-1654.
Os Sermões foram reunidos por dom Tissier no t. iii da Bibliotheca Patrum cisterciensium (1662), p. 193-236, em número de 19; como todos esses sermões tinham sido publicados sob o nome de Pedro Damião, a P. L., tomo citado, col. 1653, limita-se a remeter às obras deste último. A edição dos sermões de são Bernardo por Mabillon dá um texto melhor de alguns desses sermões. P. L., t. clxxxiv, col. 827-850; 1049-1055.
II. Trabalhos. Notícia de Mabillon no prefácio ao t. iii das obras de são Bernardo, n. 27 e 36-52, cf. P. L., clxxxiii, col. 21 e 23-31; dom Ceillier, Histoire des auteurs sacrés et ecclésiastiques, 2ª ed., t. xiv, p. 732-737; Histoire littéraire de la France, t. xiii (1811), p. 553-568; e as diferentes Vidas de são Bernardo, em particular E. Vacandard, Vie de saint Bernard, Paris, 1910, t. ii, p. sq., 512 sq.
É. Amann.
Autor original: É. Amann
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