NICOLAU CANTILUPE, TAMBÉM CHAMADO CANTALUPE, CANTOLUPE E CANTILOWE, TEÓLOGO CARMELITA INGLÊS

NICOLAU CANTILUPE, TAMBÉM CHAMADO CANTALUPE, CANTOLUPE E CANTILOWE, TEÓLOGO CARMELITA INGLÊS

NICOLAU CANTILUPE, também chamado Cantalupe, Cantelupe, Cantolupe e Cantilowe, teólogo carmelita inglês da primeira metade do século XV. Natural de Bristol (País de Gales), embora de família normanda, provavelmente aparentada, do lado materno, a uma família galesa, Nicolau apresentou todas as características da raça celta: piedade fervorosa, imaginação viva e dom de narração. Na árvore genealógica que apresentou por ocasião de sua entrada no convento dos carmelitas de Bristol, fazia remontar sua família até os reis dos Dimetas, povo que, à época da invasão romana na Grã-Bretanha, no ano 55 antes da nossa era, dividia com outros três o território atual do País de Gales. Reivindicava também um parentesco bastante próximo com Santo Tomás de Cantilupe, durante algum tempo chanceler da Inglaterra e, por fim, bispo de Hereford, morto em 1282.

Nicolau fez seus estudos na universidade de Cambridge, onde obteve o doutorado em teologia. Foi prior dos conventos de Bristol, Gloucester e Northampton, onde morreu em 27 de setembro de 1441.

Suas obras são: 1. In primum librum Sententiarum: Encomium B. Mariae; 2. Ordinis virg. Mariae de Monte Carmelo; 3. Chronicorum epitome; 4. Historiarum appendices, começando a partir de Inocêncio III; 5. Historiola de antiquitate et origine universitatis Cantabrigiensis (Cambridge University ms. mm, 5, 40), editada junto com a Chronica de Thomas Sprott por Thomas Hearne em Oxford em 1719, in-8°; uma tradução inglesa apareceu também em Londres em 1721, in-8°.

Para dar uma ideia desta última obra de Nicolau Cantilupe, basta dizer que, tendo a universidade de Oxford feito a feliz descoberta de que havia sido fundada pelo rei Alfredo o Grande (morto em 901), a de Cambridge não podia ficar atrás. Assim, Cantilupe nos informa que ela foi fundada por um príncipe espanhol (Cantaber, Cantabrigia) exatamente 4321 anos depois da criação do mundo, e que foi confirmada por uma carta do rei Artur em 531; quando Alfredo o Grande pensou em estabelecer uma instituição semelhante em Oxford, foi de Cambridge que ele tirou os primeiros mestres e estudantes!

Jean Leland, Commentarii de scriptoribus britannicis, Oxford, 1719, t. II, cap. 517, p. 449-450; Jean Bale, Scriptorum illustrium majoris Britanniae catalogus, Basileia, 1559, cent. VIII, cap. V, t. I, p. 585; Jean Pitseus, Relationum historicarum de rebus anglicis, tomus I, Paris, 1619, p. 634-635; Gesner, Bibliotheca (Epitome de Simler), Zurique, 1574, p. 517; Pierre Lucius, Carmelitana bibliotheca, Florença, 1593, fol. 66 r°; Possevin, Apparatus sacer, Veneza, 1606, t. II, p. 481; Gérard Vossius, De historicis latinis libri tres, Leiden, 1627, t. III, c. V, p. 512; Augustin Biscareti, Palmites vineae Carmeli, ms. de 1638, conservado no colégio Santo Alberto em Roma, fol. 176 r°-v°; Alègre de Casanate, Paradisus carmelitici decoris, Lyon, 1639, p. 315; J.-B. de Lezana, Annales, Roma, 1645-1656, t. IV, p. 855-856, n. 3; Daniel de la Vierge-Marie, Speculum carmelitanum, Antuérpia, 1680, t. II, p. 1119, n. 3948; Albert Fabricius, Bibliotheca latina Mediae et Infimae Aetatis, Florença, 1858, t. V, p. 103; Cosme de Villiers, Bibliotheca carmelitana, Orléans, 1752, t. II, col. 482-483, n. 14; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. II, col. 853.

P. Anastase de Saint-Paul.

Autor original: P. Anastase de Saint-Paul

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