MISAEL APOSTOLIDÈS

MISAEL APOSTOLIDÈS

Misael Apostolidès (1789-1862), primeiro decano da Faculdade de Teologia por ocasião da criação da universidade de Atenas em 1837, secretário do santo sínodo da Grécia, arcebispo de Patras, depois metropolita de Atenas. Nascido em 1789, em Retimno, em Creta, Misael Apostolidès ali fez seus primeiros estudos e ali foi ordenado diácono. Foi então seguir os cursos do Colégio grego de Esmirna, onde ensinavam Constantin Koumas e Constantin Oiconomos. Em 1814, ele mesmo figura na lista dos professores. Ordenado sacerdote em 1816, Misael foi enviado a Viena, a pedido da colônia ortodoxa daquela cidade, da qual foi cura durante vários anos. Ali aprendeu o latim, o italiano e o alemão.

Foi sem dúvida o amor ao estudo que o levou, em 1830, a trocar a estadia de Viena pela de Munique, onde o rei Luís da Baviera o quisera como capelão dos estudantes gregos e diretor da escola grega recém-fundada. Ao mesmo tempo que desempenhava suas funções, Misael soube encontrar tempo para frequentar os cursos de teologia na universidade. Em 1832, o rei Otão o chamou à Hélade e o nomeou seu próprio professor de grego. Em 1831, nós o vemos encarregado do ensino religioso e da literatura grega no Didascaleion que acabara de ser criado. Em 1837, na fundação da universidade helênica, Misael é designado professor de teologia e decano da faculdade teológica. Em 1850, devia ser eleito reitor por todo o conselho da universidade. Em 1844, tomou parte ativa na fundação da escola eclesiástica Rizareios, da qual teve por certo tempo a direção, onde ministrou seu ensino.

Em 1850, foi enviado a Constantinopla, portador das cartas do governo e do sínodo que solicitavam o reconhecimento da autocefalia helênica pelo patriarcado do Fanar. Mansi-Petit, Concil., t. xi, col. 169 C; Chrysostome Papadopoulos, Ἱστορία τῆς Ἐκκλησίας τῆς Ἑλλάδος, t. i, Atenas, 1920, p. 356. O synodicos tomos ou decreto de autocefalia foi promulgado solenemente em 29 de junho de 1850. Mansi-Petit, op. cit., col. 449-468. Em 26 de julho, Misael Apostolidès foi nomeado primeiro secretário do santo sínodo, em substituição ao demissionário Théoclètos Pharmakidès, que fizera oposição ao synodicos tomos. Em 1851, Misael foi encarregado de levar a Petrogrado a comunicação do decreto patriarcal. Tendo a lei de 9 de julho de 1852 reorganizado os bispados da Grécia, Misael foi sagrado, em 6 de setembro, arcebispo de Patras e de Éleia. Por morte de Néophytos Métaxas, foi, por decreto real de 1º de janeiro de 1862, transferido para a metrópole de Atenas. Recém-instalado em sua nova sé, morreu em 21 de julho de 1862.

Deixou manuscritos um curso de teologia dogmática, uma Homilética, uma Introdução bíblica, diversos outros tratados redigidos no curso de seus longos anos de ensino, coletâneas de discursos, etc.

Temos dele três obras impressas — 1. Ἱερὰ ἱστορία, Atenas, 1837. 2. Τῆς κατὰ Χριστὸν ἠθικῆς πραγματεία φιλοπονηθεῖσα χάριν τῶν ἑαυτοῦ ὁμιλητῶν καὶ πάντων δὲ τῶν φιλοχριστῶν, Atenas, 1847. Este volume, como o próprio título indica, é um manual de moral para uso dos alunos da Faculdade de Teologia. Como tal, a coletânea apresenta certo interesse. A maneira clara e precisa com que a exposição é feita deixa adivinhar o feliz complemento de formação que a frequentação das universidades de Viena e de Munique valera ao autor. Encontram-se nela boas noções sobre pontos que é bastante raro encontrar em livros gregos semelhantes: por exemplo, sobre a consciência e as diversas espécies de consciência, p. 53-58; sobre as virtudes e os vícios, p. 59 ss.; sobre o pecado e as diversas espécies de pecado, p. 79 ss.; sobre os pecados capitais, que ele chama de θανάσιμα ἁμαρτήματα, p. 108-164; sobre a oração e as diversas espécies ou formas de oração, a oração mental e a oração vocal, a distração na oração, etc., p. 239-265. Note-se também úteis parágrafos sobre o dever de defender a pátria, p. 358-359, as causas da guerra, os pecados do soldado para com os desarmados, e dos civis para com os soldados, p. 359-364; sobre o governo, os governantes e os governados, p. 450-458.

3. Ἐγχειρίδιον τῆς κατὰ Χριστὸν ἠθικῆς χάριν τῆς σπουδαζούσης νεολαίας, Atenas, 1849. Esta obra, como já sugere o título (manual de moral cristã para uso da juventude estudantil), e como declara formalmente o prefácio (p. 0'), não é senão um resumo escolar da precedente.

Panaretos Constantinidês, Κατάλογος ἱστορικὸς τῶν πρώτων Ἐπισκόπων καὶ τῶν ἐφεξῆς Ἀρχιεπισκόπων καὶ Μητροπολιτῶν Ἀθηνῶν, na revista Σωτήρ, τ. ιι, Atenas, 1878-1879, p. 90-91; Chrysostome Papadopoulos, Ἱστορία τῆς Ἐκκλησίας τῆς Ἑλλάδος. τ. ι: Ἵδρυσις καὶ ὀργάνωσις τῆς αὐτοκεφάλου Ἐκκλησίας τῆς Ἑλλάδος. Atenas, 1920, p. 34, 306-307, 326-330, 336, 338, 351, 367, 370, 386, 394-395, 415, 428, 433, 435; do mesmo, Ἱστορία τῆς Ῥιζαρίου ἐκκλησιαστικῆς σχολῆς, Atenas, 1919, p. 64-67, 72, 86; Constantin Kontagonos, nota necrológica e biográfica, na revista Εὐαγγελικὸς Κῆρυξ, t. vi, Atenas, 1862, p. 307-314; Constantin Oiconomos, Τὰ σωζόμενα φιλολογικὰ συγγράμματα, t. i, Atenas, 1871, p. 58 ; Τὰ σωζόμενα ἐκκλησιαστικὰ συγγράμματα. t. i, p. 364, 525, 569, 663.

— S. Salaville.

Autor original: S. Salaville

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