MÉLITON (Guilherme de), frade menor, primeira metade do século XIII. Natural de Middletown segundo a Crônica de Lanercost, Chronicon de Lanercost, Edimburgo, 1830, p. 70-71, Guilherme de Méliton é um dos primeiros mestres da escola franciscana de Paris. Alguns afirmaram sem fundamento que pertencia à ordem de são Domingos ou que era chanceler da Igreja de Paris e de York. É difícil identificá-lo com Guilherme de Melton, o quinto lente franciscano na Universidade de Cambridge; o P. Minges, O. F. M., admite, contudo, essa opinião. Cf. Robert Grosseteste Uebersetzer der Ethica Nicomachea, em Philos. Jahrb., Fulda, 1919, t. xxxii, p. 238-239. Guilherme de Méliton ensinou habitualmente em Paris; está ali em estreita relação com Alexandre de Hales. Antes de 1245 já se encontra entre os bacharéis. Gerardo de Frachet, O. P., Vitae fratrum Ordinis Praedicatorum, ed. Reichert, Lovaina, 1896, p. 274, nos informa que era também ligado por estreita amizade ao lente da escola dominicana, Guerrico de Saint-Quentin. Em 1248, Guilherme de Méliton tornou-se mestre regente da escola franciscana, provavelmente depois da promoção de Odo Rigaud, O. M., ao arcebispado de Rouen. Seu nome se encontra na lista dos mestres consultados pelo legado pontifício, Odo de Châteauroux, e por Guilherme de Auvérnia no caso do Talmude. Denifle-Chatelain, Chartularium Univ. Paris., t. i, p. 210.
Depois de 1255, é encarregado, com são Boaventura e Odo de Rosny, de examinar a regra do convento de Longchamp composta pela bem-aventurada Isabel. P. Oliger, O. F. M., De origine regularum ordinis S. Clarae, em Archivum franciscanum historicum, Quaracchi, 1912, v, 436-437. Por volta da mesma época, em 28 de julho de 1256, Alexandre IV, pela bula De fontibus Paradisi, ordenava a Godofredo de Brie, provincial da França, que pusesse à disposição do doutor franciscano certo número de colaboradores para terminar a Suma teológica de Alexandre de Hales. Denifle-Chatelain, Chartul., t. i, p. 328, 329. Apesar dessas ordens, a obra do Doutor irrefragável não foi terminada. Guilherme de Méliton, com efeito, morreu pouco depois, provavelmente em 1260, e não em 1261, como parece dizer a Crônica de Lanercost. No capítulo de Narbona (1260), são Boaventura mandou recomendá-lo às orações da Ordem. P. Delorme, O. F. M., Diffinitiones capituli generalis Narbonensis, em Archivum franc. hist., 1910, t. iii, p. 504, cf. 501. Os menológios franciscanos fazem memória de G. de Méliton em 15 de setembro. Hueber, Menologium O. S. F., Munique, 1698, p. 1775; Arthur du Moutier, Martyrologium franciscanum, Paris, 1653, p. 450.
As obras de Méliton, ainda inéditas, são numerosas. Segundo a lista dos livros em depósito junto aos livreiros de Paris e taxados oficialmente pela Universidade em 1286, é certo que o doutor franciscano compôs Comentários sobre os Salmos, os doze Profetas menores, são Marcos, o Eclesiástico e Jó. Denifle-Chatelain, Chartul., p. 647. O Comentário sobre são Marcos é também mencionado na recensão perusina da biblioteca pontifícia feita em 1311. Ehrle, Historia bibliothecae romanorum pontificum, Roma, 1890, t. i, p. 57. Do mesmo modo, uma Postila sobre as epístolas canônicas. Ehrle, ibid., p. 56. Os bibliógrafos franciscanos afirmam geralmente que G. de Méliton comentou toda a Escritura sagrada. João de Santo Antônio, Bibliotheca universa franciscana, Madri, 1723, t. ii, p. 42-43. Vários desses escritos ainda existem. Um ms. do século XIII, conservado no colégio São Boaventura de Quaracchi, contém os Comentários de Méliton sobre o Gênesis, o Levítico e os Números. Segundo o Prólogo da postila sobre os Números, fol. 151 r°, é seguro que o doutor franciscano comentou também o Êxodo e o Deuteronômio. O códice 50 da abadia de Zwettl contém também as mesmas postilas sobre o Levítico e os Números. Xenia Bernardina, Pars secunda. Die Handschriftenverzeichnisse der Cistercienser-Stifte, Viena, 1891, t. i, p. 321.
Até aqui, foi possível encontrar ainda as seguintes obras : In Cantica, Paris, Bibl. nat. 15 265; In Sapientiam, ibid., 14 429; In Ecclesiasten, ibid., 15 266; In Ecclesiasticum, ibid., 14 262, 15 583, 15 584, 506, etc. Esta última obra é, contudo, atribuída por vezes a Alexandre de Hales, mas com menos provas. O comentário In Job, ibid., 14 250 e Troyes, n. 487, é provavelmente também de G. de Méliton. Várias postilas diferentes sobre o Apocalipse são atribuídas ao doutor franciscano, particularmente nos mss. da Alemanha, mas o verdadeiro escrito de Méliton se encontra no n. 321 da Biblioteca municipal de Assis e frequentemente em outros lugares.
As Quaestiones de Sacramentis são a obra escolástica mais considerável do mestre franciscano. Um ms. incompleto, mas que traz o nome de G. de Méliton, encontra-se na Biblioteca Antoniana de Pádua. Scoaff. VIII, n. 152; outro, igualmente incompleto e além disso anônimo, na Bibl. nat. de Paris, ms. lat. 15920. Somente o Vat. Lat. 4245, fol. 214 r°-314 v, contém a obra inteira. Um estudo analítico dessa obra, atualmente conduzido até o tratado da eucaristia, revela estreitas relações com a quarta parte da Suma teológica de Alexandre de Hales. Os dois textos são geralmente idênticos; apenas a Suma acrescenta argumentos, transpõe a ordem das questões e sobretudo insere outras novas. Essas Quaestiones têm grande interesse para a teologia sacramentária desse período.
O ms. 182 da Biblioteca municipal de Assis contém igualmente um breve Comentário sobre o IV livro das Sentenças, cuja primeira parte, até o tratado da penitência, é atribuída a G. de Méliton, a segunda a Alexandre de Hales. O ms. 737, fol. 36 v°-39 r°, da Biblioteca de Toulouse conserva uma importante questão do doutor franciscano sobre a concepção da santíssima Virgem. G. de Méliton se pronuncia contra o privilégio mariano. O ms. D. III. 28, fol. 158 r°, da Bibl. real de Turim tem também sob seu nome uma questão De differentia contritionis, attritionis et compunctionis. No ms. lat. 1384 da Bibl. palatina de Viena, as questões De vita publicadas na Suma teológica de Alexandre de Hales, IIa pars, q. lxxvii, Colônia, 1622, t. II, p. 319, são dadas como um acréscimo de G. de Méliton.
Vários escritores atribuíram-lhe também a redação da Summa de virtutibus, impressa pela primeira vez em Paris em 1509, e que se apresenta como um suplemento à Suma de Alexandre de Hales; essa atribuição, contudo, não pôde até aqui ser estabelecida criticamente. Cf. S. Bonaventuræ opera omnia, Prolog., § 3, Quaracchi, 1882, t. I, p. lvii-lxii. G. de Méliton é, enfim, o autor de um opúsculo litúrgico Super Missam, Assis, Bibl. mun., n. 494, fol. 139; existem também vários sermões sob seu nome. Munique, ms. 14620, fol. 140 r°; Bruxelas, Bibl. real, ms. lat. 1886, fol. 179.
Wadding, Scriptores Ord. Min., Roma, 1806, p. 105; Quétif-Echard, Scriptores Ord. Prædicatorum, Paris, 1721, t. I, p. 488; Oudin, Commentarius de scriptoribus ecclesiasticis, Leipzig, 1722, t. III, p. 217-218; Jeiler, O. F. M., Die sogenannte Summa de virtutibus des Alexander von Halès, em Der Katholik, Mogúncia, 1879, p. 38-54; Minges, O. F. M., Philosophiegeschichtliche Bemerkungen über die dem Alexander von Halès zugeschriebene Summa de virtutibus em Festgabe zum 60 Geburtstag Clemens Baeumker (Beitr. zur Gesch. der Phil. des Mittel. Supplementband I), Münster, 1913, 129-138; F. Cavallera, S. J., L'Immaculée Conception : Positions franciscaines et dominicaines avant Duns Scot, na Revue Duns Scot, Le Havre, 1911, p. 101-103; P. Hilarin Felder, O. M. C., Histoire des études dans l'ordre de S. François, Paris, 1908, p. 203, 218-20, 232, 234, 237, 241.
E. Longpré.
Autor original: E. Longpré
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