LEROUGE João Batista Noel, eclesiástico francês (1688-1753). Nascido provavelmente em Paris, em 1688, tornou-se doutor da Sorbonne, cônego de Saint-Louis-du-Louvre, e foi nomeado síndico da Sorbonne em 1739. Foi vivamente atacado, a esse título, pelas Nouvelles ecclésiastiques de 20 de junho e de 21 de outubro de 1740, p. 97, 99, 171-172, por ter aprovado duas teses sustentadas, uma, em 29 de outubro de 1739, por Gaillande, contra a legitimidade do apelo e a favor da infalibilidade do papa, e a outra, em 19 de novembro seguinte, contra os arestos do Parlamento a respeito do arcebispo de Cambrai, M. de Saint Albin.
Era « totalmente infectado de molinismo » e, [segundo] as Nouvelles ecclésiastiques, em setembro de 1741, mandou expedir-se uma carta régia (lettre de cachet) e convocou uma assembleia em 16 de setembro, para aceitar a bula e aderir ao decreto da Faculdade de 15 de dezembro de 1729, antes de 1º de outubro de 1711 (os que habitavam Paris) e antes de 1º de janeiro de 1742 (os que estavam na província) (Nouvelles ecclésiastiques de 16 de outubro de 1741, p. 165-168). Cem doutores foram excluídos e o jornal jansenista chama os que ficaram de « os doutores carcassianos, pois da Sorbonne só restava a carcaça. » O gazeteiro jansenista, aliás, não esquece que o síndico é sobrinho do antigo síndico, Carlos Lerouge, que havia feito a Faculdade assinar a aceitação da bula, antes da morte de Luís XIV, e a respeito do qual houve, logo após a morte do rei, polêmicas tão vivas, relatadas no Procès-verbal de ce qui s'est passé dans l'assemblée des députés nommés par la Faculté de Paris, pour examiner ce qui s'est fait pendant le syndicat de M. Lerouge, avec les conclusions de la Faculté depuis le 2 décembre 1715 jusqu'au 23 avril 1716, in-4°, Paris, 1716, reeditado em 1757. Houve também, a esse respeito, Relations, que se dizem fiéis, mas cujos relatos são totalmente contraditórios e das quais se encontra o eco, em sentido jansenista, na Histoire du livre des Réflexions morales, t. iii, p. 393-446, e mais recentemente em Albert Le Roy, La France et Rome, in-8°, Paris, 1892, p. 575-585. João Batista Lerouge morreu em 14 de janeiro de 1753.
Lerouge deixou poucas obras. A principal, dirigida contra o jansenismo, tem por título: Traité dogmatique sur les faux miracles du temps, en réponse aux différents écrits faits en leur faveur, in-4°, Paris, 1737. O autor mostra que é possível aos demônios operar curas surpreendentes que estão acima de nossas forças, pois suas forças ultrapassam as nossas; entretanto, a onipotência divina não fica comprometida, e os fiéis não são seduzidos, pois as circunstâncias indicam a intervenção do demônio; vê-se que são falsos milagres (Journal de Trévoux de junho e de julho de 1737, p. 1107-1123, 1256-1273). Lerouge publicou também uma Nouvelle édition de la traduction du Nouveau Testament do P. Amelotte.
Quérard, La France littéraire, t. v, p. 206; Nouvelles ecclésiastiques, passim, ver as tabelas, t. ii, p. 186; este jornal mistura frequentemente o tio e o sobrinho e não poupa as críticas; Journal de Trévoux de junho e julho de 1737, p. 1107-1123, 1256-1273; Picot, Mémoires pour servir à l'histoire ecclésiastique du XVIIIe siècle, édit. de 1854, t. iii, p. 436.
J. Carreyre.
Autor original: J. Carreyre
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