LE COZ (CLÁUDIO)

LE COZ (CLÁUDIO)

LE COZ Cláudio (1740-1815) nasceu em Plounévez-Porzay, na Bretanha, a 2 de setembro de 1740 (o sr. Pisani diz que a 22 de dezembro). Fez seus estudos no colégio dos jesuítas de Quimper; tornou-se, depois da partida desses religiosos, em 1762, professor nesse colégio e era seu diretor quando prestou o juramento constitucional a 7 de fevereiro de 1791. Foi eleito bispo de Ille-et-Vilaine, por causa de sua reputação e de seu galicanismo, e foi sagrado por Massieu, bispo de Oise, a 10 de abril de 1791. Foi, depois de Grégoire, a personagem mais em evidência do clero constitucional. Na Legislativa, tomou frequentemente a palavra para combater as moções antirreligiosas e protestar contra as pretensões da Assembleia, que queria legislar em matéria eclesiástica; protestou em particular contra o casamento dos padres. Depois da Legislativa, tendo voltado à sua diocese, recusou-se a aplicar as leis que combatera como deputado; por causa disso, Carrier mandou encerrá-lo durante quatorze meses nas prisões do Mont Saint-Michel. Foi posto em liberdade a 4 de dezembro de 1794. Nessa época, colaborou no jornal do partido jansenista, os Annales de la religion, mas por vezes criticou vivamente as tendências desse jornal. Presidiu os dois concílios dos Constitucionais, o de 1797 (15 de agosto-12 de novembro) e o de 1801. Em sua diocese, mostrou-se cheio de caridade para com os pobres, mas pouco benevolente para com os não juramentados.

No momento da Concordata, apresentou sua demissão e foi um dos bispos constitucionais escolhidos pelo Primeiro Cônsul para entrar no novo episcopado: foi nomeado arcebispo de Besançon. Apesar das promessas do abade Bernier, Le Coz recusou-se a assinar a retratação exigida pelo legado e, apesar da intervenção paternal de Pio VII, esse fogoso galicano opôs sempre seu juízo pessoal ao do papa e da Igreja. Em contrapartida, foi caloroso partidário de Napoleão e foi um dos primeiros a declarar-se por ele, na volta da ilha de Elba, em março de 1815. Foi a Paris para saudar o imperador e morreu pouco depois de seu retorno à diocese, a 3 de maio de 1815, durante uma visita pastoral, em Villevieux, povoado do Jura.

O Journal de la librairie de Beugnot, 1815, p. 122, dá a lista completa das obras de Le Coz; a maioria foi escrita em favor da Constituição civil do clero e algumas são dirigidas contra os incrédulos. Entre esses escritos, podem-se citar: Observations sur le décret de l'assemblée pour la Constitution civile du clergé, adressées aux citoyens du Finistère em 1790, quando Le Coz era procurador síndico desse departamento; o abade Barruel respondeu a essas observações em seu Journal de novembro de 1790 e apareceram cinco cartas contra essas Observations. — Accord des vrais principes de la morale et de la raison sur la Constitution civile du clergé, in-12, Paris, 1791. Esse escrito foi assinado em 1791 por dezoito bispos constitucionais, a fim de responder à Exposition des principes, publicada em 1790 por trinta bispos fiéis. Le Coz queria provar a legitimidade de sua eleição, a falsidade dos breves pontifícios que a declaravam irregular, e defendia a causa do juramento. — Préservatif contre l'impiété, mandamento para a quaresma de 1793. — Lettre sur le célibat ecclésiastique, dirigida ao clero de Rennes em setembro de 1793; foi essa carta que valeu ao seu autor um encarceramento de quatorze meses. — Accord de la religion avec le gouvernement républicain, 1795. — Aux amis de la vérité, de l'humanité et de la religion ou Lettre aux citoyens sur sa déclaration d'être soumis aux lois de la République, 14 de julho de 1795; é uma defesa contra os padres não juramentados. — Justification de plusieurs vérités chrétiennes, publicada nos Annales de la religion, t. ix, p. 299-318. — Statuts et règlement d'un synode tenu à Rennes en août 1799, avec deux mandements. — Avertissement pastoral sur l'état actuel de la religion catholique, avec des notes, Annales de la religion, t. xi, p. 3-46. — Déclaration contre l'emploi de la langue vulgaire dans la liturgie, 3 de dezembro de 1799. — Lettre du synode de Rennes aux prêtres incommuniquants, 16 de junho de 1801. — Instruction sur la soumission due à la puissance civile au nom du concile de 1801, nos Annales de la religion, t. xiii, p. 433-484. — Réflexions sur le divorce, 13 de agosto de 1801. — Lettre pastorale pour l'entrée à Besançon, na qual prega a união, e Lettre aux prêtres de son diocèse, 1802. Annales, t. xv, p. 200-220. — Instruction pastorale pour l'organisation de son diocèse, nos Annales, t. xvii, p. 104-114. — Défense de la révélation chrétienne et preuves de la divinité de Jésus-Christ contre le Mémoire en faveur de Dieu, 1802. — Lettre aux catholiques de son diocèse, in-8°, Besançon, 1802.

Ao lado desses escritos, nos quais a teologia moral ocupa algum lugar, poder-se-ia citar a Lettre aux ecclésiastiques sur la vaccine, que provocou risos, mesmo entre os amigos de Le Coz, Annales de la religion, t. xviii, p. 539-550; sua Instruction pastorale sur l'amour de la patrie, 20 de dezembro de 1813, na qual prodigaliza elogios a Napoleão, assim como em suas Lettres pastorales de 26 de abril e 19 de maio de 1814. A coleção dos mandamentos de Le Coz forma 5 vol. in-8°. A Correspondance de Le Coz foi publicada em 1900 pelo P. A. Roussel.

Michaud, Biographie universelle, t. xxiii, p. 584-585; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. xxx, col. 250; Quérard, La France littéraire, t. iv, p. 64; Ami de la religion, t. vi, p. 220-232; o t. lxxviii, p. 290-294, dá a bibliografia das obras de Le Coz; Ludovic Sciout, Histoire de la Constitution civile du clergé (1790-1801), t. i, p. 50-51, t. iv, p. 708-712, 723-724; A. Roussel, Un évêque assermenté (1790-1802). Le Coz, évêque d'Ille-et-Vilaine, métropolitain du Nord-Ouest, in-8°, Paris, s. d. (1899); o mesmo autor editou a Correspondance de Claude Le Coz, in-8°, Paris, 1900. Encontra-se ali a correspondência de Le Coz com as administrações do departamento, com seu primo Daniélou e sobretudo com o abade Grégoire, bispo constitucional de Loir-et-Cher; Pisani, Répertoire biographique de l'épiscopat constitutionnel (1791-1802), in-8°, Paris, 1907, p. 125-130.

J. Carreyre.

Autor original: J. Carreyre

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