JUÉNIN (GASPAR)

JUÉNIN (GASPAR)

JUÉNIN Gaspar, teólogo do Oratório, nasceu em 1650, em Varambon, em Bresse. Foi professor em várias casas de sua congregação, mas sobretudo no seminário de Saint-Magloire, em Paris, onde dava conferências sobre teologia. Foi aí que morreu, em 1713. Fez publicar em Lyon primeiro, em 1696, depois em Paris em 1700, suas Institutiones theologicæ ad usum seminariorum. A obra foi imediatamente adotada por vários bispos da França em suas dioceses. Contudo, não tardou a suscitar uma viva polêmica, como maculada de jansenismo. Os professores do seminário de Besançon deram o sinal, atacando-a com aspereza e pedindo que fosse proscrita. Alguns bispos em seguida assinalaram no manual expressões que lhes pareceram suspeitas, bem como omissões lamentáveis, e proibiram o seu uso em seus seminários. Denunciaram-no mesmo ao cardeal de Noailles, arcebispo de Paris, como favorável aos jansenistas.

O cardeal, a fim de poupar-se dificuldades no futuro, havia, desde o ano de 1700, declarado « que o autor, nem em seus princípios nem em suas conclusões, sustentava as cinco proposições, e que, quanto ao fato jansenista condenado, nada ensinava de contrário à submissão exterior que se deve à Igreja; que o dito autor havia desfigurado a sua obra por algumas omissões lamentáveis e expressões pouco circunspectas que o faziam suspeitar de jansenismo, mas que estava pronto a suprir umas e corrigir outras. » Contudo, Noailles advertia o P. Juénin de que devia subscrever as constituições de Inocêncio XI e de Alexandre VII, assinar o compromisso de fazer sofrer ao seu curso os retoques necessários. Juénin deu uma edição nova das Institutions théologiques; apareceu em Lyon em 1705, com numerosas correções e adições. Ele a havia previamente submetido à aprovação do vigário-geral do arcebispo, Pirot, depois a expedira a Roma, acompanhando-a de uma carta muito deferente, em que professava reportar-se ao juízo da Santa Sé. O cardeal Palucci, em nome do soberano pontífice, respondeu-lhe em termos muito benévolos, felicitando-o pelo espírito que o animava, mas não lhe dirigiu nem aprovação nem desaprovação.

Ao mesmo tempo, os bispos prosseguiam a sua campanha contra a obra do P. Juénin, que já não se contentavam em julgar perigosa, suspeita de jansenismo, mas que declaravam herética, semeada de proposições falsas, temerárias, errôneas; enfim, denunciavam-na ao soberano pontífice. O bispo de Chartres, Godet des Marais, a havia, em 1705, proibido em sua diocese. Por sua ordenança de 16 de junho de 1706, o próprio cardeal de Noailles suspendeu em sua arquidiocese o uso da edição de Paris de 1700, com a cláusula donec corrigatur. O autor, admitido a ser ouvido, deu explicações que o arcebispo julgou satisfatórias e que mandou imprimir em seguida ao seu mandamento. O cardeal, de seu lado, reconhecia « que as Institutions théologiques haviam obtido a aprovação de doutores esclarecidos e zelosos pela sã doutrina e que haviam sido professadas em alguns dos seminários da arquidiocese e em alguns outros seminários por ordem dos bispos. » Em Roma, o papa Clemente XI encarregou teólogos de examinar maduramente as Institutions théologiques, e seguiu-se um decreto, condenando-as com a cláusula donec corrigatur, 28 de maio de 1708. O bispo de Meaux, futuro cardeal de Bissy, devia, pouco depois, num mandamento em que afirmava o direito da Igreja de definir os fatos dogmáticos, submeter a teologia de Juénin a uma crítica sólida e notável e proscrevê-la em sua diocese, 16 de abril de 1710.

O P. Juénin gozou entre os seus contemporâneos de uma grande reputação de ciência teológica, que lhe haviam granjeado os seus numerosos trabalhos, conhecidos não só na França, mas também no estrangeiro. Contudo, como o provam as dificuldades em meio às quais teve de debater-se, deu penhores ao jansenismo por certas proposições introduzidas com muita arte em seu curso. Em moral, é um teólogo severo. Além das publicações que Juénin fez aparecer para a sua defesa e das quais uma nomenclatura seria pouco útil, temos dele: 1° Commentarius historicus et dogmaticus de Sacramentis, Lyon, 1696 e 1705, 2 vol. in-fol., Veneza, 1778. Esse comentário é seguido de três dissertações sobre as censuras, as irregularidades e as indulgências. Pela primeira vez, a matéria de todos os sacramentos é aí tratada com certa extensão. O autor é fiel ao método escolástico, mas evita-lhe a aridez por uma multidão de detalhes instrutivos sobre a liturgia das diferentes Igrejas antigas e modernas, sobre a disciplina dos sacramentos ao longo das idades e sobre as disposições com que é necessário dá-los e recebê-los; 2° Institutiones theologicæ ad usum seminariorum, Lyon, 1696, 1705, 4 vol. in-12; Paris, 1700, 7 vol., mesmo formato; 1736, 2 vol., in-fol., 1717; Veneza, 1701, 1705, 1773; Antuérpia, 1746; 3° Compendium theologiæ, Paris, 1708, in-12, Antuérpia, 1759, ótimo compêndio, por perguntas e respostas, das Institutions théologiques e do Commentaire, para uso dos ordinandos, que teve muita voga; 4° Dissertation sur la messe de paroisse, Besançon, in-12, seguida de uma resposta a um escrito contra a dissertação, ibid.; 5° Dissertation sur l'obligation de la communion pascale, ibid.; 6° Dénonciation des théologies de Bécan, d'Abelly, etc., aos bispos de Chartres e de Noyon; 7° Dissertatio quæ sit Ecclesiæ Parisiensis doctrina de divinis auxiliis, in-16, e in-12; 8° Théorie et pratique des sacrements, Paris, 1713, 3 vol., in-12, 1727; 1764, 4 vol., in-12, obra muito estimada em seu tempo, várias vezes impressa em francês sem nome de autor; sob o mesmo título de Théorie et pratique des sacrements, os três volumes aparecidos primeiro deviam ser seguidos de cerca de nove outros que Juénin deixara manuscritos, a edição de 1761 compreende um quarto volume; 9° Theologia moralis, Paris, 1741, 2 vol. in-12; 10° Résolution de cas de conscience de jure et de justitia, Paris, 1761, 4 vol. in-12.

Journal des Savants, XLIX, 162; Mémoires de Trévoux, 1709, t. II, p. 844-881; 1710, t. I, p. 239-247; t. II, p. 771; Dupin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques du dix-septième siècle, partie VII, p. 94; Moreri, Grand Dictionnaire historique; Chandon et Delandine, Dictionnaire universel, historique, critique et bibliographique; Michaud, Biographie universelle; Hœfer, Nouvelle biographie générale; Hurter, Nomenclalor literarius, 3ª edição, t. IV, col. 737-739.

A. Thouvenin.

Autor original: A. Thouvenin

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