HINCMARO, bispo de Laon, nasceu no Boulonnais. Era, por sua mãe, sobrinho do arcebispo de Reims, Hincmaro, que se encarregou de sua educação. Por morte de Pardulo, bispo de Laon e grande amigo de seu tio, o jovem clérigo foi elevado ao episcopado e sucedeu a Pardulo (início de 858). Sua vida pode resumir-se na luta que sustentou contra o tio. O bispo de Laon, com efeito, levantou-se contra as pretensões de Hincmaro de Reims, que tendiam a aumentar cada vez mais a dependência dos sufragâneos em relação ao metropolita. Reivindicou asperamente o direito dos bispos apoiando-se no pseudo-Isidoro. Preso por algum tempo por Carlos o Calvo, por ter defendido os bens eclesiásticos contra as usurpações reais e por ter recusado reconhecer a competência dos tribunais civis nos conflitos com os bispos, lançou o interdito sobre sua diocese durante o tempo de seu cativeiro. Seu tio levantou essa pena, e a luta surda ia tornar-se violenta.
Ela eclodiu por ocasião da festa celebrada em Gondreville pela tomada de posse da Lorena por Carlos (novembro de 869). Hincmaro de Laon publicou ali, para sua defesa, uma coleção de textos tirados do pseudo-Isidoro, P. L., t. cxxiv, col. 1001-1026. Seu tio lhe respondeu com o seu Opuseulum LV capitulorum, P. L., t. cxxvi, col. 290-494, no qual levanta uma multidão de acusações contra o sobrinho. Todas as tentativas de reconciliação foram vãs, e o bispo de Laon tornou a tomar da pena contra seu metropolita para atacá-lo da maneira mais aguda. P. L., t. cxxiv, col. 1027-1070. O sínodo de Douzy (agosto de 871), presidido por Hincmaro de Reims, chamou a causa ao seu tribunal. O bispo de Laon foi deposto e privado do direito de exercer qualquer função sacerdotal. Adriano II, para quem Hincmaro apelara, pediu a revisão do processo e exigiu que se suspendesse a nomeação de um sucessor. O arcebispo de Reims e os bispos franceses protestaram contra essa decisão do papa, que cessou toda intervenção no caso.
João VIII, por ocasião da coroação de Carlos o Calvo (Natal de 875), aprovou a deposição de Hincmaro, que foi exilado e preso por certo tempo. O conde Bezon de Vienne mandou furar-lhe os olhos, e somente por intervenção, junto a João VIII, dos bispos reunidos em concílio em Troyes (agosto de 878) é que sua sorte foi suavizada. Devolveu-se-lhe uma parte das rendas da diocese, e foi-lhe permitido celebrar a missa pontificalmente. Morreu no ano seguinte. Cellot, Vila Hincmari junioris, em seu Concilinm Duziaccnse, Paris, 1658, p. 1-60; P. L., t. c&.mv. col. 967-97S; Histoire littéraire de la France, t. v, p. 522; Schrôrs, oans le J-'irchenlexikon; Hetele, Histoire des conciles, trad. Leclerrq, Paris, 1911, t. iv b, p. 613-619; Hurter, Nomenclator, Iuspruck, 1903, t. i, col. 806-807.
H. Netzer.
Autor original: H. Netzer
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