GIOANNETTI (ANDRÉ)

GIOANNETTI (ANDRÉ)

GIOANNETTI André, cardeal da santa Igreja romana, nascido em Bolonha em 6 de janeiro de 1722, recebeu no batismo os nomes de Melchior-Benoît-Lucidor, que trocou pelo de André quando vestiu o hábito dos camaldulenses no mosteiro de Ravena. Em 1740, depois de sua profissão, seus superiores o enviaram a Roma para ali fazer seus estudos; quando se tornou doutor, chamaram-no de volta e encarregaram-no de ensinar teologia no mosteiro de Bertinoro. A fama de sua ciência transpôs os muros do convento e o arcebispo de Ravena, Guiccioli, morto em 1763, o escolheu por teólogo. Nesse mesmo ano, foi nomeado abade do célebre mosteiro de sua ordem em Classe, às portas de Ravena. Enriqueceu sua igreja, aumentou a biblioteca, ampliou o museu; mandou drenar os pântanos que a cercavam e a tornavam insalubre. Contudo, os cuidados materiais não lhe faziam negligenciar os outros deveres de seu cargo: dando o exemplo a todos, ensinava os noviços, pregava a seus religiosos, instruía as almas e dirigia muitas, mesmo fora da abadia. Durante uma carestia, em 1766, logo seguida de uma epidemia, foi a providência de toda a região, distribuindo sem contar as provisões do mosteiro e, quando os celeiros e o caixa ficaram vazios, tomou emprestado para pagar o grão que mandava vir por mar.

Depois de expirado seu mandato em Classe, o P. Gioannetti foi chamado a Roma para governar o mosteiro de São Gregório no Célio (1773). O cardeal Braschi, o futuro Pio VI, era então seu comendatário; teve ocasião de conhecer o abade e, tornado papa, criou-o, em 30 de janeiro de 1772, bispo titular de Imeria e administrador da arquidiocese de Bolonha. Em 23 de junho do ano seguinte, fez dele arcebispo e deu-lhe o chapéu. O cardeal André Gioannetti desenvolveu na administração de sua diocese o mesmo zelo de outrora em Classe; restam como provas escritas numerosas cartas pastorais aos fiéis e ao clero. Em 1784, publicou dezoito delas reunidas em um só volume, que formam um curso raciocinado de religião, no qual se aplica a combater as objeções. Elas são completadas por um Appendice sobre a supremacia da Santa Sé, contra Tamburini, Eybel e outros partidários das doutrinas josefistas. Em setembro de 1788, reuniu um sínodo cujas atas, Synodus diœcesana Bononicnsis, in-4°, foram publicadas no mesmo ano.

Quando a Revolução expulsou para a Itália muitos padres e religiosos franceses, o cardeal de Bolonha foi-lhes muito hospitaleiro. Quando os Estados pontifícios foram invadidos pelos exércitos da Revolução, não temeu recordar com firmeza, numa carta ao senado de Bolonha de 9 de janeiro de 1797, os direitos e as leis da Igreja. No ano seguinte, Pio VI, levado em cativeiro, passou por Bolonha; o cardeal acorreu para consolá-lo e pôde conversar com ele por breves instantes. Devia recordar-se, então, de como em 1782 tivera a alegria de lhe fazer um acolhimento totalmente diverso, quando voltava de Viena e o acompanhava a Ímola para a consagração da catedral. As tropas austríacas não tardaram a expulsar os invasores e o arcebispo empenhou-se em reparar as ruínas materiais e morais que eles deixavam atrás de si. Dirigiu-se ao conclave de Veneza que elegeu Pio VII e voltou à sua diocese para ali morrer em 9 de abril de 1800.

Ami de la religion de 28 de setembro de 1825, reproduzido no Dictionnaire des cardinaux de Migne, Paris, 1857; Moroni, Dizionario di erudizione slorico-ecclesiastica, Veneza, 1845, t. xxx, art. Gioannetti; Hurter, Nomenclator, 1912, t. v, col. 327-328.

P. Edouard d'Alençon.

Autor original: P. Édouard d'Alençon

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