GINOULHIAC Tiago-Maria-Aquiles, nascido em Montpellier, em 3 de dezembro de 1806, fez sólidos estudos, sobretudo de ciências e de filosofia. Ordenado sacerdote em 27 de março de 1830, foi logo em seguida nomeado professor no seminário maior de sua cidade natal. Em 19 de janeiro de 1835, pronunciou a Oraison funèbre de Mgr Fournier, in-8°, Montpellier, 1835. Cônego honorário em 1836, tornou-se capelão do convento da Providence em 1837. O arcebispo de Aix tomou-o, em 1839, por seu vigário-geral. Durante esse período, redigiu em grande parte as conferências eclesiásticas de Aix. Publicou sua Histoire du dogme catholique pendant les trois premiers siècles de l'Église et jusqu'au concile de Nicée. Ire partie. De Dieu considéré en lui-même. Unité de sa nature, Trinité de ses personnes, 2 in-8°, Paris, 1852; 2e édit., revue et augmentée, 3 in-8°, Paris, 1866. Ali desenvolvia uma grande erudição e mostrava que os dogmas católicos de Deus e da Trindade não eram produtos da razão humana, mas pertenciam ao depósito da revelação cristã, e que apenas sua explicação ganhara mais clareza e precisão no decorrer dos três primeiros séculos. A introdução da segunda edição, datada de 1º de dezembro de 1865, indica as correções e os acréscimos feitos à primeira.
Mons. Braillard, bispo de Grenoble, ofereceu-lhe, em 2 de junho de 1852, sua sucessão. Nomeado em 9 de dezembro, preconizado em 7 de março de 1853, Mons. Ginoulhiac foi sagrado em Aix, em 1º de maio. Escreveu aos bispos uma carta sobre as aparições da santíssima Virgem em La Salette e dirigiu ao papa, em 1854, um Mémoire lithographié. Pronunciava-se em favor da realidade delas. Mais tarde, em 1869, aprovou a fundação das religiosas de Notre-Dame de la Salette. Em 1860, escreveu uma Lettre circulaire sur la situation actuelle des États de l'Église, e em 20 de dezembro pronunciou uma Allocution aux obsèques de son prédécesseur. Em 1861, publicou o Catéchisme à l'usage du diocèse de Grenoble. Em 1863, escreveu uma Lettre... à l'un de ses vicaires généraux, sur la Vie de Jésus par M. Renan. Realizou um sínodo para preparar os Statuts du diocèse, que foram publicados em 1864. Expediu a seus sacerdotes uma Lettre circulaire sur les accusations portées dans la presse contre l'encyclique du 8 décembre 1864 et le Syllabus, Grenoble, 1865; houve três edições dela. Ela é reproduzida em Baulx, Encyclique et documents, Bar-le-Duc, 1865, t. ii, p. 437-487. Publicou: Les Épîtres pastorales ou réflexions dogmatiques et morales sur les Épîtres de saint Paul à Timothée et à Tite, in-12, Paris, Grenoble, 1866. Fundou a Semaine religieuse em 1868, e restabeleceu a liturgia romana em 1869. Escreveu na Semaine religieuse, sob a assinatura J., artigos sobre Le concile œcuménique, que foram reunidos com esclarecimentos e notas, in-8°, Paris, 1869. Em 1º de julho de 1867, assinara, no centenário de são Pedro em Roma, a mensagem dos bispos presentes a Pio IX para manifestar-lhe sua alegria pela convocação do concílio do Vaticano.
Tomou a palavra várias vezes no concílio: na quinta-feira, 30 de dezembro de 1869, na 5ª congregação, sobre o esquema da doutrina cristã oposta aos erros do racionalismo; na terça-feira, 22 de março de 1870, na 31ª congregação, sobre o c. iv desse esquema; na terça-feira, 28 de junho, na 78ª congregação, sobre o esquema da Igreja. No consistório da véspera, fora preconizado arcebispo de Lyon. Assinou diversos postulata: em 12 de dezembro de 1869 e em 2 de janeiro de 1870, sobre a bula Multipliées inler e a ordem a seguir no concílio; em 12 de janeiro, pela não-definição da infalibilidade pontifícia; em 1º de março, a propósito do decreto de 20 de fevereiro concernente à ordem das matérias a tratar sobre a Igreja; em 4 de maio, as queixas sobre a violação do concílio; em 8 de maio, contra a preferência dada à primazia e à infalibilidade do papa no esquema De Ecclesia; em 4 de junho, contra a ordem dada de encerrar a discussão geral sobre o esquema; em 9 de julho, contra acréscimos feitos a esse esquema. Em 13 de julho, na congregação geral, disse: Non placel a respeito da definição da infalibilidade. Em 17, assinou a carta dirigida a Pio IX pelos anti-infalibilistas para anunciar-lhe que não assistiriam à IV sessão do concílio, que se realizaria no dia seguinte. Com efeito, não assistiu a ela; havia voltado a Grenoble em 3 de agosto; em 11 seguira para Lyon, de onde, em 16, dirigiu ao papa uma carta pela qual aderia ao dogma da infalibilidade pontifícia; foi entronizado em 20.
Ver Acta el décréta sacrosancli cecumcnici concilii Valicani, em Collcclio lacensis, Friburgo em Brisgóvia, 1890, t. vu, p. 715, 731, 736, 754, 917, 920, 946, 962, 980, 9S4, 987, 992, 995, 996, 1039; Granderath, Histoire du concile du Vatican, trad. franc., Bruxelas, 1909, t. n a, p. 58-60, 88, nota, 93, 125, 161, 185, 345; 1911, t. n b, p. 33-37, 76, 115-121 (discurso sobre a maior liberdade a deixar à ciência).
Publicou em seguida: Le sermon sur la montagne, avec des réflexions dogmatiques morales, in-12, Lyon, 1872. Em 1873, reuniu um sínodo e publicou os Statuts synodaux, in-8°, Lyon, 1874. Seu mandamento de quaresma de 1874 tratava da questão social sob este título: Du riche qui se perd et du pauvre qui se sauve. Suas forças e sua razão declinaram logo, e morreu em Montpellier, em 17 de novembro de 1875.
Seus herdeiros editaram uma obra que ele deixara manuscrita: Les origines du christianisme, in-8°, 2 Paris, 1878, da qual o t. i contém os documentos e o t. n expõe os fatos e a doutrina.
Mons. Thibaudier, Mandement à l'occasion de la mort de Mgr J.-M.-A. Ginoulhiac, Lyon, 1875; Lettre de Mgr l'évêque de Montpellier au clergé de son diocèse au sujet de la mort et des funérailles de Mgr l'archevêque de Lyon, 20 novembre 1875, Montpellier, 1875; Mons. Cotton, Oraison funèbre de Mgr Ginoulhiac, 14 janvier 1876, Lyon, 1876; L. Maret, em La France ecclésiastique pour 1876, Paris, p. 765-769; L'épiscopat français depuis le concordat jusqu'à la séparation, in-4°, Paris, 1907, p. 263-264, 316-318; Catholic encyclopedia, Nova York, 1909, t. vi, p. 562; Hurter, Nomenclator, 1913, t. vfc, col. 1520-1521.
E. Mangenot.
Autor original: E. Mangenot
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