GELÁSIO II USif parte, arguta seleção dos livros autênticos dos santos Padres e dos livros apócrifos, bíblicos e patrísticos, primeira revelação de um tribunal do Índice, é hoje considerado como pseudo-gelasiano, P. L., lix. Reconheceu-se desde há muito que as duas primeiras partes do decreto se ligam a um sínodo romano, realizado sob o pontificado de São Dâmaso, muito provavelmente em 382. Mas, há mais: a origem gelasiana da última parte suscita dificuldades tão graves que é preferível, sem falar de alterações e interpolações, rejeitar-lhe totalmente a autenticidade.
O Decretum, cuja unidade literária parece demonstrada, seria do século VI e obra de um particular da Itália ou da Gália. A. Dufourcq, Étude sur les Gesta martyrum romains, Paris, 1910, t. iv (com uma reprodução fotográfica integral e parcialmente inédita do Decreto gelasiano); E. von Dobschutz, Das Decretum gelasianum de libris recipiendis et non recipiendis, em Texte und Untersuchungen, Leipzig, 1912, xxxvm, fasc. 4; R. Massigli, Le décret pseudo-gélasien. À propos d'un texte nouveau, na Revue d'histoire et de littérature religieuses, 1913, p. 155-170; J. Chapman, On the « Decretum gelasianum de libris recipiendis et non recipiendis », na Revue bénédictine, 1913, p. 187-297, 315-333. Cf. Revue biblique, outubro de 1913, p. 602-608.
Além das cartas que nos restam do papa São Gelásio, temos dele ainda seis tratados, tractatus, sobre questões de cristologia e de pelagianismo, que Thiel, op. cit., classificou num grupo distinto. Eis os títulos especiais: Gesta de nomine Acacii; De damnatione nominum Petri et Acacii; breviculus historiæ eutychianistarum; De duabus naturis in Christo adversus Eutychem et Nestorium; Dicta adversus pelagianam hæresim; Adversus Andromachum senatorem ceterosque Romanos, qui Lupercalia secundum morem pristinum colenda constituebant. O santo papa havia deixado outras obras; mas elas não sobreviveram.
O Sacramentário gelasiano, P. L., t. lxxiv, col. 1055-1244, coletânea de ofícios e de orações litúrgicas, é, aos olhos do Sr. abade Duchesne, Origines du culte chrétien, Paris, 1889, uma obra de São Gregório Magno, no século VI; o Sr. Probst, entre outros, Die ältesten römischen Sakramentarien, Münster, 1892, persistiu em atribuí-lo ao papa São Gelásio, sem desconhecer, contudo, que os mais antigos manuscritos, do século VII ou VIII, trazem traços de acréscimos e de alterações. F. Plaine, Le sacramentaire gélasien et son authenticité substantielle, Paris, 1896.
O que há de certo é que esta coletânea é de data mais próxima do que o Sacramentário leoniano, P. L., t. lv, col. 21-156. Liber pontificalis, ed. Duchesne, Paris, 1886, t. i, p. 254-257; Thones, De Gelasio I papa, Wiesbaden, 1873; Viani, Vite dei due pontefici, S. Gelasio I e S. Anastasio, Modena, 1880; Grisar, Geschichte Roms und der Päpste im Mittelalter, t. i, p. 452-457; A. Roux, Le pape Gélase Ier (492-496), Paris, 1880; J. Friedrich, Sur le caractère apocryphe du décret De recipiendis et non recipiendis libris du pape Gélase Ier, nos Comptes rendus des séances de l'Académie royale des sciences, em Munique, 1888, t. i, p. 54-86; Fessler-Jungmann, Institutiones patrologiæ, Innsbruck, 1896, t. ii b, p. 518 sq.; Bardenhewer, Les Pères de l'Église, nova ed. francesa, Paris, 1905, t. iii, p. 156 sq.; Hurter, Nomenclator, 1903, t. i, col. 375-377. P. Godet.
2. GELÁSIO II, papa (1118-1119), que se chamava João de Gaeta e fora monge em Monte Cassino, depois cardeal-diácono e chanceler durante quase quarenta anos, foi eleito, três dias após a morte de Pascoal II, pelos cardeais e por certo número de eclesiásticos e de leigos, num convento do Monte Palatino
Autor original: A. Clerval
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