FRANÇA — OS MÉTODOS ATUAIS DE ORGANIZAÇÃO DOS CATÓLICOS

FRANÇA — Os métodos atuais de organização dos católicos

III. — Os métodos atuais de organização dos católicos. A tendência mais ou menos geral do episcopado francês parece ser a de organizar os católicos em associações paroquiais, cantonais, diocesanas, estritamente alheias a todo partido político e a todas as visadas políticas, preocupadas unicamente com o desenvolvimento da vida católica e com a defesa dos interesses católicos. A esse respeito, como a muitos outros, a arquidiocese de Paris oferece organizações que podem servir de modelo.

Segundo o plano traçado pelo arcebispo de Paris, cada paróquia deve ter um comitê paroquial leigo, recrutado pelo pároco e encarregado de secundar a ação do clero e de promover, sob a direção da hierarquia religiosa, todas as obras úteis ao bem religioso, moral e social da paróquia. A ação política lhe permanece alheia, a organização e o exercício do culto escapam à sua alçada. Esse comitê ocupa-se apenas de ação religiosa. O trabalho pode ali ser repartido em várias seções, ocupando-se respectivamente das obras de religião e de piedade, das obras de ensino e de educação, das obras de perseverança e de juventude, das obras caritativas e sociais, das obras de imprensa e de propaganda. Programas elaborados para a observação moral e o estudo social do bairro, programas que visam à ação possível de empreender, são propostos aos membros dos comitês paroquiais. O relatório apresentado ao congresso diocesano de 1912 assinalava a existência de 92 comitês paroquiais; o congresso diocesano de fevereiro de 1913 soube que esse número se elevara a 108, representando dois terços das paróquias da diocese. Desses 108 comitês, 76 haviam enviado aos organizadores do congresso um relatório sobre seus trabalhos.

Em certas paróquias, esses comitês estabelecem com muita precisão a estatística religiosa e o inventário da ação paroquial: é uma tarefa a que o arcebispado os impele; devem servir, segundo a expressão do Sr. abade Couget, para « estabelecer as condições metódicas, científicas, nas quais deve exercer-se o apostolado. » Entre as iniciativas tomadas por certos comitês paroquiais parisienses, citam-se a criação de obras pós-escolares, a abertura de oficinas profissionais, a criação de hortas operárias, a busca de medidas práticas para a supressão do trabalho noturno nas padarias, a afixação, nos hotéis frequentados por estrangeiros, de certos quadros em diversas línguas indicando os exercícios do culto.

No congresso diocesano de 1913, mencionou-se muito especialmente a iniciativa do comitê paroquial de Sainte-Geneviève des Grandes-Carrières, que trabalhava para constituir seções sindicais de empregados e de operários; a do comitê de Notre-Dame de Plaisance, que estudava a questão do aprendizado; a do de Notre-Dame d'Auteuil, que se ocupava da moradia das famílias com muitos filhos. Outros comitês haviam, durante o ano de 1912, organizado a luta contra a pornografia, contra a imoralidade dos cinematógrafos. A observância do repouso dominical e os meios de facilitar essa observância aos açougueiros, aos merceeiros, aos leiteiros, aos salsicheiros ocuparam vários desses comitês; fundaram-se ligas paroquiais de compradores. O comitê paroquial, segundo a expressão de Dom Gibier, bispo de Versalhes, constitui assim um verdadeiro sindicato de iniciativa.

Acima dos comitês paroquiais funciona o comitê diocesano, que se reúne mais ou menos quatro ou cinco vezes por ano. Todos os anos, algum membro do comitê diocesano visita os comitês paroquiais de uma região de Paris, e uma reunião plenária anual coloca frente a frente os membros do comitê diocesano e um delegado de cada um dos comitês paroquiais. Decidiu-se em fevereiro de 1913 que, a cada trimestre, todos os membros dos comitês paroquiais de um dos três arquidiaconatos da diocese teriam uma reunião entre si. Assim se assegura, ao mesmo tempo, a liberdade das iniciativas e a unidade das inspirações; todos os anos, em Paris, um grande congresso diocesano põe em estudo as questões mais urgentes e reúne, durante três dias, as energias católicas. Tais congressos são igualmente frequentes na maioria das dioceses do interior.

As Uniões paroquiais de homens desenvolvem-se com sucesso em certo número de paróquias da diocese de Paris: o objetivo assinalado pelo cardeal Amette à atividade dos comitês paroquiais é, antes de tudo, a criação e o desenvolvimento dessas Uniões. Todos os católicos praticantes da paróquia são ali admitidos; admitem-se, mesmo, todos os homens da paróquia que, sem cumprir cada um dos deveres da prática religiosa, fazem contudo profissão pública de catolicismo, por exemplo, escolhendo para seus filhos a escola católica ou o patronato católico. « Em tal paróquia de subúrbio, escreve o Sr. abade Yves de la Brière, a união paroquial conta tantas subdivisões, com chefe responsável para cada uma, quantos são os bairros, os setores e as ruas da própria paróquia: é o esboço do que será, um dia, a organização geral dos católicos parisienses. »

Nas dioceses dos departamentos, procura-se organizar de modo semelhante, de um lado, agrupamentos paroquiais e, de outro, um escritório central ao qual todos estejam ligados, e às vezes, como órgãos intermediários, comitês cantonais.

As Uniões diocesanas tendem a agrupar, no terreno religioso — e, em certas dioceses, com vistas a uma atividade eleitoral — os católicos de todas as tonalidades políticas.

Autor original: G. Goyau

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