FRANÇA — A CATEQUIZAÇÃO DAS CRIANÇAS E DOS JOVENS. INICIATIVAS E MÉTODOS NOVOS

FRANÇA — A catequização das crianças e dos jovens. Iniciativas e métodos novos

IV. A catequização das crianças e dos jovens. — Iniciativas e métodos novos. De modo algum desanimada, a Igreja trabalha para retomar pela base a obra da cristianização do povo. Ela é secundada, em Paris, pela Obra dos subúrbios, que visita e patrocina 250 famílias e mais de 10 000 crianças, e zela para que frequentem regularmente as escolas e os catecismos de seu bairro. Ela é secundada, em Paris e na província, pela grande Obra dos catecismos, fundada em 1885 pelo cardeal Richard com 200 senhoras que catequizavam 2000 crianças, obra que foi erigida em arquiconfraria por Leão XIII, em 30 de maio de 1893.

em arquiconfraria à qual podem ser afiliadas todas as sociedades francesas de catequistas; ela compreende catequistas voluntárias e membros que pagam uma cotização. Conta atualmente, em Paris, com 4 300 senhoras catequizando mais de 44 000 crianças; e, na província, com 24 dioceses afiliadas de modo geral, 59 confrarias simples, 65 centros importantes de afiliações individuais, 33 000 senhoras que catequizam 150 000 crianças. Somente no departamento da Lozère, 750 mulheres, camponesas em sua maioria, catequizam 7 200 crianças, e perto de 500 delas, a cada ano, fazem um retiro fechado de 5 dias para manter em si esse espírito de apostolado. Um congresso católico como o que se reuniu em Paray-le-Monial em outubro de 1909, por iniciativa de Mons. Villard, bispo de Autun, atesta a atual preocupação da Igreja da França de adaptar às necessidades espirituais das populações seus métodos de ensino religioso e de aperfeiçoar o que se poderia chamar a pedagogia do catecismo.

Os exames de instrução religiosa, tais como os criou recentemente o arcebispo de Paris, são uma instituição bastante original: vemos aqui a Igreja empenhar-se em pôr em honra, entre a elite de seus jovens fiéis, o elemento intelectual da fé católica, e armá-los de ciência religiosa para as conquistas que se lhes imporão. Esses exames não contam menos de seis degraus. Um ano após a primeira comunhão solene, pode-se, mediante exame, obter o certificado elementar de instrução religiosa; depois, no ano seguinte, após doze meses de novos estudos cujo resultado um júri aprecia, pode-se aspirar ao certificado superior. São os dois primeiros graus de provas. Em 1912, a primeira foi prestada por 1 613 meninos; 1 121 saíram vencedores. Houve, para a segunda, 596 candidatos, dos quais 414 foram admitidos. Na mesma sessão, 1 126 meninas obtiveram o certificado elementar, e 493 o certificado superior. As exigências dos juízes vão crescendo: o zelo dos candidatos, a boa vontade das famílias permitem, com efeito, elevar o nível do exame. Enquanto em 1911 a média dos postulantes admitidos era de 80 por 100, já não era, em 1912, senão de 67 por 100.

Os portadores dos dois certificados podem em seguida galgar um terceiro degrau, que se chama o «concurso elementar de instrução religiosa». Pode-se medir a sua dificuldade, já séria, constatando que em 1912, entre outras questões escritas propostas às moças, houve questões litúrgicas sobre as cerimônias da quinta-feira santa e da sexta-feira santa, e questões históricas sobre são Francisco de Sales, são Vicente de Paulo, são João Batista de La Salle. O «concurso superior» de instrução religiosa, que lhe sucede, abriu às jovens candidatas, em 1912, horizontes ainda mais vastos; elas tiveram de explicar, em suas composições, como Jesus provou que é o Filho de Deus e como os sacramentos santificam, depois o que é um milagre, o que é uma profecia: pediram-lhes noções históricas a respeito dos patriarcas, a respeito dos profetas, a respeito das predições pelas quais o Cristo foi anunciado; tiveram de desenvolver a série dos atos e dos gestos que o sacerdote faz no momento da consagração, e depois pormenorizar tudo o que a Igreja faz pelos defuntos, primeiro na casa mortuária, depois diante do altar, depois no cemitério. Convidaram-nas, até, à solução de um pequeno caso de consciência para pôr à prova a sua destreza de moralistas; e era lançar à sutileza de jovens teólogas uma espécie de desafio interrogá-las sobre os casos em que um sacramento dos vivos pode tornar-se sacramento dos mortos, e um sacramento dos mortos sacramento dos vivos. Mas, muito convenientemente, souberam vencer o desafio.

Para o «concurso de honra», os temas de composição propostos às moças foram ainda mais intimidantes. Foram colocadas diante da hipótese seguinte: «Um judeu, impressionado pelas profecias do Antigo Testamento, quer tornar-se cristão, mas hesita entre a Igreja católica, ou a protestante, ou a cismática ortodoxa. Ele vos pede que o esclareçais.» Vós, para convencê-lo, deveis usar não somente das profecias do Novo Testamento, mas também das do Antigo Testamento. As laureadas do concurso de honra devem, como se vê, saber responder também sobre as profecias bíblicas relativas à vinda do Messias; sobre as diversas palavras que o Cristo pronunciou, depois explicar em que consiste tal ponto do dogma; precisar, também, os direitos da jurisdição eclesiástica; e descrever o sentido litúrgico dos ornamentos que servem ao altar. É preciso, para abordar tal exame, um apego profundo às coisas religiosas.

Em 1912, 32 candidatas se apresentaram e 31 foram aprovadas. O concurso elementar teve 26 candidatas; e o concurso superior, 85 em 94. Várias comissões, desejosas de recompensar aquelas que obtêm um diploma de instrução religiosa, reúnem-se duas vezes por ano; o zelo dos que querem desempenhar um papel no ensino do catecismo é tal que, na diocese, em junho último, não eram menos de 250 os que pleiteavam esse diploma, o qual atesta não somente que se domina bem as dificuldades do catecismo, mas também, e sobretudo, que se pode tornar um bom mestre.

"menções de louvor" e "menções muito honrosas" distinguem aqueles e aquelas que passaram pelas provas com maior brilho, e sob as abóbadas de Notre-Dame ressoam os nomes de cada um; e cada um vem receber um prêmio das mãos do cardeal. Assim se reabre, na Paris de hoje, uma era de ensino religioso que parece dever ser ainda mais brilhante do que aquela que inaugurara, há oitenta anos, o abade Dupanloup. A assiduidade aos catecismos de perseverança era outrora atestada pela entrega de uma "análise" que reproduzia, seja resumindo-a, seja estropiando-a, a instrução dada pelo sacerdote: as mães, as professoras, tinham frequentemente na confecção desses deveres tanta parte quanto as crianças, ou mais. Hoje a instrução religiosa se apresenta aos jovens e às moças de Paris como uma ciência que comporta iniciações sucessivas, cada vez mais árduas, e que exige um esforço intelectual pessoal, verificado por um júri. Ao laicizar a escola, esperara-se desmamar as inteligências da fé: para que servem essas noções, sobre as quais o Estado docente deixara de interrogar? Mas a Igreja fez surgir salas de exame, e criou exames, e os candidatos ali vêm, e voltam mesmo se de início fracassam, e dessa semente de jovens laureados sairá uma messe de apóstolos.

Programas de instrução religiosa do mesmo gênero foram elaborados e postos em prática, em 1913, em outras dioceses, notadamente na de Nancy. Examens d'instruction religieuse. Programmes et règlements, Nancy, 1913.

Autor original: G. Goyau

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