DUFOUR ou DU FOUR Pierre-Joseph nasceu em Codiez, hoje Pirenéus Orientais, então pertencente à diocese de Alais. Tomou o hábito dominicano no convento de Toulouse por volta de 1736. Depois de sustentar teses teológicas perante o capítulo provincial da província de Toulouse em 1742, foi nomeado leitor de teologia e, nessa qualidade, enviado ao colégio de Limoges para aí ensinar filosofia. Por ordem do geral da ordem, Thomas Ripoll, por volta de 1744, foi designado para Paris a fim de ensinar igualmente filosofia e teologia. Por essa época, dedicou-se também ao estudo das línguas orientais. Após seis anos de ensino, foi eleito para fazer parte do famoso colégio de Saint-Jacques. Todavia, em 1751, voltou a Toulouse para ocupar na universidade a cátedra de teologia deixada vacante pela demissão do P. François d'Azémar. Em 1756, Dufour foi eleito pelos moderadores da universidade de Pádua para suceder ao P. Mora como professor de teologia, mas seu estado de saúde não lhe permitiu aceitar. Mais tarde exerceu o cargo de provincial na província de Toulouse, de 1778 a 1782. Morreu em Toulouse, em 18 de agosto de 1786. O P. Dufour distinguiu-se sobretudo por escritos polêmicos, publicados em sua maioria, como era costume da época, sob o véu do anonimato. Neles mostra-se cheio de vivacidade e de uma ironia digna de Pascal. Por sua tradução da Explicação dos quatro paradoxos de Concina, contribuiu muito para o descrédito em que caiu o probabilismo na França. Tinha mesmo a intenção de traduzir por inteiro a história do probabilismo, como ele próprio confessa ao próprio Concina. Eis os principais escritos do P. Dufour: 1° Explication de quatre paradoxes qui sont en vogue dans notre siècle; avec une préface dans laquelle on rend compte de ce qui s'est passé en Italie à l'occasion de l'histoire du probabilisme et de la condamnation des nouveaux mammillaires, par le R. P. Daniel Concina, dominicain de Venise, à Lucques 1746, sous les auspices de S. E. M. le cardinal Quirini, évêque de Bresse et bibliothécaire du Vatican. Obra traduzida do italiano e acrescida de uma relação exata das disputas sobre a moral que se levantaram além dos montes, desde 1739, e de uma coletânea de decretos promulgados por N. S. P. o Papa Bento XIV, contra várias opiniões relaxadas, por M. le chevalier Philalethi, veneziano, in-12, Avignon, 1751; essa tradução teve o maior êxito, a julgar por uma carta do P. Dufour a Concina, datada de 2 de abril de 1753, na qual lhe anuncia que as quatro edições de seu livro foram esgotadas de imediato; 2° Lettre d'un théologien où il est démontré que l'on calomnie grossièrement saint Thomas, quand on l'accuse d'avoir enseigné qu'il est quelquefois permis de tuer un tyran, et d'avoir posé des principes contraires à l'indépendance des rois, etc., in-12, em França, s. l., 1761. Tendo aparecido um escrito anônimo, intitulado: Lettre d'un homme du monde a un théologien, au sujet des calomnies qu'on prétend avoir été avancées contre saint Thomas, Dufour respondeu com: 3° Seconde lettre d'un théologien, où l'on achève de mettre en évidence la calomnie élevée contre saint Thomas au sujet du tyrannicide et de l'indépendance des souverains, contre les vaines allégations d'un anonyme, in-12, s. l. n. d.; 4° Dufour, sobre o mesmo assunto, escreveu ainda uma Lettre d'un magistrat où l'on examine les vices d'un écrit intitulé: Lettre d'un homme du monde a un théologien, in-12, s. l., 1762; 5° Bref de N. S. P. le pape Benoit XIV, aux doyens et aux autres professeurs de la faculté de théologie de Toulouse avec des observations, in-8°, 1754; 6° L'autorité de saint Augustin et de saint Thomas dans l'Église catholique, établie par la tradition du témoignage perpétuel rendu à leur doctrine, obra publicada em francês, conforme o tratado latino de um teólogo de Viena da Áustria, in-12, Francfort-sur-le-Mein (na realidade Toulouse), 1773; Paris, 1776; 7° em 1764, a 12 de agosto, Dufour fez sustentar por um jovem religioso da mesma ordem que a sua, Fr. Benoit Caussanel, na igreja do convento de Toulouse, uma tese que foi publicada ao mesmo tempo sob este título: Augustissimo Senatui Tolosano de ecclesiastica potestate regum ac principum imperio nequaquam metuenda, cunctisque hominibus veneranda et amanda, ad norman solemnis Declarationis quam edidit clerus gallicanus anno 1682. Assertiones dogmaticas, metaphysicas, historicas, apologeticas, ad sacerdotii et imperii jus publicum spectantes, FF. Praedicatores Tolosani DD. DD. DD., in-4°, Toulouse, 1764. Essas teses foram examinadas e aprovadas por quatro membros do Senado e outros tantos da Academia; a própria Academia decidiu, em 19 de agosto de 1764, fazê-las sustentar. Todavia, elas haviam suscitado viva oposição por parte dos jesuítas. Um libelo lhes foi contraposto; intitulava-se: Lettre d'un jeune écolier des soi-disans au R. le très R. F. Pierre-Joseph Dufour, dominicain, professeur Royal de théologie, au sujet de la thèse dédiée au Parlement séant à Toulouse, ...soutenue tant bien que mal, le 12 août 1764, par Benoit Caussanel aussi dominicain, après Vêpres (chantées a la hate dans l'église des FF. Prêcheurs de Toulouse), in-12 de 219 páginas. Esse libelo foi suprimido e mesmo rasgado e queimado pela mão do carrasco em 14 de maio de 1765. Não obstante, as teses foram condenadas pelo Santo Ofício em 9 de maio de 1765. Foram traduzidas para o francês em Paris, in-12, 1766. Haviam também aparecido em resumo no Journal historique de Verdun, novembro de 1764, p. 305-358. — 8° Doctrina septem praesulum vindicata, seu epistola Romani theologi ad septem Galliae praesules. De iniquo Animadversore qui catholicam doctrinam in Breviario ab ipsis recens promulgato consignatam notare ausus est, in-8°, 31 de outubro de 1772; esta obra é anônima; 9° Mémoire consulter pour les professeurs conventuels de la faculté de théologie en l'université de Toulouse, etc., contre les professeurs séculiers perpétuels de la même faculté, etc., in-4°, Paris, 1786; 10° Vaticinia duo, Jacobi unum, alterum Danielis, in christianae religionis praesidium vindicata dissertatio, in-8°, Paris, 1785; 11° Dissertatio in qua spinosianum systema exponitur et Spinozae atheismus una cum stoicorum et sinensium litteratorum commentis profligatur, in-8°, s. l. n. d.; 12° Dissertatio de Scripturae sacrae archetyporum exemplarium et interpretationum auctoritate, in-8°, s. l. n. d.; 13° Exposition des droits des souverains sur les empêchements dirimans de mariage et sur leurs dispenses, in-12, Paris, 1787, obra póstuma. Por esta obra, em particular, vê-se a funesta influência dos princípios do galicanismo sobre espíritos aliás distintos. Apesar de sua profunda ciência teológica, Dufour sustenta nela que o poder secular tem o direito de criar impedimentos dirimentes ao matrimônio, o que a Igreja repudia. Embora seja póstuma, esta obra é realmente do P. Dufour, como se pode ver no catálogo dos livros do P. Fabricy, seu amigo, onde, à p. 79, ele a assinala com esta menção: «Pelo falecido P. Dufour, dominicano.»
Jacques Villanueva, Bibliotheca scriptorum ordinis praedicatorum continuatio, ms. in-fol., p. 190-491 [Arch. gén. de l'ordre, Rome]; Gabr. Fabricy, Catalogus librorum quibus utitur, etc., ms. [ibid.], p. 79, 86; Liber consiliorum S. Jacobi Paris, Arch. nat., LL, 1531; R. Coulon, art. Concina; Dionysii Sandelli Patavini, De Danielis Concinae vita et scriptis, in-4°, Brescia, 1767, p. 112-114; Barbier, Dictionnaire des ouvrages anonymes et pseudonymes, in-8°, Paris, 1822, n. 1386, 6388, 13592, 11090, 14209, 6329, 20281; Dollinger-Reusch, Geschichte der Moralstreitigkeiten, etc., in-8°, Nordlingen, 1889, t. 1, p. 807, note 4; Hurter, Nomenclator, Inspruck, 1895, t. III, col. 459.
Autor original: R. Coulon
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