DOUTOR DA IGREJA. — I. Definição. II. Principais doutores da Igreja.
I. Definição. — Chamam-se «doutores da Igreja» os escritores eclesiásticos que, não só por causa de sua vida santa e de sua perfeita ortodoxia, mas ainda e sobretudo por causa de sua ciência considerável e de sua profunda erudição, foram honrados com esse título por uma aprovação solene da Igreja. Os «doutores da Igreja» distinguem-se, pois, dos «padres da Igreja» (ver este verbete) por três razões: 1º Não é necessário, para ser doutor da Igreja, pertencer a uma época muito recuada, ao passo que a antiguidade é condição necessária para o título de «padre da Igreja». 2º Nos doutores da Igreja, a ciência deve brilhar com um fulgor verdadeiramente extraordinário, de modo que seja, por assim dizer, a nota própria de sua missão; nos padres da Igreja, ao contrário, não é necessário que a ciência, embora devendo ser notável e segura, atinja esse grau excepcional. 3º Enfim, para consagrar o título de «doutor», é preciso que intervenha uma aprovação mais solene por parte da Igreja, ainda que a forma dessa aprovação nem sempre tenha sido definida como o é hoje. Só o papa ou um concílio geral podem conferir o título de doutor da Igreja. Os doutores da Igreja ocupam um lugar litúrgico à parte no breviário e no missal. No ofício, têm uma antífona própria ao Magnificat: O doctor optime, Ecclesiae sanctae lumen, Beate N. N. O missal também lhes reserva uma missa própria, de communi doctorum: In medio Ecclesiae. Nessa missa, o celebrante diz o Credo, em memória dos serviços extraordinários que o doutor prestou à fé cristã.
II. PRINCIPAIS DOUTORES DA IGREJA. — Em primeiro lugar entre os doutores da Igreja, e a título eminente que os séculos cristãos consagraram, contam-se quatro padres da Igreja latina, santo Ambrósio, são Jerônimo, santo Agostinho, são Gregório Magno, e quatro padres da Igreja grega, santo Atanásio, são Basílio, são Gregório de Nazianzo e são João Crisóstomo. Em segundo lugar, são honrados com o nome de doutores da Igreja são Leão Magno (decreto de Bento XIV, 1754), santo Hilário de Poitiers (decreto de Pio IX, 1851), são Pedro Crisólogo (decreto de Bento XIII, 1729), são Cirilo de Alexandria, são Cirilo de Jerusalém, são João Damasceno (decreto de Leão XIII, 1893), Beda o Venerável (decreto de Leão XIII, 1899), santo Anselmo (decreto de Clemente XI, 1720), são Bernardo (decreto de Pio VIII, 1830), são Pedro Damião (decreto de Leão XII, 1828), são Tomás de Aquino (decreto de Pio V, 1568), são Boaventura (decreto de Sixto V, 1588), santo Afonso de Ligório (decreto de Pio IX, 1871), são Francisco de Sales (decreto de Pio IX, 1877). Santo Leandro de Sevilha e santo Ildefonso são honrados com o título de doutores na Espanha e na ordem beneditina, como o Venerável Beda o era entre os beneditinos antes do decreto de Leão XIII. São Fulgêncio teria o mesmo título na Espanha. Bento XIV, De servorum Dei beatificatione, Roma, 1783, LIV, c. 1, n. 11; Franzelin, De Scriptura sacra et traditione, Roma, 1877, th. XXIV, XV sq.; Billot, De sacra traditione contra novam heresim evolutionismi, Roma, 1904, passim; Newman, An Essay on the development of christian doctrine, 9ª ed., Londres, 1894, passim; Didiot, La logique surnaturelle subjective, Paris, 1891, p. 153 sq.; Vacant, Le magistère ordinaire de l'Eglise et ses organes, Paris, 1887, passim; Bainvel, De magisterio vivo et traditione, Paris, 1905, p. 73; De Groot, Summa apologetica de Ecclesia catholica, Ratisbona, 1906, p. 784.
Autor original: E. Valton
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