DOROTEU DE GAZA, autor ascético do século VI. Nascido em Antioquia e tendo recebido excelente educação, Doroteu abraça a vida religiosa no mosteiro de Séridos, situado perto de uma torrente entre Gaza e Ascalão. Ali, comunicava-se, por intermédio de Séridos, com são Barsanúfio, que uma reclusão absoluta separava, não somente do mundo, mas também dos religiosos do convento, e foi de são João o Profeta o servidor assíduo durante nove anos. Muito preocupado com seu progresso espiritual, dirigia a um e a outro uma multidão de perguntas por escrito sobre textos da Escritura, dos Padres ou sobre diversos pontos de teologia. Restaram-nos cerca de 95 modelos dessas perguntas e dessas respostas. Ver Doctrina XXI, P. G., t. LXXXVIII, col. 1812-1822; t. LXXXVI, col. 891-902, e sobretudo Nicodemos o Hagiorita, Βίβλος ψυχωφελεστάτη περιέχουσα ἀποκρίσεις... τῶν... Βαρσανουφίου καὶ Ἰωάννου..., Veneza, 1816, cartas CCLII-CCCXXXV, CCCXXXVI-CCCXLII, DXLI-DXLII, e Échos d'Orient, Paris, t. VII, p. 271 sq., 273 sq. Esses dois anciãos pediram-lhe em seguida que construísse, a suas expensas, perto do mosteiro, um hospital, cujo encargo assumiu com vários jovens monges, entre os quais são Doroteu. Após a morte de João o Profeta e de Barsanúfio, por volta do ano 540, Doroteu deixou o mosteiro de Séridos e construiu outro, que ficava entre as cidades de Gaza e Maiuma, segundo Moscos, c. CLXVI, P. G., t. LXXXVIII, col. 3033. Foi ali que proferiu suas Conferências espirituais, de conteúdo meio teológico, meio ascético, e que gozaram de grande consideração na vida monástica. Estas foram dirigidas aos seus religiosos, provavelmente entre os anos 540 e 560. P. G., t. LXXXVIII, col. 1612-1844. Não se sabe quando morreu Doroteu; em todo caso, é falso que tenha vivido no século VII, como sustentam todos os manuais de patrologia. Os bolandistas o inseriram nos Acta sanctorum, t. I junii, p. 587-595, embora confessem não ter encontrado traço de seu culto. Não se deve confundir nosso autor com um Doroteu, monge de Alexandria, que escreveu uma obra em favor do concílio de Calcedônia, sob Anastácio I, 491-518, Teófanes, Chronicon, P. G., t. CVIII, col. 360; nem com um Doroteu, que se revelou ardoroso eutiquiano no concílio de Calcedônia, Mansi, Concil., t. VII, col. 61, 66, 68, 73-83; nem com um Doroteu, que foi sagrado bispo de duas seitas monofisitas, por volta do ano 565, Teófanes, op. cit., col. 524 sq., e a quem santo Sofrônio anatematiza. P. G., t. LXXXVIII, col. 3192. É sobretudo com este último que por vezes o confundem, e santo Teodoro Estudita teve, no século IX, de se defender em Roma das acusações lançadas contra ele a esse respeito, P. G., t. XCIX, col. 1028, 1816; t. LXXXVIII, col. 1613. Embora essas duas personagens tenham vivido na mesma época e ignoremos tudo sobre Doroteu de Gaza depois de suas Conferências espirituais, o que sabemos dele anteriormente não nos autoriza a confundi-lo com o bispo monofisita. Quanto aos documentos que apoiam essas afirmações, remete-se aos vários artigos dos Échos d'Orient: Saint Dorothée et saint Zosime, t. IV, p. 359-363; Les lettres spirituelles de Jean et de Barsanuphe, t. VIII, p. 268-276; Saint Barsanuphe, t. VIII, p. 14-25; Jean le prophète et Séridos, t. VIII, p. 154-160; Un mystique monophysite, le moine Isaïe, t. IX, p. 81-94.
Autor original: S. Vailhé
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