DOROTEU DE ANTIOQUIA

DOROTEU DE ANTIOQUIA

DOROTEU de Antioquia. Eunuco de nascimento, Doroteu de Antioquia foi tomado de amizade pelo imperador Diocleciano, que o colocou, a título de superintendente, à frente da tinturaria de púrpura de Tiro. Eusébio, H. E., VII, 32, P. G., t. XX, col. 721. Espírito culto e muito versado na literatura helênica, mostrou grande zelo pelo estudo da Escritura e aprendeu tão bem o hebraico que lia correntemente os livros escritos nessa língua. O bispo de Antioquia, Cirilo (+ 303), ligou-o à sua igreja ordenando-o sacerdote e fez com que ele explicasse os santos Livros. Eusébio, que o conheceu e o ouviu no exercício de suas funções, atesta que as desempenhava com competência. Foi, portanto, contemporâneo e colega do célebre Luciano e pertenceu a esse grupo de exegetas de Antioquia, que aplicavam o método dialético de Aristóteles e interpretavam a Escritura no sentido literal. Compôs ele obras? Eusébio nada diz a esse respeito, e são Jerônimo não o incluiu entre os escritores eclesiásticos. Ignora-se a data e o gênero de sua morte. Eusébio, muito a par dos assuntos de seu tempo, dos acontecimentos políticos e religiosos, tem o cuidado de citar Luciano de Antioquia na lista dos bispos e sacerdotes que morreram mártires durante a perseguição, Pr. VII, P. G., t. XX, col. 775, mas não fala de Doroteu. De Mas Latrie, Trésor de chronologie, Paris, 1889, col. 714, faz-lhe sofrer o martírio em 362; ora, essa data e esse gênero de morte convêm apenas a Doroteu, bispo de Tiro, com quem não se deve confundir Doroteu, sacerdote de Antioquia. Tampouco se deve confundi-lo com seu homônimo, eunuco como ele, mas camarista de Diocleciano, que sofreu o martírio em companhia de Górgono, Eusébio, H. E., VIII, 1, P. G., t. XX, col. 740, nem tampouco com aquele a quem se atribui uma Synopsis de vita et morte prophetarum, apostolorum et discipulorum Domini (Synopsis de vita et morte prophetarum, apostolorum et discipulorum Domini), obra de um desconhecido, que deu origem a erros de atribuição, que data da primeira metade do século VI, de 525 o mais tardar, e que se encontra na Bibliotheca max. Patrum, Lyon, 1677, t. I, p. 422-429, e em Cave, Script. eccl. historia literaria, Genebra, 1705, p. 104-108. Sobre essa Synopsis, ver Schermann, em Texte und Untersuchungen, Leipzig, 1907, t. XXXI, fasc. 3, p. 6-14. Eusébio, H. E., VII, 32, P. G., t. XX, col. 721; Nicéforo, H. E., VI, 35, P. G., t. CXIV, col. 420; Tillemont, Mémoires pour servir à l'hist. eccl., Paris, 1697-1710, t. V, p. 185; Harnack, Geschichte der altechr. Litteratur bis Eusebius, Leipzig, 1893-1897, t. I, p. 532; Batiffol, Littérature grecque, Paris, 1897, p. 191; Bardenhewer, Patrologie, trad. franç., Paris, 1898, t. I, p. 294; Chevalier, Répertoire. Bio-bibliographie, 2e édit., col. 1231.

Autor original: G. Bareille

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