DONATO

DONATO

1. DONATO. Bispo de Casas Negras, na Numídia, na época da perseguição de Diocleciano, esse Donato, que não se deve confundir com seu homônimo de Cartago, o grande chefe e a alma do donatismo, foi um puritano, indulgente consigo mesmo, rigorista com os outros e, sob as aparências de um amigo da ordem na Igreja, um verdadeiro intrigante malfazejo. Não hesitara, por sua conta, em praticar a reiteração do batismo e em impor as mãos aos bispos que haviam faltado durante a perseguição. Sem ser o autor exclusivamente responsável pelo grande cisma que iria perturbar por mais de três séculos toda a África do Norte, desde a Mauritânia até a Tripolitânia, nem por isso deixou de ser um dos instigadores e uma das causas determinantes, em circunstâncias que importa relatar sucintamente. No dia seguinte à perseguição, o bispo de Cartago, Mensúrio, escrevia ao primaz da Numídia, Secundo de Tigisi, uma carta na qual não temia censurar certos cristãos que se haviam denunciado a si mesmos como detentores dos Livros sagrados, a fim de obter o martírio. Dava claramente a entender que a perseguição fora para esses fanfarrões a ocasião de liquidar seus negócios embaraçados e de refazer uma reputação comprometida; não tinham, portanto, nenhum direito às honras devidas aos mártires. Ele próprio, para enganar os executores dos éditos imperiais, havia substituído os Livros santos por obras heréticas bem dignas do fogo. Donato de Casas Negras aproveitou a ocasião para desacreditar a conduta do primaz da África junto àqueles que ele havia descontentado por sua recusa em honrar as vítimas, e até para acusá-lo de ter sido traditor; de tal modo que se denunciou aos magistrados sua fraude. S. Agostinho, Brev. collat., III, 25, P. L., t. XLIII, col. 638. Não foi preciso mais para suscitar alguns tumultos em Cartago. Mensúrio, tendo recusado entregar à autoridade pública o diácono Félix, que se refugiara em sua casa, foi mandado chamar oficialmente a Roma. Antes de partir, teve o cuidado de confiar a dois velhos os ornamentos sagrados e os tesouros de sua igreja, e de entregar a lista detalhada deles a uma cristã. Devolvido indene pela corte, regressava a Cartago quando morreu; foi em 311. S. Optato, De schism. donat., I, 17, P. L., t. XI, col. 917-918. Foi preciso proceder à sua substituição. Dois presbíteros, Botro e Celéstio, disputavam sua sucessão e preveniram os bispos vizinhos para proceder à eleição e à sagração do novo primaz. Mas, para sua confusão e para o grande desprazer de uma riquíssima matrona, Lucila, que tinha um candidato à mão, a escolha recaiu sobre Ceciliano, diácono de Mensúrio, e Félix de Abtugui ou de Aptonga sagrou o novo eleito. S. Optato, ibid., I, 18, col. 919. Ceciliano então reclamou os bens de sua igreja aos dois depositários, mas em vão. Uma cabala foi rapidamente montada entre esses dois detentores infiéis, os dois presbíteros preteridos e a irritável e vingativa Lucila. Donato de Casas Negras, inspirador deles, lembrou-se de que o bispo de Cartago devia ser sagrado por aquele dentre os primazes cuja sé fosse a mais próxima, a saber, por Secundo de Tigisi; propôs, pois, fazer intervir os prelados da Numídia. O ouro de Lucila tornou a coisa fácil. Viu-se, então, em 312, 70 bispos da Numídia dirigirem-se a Cartago, reunirem-se ali em concílio e citarem Ceciliano a comparecer para julgar seu caso. Diante da recusa de Ceciliano, instruíram sua causa, declararam nula sua sagração, visto que o consagrante fora traditor, pronunciaram uma sentença de deposição, elegeram e consagraram o favorito de Lucila, o leitor Majorino. Era o cisma, pois Ceciliano, com razão, não quis ceder. Donato de Casas Negras julgou então encontrar a solução num recurso direto ao poder civil, que não tinha nenhuma competência para dele conhecer. Inspirou, pois, a redação e o envio de um libelo acusatório a Constantino. É por isso, sem dúvida, que a súplica junta ao libelo traz as assinaturas de cinco bispos, aliás desconhecidos, com estas palavras: et ceteris episcopis PARTIS DONATI, S. Optato, ibid., I, 22, col. 930, sendo Donato de Casas Negras o principal acusador. Em todo caso, o documento selado, entregue ao procônsul Anulino e por ele transmitido ao imperador, traz: Libellus Ecclesiae catholicae criminum Ceciliani traditus A PARTE MAJORINI, como o indica várias vezes santo Agostinho. Constantino confiou ao papa Melquíades ou Milcíades o cuidado de dirimir a contenda. Epist. ad Melchiadem, P. L., t. VIII, col. 477. Os dois partidos opostos foram, pois, convocados a Roma em outubro de 313. Donato lá se encontrava. Intimado a provar o cisma que imputava a Ceciliano, só pôde apresentar testemunhas que afirmaram nada ter a formular contra Ceciliano. Por falta de provas autênticas, a causa de Ceciliano permanecia inatacável nesse ponto. Foi ele, ao contrário, que, de repente, de acusador se tornando acusado, foi convencido de ter fomentado o cisma já no tempo de Mensúrio, quando Ceciliano ainda era apenas diácono. Teve mesmo de reconhecer que, contrariamente ao uso da Igreja romana, não hesitara em praticar a reiteração do batismo, nem mesmo em impor as mãos aos bispos que haviam faltado durante a perseguição. Levantou então uma outra acusação, lembrando a condenação de que Ceciliano fora objeto por parte do concílio de Cartago, por ter sido sagrado por um traditor. A réplica foi imediata; os verdadeiros traditores eram os bispos daquele concílio, corrompidos pelo ouro de Lucila. Mas o papa recusa-se a abordar esse ponto do debate, para se ater apenas à acusação de cisma. Ora, esta, sem a menor dúvida, foi decidida em favor de Ceciliano, e o acusador Donato foi o único a ser condenado. S. Optato, ibid., I, 24, col. 933; S. Agostinho, Epist., XLIII, 4, 16; Post collat., 56; Brev. collat., I, 31, P. L., t. XLIII, col. 637, 643. Com uma obstinação que haveria de caracterizar todos os donatistas na sequência, Donato de Casas Negras queixou-se da decisão do papa e do concílio de Roma. A seu pedido insistente, os bispos da Numídia apelaram de novo ao imperador, S. Optato, ibid., I, 25, col. 934, que decidiu a convocação de um novo concílio em Arles, em 314. Mas também ali Ceciliano se viu plenamente justificado; e, por acréscimo, a questão dos traditores ali foi tratada. O cânon 13 condena à deposição todo clérigo convencido por ato público de ter entregue as Escrituras, os vasos sagrados ou o nome de seus irmãos; declara válida a ordenação recebida da mão de um bispo traditor. Hardouin, Act. concil., t. I, col. 265. Apesar dessa dupla decisão, os donatistas não se deram por vencidos; recorreram de novo a Constantino, que, em 316, ratificou plenamente a sentença dos juízes eclesiásticos. Ver DONATISMO. Que aconteceu a Donato das Casas Negras depois de todas essas condenações? Não se sabe. Aliás, naquele momento, outro homem havia tomado a frente do partido cismático, aquele que seus partidários chamavam o grande Donato. S. Optato, De schismate donatistarum, I, 15-25, P. L., t. XI, col. 945-935; S. Agostinho, Retract., I, XXI, 3, P. L., t. XXXII, col. 618; Epist., CXIX, P. L., t. XXXIII, col. 448; Brev. coll., III, 25, 31, P. L., t. XLIII, col. 638, 643; Ellies Dupin, Historia donatistarum, P. L., t. XI, col. 774 sq.; Tillemont, Mém. pour servir à l'hist. eccl., Paris, 1704, t. VI, p. 3 sq.; Duchesne, Le dossier du donatisme, em Mélanges d'arch. et d'hist. de l'école française de Rome, 1890, p. 589 sq.; dom Chapman, Donatus the Great and Donatus of Case Nigrae, em Revue bénédictine, 1º de janeiro de 1909, p. 13-23; Chevalier, Répertoire. Bio-bibliographie, 2ª ed., col. 1222. Ver a bibliografia do art. DONATISMO. G. BAREILLE.

2. DONATO. Santo Optato, em sua história do cisma dos donatistas, não distingue entre os dois Donatos, o das Casas Negras e o de Cartago; mas traça do segundo um retrato tomado do vivo, pois recorria a testemunhas oculares ainda vivas quando replicava ao donatista Parmênio, e a fatos de notoriedade pública. Quando santo Agostinho empreendeu sua campanha em favor da unidade contra o cisma, que durava havia quase um século, não se apercebeu de início de que houvera dois Donatos, cujo nome ficou ligado ao grande cisma africano; atribuía ao de Cartago o que fora obra daquele das Casas Negras. Em seguida, teve de retificar-se e, com sua lealdade habitual, reconheceu seu erro, não deixando por isso de sustentar com razão que o Donato das Casas Negras havia sido o primeiro instigador do cisma por sua intervenção funesta nos assuntos de Cartago antes e depois da morte de Mensúrio. Retract., I, XXI, 3, P. L., t. XXXII, col. 618. A confusão dos dois Donatos ainda persistia entre a maioria dos católicos por ocasião da célebre conferência de 411; mas ela cessou diante do protesto dos donatistas. Censurava-se os dissidentes por terem tido como chefe um bispo condenado pelo papa Milcíades; imediatamente Petiliano, bispo donatista de Constantina, protestou contra tal imputação, que em nada dizia respeito a Donato de Cartago, Gesta coll., IV, 32, P. L., t. XI, col. 1368; com efeito, o condenado pelo papa havia sido Donato das Casas Negras. S. Agostinho, Brev. coll., III, 31, P. L., t. XLIII, col. 643. O equívoco dos católicos podia muito bem provir de santo Optato que, a propósito do libelo enviado a Constantino pelos bispos da Numídia depois da eleição e da sagração de Majorino, fala do partido de Donato, quando ainda não havia partido de Donato, mas apenas o partido de Majorino, seu eleito. E é realmente do partido de Majorino, não do de Donato, que se trata nos atos oficiais, entre outros no relatório do procônsul Anulino, bem conhecido de santo Agostinho e por ele inserido em uma de suas cartas. Epist., LXXXVIII, 2, P. L., t. XXXIII, col. 302-303. A expressão de santo Optato só podia ser um lapso ou um erro material de redação. "É certo, diz Mons. Duchesne, Le dossier du donatisme, em Mél. d'arch. et d'hist. de l'école franç. de Rome, Paris, 1890, p. 608, que as duas últimas palavras partis Donati (do texto atual de santo Optato) não podem ter figurado no original. No momento em que a peça foi redigida, os dissidentes, embora contassem entre seus chefes mais ativos um certo Donato, bispo de Case Nigrae, não se designavam por seu nome, mas pelo de Majorino, o competidor por eles oposto a Ceciliano." Ellies Dupin esclareceu a distinção das duas personagens, Hist. donat., P. L., t. XI, col. 792, e essa distinção deve permanecer adquirida. Quanto à hipótese de l'Aubépine, Observ. in S. Optatum, obs. II, P. L., t. XI, col. 1165-1166, segundo a qual dois bispos cismáticos de nome Donato, um podendo ser Donato das Casas Negras, que nesse caso teria sido transferido para a sé de Cartago, ou outro qualquer, e o segundo Donato o Grande, teriam sucedido a Majorino antes de Parmênio, essa hipótese deve ser rejeitada por dois motivos: o primeiro, é que está em contradição com santo Optato, que fala sempre de um único intermediário entre Majorino e Parmênio; o segundo, é que o fato da translação de um bispo de uma sé para outra sé é igualmente desconhecido nessa época tanto entre os donatistas quanto entre os católicos. Donato de Cartago não é, portanto, Donato das Casas Negras, e é o único a ter ocupado, a título de bispo cismático, a sé da metrópole africana, desde a morte de Majorino, ocorrida por volta de 315, até Parmênio, isto é, durante mais de 40 anos. Foi esse Donato de Cartago que verdadeiramente deu seu nome ao partido cismático; tomou em mãos sua direção, organizou fortemente e lançou a Igreja da África, por mais de três séculos, na pior das aventuras. Era um homem de real valor, de costumes íntegros e de uma conduta digna de melhor papel. Tinha o espírito cultivado; era erudito e falava com eloquência; impôs-se a todo o seu partido por sua habilidade, sua ação incessante e sua indomável energia. Infelizmente, era infatuado de si mesmo, de um orgulho desmedido, crendo-se superior a todos, considerando os bispos de seu partido como seus humildes servos, tratando da maneira mais altiva os magistrados civis e os próprios imperadores, sempre autoritário, por vezes seco. Quando vinham vê-lo, sua primeira pergunta era: "Que se diz do meu partido em vossas regiões?" Escreveu um dia, em 336 ou 337, ao prefeito Gregório esta palavra insolente: "Sois a vergonha do Senado e a infâmia dos prefeitos. " Em 347, quando Paulo e Macário, enviados por Constante para distribuir amplos socorros aos miseráveis cristãos da África, apresentaram-se a ele, recebeu-os com estas palavras: "Que há de comum entre a Igreja e o imperador?" De schism. donat., III, 3, P. L., t. XI, col. 999. Esquecia com demasiada facilidade que os primeiros fautores do cisma tinham sido os primeiros a recorrer com insistência ao imperador. Seja como for, em poucos anos, sob sua direção reconhecida e aceita, o partido teve grande desenvolvimento e organizou-se em Igreja separada; os bispos multiplicaram-se a tal ponto que, reunidos em concílio, em 330, eram presentes em número de 270. Depois, aproveitando as circunstâncias, quando surgiram os circunceliões, ver t. I, col. 2514, longe de desaprovar tais bandidos, os donatistas os utilizaram contra os católicos; e se é verdade que, diante dos horrores que cometeram, vários bispos donatistas pediram ao conde Taurino que reprimisse seus delitos, De schism. donat., III, 4, P. L., t. XI, col. 1008, é certo que o nome de Donato não é citado entre eles; certo é também que o mesmo Donato advertiu os mandatários imperiais, Paulo e Macário, de que iria escrever por toda parte para que se lhes fechassem as portas. E sabe-se que, dóceis demais ao aviso desse temido chefe, Donato de Bagai e Marculo apressaram-se a pedir o concurso dos circunceliões para repelir à mão armada os presentes e os socorros materiais do imperador. É verdade que pagaram com a vida sua criminosa audácia, o que lhes valeu, junto a seus correligionários, as honras dos mártires. De schism. donat., I, 6, col. 1014. Macário, com efeito, vendo que os métodos de brandura eram completamente ilusórios com tais fanáticos, reclamou tropas e respondeu à força com a força. Uma vez senhor da revolta armada, não teve mais contemplações para com os donatistas e intimou seus bispos a reintegrarem-se à unidade, sob pena de verem aplicar-se-lhes o rigor das leis já promulgadas contra eles. Vários fugiram, outros submeteram-se, alguns recusaram-se a obedecer a suas ordens. Entre estes últimos estava Donato de Cartago.

Em consequência, foi condenado ao exílio, e a paz reinou até o advento de Juliano, o Apóstata. Esse orgulhoso primaz dos donatistas, que levava a fatuidade a ponto de crer-se mais que um homem, quase igual a Deus, ut sibi jam non homo sed Deus fuisse videretur, e que exigia dos bispos veneração e temor, tantum sibi de episcopis suis exegit ut eum non minori metu venerarentur quam Deum, De schism. donat., III, 3, col. 1002-1003, realizou, segundo santo Optato, a profecia de Ezequiel, xxv, 2 sq., sobre o príncipe de Tiro; morreu, com efeito, no exílio, De schism. donat., III, 3, col. 1088, sem que se saiba em que lugar nem em que data exata, mas verossimilmente por volta de 355. Escusado é dizer que sua memória foi venerada pelos donatistas como a de um santo e de um mártir. E Petiliano, na conferência de Cartago de 411, o saudou como o chefe do partido donatista de bem-aventurada e santa memória, cujo mérito lançara tal brilho que o tempo não fora capaz de lhe manchar a glória. Gest. collat., III, 32, P. L., t. XI, col. 1368. Um tal homem, parece, com a cultura intelectual que possuía e a atividade que desenvolveu ao longo de seu longo episcopado, deve ter mantido vasta correspondência e composto obras em sustento de sua causa. Tudo pereceu. Mal se falava, no começo do século V, de uma carta que recebeu dos dissidentes orientais do concílio de Sárdica reunidos em Filipópolis, e de outra que escreveu sobre matérias religiosas. A primeira era exaltada pelos donatistas como prova de que os Padres do concílio de Sárdica pensavam como Donato a respeito dos traditores; mas santo Agostinho, que acabou por obtê-la, observa que esses pretensos Padres não passavam de arianos, pois nela condenavam o papa Júlio e o grande Atanásio; ignorando sua verdadeira procedência e crendo-a realmente do concílio de Sárdica, tratou esse concílio de ariano; em todo caso, ela não podia servir para justificar o erro dos donatistas. Epist., xliv, 6, P. L., t. XXXIII, col. 176, 516. Quanto à carta escrita por Donato, tratava, segundo santo Agostinho, que a refutou, de matérias relativas à controvérsia donatista, notadamente do batismo, que não podia ser conferido validamente senão no partido donatista. A refutação do bispo de Hipona está perdida, assim como a carta de Donato; mas santo Agostinho teve de reconhecer, contrariamente ao que havia afirmado, que Donato não fora o iniciador, entre os cismáticos, da reiteração do batismo, e que não havia truncado por autoridade própria um texto do Eclesiástico, xxxiv, 30, pois esse texto assim truncado já se encontrava antes de Donato em manuscritos africanos. Retract., I, xxi, P. L., t. XXXII, col. 617-618. Das demais obras de Donato de Cartago, que devem ter sido numerosas, santo Jerônimo assinala apenas um tratado De Spiritu Sancto, que cheirava ao erro ariano. De vir. ill., 93, P. L., t. XXIII, col. 695. Por sua vez, santo Agostinho constata que restavam em seu tempo obras de Donato, das quais se depreendia que o chefe do partido cismático não tivera ideias ortodoxas sobre o dogma trinitário; pois, embora mantivesse a unidade de substância nas três pessoas divinas, Donato pretendia que o Filho é inferior ao Pai e o Espírito Santo inferior ao Filho; erro que, a bem dizer, passara completamente despercebido em seu partido. Her. LXIX, P. L., t. XLII, col. 43. Além dessa obra assinalada por santo Jerônimo e dessa alusão de santo Agostinho provocada pelo mesmo tratado, Donato havia composto outras obras cujo título não é indicado. "É difícil crer, observa Mons. Duchesne, loc. cit., p. 590, que não tenha encontrado contraditores, e que a polêmica católica não tenha produzido nenhum livro para refutar os seus. Desses livros, contudo, o próprio rastro está perdido." É sobretudo surpreendente, acrescentaremos, que nunca, nem santo Optato, nem santo Agostinho, lhes tenham feito a menor alusão em suas controvérsias com os donatistas. Não seria seu silêncio uma prova de que o episcopado católico da África, no tempo do grande Donato, não contou entre seus membros nenhum bispo capaz de refutar os argumentos do chefe donatista? Esse bispo apareceu, mas mais tarde, e foi sobretudo o de Hipona. S. Optato, De schismate donatistarum, III, 3, P. L., t. XI, col. 998-1006; S. Agostinho, Retract., I, XXI, P. L., t. XXXII, col. 617-618; Epist., CLXXXV, 2, P. L., t. XXXIII, col. 800; Her. LXIX, P. L., t. XLII, col. 435; Brev. coll., III, 10, P. L., t. XLIII, col. 643; Ellies Dupin, Historia donatistarum, P. L., t. XI, col. 792-794; Tillemont, Mémoires pour servir à l'hist. ecclés., Paris, 1704, t. VI, p. 63 sq.; Harnack, Geschichte der altchristl. Literatur, 1893, t. I, p. 684, 724; Duchesne, Le dossier du donatisme, em Mélanges d'arch. et d'hist. de l'école française de Rome, 1890, p. 589 sq.; dom Chapman, Donatus the Great and Donatus of Casa Nigra, na Revue bénédictine, 1º de janeiro de 1909, p. 13-23; Chevalier, Répertoire. Bio-bibliographie, 2ª ed., col. 1222. Ver a bibliografia do art. DONATISMO.

Autor original: G. Bareille

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