DIONÍSIO O PEQUENO. Dionísio, a quem sua humildade fez tomar o cognome de Pequeno, nasceu na Cítia (a Pequena Cítia, ou a moderna Dobrodja), mas veio jovem a Roma, por volta do ano 500, e ali viveu no claustro até por volta de 540. O documento capital sobre Dionísio encontra-se nas linhas comovidas consagradas à sua memória por seu amigo Cassiodoro, Institut., l. I, 23, P.L., t. LXIX, col. 1137. Serviu as letras cristãs por suas traduções, por suas coleções canônicas e pela introdução da era dionisíaca. Dionísio figura entre os sábios que, na esteira de um Jerônimo e de um Rufino, abriram aos leitores latinos os tesouros da ciência grega. A maior parte de suas traduções encontra-se em P. L., t. LXVII. Mas seus trabalhos canônicos ilustraram mais seu nome. Já nos primeiros anos do século VI, publicou em latim uma coleção de cânones sinodais do Oriente assim como do Ocidente. Da primeira redação desse trabalho resta apenas o prefácio, mas possuímos uma segunda edição, datando provavelmente também da primeira década do século VI. A coletânea se abre com os cânones dos apóstolos e se encerra com os do concílio de Calcedônia (451). Sob o papa são Símaco († 514), Dionísio reuniu as decretais pontifícias, das quais ainda não existia coletânea especial; delas apresentava trinta e oito, indo de são Sirício († 398) a santo Anastácio II († 498). As duas coleções, que obtiveram desde logo grande autoridade na Igreja romana, formaram mais tarde um único corpo sob o título de Dionysiana (collectio), P.L., t. LXVII, col. 139-316. Cf. Maassen, Geschichte der Quellen und der Litteratur des kanon. Rechts, t. I, p. 132-136; Ad. Tardif, Histoire des sources du droit canonique, p. 110-114. Dionísio empreendeu enfim, a pedido do papa Hormisdas (514-523), uma edição greco-latina dos cânones sinodais da Igreja grega; dela resta igualmente apenas o prefácio. Na cronologia, Dionísio ligou a seu nome uma glória imortal como fundador da era cristã. Por suas duas cartas De ratione paschæ, P. L., t. LXVII, col. 19-28, 483-494, seu Cyclus decemnovennalis, col. 493-498, e seus Argumenta paschalia, col. 497-508, insistia na adoção do ciclo pascal alexandrino de dezenove anos, e prolongava as tábuas pascais de são Cirilo por uma duração de noventa e cinco anos a partir do ano 525; é nesse trabalho que, rompendo com a era de Diocleciano ou dos mártires (29 de agosto de 284), conta pela primeira vez os anos a partir do nascimento de Jesus Cristo. Erradamente, é verdade, fixava o advento do Salvador no ano 754 de Roma, ao passo que cálculos mais exatos o situam alguns anos antes, provavelmente no final do ano 749. Dom Amelli, sem provas bem decisivas, atribui a Dionísio a paternidade de uma série de peças latinas da época das querelas eutiquianas, por ele exumadas de um manuscrito de Novara. Spicilegium Casinense, 1893, t. I, p. 1-189. Cf. o mesmo, S. Leone Magno e l'Oriente, Mont-Cassin, 1890. Bardenhewer, Les Pères de l'Eglise, trad. Godet e Verschaffel, t. III, p. 165-167; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. I, col. 495-498. Cf. U. Chevalier, Répertoire. Biobibliographie, 2e édit., t. I, col. 1076-1077.
Autor original: C. Verschaffel
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