DEVOÇÃO

DEVOÇÃO

DEVOÇÃO. — I. Natureza. II. Relações com a perfeição. III. Meios principais de adquirir, de conservar e de desenvolver a devoção. I. NATUREZA. — 1. DEFINIÇÃO. — No sentido teológico estrito, é o ato da vontade que se dá com fervor ao serviço divino. — 1° O objeto para o qual se dirige a devoção é o próprio objeto da virtude de religião, ou o culto divino interior e exterior no qual está igualmente compreendido o culto religioso prestado aos santos como servos e amigos de Deus. Pertencem ainda a este objeto todas as práticas exteriores do culto e seus objetos sensíveis; pois nossa natureza não pode se acomodar a um culto puramente espiritual e a Igreja impõe a todos os seus fiéis algum culto exterior. Ver CULTO EM GERAL, t. III, col. 2410-2411. 2° Pela devoção a vontade se dirige com fervor ao culto divino. — 1. Este fervor consiste primeiramente e principalmente na firme determinação da vontade de permanecer fielmente devotada ao serviço de Deus, mesmo apesar do doloroso e frequente aperto das desolações e provações espirituais. Este fervor da vontade, chamado também devoção substancial, é ao mesmo tempo o fundamento seguro sobre o qual repousa toda a prática da devoção e a causa de todo o seu mérito diante de Deus. Sem ele, a devoção puramente sensível não tem mais nenhuma consistência nem verdadeira utilidade. Com ele, a alma permanece tranquilamente inabalável no serviço de Deus apesar das flutuações das impressões sensíveis. Mesmo na árida desolação das purificações passivas e na ausência de toda consolação, como acontece sobretudo às almas fortes que Deus purifica de maneira mais intensa e mais rápida, a devoção substancial continua a mover e a sustentar a alma em suas práticas habituais. Acrescentemos todavia que esta devoção, graças à ardente caridade que ela supõe, causa sempre à alma alguma alegria ou deleite espiritual que não podem impedir as mais duras provações da parte sensível. Schram, Theologia mystica, 2ª edição, Paris, 1848, t. I, p. 146. — 2. A esta devoção substancial da vontade pode se juntar frequentemente a devoção acidental que consiste numa abundante alegria espiritual causada à inteligência e à vontade pela consideração ou contemplação da infinita perfeição ardentemente amada, S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. LXXXII, a. 4; q. CLXXX, a. 7, ou mesmo no deleite sensível que frequentemente resulta de nossas fortes afeições ou emoções espirituais. Estes efeitos sensíveis da alegria espiritual podem ir até as lágrimas. Ibid., q. LXXXII, a. 4, ad 3um. Pelo contentamento que ela espalha na alma e pela atração que dá para as coisas celestes, a devoção acidental sobretudo afetiva é um poderoso estímulo de atividade espiritual e de virtude sólida, com a condição de estar constantemente acompanhada de uma humilde desconfiança de si mesmo e de fazer tender eficazmente para a virtude sólida e para a verdadeira perfeição. 3° Este fervor da devoção supõe na vontade a caridade, a religião e a piedade, e na inteligência uma fé suficientemente esclarecida e atuante. — 1. É a caridade para com Deus que é a fonte primeira e principal de onde jorra e onde se alimenta sem cessar o amor do serviço divino, enquanto a virtude de religião dita imediatamente à vontade amante os atos religiosos aos quais ela deve se dedicar. S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. LXXXII, a. 2, ad 1um. A religião é ainda ajudada em seu papel pelo dom complementar de piedade, que nos inclina a render mais perfeitamente a Deus considerado como nosso pai todos os deveres que lhe são devidos. S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. CXXI, a. 4. Acrescentando ao motivo geral da virtude de religião o motivo mais poderoso da piedade filial, a piedade aumenta na vontade a intensidade da caridade que se reflete no fervor da devoção. Por causa de seu papel preponderante na gênese da devoção, a caridade e a piedade são frequentemente identificadas com ela. — 2. Os atos da vontade que supõem a devoção, a piedade, a religião e a caridade, devem primitivamente se apoiar numa fé suficientemente esclarecida e atuante. Pois é um princípio muito seguro que a fé deve dirigir os atos da vontade em sua busca do fim sobrenatural e dos meios que a ele conduzem, como a razão deve conduzir a vontade em tudo o que é do domínio natural. S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. II, a. 3. É aliás muito certo que não há caridade ou amor sem conhecimento, embora o amor possa ser também aumentado pela experiência ou conhecimento prático resultante da íntima fruição do objeto amado. Ver t. I, col. 2235. É pois desnaturar a devoção representá-la unicamente como uma exuberância de um sentimento religioso mais ou menos instintivo. Conceito familiar a muitos protestantes para quem aliás a própria fé não é o mais das vezes senão um vago sentimento religioso. Observemos aliás com são Tomás, que a perfeição do conhecimento ou da ciência, longe de prejudicar a devoção, antes a aumenta, desde que ela não se compraza em si mesma e permaneça humildemente submissa a Deus. Sum. theol., IIa IIae, q. LXXXII, a. 3, ad 3um. 4° O fervor da devoção, em vez de ser o ato passageiro que acabamos de analisar, pode ser uma disposição habitual, constantemente existente na prática dos atos do culto divino. Alimentada por uma generosa e constante caridade e fortalecida pelos dons do Espírito Santo, particularmente pelo dom de piedade e pelos dons de inteligência, de ciência e de sabedoria, esta disposição habitual é ainda poderosamente ajudada por uma incessante prática dos mesmos deveres geralmente cumpridos. Para ser perfeita, esta devoção habitual deve se dirigir não somente aos atos religiosos ordenados por algum preceito divino ou eclesiástico, mas ainda ao que é recomendado como mais agradável a Deus. Esta definição da devoção adotada por são Francisco de Sales, Introdução à vida devota, c. 1, encontra-se frequentemente entre os teólogos ascéticos. 5° Enfim, num sentido mais particular, dá-se o nome de devoção ou devoção particular a toda prática habitual de atos religiosos ordenados ou não ordenados, caracterizados por um objeto especial. Tais são a devoção ao santíssimo sacramento ou ao Sagrado Coração de Jesus, a devoção à Santíssima Virgem ou a seu coração puríssimo, aos santos anjos ou a algum outro santo. Conforme a sanção com que a Igreja as honra, essas devoções são ordenadas ou recomendadas, pelo menos em suas principais manifestações, ou simplesmente autorizadas numa medida sabiamente restrita. Públicas quando se exercem em nome da Igreja e em seus ofícios litúrgicos, são, na hipótese contrária, simplesmente privadas. Seja qual for sua forma, devem estar submetidas à direção da Igreja e ser praticadas segundo seu espírito. Conforme ao decreto do concílio de Trento, De invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum et sacris imaginibus, sess. XXV, deve-se abster-se de todas as práticas de culto que a Igreja reprova, não reprovar nenhuma que ela autoriza, e não antecipar o juízo da Igreja sobre aquelas que ela ainda não sancionou. A Igreja, aliás, sempre proibiu aos fiéis toda devoção pública ou particular manchada de erro ou de superstição. Sempre se opôs a toda novidade, mesmo aparente, que não oferecesse título suficiente de justificação. Se aprova alguma, é após maduro exame de sua plena legitimidade e mediante certas condições determinadas. Sempre, aliás, defendeu energicamente contra os hereges de todos os tempos as práticas legitimamente apoiadas no dogma tradicional e no uso constante dos fiéis. Essa direção da Igreja deve ser invariavelmente seguida. Deve-se também conformar-se ao espírito da Igreja, segundo o qual as devoções públicas ou particulares são simples meios de realizar mais eficazmente e mais seguramente a observância dos mandamentos de Deus e da Igreja, de todos os deveres da vida cristã, e de ajudar à prática da verdadeira perfeição. Longe de conferir qualquer isenção ou dispensa dos deveres cristãos, ou de diminuir sua importância, essas devoções devem antes ajudar ao seu integral cumprimento. Observando fielmente nesse ponto o espírito da Igreja, dissipar-se-ão ou prevenir-se-ão as censuras mais habituais dirigidas à devoção católica.

II. QUALIDADES PRINCIPAIS. — Como já ressaltam suficientemente da definição precedente, contentar-nos-emos em resumi-las sucintamente: 1° A devoção, tendo sua fonte primeira na caridade e devendo finalmente tender para Deus como fim último, será tanto mais perfeita quanto mais isenta for de amor-próprio e de busca de si mesma, e quanto mais generosamente se aplicar a seguir perfeitamente a vontade de Deus.

— 1. Buscar a própria satisfação no exercício da devoção, tirar dela vaidade ou dela tomar ocasião para se estimar acima dos que não a praticam, é profanar os dons de Deus e arruinar a ordem providencial. Para nos manter num humilde desinteresse e nos ensinar a tudo esperar dele e a não buscar senão a ele, Deus cuida de nos deixar frequentemente experimentar nossa própria fraqueza. Pelo desapego das consolações espirituais ou sensíveis, e pela constante e generosa conformidade à vontade divina em meio às mais duras provações, a alma se enraíza fortemente no hábito da mais pura caridade e nele extrai toda a sua perfeição.

— 2. Todavia, a busca ou o pedido humilde e resignado dos divinos favores é conforme ao plano providencial, quando se permanece perfeitamente submisso à vontade de Deus e quando se propõe unicamente progredir em seu amor mediante o encorajamento e a força que eles dão à alma. Schram, op. cit., t. I, p. 147; Meynard, Traité de la vie intérieure, 3e édit., Paris, 1899, t. I, p. 85 sq. Aliás, a proposição oposta foi condenada em Molinos por Inocêncio XI, em 20 de novembro de 1687: Qui desiderat et amplectitur devotionem sensibilem non desiderat nec quaerit Deum sed seipsum; et male agit cum eam desiderat et eam habere conatur qui per viam internam incedit tam in locis sacris quam in diebus solennibus. Prop. 27, Denzinger, Enchiridion, 10e édit., n. 1247.

2° Para melhor atingir seu fim último, para se manter numa exata ortodoxia sempre rigorosamente exigida pela Igreja e para evitar numerosos escolhos, a devoção deve apoiar-se constantemente numa fé suficientemente esclarecida. Os pastores eclesiásticos, os superiores religiosos e os diretores espirituais, que devem proporcionar abundantemente aos fiéis, e sobretudo às almas mais perfeitas, a instrução necessária, devem colhê-la com cuidado na doutrina tradicional da Igreja e no ensinamento mais autorizado dos teólogos. Não nos cabe examinar aqui se, de fato, na história da devoção ou das devoções, essa necessária qualidade foi sempre plenamente realizada em todos os fiéis. As lacunas que porventura se constatassem nesse ponto não poderiam de modo algum ser atribuídas à direção da Igreja ou ao ensinamento teológico por ela autorizado.

II. RELAÇÕES COM A PERFEIÇÃO. — 1° A devoção substancial, proveniente de uma caridade fervente e constante, supõe, sobretudo quando é habitual, alguma realização permanente da perfeição, ou a ela facilmente conduz. Pois essa caridade fortemente estabelecida na alma, e que a dispõe a fazer constante e prontamente o que se sabe ser mais agradável a Deus, é a própria perfeição. Voir t. I, col. 2038 sq. Ao mesmo tempo, a devoção substancial contribui poderosamente para o desenvolvimento da perfeição, pelo emprego constante e frutuoso dos mais poderosos meios de perfeição: a mortificação, a oração, a meditação e a contemplação. A devoção substancial, generosamente mantida nas dolorosas provações das purificações passivas, tem um valor e uma eficácia particularmente intensos para a santificação pessoal, por causa das virtudes heroicas que supõe ou faz praticar.

2° A devoção acidental, considerada em si mesma, não supõe necessariamente a aquisição da perfeição. Deus compraz-se às vezes em dispensá-la liberalmente aos principiantes que ainda não ultrapassaram a via purgativa. Quer assim desprendê-los dos afetos perecíveis e ligá-los definitivamente a seu amor. Não é menos verdade que a devoção acidental nem sempre ajuda efetivamente à aquisição da perfeição. À alma imprudente que nela se compraz ou que a ela se afeiçoa excessivamente, e que disso toma ocasião para negligenciar a mortificação e as virtudes sólidas, ela pode tornar-se ocasião de perdição. Mas quando procede de uma ardente caridade e é acompanhada de uma humilde desconfiança de si mesma, de uma constante resignação à vontade divina e de sérios esforços em direção às virtudes sólidas, ajuda poderosamente à verdadeira perfeição. Essa eficácia é particularmente intensa nos inefáveis gozos que resultam da contemplação mística e que têm por efeito imediato na alma um amor muito grande para com Deus e para com o próximo. Filipe da Santíssima Trindade, Summa theologiæ mysticæ, Paris, 1874, t. II, p. 108 sq.; Meynard, Traité de la vie intérieure, 3e édit., Paris, 1899, t. I, p. 143 sq.

3° As devoções particulares, públicas ou privadas, podem ser excelentes meios auxiliares de perfeição, conforme sua natureza e sua importância, e conforme o espírito com que são praticadas. É isso o que principalmente realizam as devoções cujo fim imediato, inteiramente espiritual, está intimamente ligado à caridade e às demais virtudes cristãs. Bem diferentes podem ser, por vezes, as devoções em que se propõe sobretudo a obtenção de favores temporais. Diretamente estéreis do ponto de vista ascético para as almas demasiado esquecidas das disposições espirituais sempre necessárias, podem contudo proporcionar sérias vantagens, aliviando misérias reais, mantendo alguma prática da oração e facilitando o cumprimento de alguns deveres religiosos. Cabe aos sacerdotes esclarecer e dirigir os fiéis, de modo a assegurar às devoções autorizadas pela Igreja seu pleno efeito espiritual e afastar delas os defeitos que às vezes as desacreditam aos olhos dos não católicos.

III. PRINCIPAIS MEIOS DE ADQUIRIR, CONSERVAR E DESENVOLVER A DEVOÇÃO. — Não é necessário mostrar na graça divina a fonte primeira de onde procede, juntamente com todo bem sobrenatural, toda verdadeira devoção.

Temos apenas de indicar os meios que produzem imediatamente em nossa alma essa salutar disposição. Pode-se, com santo Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. CLXXXII, a. 3, reduzi-los todos à meditação ou contemplação. Segundo santo Tomás, essa meditação ou contemplação é toda consideração da verdade divina, cujo fim principal é excitar e aumentar nossa caridade para com a infinita perfeição de Deus. Op. cit., q. CLXXX, a. 1. Quer tenha por objeto os efeitos do poder e da misericórdia divina nas criaturas, quer se dirija imediatamente às perfeições divinas, a contemplação tende sempre a excitar em nós uma ardente caridade para com Deus, caridade de onde brota espontaneamente o fervor da devoção. Op. cit., q. CLXXXII, a. 3. Voir CONTEMPLATION, t. II, col. 1617. Mas, para produzir em nós esse efeito habitual, a meditação ou contemplação deve ser precedida e acompanhada da prática do recolhimento interior e da mortificação ou moderação constante das paixões capazes de distrair e atormentar a alma. Op. cit., q. CLXXX, a. 2. Deve ainda apoiar-se constantemente na oração, fonte habitual de luz para a alma, e nos demais meios providenciais de comunicação da verdade divina, tais como o ensinamento alheio, as leituras piedosas e as reflexões pessoais. Ibid., a. 3, ad 4um. Enfim, o santo doutor exige que a contemplação tenda incessantemente não ao conhecimento intelectual, por louvável que seja, mas à caridade verdadeiramente efetiva, com todos os sacrifícios que ela exige de nós, q. CLXXX, a. 1 e 7, ad 1um. Esse ensinamento de santo Tomás resume fielmente os meios parcialmente indicados pelos Padres e demais autores ascéticos anteriores. Santo Ambrósio, De institutione virginis, c. 10, P. L., t. XVI, col. 335; São Gregório de Nissa, De instituto christiano, P. G., t. XLVI, col. 304; Cassiano, Collationes, collat. X, c. XIV, P. L., t. XLIX, col. 843; São João Clímaco, Scala paradisi, gradus XXVII, P. G., t. LXXXVIII, col. 1133; Hugo de São Vítor, Eruditionis didascalicæ, l. V, c. IX, P. L., t. CLXXVI, col. 797; De modo orandi, c. 1, col. 977 sq.; São Bernardo, De consideratione, l. I, c. VII, P. L., t. CLXXXII, col. 736 sq.

De tudo o que precede, é lícito concluir que as pessoas particularmente obrigadas por estado à perfeição e a deveres que não podem ser convenientemente cumpridos sem a devoção ao menos substancial, estão obrigadas a alguma prática habitual da meditação ou contemplação das coisas divinas. Conclusão aplicável não só às pessoas empenhadas no estado religioso, mas também aos sacerdotes seculares particularmente obrigados à perfeição por suas funções sacerdotais e por seu ministério. Voir t. I, col. 2040. Ensinamento, aliás, fortemente expresso por São Gregório Magno, exigindo que o pastor das almas seja *præ cunctis contemplatione suspensus*, Regulæ pastoralis liber, part. II, c. v, P. L., t. LXXVII, col. 32, e que *studiose quotidie sacri eloquii præcepta meditetur, ut in eo vim sollicitudinis et erga cœlestem vitam provide circumspectionis quam humanæ conversationis usus indesinenter destruit, divinæ admonitionis verba restaurent; et qui ad vetustatem vitæ per societatem secularium ducitur, ad amorem semper spiritualis patriæ conpunctionis aspiratione renovetur*, col. 48. É também o pensamento de São Bernardo, De consideratione, l. I, c. VII; l. II, c. v; P. L., t. CLXXXII, col. 736 sq., 745 sq. Santo Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. LXXXII; São João da Cruz, La montée du Carmel, l. III, c. XXXV sq., Œuvres, Paris, 1893, t. III, p. 186 sq.; Thomas de Vallgornera, Mystica theologia divi Thomæ, q. LV, disp. I, a. 14, Turin, 1894, t. I, p. 90 sq.; São Francisco de Sales, Introduction à la vie dévote, l. I, c. 1; João de Jesus Maria (+ 1615), Opera omnia, Florence, 1772, t. II, p. 518 sq.; Antônio do Espírito Santo (+ 1677), Directorium mysticum, tr. III, disp. II, sect. XVI, n. 195 sq., Paris, 1904, p. 292 sq.; Filipe da Santíssima Trindade, Summa theologiæ mysticæ, Paris, 1874, t. I, p. 256 sq.; Schram, Theologia mystica, 2e édit., Paris, 1848, t. I, p. 488 sq.; Meynard, Traité de la vie intérieure, 3e édit., Paris, 1899, t. I, p. 85 sq., 207 sq., 403 sq., 530 sq.; Frederick William Faber, Growth in holiness, 2e édit., Londres, 1855, p. 396 sq.

Autor original: E. Dublanchy

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