DESCARTES (A MORAL DE)

DESCARTES (A MORAL DE)

A MORAL DE DESCARTES. — Só se pode dizer poucas coisas bem seguras sobre a moral de Descartes, pela razão de que seu pensamento percorre duas etapas nesse ponto, uma em que ele só estabelece o provisório, outra em que parece não querer se precisar.

1° Tendo Descartes estabelecido sua alma na dúvida, mas premido, contudo, pela necessidade de agir que cada instante faz nascer, redigiu primitivamente o código de uma moral provisória. Discours sur la méthode, IIIe partie. Esse código contém uma regra para a inteligência, uma para a vontade, uma para a sensibilidade. A inteligência, não podendo ter a certeza, iria ao mais seguro, e sua regra seria « obedecer às leis e aos costumes do meu país, retendo constantemente a religião na qual Deus me fez a graça de ser instruído desde a infância » e pondo « entre os excessos todas as promessas pelas quais se subtrai algo à própria liberdade. » Com efeito, podendo o provisório ser sempre abandonado, seria imprudente fixar-se nele por promessas ou votos. — A regra da vontade, cujo papel é suprir por suas decisões as incertezas da razão, « era ser o mais firme e o mais resoluto possível em minhas ações, e seguir não menos constantemente as opiniões mais duvidosas, uma vez a elas determinado, do que se fossem muito seguras. » Essa regra teve por resultado « livrá-lo de todos os arrependimentos e remorsos que costumam agitar as consciências » dos espíritos fracos e vacilantes. — A regra da sensibilidade ou da ação era a do sacrifício. « A própria natureza da ação restringe nossa felicidade: agir é sempre escolher entre uma infinidade de partidos possíveis, realizar um deles e renunciar aos outros: a ação é essencialmente um sacrifício. » Landormy, op. cit., c. II, p. 80. Sua regra é, pois, « procurar sempre antes vencer-me a mim mesmo do que à fortuna, e mudar meus desejos antes que a ordem do mundo. » — Há nessa moral úteis preceitos, mas seu defeito fundamental é assentar-se na dúvida universal, considerando todos os mandamentos da moral natural como provisoriamente inexistentes e universalmente duvidosos. Ora, se as conclusões mais ou menos afastadas da lei natural podem ser ignoradas por certas consciências, há obrigações primordiais que são manifestas para toda alma e das quais nunca é permitido duvidar, mesmo provisoriamente.

2° A essa moral provisória, Descartes devia substituir uma definitiva; esta parece ser o objetivo constante de suas pesquisas e o fruto esperado de seu método. « Qual é, segundo as Regulae, a maneira séria de buscar a verdade? É pensar unicamente em aumentar a luz natural da razão, não para resolver esta ou aquela dificuldade de escola, mas para tornar o entendimento capaz, em cada um dos lances da vida, de prescrever à vontade o que ela deve escolher. Se Descartes tem um desejo muito vivo de aprender a distinguir o verdadeiro do falso, é, como ele próprio nos diz no Discours de la méthode, Ière partie, porque sabe que é o meio de ver claro em suas ações e de caminhar com segurança nesta vida. E no prefácio dos Principes, ele define a filosofia como o estudo da sabedoria, a qual consiste, diz ele, num perfeito conhecimento de todas as coisas que o homem pode saber, tanto para a conduta de sua vida, quanto para a conservação de sua saúde e a invenção de todas as artes. » Boutroux, Du rapport de la morale à la science dans la philosophie de Descartes, na Revue de métaphysique et de morale, julho de 1896. De fato, segundo o homem do mundo que parece tê-lo conhecido mais intimamente, Clerselier, a moral era objeto de suas considerações mais ordinárias. Baillet, La vie de M. Descartes, Paris, 1691, t. I, p. 445. Mas ele não gostava de escrever sobre esse assunto, e, se dele deu um esboço no Discours sur la méthode, isso foi a contragosto e por prudência, « por causa dos pedagogos e outras gentes da mesma espécie que, sem isso, o teriam acusado de ser sem religião e sem fé, e de querer transtornar uma e outra com seu método. » Manuscrito de Geeltingue, publicado pelo Sr. Ch. Adam, na Revue bourguignonne de l'enseignement supérieur. Cf. Boutroux, loc. cit. Enfim, a moral que ele esboça não parece brotar do seio de sua filosofia, nem ser dela o fruto lógico e natural.

3° Pode-se fazer-lhe três censuras. Ela exagera o papel da liberdade divina na constituição do objeto da moral e das leis da consciência; atribui à razão um lugar excessivo; conduz ao determinismo. A primeira censura resulta do que dissemos mais acima sobre a dependência das essências, do verdadeiro e do bem em relação à liberdade de Deus. É porque Deus o quis livremente que dois e dois são quatro e que o adultério é culpável; se ele tivesse decidido de outro modo, dois e dois seriam cinco, e o adultério faria os santos. Já dissemos a gravidade desse erro que, em moral, pode levar aos piores excessos, uma vez que se poderá pretender que a revelação pela qual Deus nos fez conhecer suas livres decisões não é nem clara e evidente, nem definitiva. A outra censura não é menos grave. A moral de Descartes pode, em sua parte espiritual, reduzir-se ao cultivo do espírito. Estando a alma identificada com o pensamento e sendo a moral a busca da perfeição, esta consistirá no pensamento perfeito. Em todas as coisas, escreve ele no início de suas Regras, é a bondade do espírito « que devemos buscar; o resto não merece ser estimado senão na medida em que para ela contribui. » E no Discours sur la méthode lemos: « Basta bem julgar para bem agir. » É a redução do homem ao espírito, da virtude à retidão do juízo, da virtude moral ao vigor do pensamento: conhecer é poder; bem conduzir o próprio espírito é bem agir. Não é sem fundamento que se pôde ligar a essas visões a doutrina moderna, da qual apenas alguns começam a voltar atrás: a ciência torna o homem melhor; a instrução basta a todas as suas necessidades; o saber tem uma virtude educativa. Lucien Roure, Doctrines et problèmes, Ie partie, c. 1, Descartes, Paris, 1900, p. 16. Não poderíamos instituir aqui uma refutação completa desse racionalismo nascente que tanto mal fez às moralidades modernas. Ver MORAL, FIX. Diremos apenas que confundir ciência e moral é simplesmente suprimir esta última, que a moral é a busca do bem e do perfeito, e não a busca do verdadeiro; que a santidade consiste em querer e realizar a perfeição, e não em saber; que a virtude é um esforço para o melhor, e não um simples reflexo, uma representação do verdadeiro. Há na moral de Descartes uma confusão absoluta de duas ordens que devem permanecer distintas. — Sem dúvida a razão deve regular as ações morais, ela as dirige, mas não é o fim delas. O fim da vida moral é triplo e uno ao mesmo tempo; ele nos leva à glorificação de Deus, à nossa perfeição e à nossa felicidade: três coisas, dizemos, que são apenas uma e salvam assim a unidade e a harmonia da lei moral; pois Deus é glorificado sobretudo em sua imagem, que é a nossa natureza; essa imagem o faz conhecer, o louva, na medida em que é perfeita, de sorte que a nossa perfeição é o próprio fato que constitui a glória de Deus; a pacífica posse da perfeição é fonte de felicidade: ser perfeito é, pois, assegurar ao mesmo tempo a glória de Deus e a felicidade do homem. Essa doutrina moral toma todo o homem na harmonia de todas as suas faculdades e não o reduz, como Descartes, a ser apenas um simples pensamento. Onde a divergência entre as duas morais se acentua é na autoridade que obriga a consciência. Para Descartes, a fonte da obrigação moral está na razão: somos essencialmente pensamento, consistindo nossa natureza perfeita na perfeição da razão, e esta se torna o ideal a perseguir, o princípio de autoridade que nos liga. Se Deus intervém, é mais para garantir a veracidade da razão do que para promulgar por ela mandamentos morais. A autonomia da razão decorre em linha reta do cartesianismo. O Sr. Liard, diretor do ensino superior, na sessão realizada em 31 de março de 1896, na Sorbonne, em honra do terceiro centenário do nascimento de Descartes, pôde dizer com razão que Descartes fundou de maneira definitiva « a liberdade do espírito e a preponderância da razão. » L. Roure, loc. cit., p. 16. Na doutrina católica, ao contrário, se se consulta a razão, não é para lhe pedir os seus preceitos, mas os de Deus; ela não é a autoridade que comanda, mas a consciência que promulga; não é fonte, mas apenas instrumento de obrigação; ela não obriga, mas indica as obrigações impostas por Deus. Segundo uma expressão moderna, a heteronomia inspira a moral cristã, mesmo na esfera dos simples preceitos naturais. O homem justo, seguindo sua razão, obedece à vontade de Deus.

A moral cartesiana não leva apenas ao racionalismo. O determinismo é outro escolho no qual ela precipita a liberdade e faz naufragar a virtude. Para Descartes, a ciência régia é a matemática; ele está convencido de que tudo na natureza se faz matematicamente, e esforça-se por demonstrá-lo. « Daí, antes de tudo, suas especulações metafísicas. Ele prova, pelas perfeições de Deus e pelo caráter claro e distinto da ideia de extensão, que temos o direito de tomar as qualidades matemáticas pela essência das coisas materiais. Cultivará, pois, a matemática, e toda a sua obra será dominada por essa ciência; mas é que na consideração das coisas sob esse ponto de vista está o meio verdadeiro de se apropriar delas. » Baillet, op. cit., t. 1, p. 227. E esse fim prático, sempre presente a seus olhos, determina a marcha geral de seus estudos. Ele não se detém nos desenvolvimentos da ciência que teriam apenas um interesse especulativo. Pede simplesmente à matemática os poucos princípios gerais que lhe permitirão fundar sobre eles a mecânica e a física. Essas ciências, por sua vez, só precisam ser desenvolvidas na medida e no sentido necessários para tornar possível a ciência da vida. Trata-se de chegar a provar que a própria vida não é senão um mecanismo e, por conseguinte, cai sob o nosso domínio. » Boutroux, loc. cit., p. 505. O mecanismo, eis, pois, a base da ciência da vida, a base da moral. Esta, em sua essência, será ainda uma espécie de mecânica. Segundo Descartes, a ciência da vida consiste em conhecer a natureza, a da terra, dos corpos inanimados, das plantas ou dos animais, a fim de, por esse conhecimento, chegar a agir sobre os seres e a dominá-los; depois consiste em conhecer o homem, seu estado físico, a fim de conhecer todas as suas molas e dirigir, por essa ciência, o mecanismo do corpo em sua influência sobre a alma ou na influência da alma sobre ele. A moral procede da física e da medicina, as quais não são senão uma mecânica, e vem coroá-las. Prefácio dos Principes, Œuvres, t. 1, p. 14. É preciso, pois, promover o mais possível esses diversos conhecimentos. « Mas a que moral vai dar esse progresso? Não tende ele simplesmente a nos pôr em condições de dispor da natureza humana, graças à ciência do homem, como dispomos da natureza corporal graças à ciência dos corpos? Uma mecânica psíquica, não é isso tudo o que Descartes tem em vista? E, de fato, Descartes lançou os fundamentos de tal moral em seu Traité des passions, onde, ao descobrir-lhe o princípio, nos ensina a domá-las, a conduzi-las. Como, aliás, esse próprio estudo nos mostra a que ponto o espírito depende do temperamento e da disposição dos órgãos do corpo, Descartes conclui que, se é possível encontrar algum meio que torne comumente os homens mais sábios e mais hábeis, é na medicina que se deve buscá-lo. » Boutroux, loc. cit., p. 507. É incontestável que tudo isso respira o determinismo mais puro e menos equívoco. Ver-se-á a discussão desse erro nos art. DÉTERMINISME, LIBERTÉ. Tudo o que dissemos dos erros professados ou sugeridos pela filosofia de Descartes basta para mostrar quão legitimamente suas obras foram condenadas pelo Santo Ofício e pelo Índex, donec corrigantur, em 10 de outubro e 20 de novembro de 1663. J.

OBRAS DE DESCARTES. — Œuvres, 9 in-4°, Amsterdam, 1682; 7 in-4°, Francfort-sur-le-Mein, 1697; Œuvres complètes, 13 in-12, Paris, 1724; edição Victor Cousin, 14 in-8°, Paris, 1824-1826; Œuvres philosophiques, edição Ad. Garnier, 4 vol., Paris, 1835; Œuvres philosophiques, edição Aimé Martin, 4 vol., Paris, 1838; Œuvres inédites, publicadas por Foucher de Careil, 2 in-8°, Paris, 1858-1860; Œuvres choisies, edição Napoléon Chaix, 2 in-8°, Paris, 1864; Œuvres, publicadas por Ch. Adam e Paul Tannery sob os auspícios do ministério da Instrução Pública, 4 vol. publicados, contendo a correspondência até abril de 1647, Paris, 1896-1901; manuscrito de Goettingue (Revue bourguignonne de l'enseignement supérieur, 1896); manuscrito de Hanovre (Bulletin des sciences mathématiques, 1896).

II. TRABALHOS. — 1° Sobre Descartes. — Baillet, La vie de M. Descartes, Paris, 1691; E. Thouverez, La vie de Descartes d'après M. Baillet, nas Annales de philosophie chrétienne, 1899; E. Saisset, Descartes, ses précurseurs et ses disciples, Paris, 1865; Paul Janet, Descartes, na Revue des deux mondes, 1868; Liard, Descartes, Paris, 1882; A. Fouillée, Descartes, Paris, 1893; Fr. Bouillier, Deux nouveaux historiens de Descartes, na Revue philosophique, 1894; Landormy, Descartes, Paris, s. d.; Haldane, Descartes, his life and times, Londres, 1905; J. Millet, Descartes, sa vie, ses travaux, ses découvertes avant 1637, Paris, 1867; Id., Descartes, son histoire depuis 1637, sa philosophie, son rôle dans le mouvement général de l'esprit humain, Paris, 1870; Foucher de Careil, Descartes et la princesse Palatine, Paris, 1862; Id., Descartes, la princesse Elisabeth et la reine Christine, d'après des lettres inédites, Paris, 1879.

2° Sobre o cartesianismo. — Bayle, Recueil de pièces curieuses pouvant servir à l’histoire du cartésianisme; Bordas-Demoulin, Le cartésianisme ou la véritable rénovation des sciences, suivi de la théorie de la substance et de celle de l’infini et précédé d’un discours sur la réformation de la philosophie au XIXe siècle, por F. Huet, Paris, 1843; Fr. Bouillier, Histoire de la philosophie cartésienne, Paris, 1854; Smith, Studies in the cartesian philosophy, Londres, 1902; H. G. Hotho, De philosophia Cartesii, diss., Berlin, 1826; Paul Lemaire, Le cartésianisme chez les bénédictins. Dom Robert Desgabets, Paris, 1902; Georges Monchamp, Histoire du cartésianisme en Belgique, Bruxelles, 1887; Lucien Roure, Doctrines et problèmes, I. Descartes, Paris, 1900; Victor Brochard, Descartes stoïcien, em la Revue philosophique, 1880; Fr. Thomas, Descartes et Gassendi, Paris, 1889; F. Brunetière, Jansénistes et cartésiens, em les Etudes critiques, 4e série, Paris, 1894; Fr. Papillon, De la rivalité de l’esprit leibnitzien et de l’esprit cartésien au XVIIIe siècle, Orléans, 1873; Ad. Franck, Moralistes et philosophes, Paris, 1872; A. Fouillée, Descartes et les doctrines contemporaines, em la Revue philosophique, 1894; o número de julho de 1896 da Revue de métaphysique et de morale, especialmente consagrado a Descartes, contém estudos dos Srs. B. Gibson, J. Berthet, P. Natorp, A. Hannequin, H. Schwarz, P. Tannery, D.-J. Korteweg, E. Boutroux, V. Brochard, G. Lanson, Blondel, F. Tocco, e Ch. Adam; Fonsegrive, Prétendues contradictions de Descartes, em la Revue philosophique, 1883.

3° Sobre a doutrina de Descartes. — P. Knoodt, De Cartesii sententia : Cogito, ergo sum, diss., Breslau, 1845; Jul. Baumann, Doctrina cartesiana de vero et falso explicata atque examinata, diss. inaug., Berlin, 1868; Liard, La méthode de Descartes et la mathématique universelle, em la Revue philosophique, 1880; Adam, De methodo apud Cartesium, Spinozam et Leibnitium, Paris, 1885; Milhaud, Utrum Cartesii methodus tantum valeat quantum ipse senserit, Montpellier, Paris, 1894; Paul Viallet, Je pense, donc je suis. Introduction à la méthode cartésienne, Paris, 1897; E. Duboux, La physique de Descartes, Lausanne, 1881; P. Valois, Les sentiments de Descartes opposés à ceux de l’Église et conformes à ceux de Calvin; La philosophie de Descartes opposée à la foi catholique, Paris, 1682; Quædam recentiorum philosophorum præsertim Cartesii propositiones damnatæ et prohibitæ, Paris, 1705; Emery, Pensées de Descartes sur la religion et la morale, Paris, 1811; Chr. A. Thilo, Die Religionsphilosophie des Descartes, em Zeitschrift für ex. Philosophie, 1862; Ch. Waddington, Descartes et le spiritualisme, Paris, 1863; Renouvier, Histoire et solution des problèmes métaphysiques, com Paris, 1901; J. N. Huber, Die Cartesischen Beweise vom Dasein Gottes, Augsbourg, 1854; P. J. Elvenich, Die Beweise für das Dasein Gottes nach Cartesius, Breslau, 1868; F. Pillon, La première preuve cartésienne de l’existence de Dieu et la critique de l’infini, em l’Année philosophique, 1891; E. Boutroux, De veritatibus æternis apud Cartesium, Paris, 1875; E. Melzer, Augustini atque Cartesii placita de mentis humanæ sui cognitione quomodo inter se congruant a seseque differant, quæritur, diss. inaug., Bonn, 1860; Ant. Koch, Die Psychologie Descartes, systematisch und historisch-kritisch bearbeitet, Munich, 1881; P. Natorp, Descartes Erkenntnisstheorie, eine Studie zur Vorgeschichte des Kriticismus, Marbourg, 1882; De Mercier, Les origines de la psychologie contemporaine, Louvain, 1897; J. Prost, Essai sur l’atomisme et l’occasionalisme dans la philosophie cartésienne, Paris, 1907. Encontrar-se-á na bibliografia do artigo ANSELMO (Argumento de santo) a indicação de outras obras sobre a prova cartesiana da existência de Deus, t. 1, col. 1359. Sobre a eucaristia, um manuscrito de Chartres, n. 366, contém vários opúsculos inéditos: Conjectures du P. Daniel, récollet, sur un moyen que M. Descartes dit avoir dans une de ses lettres, pour expliquer le mystère de l’eucharistie, fol. 848; Lettre du R. P. Le Bossu, chanoine régulier de Saint-Augustin, lequel, ayant eu communication du présent manuscrit, en dit son sentiment, et expose, en même temps, une façon d’expliquer le mystère de l’eucharistie, selon la pensée de M. Descartes, mais d’une autre manière que celle contenue dans ses écrits, fol. 829; Lettre du même au P. de Bragelongne, sur le sujet de la lettre précédente, fol. 904; Mémoire, en forme de lettre, du R. P. Aubert, chanoine régulier, touchant la concomitance, fol. 917; Lettre de M. Gravelle de Reverscaux, sur la lettre du P. Le Bossu, fol. 925; Lettre de dom Antoine Vinot, bénédictin, où il n’approuve pas les relations de jésuites et de M. Clerselier, particulièrement avec le P. Bertet, et lui fait en même temps des difficultés sur la manière d’expliquer le saint-sacrement, suivant les pensées de M. Descartes, fol. 651; o P. Sommervogel, na Bibliothèque de la C. de Jésus, t. I, col. 1374, assinala um manuscrito inédito do P. Bertet, Traité de la présence réelle, de la transsubstantiation, du sacrifice de la messe où toutes les disputes sur ce sujet sont recueillies avec une concorde des anciens Pères et des controversistes modernes; Vernet, Pièces fugitives sur l’eucharistie, Genève, 1730; Duguet, Dissertations théologiques et dogmatiques, IIe diss., Paris, 1727; Breve opusculum quo geometrice demonstratur possibilitas præsentiæ corporis Christi, Paris, 1729; H. Levesque, Examen d’une nouvelle explication du mystère de l’eucharistie, Paris, 1900. L. Carrau, Exposé critique de la théorie des passions, em Descartes, Malebranche et Spinoza, tese, Strasbourg, 1870; M. Heinze, Die Sittenlehre des Descartes, Leipzig, 1872; Séailles, Quid de ethica Cartesius senserit, Paris, 1883; P. Binet, La morale de Descartes, em les Annales de phil. chrét., 1898; V. de Swarte, Descartes, directeur spirituel, 1904; Kleutgen, La philosophie scolastique, trad. Sierp, Paris, 1868; Fr. Papillon, Histoire de la philosophie moderne, publicada por Ch. Lévêque, Paris, 1876; Kuno Fischer, Geschichte der neueren Philosophie, Munich, 1878, t. I; Ueberweg-Heinze, Grundriss der Geschichte der Philosophie, part. III, Die Neuzeit, § 18, Berlin, 1901, p. 82 sq.

Autor original: A. Chollet

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