DELMARE (Paul-Marcel), nascido em Gênes em 1734 de pais israelitas, ocupou-se do comércio de seu pai até aos 17 anos. O abade Franzoni instruiu-o no catolicismo e batizou-o em 1753 sob os nomes de Paul-Marcel. O novo convertido começou então os seus estudos no colégio de Gênes; continuou-os em Roma, onde recebeu o sacerdócio em 1758. Ligou-se a uma comunidade de padres genoveses e dedicou-se com eles em Roma à pregação e ao ministério. Em 1783, foi chamado como professor de teologia em Sienne. Tomou parte ali numa controvérsia relativa à comunicação dos arménios unidos e não unidos para os batismos, os casamentos e os funerais. Em 1783, apareceu em Veneza uma dissertação italiana, que se atribuía ao jesuíta dálmata Martinovich, e na qual o autor pretendia que essa communicatio in sacris e a assistência à missa dos não unidos eram toleradas pela Santa Sé. O marquês de Serpos, banqueiro arménio, que habitava Veneza, apresentou este escrito à Propaganda. A faculdade de teologia de Sienne censurou esta dissertação, a 15 de dezembro de 1784, e decidiu que os arménios unidos podiam bem, para a celebração das suas festas, conformar-se ao calendário dos cismáticos, mas não assistir às suas cerimónias religiosas. Atribuiu-se a redação desta censura a Delmare. Dominique Stratico, dominicano e bispo de Cresina na Dalmácia, publicou em Sienne um Examen théologique de la censure. Delmare replicou com uma brochura italiana, intitulada: Principes théologiques pour servir de préservatif contre les erreurs de l’Examen, in-8°, Sienne, 1786. Delmare passava por ser favorável ao partido jansenista, espalhado na Itália. Tinha colaborado na edição feita em Gênes em 1779 de Educazione ed istruzione cristiana, ossia catechismo universale, 3 vol., de Gourlin, obra que foi posta no Index por decreto de 20 de janeiro de 1783. Delmare defendeu este catecismo em seis cartas, bastante rudes. Em 1789, tornou-se professor de Escritura Sagrada em Pise, e publicou: Prelectiones de locis theologicis Senis habitae. Esta obra foi posta no Index, a 9 de dezembro de 1793, e condenada pelo Santo Ofício, a 5 de março de 1795. Delmare não assistiu ao sínodo de Pistoie, e não escreveu a seu favor, como pretendeu Grégoire. A 5 de novembro de 1817, dirigiu ao arcebispo de Pise uma declaração, pela qual se submetia aos decretos do Index e do Santo Ofício, bem como às constituições e decisões dogmáticas dos papas, revogando tudo o que pudesse ter dito e escrito de contrário. Esta declaração foi enviada a Roma, e o cardeal Fontana felicitou o autor. Delmare rompeu toda a relação com os jansenistas, e nomeadamente com o abade Clément. Morreu a 17 de fevereiro de 1824, no seu 90° ano. MERIER, Mémoires de religion (extrato no Ami de la religion, t. XLII, p. 238); Ami de la religion, n. de 12 de junho de 1822, t. XXXII; PICOT, Mémoires pour servir à l’histoire ecclésiastique pendant le XVIIIe siècle, 3e édit., Paris, 1855, t. V, p. 203-206. E. MANGENOT.
DEL RIO (Martin-Antoine), teólogo, jurisconsulto, filólogo e historiador, nasceu em Anvers a 17 de maio de 1551. Criança precoce e estudiosa, estudou no colégio de Lierre, então florescente, as línguas clássicas que possuiu perfeitamente, bem como o hebraico e o caldeu. Falava também, dizem os biógrafos, com igual facilidade o flamengo, o alemão, o espanhol, o italiano e o francês. Em Paris, no colégio das três línguas ou colégio de France, teve por mestre de eloquência Denys Lambin, e no colégio de Clermont por professor de filosofia Maldonat, já célebre. Aluno da universidade de Douai que Filipe II acabava de fundar, depois da universidade de Louvain onde ganhou o afeto de Justo Lípsio, apaixonou-se pelos trabalhos de erudição. Justo Lípsio cita com admiração este facto de que o jovem estudante tinha estudado e anotado mais de mil e cem autores. Bacharel em direito civil desde 1570, publicou imediatamente notas sobre Solino, sobre Claudiano e sobre Séneca o Trágico, que atraíram sobre ele a atenção dos humanistas. Doutor em direito pela universidade de Salamanque, em 1574, foi nomeado quase imediatamente, pelo rei de Espanha, membro do conselho de Brabant, onde a sua ciência profunda do direito lhe mereceu ser promovido, apenas com 28 anos, às funções de vice-chanceler e de procurador-geral. À morte de D. João de Áustria, desgostoso cada vez mais do mundo, enviou ao rei a sua demissão de todos os seus cargos e entrou na Companhia de Jesus, a 9 de maio de 1580, em Valladolid. Depois de ter estudado filosofia, teologia e Escritura Sagrada em Louvain e em Mayence, foi nomeado professor de teologia na universidade de Douai, depois encarregado do curso de filosofia moral no colégio de Liége. É daí que manteve uma ativa correspondência com Justo Lípsio, então em Leyde, e que conseguiu converter o seu ilustre amigo ao catolicismo. As cartas de Del Rio a Justo Lípsio foram inseridas por Burmann no seu Sylloge epistola-
Autor original: E. MANGENOT
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