viris illustribus scriptarum, Leiden, 1727, t. 1, p. 501-552. Nomeado professor de Escritura Sagrada em Graz, na Estíria, onde uma universidade acabara de ser aberta, ele toma o caminho de Mogúncia e encontra tempo para editar, nesta cidade, os Enigmata de São Aldelmo. Em Graz, ele começa por ser recebido doutor em teologia e abre imediatamente o seu curso de exegese que lhe atrai, com um glorioso renome, o favor crescente dos arquiduques da Áustria. Após ter editado o seu comentário sobre o Cântico dos Cânticos, ele é chamado a Salamanca como professor de exegese, e depois enviado novamente para a Bélgica, onde chegou gravemente doente. Ele morreu em Lovaina em 19 de outubro de 1608. Seus diversos comentários dos Livros sagrados tiveram em seu tempo uma grande celebridade.
Citamos: 1° In Canticum canticorum Salomonis commentarius litteralis et catena mystica, Ingolstadt, 1604; Paris, 1608; Lyon, 1611; 2° Commentarius litteralis in Threnos Jeremiae, Lyon, 1608; 3° Pharus sacrae Sapientiae seu commentarii seu glossae litterales in Genesim, Lyon, 1608; 4° Adagalia sacra V. et N. T., Lyon, 1610. A teologia mariana lhe é devedora de uma importante obra de polêmica e de piedade: Opus marianum, Lyon, 1607. Mas foi o seu tratado sobre a magia e os sortilégios que valeu a Del Rio a parte mais importante, não a melhor todavia, de sua celebridade: Disquisitionum magicarum l. VI, Mogúncia, 1593, 1600, 1603, 1606, 1624; Lovaina, 1599, 1601; Lyon, 1608, 1612; Colônia, 1633, 1657, 1679; Veneza, 1746, etc., obra onde a erudição supera a crítica, mas que se tornou então o manual de todos os jurisconsultos. Del Rio toma o cuidado de advertir seus leitores que todos os fatos estranhos que ele relata sob a fé de outrem não merecem igual crédito, mas que seria a marca de uma culpável leviandade rejeitá-los todos. De resto, as reprovações endereçadas pela crítica protestante à ingênua credulidade do Pe. Del Rio aplicam-se mais justamente ainda aos autores protestantes daquela época, que incitaram tão violentamente as paixões populares nas questões de feitiçaria.
Convém acrescentar a todos esses trabalhos as edições das obras poéticas de São Orientio e de São Aldelmo: S. Orientii episcopi Iliberitani Commonitorium, Antuérpia, 1600; Salamanca, 1604; Wittemberg, 1796; o Pe. Marténe deu dessas obras uma edição mais completa e mais correta; S. Aldhelmi prisci occidentalium Saxorum episcopi poetica nonnulla, Mogúncia, 1601. A vida de Martin-Antoine Del Rio foi escrita pelo Pe. Rosweyde (e não pelo Pe. Suys, sobre o qual hesita Sommervogel, t. v, col. 1904) sob o pseudônimo de Herman Langeveld, Antuérpia, 1609. Na Collection de Mémoires relatifs a l’histoire de Belgique, encontra-se uma excelente nota devida ao Sr. Devigne, editor das Mémoires de Martin-Antoine Del Rio sur les troubles des Pays-Bas durant l’administration de don Juan d’Autriche (1576-1578), 3 in-8°, Bruxelas, 1869-1871. Pode-se ver ainda Bayle, Réponse aux questions d’un provincial, t. III, p. 235-238; (de Reiffenberg), De Justi Lipsii vita et scriptis, Bruxelas, 1823. Para os escritos, Sommervogel, Bibliothèque de la C. de Jésus, t. v, col. 1894-1905; Hurter, Nomenclator, t. 1, p. 191-194; Kirchenlexikon, t. II.
P. BERNARD.
Autor original: P. BERNARD
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