DARVARIS [DARBY] Os últimos anos, pregou as suas doutrinas pelo mundo. Ele conseguiu implantar algumas comunidades de irmãos entre os calvinistas do sul da França, e sobretudo na Suíça francesa e alemã, onde o darbysmo se tornou uma seita bastante poderosa. Ele percorreu, pregando e instituindo congregações, o norte da Itália, a Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá e até a Nova Zelândia. Herzog, Les frères de Plymouth, p. 11 sq. Cismas deviam naturalmente produzir-se numa seita onde a inspiração individual não conhecia qualquer regra. Por uma inconsequência, devida sem dúvida à sua educação teológica anglicana, Darby pretendia impor aos seus as suas ideias sobre a trindade, a encarnação e alguns outros dogmas. Em 1845, esta pretensão produziu uma grave cisão. Dois dos «irmãos» de Plymouth mais fervorosos, Newton e Harris, tendo ensinado sobre a pessoa de Cristo proposições que Darby achou heterodoxas, e recusando retratar-se, o seu mestre «entregou-os a Satanás», e recusou-lhes o acesso às suas assembleias; houve assim, na própria Plymouth, e nas outras cidades onde o plymouthismo tinha aderentes, duas categorias de irmãos, os exclusivos, exclusive brethren, agrupados em torno de Darby, e os abertos, open ou loose brethren, que seguiam Newton e Harris. Cada uma destas seitas rivais fracionou-se logo em subdivisões distintas. Loofs, Darby, p. 490 sq.; Stokes, J. N. Darby, p. 551 sq.; Carson, The heresies, p. 159 sq. Darby passou os seus últimos anos no priorado de Islington, consultado pelos seus aderentes do mundo inteiro, e escrupulosamente obedecido. Ele morreu em Bournemouth a 29 de abril de 1882. Não publicando os darbystas estatísticas, é difícil conhecer o seu número exato. Nos Estados Unidos, contavam, em 1890, 6661 «comungantes». Na Inglaterra e no Canadá, eles são muito mais numerosos. No momento da morte de Darby, contavam-se 750 «congregações» na Grã-Bretanha, apenas para os exclusivos. Traduções francesa e alemã da Bíblia foram feitas, sob os cuidados de Darby, para o uso dos irmãos. Carroll, The religious forces, p. 60 sq., 181 sq.; Stokes, J. N. Darby, p. 552.
I. FONTES. — A publicação das obras de Darby começou em Londres em 1866; 34 volumes já apareceram: The collected writings of J. N. Darby, 1866 sq. Um Índice apareceu em Londres em 1902. As suas Cartas, de 1832 a 1882, foram igualmente editadas em Londres: Letters of J. N. Darby, Londres, 1886-1889. Gleanings from the writings of J. N. D., Londres, 1898; Gleanings from the published letters of J. N. D., Londres, 1896; Memoir of A. N. N. Groves by his widow, Londres, 1869.
II. TRABALHOS. — J. H. Blunt, Dictionary of sects, heresies, etc., Londres, 1891; H. K. Carroll, The religious forces of the United States, New-York, 1893; J. C. L. Carson, The heresies of the Plymouth brethren, Londres, 1883; E. Dennet, The Plymouth brethren, Londres, 1870; Estéoule, Le plymouthisme d’autrefois et le darbysme d’aujourd’hui, Paris, 1858; J. Grant, The Plymouth brethren, Londres, 1875; H. Groves, Darbyism. Its rise and development, Londres, 1866; J. J. Herzog, art. Plymouthbrüder, em Realencyklopädie, 2e édit., t. x, p. 72 sq.; J. J. Herzog, Les frères de Plymouth et John Darby, Lausanne, 1845; Loofs, art. J. N. Darby, em Realencyklopädie, 3e édit., t. IV, p. 483 sq.; W. Reid, Plymouth brethrenism unveiled and refuted, Edimbourg, 1875; G. T. Stokes, J. N. Darby, em Contemporary Review, outubro 1885, t. XLVI, p. 537 sq.; J. S. Teulon, The history and teaching of the Plymouth brethren, Londres, s. d. (1883). J. DE LA SERVIERE.
DARVARIS Demétrius, autor grego da primeira metade do último século, cujo nome, como o de Berquin na França, permaneceu popular entre a juventude grega. Nascido a 13/24 de agosto de 1757 na pequena aldeia de Kleisoura, na Macedônia, de uma família de comerciantes de madeira (donde o nome de Darvaris, comerciante de madeira), ele dirigiu-se em 1769 a Semlin, onde o seu pai tinha estabelecido uma sucursal. Foi lá que ele aprendeu o alemão e o eslavo; ele completou a sua educação primeiro em Kouma, depois em Neusatz, enfim em Bucareste (1777-1780), e nas universidades alemãs de Halle e de Leipzig. Regressado a Semlin no mês de agosto de 1784, ele abriu lá uma escola que dirigiu durante sete anos consecutivos. Ele fez o mesmo em Viena, para onde se dirigiu em 1794, a pedido do seu irmão João, cujas liberalidades lhe permitiram imprimir as numerosas obras que tinha composto para os seus alunos. Ele morreu a 21 de fevereiro/5 de março de 1823, em Viena, com a idade de 65 anos e meio.
Dentre as suas numerosas obras, mencionaremos aqui apenas aquelas que se relacionam com o nosso campo: 1° Μικρὰ κατήχησις ἤτοι σύντομος ὀρθόδοξος ὁμολογία τῆς ἀνατολικῆς ἐκκλησίας τῶν Γραικῶν ἢ Ῥωμαίων, in-8°, Viena, 1791: tradução do catecismo sérvio aprovado pelo sínodo de Karlovitz em 1774; 2° Χειραγωγία εἰς τὴν καλοκἀγαθίαν, in-4°, Viena, 1791; 3° Ἀσφαλὴς ὁδηγία εἰς τὴν γνῶσιν τῶν ἀνθρώπων, in-8°, ibid., 1795; 4° Ἀληθὴς ὅρος εἰς τὴν εὐδαιμονίαν, in-8°, ibid., 1796; 5° Χρυσοῦν ἐγκόλπιον, in-8°, ibid., 1799, tradução de Cebes e de Epicteto, seguida de um Ensaio sobre a providência, composto por Darvaris; 6° Σύντομος ἱερὰ ἱστορία τῆς ἐκκλησίας τῆς παλαιᾶς καὶ νέας Διαθήκης, in-8°, ibid., 1800, traduzido do russo; 7° Ἐγχειρίδιον χριστιανικόν, explicação da missa, do ofício, dos sacramentos, em suma de tudo o que diz respeito ao culto, in-8°, ibid., 1803; 8° Ἐπιτομὴ τῆς ἱερᾶς ἱστορίας τῆς ἐκκλησίας τῆς παλαιᾶς καὶ νέας Διαθήκης, in-8°, ibid., 1803; 9° Μεγάλη κατήχησις ἤτοι ὀρθόδοξος χριστιανικὴ διδασκαλία τῆς ἀνατολικῆς ἐκκλησίας, tradução do russo, in-8°, ibid., 1804; 10° Παιδαγωγὸς ἤτοι ἠθικοὶ κανόνες τοῦ ζῆν, in-8°, ibid., 1804; 11° Προπαρασκευὴ εἰς τὴν θεογνωσίαν διὰ τῆς θεωρίας τῶν ὄντων, in-8°, ibid., 1807; 12° Μικρὸν προσευχητάριον, seguido dos ofícios litúrgicos, in-8°, ibid., 1818. É ainda à pena fecunda de Darvaris que se deve a tradução alemã da demasiado famosa Πέτρα σκανδάλου de Elie Migniati, vigoroso panfleto contra a primazia papal; esta tradução apareceu em Viena em 1787. No ano anterior, tinha também aparecido, mas em tradução eslava, a de Antônio de Bizâncio. Vários desses volumes, em particular os catecismos, foram reimpressos diversas vezes. A. Démétracopoulos, Προσθῆκαι καὶ διορθώσεις εἰς τὴν Νεοελληνικὴν Φιλολογίαν Κωνσταντίνου Σάθα, in-8°, Leipzig, 1871, p. 97-98; Ἐπανορθώσεις σφαλμάτων παρατηρηθέντων ἐν τῇ Νεοελληνικῇ Φιλολογίᾳ τοῦ Κ. Σάθα, in-8°, Trieste, 1872, p. 38-40. O artigo de C. Sathas, Νεοελληνικὴ Φιλολογία, Atenas, 1868, p. 564, é inexato e incompleto.
B. DAUBENTON ou DAUBENTONNE Jeanne, dita também Piérotte d’Aubenton, herética queimada em Paris, no dia 5 de julho de 1372. Nascida em Paris, em data desconhecida, no decorrer do século XIV, Jeanne Daubenton deixou-se seduzir pela moral bastante permissiva dos turlupins. Ver este termo. Ela uniu-se a um deles, pôs-se a pregar e tornou-se um dos principais e mais ativos propagandistas da seita. As mulheres, dizia ela, receberam de Deus, assim como os homens, o dom da pregação. Para seguir as pegadas dos apóstolos, deve-se andar descalço, apenas vestido e viver na pobreza. Uma vez atingido um certo grau de perfeição, tudo é permitido, torna-se-se impecável, e pode-se entregar, sem temor do pecado, a todos os seus caprichos, saciar as suas paixões e satisfazer o seu corpo. Máximas tão depravadas encontraram facilmente um eco nos estratos mais baixos da capital e das redondezas. Os membros da seita foram numerosos. Cada um encontrando-se rapidamente em estado de perfeição, eles agiam em consequência e não retrocediam perante nenhuma torpeza, mesmo em público. O desregramento dos seus costumes tornava-os passíveis das leis civis. Mas eles tinham a pretensão de levar uma vida conforme ao Evangelho. A autoridade eclesiástica teve de intervir. Gregório XI excomungou os turlupins e convidou os príncipes, nomeadamente Carlos V, rei da França, a reprimir tais heréticos. Ver a carta do papa ao rei, em Baronius, Annales, an. 1373, n. 19-20. Será em sequência a este convite que Jeanne foi presa? Baronius afirma-o, ibid., n. 21, e cita Gaguin. Jeanne, com efeito, foi julgada, convencida de heresia, condenada e entregue ao braço secular. Gaguin conta, Annales Francorum regum, Paris, 1521, p. CLXIII, que a queimaram na praça de Grève com o cadáver do seu companheiro. Este último, com efeito, tinha morrido na prisão antes da sentença. Ele tinha sido, com Jeanne, um dos principais pregadores da seita; o seu corpo foi conservado em cal durante quinze dias e finalmente queimado com Jeanne, quando esta teve de subir à fogueira, no dia 5 de julho de 1372. Gaguin, Annales Francorum regum, Paris, 1521, p. CLXIII; Baronius, Annales, an. 1373, p. 19-21; Prateolus, Elenchus heresium, Colônia, 1581, art. Turlupins; Du Cange, Glossarium, ve Turlupins; Migne, Dict. des hérésies; Nouvelle biographie générale, Paris, 1855, t. XII, p. 166-168.
Autor original: G. BAREILLE
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor