Constantino Dapontés, que adotou na vida religiosa o nome de Cesário, nasceu em 1713 ou 1714 em Escópelos, onde seu pai administrava o consulado britânico. Após ter se iniciado em sua pátria nos primeiros elementos das ciências sob a direção de Hieroteu, o Moreota, monge dos Ibéricos, foi completar sua instrução em Constantinopla, depois em Bucareste e, finalmente, em Iași, graças à proteção dos príncipes Maurocordato, junto aos quais desempenhou diversas funções, atuando como factótum nos Principados. Denunciado ao grão-vizir por suas malversações, retirou-se para a Crimeia, de onde acreditou poder, em 1747, retornar a Constantinopla. Jogado na prisão, só obteve sua liberdade, ao fim de vinte meses, sacrificando toda a sua fortuna. Um casamento infeliz, contraído em 12 de novembro de 1749, terminou por desgostá-lo do mundo; tornou-se monge em 1753 na ilha de Pipéri, desentendeu-se com seu superior após algum tempo e retirou-se finalmente para o Monte Atos, no mosteiro de Xeropotamo, em 1757. Foi lá que morreu em 4 de dezembro de 1784, deixando um legado literário considerável.
Muitas de suas obras não entram em nosso programa. Entre aquelas que tocam na teologia, citaremos: 1° os ofícios dos santos Caralampo, Matrona e Espiridião, in-4°, Bucareste, 1786; 2° o ofício de São Regino de Escópelos, in-8°, Veneza, 1746; 3° o Espelho das mulheres, 2 in-8, Leipzig, 1766, biografias edificantes das mulheres da Sagrada Escritura, entremeadas de digressões infinitas; 4° Θεοτοκάριον, coletânea de hinos em honra à Santíssima Virgem, in-4°, Veneza, 1770; 2ª ed., Leipzig, 1836; 5° a Χρηστοήθεια, in-8°, Veneza, 1770, coletânea de receitas morais para bem viver em qualquer estado; 6° Cartas contra o orgulho e a vaidade do século, in-8°, Viena, 1776; 7° a Τράπεζα πνευματική, in-8°, Veneza, 1778; 2ª ed., ibid., 1780, coletânea de quinze discursos morais seguidos de documentos relativos ao mosteiro de Xeropotamo; 8° Panegíricos de diversos santos em verso, in-8°, Veneza, 1778; 9° Μαργαρῖται τῶν τριῶν ἱεραρχῶν, in-8°, Veneza, 1779, tradução em grego vulgar dos principais discursos dos santos Basílio de Cesareia, Gregório de Nazianzo e João Crisóstomo; 10° tradução dos Diálogos de São Gregório o Grande, in-8°, Viena, 1780; 11° Ἐξήγησις τῆς θείας λειτουργίας, in-8°, Viena, 1795, curiosa explicação da missa. As obras seguintes são antes históricas, mas mais de uma questão teológica encontra-se ali incidentalmente tratada; elas, aliás, só viram a luz do dia no fim do último século: 12° História dos sultões, de Maomé a Aqumete, publicada por C. Sathas, Bibliotheca græca medii ævi, Veneza, 1872, t. III, p. 1-70; 13° Catálogo histórico de 1700 a 1784, publicado pelo mesmo sábio, ibid., p. 71-200; 14° Efemérides Dácias, publicadas por É. Legrand com uma tradução e um excelente comentário histórico, 3 in-8°, Paris, 1883-1888; 15° Jardim das Graças, publicado quase simultaneamente por É. Legrand, no t. III de sua Bibliothèque grecque vulgaire, Paris, 1881, p. 1-232, e por G. Sófocles, in-16, Atenas.
Dapontés deixou, além disso, várias obras manuscritas, das quais as principais são uma Geografia histórica, o Θέατρον βασιλικόν, coletânea de panegíricos e de cânticos, os Ἄνθη νοητά, espécie de antologia do Antigo Testamento, o Φανάρι γυναικῶν, história das mulheres célebres do paganismo como da antiguidade cristã, o Βίβλος βασιλειῶν, resumo da história bizantina, entremeado, como as outras obras de Dapontés, de uma multidão de digressões frequentemente muito curiosas, enfim, Hinos e poesias diversas. Sobre todas essas obras, assim como sobre a vida mesma de seu fecundo autor, ler-se-á com proveito o aviso colocado por É. Legrand na cabeça do t. III das Efemérides Dácias, Paris, 1898, p. I-LXXXI.
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