8. DANIEL Gabriel, nascido em Rouen em 8 de fevereiro de 1649, admitido na Companhia de Jesus em 16 de setembro de 1667, lecionou durante vários anos retórica, filosofia e teologia, e faleceu em Paris em 23 de junho de 1728. É mais geralmente conhecido pela sua *Histoire de France* e pela sua *Histoire de la milice française*, mas mostrou-se também um polêmico hábil e fecundo nas controvérsias filosóficas e teológicas do seu tempo. A primeira obra que publicou foi o *Voyage du monde de M. Descartes*, uma crítica espiritual do sistema do mundo de Descartes, que apareceu primeiramente em 1690, em Paris, e teve várias edições sucessivamente aumentadas. A resposta às *Lettres provinciales* de Pascal, intitulada: *Entretiens de Cléandre et d’Eudoxe sur les Lettres au provincial*, in-12, Colônia (Rouen), 1694, e várias vezes reeditada com adições, teve igualmente um sucesso considerável e merecido; mas, naturalmente, essa refutação, por mais sólida que fosse no conjunto, e até bem escrita, não podia impedir a obra-prima literária de Pascal de ser lida e de permanecer, para a massa dos leitores superficiais, como a expressão da verdade. A menção feita nesses *Entretiens* a uma interpretação singular do Pe. Noël Alexandre, dominicano, provocou um ataque vivo deste último contra o Pe. Daniel. Resultou disso, entre os dois teólogos, uma troca de cartas públicas; houve dez por parte do segundo e tantas ou mais por parte do primeiro, versando principalmente sobre o paralelo da doutrina dos tomistas com a dos jesuítas, no que diz respeito à moral, em particular o probabilismo, e à graça. A controvérsia, iniciada em 1696, foi interrompida em 1697, sem ser terminada, pela autoridade do chanceler. Em 1704, ele publicou: *Défense de saint Augustin contre un livre qui paroit depuis peu sous le nom de M. de Launoy, où l’on veut faire passer ce saint Père pour un novateur*, in-12, Paris, 1704. A obra em questão era intitulada: *La véritable tradition de l’Église sur la prédestination et la grâce*, Liège, 1702. Em uma crítica da mesma obra, o Pe. Hyacinthe Serry, dominicano, tendo adiantado que o que Launoy dissera de mais violento contra Santo Agostinho fora extraído dos teólogos jesuítas, o Pe. Daniel assumiu ainda a defesa de seus confrades, primeiro em uma carta ao Pe. Cloche, geral dos dominicanos, publicada em 1705, depois em três cartas dirigidas ao Pe. Serry, Paris, 1705 e 1706. Além disso, ele consagrou à questão principal agitada nessas polêmicas um *Traité théologique touchant l’efficacité de la grâce, où l’on examine ce qui est de foy sur ce sujet et ce qui n’en est pas ; ce qui est de saint Augustin et ce qui n’en est pas*, in-12, Paris, 1705; nova edição aumentada em dois tomos in-12, Paris, 1706. Publicou também três dissertações teológicas sobre a necessidade moral e a impotência moral em relação às boas obras, contra a teologia de Louis Habert, Paris, 1714. Por fim, interveio também na querela relativa aos ritos chineses, através de uma *Histoire apologétique de la conduite des jésuites de la Chine, adressée à Messieurs des Missions étrangères*, in-8° e in-12, Paris, 1700. A maior parte das obras do Pe. Daniel, que acabamos de indicar, e outras que omitimos por serem menos importantes ou estranhas à teologia, foram reunidas no *Recueil de divers ouvrages philosophiques, apologétiques et critiques*, 3 in-4°, Paris, 1724. Atribuíram à pena fácil do Pe. Daniel vários outros escritos de circunstância, notadamente o famoso *Problème ecclésiastique proposé à M. l’abbé Boileau, de l’archevêché : à qui l’on doit croire de messire Louis-Antoine de Noailles, évêque de Châlons en 1695 ou de messire Louis-Antoine de Noailles, archevêque de Paris en 1696*. Essa peça mordaz, que apareceu em 1698, apontava a contradição que havia entre a aprovação dada por Noailles, em 1695, às *Réflexions morales sur le Nouveau Testament* do Pe. Quesnel, e a condenação pelo mesmo, em 1696, da *Exposition de la foi catholique touchant la grâce et la prédestination* do abade de Barcos, contendo as duas obras a mesma doutrina (jansenista). O *Problème* foi queimado pela mão do carrasco, em Paris, por decisão do parlamento, e proscrito, em Roma, pelo Santo Ofício; Bossuet deu-se ao trabalho de compor uma refutação, que foi publicada após sua morte por Quesnel. O Pe. Daniel, designado como autor pela malignidade de uma parte do público, declinou sob juramento a paternidade do escrito por meio de uma carta dirigida ao arcebispo e que foi impressa. Mas a prova de sua inocência que desarmou o desconfiado prelado foi a descoberta que a justiça fez ao examinar a correspondência apreendida dos jansenistas Quesnel, dom Gerberon e dom Thierry de Viaixnes, presos em 1703: via-se nela, com efeito, que o *Problème* tinha nascido na seita. *Mémoires mss. du P. Léonard de Sainte-Catherine au 27 septembre 1703, Bibliothèque nationale, ms. fr. 19211 ; Lettre de l’évêque d’Agen (Hébert) à M. de Pontchartrain, 15 octobre 1711 (imprimée)*. Não temos que entrar mais profundamente na questão do autor desse panfleto; mas recordaremos que o saudoso teólogo cujo nome figura o primeiro no frontispício deste *Dictionnaire*, o abade Vacant, por pesquisas originais, tornou quase certa a atribuição, já proposta outrora, a dom Hilarion Monnier, beneditino da congregação de Saint-Vanne, que residia em 1698 em Besançon.
Revue des sciences ecclésiastiques, 1890, t. I, p. 411-425; t. II, p. 34-50, 141-150. P. Griffet, Avertissement en tête de l’édition qu'il a donnée de l’Histoire de France du P. Daniel, 17 in-4°, Paris, 1755-1760, t. I, p. XVII-XXXIV; Moreri, Dictionnaire, 1759, t. IV; Michaud, Biographie universelle, t. X, art. por Walckenaer; De Backer-Sommervogel, Bibliothèque de la C.I de Jésus, t. II, col. 1795-1815; Hurter, Nomenclator, t. III, col. 1042-1043, 216, 1087, 1140; Reusch, Der Index, t. II, p. 488, 687, 688, 728, 1241. Jos. BRUCKER.
Autor original: A. PALMIERI
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