4. DAMASCENO O ESTUDITA, o mais popular dos pregadores gregos do século XVI. Existem poucas informações sobre a sua vida. Originário de Salónica, aluno do célebre Tomás (na religião Teófano) Eleavoulcos Notaras, foi enviado como exarca para a Pequena Rússia pelo patriarca Metrófano (1565-1572), depois elevado à sede episcopal de Lita e Rendina, de onde o patriarca Jeremias (1572-1579), seu antigo aluno, o transferiu para a metrópole de Naupacto e Arta, onde morreu em 1577, segundo o testemunho de um contemporâneo, Gabriel Calonas. Ver E. Legrand, Bibliographie hellénique des xve et xvie siècles, Paris, 1906, t. IV, p. 165.
O mais notável dos seus trabalhos é o Tesouro, Βιβλίον ὀνομαζόμενον θησαυρός, um dos volumes mais frequentemente impressos. A primeira edição data de 1568. Cf. E. Legrand, loc. cit., p. 143. É uma coletânea de trinta e seis sermões, seguidos de sete discursos morais, tomados, sem que essa particularidade seja assinalada, do hieromonge Joannikios Cartanos, grande protossincelo de Corfu, que os tinha publicado, com outros do mesmo género, em apêndice ao seu Antigo e Novo Testamento, publicado em 1536 e várias vezes reimpresso desde então. Os sermões de Damasceno têm frequentemente por assunto um fato bíblico ou uma lenda de santo; os Padres da Igreja são aí bastante frequentemente citados, mas o autor está menos preocupado em fazer teologia do que em edificar o seu auditório. Apesar da inflação oratória, o estilo é simples, e este caráter não contribuiu pouco para aumentar a popularidade da obra. A biblioteca patriarcal de Jerusalém possui uma versão turca do Θησαυρός, feita, em 1731, em Cesareia da Capadócia.
Temos ainda do nosso autor: 1° um discurso sobre o Decálogo, impresso com outros do mesmo género em apêndice aos Μαργαρῖται, de São João Crisóstomo; este trecho ocupa, na edição de 1764, as p. 336-344; 2° um remapeamento popular do Physiologus, dedicado a Miguel Cantacuzeno e impresso em 1648 em seguida ao Hirmológio, Legrand, Bibliographie hellénique du XVIIe siècle, t. I, p. 442; 3° um tratado de cronologia destinado a substituir o manual de Miguel Chrysokokkes; o opúsculo é inédito, mas a biblioteca do Santo Sepulcro em Constantinopla possui, sob o n. 317, fol. 41-68, o manuscrito autógrafo, escrito em fevereiro de 1574; 4° um discurso parênético aos monges desejosos de alcançar a sua salvação, conservado no Hierosolymitanus sancti Sabæ 427, fol. 68-76, com uma tradução, devida igualmente a Damasceno, do discurso aos noviços de Isaac, o Sírio; 5° um diálogo humorístico sobre o estado social do povo grego entre Damasceno ele mesmo e o superior de Santa Anastásia; assinalado já por Allatius no seu prefácio às obras de João Damasceno, este curioso trecho encontra-se à cabeça do manuscrito 764 do mosteiro de Iviron no Monte Athos; 6° um curto poema elegíaco sobre a dormição da Virgem; impresso no Tesouro em seguida aos sermões, é frequentemente men-
Autor original: A. PALMIERI
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