DAILLÉ (JOÃO) (DALLAEUS)

DAILLÉ (JOÃO) (DALLAEUS)

DAILLÉ Jean, DALLAEUS, pregador e teólogo calvinista, nasceu em Châtellerault no dia 6 de janeiro de 1594. Após ter realizado seus estudos em Saint-Maixent, Poitiers, Châtellerault e Saumur, foi escolhido por Duplessis-Mornay para preceptor de seus dois netos e realizou, em sua companhia, numerosas viagens ao estrangeiro; em Veneza, estreitou laços de amizade com Fra Paolo Sarpi e Asselineau. Retornado à França em 1621, fez-se receber ministro, tendo sido escolhido em 1626 pelo consistório de Paris para pastor da igreja de Charenton. Ocupou este posto durante quarenta e quatro anos, célebre por suas prédicas e suas obras de controvérsia contra os doutores católicos. Foi moderador no sínodo nacional de Loudun (1659), o último que os Reformados realizaram com a permissão do rei. Nesta qualidade, recebeu a comunicação da interdição que Luís XIV fazia aos Reformados de realizar, doravante, sínodos nacionais, e esforçou-se em vão para fazer revogar esta decisão. Morreu em Paris, no dia 15 de abril de 1670. Daillé teve, em seu tempo, uma verdadeira reputação de orador e de teólogo; Balzac o estimava como «um grande doutor»; segundo Patin, «aqueles da Religião diziam que, desde Calvino, não tinham tido melhor pena que o Sr. Daillé.» Bossuet tinha feito vinte e duas páginas de extratos de suas obras com o objetivo de refutá-las. Como teólogo, sua atitude com relação à autoridade dos santos Padres é notável. Desde suas primeiras publicações, dedica-lhe um tratado especial, destinado a provar «que os Padres não podem ser juízes das controvérsias hoje agitadas entre aqueles da Igreja romana e os protestantes: 1° porque é, se não impossível, ao menos muito difícil, saber nítida e precisamente qual foi o sentimento deles sobre estas; 2° porque o sentimento deles (posto que fosse certamente e claramente entendido), não sendo infalível, nem fora de perigo de erro, não pode ter uma autoridade capaz de satisfazer o entendimento, que não pode nem deve crer em matéria de religião senão naquilo que sabe ser asseguradamente verdadeiro.» Traité de l’emploi, prefácio. Reconhece, contudo, que se deve respeitar e estudar as obras dos santos Padres, «argumentando a partir daquilo que neles encontraremos negativamente mais do que positivamente.» Esta tese foi atacada não somente pelos controversistas católicos, mas pelos anglicanos Pearson, Beveridge, Cave e Wotton. Cf. Rébelliau, Bossuet historien, p. 50. Daillé retornou a este tema em seu livro La foy fondée sur les saintes Ecritures, onde pretende provar que todos os dogmas cristãos estão explicitamente contidos na Bíblia, ou ao menos podem ser deduzidos logicamente das doutrinas escriturárias. Em seus últimos anos, levado pelo movimento de estudos patrísticos que dos anglicanos tinha passado aos calvinistas franceses, reconheceu «que os Padres podem ser ouvidos, não como juízes, mas como testemunhas da tradição da Igreja de seu tempo, e que os escritores dos três primeiros séculos são a primeira e principal parte desta inquirição». Réplique aux deux livres, c. 1. E consagra várias obras importantes a provar que os dogmas e as práticas romanas foram desconhecidos pela Igreja dos três primeiros séculos, ou mesmo positivamente reprovados por ela. Cf. Réplique aux deux livres, c. V-XXXVII, e as obras indicadas abaixo. Rébelliau, Bossuet historien, p. 52. Não existe edição das obras completas de Daillé. Seus principais tratados são: Traité de l’emploi des saints Pères pour le jugement des différends qui sont aujourd’hui en la religion, Genebra, 1632; trad. latina, Genebra, 1636, 1655, 1686; Londres, 1675; Apologie pour les Eglises réformées où est prouvée la nécessité de leur séparation d’avec l’Eglise romaine, Charenton, 1633, 1641; trad. inglesa, 1653; trad. latina, Amsterdã, 1659; Genebra, 1677; La foy fondée sur les sainctes Ecritures, Charenton, 1634, 1661; trad. latina, Genebra, 1660, 1677; De la créance des Pères sur le fait des images, Genebra, 1641; trad. latina, 1642; De pœnis et satisfactionibus humanis, Amsterdã, 1649; De jejuniis et quadragesima, Deventer, 1654, 1657; Disputatio de Latinorum ex unctione sacramentis, confirmatione et extrema unctione, Genebra, 1659; Disputatio de sacramentali sive auriculari Latinorum confessione, Genebra, 1661; Réplique de Jean Daillé aux deux livres que Messieurs Adam et Cottiby ont publiez contre lui, Genebra, 1662; Adversus Latinorum de cultu religioso objecto traditionem, Genebra, 1664; Exposition de l’institution de la saincte cène, Genebra, 1664; De cultibus religiosis Latinorum, Genebra, 1671. Vinte volumes de sermões foram impressos em diversos locais, de 1644 a 1670. Bayle, Dictionnaire, art. Daillé; [A. Daillé], Les deux derniers sermons de M. Daillé, prononcez à Charenton le jour de Pasques, sixième avril 1670, et le jeudy suivant, avec un abrégé de sa vie et le catalogue de ses œuvres, Charenton, 1670; Haag, La France protestante, t. IV, p. 180 sq.; Rébelliau, Bossuet historien du protestantisme, Paris, 1892; Recolin, Daillé, na Encyclopédie des sciences religieuses; Vinet, Histoire de la prédication réformée au XVIIe siècle, Paris, 1860, p. 182 sq.; Kirchenlexikon, t. V, col. 1341-1342; Realencyklopädie, t. IV, p. 427-428.

Autor original: B. HEURTEBIZE

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor