VI. CONFISSÃO ENTRE OS SÍRIOS. O nome siríaco da confissão é: maoudyonouto’. J.-S. Assemani, Biblioth. Orient., t. III a, p. 580; t. III b, p. 288, 308; J.-S. et E.-E. Assemani, Biblioth. apost. vatic. cod. mss. catalogus, Roma, 1757-1759, t. II, p. 324; R. Payne Smith, Thesaurus syriacus, in-fol., Oxford, 1879, t. I, col. 1551; C. Brockelmann, Lexicon syriacum, in-8°, Berlim, 1894-1895, p. 144.
Não se encontram muitos documentos sobre a confissão na literatura siríaca primitiva. Podemos apenas recolher as poucas indicações que ela nos apresenta. Afraates discorre longamente sobre a confissão.
1° Necessidade. — «Aquele — diz ele — que foi atingido por Satanás não deve ter vergonha de confessar o seu delito, la-nèbhàt...d-naoudé saklotè-h, e de abandoná-lo, e de pedir a penitência como remédio. Aquele que cora de mostrar a sua ferida, da-nhavéh souk-nè-h, será invadido pela gangrena, e todo o seu corpo sofrerá com isso. Aquele que, ao contrário, não tem vergonha de mostrar a sua ferida, será curado... Aquele que foi vencido na luta só tem um meio de recuperar a saúde, que é dizer: “Eu pequei”, e pedir penitência. Aquele que cora não pode ser curado, porque não quer mostrar as suas feridas ao médico, métoul d-lo’ sabé d-naoudé mahvotè-h (I’asios), que recebeu os dois denários para curar todos aqueles que foram feridos. Vós, pois, médicos, que sois os discípulos do nosso grande Médico, não deveis recusar o remédio àqueles que necessitam de cuidados. Dai o remédio da penitência a quem quer que vos tenha revelado a sua ferida, man da-mhavéh l-koudm souk-nè-h; quanto àquele que cora de vos dar a conhecer a sua enfermidade, exortai-o a não vo-la ocultar... Exorto-vos de novo, ó vós que fostes feridos; não coreis de dizer: “Nós caímos na batalha”. Recebei o remédio sem nenhuma despesa; convertei-vos e vivei, e não sucumbais à morte... Vê, meu bem-amado, quão excelente é que o homem confesse e abandone a sua iniquidade... Dirijo-me a vós, ó penitentes; não recuseis recorrer a esta arte, que foi dada para a saúde; pois está dito na Escritura: Aquele que tiver confessado e abandonado os seus pecados, receberá misericórdia de Deus. Prov., xxviii, 13.» Graffin et Parisot, Patrologia syriaca, in-4°, Demonst., vii, n. 3, 4, 8, 9, 12, t. I, Paris, 1894, col. 317, 320, 321, 324, 332.
2° Efeito. — Ela tem por efeito a remissão dos pecados: «Deus perdoa àquele que confessou o seu delito, man d-naoudéh b-saklotoutè-h Sobéq l-éh alloho’.» Ibid., n. 14, col. 333. Afraates cita o episódio de David e de Natã, bem como, [Sir., xvii, 23. Ps., 32] Prov., xxviii, 9; Exod. xxxiv, 7 (Num., xiv, 18); Num., xiv, 19-20.
3° O segredo da confissão. — «Quando ele [o pecador] vos tiver revelado a sua iniquidade, não a divulgueis, [médicos,] lo’ etpharsounè-h, de medo que, por causa dele, até os inocentes sejam considerados como culpados pelos nossos inimigos e por aqueles que nos odeiam.» Ibid., n. 4, col. 320.
4° O confessor. — A conduta que deve manter o confessor é descrita na passagem seguinte: «Escutai, ó vós que tendes as chaves das portas do céu e que as abris aos penitentes; escutai o que diz o bem-aventurado apóstolo: Se alguém de vós for culpado de uma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com um espírito de doçura, e tomai cuidado, de medo que vós também sejais tentados. Gal., vi, 1. Com efeito, o apóstolo era tomado de temor, quando os advertia; pois diz de si mesmo: De medo de ser eu mesmo rejeitado, após ter pregado aos outros. 1 Cor., ix, 27. Aquele, pois, dentre nós que é culpado de alguma falta, não o considereis como um inimigo, mas exortai-o e adverti-o como um irmão; pois se o separardes de vós, ele será atingido por Satanás. Ele [o apóstolo] diz de novo: Nós que somos fortes, devemos suportar as fraquezas daqueles que não o são, Rom., xv, 1; e ainda: Que o coxo não seja rejeitado, mas antes que seja curado. Heb., xii, 13.» Ibid., n. 11, col. 329, 332.
Nas obras de santo Efrém não encontrei senão uma passagem que pode aplicar-se à confissão. O santo doutor exprime-se assim: «Vinde, pois, pecadores, tomai os remédios da bondade e aplicai-os sobre as úlceras das feridas dos pecados, manifestai e mostrai as vossas dores ao nosso Médico bom e sábio, que conhece a maneira de curar as feridas do pecado.» Serm., I, n. 9, T.-J. Lamy, Sancti Ephremi hymni et sermones, 3 in-4°, Malines, 1882-1889, t. III, col. 47. O médico, de que se trata aqui, é Deus ele mesmo. Sobre a prática da confissão entre os sírios, ver t. I, col. 208-211.
Autor original: V. Ermoni
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