CONFISSÃO ENTRE OS COPTAS

CONFISSÃO ENTRE OS COPTAS

V. CONFISSÃO ENTRE OS COPTAS. A palavra árabe, empregada hoje pelos coptas para designar a confissão, é: él-‘atraf, do verbo ‘arafa, « confessar, confessar-se. » Na antiga língua copta não se encontra um termo particular. — I. Existência. II. Ministro. III. Ritual. IV. Necessidade.

I. Existência. — Não há dúvida de que a prática da confissão existiu entre os coptas desde a origem de sua Igreja até os nossos dias. Ela atravessou, contudo, algumas vicissitudes. Parece que, em meados do século XIII, João, 72.º patriarca, aboliu completamente o sacramento da penitência; por volta de 1174, Marcos, ibn Al-Kunbari, causou uma grande comoção em todo o Egito ao pregar que, sem a confissão, não se pode obter o perdão dos pecados. Mais de dois séculos antes, Sanutius, 55.º patriarca, expressara-se claramente sobre este ponto; ao enviar cartas de absolvição a um certo diácono, escreveu: « Os laços deste diácono estão rompidos pela minha palavra, e não há qualquer motivo para que um fiel qualquer possa impedi-lo de aproximar-se da eucaristia. » Concluiu que quem recebe a comunhão sem confissão agrava os seus pecados.

II. Ministro. — A confissão não pode ser feita senão a um sacerdote. Hoje, apenas o arquipreste, houmnous, dá a absolvição. Após ter ouvido a confissão, o houmnous impõe a penitência que julga conveniente. Esta penitência deve ser cumprida antes que ele pronuncie a absolvição. Uma confissão geral dos pecados não é considerada suficiente. O sacerdote não pode medir o grau de penitência para um pecado velado em expressões gerais. A confissão silenciosa sobre a fumaça do incenso ardente parece ter substituído a verdadeira confissão, quando o patriarca João aboliu o sacramento, e o mesmo costume estendeu-se aos etíopes. Este abuso, embora temporário, durou contudo bastante tempo.

III. Ritual. — 1° Ordinário. — O penitente está diante do sacerdote, de joelhos e com a cabeça curvada. Ambos dizem as orações do Senhor. Após algumas outras orações, o sacerdote dá a absolvição, cuja forma parece ser deprecatória, e a sua bênção. Durante as orações, o penitente faz três prostrações diante do altar, e uma diante do confessor, cujos pés beija implorando as suas orações. A confissão segue imediatamente após; ela deve ser íntegra; o penitente presta contas de todas as suas ações e de todos os seus pensamentos. Após o penitente ter cumprido tudo o que lhe fora ordenado, o sacerdote recita sobre ele uma segunda oração de absolvição, antes que ele possa ser admitido à comunhão. Parece que na Igreja abissínia o costume é tocar o penitente com um ramo de oliveira.

2° Extraordinário. — Quando um apóstata ou um pecador notório é de novo admitido à comunhão da Igreja, o sacerdote pronuncia a bênção em nome da Trindade sobre um vaso cheio de água e verte nele três vezes o crisma em forma de cruz. Lêem-se então as lições da Escritura. O sacerdote pronuncia a oração da absolvição sobre o penitente, abençoa de novo a água e faz sobre ela o sinal da cruz. O penitente é então desnudado; o sacerdote asperge-o três vezes pronunciando estas palavras: « Eu te lavo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. » Após o penitente ter retomado as suas vestes, o sacerdote recita outras orações e a fórmula de absolvição, depois despede-o com estas palavras: « Tu estás curado, segue o teu caminho e não peques mais. »

IV. Necessidade. — A confissão e a absolvição são especialmente necessárias à hora da morte. Vansleb, Histoire de l'Église d’Alexandrie, in-12, Paris, 1677; A. Butler, The ancient coptic Churches, 2 in-8°, Oxford, 1884, t. 1, p. 298-380; A. de Vlieger, The origin and early History of the coptic Church, in-12, Lausanne, 1900, p. 58.

Autor original: V. Ermoni

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