CONCRETOS (TERMOS). — 1º A beleza, a bondade, a vermelhidão, o movimento não existem. O que existe são seres belos, bons, corpos vermelhos ou móveis; ou melhor, as qualidades que acabamos de enumerar não existem senão em sujeitos que as possuem em graus diversos. Mas elas podem ser concebidas pelo nosso espírito fora desses sujeitos e em si mesmas. Existem termos para expressar esses dois estados de uma qualidade existente em um sujeito real ou concebida fora do sujeito: os primeiros são os termos concretos, os outros são os termos abstratos: nomes bem escolhidos, uma vez que "concreto" quer dizer unido, misturado a alguma coisa, isto é, a um sujeito, e que "abstrato" quer dizer separado e distinguido de alguma coisa, isto é, do sujeito.
2º Existem graus no concreto e no abstrato. Se digo "Pedro", tenho o concreto perfeito, indivíduo um e real; aí não há abstração. Se digo "homem", tenho um primeiro grau de abstração, elimino pelo pensamento os caracteres individuantes para guardar apenas aqueles que constituem a espécie humana; mas o termo permanece concreto em certa medida, uma vez que "homem" quer dizer um sujeito pertencente à espécie humana. Passo, ao contrário, à abstração perfeita, se digo "humanidade", pois a qualidade que faz o homem é nela expressa pura e simplesmente sem qualquer sujeito. Pedro é, portanto, o concreto perfeito; humanidade, o abstrato perfeito; homem, o abstrato-concreto.
3º O uso dos termos concretos é delicado em teologia, quando se trata em particular da Santíssima Trindade, da Encarnação ou do papel da B. V. Maria; ele é correlativo ao dos termos abstratos. Nós o determinamos no artigo ABSTRATOS (TERMOS), t. 1, col. 282-286.
Autor original: A. Chollet
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