COLOSSENSES (EPÍSTOLA AOS)

COLOSSENSES (EPÍSTOLA AOS)

COLOSSENSES (EPÍSTOLA AOS). — I. Propósito e ocasião. II. Autenticidade. III. Divisão e doutrina.

I. PROPÓSITO E OCASIÃO. — São Paulo nunca havia visitado a cidade de Colossos, Col., II, 1; portanto, não havia fundado esta Igreja. O fundador da Igreja colossense parece ter sido Epafras, I, 7; IV, 12: Epafras era colaborador de São Paulo, tod a&yanntod ouvdovAov “judy, I, 7; era natural de Colossos, 6 é& dudv, IV, 12. Se não é certo que Epafras tenha fundado a Igreja de Colossos, ele tinha, em todo caso, pregado o Evangelho nesta cidade, I, 6, e nela exercido o ministério, IV, 12. A doutrina pregada aos colossenses era conforme às ideias de São Paulo, II, 5. Se Epafras era um cristão oriundo do paganismo, IV, 11-12, a Igreja de Colossos era também formada em grande parte por cristãos vindos do paganismo, I, 23.

Tendo vindo a Roma junto a São Paulo, Epafras deu lá um bom testemunho da fé e da caridade dos fiéis de Colossos, I, 4, o que alegrara o coração do grande apóstolo, II, 5; mas, ao mesmo tempo, ele lhe havia assinalado os erros que ameaçavam a jovem comunidade. Esses erros, dogmáticos e morais, eram múltiplos; mas é difícil vinculá-los a um sistema único. Cf., para as diversas opiniões, E. Jacquier, Histoire des livres du Nouveau Testament, Paris, 1903, t. I, p. 316-317. O princípio de todos esses erros parece ter sido, E. Jacquier, ibid., p. 316; A. Jülicher, Einleitung in das Neue Testament, 1ª e 2ª ed., Friburgo na Brisgóvia, 1894, p. 89, uma mistura de especulações sobre seres intermediários entre Deus e o homem; esses seres eram chamados «anjos».

Aliás, uma breve enumeração das exortações, dirigidas por São Paulo aos colossenses, nos permitirá, por via de contraste ou de consequência, formar uma ideia dessas falsas doutrinas: I, 5-6, ele atesta que a palavra da verdade do Evangelho, év t@ dé6yw tHe &AnBetag tod edayyedtov, frutifica e cresce desde o dia em que ouviram e conheceram a graça de Deus na verdade, Emeyvwte THY Yaptv tod @cod év aAnfetx; I, 9, ele não cessa de orar para que sejam cheios do conhecimento da vontade [de Deus] em toda sabedoria e inteligência espiritual, thy emyvwotv TOU Osrjuatoc adtod év ndon cogia xat cuvécer myevu.actxy, e que cresçam, v. 10, pelo conhecimento de Deus, adfavéuevor TH emyvaoet 700 Ozov; I, 27, aprouve a Deus fazer conhecer aos seus santos qual é a riqueza da glória deste mistério, yywetcat tétd mAod- tog (Gdit. crit.) tH¢ 66&y¢ tod wvotqelov tovtou; I, 28, ele ensina todo homem em toda sabedoria, a fim de apresentar todo homem [diante de Deus, cf. I, 22] perfeito em Cristo, év mao copie Wa TMAPACTHGWUEY TAVTO &v0ow= TOV tEAELOV Ev Xptors.

Acrescentemos a isso as instruções e advertências, e teremos uma ideia mais completa desses erros: II, 8, ele os previne de não se deixarem seduzir pela filosofia e por uma vã enganação, dc THS PtAoGoping xal xevncg am&tyc, segundo a tradição dos homens, xat% thy mapddoow tov avOownwy, cf. também v. 22; II, 11, ele os lembra de que foram circuncidados, não em uma circuncisão feita pela mão, mas no despojamento do corpo da carne, na circuncisão de Cristo, év 1% mepitopy tod Xorotod; II, 16, ele lhes declara que não devem temer o julgamento dos outros a respeito dos alimentos ou da bebida, év Bowaer H év méoe (provavelmente a carne e o vinho), das festas, da lua nova ou dos sábados; II, 18, ele os põe em guarda contra aqueles que querem julgá-los sob uma aparência de humildade e por um culto dos anjos, e que estão inflados de orgulho pelo espírito de sua carne, eS TOU vOoS THs TapXdS adTOD; II, 8, 20, ele os exorta a se desprenderem dos elementos deste mundo, tx ototyeta tod xdcnov. Esses falsos doutores lhes ensinavam, II, 21, a não tomar [os elementos deste mundo], a não provar, a não tocar, e, v. 23, a mortificar o corpo, év... dpevdix tod cHpatos. Eles tinham uma religião fictícia, ENehobonoxia. Deste exame podemos concluir que o propósito da Epístola aos Colossenses é duplo: um principal: combater as falsas doutrinas que circulavam nesta Igreja; outro secundário: felicitar os colossenses por sua fé em Cristo e por sua caridade. Cf. L. Duchesne, Histoire ancienne de l’Église, Paris, 1906, t. I, p. 68-73.

II. AUTENTICIDADE. — I. HIPÓTESES DA INAUTENTICIDADE. — Elas são em número de duas:

1º Uns acreditaram ver, nos falsos doutores da Epístola aos Colossenses, os gnósticos, que ameaçavam, no século II, a existência da Igreja; em consequência dessa opinião, imaginaram uma Epístola destinada, sob o nome do grande Apóstolo, a atingir a cabeça da gnose. Quis-se reconhecer também, nas duas partes opostas da Epístola, duas camadas sobrepostas: uma, autenticamente paulina, onde se combate os falsos doutores; a outra, mais recente em um decênio, onde a gnose é encarada como a inimiga hereditária, e onde a imagem do herege é desenhada tão finamente que se é obrigado a ver nela o gnóstico do século II. Esta teoria foi sustentada, com algumas variantes, por Fd. Ch. Baur, Schwegler, Köstlin, Hilgenfeld, Hausrath e outros.

— Mas, responde com razão A. Jülicher, op. cit., p. 90, todos os traços da Epístola convêm a uma classe de doutores que puderam existir no tempo de São Paulo; nada indica que se trate de um dos grandes sistemas gnósticos, que se pode razoavelmente datar. Fórmulas como a de Col., 1, 9, não se encontram, é verdade, nas Epístolas anteriores de Paulo; mas esse detalhe não pode invalidar a autenticidade de toda a Epístola; da mesma forma, na seção 1, 15-20, São Paulo pode muito bem desenvolver sua cristologia anterior, colocando-se sob outro ponto de vista; aliás, notam-se analogias doutrinais entre a Epístola aos Colossenses e outras Epístolas de São Paulo; assim, a ideia de que o Cristo é a cabeça do corpo dos fiéis, Col., 1, 18, 24; 1, 19, reencontra-se em I Cor., XI, 27; da mesma forma Col., II, 11, responde a I Cor., X, 30; [cf. I Cor., III, 7; aele Cor., p. 115; também Col., IV, 09] e Filem., 11, 23, 24.

II. HIPÓTESE DA INTERPOLAÇÃO. — Outros exegetas sustentam que a atual Epístola aos Colossenses resulta, em grande parte, de interpolações praticadas sobre uma Epístola autêntica de São Paulo. Esses autores reconhecem na Epístola um fundo paulino mais ou menos extenso (44 versículos, segundo Holtzmann; toda a Epístola, à exceção de 1, 16-17, segundo Von Soden); todo o resto, não paulino, teria sido composto com a ajuda de retalhos destacados de uma Epístola autêntica de São Paulo.

Mas quem é o interpolador? Para Holtzmann, é o autor da Epístola aos Efésios; Von Soden e Pfleiderer distinguem esses dois autores; Von Soden pensa que as interpolações são posteriores e Pfleiderer acredita que elas são anteriores à composição da Epístola aos Efésios. Cf. A. Jülicher, op. cit., p. 91; Jacquier, op. cit., p. 323; H. von Soden, Die Briefe an die Kolosser, Epheser, no Hand-Commentar zum Neuen Testament, 2ª ed., Friburgo na Brisgóvia, 1893, p. 3.

Mas, responde Jülicher, a suspeita de interpolações jamais teria surgido se não se tivesse tido a Epístola aos Efésios, com a qual, com efeito, ela apresenta a semelhança mais estreita tanto no conteúdo quanto no estilo. Essas duas cartas, tão semelhantes, têm uma origem comum: «Concebidas ao mesmo tempo no mesmo espírito, nascidas nas mesmas circunstâncias, levadas às Igrejas vizinhas pelo mesmo mensageiro, Tíquico, elas nos aparecem como duas irmãs gêmeas que sofrem por estarem separadas e das quais cada uma só é verdadeiramente completa ao ter sua irmã ao seu lado.» A. Sabatier, L’apôtre Paul, 3ª ed., Paris, 1896, p. 240. A Epístola aos Colossenses responde a todas as exigências de uma Epístola dirigida por Paulo aos Colossenses na situação em que estes últimos se encontravam.

III. PROVAS DA AUTENTICIDADE.

1º Os Padres apostólicos contêm apenas analogias com a Epístola aos Colossenses. Cf. I Clementis, xxiv, 1, et Col., 1, 18; Funk, Patres apostolici, 2ª ed., Tubinga, 1901, p. 182; xlix, 2, et Col., 11, 14, p. 162; S. Ignace d’Antioche, Ad Eph., X, 2, et Col., 1, 23 (έδραιωμένοι τῇ πίστει), p. 222; Ad Smyrn., vi, 4, et Col., I, 16, p. 280; Polycarpe, Ad Philip., xi, 2, et Col., 11, 7, p. 308.

2º Os Padres posteriores atribuem explicitamente a São Paulo a Epístola aos Colossenses: Tertuliano, De prescript., c. vii, P. L., t. ii, col. 20; Adv. Marcion., v, 19, ibid., col. 519; De resurrect. carnis, c. xxi, ibid., col. 826; Clemente de Alexandria, Strom., 1, 1, P. G., t. viii, col. 705; iv, 7, col. 1253; v, 12, col. 119; vi, 8, col. 284; Orígenes, Cont. Cels., v, 8, P. G., t. xi, col. 1192.

3º Segundo Santo Ireneu, Cont. hær., 1, 4; iv, 5, P. G., t. vii, col. 478, 488, Valentim, em seus escritos, citava várias vezes a Epístola aos Colossenses.

4º O autor dos Philosophoumena, v, 2, P. G., t. xvi, col. 3163, nos ensina que os peratas haviam abusado dos textos desta Epístola.

4º A Epístola é citada no cânon de Muratori.

5º Santo Epifânio, Hær., XLII, 9, P. G., t. xli, col. 708, assegura que Marcion a havia inserido em seu Apostolicon.

IV. OBJEÇÕES. — As objeções contra a autenticidade ou em favor da interpolação da Epístola aos Colossenses são de ordem filológica. Alega-se que esta Epístola, seja pelo vocabulário, seja pelo estilo, apresenta diferenças com as outras Epístolas de São Paulo, exceto a Epístola aos Efésios. Limitar-nos-emos a dar aqui as respostas de ordem geral: 1º se ela apresenta diferenças, as analogias que possui com as outras Epístolas são ainda mais numerosas; 2º as locuções mais pesadas são todas dirigidas contra os partidos que ensinavam falsas doutrinas; 3º a seção, 11, 5-11, da Epístola aos Filipenses está marcada por uma impressão muito semelhante àquela dos trechos contestados da Epístola aos Colossenses; 4º enfim, não se pode esperar que Paulo, prisioneiro e envelhecido (mais provavelmente no fim de seu cativeiro em Roma, 62-63), escreva sobre assuntos muito difíceis com o mesmo frescor e o mesmo encadeamento que quando estava em plena força. Jülicher, op. cit., p. 91. Para todos os detalhes filológicos e literários, cf. Jacquier, op. cit., p. 324-328.

III. DIVISÃO E DOUTRINA. — O prólogo, 1, 1-12, posto de lado, a Epístola divide-se bastante distintamente em duas partes: uma dogmática, 1, 13-11, 23; outra moral, iii, 1-iv, 6, seguida de um epílogo, iv, 7-18, que contém sobretudo saudações. A doutrina é, portanto, ela mesma dogmática e moral.

I. DOGMÁTICA. — As verdades dogmáticas ensinadas por São Paulo são ao mesmo tempo numerosas e importantes. Enumeramo-las na própria ordem da Epístola.

1º Cristologia

1. A redenção e a remissão dos pecados: 1, 14, afirma que é em [Jesus Cristo] que temos a redenção e a remissão dos pecados; τὴν ἀπολύτρωσιν, τὴν ἄφεσιν τῶν ἁμαρτιῶν. Notemos que São Paulo não diz: por meio do qual, δι’ οὗ, mas em que: ἐν ᾧ; por outro lado, como ele não fala no passado, mas no presente ἔχομεν, parece querer dizer que em Jesus possuímos continuamente a redenção e a remissão dos pecados. São João Crisóstomo faz a seguinte reflexão: Ele [São Paulo] não disse: _tpwotv, mas arodUtowery, a fim de que não tombemos mais, nem que nos tornemos mortais: wate wqde mecety Howdy, unde yevéc0at Ovqtovs. In Col., 1, 14, P. G., t. LX, col. 313. Quanto à expressão latina "por seu sangue", per sanguinem ejus, ela é uma interpolação.

2. O Filho imagem do Pai. — 1, 15, Jesus Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura, elxdy t00 Ocod tod dopdtov, Mpwrdtox0g TONS “TIGEWC; encontramos aqui o termo "imagem" que se tornará na teologia posterior uma das propriedades do Filho. Se Jesus Cristo é a imagem de Deus, ele é, pela mesma razão, igual a Deus mesmo: a imagem de Deus, diz São João Crisóstomo, ibid., col. 817, mostra a igualdade: @eod bz elxdov TO drapidhane ov Oefxvucty. Assim, pois, nestas duas palavras: "imagem de Deus", cixdv tod @zod, os Padres viram duas coisas: a) a pluralidade das pessoas em Deus; cf. S. Hilário, De synodis, 13, P. L., t. x, col. 490; S. Ambrósio, De fide, l. I, c. vii, n. 50, P. L., t. xvi, col. 540; b) sua perfeita igualdade. Cf. S. Hilário, ibid., 25, col. 499; De Trinit., vii, 48, col. 272; S. Gregório de Nazianzo, Orat., xxx, 20, P. G., t. xxxvi, col. 429; S. Agostinho, De quest rxxxdi1, CLP. boats SL, col. 86; S. João Damasceno, De imag. orat., 1, 9, P. G., t. xciv, col. 1240. São João Crisóstomo observa, ibid., col. 318, que São Paulo não diz o primeiro-criado, mas o primogênito: xar phy 09 mpwtdxtiotos, eimev, KAY TOWTOTOXOS.

3. O Filho criador e fim de todas as coisas. — É o início mesmo de 1, 16: "Ozt év atta extioby ta mavta. Esta passagem está em estreita correlação com Joa., 1, 3; segue a enumeração das coisas criadas pelo Filho, que recorda Ef., 1, 21; o versículo termina pela afirmação do começo: tudo foi criado por ele e para ele: tax mé&vra 81’ adrod xat etc adtov extiotat. Este versículo é dirigido contra aqueles que atribuíam a criação a um ser intermediário. S. Epifânio, Her., xxx1, 4, P. G., t.

O texto apresenta três casos do mesmo pronome pessoal: Tudo foi criado nele, év ait, por ele, 6.’ adtod, e para ele, etc adcov. Estas três fórmulas se compreendem facilmente: év adra indica a causa exemplar: sobre estas palavras São Tomás faz o comentário seguinte: L¢ ideo omnia in ipso condita sunt, sicut in quodam exemplari; 6.’ adt0¥ indica a causa eficiente; et¢ avtov, a causa final. São João Crisóstomo, ibid., col. 319, pergunta-se o que significa este Θεὸς, e responde: Nele está suspensa a substância de todas as coisas; não somente ele fez passar todas as coisas do não ser ao ser, mas ainda as mantém, de sorte que, se elas fossem subtraídas à sua providência, desapareceriam e se dissolveriam: εἰς αὐτὸν κρέμαται ἡ πάντων ὑπόστασις. Οὐ μόνον αὐτὸς αὐτὰ ἐκ τοῦ μὴ ὄντος εἰς τὸ εἶναι παρήγαγεν, ἀλλὰ καὶ αὐτὸς ἀεὶ συγκρατεῖ αὐτά• ὥστε ἂν ἀποσπασθῇ τῆς αὐτοῦ προνοίας, ἀπόλωλε καὶ διεφθάρη.

4. A preexistência do Verbo. — 1, 17, o Verbo é antes de todas as coisas, αὐτός ἐστι πρὸ πάντων. Este último termo está no neutro, como prova a repetição seguinte, τὰ πάντα. A Vulgata traduziu: ante omnes [creaturas]. E todas as coisas subsistem nele, καὶ τὰ πάντα ἐν αὐτῷ συνέστηκεν, isto é, diz São Tomás, conservantur. Sic enim se habet Deus ad res, sicut sol ad lunam, quo recedente deficit lumen lunae. E assim se Deus subtraísse a sua virtude de nós, in momento deficerent omnia (Heb., 1, 3): Portans omnia verbo virtutis suae.

5. O Filho, cabeça da Igreja, 1, 18. — A tradução latina: Et ipse est caput corporis Ecclesiae, não é bastante exata. O grego traz: « Ele é a cabeça do corpo, da Igreja, » καὶ αὐτός ἐστιν ἡ κεφαλὴ τοῦ σώματος, τῆς ἐκκλησίας, de sorte que τῆς ἐκκλησίας deve ser verdadeiramente considerado, não como uma incidente independente, mas como uma aposição de τοῦ σώματος. O Filho é também o princípio, ἀρχή, o primogênito dentre os mortos, a fim de ser em tudo o primeiro. São João Crisóstomo faz, ibid., col. 320, uma bela reflexão: ele é por toda parte o primeiro; no alto o primeiro, na Igreja o primeiro, pois ele é a cabeça; na ressurreição o primeiro. Πανταχοῦ γάρ ἐστι πρῶτος" ἄνω πρῶτος, ἐν τῇ Ἐκκλησίᾳ πρῶτος" κεφαλὴ γάρ ἐστιν" ἐν τῇ ἀναστάσει πρῶτος.

6. O Filho teve a plenitude das graças, 1, 19. — [aprouve a Deus]. Cf. I Cor., 1, 21; Gal., 1, 45. Cristo, como homem, não mereceu a plenitude das graças, mas a teve pela bondade divina: « Complacuit, » São Tomás diz sobre este termo, designat quod dona hominis Christi non erant ex fato seu meritis, ut dicit Photinus, sed ex divina voluntate assumentis hunc hominem in unitatem personae. In ipso, ἐν αὐτῷ, regime de inhabitare, refere-se a Cristo. A plenitude, τὸ πλήρωμα, aplica-se às graças e indica a dignidade da cabeça da Igreja: « Quia in ipso, etc., » diz ainda São Tomás, ostendit dignitatem capitis quantum ad plenitudinem gratiarum omnium. São João Crisóstomo, ibid., col. 320, já tinha dado a este versículo um sentido um pouco diferente: « Seja que ele fosse o Filho, seja [que ele fosse] o Verbo, não é uma virtude que habitou lá, mas essência; » εἴτε ἦν ὁ Υἱός, εἴτε ὁ Λόγος, ἐκεῖ ᾤκησεν οὐχὶ ἐνέργειά τις, ἀλλ’ οὐσία. — I, 9, é a plenitude da divindade, τὸ πλήρωμα τῆς Θεότητος.

7. Jesus Cristo reconciliador de todas as coisas com Deus, 1, 20. — Deus reconciliará consigo todas as coisas por Jesus Cristo. Cf. Rom., v, 10-11; II Cor., v, 18-20. Ele pacificou pelo sangue da cruz de Jesus, διὰ τοῦ αἵματος τοῦ σταυροῦ αὐτοῦ, cf. Rom., III, 25; v, 9-10; Eph., 1, 7, tanto o que está na terra quanto o que está nos céus. Cf. Eph., 1, 10; 1, 11-18. Estas últimas palavras apresentam alguma dificuldade. Os Padres as entenderam geralmente como uma pacificação entre o céu e a terra. Cf. S. João Crisóstomo, ibid., col. 321; S. Agostinho, Enchiridion, c. LXII, P. L., t. XL, col. 261. O apóstolo repete esta mesma doutrina, vv. 22.

2º A redenção, II, 14-15. — São João Crisóstomo vê nesta passagem a redenção: « Estávamos todos, diz ele, sob o pecado e o castigo; pela sua punição ele apagou e o pecado e o castigo; ele foi punido na cruz; » πάντες ἦμεν ὑφ’ ἁμαρτίαν καὶ κόλασιν" αὐτὸς κολασθεὶς ἔλυσε καὶ τὴν ἁμαρτίαν καὶ τὴν κόλασιν" ἐκολάσθη ἐν τῷ σταυρῷ. Ibid., homil. VI, n. 3, col. 340.

3º A angelologia. — Esta doutrina encontra-se ensinada, I, 16, do que já nos ocupamos a propósito da cristologia. São Paulo enumera aqui apenas quatro graus: os tronos, θρόνοι, as dominações, κυριότητες, os principados, ἀρχαί, e as potestades, ἐξουσίαι. Sua doutrina sobre este assunto é mais resumida em Rom., VIII, 38; I Cor., XV, 24.

4º A morte ao pecado. — O apóstolo ensina claramente, III, 12; III, 1, 3, que nós morremos ao pecado pelo sepultamento com Jesus Cristo no batismo, e a união que temos com ele.

MORAL. — Nesta parte, São Paulo dirige aos Colossenses exortações gerais e exortações especiais.

1º Exortações gerais. — 1. Busca das coisas celestes. — Se eles estão verdadeiramente ressuscitados com Jesus Cristo, que busquem as coisas do alto, onde Jesus Cristo está sentado à direita do Pai, que se afeioem às coisas do alto e não às que estão sobre a terra; pois eles morreram e sua vida está escondida com Jesus Cristo em Deus; além disso, quando Jesus Cristo, que é sua vida, aparecer, então eles aparecerão com ele na glória, III, 1-4. — 2. Prática da mortificação, 5-8. — 3. Renúncia ao mentira, despojamento do velho homem e revestimento do homem novo, 9-10. — 4. Prática da misericórdia, da bondade, da humildade, da doçura e da paciência, 12. — 5. Suporte e perdão mútuos, 13. — 6. A caridade acima de tudo, 14. — 7. Prática do reconhecimento, 15. — 8. Instrução e exortações mútuas, 16. — 9. Fazer tudo em nome de Jesus Cristo, 17.

2º Exortações especiais. — 1. Aos esposos, 19-20. — 2. Aos filhos e aos pais, 20-21. — 3. Aos escravos, 22-25. — 4. Aos mestres, IV, 1. São Paulo expõe assim os deveres sociais e domésticos da família cristã. Ele santifica o casamento dando-lhe por tipo a união de Jesus Cristo e da Igreja; a educação dos filhos, colocando-os sob a vigilância de Deus; ele eleva o escravo fazendo apelo à sua consciência, e recomendando ao mestre amar o seu escravo.

3º Novas exortações gerais à oração e à sabedoria, 2-6. Cf. A. Sabatier, L’apôtre Paul, 3ª ed., Paris, 1896, p. 251-261.

I. COMENTÁRIOS. — 1º Antigos. — S. João Crisóstomo, Homil. in Epist. ad Col., P. G., t. LXII, col. 288-392; Teodoro de Mopsuéstia, In Epist. B. Pauli comment., P. G., t. LXVI, col. 925-932; Teodoreto, Ad Col., P. G., t. LXXXII, col. 592-628; Ambrosiaster, In Epist.

ad Col., P. L., t. XVII, col. 421-442; Pelágio, nas obras de S. Jerônimo, P. L., t. XXX, col. 853-862; Ecumênio, P. G., t. CXIX, col. 14-56; Teofilacto, P. G., t. CXXIV, col. 1206-1279; S. Tomás, In omnes D. Pauli Epistolas commentaria, Opera, Paris, 1560, t. XVI.

2º Modernos. — Bisping, Erkldrung der Briefe an die Epheser, Philipper und Kolosser, Münster, 1866; Oltramare, Commentaire sur les Épîtres de saint Paul aux Colossiens, aux Éphésiens et à Philémon, Paris, 1891; Von Soden, Die Briefe an die Kolosser, Epheser und Philemon, Fribourg-en-Brisgau, 1891; H. Holtzmann, Kritik der Epheser und Kolosser Briefe, Leipzig, 1872; Henle, Kolossä und der Brief des Apostels Paulus an die Kolosser, Munique, 1887; Messmer, Erkldrung des Kolosserbriefes, Brixen, 1863; Von Hofmann, Die Briefe Pauli an die Kolosser und an Philemon, Nördlingen, 1870; Lightfoot, St. Paul’s Epistle to the Colossians and Philemon, Londres, 1892; J. Parker, Epistles to Colossians, Philemon and Thessalonians, Londres, 1905; P. Ewald, Die Briefe des Paulus an die Epheser, Kolosser und Philemon, Leipzig, 1905; A. Lemonnyer, Épîtres de saint Paul, IIe partie, Paris, 1905.

II. TRABALHOS CRÍTICOS. — As Introduções especiais aos livros do Novo Testamento, notadamente F. Godet, Introduction au N. T., Neufchâtel, 1893, t. 1, p. 490-534; Zahn, Einleitung in das N. T., 2ª ed., Leipzig, 1900, t. 1, p. 326-340, 348-369; Belser, Einleitung in das N. T., Fribourg-en-Brisgau, t. II, col. 866-876; K. J. Müller, Ueber den Gedankengang des Apostels Paulus in seinem Briefe an die Kolosser, Leipzig, 1905.

Autor original: V. Ermoni

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor