COLORBASUS

COLORBASUS

COLORBASUS. — I. Nome. II. Personagem. III. Doutrina.

I. Nome. — Este nome é grafado de diversas formas. Ora é escrito Colarbasus, Colarbasos, KoΚολάρβασος, por exemplo pelo pseudo-Tertuliano, Prescr., 50, P. L., t. II, col. 70; por Tertuliano, Adv. Valent., 4, P. L., t. II, col. 546; e pelo autor dos Philosophoumena, IV, 1, 13; VI, v, 16, édit. Cruice, Paris, 1860, p. 76, 232; ora Colorbasus, Colorbasos, KoΚολόρβασος, por exemplo por São Filastrio, Her., 43, P.L., t. XII, col. 1159; Santo Agostinho, Her., 15, P. L., t. XLII, col. 28; Santo Epifânio, Her., xxxv, P. G., t. XLI, col. 628; Teodoreto, Her. fab., 1, 12, P. G., t. LXXXIII, col. 361; São João Damasceno, Her., xxxv, P. G., t. XCIV, col. 700.

A fonte única de informações encontra-se em Santo Irineu, Cont. her., I, xi, 3, sobretudo I, xiv, 4, P.G., t. VII, col. 573. Eis a passagem: Hic igitur Marcus vulvam et susceptorium Colorbasi silentii semet solum fuisse dicens, quippe unigenitus existens, semen, quod depositum est in eum, sic enixus est. Ora, esta passagem é muito obscura e deu lugar a muitas discussões. Heumann primeiro, Hamburgische vermischte Bibliothek, 1743, t. I, p. 145; Volkmar depois, Die Colorbasus-Gnosis, em Zeitschrift für histor. Theologie, 1855, p. 602-616, tentaram interpretá-la.

Como, por um lado, em Santo Irineu, Marcos pretende, na frase que se segue, que a tétrada de Valentino pode comparar-se a uma mulher, isto é, ao princípio passivo da geração, ou melhor, a uma matriz; como, por outro lado, os marcosianos emprestavam do hebraico ou do aramaico termos para designar seus mitos e seus ritos, poderia ser que Colorbasos não fosse senão uma palavra hebraica sob forma grega, tal como Kol-Arbas. Ora, Kol-Arbas, significando todos os quatro, designaria simplesmente a tétrada. Baur, ao contrário, prefere ver ali Col-Arbas, a voz dos quatro. Mas, em um como no outro caso, seria necessário renunciar a tomar Colorbasus por um nome de homem, por um gnóstico.

A explicação é engenhosa, mas de modo algum convincente; ela permanece uma hipótese. Pois, tal como demonstrou Hilgenfeld, em Zeitschrift für wiss. Theologie, 1880, p. 481, este termo é conhecido no Egito como um nome de homem; encontram-se Κολόρβασος nas inscrições gregas e Κολόρβασος em Nilo, Epist., III, 52, P. G., t. LXXIX, col. 446. De resto, Santo Irineu escrevia para leitores que não conheciam o hebraico; por conseguinte, se tivesse empregado este termo desconhecido, tê-lo-ia explicado, e não é o caso. Os heresiólogos, que tiveram sob os olhos seu texto original, viram todos, sem exceção, o nome de um gnóstico em Colorbasus. O sistema de Marcos, em particular sua teoria sobre a Σιγή ou Silêncio, é muito impreciso. Santo Irineu não fala do gnosticismo egípcio senão tal como o encontrava na escola itálica. Pode-se, portanto, ver em Colorbasus o nome de um herético gnóstico do século II.

II. PERSONAGEM. — Se a existência deste Colorbasus não parece dever ser posta em dúvida, ignora-se completamente, por outro lado, as diversas circunstâncias da vida desta personagem, assim como a influência que teve e o papel exato que desempenhou entre os gnósticos de seu tempo. Seu lugar mesmo entre os discípulos de Valentino é difícil de precisar. Nenhuma dificuldade em que tenha sido egípcio de nascimento; é certo pelo menos que viveu algum tempo em Roma, uma vez que seu nome é citado com os de Ptolomeu e de Marcos, dois gnósticos valentinianos que sabemos pertinentemente terem pertencido à escola itálica.

Dom Massuet, Diss., I, v, P. G., t. VII, col. 108-109, crê poder concluir da passagem de Santo Irineu que ele era discípulo de Ptolomeu. Era-o igualmente de Marcos? É verossímil, mas falta a prova para poder afirmá-lo com certeza. O autor dos Philosophoumena anuncia bem, no começo do l. VI, que vai tratar da doutrina de Marcos e de Colarbasos; mas, após ter consagrado cerca de trinta páginas a reproduzir toda a passagem de Santo Irineu sobre Marcos, termina dizendo que estima ter provado suficientemente que os pitagóricos e os astrólogos tinham sido os mestres de Marcos e de Colarbasos, da escola de Valentino; e não acrescenta a menor indicação relativa ao último. É verdade que, no l. IV, 1, 13, loc. cit., p. 76, ele tinha indicado o objetivo de Colorbasus que era, diz ele, explicar a θεοσέβειαν διὰ μέτρων καὶ ἀριθμῶν; mas, precisamente, esta explicação por medidas e por números é um dos traços característicos do método de Marcos, e parece bem, de acordo com o contexto, que a paternidade deva retornar a Marcos, caso em que Colorbasus seria um discípulo de Marcos.

Santo Epifânio consagra um artigo a Colorbasus e o coloca antes de Marcos. Antes de inserir, com efeito, a passagem de Santo Irineu relativa a Marcos, em uma série de curtas notas que dá sobre o ensinamento próprio às diferentes ramificações da gnose valentiniana, logo após Ptolomeu ele nota um grupo, e nesse grupo de sábios, como ele chama, cita Colorbasus. De modo que aqui Colorbasus, colocado entre Ptolomeu e Marcos, serve-lhes de traço de união, tem pontos de doutrina comuns com ambos; mas Santo Epifânio não especifica quais, contentando-se em enumerar estas personagens uma após a outra, como em uma sequência cronológica ou de acordo com a filiação das ideias. Isso faz com que a questão das relações exatas que existiram entre Colorbasus e Marcos pareça decidida em um sentido contrário ao dos Philosophoumena. Teodoreto não esclarece o problema, pois não faz senão abreviar Santo Epifânio e assinala simplesmente a existência dos colorbasianos. Os autores latinos não são mais explícitos. Tertuliano nos ensina que Valentino abriu o caminho para Colorbasus, Adv. Val., 4, P. L., t. II, col. 541. O pseudo-Tertuliano retoma a série tal como se encontra nos Philosophoumena: após Ptolomeu, Secundus e Heracleão, cita primeiro Marcos, depois Colorbasus, Preser., 50, P. L., t. LI, col. 70.

III. Doutrina. — Nessas condições, é preciso renunciar a resolver a questão de saber se Colorbasus era discípulo de Marcos ou não. Outra dificuldade é precisar qual era a doutrina própria a Colorbasus. Nenhuma dúvida de que tenha pertencido ao grupo dos discípulos de Valentino, nomeadamente ao grupo da escola itálica. Nenhuma dúvida de que tenha pontos comuns com Ptolomeu e Marcos.

Nenhuma dúvida também de que, a exemplo de seus mestres e de seus emuladores, na esperança de desempenhar um papel à parte e de ser chefe de escola por sua vez, ele não tenha buscado especializar-se ou superar os sistemas em voga de seus predecessores ou de seus contemporâneos e que não tenha tido sucesso apenas em certa medida, uma vez que uma seita levou seu nome. Mas qual é sua característica? Nós a ignoramos.

O que parece incontestável é que, com todos os seus condiscípulos, Colorbaso adotou, em linhas gerais, a eonologia, a cosmologia e a soteriologia valentinianas; que, com Ptolomeu e Marcos em particular, sob a influência dos pitagóricos e dos astrólogos, ele fez com que os astros, as letras do alfabeto e os números desempenhassem um papel fantasioso em seu sistema, com o apoio de textos bíblicos, procedimento que se assemelha a certas elucubrações cabalísticas.

Contudo, que ele tenha considerado os eons da ogdóada como o produto de uma emanação simultânea e como tantas substâncias distintas; que, em sua enumeração, ele tenha invertido a ordem da escola itálica, colocando a sizígia ἄνθρωπος-Ἐκκλη- σία antes do casal Λόγος-Ἀλήθεια, e que ele tenha explicado de uma maneira diferente a origem do eon Salvador, nada disso está positivamente adquirido; tudo permanece no domínio da verossimilhança e da hipótese.

No fundo, durante esse período gnóstico do século II, tão notável por sua efervescência, sua intemperança filosófica e sua atividade literária, Colorbaso desempenhou apenas um papel secundário e teve apenas uma influência restrita. Ele não foi um grande chefe de escola, no máximo um discípulo inquieto e ambicioso, rodeado por alguns partidários. Smith e Wace, Dictionary of christian biography, Londres, 1877, t. I, p. 593; Kirchenlexikon, Friburgo em Brisgóvia, 1884, t. III, p. 597-599.

Autor original: G. Bareille

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