COLLET, Pierre, teólogo francês, nasceu em 31 de agosto de 1693, em Ternay, no Vendômois, naquela parte da antiga diocese de Le Mans que se encontra compreendida na diocese atual de Blois. Em suas Lettres critiques, Turim, 1751, p. 7, ele nos informa que foi educado em dois seminários da Congregação da Missão, mas não os designa. Foi admitido no noviciado, em Paris, no dia 6 de setembro de 1717, tendo 24 anos de idade e sendo provavelmente já sacerdote e doutor em teologia. Assim que proferiu os votos (7 de setembro de 1719), foi encarregado de ensinar teologia na casa de Saint-Lazare; é certo, ao menos, que estava encarregado de um curso em 1724, pois declara, Lettres critiques, p. 15, que é o autor de uma carta publicada por volta dessa época "por um jovem professor de Saint-Lazare".
Durante algum tempo residiu em uma casa da congregação, na Bretanha, pois foi desta região — ex Oceani britannici littoribus — que ele partiu em 1731, para retornar a Paris, para onde era convocado pelo superior-geral, por insistência do arcebispo de Paris, Charles de Vintimille. Tournély acabava de morrer (26 de dezembro de 1729), deixando inacabado um curso de teologia do qual a universidade e os seminários faziam o maior caso, e de toda parte expressava-se o desejo de que este curso fosse continuado. O cardeal de Fleury, então primeiro-ministro, convidou Collet a encarregar-se do empreendimento; Collet aceitou. Durante trinta anos, trabalhou sem descanso nesta obra importante, cujo 17º e último volume só apareceu em 1761; nesse intervalo, encontrou ainda tempo para compor mais de 40 volumes sobre diversos assuntos. Após ter colocado o ponto final em seu curso de teologia, fez uma viagem à Itália para reparar sua saúde debilitada e encontrou em Pádua o Papa Clemente XIII, que o acolheu com muita distinção.
Por seu ensino, Collet exerceu uma grande influência. Suas obras, adotadas como clássicas em um grande número de seminários, na França, na Itália e na Alemanha, contribuíram para manter nos limites da ortodoxia o ensino dos seminários que o jansenismo tentava confiscar em seu proveito. Assim, os jansenistas não negligenciaram nada para desacreditar o famoso teólogo. O redator das Nouvelles ecclésiastiques atacou-o sem qualquer reserva. Denunciaram-no, em libelos, ao episcopado francês. Todos esses esforços foram inúteis: enquanto o jansenismo penetrava nos seminários do Oratório e de algumas outras sociedades religiosas, era banido de todos aqueles dirigidos pela Congregação da Missão, que ultrapassavam, em 1780, o número de sessenta apenas na França. Adversário do jansenismo, Collet não gostava muito do galicanismo. Mas era obrigado a respeitar a doutrina dos quatro artigos para escapar das hostilidades do parlamento. É nesta situação equívoca que se deve julgar Collet. Morreu em 6 de outubro de 1770, na casa de Saint-Firmin, da qual era superior.
Compôs um grande número de obras que agrupamos sob cinco chefes:
I. Teológicas. — 1. Continuatio prælectionum theologicarum Honorati Tournely, 15 tomos em 17 in-8º, Paris, 1733-1760; vários volumes foram reeditados pelo autor; Colônia, 1735-1754; Veneza, 1735-1761; estas edições estrangeiras reproduzem a primeira edição francesa de diversos tratados, que era muito imperfeita; Veneza, 1746 sq. ; 2. Institutiones theologicæ (resumo da obra precedente), 5 in-12, Paris, 1744 sq.; 3. Institutiones theologicæ ad usum seminariorum (resumo das lições de Tournély), 2 in-12, Paris, 1749; estas duas últimas obras foram frequentemente reeditadas juntas sob um título comum; esta teologia de Collet foi denunciada, em 21 de setembro de 1764, ao bispo de Troyes por 111 eclesiásticos da diocese; o autor é ali apresentado como um casuísta frouxo. Vários folhetos refutaram a Dénonciation. O P. Martin Natalis, das escolas pias, publicou também, em 1779, um libelo contra a teologia moral de Collet; 4. Institutiones theologicæ quas ad usum seminariorum breviori forma contraxit, 4 in-12, Lyon, 1767; Louvain, 1768; 5. Tractatus dogmatico-scholasticus de Deo ejusque attributis, 3 in-8º, Bruxelas, 1769; Collet ali ataca frequentemente Billuart; diferentes tratados de Collet foram reeditados no Theologiæ cursus completus de Migne; 6. Dissertatio theologica de Jansenii Iprensis systemate, propositionibus et censura, in-12, Paris, 1832; 3ª ed., in-12, Paris, 1740; 7. cinco Lettres d’un théologien au R. P. A. de G. (André de Grazac) onde se examina se os hereges são excomungados por direito divino, publicadas à parte, Paris, de março de 1737 a abril de 1738, depois reunidas, in-12, Bruxelas, 1763; Collet sustenta com vigor a negativa; 8. Traité des dispenses en général et en particulier, 2 in-12, Paris, 1742; 2ª ed., 1752; 3ª ed., 2 in-12, 1758. Um premonstratense, Nicolas Collin, prior de Rangéval, fez aparecer sobre este tratado Observations critiques, in-12, Nancy, 1765, e Nouvelles observations critiques, in-12, Paris, 1770. Collet levou isso em conta e preparou uma nova edição que foi publicada, após sua morte, pelo seu confrade Jean Compans, 2 in-8º, Paris, 1788; 2ª ed., 1827; 3ª ed., 3 in-12, Paris, 1836; 9. Examen et résolution des difficultés qui se présentent dans la célébration des saints mystères, in-12, Paris, 1752; as edições seguintes são intituladas: Traité des saints mystères, e a 7ª, 1768, compreendia dois volumes; o P. Nicolas Collin fez ainda aparecer contra ela Observations critiques, in-12, 1771, acrescentadas como 8º vol. às edições posteriores do Traité des saints mystères, e fundidas na obra pelo sulpiciano Caron, 2 in-12, Paris, 1817; 12ª ed., Paris, 1848. O abade Richaudeau tornou este tratado conforme às regras da liturgia romana: Nouveau traité des saints mystères, in-12, Paris, 1853; 10. Examen et résolution des principales difficultés qui regardent l’office divin, in-12, Paris, 1754; 6ª ed., Paris, 1763; Lyon, 1822; Paris, 1828; 11. Traité historique, dogmatique et pratique des indulgences et du Jubilé, 2 in-12, Paris, 1759; 12. Traité des exorcismes de l’Eglise, in-12, Paris, 1770; 13. Abrégé du Dictionnaire des cas de conscience de M. Pontas, 2 in-4º, Paris, 1764; 4 in-8º, Paris, 1768; 2 in-4º, Paris, 1771; ao final do t. II, Collet anota e critica os Casus conscientiæ de Bolonha, atribuídos a Bento XIV e impressos em Ferrara; 14.
*Traité de la vérité de la religion chrétienne*, 2 in-12, Paris, 1753; revisão do tratado do protestante Jacob Vernet; 15. *Régles du droit*, comentadas por Collet e revistas por Compans, in-16, Saint-Flour, 1884.
2º Ascéticas. — 1. *Traité des devoirs d’un pasteur qui veut se sauver en sauvant son peuple*, 6ª ed., in-12, Paris, 1769; a 1ª edição havia aparecido em Avignon em 1757; 2. *Traité des devoirs de la vie religieuse*, 2 in-12, Lyon, 1765; esta obra é especialmente destinada às religiosas; 3. Tratado dos deveres das pessoas do mundo e sobretudo dos chefes de família, in-12, Paris, 1763; trad. espanhola, in-18, Lisboa, 1768; 4. O escolar cristão, ou tratado dos deveres de um jovem que quer santificar seus estudos, in-18; frequentemente reeditado de 1809 a 1825; 5. Instruções e orações para o uso dos oficiais de casa, dos criados e das pessoas que trabalham na cidade, in-12, Paris, 1758; 4ª ed. aumentada, Paris, 1763; extraiu-se dele o Espelho dos criados cristãos, in-18, Tours, 1838; 6. Instruções em forma de conversas sobre os deveres das pessoas do campo que querem voltar a Deus e se santificar em seu estado, in-18, Paris, 1770; 7. A devoção ao Sagrado Coração estabelecida e reduzida à prática, in-16, Paris, 1770; 8. Instruções sobre as indulgências, in-16, Paris, 1764, frequentemente reimpressas; 9. Meditações para servir aos retiros..., para as pessoas consagradas a Deus, in-12, Paris, 1769; o fundamento deste livro é de Bonnet, superior geral da Missão; foi reeditado, Paris, 1849, e traduzido para o polonês, in-12, Cracóvia, 1897; 10. Meditações para o uso das religiosas e das pessoas que vivem em comunidade (obra póstuma do Sr. Tiberge, superior das Missões estrangeiras, retocada por Collet), in-12, Paris, 1745; 11. Os quatro fins do homem com reflexões capazes de tocar os pecadores mais endurecidos e de reconduzi-los ao caminho da salvação, pelo Sr. Rouault, pároco de Saint-Pair-sur-la-mer. Nova edição revista e corrigida pelo Sr. Collet, in-12, Paris, 1757; frequentemente reimpresso.
3º Oratórios. — Sermões para os retiros, com discursos eclesiásticos, panegíricos, etc., 2 in-12, Lyon, 1763, dedicados a Clemente XIII, e reproduzidos por Migne, Orateurs sacrés, t. LV, col. 513-1111.
4º Históricos. — 1. A vida de são Vicente de Paulo, 2 in-4°, Nancy, 1748; 2ª ed. aumentada, 4 in-8°, Paris, 1818; 2. História abreviada de são Vicente de Paulo, in-12, Paris, 1764; muito frequentemente reimpressa e traduzida para o espanhol, Madri, 1849, e para o italiano, in-8°, Nápoles, 1854; in-8°, Turim, 1856; cf. A. Milon, Répertoire bibliographique de la congrégation de la Mission, Paris, 1903, p. 29-30; 3. A vida de são João da Cruz, in-12, Turim, 1769; 4. A vida do Sr. Henri-Marie Boudon, 2 in-12, Paris, 1753; 5. A vida (abreviada) do Sr. Henri-Marie Boudon, in-12, Paris, 1762; in-8°, Evreux, 1886; 6. A vida da venerável Luísa de Marillac, pelo Sr. Gobillon, revista, corrigida e aumentada pelo Sr. Collet, in-12, Paris, 1769; 7. A vida da venerável madre Vitória Fornari, in-12, Paris, 1771; trad. italiana, in-4°, Gênova, 1780; 8. História da bem-aventurada Colette Boellet, com a história da virtuosa Filipa de Gueldres, obra póstuma publicada pelo abade de Montis, in-12, Paris, 1771; 9. A vida do Sr. de Quériolet, seguida da história abreviada do Sr. Pierre Ragot, Saint-Malo, 1771; 10. Vida de Claude Bernard (ms.); 11. Relato das principais circunstâncias da doença do falecido Monseigneur o Delfim, in-4, Paris, 1766; 12. Histórias edificantes, coletânea de Duché, revista e aumentada por Collet, in-12, Paris, 1767, frequentemente reimpressa na íntegra ou por extratos.
5º Miscelâneas. — 1. Carta de um professor de Saint-Lazare a respeito da nova edição da Vida de são Vicente de Paulo, por Abelly, nas Observations dogmatiques, historiques et critiques sur les ouvrages, la doctrine et la conduite de Jansénius, Ypres, 1724, p. 252 sq.; 2. Cartas críticas sobre diferentes pontos de história e de dogma, in-8°, 1743; 2ª ed., in-12, Turim, 1751; são endereçadas ao autor da Réponse a la Bibliotheque janséniste, sob o nome de prior de Saint-Edme; 3. Bibliotheque d’un jeune ecclésiastique, in-8°, Paris, 1751.
[Rosset,] Notices bibliographiques sur les écrivains de la congrégation de la Mission, Angoulême, 1878, p. 33-81.
Autor original: V. ERMONTI
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