COLETI

COLETI

COLETI, Nicolas, nasceu em Veneza em 1680; ali iniciou seus estudos que completou em Pádua, onde obteve o grau de doutor. Padre da igreja de São Moisés de Veneza, dedicou-se, desde cedo, aos trabalhos de erudição, pelos quais tinha um gosto particular. Esse ardor pelo trabalho, ele o herdou de dois tios: Jean-Dominique e Jean-Jacques, e comunicou-o aos seus próprios irmãos, a quem fez abandonar todo comércio para ocuparem-se apenas com livraria e tipografia.

Seu tio Jean-Dominique havia concebido o projeto de produzir uma nova edição, revista e aumentada, da Italia sacra de Ughelli. Estava reservado a Nicolas, a Sébastien, seu irmão, e enfim mais tarde a Jean-Dominique, seu sobrinho, trazer a lume essa obra das mais importantes. O 1º volume apareceu em 1717 e foi dedicado a Clemente XI, o 10º e último apareceu em 1722. Esta edição continuava o texto da primeira, que parava em 1648, e retificava numerosos erros. Ainda se encontram alguns, todavia, mas que são sobretudo falhas tipográficas.

Coleti deve também sua justa reputação à sua coleção de concílios. Antes dele existiam duas boas coleções gerais: a de Labbe e Cossart, 18 in-fol., Paris, 1671-1672, e a na qual Hardouin havia publicado as atas dos concílios, suprimindo todo comentário e todo concílio cujas atas estão perdidas, 12 in-fol., Paris, 1715. Finalmente, Baluze havia pensado, ele também, em uma nova coleção de concílios, mas dela apareceu apenas o t. 1, Paris, 1683; 2ª ed., 1707.

Coleti tomou como base a edição de Labbe; acrescentou-lhe os textos editados e as correções fornecidas por Baluze e Hardouin, enfim, forneceu de seu próprio fundo numerosos suplementos. O 1º vol. apareceu, em 1728, em Veneza, na casa de seu irmão Sébastien associado a Albrizzi, o último, em 1733. A obra compõe-se de 23 vol., dos quais os dois últimos portam o título de Apparatus (o 23º datado por erro de MDCCXXVIII em vez de MDCCXXXIII). As tabelas são muito completas e tanto mais úteis quanto a coleção de concílios, editada mais tarde por Mansi, não as possui.

Deve-se ainda a Coleti as seguintes obras: Series episcoporum Cremonensium aucta, in-4°, Milão, 1749, cujo primeiro fundo foi fornecido pela Italia sacra de Ughelli; Monumenta ecclesiæ Venetæ S. Moisis, in-4°, 1758, obra de real valor histórico, porque contém antigos documentos. Valentinelli, Bibliotheca manuscripta S. Marci Venetiarum (1869), t. II, p. 125, fala bastante obscuramente de um manuscrito de Maffei, intitulado: Supplementum Acacianum monumenta nunquam edita continens, que marchio Scipio Maffeius a vetustissimis Veronensis capituli codicibus eruit atque illustravit, editum Venetiis apud Sebastianum Coleti anno 1728. Este manuscrito, anotado primeiro por Coleti, depois por Joseph Bianchini, padre de Verona, é hoje conservado na biblioteca Vallicellana de Roma.

Coleti morreu em 1765 e foi sepultado em São Moisés. Pretende-se que seus irmãos publicaram dele duas dissertações póstumas, mas um erudito revoga em dúvida essa asserção não tendo nunca conseguido encontrar menção senão em um catálogo.

Se Coleti pôde fazer tão grandes trabalhos, é porque dispunha de uma biblioteca considerável, iniciada por seus tios. O catálogo foi publicado, em 1779, por Jean-Louis Coleti, e contém um milhar de obras de erudição. Biographie universelle, Paris, 1813, t. IX, p. 236-237; Girolamo Dandolo, La caduta della republica di Venezia, Veneza, 1855; Hurter, Nomenclator, 1895, t. III, col. 124-125.

Autor original: J.-B. Martin

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