CLERMONT-TONNERRE (Anne-Antoine-Marie-Jules, duque de), cardeal, nascido em Paris em 1º de janeiro de 1749, falecido em Toulouse em 21 de fevereiro de 1830. Destinado desde cedo ao estado eclesiástico, estudou no seminário de Saint-Sulpice, tendo sido depois membro da casa e da sociedade da Sorbonne, e era vigário-geral de Besançon e abade de Montierender quando, em 1782, foi nomeado bispo de Châlons-sur-Marne. Sucedeu ao Sr. de Juigné, a quem Luís XVI chamava a Paris. No mesmo ano, obteve o título de doutor pela Sorbonne.
Tendo se tornado um dos sete pares eclesiásticos do reino, orgulhoso de seu nascimento, viveu como um bispo amigo da suntuosidade, em seu castelo de Sarry, até a Revolução. Deputado do clero aos Estados-Gerais, onde seu irmão mais velho, o conde de Clermont-Tonnerre, representou a nobreza do Delfinado, teve a mesma atitude que seus colegas deputados, guiados por Boisgelin. Ver t. II, col. 942-943.
Como eles, jurou fidelidade à Constituição cívica em 4 de fevereiro de 1790; contudo, foi um dos 41 prelados que protestaram, com outros 134 deputados, contra a aceitação feita por Luís XVI dessa mesma Constituição revisada após a crise de Varennes, em 15 de setembro de 1791. Como eles, defendeu os direitos da Igreja, recusou o juramento à Constituição civil, em 4 de janeiro de 1791, e finalmente emigrou. Seu assento episcopal estava, de resto, suprimido. Dois escritos seus causaram então algum ruído: uma Lettre pastorale de 14 de janeiro de 1791, sobre a situação imposta ao clero, que se encontra na Collection ecclésiastique, ano 1791-1798, do abade Barruel, 14 in-8, t. IX, p. 240-241, e uma Instruction pastorale sur la Constitution civile, 1791, atribuída por alguns ao abade de Boulogne, então vigário-geral de Châlons.
Emigrado, o bispo de Châlons viveu na Bélgica, depois na Holanda, enfim na Alemanha; sua diocese era administrada pelo abade Dubois de Crancé. O Pe. A. Theiner, Documents inédits relatifs aux affaires religieuses de la France, 1790 à 1800, 2 in-8°, Roma, 1857-1858, t. II, p. 72, publicou as cartas que este prelado havia endereçado da Holanda a Roma. Em 1797, autorizou seus padres a prestar o famoso juramento "de submissão e de obediência às leis políticas da República", exigido pelo decreto de 11 do Prairial do ano III e pela lei de 7 do Vendemiário do ano IV. Em 1798, assinou, com um certo número de prelados emigrados, a Instruction sur les atteintes portées à la religion en France; enfim, em 1801, ao primeiro pedido de Pio VII, renunciou ao seu assento.
Retornado à França, após a Concordata, viveu no retiro até a Restauração. Em 4 de junho de 1814, recebia de Luís XVIII o título de par da França; em 1817, foi designado para retomar a posse de seu assento de Châlons, restaurado por uma nova concordata; mas, não tendo sido executada esta concordata, Clermont-Tonnerre foi nomeado, em 1820, arcebispo de Toulouse. Em 2 de dezembro de 1822, Pio VII o nomeou cardeal. Um dos 36 prelados que a congregação contava por volta de 1820, foi um defensor muito ardente dos direitos da Igreja. De Roma, para onde o chamara o conclave que elegeu Leão XII, publicou, em 13 de outubro de 1823, uma Lettre pastorale sur les intérêts généraux de la religion en France, na qual reivindicava uma plena independência para os ministros da religião, a restituição dos registros do estado civil à Igreja, a supressão dos artigos orgânicos, etc.
O ministério Villèle processou esta carta por abuso no Conselho de Estado; ela foi censurada e declarada suprimida, em janeiro de 1824. Esta condenação foi ela mesma atacada, particularmente em dois folhetos intitulados, um: Des appels comme d’abus do abade Clausel de Montals, futuro bispo de Chartres, o outro: Examen impartial de l’avis du Conseil d’Etat do abade Fayet, futuro bispo de Orléans. O ministro do interior, Corbière, para acalmar a opinião, tendo convidado os bispos a ensinar as doutrinas galicanas e nomeadamente os quatro artigos de 1682, Clermont-Tonnerre, em uma carta pública endereçada a alguns de seus colegas, convidou-os a não obedecer a uma circular "inútil, inconveniente, ridícula". O jornal La Quotidienne, que reproduziu esta carta, sofreu um processo; o cardeal não foi inquietado.
Sobrevieram as ordenanças de junho de 1828. Um certo número de bispos reuniu-se em Paris, e dessa reunião saiu um memorial de protesto endereçado ao rei, assinado por setenta e três bispos, e que apareceu nos jornais católicos, sob a assinatura do cardeal de Clermont-Tonnerre. Uma carta do cardeal secretário de Estado Bernetti, solicitada pelo ministério, reduziu os bispos ao silêncio; mas, em uma carta famosa, Clermont-Tonnerre recusou-se a fornecer ao ministro dos assuntos eclesiásticos, Feutrier, as informações prescritas pelas ordenanças, em 14 de janeiro de 1829. Foi-lhe proibido comparecer à corte.
Nesses entretantos morria Leão XII, em 14 de fevereiro. Apesar de sua idade avançada, Clermont-Tonnerre retomou o caminho de Roma. No trajeto, foi vítima de um acidente do qual não se recuperou. Não entrou no conclave senão perto do fim, em 28 de março. Naquele dia, o embaixador de Carlos X, Chateaubriand, encarregava-o "de dar a exclusividade ao Sr. cardeal Albani", demasiado favorável à Áustria. Mas não houve questão sobre Albani, e Clermont-Tonnerre não teve de cumprir sua tarefa. No retorno deste conclave, publicou, em 1º de outubro de 1829, uma exortação sobre o jubileu. Morreu em 21 de fevereiro de 1830.
Chateaubriand, Mémoires d’outre-tombe, ed. Biré, Paris, 1898, t. IV; Cayre, Histoire des évêques et archevêques de Toulouse, in-8°, Toulouse, 1878, p. 524-536; Sicard, L’ancien clergé de France, 3 in-8°, Paris, 1894-1903; Debidour, Histoire des rapports de l’Eglise et de l’Etat en France de 1789 à 1870, in-8°, Paris, 1898; A. Jean, Les évêques et les archevêques de France depuis 1682 jusqu’à 1801, Paris, 1891, p. 321. as Histoires de la Restauration.
Autor original: C. Constantin
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