CHARLAS Antoine, inicialmente preceptor dos filhos do presidente Caulet, tornou-se superior do seminário de Pamiers, sob o episcopado de Caulet, irmão daquele magistrado, e tomou parte muito ativa no célebre processo que o prelado mantinha, naquele momento, com a corte, a respeito do direito de régale. Publicou, para esse fim, uma primeira obra, Causa regalie penitus explicata, contra a dissertação latina do Pe. Noël Alexandre, in-4, Liège, 1685. Este escrito, hostil às pretensões do rei, foi condenado a ser queimado por sentença do parlamento de Toulouse.
À morte de Caulet, seu protetor, o douto polemista foi obrigado, para escapar às perseguições do intendente da Guiana, a refugiar-se em Roma, onde se insurgiu, através da pena, contra a declaração da assembleia do clero de 1682. Sua principal obra, nesse gênero, tem por título: De libertatibus Ecclesie gallicane, 3 in-4°, Roma, 1684, 1720, livro erudito, escrito com pureza. Acrescentaram-se, na última edição, diversos opúsculos do mesmo autor: Primatus jurisdictionis Romanorum pontificum assertus, contra a dissertação latina de Dupin; Do concílio geral, para a justificação do que é dito naquele das liberdades galicanas.
Charlas também havia composto um Tratado sobre o poder da Igreja, contra Maimbourg, e um Discurso latino contra a nomeação dos bispos. Inicialmente partidário de Fénelon, no caso do quietismo, alinhou-se, mais tarde, ao partido de Bossuet.
Nascido em Suymaurin, ou, segundo outros, em Couserans, diocese de Comminges, por volta de 1630, morreu em Roma, em 7 de abril de 1698. Biographie universelle, Paris, 1833, t. III, p. 383; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. IX, p. 742; Kirchenlexikon, t. III, col. 89.
Autor original: C. Toussaint
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