I. CELESTINO I (SÃO). Sua biografia será seguida de um breve comentário das passagens doutrinais de sua carta aos bispos da Gália e dos Capitula anexos a respeito do semipelagianismo.
1. CELESTINO I (SÃO). BIOGRAFIA. — Este papa, sucessor do papa Bonifácio I, foi eleito em setembro de 422 e consagrado provavelmente em 10 de setembro de 422. Morreu em julho de 432, provavelmente no dia 27 do mês. Romano de nascimento e diácono da Igreja romana, Celestino foi eleito sem contestação e cumpriu com vigor e dignidade os deveres do seu cargo.
Cartas aos bispos da Ilíria (Jaffé, 366), da Vienense e Narbonense (Jaffé, 369), da Calábria e da Apúlia (Jaffé, 371) contêm recomendações relativas à manutenção da disciplina, sobretudo em matéria de eleições episcopais. Na África, o caso do presbítero Apiário, destituído por seu bispo, mas restabelecido em seus direitos pelo bispo de Roma, havia suscitado uma oposição muito viva dos bispos ao exercício do direito de apelação junto à sé de Roma. A querela durava desde o pontificado do papa Zósimo (417-418). Celestino interveio por meio de seu legado Faustino em favor de Apiário, a quem havia recebido na comunhão; mas os bispos da África, reunidos em concílio em Cartago (424 ou 425), não aceitaram sua decisão e pediram ao papa que não recebesse mais semelhantes apelações por serem contrárias aos privilégios da Igreja da África, à boa ordem das igrejas, à pronta e segura expedição dos assuntos pelos cuidados dos concílios provinciais ou gerais da África. Mansi, t. IV, col. 515.
Celestino teve de intervir em todas as grandes querelas dogmáticas da época: invocado por Cirilo de Alexandria contra Nestório, realizou um concílio em Roma (430) e escreveu a Cirilo para comunicar-lhe a sentença de excomunhão proferida contra Nestório, caso ele não abjurasse sua doutrina herética no prazo de dez dias após ter recebido a sentença (Jaffé, 372), ao próprio Nestório (Jaffé, 374), ao povo e ao clero de Constantinopla (Jaffé, 375). Seus três legados no concílio de Éfeso (431) agiram em conjunto com Cirilo de Alexandria. Após o concílio, o papa empenhou-se junto a Teodósio II e a Maximiano, sucessor de Nestório, para pacificar a Igreja do Oriente (Jaffé, 385-388).
Uma carta, favorável à doutrina agostiniana e enviada aos bispos da Gália, refere-se ao semipelagianismo (Jaffé, 381). Na Grã-Bretanha, os pelagianos haviam conseguido converter os bretões à sua doutrina. Celestino enviou-lhes o bispo de Auxerre, São Germano, para reconduzi-los à verdadeira fé (429) e deu missão a Paládio e a quatro missionários de empreender a conversão da Irlanda (431). Jaffé, Regesta pontificum romanorum, 2ª ed., 1885, t. I, p. 55 sq.; Duchesne, Liber pontificalis, 1892, t. I, p. 230; P. L., t. LX, col. 417-558; H. Grisar, Geschichte Roms und der Päpste im Mittelalter, Fribourg-en-Brisgau, 1901, p. 65, 150, 289, 293, 403; Hefele, Conciliengeschichte, 2ª ed., 1875, t. II, p. 159 sq.
Autor original: H. Hemmer
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