CATECUMENATO

CATECUMENATO

CATECUMENATO. — I. Noção e história. II. Preparação remota para o batismo. III. Preparação próxima.

I. NOÇÃO E HISTÓRIA. — O catecumenato é uma instituição cristã da Igreja primitiva que tinha por objeto preparar para o batismo aqueles que o solicitavam e eram julgados dignos. Esta pedagogia especial visava o espírito e o coração; era uma instrução e uma educação. Por meio de ensinamentos apropriados, de práticas de ascetismo e de cerimônias religiosas, ela encaminhava os candidatos rumo à iniciação batismal; e é o conjunto desses ensinamentos, dessas práticas e desses ritos que constitui o catecumenato.

A existência e a organização sistemática de tal instituição explicam-se pela importância do papel que o batismo deveria desempenhar na vida dos convertidos e também pela necessidade de não admitir ao nível de fiel senão aqueles que se mostravam dignos dele. Não se pode dizer, contudo, que ela date do Evangelho, nem que seja contemporânea dos apóstolos; mas ela tem o seu ponto de apoio no Evangelho e aparece em estado embrionário desde a era apostólica. Posteriormente, à medida que o cristianismo se desenvolve, a Igreja não tardará, sob o império das circunstâncias e da experiência adquirida, a regulamentar com o maior cuidado as condições de admissibilidade em seu seio, assim como a natureza e o objeto das provas preparatórias para a iniciação batismal. É então que o catecumenato funcionará regularmente. Como também, quando as circunstâncias tiverem mudado completamente, essa organização acabará por cair em desuso para deixar apenas uma lembrança, cujo vestígio persistirá na liturgia.

Os apóstolos tinham por missão ensinar primeiro, batizar depois, isto é, nenhum convertido deveria ser batizado sem ter sido previamente instruído: tal era o procedimento a seguir; mesmo em caso de necessidade, uma instrução deveria preceder a administração do batismo, observa santo Agostinho. De fide et oper., VI, 9, P. L., t. XL, col. 202.

Portanto, os apóstolos pregavam; por vezes, após uma única pregação, conferiam o batismo; outras vezes, os seus ouvintes reclamavam uma preparação mais longa. Neste último caso, fixou-se alguma regra? É o que o Novo Testamento não nos ensina. Sem dúvida, são Paulo faz alusão às relações que devem existir entre catequizados e catequistas, quando escreve: «Que aquele que é catequizado sobre o Verbo comunique em tudo com aquele que o catequiza.» Gal., VI, 6. Apolo, todo instruído que é, κατηχημένος, Act., XVIII, 25, recebe as lições de Áquila e de Priscila; e Lucas, dirigindo-se a Teófilo, escreve-lhe: «Compus o Evangelho para te fazer conhecer a verdade do que aprendeste», περὶ ὧν κατηχήθης. Luc., I, 4. Mas este triplo testemunho não depõe em favor de uma organização já regulamentada do catecumenato. Tudo o mais poderia ser visto nele em estado rudimentar.

Em breve, é verdade, e desde o fim do século I, aparecem alguns dos elementos que constituirão o catecumenato. A Didaquê e, na sua esteira, o pseudo-Barnabé assinalam já como preparação para o batismo, por um lado, um ensinamento muito curto e substancial, o dos dois caminhos, sobre o conjunto dos deveres a cumprir e das faltas a evitar, e, por outro lado, a prática do jejum imposta tanto àquele que confere o batismo quanto àquele que o recebe.

Na primeira metade do século II, são Justino escreve: «Todos aqueles que foram convencidos e persuadidos, pelos ensinamentos que lhes demos, de que a doutrina de Cristo é a verdadeira, são exortados, em conformidade com este ensinamento, a rezar e a jejuar para obter o perdão dos seus pecados passados, e nós mesmos rezamos e jejuamos com eles. Em seguida, levamo-los a um lugar onde há água, e lá os regeneramos da mesma maneira que nós fomos regenerados.» Apol., I, 61, P. G., t. VI, col. 420.

No Pastor, Hermas fala daqueles que escutam a palavra e desejam receber o batismo. Vis., III, 7, 3, Patres apostolici, edit. Funk, Tubinga, 1901, t. I, p. 446.

Num fragmento de santo Irineu, citado por Ecumenio, trata-se de escravos que tinham por senhores cristãos catecúmenos. P. G., t. VII, col. 1236.

Mas por volta do fim do século II e, segundo toda a aparência, após Marco Aurélio, sob o reinado de Cômodo, muitos pagãos, aproveitando uma calmaria devida quer à indiferença do imperador, quer à presença de cristãos na corte, solicitaram a graça do batismo. Diante desta afluência, a Igreja, várias vezes perseguida até então e podendo sê-lo ainda de novo, teve de se preocupar em não admitir senão aqueles que lhe pareciam oferecer todas as garantias de uma preparação suficiente e de uma perseverança corajosa. Em consequência, tomou o cuidado de controlar primeiro os pedidos antes de os aceitar oficialmente; teve depois de submeter os candidatos a uma prova, a uma espécie de noviciado e de treino antes de proceder efetivamente à sua iniciação cristã para tornar esta o mais eficaz possível: daí, muito verosimilmente, os primeiros ensaios de uma organização sistemática do catecumenato. Nenhum documento, é verdade, assinala o ato oficial de tal regulamentação. Mas, já nessa época e no início do século III, encontra-se, seja em Cartago, seja em Alexandria, seja na Síria, a palavra catecúmenos que serve para designar os aspirantes ao batismo. É a disciplina do catecumenato que faz a sua aparição e que marcará, tanto do ponto de vista da pregação quanto do culto, uma organização característica: por um lado, a de um ensinamento privado, exclusivamente reservado aos futuros batizados; e, por outro lado, a de um conjunto de práticas litúrgicas e ascéticas, às quais serão sujeitos os catecúmenos.

É assim que, entre os mártires de Cartago em 202, Revocato, Felicidade, Secundulo, Saturnino e Perpétua são catecúmenos que têm por catequista o cristão Sáturo, Allard, Histoire des persécutions pendant la première moitié du IIIe siècle, Paris, 1894, p. 106.

É assim que Tertuliano emprega a palavra catecúmenos para distinguir os candidatos ao batismo dos outros fiéis e lamenta que os hereges, contrariamente ao uso eclesiástico, não os distingam da mesma forma entre eles: Pariter adeunt, pariter audiunt, pariter orant... ante sunt perfecti catechumeni quam edocti. Prescript., XLI, P. L., t. 2, col. 56.

A Igreja admite os seus candidatos como ouvintes, audientes, De pænit., VI, VII, P. L., t. 1, col. 1239, 1240; instrui-os à parte, De bapt., I, P. L., t. 1, col. 1197; exige que renunciem ao demônio, às suas pompas e aos seus anjos, De cor. mil., III, P. L., t. 2, col.

que se preparem para o batismo pela oração, os jejuns, as vigílias, a confissão dos seus pecados, De bapt., XX, P. L., t. 1, col. 1239; De spect., I, IV, col. 630, 635. Como se vê, este já é o quadro do catecumenato em Cartago.

Em Roma, esta instituição pedagógica já funciona e começa a ser regulamentada. Os Cânones de Hipólito, testemunhas da organização disciplinar e litúrgica em vigor no início do século III na Igreja romana, assim como na de África, revelam-nos algumas das disposições relativas à admissão, à preparação e à iniciação dos catecúmenos.

Em Alexandria, é uma escola especial que, desde o fim do século II, provê a instrução dos catecúmenos, τῷ τῆς κατηχήσεως διδασκαλεῖον. Eusébio, H. E., VI, 3, P. G., t. XX, col. 528. O seu diretor Clemente, sucessor de Panteno, fala-nos dos νεοκατηχούμενοι ou νεοκατηχητοί. Pédag., I, VI, 36, P. G., t. VIII, col. 293.

Depois Orígenes, distinguindo ele também os κατηχούμενοι dos πιστοί, In Jer., homil. XVI, 8, P. G., t. XIII, col. 480, ensina-nos com que cuidado se põem à prova aqueles que querem ouvir a palavra, como se instruem à parte dos fiéis, sem os admitir ao serviço divino. Recebem-se, diz ele, aqueles que manifestam algum progresso no desejo de viver honestamente; uns são simples principiantes que ainda não receberam o símbolo da purificação; outros são aqueles que, segundo as suas forças, deram a prova de que têm como objetivo determinado não querer senão o que agrada ao cristão e estão submetidos a vigilantes encarregados de examinar a sua vida e os seus costumes e de retardar, se for o caso, a sua admissão definitiva. Cont. Cels., III, 51, P. G., t. XI, col. 997.

Para a Síria, as Homilias e as Reconhecimentos clementinos apresentam ainda mais detalhes. Sabe-se a sua pretensão de serem o eco do ensinamento apostólico; testemunham, pelo menos, a favor do que se praticava no fim do século III e no início do IV. O aspirante, é dito ali, deve dirigir-se a Zaqueu (isto é, ao bispo) para lhe dar o seu nome e aprender dele os mistérios do reino dos céus; deve jejuar frequentemente, aplicar-se em tudo e, ao fim de três meses, poderá receber o batismo num dia de festa, Recog., III, 67, ou no domingo. Ibid., X, 72, P. G., t. I, col. 1311, 1454. A preparação imediata dura pouco, mas faz-se pelo jejum, a imposição quotidiana das mãos. Homil., XIV, 73, P. G., t. II, col. 157.

Avançando, a Igreja não cessa de aproveitar cada período de acalmia e de paz para melhor organizar e regular a sua vida íntima, bem como a preparação para o batismo. De 219 a 250, constitui o seu domínio temporal e estende a sua ação. As conversões continuam a multiplicar-se, o recrutamento torna-se mais importante. Infelizmente desta vez, os convertidos, mais numerosos que sólidos, terminam na sua maioria, sob Décio, numa apostasia formal ou simulada. A questão dos lapsi reclama então todos os cuidados. As perseguições de Valeriano e de Aureliano passam; a Igreja, ao mesmo tempo que repara as suas brechas, continua a rodear ainda mais estreitamente o catecumenato de precauções e de garantias.

Mas, no rescaldo da perseguição de Diocleciano, logo que a vitória de Constantino e o edito de Milão lhe asseguram uma plena segurança, ela completa definitivamente a organização do catecumenato. Pode-se constatar desde então, graças aos numerosos testemunhos patrísticos, que o catecumenato funciona como uma instituição regular em toda a extensão da Igreja; e, embora nenhum texto oficial nos revele nem a data da sua criação, nem o conjunto dos elementos precisos que o compõem, nem as regras que o regem, pode-se contudo ter uma ideia do que ele foi. Várias disposições conciliares, de facto, dizem respeito aos catecúmenos; vê-se a pregação ordinária ou a homilia adotar uma forma discreta; e instruções particulares são reservadas aos competentes. A preparação para o batismo rodeia-se de uma liturgia especial e de práticas ascéticas apropriadas.

Isso dura quase dois séculos. Mas quando a queda do império do Ocidente dá lugar a um agrupamento novo dos povos no centro e no sul da Europa; quando, graças ao papel preponderante da Igreja, a fé se impõe a esses povos, as conversões multiplicam-se ao ponto de a entrada em massa na Igreja desferir um golpe no catecumenato. O exame dos candidatos tornou-se difícil, se não impossível; as catequeses preparatórias tenderam a desaparecer; e o catecumenato reduziu-se cada vez mais ao que constituía a preparação imediata ao batismo.

Finalmente, o hábito de conferir o batismo às crianças, tornando-se o batismo dos adultos a exceção, arrastou o desaparecimento do catecumenato. E é a liturgia que concentrou e conservou as cerimónias e os ritos em uso durante a preparação batismal, como é fácil de se convencer pelo Sacramentário gelasiano, P. L., t. LXXIV, col. 1055 sq., o VI Ordo romano de Mabillon, no t. LXXVIII, col. 993 sq., a Epistola de baptismo de Jessé de Amiens, P. L., t. CV, col. 781 sq., e a Epistola de cæremoniis baptismi de Amalric ou Amalaire de Tréveris, P. L., t. XCIX, col. 890 sq. É para o fim do século IV ou para o início do V que se pode situar o desaparecimento do catecumenato em países cristãos. Cf. Hinschius, System des kathol. Kirchenrechts, Berlim, 1888, t. IV, p. 26 sq.

II. PREPARAÇÃO REMOTA PARA O BATISMO. ENTRADA NO CATECUMENATO.

1° Admissão. — A admissão ao catecumenato, dissemos, foi rodeada de precauções e de garantias. Quem quer que, de facto, desejasse tornar-se cristão e fazer-se incorporar na Igreja, devia manifestar a intenção ou ao bispo, ou a um dos seus representantes, e dar o seu nome.

Como tal passo podia ser inspirado por uma curiosidade indiscreta ou por qualquer outro motivo interessado ou suspeito, pedia para ser atentamente controlado, tanto mais que implicava o compromisso sério de romper com os hábitos da vida pagã e de se submeter às prescrições da vida cristã. Convinha, portanto, não admitir simples curiosos, capazes depois de desvendar os mistérios ou de denunciar os cristãos; importava igualmente afastar aqueles cuja função, profissão ou ofício estivessem manchados de idolatria, e aqueles cujos costumes ou condição social pudessem constituir um impedimento ou uma incompatibilidade absoluta com a profissão da vida cristã. Daí o exame dos motivos alegados, da situação de cada postulante, e as condições exigidas pela Igreja antes de aceitar oficialmente um pedido.

Illi qui ecclesiam frequentant, dizem os Cânones de Hipólito, eo concilio ut inter christianos recipiantur, examinentur omni cum perseverantia et quaenam ob causam suum cultum respuant, ne forte intrent illudendi causa. Can. 60, Achelis, Die Canones Hippolyti, Leipzig, 1891, p. 76.

As Constituições apostólicas, muito mais explícitas, têm um capítulo especial sobre o modo de admissão ao catecumenato. Aquele que aspira ao batismo, diz-se nele, deve dirigir-se ao diácono que o apresenta ao bispo ou ao sacerdote para ser interrogado sobre os motivos de sua determinação, sobre sua condição social e seus costumes, para receber conselhos apropriados e, se for o caso, para ser admitido. Const. apost., VIII, XXXII, P. G., t. I, col. 1128-1132; cf. S. Augustin, De cat. rud., I, 1; V, 9, P. L., t. XL, col. 310, 316.

Deve ter um fiador, ibid., de idade avançada, já cristão e conhecido da Igreja, acrescenta o Testamentum Domini Nostri Jesu Christi, édit. Rahmani, Mayence, 1899, p. 110.

Consequentemente, os pecadores públicos e os adúlteros eram convidados a cessar sua vida de desordem; os sacerdotes pagãos, os guardiões de templos, os fabricantes de ídolos, os adivinhos, os magos, os necromantes, os astrólogos, os magistrados, os cocheiros, os lutadores, os atores, etc., deviam, antes de tudo, abandonar sua profissão. Canons d’Hippolyte, can. 65, 67, 71, 73, 76, p. 78-84; Constitutions apost., loc. cit.; Testamentum, p. 143-147; cf. Concile d’Elvire, can. 44, 62, Hardouin, t. I, col. 256.

Certos casos eram mais delicados de decidir; por exemplo, o do mestre-escola ou do escravo. Foi decidido que o mestre-escola poderia, a rigor, conservar sua profissão, se não tivesse outro meio de ganhar a vida, Testamentum, p. 115; mas devia assumir o compromisso de condenar a idolatria em seu ensino, de não deixar ignorar a seus alunos que os deuses dos gentios são demônios e de facilitar-lhes a aquisição da fé. Canons d’Hippolyte, can. 69, 70, p. 80, 81. Quanto ao escravo, devia ser devidamente autorizado por seu senhor. Const. apost., VIII, XXXII, P. G., t. I, col. 1128; Testamentum, p. 141.

Se o postulante fosse casado, devia conservar seu cônjuge. Se fosse solteiro, podia contrair matrimônio, mas com uma cristã. Testamentum, p. 113. Se tivesse uma concubina, era colocado em condição de despedi-la ou de unir-se a ela por um vínculo legítimo. A concubina de condição livre devia ou romper seus laços ou fazê-los consagrar pelo matrimônio; se fosse escrava de um infiel, só era admitida se não tivesse se dado senão a esse infiel e sob a condição de criar seus filhos, de abandonar seu senhor ou de fazer-se desposar por ele legitimamente. Const. apost., VIII, XXXII, P. G., t. I, col. 1132; Testamentum, p. 115. Se ela prometia, diz santo Agostinho, nullam se alium cognituram, etiamsi ab illo, cui subdita est, dimittatur, merito dubitatur utrum ad percipiendum baptisma non debeat admitti. De fide et oper., XX, 35, P. L., t. XL, col. 221. Ao tratar assim os escravos, a Igreja respeitava a instituição social da época, mas buscava salvaguardar a liberdade dos filhos de Deus.

2° Ritos. — Uma vez decididas estas diversas questões e tomadas estas disposições, o pedido do postulante podia ser oficialmente aceito; mas nunca o era sem alguns conselhos de circunstância, Const. apost., VII, XXXIX, P. G., t. I, col. 1037; Testamentum, p. 111, nem sem alguma solenidade. Diversos ritos, com efeito, marcavam a entrada no catecumenato.

Entre os latinos, em Roma particularmente, eram a exsuflação com uma fórmula de exorcismo, a imposição do sinal da cruz na fronte e das mãos sobre a cabeça, a introdução na boca de um pouco de sal exorcizado. O diácono João atesta o uso da exsuflação e o emprego do sal, Epist. ad Senarium, P. L., t. LIX, col. 402; o Sacramentário gelasiano, I, 30, P. L., t. LXXIV, col. 1084, o do sinal da cruz e da imposição das mãos. Em Ravena, são Pedro Crisólogo assinala a abertura dos ouvidos após a imposição das mãos e os exorcismos. Serm., LII, P. L., t. LII, col. 347.

Na Gália, trata-se simplesmente da imposição das mãos. Sulpício Severo conta que são Martinho, rodeado em pleno campo por um grande número de pagãos que solicitavam a graça do batismo, impôs-lhes as mãos e fez deles catecúmenos, notando que não era desarrazoado in campo catechumenos fieri, ubi solerent martyres consecrari. Dial., II, iv, P. L., t. xx, col. 209; cf. Concile d’Arles I, can. 6, Hardouin, t. I, p. 264. Na Espanha, o concílio de Elvira atesta esse mesmo uso. Can. 39, Hardouin, t. I, col. 254. Mais tarde, santo Isidoro e santo Ildefonso assinalam o do exorcismo, da unção e do sal. O primeiro diz: Exorcizantur, deinde sales accipiunt et unguntur, De offic., II, xxi, 2, P. L., t. lxxxiii, col. 814; mas santo Ildefonso nota que o emprego do sal não é geral e o desaprova. A unção é aqui colocada na entrada mesma do catecumenato, no momento em que o pagão é aceito como catecúmeno; ela corresponde àquela do peito e dos ombros que se praticava ao fim do catecumenato, no sábado santo, em Roma, em Milão e alhures.

Na África proconsular, santo Agostinho é uma testemunha da imposição das mãos. No modelo de catequese que redigiu, a pedido de Deogratias, diácono de Cartago, o catequista anuncia primeiro ao postulante que ele será marcado com o sinal da cruz e, se aceitar o conjunto das verdades que deve crer e dos deveres que terá de cumprir, solemniter signandus est et Ecclesiæ more tractandus. De cat. rud., xx, 34; xxvi, 50, P.L., t. xl, col. 335, 344. É uma espécie de afiliação: De domo magna sunt, In Joa., tr. XI, 4, P. L., t. xxxv, col. 1476; uma espécie de concepção, segundo o pseudo-Agostinho: Per crucis signum in utero matris Ecclesiæ concepti estis. De symb. ad catech., I, 1, P. L., t. XL, col. 637. Sinal da cruz e imposição das mãos são dois ritos sagrados que santificam o catecúmeno à sua maneira, mas que, sem o batismo, não servem de nada para a remissão dos pecados ou a entrada no reino do céu. De peccat. merit., II, xxvi, 42, P. L., t. xliv, col. 176.

Em suas Confissões, I, xi, santo Agostinho recorda o uso do sal; a propósito do cego de nascença, curado por Nosso Senhor com um pouco de saliva e terra, ele faz alusão a uma unção desse gênero praticada sobre os catecúmenos: «Perguntai a um homem: És cristão? Se responder afirmativamente, perguntai-lhe: Catecúmeno ou fiel? Se responder: Catecúmeno, é que ele recebeu apenas a unção e não o banho purificador.» In Joa., tr. XLIV, 2, P. L., t. xxxv, col. 1714.

Ver em Martène, De antiquis Ecclesiæ ritibus, Rouen, 1700, t. I, p. 37 sq., vários ordines ad faciendum christianum ou catechumenum ou catecuminum ou calicuminum. Entre os gregos, a admissão ao catecumenato não comporta nem o uso do sal nem o da unção. Quanto aos outros ritos, a imposição das mãos e a oração são assinaladas por Eusébio, Vita Const., IV, lxi, P. G., t. xx, col. 1213; o sinal da cruz, pelo diácono Marco que relata, na vida de Porfírio, bispo de Gaza, que tendo várias pessoas pedido o sinal de Cristo, este pontífice marcou-as com o sinal da cruz e fê-las catecúmenas, Vita Porph., iv, 31, P. G., t. lxv, col. 1226; o exorcismo e a exsuflação, pelo primeiro concílio de Constantinopla, de 381. Can. 7.

Ora, enquanto no Ocidente todos esses ritos eram realizados no mesmo dia da admissão em uma única cerimônia, o concílio de Constantinopla indica três dias consecutivos. O primeiro dia, diz ele, fazemo-los cristãos, o segundo dia, catecúmenos; o terceiro dia, exorcizamo-los soprando três vezes sobre o rosto e as orelhas deles, e assim os catequizamos, cuidando para que frequentem por muito tempo a igreja para ali ouvir as Escrituras, após o que os batizamos. Concilium Constant. I, can. 7, Hardouin, t. I, p. 812-813.

3° Direitos e deveres. — Assim que um infiel era admitido ao catecumenato, ele não era mais considerado um estrangeiro, mas como fazendo parte da comunidade com um título oficial. Era designado sob o nome de catecúmeno ou de ouvinte, por vezes até sob o termo genérico de cristão, que se aplicava indistintamente aos catecúmenos e aos fiéis, como vimos mais acima em santo Agostinho. A imposição das mãos faz um cristão, diz o concílio de Elvira, can. 39, Hardouin, t. I, p. 254, mas o cristão não é um fiel. Ibid., can. 59, p. 255.

Agregado desde então à Igreja, ele adquire certos direitos e contrai certas obrigações: o direito de ter um lugar marcado nas assembleias cristãs e de ser objeto de uma oração e de uma imposição das mãos solene antes da liturgia eucarística; a obrigação de se fazer instruir por pessoas encarregadas desse cuidado e de se comportar bem para merecer a graça da iniciação. Até então, ele só havia assistido às reuniões como um estrangeiro tolerado, fora do lugar reservado aos fiéis e aos catecúmenos, entre os pagãos e os judeus. Concil. Carthag. IV, can. 84, Hardouin, t. I, p. 984.

Ele não conhecia da liturgia senão o canto dos salmos, e do ensino senão a leitura da Escritura com as explicações homiléticas que eram dadas sobre ela; após o que ele era excluído. De agora em diante, ele toma lugar entre os catecúmenos e permanece após a dispensa dos infiéis, S. Augustin, Serm., cxxx, 1, P. L., t. xxxvi, col. 734, para ser objeto de uma cerimônia especial. O diácono, com efeito, reza e pede aos fiéis que rezem por ele; depois o bispo impõe-lhe solenemente as mãos e recita uma oração apropriada, Concil. Laodic., can. 19, Hardouin, t. I, p. 784; S. Chrysostome, In II Cor., homil. 2, 5, P. G., t. lxi, col. 399; S. Célestin, Epist., XXI, c. xi, 12, P. L., t. L, col. 535; após o que ele é dispensado, deixando reunidos os competentes, os penitentes e os fiéis.

As Constituições apostólicas são muito explícitas a este respeito e distinguem claramente duas dispensas de catecúmenos: a primeira, aquela da qual acabamos de falar, e a segunda relativa aos competentes. Const. apost., VIII, VI, P. G., t. 1, col. 1077-1080. O Testamentum D. N. J. C. revela-nos em particular que os catecúmenos rezam à parte dos fiéis, trocam entre si o beijo da paz, de homem para homem, de mulher para mulher, recebem a imposição das mãos do bispo e deixam a sinaxe antes das leituras. Testamentum, p. 117, 119.

Esta dispensa antes das leituras parece singular. Parece, contudo, que na Gália os catecúmenos só foram admitidos à audição do Evangelho e da homilia no século V, pois o concílio de Orange de 441 prescreve que se leia o Evangelho para eles. Can. 18, Hardouin, t. 1, p. 1785. Na Espanha, o concílio de Valência de 524 ordenou que a leitura do Evangelho após a da Epístola, assim como a homilia, fossem públicas, porque é ao mesmo tempo uma ocasião para os fiéis e os catecúmenos se instruírem e para os infiéis se converterem, can. 1, Hardouin, t. 1, p. 1067; mesma prescrição no concílio de Lérida. Can. 4, ibid., p. 1065.

O uso geral era admitir todos até depois da homilia. Ora, a homilia, dada a forma discreta e velada que tomou, não era compreendida em suas alusões senão pelos iniciados; ela não podia, portanto, bastar à instrução doravante obrigatória do catecúmeno. É por isso que este último devia dirigir-se ao seu catequista para ter o suplemento de informação necessário à sua situação nova na Igreja; e este suplemento ele mesmo, fornecido durante todo o tempo deste primeiro estágio de provação em instruções catequéticas privadas, não podia ser senão relativo e forçadamente mantido na discrição sobre os pontos de doutrina, cuja notificação era exclusivamente reservada à catequese dos competentes, isto é, à época em que o catecúmeno passava ao segundo grau de sua provação, em vista da preparação imediata ao batismo.

Por outro lado, o catecúmeno, devidamente advertido no momento de sua admissão dos principais deveres que teria de cumprir, está doravante submetido à vigilância da Igreja, seja de seu catequista, seja de seus fiadores. Pois ele tomou um compromisso; deve, portanto, dar provas de boa vontade e de aplicação, cumprir certas obras de penitência, abster-se dos desordens e dos hábitos da vida pagã e exercitar-se cada vez mais na prática da virtude, de modo a fornecer, chegado o momento, a prova de que se tornou digno de passar ao segundo grau de sua provação e de se preparar imediatamente ao batismo. Origène, Cont. Cels., III, 51, P. G., t. XI, col. 988. Vê-se por aí com que seriedade devia conduzir-se o catecúmeno.

4° Duração. — Este primeiro estágio de provação durava mais ou menos tempo segundo as circunstâncias e o costume das Igrejas. Na Espanha, durava dois anos, segundo o concílio de Elvira, can. 42, Hardouin, t. 1, p. 254; no Oriente, três anos, segundo são Gregório de Nazianzo, Orat., XL, 28, P. G., t. XXXVI, col. 400, as Constituições apostólicas, VIII, XXXII, P. G., t. 1, col. 1432, e o Testamentum D. N. J. C., p. 117.

Mas podia ser abreviado, ao arbítrio do bispo, em caso de necessidade ou quando as disposições do catecúmeno eram excepcionais, como também podia ser prolongado, a título de prova ou de punição, por causa de insuficiência, de má conduta ou de falta grave. É assim que, na Espanha, o concílio de Elvira exige três anos em vez de dois para o flâmine, por causa dos jogos inerentes ao seu cargo e que eram mais ou menos maculados de idolatria; ainda assim, era necessário que ele não tivesse sacrificado, can. 4; cinco anos para a mulher que se casava com um homem separado de sua mulher legítima, can. 11; e para o delator, can. 73; ele remete mesmo até o fim da vida a catecúmena culpada ao mesmo tempo de adultério e de aborto. Can. 68, Hardouin, t. 1, p. 257.

O Concílio de Niceia, 325, condena o catecúmeno que peca a passar três anos entre os ouvintes antes de ser admitido com os outros catecúmenos. Can. 14, Hardouin, t. 1, col. 330.

O Concílio de Neocesareia determina que se o catecúmeno penetra na Igreja e se coloca entre aqueles que são especialmente instruídos, isto é, entre os competentes ou φωτιζόμενοι e aí é surpreendido em falta, deve retornar entre os simples ἀκροώμενοι; se pecar, é expulso. Can. 5, Hardouin, t. 1, col. 283.

Compreende-se que a Igreja prezasse pela boa conduta de seus afiliados, desde sua admissão, que os cercasse com sua vigilante proteção e, se necessário, punisse suas faltas, retardando seu batismo. Mas compreende-se também que, conforme as circunstâncias, essa primeira provação não deveria se prolongar demais, sob pena de desencorajar as boas vontades. Assim, viu-se a Igreja diminuir pouco a pouco sua duração, reduzi-la notavelmente até confundi-la, por vezes, com a preparação imediata ao batismo.

Por outro lado, ocorreu demasiadas vezes que os convertidos, unicamente satisfeitos com sua admissão ao catecumenato, adiassem indefinidamente, por conta própria, sua iniciação batismal, alguns por timidez, em razão das graves responsabilidades da vida cristã, segundo o sentimento expresso por Tertuliano em seu De baptismo, XX, P. L., t. 1, col. 1222, a maioria para desfrutar, nesse estado indeciso, de sua liberdade e reservar para o fim de sua vida esse sacramento da regeneração total. Sabe-se que São Martinho, catecúmeno aos 10 anos, só foi batizado aos 22, Sulpício Severo, Vita Martini, n. 2, P. L., t. XX, col. 161, e que Santo Agostinho, catecúmeno desde tenra idade, só recebeu o batismo aos 33 anos.

Habitualmente, esse atraso constituía um abuso, contra o qual não cessaram de protestar os Padres do século IV e V. (S. Basílio, Homil. et, 1, P. G., t. XXXI, col. 425); S. Gregório de Nissa, Adversus eos qui differunt baptisma, P. G., t. XLVI, col. 417 sq.; S. Crisóstomo, Ad illuminandos, P. G., t. XLIX, col. 223-249; S. Gregório de Nazianzo, Orat., XL, P. G., t. XXXVI, col. 359-425.

5º Passagem para a classe dos competentes. — Ao termo desse estágio mais ou menos longo, submetido ao controle da autoridade eclesiástica, o catecúmeno podia apresentar sua candidatura à próxima iniciação cristã. Embora pertencesse à Igreja por um título oficial, não fazia ainda plenamente parte da comunidade: era apenas um noviço prestes a se tornar um candidato efetivo.

A Igreja latina e grega não conhecia estágio intermediário. E é erroneamente que Du Cange, Glossarium; Dom Martène, De antiquis Ecclesie ritibus, t. 1, p. 29-20; Duguet, Conférences ecclésiastiques, des antiquités chrétiennes, Paris, 1877, e outros ainda, pretenderam que havia mais de duas classes de catecúmenos; não é nada disso. A diferença dos termos empregados, que deu lugar a essa ilusão, não implica necessariamente uma diferença de classes; é o que estabeleceu muito bem Funk, Die Katechumenats Klassen, em Theologische Quartalschrift, 1883, p. 41 sq. E, como nota Monsenhor Duchesne, a ideia da distinção dos catecúmenos em três ou quatro classes repousa sobre uma má interpretação dos antigos textos. Origines du culte, 2ª ed., Paris, 1898, p. 282.

As decisões dos concílios de Neocesareia, can. 5, e de Niceia, can. 14, Hardouin, t. 1, col. 283, 330, tratam apenas de puras medidas disciplinares, que remetem o delinquente entre os simples ouvintes. Essas duas classes são distintamente marcadas pelas Constituições Apostólicas, onde os κατηχούμενοι não se confundem de forma alguma com os φωτιζόμενοι. Já sinalizamos acima a maneira pela qual são tratados os catecúmenos propriamente ditos. Desde seu envio, procede-se a cerimônias relativas aos energúmenos; e uma vez que estes saem, o diácono procede perante os φωτιζόμενοι ou competentes da mesma maneira que para os catecúmenos; mas há uma prece nova, e, por parte do bispo, uma bênção à parte, com um novo envio. Const. apost., VIII, VII, VIII, P. G., t. 1, col. 1081-1084.

A passagem da primeira classe para a segunda fazia-se ordinariamente algumas semanas antes da Páscoa. Em vista do batismo próximo, o catecúmeno solicitava sua admissão entre os competentes. De resto, o bispo tinha o cuidado de endereçar um convite aos catecúmenos. S. Basílio, Homil., XIII, P. G., t. XXX, col. 424. O catecúmeno dava seu nome. Baptizandi nomen suum dent, prescreve o IV Concílio de Cartago. Can. 85, Hardouin, t. 1, col. 984. Ecce Pascha, diz Santo Agostinho, da nomen ad baptismum. Serm., CXXXII, 1, P. L., t. XXXVIII, col. 735; cf. S. Cirilo de Jerusalém, Procatequese, 1, 4, 13; P. G., t. XXXIII, col. 533, 540; Cat., III, 2, col. 428.

O candidato era então submetido a um exame para permitir constatar se preenchia as condições prescritas. Peregrinatio Silviæ, 45, ed., Geyer, Viena, 1898, p. 96; Testamentum D. N. J. C., p. 119; Canons d’Hippolyte, can. 102, p. 91. Se o exame era favorável, inscrevia-se o nome do catecúmeno nos registros da igreja. Essa imatriculação fazia-se, em geral, durante a quaresma, seja no início, seja no meio, assim como nos ensinam São Cirilo de Jerusalém, Procatequese, 1, 4, 13; Cat., III, 2, loc. cit.; a Peregrinatio, 45, p. 96, para Jerusalém; o papa Sirício, Epist. ad Himer., 1, 2, Hardouin, t. 1, p. 847, 848, para a Igreja romana; o IV Concílio de Cartago, can. 84, Hardouin, t. 1, col. 984; Santo Agostinho, Serm., CXXXII, 1, P. L., t. XXXVIII, col. 735, para a província da África, e o livro das Confissões, IX, VI, 14, para Milão. Parece que, uma vez fechadas as listas, não se admitia mais ninguém; pelo menos o Concílio de Laodiceia proíbe admitir alguém após a segunda semana da quaresma. Can. 45, Hardouin, t. 1, col. 790.

A partir dessa inscrição oficial, o catecúmeno era chamado electus ou competens, entre os latinos, φωτιζόμενος, βαπτιζόμενος, μέλλων φωτίζεσθαι, φωτισθησόμενος, entre os gregos. Const. apost., VIII, VII, VIII, P. G., t. 1, col. 1081, 1187; Concílio de Laodiceia, can. 46, 48; e Concílio in Trullo ou Quinisexto, can. 78. Excepcionalmente, em Jerusalém, o φωτιζόμενος era também chamado πιστός, fiel, S. Cirilo de Jerusalém, Procate., 1; P. G., t. XXXIII, col. 332, 701. «Tu eras chamado catecúmeno, diz São Cirilo, Procate., 6, col. 344, agora tu és chamado fiel; Cat., 1, 4, col. 373; eis-te passado da ordem dos catecúmenos para a dos fiéis.» Cat., V, 1; VI, 29, col. 505, 589.

Dar seu nome e fazer-se matricular era assumir o compromisso de uma preparação séria e submeter-se mais estreitamente ainda a todas as prescrições preparatórias à iniciação da véspera de Páscoa. S. Cirilo de Jerusalém, Procate., 6, col. 345; S. Agostinho, De fide et operibus, XII, 18; XIII, 19, P. L., t. XL, col. 209, 210.

Era também obrigar-se, sob a direção do catequista, didascalos ou doutor, a receber o complemento de instrução necessário e de formação moral. Canons d’Hippolyte, can. 61, 62, p. 76; Const. apost., VII, XI, P. G., t. 1, col. 1041.

Ordinariamente, este tempo de preparação imediata para o batismo, confundindo-se com a quaresma, durava quarenta dias. Peregrinatio, 46, p. 97; S. Jérôme, Cont. Joa. Hier., XIII, P. L., t. XXIII, col. 365; S. Augustin, Serm., CCX, 1, 2, P. L., t. XXXVIII, col. 1048.

Era um tempo de preparação intensa, onde importava obter os melhores resultados do ponto de vista intelectual e moral: tempo da palestra, como diz São Crisóstomo, do exercício da virtude, da escola da coragem. Ad illum., 1, 4, P. G., t. XLIX, col. 228. Tudo deveria concorrer para este fim importante: a catequese, a ascese, a liturgia.

Assim, durante este último estágio, o competente era obrigado, mais ainda do que anteriormente, a evitar tudo o que, por sua culpa ou negligência, pudesse fazer adiar sua iniciação. Concile d’Elvire, can. 45, 68, 73; concile de Nicée I, can. 14, Hardouin, t. I, col. 255, 257, 258, 330; et de Néocésarée, can. 5, ibid., p. 284.

Naturalmente, ele assistia antes de tudo às reuniões ordinárias da comunidade até após a missa dos infiéis, judeus, catecúmenos e energúmenos. Nesse momento, ele rezava, sob o convite do diácono, enquanto os fiéis suplicavam a Deus que o tornasse digno do batismo; depois, inclinava a cabeça para receber a bênção do bispo, que pronunciava sobre ele uma oração apropriada, Const. apost., VIII, vii, viii, P. G., t. I, col. 1081; mas, além disso, ele tinha reuniões especiais, repletas, como veremos, de cerimônias simbólicas, de práticas ascéticas, de exorcismos e de catequeses, que tinham por objetivo sua purificação e sua instrução, e cujo conjunto constituía a preparação imediata para o batismo; tantas ocasiões destinadas, diz Monsenhor Duchesne, Origines, p. 287, a verificar a preparação dos candidatos e a apresentá-los aos fiéis, que podiam, se necessário, protestar contra a admissão dos indignos.

II. PREPARAÇÃO IMEDIATA PARA O BATISMO. — 1° Preparação ascética. — Logo no início da quaresma, o eleito ou competente recebia notificação dos deveres particulares que lhe incumbiam durante este último estágio de provação. A Procatéchèse e as Catéchèses I e de São Cirilo de Jerusalém, assim como o Sermo CCXVI ad competentes de Santo Agostinho dão uma ideia deste gênero de instrução. Romper com os maus hábitos da vida pagã, com o mundo, o pecado e o demônio, tal era o objetivo a alcançar desde a entrada no catecumenato; mas este objetivo impõe-se agora da maneira mais imperiosa; pois é o momento ou nunca de fazer terra arrasada para a graça batismal. Ora, nada era mais apropriado para tal objetivo do que a prática da ascese sob a forma de orações mais frequentes, de jejuns, de abstinências, de vigílias, de mortificações e de boas obras. Tertuliano resume assim o costume de Cartago, no fim do século II: Ingressuros baptismum, orationibus crebris, jejuniis et geniculationibus et pervigiliis orare oportet et cum confessione omnium retro delictorum. De bap., xx, P. L., t. I, col. 1222.

1. O jejum. — O jejum já é assinalado pela Didaquê, no século I, vii, 4, p. 22. Na primeira metade do século II, São Justino nos ensina que se ensina ao catecúmeno a rezar, a jejuar, a pedir a Deus o perdão de seus pecados, e que os fiéis rezam e jejuam com ele antes da administração do batismo. Apol., I, 61, P. G., t. VI, col. 420. O jejum precede sempre a iniciação batismal, afirmam as Constituições apostólicas, VII, xxii, os Recognitions, vii, 34; x, 72, P. G., t. I, col. 1018, 1368, 1454, e as Homilias clementinas, III, 73, P. G., t. II, col. 457. Os Cânones de Hipólito assinalam especialmente o jejum da sexta-feira santa, véspera da iniciação. Can. 106, p. 92. O Testamentum D. N. J. C., p. 127, junta a este o do sábado santo. Sem ser em toda parte, no início, de igual duração, o jejum não tardou a estender-se cada vez mais, seja ao tempo da paixão, como lembra Santo Hilário, In Matth., xv, 8, P. L., t. IX, col. 1006, seja a todo o tempo da preparação imediata para o batismo, isto é, a toda a quaresma. Sirício, Epist., I, ii, P. L., t. XIII, col. 848; S. Cirilo de Jerusalém, Procat., 4; Cat., III, P. G., t. XXXIII, col. 344, 449; S. Gregório de Nazianzo, Orat., XL, 30, P. G., t. XXXVI, col. 401. A abstinência acompanhava o jejum: In abstinentia vini et carnium... baptismum percipiant. Conc. Carth. IV, can. 85, Hardouin, t. I, col. 984; S. Augustin, De fide et oper., VI, 9, P. L., t. XL, col. 202.

2. Penitência. — Para subtrair-se à ação do demônio, o competente devia multiplicar os atos de mortificação e de penitência. Era esta prima pœnitentia, da qual fala Santo Agostinho, aquela que gera o homem novo enquanto espera pelo batismo. Serm., CCXVI, 1, 2, P. L., t. XXXVIII, col. 1077, 1078. O catecúmeno casado devia, em particular, abster-se durante esta preparação de toda relação conjugal e praticar a continência; é a obrigação que indicam Santo Agostinho, De fide et oper., VI, 9, P. L., t. XL, col. 202, e São Cesário de Arles, Serm., CCLXVII, 3, P. L., t. XXXIX, col. 2242. Antes de tudo, dizia São Cirilo de Jerusalém, desfazer-se de todo vício, de toda impureza, Procat., 4, purificar seu vaso, Cat., I, 5, despir a veste antiga e revestir a veste nupcial, Procat., 3, abster-se do pecado, morrer para o pecado. Procat., 5, 8, P. G., t. XXXIII, col. 344, 377, 336, 344, 348.

Clemente de Alexandria tinha assinalado a necessidade de excitar-se ao arrependimento de suas faltas, Pedag., I, vi, P. G., t. VIII, col. 288; as Constituições apostólicas, VII, xi, P. G., t. I, col. 1041, insistem na obrigação de purificar-se, neste momento, de toda perversidade, de toda mancha, de toda ruga, de imitar o lavrador que arranca primeiro as ervas daninhas antes de semear o bom grão.

3. Confissão. — Um dos meios indicados para arrancar os pecados era confessá-los, e confessavam-nos antes de receber o batismo. Tertuliano não é o único a constatar este fato. De bapt., xx, P. L., t. I, col. 1222. São Gregório de Nazianzo fala disso igualmente. Orat., XL, 27, P. G., t. XXXVI, col. 397; cf. Testamentum, p. 117. É ao bispo, dizem os Cânones de Hipólito, can. 103, p. 92, que deveria ser feita esta confissão.

Eusébio narra assim a entrada no catecumenato e o batismo de Constantino. Sentindo seu fim aproximar-se, diz ele, Constantino dobra os joelhos, pede perdão a Deus, confessa seus pecados no martyrium de Helenópolis e recebe a imposição das mãos acompanhada da oração. Fazendo-se em seguida transportar a Nicomédia e dirigindo-se aos bispos: «É tempo, diz ele, que eu receba o sinal que confere a imortalidade, que eu participe do selo que salva... Se Deus permitir que, na sequência, eu me misture ao seu povo e que, admitido na igreja, tome parte com todos na oração, prometo impor-me para viver as leis dignas de Deus.» Imediatamente os bispos procederam solenemente às cerimônias divinas e tornaram-no participante dos mistérios sagrados. Vita Const., iv, 61, 62, P. G., t. xx, col. 1213-1217.

Eusébio não especifica a quem Constantino confessou seus pecados. A respeito daqueles que, após a derrubada do templo de Serápis, se converteram, Sócrates contenta-se em constatar que receberam o batismo após terem confessado seus pecados, sem especificar mais. H. E., v, 17, P. G., t. lxvii, col. 608. Lá onde se praticava essa confissão pré-batismal, ela não tinha senão um caráter puramente ascético e nada de sacramental; além disso, era secreta, como observam Tertuliano, De bapt., xx, P. L., t. i, col. 1222, e São Crisóstomo, Ad illum., homil. ii, 4, P. G., t. xlix, col. 236; In ps. l, 3, col. 233.

São Cirilo de Jerusalém resume assim essas diversas práticas ascéticas, quando dirige as seguintes recomendações aos φωτιζόμενοι: «Preparai vosso coração para participar dos mistérios; orai mais frequentemente; colocai vossa alma ao abrigo da tentação, Procat., 16; despojai o velho homem pela confissão de vossos pecados passados, Cat., i, 2, pois o tempo das catequeses é um tempo de confissão, Cat., i, 5, 12; é preciso lavar seus pecados pela penitência e confessá-los com a certeza de vê-los perdoados.» P. G., t. xxxiii, col. 361, 372, 376, 400. Ele consagra a este último ponto toda a sua segunda catequese. Essa preparação para o grande perdão que o batismo devia conferir exigia naturalmente que o competente começasse por perdoar aos outros. Cat., i, 6, col. 377.

A maior parte dessas práticas ascéticas preparatórias para a iniciação batismal são assinaladas pelo pseudo-Agostinho: Omnia sacramenta que acta sunt et aguntur in vobis per ministerium servorum Dei, exorcismis, orationibus, canticis spiritualibus, insufflationibus, cilicio, inclinatione cervicum, humilitate pedum, etc. De symbolo ad catech., iv, 1, P. L., t. xl, col. 660. Esses três últimos usos marcam com que sentimentos de humildade deviam preparar-se os competentes.

2° Preparação catequética. — Um dos objetivos principais da preparação imediata ao batismo era a instrução dos candidatos. Até sua admissão ao número dos competentes, o catecúmeno, apesar de sua assistência às leituras e às homilias, apesar do suplemento de informação que colhia junto ao seu catequista, permanecia ainda muito estranho ao que constituía o fundo íntimo e os detalhes precisos da doutrina e da vida cristã.

Sem dúvida, no momento de sua entrada no catecumenato, ele tinha sido advertido contra os perigos da superstição, contra o absurdo da mitologia e contra os erros da filosofia pagã; tinha aprendido, além disso, alguns dos dogmas principais da fé, tais como o da unidade de Deus, do juízo final e da ressurreição geral; sem dúvida ainda, a pregação homilética, ajudada pelas catequeses às quais assistia durante a duração de seu primeiro estágio, lembrava-lhe esses princípios da fé assim como os da moral evangélica; sem dúvida enfim, no momento mesmo de sua admissão entre os competentes, ele tinha recebido conselhos mais precisos; mas era insuficiente. Não podendo assistir nem à liturgia eucarística, nem à iniciação solene, ele ignorava a natureza, o papel e a importância dos sacramentos. Nada é mais conhecido que a missa catechumenorum no momento da celebração dos mistérios. Cf. Brightman, Liturgies eastern and western, 2 in-8°, Oxford, 1896.

Por outro lado, a organização sistemática do catecumenato tinha introduzido na pregação pública hábitos de discrição que não deixavam adivinhar nada dos pontos capitais da fé a quem quer que não fosse iniciado: daí, em particular, a ignorância em que se encontrava o catecúmeno sobre os dogmas da Trindade, da encarnação, da redenção, sobre o símbolo, a oração dominical, etc. Antes e mesmo no século II, o ensino esotérico não existia ainda na Igreja; a disciplina do segredo era desconhecida dos católicos. São Irineu constata-a, ao contrário, entre os heréticos e condena-a. Cont. hæres., i, xxiv, 2, xxv, 2, P. G., t. vii, col. 679, 684. Tertuliano censura-a, em particular, aos valentinianos e zomba dela. Adv. Valent., i, P. L., t. ii, col. 543.

É o que permitia a Orígenes escrever contra Celso: «Nós não escondemos a santidade do nosso princípio... Nós ensinamos os recém-chegados... Nós confiamos os Evangelhos e os escritos apostólicos a quem pode entendê-los.» Cont. Cels., iii, xlv, P. G., t. xi, col. 940. É também o que tinha permitido a São Justino falar com tanta liberdade dos mistérios cristãos, notadamente da eucaristia, em sua primeira Apologia. Mas, a partir do século IV, não foi mais o mesmo; pois então, por uma consequência da organização pedagógica do catecumenato, o ensino público dos Padres é cheio de reticências deliberadas ou de alusões veladas sobre os sacramentos e os dogmas. É a disciplina do segredo que está em vigor e à qual fazem alusão São Cirilo de Jerusalém, Procat., 5; Cat., v, 12; vi, 29; xix, 4, P. G., t. xxxiii, col. 341-343, 351, 589, 1065; as Constituições apostólicas, ii, lvii, P. G., t.

i, col. 733; a Peregrinatio Silviæ, 46, édit. Geyer, Viena, 1898, p. 97. É por isso que São Epifânio censura como um escândalo aos marcionitas a prática em que estão de celebrar os santos mistérios sob os olhos dos catecúmenos. Hær., xlii, 3, P. G., t. xli, col. 700.

São Gregório de Nazianzo, após ter feito um resumo do que o futuro iluminado deve crer sobre a Trindade, a encarnação e o restante do símbolo, termina dizendo: «Eis o que podes saber fora do mistério, o que é permitido levar ao ouvido do profano. Quanto ao resto, graças à Trindade, tu o aprenderás na intimidade e tu o guardarás para ti como tudo o que é guardado sob o selo do segredo.» Orat., XL, 45, P. G., t. XXXVI, col. 424, 425.

São Crisóstomo, que faz frequentemente alusão a essa disciplina do segredo, In Gen., homil. XXVII, 8, P. G., t. LIII, col. 251; Ad illu., homil. I, 4, P. G., t. XLIX, col. 224, exprime-se assim em seu comentário sobre a Epístola aos Coríntios: «Eu gostaria muito de falar abertamente, mas não ouso, por causa dos não iniciados. São eles que nos tornam a explicação difícil, colocando-nos na necessidade de empregar termos obscuros ou de expor-lhes os mistérios. Falarei, contudo, tanto quanto me será possível, respeitando as santas obscuridades.» In Cor., homil. XL, P. G., t. LXI, col. 347.

Santo Agostinho repete frequentemente em seus sermões a expressão: Norunt fideles. A respeito destas palavras do Evangelho de São João, VI, 56: Caro mea vere esca est, et sanguis meus vere potus est, ele observa que o seu sentido, compreendido pelos fiéis, escapa à inteligência dos não iniciados, simples ouvintes ou catecúmenos. «Isto vos é velado, diz ele a estes últimos; mas se o quiserdes, isto vos será revelado. Accede ad professionem et solvisti questionem ; eis a Páscoa, dai o vosso nome para o batismo. Se a festa não vos solicita, que a curiosidade vos impulsione, e então compreendereis o sentido destas palavras.» Serm., CXXXII, 1, P. L., t. XXXVIII, col. 734.

O Papa Inocêncio I, na sua carta ao bispo de Eugubio de 19 de março de 416, responde em termos velados para não parecer revelar mistérios; explicar-se-á melhor de viva voz. Jaffé, Regesta, t. I, n. 314.

Conhece-se o sentimento ao qual obedece mais tarde Sozomeno quando se recusa a inserir na sua história o texto do símbolo: é um texto reservado ao conhecimento apenas dos iniciados, H. E., I, 20, P. G., t. LXVII, col. 920; escrúpulo que não foi partilhado pelo seu contemporâneo Sócrates, H. E., I, 8, ibid., col. 68. O que equivale a dizer que, já em meados do século V, esta disciplina cai em desuso e não tardará a desaparecer. Ver ARCANE, t. I, col. 1738-1758.

Seja como for, esteve em vigor durante o século IV e a primeira metade do V, e foi isto que conferiu à catequese uma importância singular, justificando plenamente a observação de São Cirilo de Jerusalém, quando diz que a catequese não é uma homilia comum. Procat., 11, P. G., t. XXXIII, col. 352.

Sendo o objetivo da catequese, em geral, conduzir à fé, segundo Clemente de Alexandria, Pedag., I, VI, P. G., t. VIII, col. 285, era preciso, portanto, no momento da preparação imediata para o batismo, insistir antes de tudo com mais precisão sobre os conhecimentos já adquiridos. Pois é sobretudo na véspera da sua iniciação batismal que o catecúmeno deve conhecer definitivamente que fides et qualis vita debeat esse christiani. S. Agostinho, De fide et oper., VI, 9, P. L., t. XL, col. 202. Quod autem fit per omne tempus, quo in Ecclesia salubriter constitutum est ut ad nomen Christi accedentes catechumenorum gradus excipiat, hoc fit multo diligentius et instantius his diebus, quibus competentes vocantur, cum ad percipiendum baptismum sua nomina jam dederunt. Ibid.

Era preciso, além disso, suprir a insuficiência da instrução religiosa já recebida, seja dissipando as obscuridades nas quais a pregação ordinária se envolvera até então, seja fornecendo as últimas e as mais explícitas explicações, que não podiam encontrar lugar nas catequeses precedentes do catecumenato. É por isso que São Cirilo de Jerusalém podia dizer, em 348, aos competentes do seu tempo, que estava encarregado de catequizar: «Tu chamavas-te catecúmeno e não eras atingido senão por um som exterior, ouvindo falar dos mistérios sem os compreender e das Escrituras sem apreender o seu sentido profundo. Agora, é o espírito que se fará ouvir no interior da tua alma, e, ao escutar o que foi escrito sobre os mistérios, vais compreender o que ignoravas.» Procat., 6, P. G., t. XXXIII, col. 344.

Era preciso, enfim, revelar os pontos de doutrina especiais ainda não conhecidos e absolutamente indispensáveis para fazer profissão de fé cristã. Por vezes ainda, é verdade, uma instrução podia ser consagrada, seja ao conjunto dos deveres do competente: tais como vários sermões de Santo Agostinho ad competentes, a procatequese e a catequese 1 de São Cirilo, as duas homilias de São Crisóstomo ad illuminandos; seja ao conjunto das verdades que era preciso crer: tal como a catequese IV de São Cirilo.

Mas por toda a parte, tanto no Oriente quanto no Ocidente, tomava-se um cuidado particular em fazer conhecer a regra de fé, a oração de Nosso Senhor, os sacramentos da iniciação, coisas tidas como estritamente secretas. Daí, primeiramente, o que se chamava a traditio symboli, e que consistia em notificar o símbolo aos competentes, a detalhá-lo para eles, a explicá-lo artigo por artigo, de maneira não apenas a fazê-lo compreender, mas ainda a fazê-lo aprender de cor, pois não se escrevia e deveria ser recitado solenemente numa cerimónia ulterior. S. Cirilo de Jerusalém, Cat., IV, 42, P. G., t. XXXIII, col. 524; concílio de Laodicéia, can. 46; S. Agostinho, Serm., LVI-LIX, CXII-CXIV, P. L., t. XXXVIII, col. 377-400, 1058-1065; De fide et oper., 1, 17, P. L., t. XL, col. 208.

O bispo, ou por vezes o seu representante, recitava o símbolo, depois, retomando-o palavra por palavra, dava uma explicação breve de ponta a ponta, para facilitar a inteligência e para incutir na memória dos competentes.

A data desta traditio symboli não era a mesma em toda a parte. Em Roma, nenhum documento contemporâneo indica o dia exato; segundo os documentos posteriores, era na quarta-feira da quarta semana da Quaresma. Em Jerusalém, segundo a Peregrinatio Silvie, 46, p. 97, era no começo da sexta semana, em realidade a terceira semana antes da Páscoa, porque, no tempo de Sílvia, a Quaresma de Jerusalém durava oito semanas. Duchesne, Les origines, 2ª edição, p. 316, nota 2.

Em Milão, na Gália e na Espanha, era oito dias antes da Páscoa, no Domingo de Ramos. S. Ambrósio, Epist., xx, 4, P. L., t. XVI, col. 995; concílio de Agde de 506, can. 13, Hardouin, t. II, p. 999; S. Isidoro de Sevilha, De eccles. offic., I, 28, P. L., t. LXXXIII, col. 763; S. Ildefonso, De cognit. bapt., 34, P. L., t. XCVI, col. 127.

Na África, cerca de quinze dias antes do batismo, isto é, na véspera do quinto domingo da Quaresma, como se depreende dos sermões LVII e LIX de Santo Agostinho. P. L., t. XXXVIII, col. 394, 400.

Assim iniciado no conhecimento do símbolo, o catecúmeno não tinha mais do que fixar a fórmula na sua memória, para a recitar no dia do seu batismo, como um testemunho da sua fé, e a repetir depois ao longo de toda a sua vida cristã, manhã e noite. Serm., LVIII, XI, 13.

Procedia-se da mesma forma para a traditio do Pater. Em Roma, esta oração era entregue ao competente na mesma cerimônia e após a traditio evangeliorum, esta última desconhecida em toda a outra parte, e a traditio symboli. O sacerdote, encarregado desta traditio, começava por uma curtíssima exortação geral, depois recitava frase por frase, pedido por pedido, o texto da oração dominical, e encerrava a cerimônia por uma breve alocução. Duchesne, Les origines, p. 291.

Na África, esta traditio do Pater ocorria oito dias antes da Páscoa, após uma primeira restituição do símbolo. Não é primeiro a oração dominical, diz o bispo de Hipona, depois o símbolo que vós recebestes, mas, pelo contrário, o símbolo primeiro, depois a oração dominical. Serm., LVI, 1, 4. Tal é a ordem: Ordo est edificationis vestre ut discatis prius quid credatis et postea quid petatis... Prius didicistis quod crederetis ; hodie didicistis eum invocare in quem credidistis. Serm., LVII, 1, 1, 2. P. L., t. XXXVIII, col. 377, 386; cf. Ferrand, Epist. ad Fulgentium, P. L., t. LXVII, col. 397.

As Constituições Apostólicas assinalam uma redditio do Pater, VII, XLIV, P. G., t. I, col. 1045, e a situam imediatamente após o batismo e a unção. Isso supõe uma traditio, cuja data não está fixada.

Quanto a São Cirilo de Jerusalém, ele não explica palavra por palavra a oração dominical senão na semana após a Páscoa, por ocasião das cerimônias da missa pascal, o que supõe que os competentes não tinham tido conhecimento dela senão nesta primeira missa, à qual tinham assistido, ao sair das fontes batismais. Cat., XXI, 11 sq., P. G., t. XXXIII, col. 1117; cf. pseudo-Ambrósio, De sacram., V, IV, P. L., t. XVI, col. 450.

Restava finalmente dar a conhecer aos competentes a natureza, o objeto, o papel, a importância dos sacramentos que constituíam sua iniciação cristã: o batismo, a confirmação, a eucaristia, o sacrifício da missa. Em Jerusalém, pelo menos, sabemos por São Cirilo que a catequese só versava sobre esses pontos importantes após a Páscoa. Pois, em sua última catequese, aquela que precede imediatamente a colação do batismo, Cat., XVIII, 32, 33, P. G., t. XXXIII, col. 1053-1055, Cirilo faz apenas uma simples alusão e promete voltar mais amplamente sobre o conjunto das cerimônias da iniciação batismal, e é a completar esse ensinamento que ele consagra suas catequeses mistagógicas, onde ele fala por sua vez e da maneira mais interessante do ponto de vista da história dos sacramentos, do batismo, da confirmação, da eucaristia, da liturgia eucarística. É, para o Oriente, o único exemplo que nos chegou de tal explicação.

Na Igreja latina, pelo contrário, restam-nos muitos sermões que foram endereçados ad neophytos, ad infantes, isto é, aos recém-batizados; prova de que no Ocidente se completava imediatamente após a Páscoa a instrução dos neófitos. É assim, em particular, que Santo Agostinho consagra seu sermão CCXXVII ao sacramento da eucaristia. De resto, eis o que ele diz em seu sermão CCXXVII: Sermonem debemus hodie infantibus de sacramento altaris. Tractavimus ad eos de sacramento symboli, quod credere debeant; tractavimus de sacramento orationis dominice, quomodo petant ; et de sacramento fontis et baptismi. Omnia hec et disputata audierunt et tradita perceperunt. De sacramento autem altaris sacri, quod hodie viderunt nihil adhuc audierunt. Hodie illis de hac re sermo debetur. P. L., t. XXXVIII, col. 1102.

Vê-se por aí que, na África, a explicação da eucaristia seguia a colação do batismo, em vez de precedê-la. E é sem dúvida alguma após o batismo recebido que os neófitos aprendiam o que toca à penitência e aos outros sacramentos. São Gaudêncio, bispo de Bréscia, sobre dez sermões pronunciados durante as festas pascais, consagrou o segundo ao sacramento da eucaristia. Serm., II, P. L., t. XX, col. 853 sq. O que, entre os latinos, responde melhor às catequeses mistagógicas de São Cirilo de Jerusalém, é o De mysteriis de Santo Ambrósio e o De sacramentis do pseudo-Ambrósio, mas são esses dois tratados e não catequeses.

Dada a importância desta preparação catequética, o bispo devia assumir o encargo. Mas não podendo sempre ocupar-se pessoalmente, confiava o mais das vezes o cuidado a uma pessoa de escolha, catequista, didáscalo, doutor, doctor audientium, como o chamam os Cânones de Hipólito, can. 68, 92, 99, p. 80, 87, 89; São Cipriano, Epist., XXIV, P. L., t. IV, col. 287, ou preceptor, segundo o Testamentum D. N. J. C., p. 117, que era assim encarregado, durante o primeiro estágio do catecumenato, de assegurar a instrução dos catecúmenos. Este personagem podia ser um simples leigo, Const. apost., VIII, xxx, P. G., t. I, col. 1182; tal, Orígenes, Eusébio, H. E., vi, 3, P. G., t. xx, col. 528; ou um membro do clero inferior, tal o leitor Optato, nomeado por São Cipriano, Epist., xxiv, P. L., t. iv, col. 287; ou um diácono, tais, em Cartago, Deogratias, Agostinho, De cat. rud., 1, 1, P. L., t. xl, col. 310, e Ferrand, Epist., xi, 2, P. L., t. lxv, col. 378; ou um sacerdote; Cirilo, em Jerusalém, Crisóstomo, em Antioquia, e Agostinho, em Hipona, tinham sido encarregados dos catecúmenos antes de se tornarem bispos.

Mas, ordinariamente, nas grandes reuniões dos competentes, por ocasião da traditio do símbolo e do Pater, era o bispo em pessoa que tomava a palavra. Com efeito, a maioria dos sermões in traditione symboli, que nos restam, foram pronunciados por bispos. Compreende-se a impressão profunda que devia produzir na alma dos competentes a revelação da regra de fé e da oração dominical. Esta preparação intelectual, como a chama Tertuliano, De bapt., xvi, P. L., t. I, col.

reclamava não somente a assiduidade, mas ainda uma atenção sustentada e um esforço de memória, visto que o competente devia, chegado o momento, recitar de cor essas fórmulas. Ela exigia também uma discrição absoluta em relação aos não iniciados e mesmo aos simples catecúmenos (S. Cirilo de Jerusalém, Cat., v, 12, P. G., t. xxxiii, col. 524).

3º Liturgia pré-batismal. — A liturgia estava intimamente ligada a todos os atos da preparação batismal. Os ritos e as cerimônias que a compunham eram inspirados por razões de simbolismo e de fé; tinham por objetivo subtrair o competente à ação do demônio e fazê-lo romper todos os laços com o pecado. Mas é difícil precisar a data de sua introdução na liturgia. Cada Igreja tinha seus usos particulares; as diferenças são pouco importantes. A prática romana, tal como nos é conhecida por documentos posteriores ao período patrístico, remonta bastante alto. Sobre a prática galicana, além do De mysteriis de Santo Ambrósio, o De sacramentis e os sermões de Máximo de Turim, que nos dão a conhecer o que se passava na alta Itália, possuímos, para a Gália, a Expositio brevis antiquae liturgiae gallicanae de São Germano de Paris, do século VI, P. L., t. lxxii, col. 77-98, e, para a Espanha, o De officiis de Santo Isidoro, P. L., t. lxxxiii, e o De cognitione baptismi de Santo Ildefonso, P. L., t. xcvi, ambos do fim do século VI e do começo do VII. Por outro lado, as Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, as Constituições Apostólicas, a Peregrinatio Silviae, o Testamentum D. N. J. C. e o pseudo-Dionísio nos revelam os ritos da iniciação nas Igrejas do Oriente. É por meio desses diversos documentos que se pode reconstituir a liturgia pré-batismal. Cf. Duchesne, Les origines du culte chrétien, 2ª ed., Paris, 1898, p. 281-328.

Como dissemos, o catecúmeno era admitido, em Roma, pela exsuflação, a imposição do sinal da cruz na fronte e a introdução de sal na boca; na Espanha, por um exorcismo, a unção das orelhas e da boca e a exsuflação. Uma vez inscrito no número dos competentes, o eleito era submetido, a cada reunião, a imposições de mãos e a exorcismos. Os Canones d'Hippolyte, can. 99, p. 90, as Constituições apostólicas, VII, xxxix, P. G., t. I, col. 1087, assinalam a imposição das mãos; os exorcismos são mencionados por santo Cirilo de Jerusalém, Procat., 4, 5, P. G., t. xxxiii, col. 348, 376, a Peregrinatio, 46, p. 97, e são Gregório de Nazianzo, Orat., xl, 27, P. G., t. xxxvi, col. 397, para o Oriente; para o Ocidente, por santo Optato, De schism. donat., iv, 6, P. L., t. xi, col. 1037, santo Agostinho, Epist., cxciv, 10, 46, P. L., t. xxxiii, col. 390; De symb. ad catech., 1, 2, P. L., t. xl, col. 628; De peccat. orig., xi, 45; Cont. Julian. pelag., 1, 14, P. L., t. xliv, col. 408, 469.

Ora, de acordo com o Testamentum D. N. J. C., p. 121, as imposições de mãos e os exorcismos são diários. Em Roma, repetem-se até várias vezes em uma única reunião. Os competentes reunidos posicionavam-se, os homens de um lado, as mulheres do outro. Um clérigo passava pelas suas fileiras, detendo-se diante de cada um deles para lhes fazer na fronte um sinal da cruz e impor-lhes as mãos; depois eles prostravam-se, oravam, benziam-se a si mesmos; após o que outro clérigo ou um sacerdote renovava-lhes o sinal da cruz e a imposição das mãos. Em Roma e na África, fala-se de genuflexões e de cilícios; em Jerusalém, segundo o relato de santo Cirilo, Procat., 9, P. G., t. xxxiii, col. 349, de um véu cobrindo a cabeça durante esses exorcismos, que eram acompanhados a cada vez de exsuflações simbólicas. Santo Agostinho via a exsuflação como o assalto indispensável que convinha lançar contra o demônio antes de assegurar a sua completa derrota. De symb. ad cat., 1, 2, P. L., t. xl, col. 628.

Quanto aos exorcismos, frequentemente renovados em memória daqueles de que é feita menção no Evangelho, deviam conjurar o espírito do mal e romper as suas cadeias. Exorcismos e imposições das mãos eram praticados nas reuniões ordinárias, antes da leitura e da explicação do Evangelho, antes da missa; praticavam-se igualmente nas reuniões especiais consagradas aos competentes, bem como durante as catequeses, seja antes da instrução, S. Cirilo de Jerusalém, Procat., 9, 13, P. G., t. xxxiii, col. 349, 353, seja depois. S. Crisóstomo, Ad illum., homil. 1, 2, P. G., t. xlix, col. 226. «Recebe os exorcismos com alegria, diz santo Cirilo; a exsuflação e os exorcismos são coisas salutares. O ouro, misturado a matérias estranhas, deve ser purificado pelo fogo; assim a tua alma deve ser purificada pelos exorcismos.» «Os nossos antecessores, diz são Crisóstomo, decidiram que, após terdes recebido a doutrina santa, andaríeis descalços, sem outro hábito que uma única túnica, a escutar a voz dos exorcistas.» Santo Agostinho compara os jejuns e os exorcismos deste tempo de preparação à ação da mó sobre o grão. Sic vos ante jejunii humiliatione et exorcismi sacramento quasi moleba- mint. Serm., ccxxvii, 1. Cœpistis moli jejuniis et exorcisnis. Serm., ccxxix, P. L., t. xxxviii, col. 1100.

Duas outras cerimônias marcavam a preparação batismal: uma, da qual falámos, a traditio symboli; a outra, a redditio symboli. Importava, efetivamente, assegurar que os competentes sabiam de cor a fórmula do símbolo, antes de lhes conferir o batismo. Na África e em Jerusalém, assegurava-se disso uma primeira vez antes do fim da quaresma, e verosimilmente em comité privado. Santo Agostinho fala, efetivamente, de uma rendição do símbolo feita oito dias antes da Páscoa, na véspera ou no dia de Ramos, antes da tradição da oração dominical. Serm., iv, 1, P. L., t. xxxviii, col. 393. A Peregrinatio Silviæ coloca-a no começo da semana santa.

Quanto à rendição solene do símbolo, tinha lugar, nos usos galicanos, na quinta-feira santa, tal como atesta santo Ildefonso, De cognit. bapt., 34, P. L., t. xcvi, col. 127; é também a data indicada pelo concílio de Laodicéia, can. 46, Hardouin, t. 1, col. 790, para uma parte do Oriente. Em Roma e em Jerusalém, tinha lugar na véspera da Páscoa, S. Amb., Epist., 20, 4, P. L., t. xvi, col. 1041, 1068; S. Agostinho, Serm., lviii, 1, 13, P. L., t. xxxviii, col. 393, 400, após o triplo renúncio a Satanás. A respeito do símbolo batismal, ver t. 1, col. 1660-1684,

Enfim, o grande dia da iniciação chegou. Falaremos aqui apenas do que foi omitido no artigo BAPTÊME D’APRÈS LES PÈRES, col. 213-218.

Em Roma, num último escrutínio, um sacerdote pratica solenemente o exorcismo e adjura uma última vez Satanás. Vem então o rito do Effeta. Ambrósio, De myst., 1, 3, e pseudo-Ambrósio, De sacr., 1, 1, 2, P. L., t. xvi, col. 390, 418.

O sacerdote, diz Mons. Duchesne, Les origines, p. 292, toca com o dedo molhado de saliva a parte superior dos lábios e as orelhas de cada um dos eleitos. Estes despem-se então das suas vestes e recebem no cimo do peito e entre os dois ombros uma unção de óleo exorcizado. Chegou-se ao momento crítico da luta com Satanás. Os competentes vão renegá-lo solenemente para se ligarem a Jesus Cristo. Desatam-lhes os órgãos dos sentidos, a fim de que possam ouvir e falar; fazem-nos recitar o símbolo.

De acordo com os Canones d'Hippolyte e o Testamentum D.N. J. C., é o bispo e não o sacerdote que, nesse momento, adverte os competentes a dobrar os joelhos, impõe-lhes as mãos e pratica o rito do exorcismo pedindo a Deus que expulse de todos os seus membros o espírito maligno. Can. 108.

Ao fim da adjuração, sopra-lhes sobre o rosto e marca com um sinal da cruz o seu peito, a sua fronte, as suas orelhas e os seus lábios. Can. 110; Testamentum, p. 127. Depois, reza sobre o óleo do exorcismo e sobre o da ação de graças e confia cada um a um sacerdote. Aquele que tem o óleo do exorcismo coloca-se à esquerda do bispo, e aquele que tem o óleo da eucaristia, à direita. Can. 116, 118, p. 95; Testamentum, p. 127.

Então o competente, voltado para o Ocidente, renuncia a Satanás; mas antes de se ligar a Jesus Cristo, com a face voltada para o Oriente, é ungido pelo sacerdote que tem o óleo do exorcismo. Can. 120, p. 96; Testamentum, p. 127.

Esta unção pré-batismal com óleo exorcizado é assinalada por santo Irineu, Cont. hær., I, xxi, 4, P. G., t. vii, col. 664; pelo pseudo-Ambrósio, De sacr., 1, 2, 4, P. L., t. xvi, col. 419; por são Basílio, De Spir. Sanct., xxvii, 66, P. G., t. xxxii, col. 183; pelas Constituições apostólicas, VII, xxi, xlii, P. G., t. i, col. 1012, 1044; pelo pseudo-Dionísio, Eccl. hier., ii, 5, P. G., t. iii, col. 396. Ela é distinta da unção que segue o batismo; no Oriente, ela é feita em todo o corpo. S. Cyrille, Cat., xx, 3, P. G., t. xxxiii, col. 1080; pseudo-Denys, loc. cit. Sobre esta unção pré-batismal, ver os Actes de saint Sébastien, xi, 36, em Acta sanctorum, t. ii januarii, p. 635. Para as cerimônias que seguem e que dizem respeito à administração do batismo, ver col. 213-218.

40 Após a iniciação. — Recebido o batismo, o catecumenato parecia não ter mais a sua razão de ser. Na verdade, ele durava ainda alguns dias, até o domingo após a Páscoa. Após a sua iniciação, os batizados, neophyti ou infantes ou recenter illuminati, é este o nome que lhes davam entre os latinos, regenerados pelo banho da palingenesia e gerados para a vida sobrenatural da graça, deviam usar durante oito dias as vestes brancas, com as quais tinham sido revestidos ao sair da piscina e que simbolizavam a pureza da alma ou a inocência reconquistada. Eram então objeto, por parte da Igreja, das atenções mais delicadas. Muito particularmente, completavam a sua instrução religiosa antes de serem definitivamente contados entre os outros fiéis. Reddendi estis populis, dizia-lhes santo Agostinho, miscendi estis plebi fidelium. Serm., ccix, P. L., t. xxxviii, col. 1202; cf. Serm., cccvii, P. L., t. xxxix, col. 1560.

Durante a semana da Páscoa, em cada reunião cristã, o bispo interpelava-os, dirigia-se diretamente a eles, prodigalizava-lhes conselhos sobre a pureza a conservar, sobre a fidelidade a guardar para com Cristo e a sua Igreja. O exemplo de são Cirilo de Jerusalém mostra também que lhes era dada uma instrução detalhada sobre os três sacramentos que tinham acabado de receber e sobre o sacrifício da missa ao qual assistiam doravante desde a manhã de Páscoa. O simbolismo dos ritos, das cerimônias, dos sacramentos, era objeto de explicações variadas.

Estes recém-nascidos para a vida cristã faziam parte doravante da Igreja, a título de fiéis completamente incorporados; eram membros do corpo místico de Cristo. Eis como, por exemplo, santo Agostinho toma emprestados os seus termos de comparação da matéria do sacrifício para os aplicar a eles. O pão é o modelo da unidade: compõe-se de vários grãos; mas estes grãos, primitivamente separados, tiveram de sofrer a trituração da mó para se unirem entre si; a água, em seguida, tornou a sua união mais íntima; e o fogo, pela cozedura, fê-los tornar pão. O mesmo acontece com os neófitos. O jejum e os exorcismos serviram-lhes de mó, depois a água do batismo reduziu-os ad formam panis. Sed nondum est panis sine igne... Accedit ergo Spiritus Sanctus, post aquam ignis, et efficiunt panis quod est corpus Christi. Serm., ccxxvii, 1, P. L., t. XXXVIII, col. 1100. E ainda, no sermão CCXXIX: Cepistis moli jejuniis et exorcismis. Postea ad aquam venistis et conspersi estis. Accedente fervore Spiritus Sancti cocti estis et panis dominicus facti estis.

O domingo após a Páscoa, cujo introito começa por estas palavras: Quasi modo geniti infantes, é designado na liturgia sob o nome de Dominica in albis depositis. Era o dia em que os novos batizados deixavam as vestes brancas que usavam desde o seu batismo e tomavam lugar doravante entre os fiéis. Pode-se considerá-lo como o fim do catecumenato. A partir deste momento os neófitos, terminado o seu estágio de preparação, entram na prática ordinária e regular da vida cristã.

I. Fontes. — La Didaché, ed. Funk, Tubinga, 1887; Tertuliano, De baptismo, P. L., t. I, col. 1197 sq.; Nicetas de Remesiana, Competentibus ad baptismum libelli sex, o v° De symbolo, P. L., t. LII, col. 865 sq.; S. Ambrósio, De mysteriis; Pseudo-Ambrósio, De sacramentis, P. L., t. XVI, col. 389 sq., 417 sq.; S. Cirilo de Jerusalém, Catecheses, P. G., t. XXXIII, col. 369 sq.; S. Agostinho, De catechizandis rudibus, P. L., t. XL, col. 309 sq.; Sermones ad competentes, LVI-LIX, CCXII-CCXIV, in traditione et redditione symboli, P. L., t. XXXVIII, col. 377 sq., 1058 sq., Canones Hippolyti, ed. Achelis, Leipzig, 1891; Testamentum D. N. J. C., ed. Rahmani, Mogúncia, 1899; Constituições apostólicas, P. G., t. I, col. 556 sq.; Peregrinatio Silviæ, ed. Geyer, Viena, 1898; S. Isidoro, De officiis, P. L., t. LXXXIII, col. 814 sq.; S. Ildefonso, De cognitione baptismi, P. L., t. XCVI, col. 414 sq. Ver mais acima, col. 218.

II. TRABALHOS. — Martène, De antiquis Ecclesiae ritibus, Ruão, 1700, t. I, p.

29 sq.; Visconti (Vicecomes), Observationes ecclesiasticae de antiquis baptismi ritibus et ceremoniis, Milão, 1615; Chardon, Histoire des sacrements, Paris, 1745, t. I, no Cursus theologiae de Migne, t. XX; Höfling, Das Sacrament der Taufe, Erlangen, 1846; 2ª ed., 1859; Zezschwitz, System der christlich-kirchlichen Katechetik, Leipzig, 1863-1872; Mayer, Geschichte des Katechumenats und der Katechese in den ersten sechs Jahrhunderten, Kempten, 1868; Weiss, Die altkirchliche Pädagogik, Friburgo em Brisgóvia, 1869; Probst, Lehre und Gebet in den ersten drei christlichen Jahrhunderten, Tubinga, 1871; Sacramenten und Sacramentalien, Tubinga, 1872; Katechese und Predigt vom Anfange des 4 bis Ende des 6 Jahrhunderts, Breslau, 1884; Geschichte der katholischen Katechese, Breslau, 1886; Schöberl, Lehrbuch der kath. Katechetik, Kempten, 1890; Holtzmann, Die Katechese der alten Kirche, em Theologische Abhandlungen, Friburgo em Brisgóvia, 1892, p. 61sq.; Moë, Die Apostellehre und der Dekalog, Gütersloh, 1896; Sachsse, Evangelische Katechetik, die Lehre von der kirchlichen Erziehung, Berlim, 1897; Achelis, Lehrbuch der prakt. Theologie, 2ª ed., Leipzig, 1898; Wiegand, Die Stellung des apostolischen Symbols im kirchlichen Leben des Mittelalters, I, Symbol und Katechumenat, Leipzig, 1899; Dale, The synod of Elvira, Londres, 1882; Corblet, Histoire du sacrement de baptême, Paris, 1881; Duchesne, Les origines du culte chrétien, 2ª ed., Paris, 1898; Ermoni, L’histoire du baptême depuis l’edit de Milan (313) jusqu’au concile in Trullo (692), na Revue des questions historiques, 1898, t. LXIV, p. 343-324.

Ver o artigo Katechumenat, em Kirchenlexikon, 2ª ed., Friburgo em Brisgóvia, t. VII, col. 317-333, e em Realencyclopädie, 3ª ed., Leipzig, 1901, t. X, p. 173-179.

Autor original: G. Bareille

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