CATECISMO. Se a catequese compreende o ensino das verdades essenciais da religião cristã dirigido aos catecúmenos adultos antes do batismo, ver col. 1877-1895, o catecismo, na primeira acepção da palavra, é a instrução oral e familiar das mesmas verdades, feita após o batismo às crianças e aos adultos ignorantes.
Mas o nome de catecismo passou do gênero de instrução ou do exercício catequético ao livro que contém a exposição elementar das verdades fundamentais do cristianismo. Sob este aspecto, o catecismo é um manual popular, um resumo exato e seguro da doutrina cristã. Ele não é e não deve ser um tratado erudito e escolástico de teologia; as opiniões de escola estão excluídas dele; nele fala-se apenas das verdades certas do dogma e da moral; as crianças e os fiéis devem encontrar nele tudo o que é necessário saber para ser um cristão suficientemente instruído, ou ao menos o que é preciso crer e praticar para não perder a recompensa celeste por causa de ignorância voluntária e culposa.
A forma deste livro, como a de todo ensino elementar, deve ser clara, precisa, fácil de compreender e de reter, pois o catecismo é destinado ordinariamente a ser aprendido de cor. Ele é também, na maioria das vezes, redigido por perguntas e respostas, e constitui uma espécie de diálogo entre o mestre e os discípulos. Enfim, ele é curto e substancial, porque é explicado de viva voz e desenvolvido pelo catequista.
Os catecismos, colocados nas mãos das crianças, apresentam uma grande variedade, pois não se seguiu e não se segue ainda uma marcha uniforme no ensino elementar da religião. Na diversidade dos planos e dos métodos, uma, contudo, tornou-se predominante; ela consiste em agrupar as matérias do catecismo sob três títulos: as verdades a crer ou os artigos do símbolo, os preceitos a observar ou os mandamentos de Deus e da Igreja, os meios de se santificar ou a oração e os sacramentos.
Os catecismos, destinados às crianças e jovens, diferem também em extensão proporcional à capacidade intelectual dos catequizados, e distinguem-se em médios e pequenos. Os pequenos ou abreviados são empregados nos catecismos feitos na igreja ou na escola primária; os médios servem nos colégios e nas escolas secundárias. Hoje, cada diocese ou quase, sobretudo na França, tem seu catecismo particular, que é o único manual de instrução religiosa oficialmente autorizado pelo bispo. Algumas regiões, todavia, adotaram, no curso do século XIX, um catecismo único, e em 1870, o concílio do Vaticano discutiu o projeto de um pequeno catecismo para a Igreja universal.
Enfim, compuseram-se, para o uso dos catequistas e dos fiéis instruídos, catecismos mais desenvolvidos, que se denominam grandes catecismos, por comparação com os pequenos e os médios. Os catequistas encontram neles as explicações que devem dar da letra do pequeno catecismo, e os fiéis, uma exposição da fé, que reaviva em sua memória e completa em sua inteligência a instrução elementar anteriormente recebida. Expor-se-á sumariamente a história do ensino catequético e organizar-se-á o catálogo dos principais manuais empregados, ao longo dos séculos, neste ensino.
— I. Na Idade Média. II. No século XV e no XVI antes do protestantismo. III. Entre os protestantes. IV. Entre os católicos no século XVI após 1517. V. No século XVII. VI. No século XVIII. VII. No século XIX.
I. NA IDADE MÉDIA. — 1° Forma da catequese primitiva, do século VII ao VIII. — Quando o batismo cessou de ser administrado aos adultos e foi geralmente conferido às crianças pouco após o seu nascimento, ou quando tribos inteiras se converteram em massa e foram batizadas antes de terem recebido uma instrução suficiente, foi preciso ensinar as verdades cristãs às crianças e aos adultos já batizados. O catecismo sucedeu assim à catequese primitiva; mas as matérias da instrução elementar dos batizados foram idênticas às do ensino dado aos catecúmenos.
Assim, no dia da consagração de João, bispo de Constança, São Galo (+ 646), dirigiu aos seus ouvintes batizados uma verdadeira catequese. Serm., P. L., t. LXXXVII, col. 13-26. A julgar pelo resumo que Santo Ouen, Vita Eligii, 1. II, c. xv, ibid., col. 525-550, dá das pregações de Santo Elígio, este bispo expunha aos neófitos os assuntos tratados outrora diante dos catecúmenos. Assim como se fazia a estes, durante a quaresma, a tradição do símbolo dos apóstolos e da oração dominical, do mesmo modo constata-se que no século VIII estes dois textos deviam ser aprendidos de cor em latim ou em língua vulgar pelos catequizados e explicados pelos padres catequistas e pelos missionários. Este uso existia então entre os anglo-saxões e entre os germanos.
Beda, Epist., II, P. L., t. XCIV, col. 659, recomendava a Egberto, bispo de Iorque, visto que este não podia percorrer ele mesmo cada ano toda a sua diocese, estabelecer em todas as aldeias padres, encarregados de administrar aos fiéis os sacramentos e de lhes explicar o símbolo dos apóstolos e a oração dominical, traduzidos para o inglês. Os leigos, os clérigos e os monges, que não compreendiam o latim, deviam recitar estas fórmulas em sua língua.
O concílio nacional, realizado em Cloveshow em 747, estatuiu, can. 3, 410, que os bispos visitariam todos os anos a sua diocese, e que os padres aprenderiam de cor o Credo, o Pater, as orações da missa e dos sacramentos e as explicariam às suas ovelhas em língua vulgar. Mansi, Concil., t. XII, col. 396, 398. O concílio reunido em 787 em Calchut sob a presidência de Lamberto, arcebispo da Cantuária, e do rei Offa, renovou uma parte destas prescrições. Can. 3, ibid., col. 940. G. Hickes, Thesaurus linguarum septentrionalium, editou uma fórmula inglesa da oração dominical glosada, tirada de um livro colocado sob o nome do rei Canuto. Os cânones 252 e 263, atribuídos a São Bonifácio, ordenam a todos os cristãos e especialmente aos padrinhos saber de cor o Pater e o Credo. P. L., t. LXXXIX, col. 822.
No império carolíngio, o mesmo programa foi imposto por toda parte. O concílio de Frankfurt (794) exigia, can. 33, que o símbolo dos apóstolos e a oração dominical fossem conhecidos de todos. Mansi, t. XIII, col. 908. São Paulino, patriarca de Aquileia, no concílio de Friuli (796), impôs aos padres a obrigação de saber de cor o símbolo de Niceia e aos fiéis a de reter o símbolo dos apóstolos e a oração dominical. Concil. Forojul., can. 12-15, P. L., t. XCIX, col. 293-295. Carlos Magno ele mesmo fez regulamentos sobre a pregação, a instrução dos catecúmenos e o catecismo.
Os padres deviam compreender e pregar aos fiéis a oração dominical, Capit. de 789, n. 70; Boretius, Capitularia, Hanôver, 1883, t. I, p. 59, assim como o símbolo. Capit. de 802, n. 5, ibid., p. 106. Todos os cristãos deviam aprender o Credo e o Pater. Capit. de 802, n. 14, 15, P. L., t. XCVII, col. 247; Boretius, t. I, p. 410; cf. p. 414. Eles eram obrigados a recitá-los aos padres, que tinham eles mesmos o encargo de ensiná-los aos fiéis, ibid., col. 767, na língua que estes compreendiam. Ibid., col. 770.
Contudo, regularmente o cuidado de ensiná-los era deixado aos pais para seus filhos e aos padrinhos e madrinhas para seus afilhados. Ibid., 15, col. 248. Carlos Magno, tendo encontrado cristãos que se apresentavam para ser padrinhos e madrinhas, mas que não podiam recitar nem o Credo nem o Pater, proibiu-os de segurar crianças na pia batismal, enquanto não tivessem adquirido a ciência requerida. Epist., xv, ad Garibaldum, P. L., t. XCVIII, col. 917-918.
O ensino versava também sobre os vícios ou os pecados, grandes ou pequenos, a evitar. Capit., P. L., t. XCVII, col. 326. Teodulfo, bispo de Orleães, em seu capitular 22, obrigava todos os seus diocesanos a saber o Pater e o Credo. P. L., t. CV, col. 198. As escolas, instituídas então, tinham por objetivo dar às crianças que as frequentavam a instrução religiosa.
Um contemporâneo redigiu, sob forma de interrogações e respostas, ou de diálogo entre um mestre e seu discípulo, uma lição de escola que, partindo da criação, expõe os principais pontos da doutrina cristã e termina pela explicação do Credo e do Pater. Esta Disputatio puerorum per interrogationes et responsiones foi até atribuída a Alcuíno, mas erroneamente, ao que parece. P. L., t. CI, col. 1097-1144.
O concílio de Arles (813) ordena aos pais e aos padrinhos que instruam na fé seus filhos e suas filhas. Can. 19, Mansi, t. XIV, col. 62. O de Mogúncia, reunido no mesmo ano, faz as mesmas injunções e recomenda a frequência às escolas. Can. 45, 47, Mansi, ibid., col. 74. O concílio de Paris, reunido em 829 por Luís, o Piedoso, ordenava instruir as crianças batizadas desde seu nascimento e censurava aqueles que negligenciavam este dever. L. I, can. 6, Mansi, ibid., col. 541. O concílio de Aquisgrão (836) declara que é necessário ensinar às crianças a oração dominical, o símbolo e seus deveres. C. 1, a. 5. Mansi, ibid., col. 681.
O manual de Dhuoda ao seu filho, redigido em 842, expõe a fé e a moral cristã. P. L., t. CVI, col. 109-118. Ottfried, monge de Wissembourg, compôs no século IX um catecismo em língua tudesca, que contém explicação da oração dominical, um catálogo dos pecados mortais, o símbolo dos apóstolos, o símbolo dito de Santo Atanásio e o Gloria in excelsis. G. Eckard publicou-o, Incerti monachi Weissenburgensis catechesis theotisca, in-12, Hanôver, 1713, p. 60-73. Ele editou também, p. 79-81, uma tradução e uma explicação, em antigo alemão, da oração dominical e do símbolo dos apóstolos que são de Notker, o Gago (fim do século IX), p. 81-86, uma outra de Kéron, monge de São Galo, e em apêndice, p. 201-202, uma versão saxônica muito antiga do decálogo. Encontra-se ainda na mesma obra, p. 93-99, dois formulários de confissão, do século IX, nos quais são enumerados os pecados a acusar. J. Schilter, Thesaurus antiquitatum teutonicarum, Ulm, 1728, t. I, suppl., editou um catecismo do amor de Deus e do próximo, do século IX ou do século X, um decálogo em inglês e em latim, da época do rei Alfredo (871), e um outro mais recente em versos ingleses.
No século X, Ratherius, bispo de Verona, ordenava ainda aos padres que pregassem o Credo e o Pater. Synodica, 12, P. L., t. CXXXVI, col. 563. As mesmas prescrições eram renovadas por Burcardo de Worms, Decret., l. II, c. LIX-LXV, P. L., t. CXL, col. 636-637, por Regino de Prüm, De ecclesiasticis disciplinis, l. I, 201, 202, P. L., t. CXXXII, col. 228-229, e por Ivo de Chartres. Decret., part. VI, 152-161, P. L., t. CXVI, col. 481-483. O rei Edgar († 975) declarava que cada cristão está obrigado a dar a seus filhos hábitos cristãos e a ensinar-lhe o Pater e o Credo. Can. 17, P. L., t. CXXXVII, col. 500.
Teodorico de Paderborn dava, no século XI, uma explicação da oração dominical. P. L., t. CXLVI, col. 333-340. Fulberto de Chartres († 1029) expõe a Adeodato como é preciso instruir os iniciantes sobre os principais sacramentos. Epist., v, P. L., t. CXLI, col. 196-204. Bonizo de Sutri († 1089) publicou um Libellus de sacramentis, P. L., t. CL, col. 857-866. O rei Canuto, o Grande († 1036) ordena ainda aos pais que ensinem a seus filhos o Pater e o Credo, 21, P. L., t. CXL, col. 1176. Bruno de Würzburg († 1045) compilou várias explicações latinas do Pater e do Credo e um comentário do símbolo Quicumque. Duas delas são textualmente tomadas da Disputatio puerorum do século X. P. L., t. cxl, col. 557-568. Cf. J. Baier, Der h. Bruno, Bischof von Würzburg, als Katechet, 1893. Eckard, op. cit., p. 86-90, publicou uma paráfrase do símbolo dos apóstolos em antigo alemão do século XI, chamada Boxhorniana, pelo nome daquele que a descobriu, e o Kry der alten Kirchen, explicação do mesmo símbolo, do início do século X.
Abelardo redigiu uma explicação da oração dominical, do símbolo dos apóstolos e do símbolo de Santo Atanásio. P. L., t. clxxviii, col. 641-652. No início da sua exposição do Credo, ele indica seu objetivo, que é explicar o que todo cristão é obrigado a crer e a saber, isto é, segundo o concílio de Reims de 813, can. 2; cf. Mansi, t. xiv, col. 77, o Pater e o Credo. Ibid., col. 617-619. Quanto ao símbolo de Santo Atanásio, ele deve ser explicado aos adultos e àqueles que têm a idade da razão, porque ele serve, como as outras fórmulas, para sua instrução. Ibid., col. 632.
Odon de Sully, bispo de Paris (+ 1208) recomendava aos seus padres que convidassem os fiéis a recitar o Pater, o Credo e a Ave, e ordenou-lhes que explicassem no sermão o símbolo dos apóstolos. Synod. Constit., préceptes communs, 40, 32, P. L., t. ccxii, col. 64, 66. Joscelin, bispo de Soissons, publicou uma exposição do Pater e do Credo, que ele tinha o costume de fazer de viva voz nas paróquias de sua diocese. P. L., t. clxxxvi, col. 1479-1496. Todo cristão devia saber essas fórmulas, que se podiam aprender e explicar em qualquer língua, contanto que cada um creia firmemente em seu conteúdo. Ibid., col. 1481. Ora, as explicações de Joscelin contêm argumentos e frases idênticos aos dos sermões de Ivo de Chartres. Serm., xxii, xxi, P. L., t. clxii, col.
599-607. O bispo de Chartres exortava os padrinhos e os pais a explicar o símbolo dos apóstolos aos seus afilhados e aos seus filhos. Ibid., col. 607.
Os estatutos do sínodo de Gran (1114) não exigiam mais do que a exposição do Credo e do Pater nas pequenas igrejas da Hungria; mas nas grandes, explicavam-se as Epístolas e os Evangelhos. O ensino era o mesmo na Polônia, segundo o sínodo de Gnesen de 1248. Hefele, Histoire des conciles, trad. Delarc, t. viii, p. 414.
Contudo, o concílio de Tréveris de 1227 havia ordenado aos sacerdotes que instruíssem os fiéis sobre os pecados mortais, os artigos da fé e os dez mandamentos. Can. 8, Mansi, t. xxii, col. 31-32.
Os dois concílios de Béziers (1246), can. 7, e de Albi (1254), can. 17, 18, impunham aos párocos a obrigação de explicar, a cada domingo, de uma maneira clara e simples, os artigos do símbolo. As crianças, a partir dos sete anos, deviam ser levadas à igreja por seus pais, nos dias de domingos e festas. Ensinava-se-lhes o Pater, a Ave Maria e o Credo. Mansi, t. xxii, col. 693, 836, 837.
Novas métodos catequéticos inaugurados no século XII. — Enquanto o programa carolíngio, mais ou menos desenvolvido segundo os países, continuava a ser seguido até o século XIII, dois novos métodos haviam sido inaugurados no século XII. Ambos tiveram muito sucesso e exerceram uma grande influência sobre o ensino catequético.
1. O Elucidário. — A primeira desses métodos deriva do Elucidarius de Honório, escolástico de Autun. Esta obra é dividida em três livros, dos quais o I compreende a explicação do símbolo dos apóstolos; o sacramento da eucaristia é nele ligado à Igreja; o l. II trata do mal moral e físico; o III, dos fins últimos, e especialmente do estado diferente dos bem-aventurados e dos condenados. O texto é disposto por perguntas e respostas. P. L., t. clxxii, col. 1109-1176.
Esta obra foi traduzida para o francês, para o alemão, para o italiano e para o inglês; mas as traduções diferem por vezes do original latino. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, 5ª ed., Paris, 1864, t. iii, col. 1213-1215. A tradução francesa do Lucidaire no dialeto de Valenciennes é obra de Gilbert de Cambrai. A versão italiana intitulada: Libro del maestro e del discipulo chiamato Lucidario, Veneza, 1508, foi feita por Manfredo de Monte Ferrato de Strevo. Sobre as edições dessas versões, ver Hain, Repertorium, n. 8815-8821; sobre a tradução alemã, n. 8803-8814, e sobre a versão inglesa, n. 8822. Cf. Coppinger, Supplement, part. I, p. 263; part. II, n. 3041-3049.
2. O Setenário. — O segundo método foi colocado em voga por Hugo de São Vítor, De quinque septenis seu septenariis, P. L., t. clxxv, col. 405-414. Cf. Allegoriae in N. T., l. II, c. iii-vi, ibid., col. 774-777.
Consiste em expor o dogma e a moral relacionando-os a sete partes, ora opostas, ora comparadas a sete outras; os sete pedidos do Pater são aproximados das sete bem-aventuranças e dos sete dons do Espírito Santo; os sete vícios ou pecados capitais são opostos às sete virtudes principais, às sete obras de misericórdia, etc. Cf. B. Hauréau, Les œuvres d’Hugues de Saint-Victor, Paris, 1886, p. 22-24.
O bispo de Soissons, Joscelin, Expositio de oratione dominica, P. L., t. clxxxvi, col. 1496, conhece-a, mas a deixa de lado: Nituntur quidam his septen. petitionibus (du Pater) septen. dona Spiritus Sancti et octo beatitudines applicare; sed, quoniam ad eruditionem simplicium non multum prodesse videntur, scienter praeterivimus. Emprestada de Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, l. II, c. x, xi, P. L., t. xxxiv, col. 1285-1286, este método foi logo muito difundido.
Não há um único catecismo do século XIII que não faça dele alguma aplicação, e sua influência perdurou até os nossos dias. Encontra-se no tratado De septem septenis de João de Salisbury, P. L., t. cxcix, col. 943-964, e no de Hugo de Amiens, arcebispo de Ruão. Super fide catholica et oratione dominica, n. 10, 23, P. L., t. cxcii, col. 1334, 1345-1346.
Ela é aplicada por São Tomás de Aquino nos cinco opúsculos que representam as matérias de um catecismo: Opusc. xvi, Expositio symboli apostolorum ; Opusc. vii, Expositio orationis dominice ; Opusc. viii, Expositio salutationis angelice ; Opusc. iv, De decem præceptis et lege amoris ; Opusc. v, De articulis fidei et Ecclesie sacramentis. Opera omnia, Paris, 1884, t. xxviii. Destinados a seus alunos, foram muito difundidos na Idade Média. Cf. Werner, Der heilige Thomas von Aquino, Ratisbona, 1858, t. i, p. 123-458.
São Edmundo de Cantuária (+ 1242) havia escrito para o seu clero tratados sobre o decálogo, os sacramentos e os pecados capitais. O seu Speculum Ecclesiæ, c. viii-xviii, compreendia uma exposição completa do Setenário. Maxima bibliotheca Patrum, Lyon, 1677, t. xxv, p. 319-323.
Esta obra foi reeditada por Kunz, Fünf Volks-und Kinderkatechismen aus dem Mittelalter, 2 vol., Lucerna, 1900, com a Soma do irmão Lourenço, da qual falaremos. Esta Soma é chamada Somme-le-Roi, porque foi composta por ordem de Filipe III, o Audaz, pelo seu confessor, o dominicano Lourenço. É datada de 1279 em vários manuscritos e compreende os dez mandamentos, os doze artigos do símbolo, os sete pecados capitais, os sete pedidos do «la saincte patenostre», os sete dons do Espírito Santo e as sete virtudes. Cf. Quétif-Echard, Scriptores ord. pred., t. i, p. 336; Histoire littéraire de la France, t. xix, p. 397 sq.
A Somme-le-Roi foi copiada muito frequentemente e por vezes sob títulos diferentes, tais como a Soma dos vícios e das virtudes e O espelho do mundo. Seus manuscritos são conservados em muitas bibliotecas, por exemplo, em Paris, biblioteca Sainte-Geneviève, ms. lat. 2898; biblioteca do Arsenal, ms. fr. 459. Foi editada em francês em 1481, s. l., Hain, n. 9950, e por Vérard em 1495 sob o título: La somme des vertus et des vices. Coppinger, Supplement, part. ii, n. 3513.
Fez-se dela uma tradução flamenga, várias vezes editada no século XV. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. v, col. 436-437 ; Hain, Repertorium, n. 9949-9952; Coppinger, part. i, p. 293; part. ii, n. 3515. Uma tradução inglesa foi impressa por Caxton, em 1484, sob o título: The royal Book. Coppinger, part. ii, n. 3514; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. iv, col. 1432-1433.
O Miroir du monde, que se assemelha à Somme-le-Roi, embora seja original em vários pontos, foi publicado por Félix Chavannes, Lausana, 1846, a partir de um manuscrito do século XIV. O Miroir de bien vivre não é, em boa parte, senão um resumo da Somme-le-Roi.
Bibliothèque Mazarine, ms. 966. Cf. G. Bertoni, Ricerche sulla Somme-le-Roi di frère Laurent, em Archiv für Studien der neuesten Sprachen, 1904, p. 344-365.
O concílio, realizado em Lambeth (Inglaterra), em 1281, sob a presidência de João Peckham, ordenava aos sacerdotes de explicar aos fiéis, quatro vezes por ano, em uma ou várias festas e em língua vulgar, os quatorze artigos da fé, os dez mandamentos de Deus, os dois preceitos evangélicos do amor a Deus e ao próximo, as sete obras de misericórdia, os sete pecados capitais, as sete virtudes principais e os sete sacramentos. E, para que nenhum padre pudesse desculpar-se por sua ignorância, o concílio expunha sumariamente estas matérias da pregação anual. Mansi, t. XXIV, col. 410-413.
Um poema latino, intitulado Floretus, porque continha as flores de todas as virtudes, entra na categoria dos catecismos inspirados pelo Septenário. Atribuído a São Bernardo e a Jean de Garlande, gramático e poeta do século XIII, fez parte da coleção: Auctores octo, Lyon, 1494, etc.; cf. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. I, col. 542-550; Hain, n. 7197-7199; Coppinger, part. I, p. 55; part. II, n. 717-723, e serviu nas escolas para ensinar às crianças os elementos da doutrina cristã. Explica em versos os doze artigos do símbolo, os mandamentos, os pecados, os sete sacramentos, as virtudes e a maneira de bem morrer. Hain, n. 7182-7184; Coppinger, part. I, p. 217.
Gerson comentou-o: Summa admodum utilis et fructuosa theologalis et canonica edita super Floretum, Lyon, 1494. Dupin não reproduziu este comentário nas obras do chanceler. M. L’Ecuy, Essai sur la vie de Jean Gerson, Paris, 1832, t. I, p. 286-287. O Floretus foi traduzido para o francês: Le noble livre Floret. Coppinger, part. II, n. 7185; cf. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. II, col. 1304; G. Brunet, La France littéraire au XVe siècle, Paris, 1865, p. 80; Hézard, Hist. du catéchisme, p. 152-154.
A Summa iudicum trata também dos artigos da fé. Hain, n. 15170-15172. Um manuscrito, que M. Hézard, p. 154, chama de Compilatio, era destinado ad instructionem minorum quibus non vacat opusculorum variam pluralitatem perscrutari de doctrinis catholicorum magistrorum. Contém uma curta explicação dos artigos da fé, dos dez mandamentos, das sete petições do Pater, dos sete sacramentos, das sete virtudes, dos sete dons, das oito bem-aventuranças, dos sete vícios, tanto de natureza quanto de vontade, e das excomunhões. Em Paris, Bibliothèque nationale, ms. latin, 16442; bibliothèque Mazarine, ms. 983.
Kunz publicou um Trattato di dottrina cristiana da primeira metade do século XIII, redigido para as crianças pequenas. Fünf Volks-und Kinderkatechismen aus dem Mittelalter, 2 vol., Lucerna, 1900. Reeditou também a Instructio articulorum fidei, sacramentorum Ecclesiæ, præceptorum decalogi, virtutum et vitiorum, que o arcebispo de Toledo tinha endereçado ao seu clero no sínodo diocesano de 1323. Ela compreende todas as matérias do Septenário. Card. d’Aguirre, Collectio maxima conciliorum Hispaniæ, 4 in-fol., s. l. n. d., t. III, p. 570-571.
3° Novos catecismos do século XIV. — Eles se relacionam ainda ao método do Septenário. Os dois principais são o Manipulus curatorum e o Doctrinal de sapience. O primeiro, obra de Gui de Montrocher, é escrito para os párocos. As duas primeiras partes tratam de teologia pastoral. A III parte expõe, sob forma escolástica, as matérias ordinárias do ensino catequético: o símbolo dos apóstolos, a oração dominical, os dez mandamentos de Deus, as festas da Igreja, as obras de misericórdia e as dotes dos bem-aventurados. Esta obra obteve um grande sucesso e teve numerosas edições. Hain, n. 8157-8213; Coppinger, part. I, p. 242-244; part. II, n. 2824-2849. Foi traduzida para o francês. Hain, n. 8214; Coppinger, part. I, p. 244; part. II, n. 2850. Em 1395, Jean de Montagu, bispo de Chartres, mandou copiá-lo para o uso de sua diocese. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. 1, col. 1855-1857.
O Doctrinal de sapience foi composto em 1388 por Gui de Roye, arcebispo de Sens, para ser lido ao povo pelos párocos. A tabela de matérias indica assuntos variados, entre os quais encontram-se os doze artigos da fé cristã, as obras de misericórdia corporal, os dez mandamentos de Deus, os pecados capitais, a oração e os sacramentos. As explicações do símbolo e dos mandamentos são tiradas da Somme-le-Roi. Um religioso da ordem de Cluny acrescentou-lhe, em 1389, uma seleção de exemplos e citações dos doutores. Foi traduzido para o inglês e impresso por Caxton. Sobre estas edições, ver J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. IV, col. 1434-1438; G. Brunet, La France littéraire au XVe siècle, p. 184; Hain, n. 14012-14017; Coppinger, part. I, p. 414; part. II, n. 5172-5181. Era ainda impresso em Troyes, em 1622 e em 1743.
Um concílio provincial, realizado em Lavaur em 1368, ordenou a todos os párocos que instruíssem seus paroquianos, nos dias de domingos e festas, sobre os artigos da fé, os preceitos do decálogo, os pecados capitais e tudo o que é necessário para a salvação. Para facilitar a observação deste decreto, publicou a seguir um compêndio da doutrina cristã para o uso dos párocos e dos clérigos. Este compêndio explica o símbolo dos apóstolos e os sacramentos, as virtudes e os vícios, os dons e as bem-aventuranças, e finalmente os mandamentos de Deus. Mansi, t. XXVI, col. 484-493. Foi seguido em todas as dioceses da Gasconha e do Languedoc. Em 1401, o bispo de Dax adotou-o em seu sínodo, mas com notáveis acréscimos. Degert, Constitutions synodales de Dax, Dax, 1888, p. 76-82.
Schilter, Thesaurus, etc., editou ainda um catecismo alemão rimado do século XIV ou do século XV, sobre os mandamentos e os sacramentos. Finalmente, o doutor Nicolas Paulus reencontrou um catecismo por perguntas e respostas, do século XIV ao XV, o Fundamentum externe felicitatis, que foi impresso em Colônia em 1509, Hain, n. 7396; tinha sido assinalado por Köcher, Bibliotheca theologiæ symbolicæ et catecheticæ, part. II, Iena, 1749, p. 146, mas acreditava-se que estava perdido. Ein verlorengelaugter Katechismus des ausgehenden Mittelalters, no Katholik, outubro de 1893, p. 382-384. Kunz reeditou-o. Fünf Volks-und Kinderkatechismen aus dem Mittelalter, 2 vol., Lucerna, 1900.
II. NO SÉCULO XV E NO XVI ANTES DO PROTESTANTISMO. — Os métodos precedentes perseveram, enquanto outros catecismos veem a luz e espalham cada vez mais entre os fiéis a instrução religiosa elementar.
Agruparemos os fatos de acordo com os países. — Na França.
Gerson (1363-1429) foi um verdadeiro iniciador neste caminho. Tinha compreendido que era necessário começar a reforma da Igreja pela instrução religiosa da juventude e, sendo chanceler da universidade de Paris, ele próprio catequizava as crianças, desde 1409-1412, antes de sua retirada para Lyon. Escreveu um tratado De parvulis ad Christum trahendis, Opera, Antuérpia, 1706, t. III, col. 277-291, para justificar sua conduta e responder às calúnias de seus detratores. A experiência fizera-o sentir a utilidade de um pequeno livro para colocar nas mãos das crianças. Ele explicou-se a respeito, Epist., II, De reformatione theologiæ, Opera, t. I, col. 124: Item forte expediret..., fieret per facultatem vel de mandato ejus aliquis tractatus super punctis principalibus nostræ religionis, et specialiter de præceptis, ad instructionem simplicium, quibus nullus sermo aut raro fit aut male fit.
Em sua carta ao preceptor de Carlos VII, De considerationibus quas debet habere princeps, n. 6, Opera, t. II, col. 234-235, ele havia reduzido os principais pontos da religião cristã aos doze artigos do símbolo, aos dez mandamentos de Deus, aos conselhos evangélicos, à oração dominical, às sete virtudes, às sete dotes dos bem-aventurados, aos sete dons, às sete bem-aventuranças e aos sete sacramentos. Esses assuntos foram expostos por ele em seu Compendium theologiæ breve et utile, Opera, t. I, p. 238-422, e uma espécie de pequeno catecismo intitulado: L’ABC des simples gens, de très grande utilité et proufit, ms. 1067 da biblioteca Mazarine, fol. 129-132.
Gerson compôs também, para o uso dos párocos, seu Opus tripartitum de preceptis decalogi, de confessione et de arte moriendi. Opera, t. I, col. 425-450. Ali explicava brevemente o Credo, os mandamentos de Deus, os pecados a acusar em confissão e a arte de bem morrer. Sobre as edições desta obra, ver J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. II, col. 1557; Hain, n. 7651-7654; Coppinger, part. I, n. 2673-2680. Uma tradução francesa apareceu em Chambéry, em 1483, Coppinger, ibid., n. 2681; e em Lyon em 1490. Hain, n. 7656. Retirado em Lyon, Gerson empregou os últimos anos de sua vida a catequizar as crianças na igreja de Saint-Paul. Se não teve imitadores de seu zelo, sua atividade catequética não permaneceu todavia estéril, pois seu Opus tripartitum, nós o veremos, foi adotado como livro de ensino no final do século XV e no decorrer do XVI.
Mas, anteriormente, outros catecismos haviam sido publicados na França. L’ordinaire des chrétiens havia sido redigido em 1464 “para a consolação e a revogação dos simples”. Nele se recomenda a prática dos mandamentos e das obras de misericórdia, a maneira de confessar os pecados e de arrepender-se deles por temor ao inferno, por esperança do paraíso. G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 151-152; Coppinger, part. II, n. 2522-2595; Hézard, Histoire du catéchisme, p. 167-168.
L’art de mourir, atribuído a Mateus de Cracóvia, bispo de Worms, aparecia em francês, in-4°, 1478. Ele contém as respostas, extraídas da Escritura, que o bom anjo faz às tentações sugeridas aos homens pelo demônio sobre os sete pecados. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. 1, col. 501-508; Hain, n. 1838-1840; Coppinger, part. II, n. 675.
Le trésor des humains, 1482, trata “da maneira de instruir as crianças na fé católica”. Fala das leis cristãs, dos diversos estados, do advento do Anticristo, dos quinze sinais do juízo e do fim do mundo, da felicidade dos salvos e das penas dos condenados. Hézard, op. cit., p. 467.
L’art de bien vivre et de bien mourir, 1492, compreende vários tratados: 1° L’art de bien vivre, que expõe brevemente o dogma, explica a Ave-Maria, o Pai-Nosso, o Credo, os mandamentos, as sete virtudes, os sete dons do Espírito Santo, as sete obras de misericórdia, os sacramentos, as oito bem-aventuranças e os quatro conselhos evangélicos; 2° um Ars moriendi, análogo àquele sobre o qual já houve questão; 3° “o aguilhão de temor divino para bem morrer;” 4° Avénement de l’Antécrist. Cf. Nisard, Histoire des livres populaires ou de la littérature de colportage, 2ª ed., Paris, 1864, t. 1, p. 322-329; G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 15; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. 1, col. 509-512; Hézard, op. cit., p. 168-169; Hain, n. 1847; Coppinger, part. I, n. 680-682. Não era senão uma tradução do Ars bene vivendi et moriendi. Hain, n. 1843-1846; Coppinger, part. I, p. 52-53; part. II, n. 678, 679. Sobre um Livre de bien vivre, ver Hain, n. 10151.
Le mirouer de bien vivre reproduz o Doctrinal de sapience de Guy de Roye. É dito “um tratado que é muito proveitoso para aprender a bem morrer”. Ms. 1067 da biblioteca Mazarine, fol. 91-118. Sobre o Speculum artis bene moriendi, ver Hain, n. 14911-14914.
Os cânones de Saint-Victor de Paris haviam formado uma coletânea de documentos catequéticos. Bibliothèque nationale de Paris, fonds français, n. 25548. Começa por um Speculum christianorum dividido em quatro partes: o que se deve fazer e evitar, o que se deve crer, o Septenário, o que se deve meditar. Vêm depois o Opus tripartitum de Gerson e o Lucidaire de Honório de Autun. Extraía-se dessas três fontes a doutrina cristã. A formação da vida cristã fazia-se por meio do Jardin amoureux, da Vie de saint Victor de Marseille e da Histoire des trois morts et des trois vifs. Um modelo de confissão geral para o dia de Páscoa e um tratado de Sêneca sobre as virtudes cardinais, traduzido para o francês por Courtecuisse, terminavam essa pequena enciclopédia catequética. Hézard, p. 169-170.
Citemos ainda La fleur des commandements de Dieu avec plusieurs exemples et autorités extraites tant des saintes Écritures que des docteurs et des anciens Pères, Rouen, 1496; Paris, 1499, etc. Hain, n. 7431; Coppinger, part. II, n. 2522-2525; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. 1, col. 1287-1288; G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 79-80; Le livre des bonnes moeurs, tratado sobre as virtudes e os estados, pelo frade Jacques Legrant, agostiniano; G. Brunet, La France littéraire, p. 109-110, e o Livre des vertus. G. Brunet, op. cit., p. 114; Coppinger, part. II, n. 3624.
Esta literatura enriquece-se ainda com o aporte considerável dos catecismos de colportagem. A segunda e a terceira parte do Compost ou Kalendrier des bergiers, Paris, 1492, adicionavam a informações meteorológicas e médicas uma soma dos conhecimentos religiosos difundidos no povo no século XV.
Encontram-se ali “a árvore dos vícios e espelhos dos pecadores”, as “penas do inferno para os pecadores”, descritas por Lázaro ressuscitado, a “ciência salutar” ou a oração, compreendendo o Pai-Nosso, Ave-Maria, o Credo, os dez mandamentos de Deus e os cinco da Igreja, o “jardim das virtudes”, que dá a definição das virtudes e conselhos para praticá-las, e, após duas canções, as “penas do inferno para aqueles que guardam os mandamentos do diabo” e a “elite e flores das virtudes”, isto é, as virtudes teologais. Vinhetas acompanham essas lições de moral. Cf. Hain, n. 5582-5389; Coppinger, part. I, p. 174-175; part. II, n. 1723-1725; G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 52-53; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. II, col. 202-206; Ch. Nisard, Histoire des livres populaires, t. I, p. 90-99; Hézard, p. 162-165.
Disseminavam-se também espelhos de títulos diferentes: Le mirouer de l’âme, impresso por volta de 1498; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. III, col. 1748; G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 140-141; Coppinger, part. II, n. 4068; o Speculum anime peccatricis, Hain, n. 14899-14910; Coppinger, part. I, p. 444; part. II, n. 5560-5567; trad. franç., Coppinger, part. II, n. 5568-5572; G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 141; J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. III, col. 1751-1752; o Miroir de la rédemption de l’humain lignage, cujo conteúdo parece ter sido extraído do Speculum humane salvationis, poema latino, cujos diversos manuscritos são datados de 1324 e que é o mais antigo monumento da xilografia unida à tipografia. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. v, col. 476-483. Sobre as edições latinas, francesas e flamengas, ver G. Brunet, La France littéraire au xve siècle, p. 141-142; Hain, n. 14922-14929; Coppinger, part. I, p. 445; part. II, n. 5580-5586.
Este Speculum foi utilizado mais tarde para um livreto de colportagem: Le miroir du pécheur, composto por frades capuchinhos missionários e impresso ainda no século XIX, in-12, Epinal, 1828. Expõe-se nele o estado infeliz de uma alma caída em pecado mortal e de um condenado, assim como o estado feliz adornado pela graça santificante e o dos bem-aventurados no céu. O todo é representado por figuras que Ch. Nisard, op. cit., t. II, p. 244, considerava de um valor inestimável. Estas imagens, distribuídas nas missões durante quase três séculos, são atribuídas a Michel Le Nobletz (1577-1652), missionário bretão; elas são geralmente conhecidas sob o nome de imagens do Padre Maunoir, jesuíta, continuador das obras de Le Nobletz. Hézard, op. cit., p. 166.
Os escritos catequéticos de Gerson começaram a se disseminar no fim do século XV. O ABC des simples gens estava inserido no Liber synodalis Ecclesiae Lingonensis, do século XV. O Opus tripartitum era tão apreciado pelos bispos franceses que vários o adotaram para a instrução dos sacerdotes e dos fiéis de suas dioceses. Por uma portaria datada de Paris de 20 de fevereiro de 1507, François de Luxembourg, bispo de Le Mans, obrigava seus párocos a possuir um exemplar desta obra, que ele havia mandado imprimir em latim e em francês sob o título: L’instruction des curés pour instruire le pauvre peuple; recomendava-lhes ler o texto durante a prédica e concedia indulgências a todos aqueles que possuíssem este livro, o lessem ou ouvissem sua leitura. Hézard, p. 156-157.
Edições posteriores, das quais falaremos mais adiante, acrescentaram a ele diversas peças, cuja mais importante é o Liber Jesu Christi pro simplicibus. Este livreto já estava impresso no Manuale seu instructorium curatorum continens sacramenta Ecclesiae et modum ea administrandi cum pluribus aliis documentis, Lyon, 1505, fol. LXXXI-LXXXIII, v, para o uso das dioceses de Clermont e de Saint-Flour. Ibid., p. 340, 353-354. Este Livro de Jesus, em francês, para as pessoas simples, continha “a Paternoster”, a Ave Maria, o Credo, ou os doze artigos da fé, os dez mandamentos da lei e os cinco da Igreja. O texto destas fórmulas era acompanhado de breves explicações. Ibid., p. 158-160.
2° Na Espanha. — O concílio, realizado em Tortosa em 1429, indica as matérias de uma doutrina cristã e ordena publicar um breve compendium. Este manual explicaria o símbolo, a oração dominical, o decálogo, a glória do céu e as penas do inferno em seis ou sete lições e seria comentado ao povo no domingo. Can. 6, Mansi, t. xxvii, col. 1147-1148; Hefele, Hist. des conciles, trad. franc., t. xi, p. 163.
O concílio de Toledo (1473), can. 2, designava para o ensino do catecismo os domingos entre a Septuagésima e a Paixão. Todos os párocos deviam ter para este uso um caderno contendo o símbolo, o decálogo, os sacramentos e as diferentes espécies de vícios e de virtudes. Mansi, t. xxxii, col. 885. Um carmelita, Jaume Montanyes, redigiu um Espeio de bien vivir e um Tratado de ayudar a bien mourir. Notemos o Catechismo pro Judeorum conversione ad J.-C. fidem facile expedienda, s. 1. n. d. (Sevilha, por volta de 1478), do cardeal Pierre Gonzalez de Mendoza.
3° Na Alemanha. — O primeiro catecismo alemão que foi impresso, em 1470, é o Christenspiegel, composto em baixo-alemão pelo irmão Dederich (Thierry Kolde), mínimo de Münster e célebre pregador. Ele expõe o que é preciso crer e o que é preciso fazer para viver bem e morrer bem. Foi muito popular e teve numerosas edições: Colônia, 1480, 1501, 1508, 1514, 1589, 1598; Antuérpia, 1614; Colônia, 1708. Foi reeditado por Moufang, Katholische Katechismen des sechszehnten Jahrhunderts im deutscher Sprache, Mainz, 1881. Cf. J. Janssen, L’Allemagne et la réforme, trad. franc., Paris, 1887, t. 1, p. 34-35.
Este historiador aponta ainda, p. 37-40, dois outros catecismos desta época: o Guia da alma, e a Consolação da alma (Seelentrost). Este último foi impresso, de 1474 a 1491, em vários dialetos e em vários lugares. Hain, n. 14581-14583; Coppinger, part. II, n. 5383-5384. Uma Tafel des christlichen Lebens, redigida por volta de 1480, foi publicada por Wahlmann, Deutschlands katholische Katechismen, Münster, 1894, p. 61 sq.
Marc de Lindauwe compôs uma explicação do decálogo, Die zehn Gebote, etc., Veneza, 1483; Estrasburgo, 1516, 1520; cf. Hain, n. 7513; Coppinger, part. II, n. 2648; ela foi reeditada por Geffcken, Der Bildercatechismus des 15 Jahrhunderts, Leipzig, 1875, t. 1, p. 42 sq. Henrique de Langenstein, fundador do ginásio de Viena, escreveu tratados sobre a oração dominical, a saudação angélica e o símbolo dos apóstolos.
Nicolau de Inkelspuel expôs todas as partes do Setenário. Elas estão contidas também no Liber de eruditione Christi fidelium do dominicano João Herolt. Hain, n. 8516-8522; Coppinger, part. I, p. 253-254.
João Nider, ao fazer a apologia das formigas e de seus costumes, Formicarius, ensinava ao povo a moral cristã. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. II, col. 72-73; Hain, n. 11830-11833; Coppinger, part. I, p. 350-351. Ele também explicou longamente os preceitos do decálogo: Preceptorium legis sive expositio decalogi. Hain, n. 11780-11796; Coppinger, part. I, p. 349; part. II, n. 4411-4415.
Henrique de Herpf, O. M., compôs um Speculum aureum decem preceptorum Dei; são sermões. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. II, col. 130; Hain, n. 8523-8526; Coppinger, part. I, p. 254.
O cartuxo holandês, Gerardo de Stredam, em seu Pastoral, tratou dos sete sacramentos, das virtudes e dos vícios e do decálogo. Coppinger, part. II, n. 5587, 5588, aponta um Spiegel der Conscientien.
Publicavam-se outros espelhos ainda: Spiegel der Tugenden, Hain, n. 14952; Spiegel der armen sundigen Seelen, Hain, n. 14949, 14950; Spiegel des Menschen, Hain, 14952; Spiegel der Sitten, Hain, n. 14944; Spiegel des Siders, Hain, n. 14945-14948, 14951; Coppinger, parte I, p. 446; parte II, n. 5590.
Não esqueçamos as numerosas edições da Ars moriendi, em latim, Hain, n. 1831-1835; Coppinger, parte II, n. 667-670; em alemão, Hain, n. 1836, 1837; Coppinger, parte II, n. 671-674; em flamengo, Hain, n. 1841, 1842; Coppinger, parte II, n. 677; em italiano, Coppinger, parte I, n. 676; cf. parte I, p. 52; sem falar das edições francesas já citadas.
Para a explicação da oração dominical, ver Falk, Der Unterricht des Volkes in den katechetischen Hauptstücken am Ende des Mittelalters. Die Paternoster-erklärungen, 1482-1520, em Historisch-politische Blätter für das kathol. Deutschland, Munique, 1892, p. 108, 553-560, 684-694. A parte mais desenvolvida dos catecismos desta época era a que concernia ao decálogo, aos vícios e às virtudes. Para preparar os fiéis a se confessarem bem, insistia-se nos deveres a cumprir e nas faltas a evitar, exame de consciência versando sobre os pecados de omissão e de comissão. Cf. J. Geffcken, Der Bildercatechismus des 15 Jahrhunderts und die catechetischen Hauptstücke in dieser Zeit bis auf Luther, Leipzig, 1855, t. 1 (os mandamentos de Deus).
4° Na Itália. — Um Libretto de la doctrina christiana, usado na Itália no fim do século XV, oferecia aos jovens uma explicação dos dez mandamentos, dos doze artigos da fé, dos sete sacramentos e de toda a série do Setenário. Savonarola (1495) publicou: Expositio orationis dominice, em latim e em italiano, Hain n. 14444-14447; Coppinger, parte I, p. 429; parte II, n. 5296-5298; Expositione sopra l’Ave Maria; Hain, n. 14448, 14449; uma explicação do decálogo e uma regra para discernir os pecados mortais dos veniais. Opuscula, in-24, Leyde, 1633. O Lucidaire foi impresso em Veneza em 1408. Hézard, op. cit., p. 171-172.
5° Na Inglaterra. — O Doctrinal de sapience foi impresso em 1489; o Manipule des curés em 1502; o Calendrier des bergiers em 1503; Art de bien vivre em 1505; o Speculum christiani, em inglês e em latim, Londres, s. d., Hain, n. 14914; Coppinger, parte I, p. 444-445; parte II, n. 5573-5575.
6° Catecismos dos humanistas. — Certos humanistas recomendavam calorosamente a instrução das crianças. Cf. Jacques Wimpheling, De adolescentia, 1500; Erasmo, Paraphrases in N. T., Berlim, 1777, p. xxv; Opera, Leyde, 1706, t. VII, prefácio não paginado. Erasmo mesmo publicou uma espécie de catecismo sob o título: Christiani hominis institutum, 1514. Opera, Leyde, 1704, t. V, col. 1357-1359.
João Colet redigiu para sua escola Saint-Paul um manual de religião, que trata da fé e da penitência, da eucaristia e dos fins últimos. Este Catechyzon foi editado por J. H. Lupton, A life of John Colet, Londres, 1887, p. 286 sq. Erasmo o traduziu em versos hexâmetros. Overall o traduziu para o inglês: ABC, with the catechism, 1640, e esta tradução, usada na escola Saint-Paul, foi reimpressa em 1687.
Pierre Triton Athesinus havia escrito em alemão uma obra de ensino semelhante à de Colet: Enchiridion, 1513. Cf. Mitteilungen der Gesellschaft für deutsche Erziehungs und Schulgeschichte, 1898, t. VIII, p. 264 sq. Estes catecismos foram reproduzidos, os dois primeiros na íntegra e o último por extratos, por Cohrs, Monumenta Germaniae pedagogica, t. XXII.
III. CATECISMOS PROTESTANTES. — Quando a Reforma protestante começou, a instrução religiosa das crianças preocupava já os espíritos, e não é verdade dizer que os protestantes tiveram a iniciativa. É justo reconhecer seu zelo em difundir esta instrução e em multiplicar os catecismos. Mas eles haviam sido precedidos nesta via por outros heréticos, de quem foram os imitadores.
1° Catecismos dos valdenses e dos irmãos boêmios. — Os valdenses tinham Interrogacions menors, que serviram de modelo aos Kinderfragen dos irmãos boêmios. Lutero conheceu este último catecismo em 1523 e dele aproveitou para publicar seus primeiros escritos catequéticos. O catecismo dos irmãos boêmios, simplesmente traduzido ou diversamente reformulado, serviu ao ensino em várias comunidades protestantes. Os textos encontram-se em Kocher, Catechetische der Waldenser, Iena, 1768; G. von Zezschwitz, Die Katechismen der Waldenser und böhmischer Brüder, Erlangen, 1863; J. Müller, Die deutschen Katechismen der böhmischer Brüder, em Monumenta Germaniae pedagogica, Berlim, 1887, t. IV.
Uma primeira reformulação, feita em Magdeburgo em 1524, foi traduzida para o sueco. O texto é reproduzido em Monumenta Germaniae pedagogica, t. XX, p. 3 sq. Uma outra reformulação feita em Saint-Gall em 1527 está em Monumenta Germaniae pedagogica, t. XXI, p. 203 sq. A edição de 1608 e o resumo, feito de 1600 a 1615, foram reimpressos em Praga em 1878 e em 1895 por ordem do sexto sínodo geral da Igreja evangélica. Os textos são reproduzidos em Monumenta Germaniae pedagogica, t. IV, p. 211 sq., 296 sq.
2° Numerosos ensaios de catecismo que na Igreja evangélica precederam o Enchiridion de Lutero. — Lutero, tendo organizado catecismos para as crianças, pediu a alguns de seus discípulos que compusessem um manual. Para responder ao desejo do mestre, muitos se puseram ao trabalho e a maioria dos ensaios tentados em latim ou em alemão são reproduzidos em Monumenta Germaniae pedagogica, Berlim, 1900-1902, t.
XX-XXIII, sob os cuidados de Cohrs e sob o título: Die evangelische Katechismusversuche vor Luther’s Enchiridion.
O t. XX compreende os ensaios empreendidos de 1522 a 1526: 1° algumas partes de um catecismo; 2° a tradução alemã do catecismo dos irmãos boêmios; 3° o Enchiridion de Melâncton, em latim e em alemão, 1523; 4° Scholien do mesmo autor; 5° Eustasius Karmel, Evangelisch Gesetz, eine Synopsis der Bergpredigt für den häuslichen Unterricht, 1524; 6° a revisão do catecismo boêmio, feita em Magdeburgo; 7° J. Agricola, Kurze Verfassung des Spruches Matth., xvi, 13 sq., eine kleine Musterkatechese, 1525; 8° uma curta explicação dos dez mandamentos em latim e em alemão; mais tarde, ela tornou-se a tabela catequética, impressa em Estrasburgo, s. d., e contendo além disso o Credo, o Pater e Ave Maria; 9° a tabela de Zurique, sobre os mandamentos, para a confissão; 10° Valentin Ickelsamer, Ein ernstlich und wunderlich Gesprech zwayer Kinder, 1525; 11° Hans Gerhart, Schöne Frage und Antwort, diálogo, 1525; 12° a revisão dos Kinderfragen dos irmãos boêmios, feita em Wittemberg; 13° Das Büchlein für die Laien und die Kinder, 1525; 14° J. Toltz, Handbüchlein für junge Christen, 1526; 15° J. Bader, Gesprächbüchlein, que é realmente o primeiro catecismo da Igreja evangélica.
O t. o vol. XXI contém os ensaios de 1527 e de 1528; 16° Agricola, Christliche Kindersucht, redigido para a escola de Eisleben em latim e em alemão; o texto latino é a edição original; 17° Capito, Kinderbericht, destinado ao ensino organizado em Estrasburgo desde 1527 e zwingliano; cf. A. Ernst e J. Adam, Katechetische Geschichte des Elsasses bis zur Revolution, Estrasburgo, 1897, p. 23-386; 18° catecismo de São Galo, reformulação dos Kinderfragen dos irmãos boêmios; 19° Pierre Schultz, Katechismus, cuja edição é melhor que a de Kawerau; 20° Sprüche de Mélanchthon; 21° Agricola, Hundertdreissig Fragstücke; é um extrato de sua obra precedente em baixo-alemão; uma edição em alto-alemão, contando 156 questões, não é obra de Agricola; 22° Gaspard Güter, Katechesis, destinada à escola de Heilbronn; 23° uma reformulação do Lateinbüchlein, feita em Wittemberg em 1529. A maioria desses textos já havia sido reeditada.
O t. XX reproduz os ensaios de 1528 e de 1529: 24° de Wenzel Linck, um sermão sobre a ceia, feito em 1528 para a primeira comunhão das crianças; 25° um fragmento de Etienne Roth sobre os três primeiros mandamentos de Deus, e o Katechismus redigido por ordem de Bugenhagen para a cidade de Brunswick; 26° Conrad Salm, pregador em Ulm, Christl. Unterweisung, de 1528 ou de 1529; 27° J. Brentz, Fragestücke des christlichen Glaubens, 1529; 28° Otto Braunfel, Catalogi virorum illustrium, etc., Hedenbüchlein, 1527, em latim e em alemão, sete livros sobre os homens e as mulheres da Bíblia; Catechesis puerorum, 1529; como o autor era mestre-escola no convento dos carmelitas de Estrasburgo, seu catecismo foi feito para as escolas católicas; 29° Hegendorfer, Pareeneses, 1529; 30° uma obra anterior do mesmo escritor, Christiana institutio, 1526; Moruum et honestatis precepta; e Tabula da Brevis institutio do humanista Jean Pinicianus; 32° Precepta ac doctrina D.N.J.C., escolha de sentenças evangélicas feita talvez por Pinicianus para as escolas de latim; 33° Unterricht des Glaubens do pregador da corte, Gaspard Leener.
O t. XXI da mesma coleção contém os Undatierbare Katechismusversuche und zusammenfassende Darstellung da publicação de Cohrs. Os ensaios não datados são: 34° J. Œcolampade, Frag und Antwort in Verhörung der Kinder, cuja primeira edição datada é de 1537; mas esta foi precedida por várias outras e a obra é de 1525 ou de 1526; foi revisada e reformulada várias vezes, por exemplo, por Mykonius em 1544 e por Grynius; 35° J. Toltz, Wie man junge Christen in drei Hauptstücken kurz unterweisen soll; 36° J. Zwick, reformador de Constança, explicações do Pater noster e do Credo, cuja última é de 1529 ou 1530; 37° Fünf Abendmahlsfragen de Lutero; foram redigidas em 1523 talvez para os primeiros comungantes; com um formulário de questões de Juste Menius (1525) e outro por Briesmann, Speratus e Poliander para os primeiros comungantes da Prússia (1526); 38° Benoit Otho, extratos constituindo um livro de leitura em latim, 2ª ed. por Luc Otho, 1527, emprestados em parte do Enchiridion de Mélanchthon; 39° Valentin Krautwald, duas cartas de 1526 e 1527, e três dissertações não datadas: Catechesis; Canon generalis super his que spectant ad catechismum Christi; Institutiuncula sobre os sacramentos. Knoke, Der evangelische Katechismusliteratur bis 1525, em Halte was du hast de Sachsse, t. XXIV, p. 506-518, completou a publicação de Cohrs, indicando novas edições dos Kinderfragen dos irmãos boêmios e a obra de Hans Gerard Wagmeyster de Kytzingen, Schrift über den rechten Glauben und seine Frucht, 1522. Sobre toda essa matéria, ler as visões de conjunto de Cohrs, Monumenta Germaniae pedagogica, t. XXII, 3° Catecismos de Lutero.
Lutero preparou-se ele mesmo pouco a pouco para sua obra catequética. Explicou primeiro em seus sermões a oração dominical e o decálogo; publicou em seguida curtas exposições dos mandamentos, do símbolo e do Pater, e um pequeno livro de orações para se preparar para a confissão. Em sua Deutsche Messe, 1525, expressou suas ideias sobre o ensino catequético.
Em 1526, ele adotou, como livro oficial de instrução religiosa, a obra publicada no ano anterior em Wittemberg em alto e baixo-alemão, Een Bökeschen vor de Leyen unde Kinder. Monumenta Germaniae pedagogica, t. XX, p. 200 sq. Em 1528, pregou ainda sobre as matérias catequéticas. Em 1529, colocou em quadros sua Kurze Auslegung der zehn Gebote, depois, em uma segunda série, a confissão e os sacramentos do batismo e da eucaristia. Esses quadros, redigidos em baixo-alemão, formaram a primeira edição do pequeno catecismo. Cf. Ménckeberg, Die erste Aufgabe von Luthers kleinen Katechismus, 2ª ed., Hamburgo, 1868.
O grande catecismo apareceu no mesmo ano em várias edições e em duas traduções latinas. A terceira edição do pequeno catecismo, publicada em 13 de junho de 1529, foi intitulada: Enchiridion. Foi reeditada durante a vida de Lutero em 1531, 1535, 1536, 1537, 1539, 1542. Muitas dessas reedições foram reimpressas em nossos dias. Apareceram ainda em 1529, em Wittemberg, duas reformulações latinas do pequeno catecismo. Juste Jonas fez uma terceira tradução latina em 1539. Este livro, traduzido para o grego por J.
Mylius, foi impresso em Basileia, 1558, 1564, 1572. Os catecismos de Lutero tiveram inúmeras edições; foram adotados para o ensino religioso e são hoje ainda de uso, não apenas na Alemanha, mas também em todos os países da Europa e da América que possuem Igrejas protestantes. Outras comunhões além da luterana os seguiram e os seguem ainda. Foram explicados e comentados muito frequentemente. Sobre as edições e os comentários, ver Realencyclopädie für protestantische Theologie und Kirche, 3ª ed., Leipzig, 1901, t. X, p. 130-135, 139-162 (com uma rica bibliografia); Knoke, Ausgaben des Lutherschen Enchiridion bis zu Luthers Tode und Neudruck der Wittenberger Ausgabe, Stuttgart, 1903; O. Albrecht, Zur Bibliographie und Textkritik des kleinen Lutherischen Katechismus, em Archiv für Reformationsgeschichte. Texte und Untersuch. de W. Friedensburg, Berlim, 1904, t. 1, fasc. 3, p. 51-82; L. Emery, Introduction à l'étude de la théologie protestante, Lausanne, Paris, 1904, p. 666-667.
40 Outros catecismos protestantes do século XVI. — O imenso sucesso do catecismo de Lutero não impediu a publicação de novos livros de ensino, mesmo entre os luteranos. As outras seitas tiveram também os seus. Assinalemos apenas os principais: Bucer, Katechismen, Estrasburgo, 1534, 1537; cf. A. Ernst e J. Adam, Katechetische Geschichte des Elsasses, Estrasburgo, 1897; a confissão da Boêmia de 1535 definia o catecismo: catholica et orthodoxa Patrum doctrina, e declarava que o decálogo, a fé apostólica ou o símbolo de Niceia e a oração dominical deviam ser ensinados às crianças e constituíam as matérias da ciência suficiente ao cristão piedoso, a. 2, Confessio fidei ac religionis, 2ª ed., 1558, p. 18-19; o catecismo de Bucer, reformulado em 1545 no sentido zwingliano, tornou-se o catecismo de Berna, traduzido ele próprio para o francês em 1552, revisto ainda em 1581 e longamente empregado; J. Other, Katechismus, Aarau, 1530; Léon Juda, Grosser Katechismus, Zurique, 1534; Kleiner Katechismus, Zurique, 1535; o primeiro desses catecismos foi reeditado em língua moderna por Grob, 1886; Megander (Caspar Grossmann), Kurze christliche Auslegung, Berna, 1536.
Calvino, por seu lado, publicou dois catecismos em francês, um em 1537, outro em 1542; foram ambos traduzidos para o latim, 1538, 1545. Um deles foi traduzido para o grego por Henri Etienne. Ver col. 1383, 1390; cf. Rilliet et Dufour, Le catéchisme français de Calvin, Genebra, 1878. O catecismo de Calvino foi discutido por Feuardent, Examen catechismi calviniani, Paris, 1600; 2ª ed., mais completa, 1601.
Bullinger, Summa christlicher Religion, 1556; dois calvinistas, Ursinus e Olevian, publicaram em 1563 em Heidelberg o Katechismus Heidelberger, que foi difundido na Suíça, na Áustria e na Holanda; trad. francesa, 5ª ed., Berna, 1753; cf. A. Wolters, Der Heidelberger Catechismus in seiner ursprünglichen Gestalt, nebst der Geschichte seiner Textes im Jahre 1563, Bonn, 1864; Niepmann, Der Heidelberger Katechismus von 1563, Elberfeld, 1866; M. A. Goossen, Der Heidelbergsche Catechismus, Leiden, 1890; Realencyclopädie für protestantische Theologie und Kirche, 3ª ed., Leipzig, 1901, t. x, p. 164-173. Em 1568, apareceu em Schaffhausen o catecismo do deão Ulmer.
G. Peucer, genro de Melâncton e professor em Wittemberg, fez publicar pela faculdade de teologia desta cidade um novo catecismo que foi colocado nas mãos dos estudantes das escolas latinas e dos ginásios e que serviu de introdução aos estudos teológicos. Sua doutrina sobre a eucaristia suscitou violentas recriminações por parte dos teólogos de Brunswick e de Iena. Cf. Klose, Der cryptocalvinistische Catechismus, 1856.
F. Fricke, Drei reformite Katechismen des 16 Jahrhunderts, em Zeitschrift für praktische Theologie, 1900, t. xxii, p. 304-313, assinalou os três catecismos seguintes: Ochino, Il catecismo, in-8°, Basileia, 1561; J. Bilsten, Catechesis, em 14 capítulos; G. Allenrath, Ubiquitistische Katechismus, 1596.
Drusius publicou um pequeno catecismo em hebraico, em grego e em latim: juin, hoc est, Catechesis sive prima institutio aut rudimenta religionis christianae, ebraice, grece et latine explicata, Leiden, 1591. Socin havia publicado: Christianae religionis brevissima institutio per interrogationes et responsiones quam vulgo catechismum vocant, na Bibliotheca fratrum polonorum, t. 1, p. 651 sq. Os socinianos tiveram ainda: Catechesis et confessio fidei coetus per Poloniam congregati, Rackow, 1574.
Na Itália, Juan de Valdés compôs provavelmente em italiano, por volta de 1535, um catecismo que foi traduzido para o latim, para o polonês, para o alemão, para o inglês, para o francês e para o espanhol. Uma reedição dele foi feita por Ed. Bohmer, Instruccion cristiana para los ninos, Bonn, 1883. Vermigli publicou um Catecismo, ovvero espositione del symbolo apostolico, Basileia, 1546.
A Igreja estabelecida da Inglaterra teve seu catecismo introduzido no Prayer book de 1549 a 1661 como preparação para a confirmação. Ver t. 1, col. 4289-1291. Ela o utiliza ainda hoje: The catechism of the Church of England. J. Palmer deu dele uma explicação, The Church catechismus, que também está em uso. É anotado por J. H. Blunt, The annotated book of common prayer, 2ª ed., in-4°, Londres, 1890, p. 431-436. A introdução que precede, p. 428-430, nos informa que o atribuíram a Alexandre Nowell, autor de um catecismo maior em latim, 1570, reeditado em Oxford em 1835 e 1844, que nele colaborou. O bispo de Rochester, Poynet, que em 1552 publicou um catecismo em latim e em inglês, e Goodrich, bispo de Ely, participaram de sua redação. Overall e outros fizeram ali adições.
Vários dos primeiros catecismos protestantes figuravam no Índice do concílio de Trento. H. Reusch, Der Index der verbotenen Bücher, Bonn, 1883, t. 1, p. 126, 139, 191, 240-244, 420, 522, 539.
5° Alguns catecismos protestantes dos séculos seguintes. — M. Baumlein, Zuricher Katechismus, 1609, reeditado em Zurique até 1839, mas desde então oficialmente abandonado; fora comentado para os pregadores por Salomon Vogelin, Praktische Erklärung des Zuricherischen Catechismus, Zurique, 1816; Catechesis Racoviensis, seu liber socinianorum primarius, 1609; trad. latina do texto polonês de 1605; trad. alemã em 1608; 2 in-8°, Francfort e Leipzig, 1739; Spener, Erklärung der christlichen Lehre, 1677 (para os pietistas); reeditado ainda, Berlim, 1852; Tabulae catecheticae, Francfort-sur-le-Main, 1683; Dresdener Kreuz Katechismus, 1688; reeditado por Langbein, Dresden, 1854.
Robert Barclay compôs em 1667 o catecismo dos quakers; o sociniano Balthasar Bekker, De vaste spysen der Volmaakten, 1670; o antitrinitário Jean Biddle fez dois catecismos que foram queimados pela mão do carrasco.
Novos métodos foram inaugurados: Jean Laurent de Mosheim, Sittenlehre der heiligen Schrift, 1735; J. B. Basedow, Abhandlung vom Unterricht der Kinder in der Religion, 1764; Grundriss der Religion. A influência de Kant fez-se sentir em J. P. Miller, Anweisung zur Katechisierkunst; Unentbehrliche Exempel zum katechisieren; J. G. Dolz, Katechetische Unterredungen über religiöse Gegenstände, Leipzig, 1795; G. F. Dinter, Katechetische Jugendbelehrungen, Leipzig, 1805; Katechismus der christlichen Lehre, 1790, empregado nas igrejas e nas escolas de Brunswick.
No século XIX, a maioria dos cantões suíços adotou novos catecismos, mais ou menos influenciados pelo racionalismo, notadamente o Zuricher Katechismus de 1832; os pastores escolhem como livro de ensino, entre numerosos catecismos particulares, aquele que lhes agrada.
Os congregacionalistas ingleses empregam o catecismo de Palmer (+ 1818), A catechism for protestant dissenters, e, em suas escolas, o de Stowell, reformulado em 1892 por Fairbairn, A short catechismus for use in congregational Sunday Schools, Londres.
A Igreja presbiteriana da Inglaterra e a Igreja escocesa servem-se do pequeno catecismo de Westminster redigido em 1647, sob o título: The humble advice of the assembly of divines. Um catecismo mais extenso, larger, apareceu sob o mesmo título, Londres, 1647. Ambos foram traduzidos para o latim, Edimburgo, 1659. As escolas dominicais têm a seu uso diversos catecismos elementares.
Um anglicano, Vernon Staley, redigiu um catecismo particular: The catechism of the catholic religion, Oxford, 1895. O concílio nacional da Evangelical Free Church fez com que um comitê, composto por membros de diversas seitas, redigisse um catecismo comum: An evangelical Free Church catechism for use in home and school, Londres, 1898.
Osterwald havia publicado, em 1702, um grande catecismo, do qual extraiu um pequeno catecismo, Genebra, 1734. Cf. L. Gonin, Les catéchismes de Calvin et d’Osterwald, étude historique et comparative, Montauban, 1893. O pequeno catecismo de Osterwald foi empregado em Neuenbourg pouco após o seu surgimento, e em Genebra em 1788. Foi retocado no início do século XIX por Waadt, Abrégé de l’histoire sainte et du catéchisme, Genebra, 1803. Dele foi feita uma tradução em romanche. Os reformados franceses o empregam em seu estado primitivo, ou sob a forma reformada de 1803. Paul Rabaud publicou um Précis du catéchisme d’Osterwald, 2ª ed., Paris, 1856; reproduzido por Montandon, Etude sommaire de la religion chrétienne, et Précis annoté du catéchisme d’Ostervald.
Outros catecismos protestantes em francês: J. Vernes, Catéchisme destiné particulièrement à l’usage des jeunes personnes qui s’instruisent pour participer à la sainte cène, in-8°, Genebra, 1774; Boissard, Manuel des catéchumènes à l’usage de la jeunesse des communions évangéliques, Paris, 1822; Précis de la doctrine chrétienne, exposée par le texte de l’Ecriture sainte, par les pasteurs de l’Eglise évangélique de Paris, 3ª ed., Paris, Estrasburgo, 1827; A. de Stackelberg, Résumé de la doctrine chrétienne évangélique. Prières et méditations, Nancy, s. d.; R. Cuvier, Catéchisme des doctrines distinctives de l’Eglise évangélique protestante et de l’Eglise catholique romaine, Paris, s. d. (1845); trad. alemã, in-12, Estrasburgo, 1848; Bugnoin, Catéchisme de l’Eglise du Seigneur, 5ª ed., Saint-Denis, 1862; F. H. Herter, Manuel de la doctrine chrétienne ou explication du catéchisme de Luther, trad. franç., par des pasteurs du Ban-de-la-Roche, 1864; 4ª ed., 1885; 6ª ed., Paris, Rothau, 1900; Bonnefon, Nouveau catéchisme élémentaire, 14ª ed., Alais, 1900; A. Decoppet, Catéchisme populaire, Paris, 1898, 1901; este pastor publicou em 1875 um catecismo mais extenso; C. E. Babut, Cours de religion chrétienne, 6ª ed., Paris, 1897; E. Nyegaard, Catéchisme à l’usage des Eglises évangéliques, 13ª ed., Paris, 1900; N. Lamarche, Cours d’instruction religieuse, chrétienne, protestante, Paris, 1900; R. Holland, Court exposé de la religion chrétienne, Paris, 1886; Catéchisme de Montbeliard; Catéchisme biblique élémentaire, par un pasteur, Privas, 1897; Wilfrid Monod, Essai de catéchisme évangélique, Paris, 1902.
A Igreja Livre da Itália utiliza G. F. Meille, Il catechismo ossia sunto della dottrina cristiana secondo la parola di Dio, 6ª ed., Florença, 1895. Os valdenses também possuem catecismos modernos: Catechismo della Chiesa evangelica valdese o manuale d’istruzione cristiana ad uso dei catecumeni della Chiesa, Florença, 1866; Catechismo evangelico ossia sunto della dottrina cristiana, Florença, 1895.
Os protestantes americanos também possuem catecismos novos: Evangelical catechism, em alemão e em inglês; Ph. Schaff, Christlicher Katechismus, Filadélfia, 1862; Little Lamb’s catechism, Knoxville. As seitas americanas possuem, cada uma, o seu catecismo. Ver t. I, col. 1078. Os menonitas alemães possuem o de E. Weydemann, Katechismus zum Gebrauch der Taufgesinnten, 2ª ed., Krefeld, 1878. Os mórmons utilizam Elder, Catechism, for children, in-12, Salt Lake City, 1888.
Os catecismos protestantes foram objeto de numerosos estudos. Assinalaremos aqui apenas as principais obras históricas: Langemack, Historia catechetica, 1729-1740; Köcher, Catechetische Geschichte der Reformierten Kirchen, Iena, 1756; R. Neumann, Der evang. Religionsunterricht im Zeitalter der Reformation, Berlim, 1899.
Além dos Monumenta Germaniae paedagogica, t. XX-XXIII, antigos catecismos protestantes são reproduzidos por J. Hartmann, Aelteste katechetische Denkmale der evang, Kirche, Stuttgart, 1844; G. Kawerau, Zwei älteste Katechismen der lutherischen Reformation (aqueles de Schultz e de Hegendorf), Halle, 1890; Bodemann, Katechetische Denkmale der evang. luth. Kirche, Harbourg, 1861.
Para os trabalhos mais recentes, pode-se consultar o Theologischer Jahresbericht, Brunswick, 1881-1903, t. I, p. 289-292; t. II, p. 361-386; t. III, p. 332-334; t. IV, p. 324-326; t. V, p. 407-415; t. VI, p. 407-418; t. VII, p. 399-406; t. VII, Praktische Theologie, p. 4-10; t. IX, p. 449-457; t. X, p. 426-440; t. XI, p. 458-482; t. XII, p. 457-466; t. XIII, p. 486-491; t. XIV, p. 490-499; t. XV, p. 479-495; t. XVI, p. 638-660; t. XVII, p. 677-704; t. XVIII, p. 617-642; t. XIX, p. 775-804; t. XX, p. 1117-1149; t. XXI, p.
1086-1123; t. XXIII, p. 1243-1282. Aos catecismos protestantes anexamos os de algumas seitas independentes: Principes fondamentaux de la religion des théophilanthropes ou adorateurs de Dieu et amis des hommes, concernant l’exposition de leurs dogmes, de leur morale et de leurs pratiques religieuses, avec une instruction sur l’organisation et la célébration du culte, in-18, Rouen, ano VI, 1798; abade Chatel, Catéchisme à l’usage de l’Eglise catholique, 1840; os velhos católicos tiveram os seus próprios catecismos: Kleiner katholischer Katechismus von der Unfehlbarkeit; ein Büchlein von einem Vereine katholischer Geistliche, condenado pelo Santo Ofício, em 31 de julho de 1872; Katholischer Katechismus herausgegeben im Auftrage der altkatholischen Synode, condenado também pelo Santo Ofício, em 6 de dezembro de 1876; um outro catecismo velho-católico em francês, intitulado: Catéchisme catholique, Berna, 1876, foi objeto de uma condenação semelhante, em 12 de julho de 1877; um Premier catéchisme ou abrégé de la doctrine chrétienne pour ceux qui commencent está contido em Liturgie de l’Eglise catholique gallicane, por H. Loyson, 6ª ed., Paris, 1891.
IV. CATECISMOS CATÓLICOS DO SÉCULO XVI APÓS 1517. — Após o surgimento do protestantismo, os católicos rivalizaram em zelo com os protestantes pelo ensino elementar da doutrina cristã, e os catecismos católicos multiplicaram-se sob todas as formas. A Companhia de Jesus, que foi instituída para opor-se aos progressos do protestantismo, obrigou os seus membros a dedicar-se ao ensino da doutrina cristã. Santo Inácio e São Francisco de Borja catequizavam as crianças em Roma, e São Francisco Xavier começou pela catequese a evangelização da Índia.
I. ANTES DO CATECISMO ROMANO.
1° Na Alemanha. — Erasmo havia composto em 1533, em Friburgo em Brisgóvia, o seu Symbolum sive catechismus, que compreende seis catequeses dialogadas, das quais as cinco primeiras explicam o credo, e a sexta, os preceitos do decálogo e a oração dominical. Opera omnia, Leyden, 1704, t. V, col. 1183-1196.
Georges Wicelius (Witzel) publicou em 1535 seu Catechismus Ecclesiae : Lehre und Handlung des heiligen Christenthums, sob forma dialogada, que teve numerosas edições e foi traduzido para o saxão por Lambert, abade de Balven, em 1550. Redigiu em Berlim, em 1539, suas Questiones catechisticae, lectu jucundae simul et utiles, frequentemente impressas, notadamente em Mogúncia em 1541. Em 1542, editou em Mogúncia: Catechismus. Instructio puerorum Ecclesiae; este pequeno catecismo começa com relatos bíblicos; contém em seguida uma curta explicação do símbolo, da oração dominical, dos mandamentos e dos sacramentos; sua tradução alemã é reproduzida por Moufang, Katholische Katechismen des 16 Jahrhunderts in deutscher Sprache, Mogúncia, 1881. Wicelius havia publicado um grande catecismo: Catechisticum examen christiani pueri ad pedes catholici praesidis, Mogúncia, 1541, 1545, reproduzido por Moufang, op. cit., p. 472-588. Por fim, em 1560, editou: Neuer und kurtzer Catechismus, christliche und gewisse Unterrichtung der jungen Christen.
O dominicano Jean Dietenberg é o autor do Catechismus. Evangelischer Bericht und christliche Unterweisung der fürnehmlichsten Stück des waren heyligen christlichen Glaubens, Mogúncia, 1537, frequentemente reeditado e também por Moufang, p. 1-105. Cf. Moufang, Die Mainzer Katechismen, Kirchheim, 1877, p. 22 sq.; H. Wedewer, Johannes Dietenberger, Friburgo em Brisgóvia, 1888, p. 188 sq., 416.
Jean Gropper fez sucessivamente três catecismos. Um pequeno, intitulado: Capita institutionis ad pietatem ex S. Scripturis et orthodoxa catholice Ecclesiae doctrina et traditione excerpta, Colônia, 1546, era destinado ao uso de sua escola de Saint-Géréon. Desenvolveu-o em alemão sob este título: Hauptartikel christlicher Underrichtung zur Gotseligkeit, etc., Colônia, 1547, e em Moufang, op. cit., p. 243-316. Seu grande catecismo tem este título: Institutio catholica, elementa christianae pietatis succincta brevitate complectens, etc., Colônia, 1550; era destinado aos ordinandos e aos padres.
Jean de Maltitz, bispo de Meissen, publicou Ein christliche Lere zu gründlichen und beständigen Underricht des rechten Glaubens und eines Gottseligen Wandels, Mogúncia, 1541, em Moufang, op. cit., p. 135-242. O catecismo do dominicano Pierre de Soto: Khurtzer Begriff catholischer Lehr, Augsburgo, 1549, em Moufang, op. cit., p. 317-364, não é senão um extrato de seu grande catecismo, De institutione christiani nominis, 1548.
Sidonius Michel Helding, que se tornou bispo de Merseburg, publicou Brevis institutio ad christianam pietatem, 1549; Paris, 1563; Antuérpia, 1565; trad. alemã, Mogúncia, 1555, 1557, em Moufang, op. cit., p. 364-414. Seu grande Catechismus, Mogúncia, 1550; Colônia, 1562; Lovaina, 1567, etc., compreende 84 sermões catequéticos. Jean Wigand, Ex Sidonii catechismo majore... commonefactiones annotatae, Merseburg, 1550; Confutatio catechismi larvati Sydonis episcopi, s.l., 1549; em alemão, Magdeburgo, 1550, refutou Helding. Este último deve ser também o autor do catecismo publicado por ordem do concílio provincial de Mogúncia (1549): Institutio ad pietatem christianam secundum doctrinam catholicam, Mogúncia, 1549. Moufang, Die Mainzer Katechismen, p. 66 sq.
Jean Fabri, dominicano, publicou sob o véu do anonimato: Ain christenlicher, rainer Katechismus, etc., s. l. n. d. (Augsburgo); as edições de Dilingen, 1558, 1563, indicam o nome do autor. Moufang, Katholische Katechismen, p. 45-464. As edições posteriores contêm o começo de um outro catecismo sobre os mandamentos da Igreja, os pecados capitais, as boas obras, as virtudes, os frutos do Espírito Santo, as bem-aventuranças, os conselhos evangélicos e os fins últimos. Der klain Katechismus sampt kurtzen Gebetlein für die einfaltigen, Dilingen, 1558, cujo autor é desconhecido, tem uma divisão semelhante à do catecismo de Canisius. Moufang, op. cit., p. 466.
Mathias Cremers, de Aix-la-Chapelle, redigira um catecismo intitulado: Christlicher Bericht, etc., Colônia, 1542. Frédéric Nausea de Weissenfeld, falecido como bispo de Viena, deixou um Catechismus catholicus, in-fol., Colônia, 1543; in-8°, Antuérpia, 1557. Cf. Moufang, Die Mainzer Katechismen, p. 18 sq.
O franciscano François Titelmann é o autor do Schatz der christlichen Lehre, Colônia, 1546; trad. latina, Antuérpia, 1557; Lyon, 1567. Stanislas Hosius, bispo de Ermeland e mais tarde cardeal, publicou uma Confessio catholicae fidei christianae, Cracóvia, 1553; Antuérpia, 1599, etc. Jacques Schopper é o autor de dois catecismos: Institutionis christianae summa, Colônia, 1555; Catechismus brevis et catholicus in gratiam juventutis conscriptus, etc., Antuérpia, 1555; Colônia, 1560. Jules de Pflug, bispo de Naumburg, publicou Institutio christiani hominis, Colônia, 1562. Conrad Clinge deixou: Catechismus catholicus summam christianae institutionis quatuor libris succinctim complectens, Colônia, 1562; Summa doctrinae christianae catholicae, Colônia, 1570. Etienne Agricola traduziu em 1570 o catecismo do cardeal Gaspar Contarini, publicado em 1542. Sua tradução é intitulada: Catechesis oder kurtze Summa der Lehre der heiligen christlichen Kirchen für die Kinder und Einfaltigen, Augsburgo, em Moufang, op. cit., p. 539-558.
O B. Canisius mereceria um estudo especial em razão do método de catecismo que inaugurou e da imensa difusão que tiveram seus catecismos. Mas contou-se acima, col. 1513, 1521, sua atividade pessoal como catequista, e falou-se, col. 1524-1526, de seus três catecismos, de seu método e de seus sucessos. Para a bibliografia, ver col. 1534. Martin Bialobrzesky publicava contra os erros do tempo um Katechismus, Cracóvia, 1567. Jean Nass, O. M., havia composto um Catechismus catholicus, Ingolstadt, 1567, 1598; A. Alostano, Catechismus instar dialogi inter penitentem et catechistam, 1564.
Os bispos alemães, reunidos no concílio de Colônia, em 1536, decidiram fornecer aos párocos, encarregados de explicar o decálogo, o símbolo, os sacramentos e a oração dominical, quoddam enchiridion... in quo brevissime haec omnia secundum sanam et ecclesiasticam doctrinam exponentur. Haveria também ali questão dos deveres dos diversos estados, do culto dos santos e das relíquias, das imagens e das cerimônias. Part. VI, c. xxi, Mansi, t. xxxii, col. 1254. A maioria dos capítulos da VIIª e da IXª partes concernem pontos de doutrina que entravam nas matérias do ensino religioso. Ibid., col. 1255 sq. O arcebispo Hermann, que presidia este sínodo, advertiu seus párocos que tinha feito aparecer o manual da doutrina cristã que lhes tinha prometido. Lamenta que a extensão da obra tenha ultrapassado suas previsões: Enchiridion christianae institutionis, in-8°, Veneza, 1565, muito desenvolvido. Os fiéis deviam ser interrogados na Páscoa sobre as matérias ensinadas por seus párocos. Part. VII, can. 20, col. 1261.
O sínodo de Augsburgo, realizado em Dillingen em 1548 sob a presidência do cardeal Otton, ordena aos párocos que ensinem às crianças e aos ignorantes, certis temporibus, o símbolo, o Pater, o Ave e o decálogo. Recomenda o catecismo de Pierre de Soto e exclui os catecismos protestantes. Can. 8, Mansi, t. xxxii, col. 1302, 1303. Porque os protestantes introduziram modificações nas fórmulas mais usuais, obriga os párocos a ler a cada domingo, ao final do sermão, o Pater, a Ave Maria, o Credo e o decálogo, para que, graças a essa repetição frequente, o povo os aprenda e os retenha de cor. Can. 25, ibid., col. 1318-1319. O concílio de Tréveris (1549), a propósito dos sermões, recomenda explicar simplesmente o símbolo, o decálogo, os sacramentos, as cerimônias da Igreja, a oração dominical, etc. Can. 4, ibid., col. 1443. Ele publicou: Christiane institutionis liber, 1549. Cf. Hézard, Hist. du catéchisme, p. 199-201.
2º Na França. — Os bispos franceses publicavam catecismos para o uso de seus párocos ou de seus diocesanos. Guillaume Parvi, bispo de Senlis (1526-1537), publicou dois tratados: La formation de l’homme; Le viat de salut où est compris l'explication du symbole, des commandements, du Pater et Ave Maria, instruction pour soy confesser avec des oraisons et plusieurs dévotes chansons, 2in-8°, Paris, 1538. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. IV, col. 393-394. O bispo de Chalons-sur-Marne mandava imprimir um Breve de fidei orthodoxae rudimentis compendium in septem tractatus digestum atque a sacra theologia Rhemensi facultate approbatum..., ad communem plebanorum ceterorumque studiosorum utilitatem, Reims, 1557; os sete tratados versavam sobre os sacramentos, o decálogo, o símbolo, as virtudes e os dons, a excomunhão e as penas canônicas, o pecado e a penitência. Ver Hézard, p. 328.
O cardeal de Bourbon, arcebispo de Sens, tinha feito publicar, em 1554, um catecismo compreendendo a oração dominical, a saudação angélica, os dois símbolos, os mandamentos de Deus e da Igreja. Jean de Montluc, bispo de Valence e de Die, publicou para a instrução dos fiéis das duas dioceses que governava as Instructions chrestiennes sur les commandements de la loy et des saints sacrements, 2e édit., in-12, Lyon, 1561, e as Familières explications des articles de la foy, plus un brief recueil des lieux de l’Escriture sainte servant a l’explication d'iceux articles, avecque le symbole de saint Athanase, in-8°, Lyon, 1561; estas instruções sob forma de homilias deveriam ser lidas pelos párocos no prône de domingo. Hézard, p. 462-463. Em 5 de agosto de 1561, a faculdade de teologia de Paris censurou extratos deste último escrito e o escrito em si, bem como outras obras do bispo de Valence. Duplessis d’Argentré, Collectio judiciorum, t. II, p. 296-301; Féret, La faculté de théologie de Paris et ses docteurs les plus célèbres. Epoque moderne, Paris, 1900, t. I, p. 269-270.
Eustache du Bellay, bispo de Paris, endereçava a seus párocos com o mesmo desígnio uma Instructio catholica quam vulgo manuale vocat, Paris, 1562; é uma explicação dos mandamentos e uma preparação para a comunhão pascal. Hézard, p. 407-408. Charles Guillard d’Espichelliére, bispo de Chartres, publicou uma Forma popularis elementorum fidei nostrae tradita in usum catechismi clero ac populo Carnutensi, in-12, Paris, 1565. Este catecismo procede por perguntas e respostas. Hézard, p. 333-334. Nicolas de Thou, bispo da mesma diocese, ordenava a todos os párocos, vigários, mestres-escolas, de hospitais e outros que tivessem L’instruction des curés pour instruire le simple peuple, Paris, 1575, e que a lessem frequentemente ao povo.
Ela continha « le lyvre triparty » de Gerson, um opúsculo do mesmo doutor sobre os sacramentos e sobre a maneira de ouvir confissões, e Le livret Jésus. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. I, col. 1557-1558; Hézard, p. 334-335.
O pequeno catecismo de Canisius era oficialmente aprovado e publicado em latim pelo bispo de Cambrai, Parvus catechismus, in-8°, Cambrai, 1561; trad. francesa, Douai, 1582. Já tinha sido traduzido, in-12, Anvers, 1557; Limoges, 1584; Liége, 1588. Por sua vez, particulares publicavam novos catecismos: F. Cl. Vieuxmont, da ordem de Fontevrault, Catechismus seu christiana expositio, 1537; Lyon, 1833; Pierre Boulanger de Troyes, Institutiones christianae, in-8°, Paris, 1560; E. Auger, S. J., Catéchisme et sommaire de la religion chrétienne, Lyon, 1563; Paris, 1579; em grego e em latim, Paris, 1569, 1573; ver t. I, col. 2267; Ch. du Moulin, Catéchisme ou sommaire de la doctrine chrétienne, Lyon, 1563; Catechismus gallico-latinus. Le catéchisme latin francoys, c’est-a-dire le formulaire d'instruire les enfans en la chrestienté, in-8°, s. l., (Genève), 1561.
3º Nos Países Baixos. — Guillaume Damase Lindanus publicou em 1560 um catecismo holandês, que foi traduzido para o francês por G. Hervet, Paris, 1561. François Sonnius, bispo de Antuérpia, editou dois catecismos: Christiane institutionis formula, Antuérpia, 1561; Catechismus auctior, Bois-le-Duc, 1570. Jean Hessels forneceu uma Explicatio symboli, decalogi, orationis dominicae, salutationis angelicae, Antuérpia, 1566. Augustin Hunnius é o autor de um Catechismus catholicus, Antuérpia, 1567, 1570. L’ A B C ou instruction chrétienne pour les petits enfants aparecia, in-12, Antuérpia, 1558.
4º Na Espanha e em Portugal. — André Flores, De la doctrina christiana, Toledo, 1552; Philippe de Meneses, Luz de la alma christiana contra la ceguerdad y ignorancia de la fey y ley de Dios y de la Iglesia, etc., Salamanca, 1556, 1578; Medina, 1567; Pincia, 1590; Valence, 1594; Barthélemy de Carranza, Catecismo, in-fol., Veneza, 1556; Bruxelas, 1558, inscrito no Index romano e espanhol, ver Reusch, Der Index, t. I, p. 585, mas removido da edição oficial de 1900, e discutido por Melchior Cano; cf. Caballero, Vida del Ilmo Melchior Cano, in-8°, Madri, 1871, ver col. 1515; Dominique de Soto, Catecismo o doctrina christiana, Salamanca, 1563; existe uma tradução francesa, 6ª ed., Paris, 1901. Jean de Saint-Thomas publicou em espanhol uma Explication de la doctrine chrétienne, in-4°, Valence, 1565, que Quétif e Echard qualificam de opus aureum. Laurent Palmireno e Antoine Cordesio traduziram para o espanhol o catecismo do P. Auger, Katecismo o summa de la religion cristiana, Valence, 1565; Calari, 1569; Madri, 1575, etc. O arcebispo Barthélemy des Martyrs forneceu em português Catecismo ou doutrina christiana e práticas spirituales, etc., Lisboa, 1562, etc.; Marc Georges, De doctrina christiana ad puerorum rudiumque instructionem, Lisboa, 1561; Louis de Grenade, Introduccion al symbolo de la fe, in-fol., Salamanca, 1582, etc.; trad. italiana, in-4°, Veneza, 1586; o compêndio, que forma a 5ª parte desta obra, apareceu à parte em italiano: L’epitome o vero compendio dell’ Introduttione del symbolo della fede, Veneza, 1587; tradução latina da obra completa por Gallucio, Veneza, 1587; Colônia, 1589, 1602; tradução francesa por Sébastien Hardy, Ruão, 1638; por Simon Martin, mínimo, Paris, 1656; 5ª ed., 1665; 8ª ed., 1686; por Girard, in-fol., Paris, 1686, 1688; 4 in-12, Paris, 1687; 4 in-8°, Paris, 1711; 6 in-12, Lyon, 1825; tradução portuguesa por Joachim de Macedo, lazarista, 2 in-8°, Lisboa, 1780-1782; Compendio de doctrina christiana, em português, cerca de 1560; Valência, 1644; Antuérpia, 1651; tradução em castelhano, Madrid, 1595; tradução latina por Gallucio em Opera omnia, Colônia, 1628, t. 1; tradução francesa por Nicolas Bernard, celestino, sobre a tradução latina de Michel de Isselt, Paris, 1605; o pequeno catecismo de Luís de Granada foi traduzido para o latim por Martin Binhart, em Opera omnia, t. 1; para o francês por N. Colin, Paris, 1625; por Simon Martin, Paris, 1646, 1654. O Tractatus de ratione catechizandi apud Indos é uma tradução latina feita por Schott. Opera omnia, t. I.
5° Na Itália. — O oratoriano romano Crispoldi compôs um Interrogatorium puerorum sive dialogus, 1539. O cardeal Contarini publicou em 1542 o seu Catechismus. Opera omnia, Paris, 1571. Traduziu-se para o italiano o catecismo espanhol do bispo Martin Perez d’Ayala, El catechumeno o christiano instruido, Milão, 1552; Doctrina christiana por modo de dialogo, Milão, 1554; Léonard de Marinis, Catechismus pro cura animarum civitatis atque dioecesis Mantuanae, Mântua, 1555.
6° No México. — Pedro de Córdoba, O. P., compôs com vários dos seus confrades um catecismo para a instrução dos índios, México, 1544. Seguiu o método histórico porque ajuda a reter os mistérios da fé. J.-C. Brunet, Manuel du libraire, t. IV, col. 463-464. Afonso de Molina mandou imprimir um Catecismo major y minor, México, 1546, que teve numerosas edições de 1578 a 1601. Outras doutrinas cristãs foram publicadas no México em diferentes dialetos por Bento Fernandes, 1550, por Marroquin, 1556, e por Pedro de Feria, 1567. Ibid., t. II, col. 1223, 1225; t. III, col. 1469 sq. O Manuale curatorum, traduzido para o castelhano, tinha sido também impresso no México em 1544. Ibid., t. II, col. 1558.
II. O CATECISMO ROMANO. — Este catecismo deve a sua origem ao Concílio de Trento. Desde 13 de abril de 1546, submeteu-se à assembleia nas congregações particulares um projeto de decreto que continha esta decisão: Pro pueris autem et adultis indoctis erudiendis, quibus lacte opus est, non solido cibo, statuit s. synodus, a viris doctis lingua latina et vulgari edi catechismum ex ipsa sacra Scriptura a Patribus orthodoxis exceptum, ut illius pedagogia instituti a magistris suis, et memores sint christianae professionis quam fecerunt in baptismo, et praeparentur ad studia sacrarum litterarum. O bispo ou o pároco deviam examinar uma vez por mês tanto os mestres quanto os alunos. A. Theiner, Acta genuina ss. oecumenici concilii Tridentini, Agram, 1874, t. 1, p. 91.
A maioria aprovou a moção do catecismo, p. 92. Na congregação geral de 15 de abril, alguns membros, entre outros, o cardeal de Jaen, fizeram algumas observações a respeito do conteúdo deste catecismo e do exame dos escolares, p. 93, 94. Naquela de 16, o sumário dos pareceres emitidos sobre o catecismo reduz-se a isto: De catechismo.
Quod fiat, et ea tantum quae ad fidei fundamenta spectant, in eo ponantur, fiatque a synodo. Aliqui tamen cupiunt non fieri mentionem antequam edatur. Ibid., p. 97.
Não se falou mais do catecismo no segundo projeto sobre a pregação, apresentado em 7 de maio, discutido nas reuniões seguintes e publicado na 5ª sessão. Os Padres do concílio, todavia, não perderam de vista o grave assunto submetido às suas deliberações. Mais tarde, em 1563, no Decretum de reformatione, c. VII, a propósito da pregação a ser feita sobre os efeitos dos sacramentos, ordenaram aos párocos que os explicassem aos fiéis em língua vulgar juxta formam a sancta synodo in catechesi singulis sacramentis praescribendam. Pensavam, portanto, fornecer aos párocos uma catequese na qual os efeitos de cada sacramento seriam expostos. Uma comissão tinha sido nomeada para este efeito, mas não teve tempo de redigir este catecismo.
Havia pressa em encerrar o concílio. Os decretos publicados na 25ª sessão, em 4 de dezembro de 1563, não foram examinados nas congregações nem discutidos. Os Padres, por unanimidade, salvo um voto, aprovaram-nos em bloco. A. Theiner, t. 1, p. 506.
Antes de se dissolver, o concílio confiou ao Papa o cuidado de terminar e de publicar o catecismo cuja redação tinha sido remetida a alguns dos seus membros. Sess. XXV, De indice librorum et catechismo, breviario et missali. Os trabalhos começados pela comissão foram continuados sob a direção de São Carlos Borromeu e duraram vários anos. A comissão dividiu primeiro o assunto em artigos, cuja redação foi confiada a teólogos escolhidos. Conhece-se o nome de vários destes redatores. Miguel de Medina, frade menor, foi encarregado do 4º artigo do símbolo; o cardeal Siripandi, do: Et in unam sanctam Ecclesiam; Galésinus explicou os mandamentos de Deus; Muzio Calini, arcebispo de Zara, ocupou-se do símbolo e dos sacramentos; J. Castiglione teve também parte na explicação do símbolo. Cada um deles devia expressar a doutrina da Igreja universal e ter especialmente em conta os decretos do Concílio de Trento.
Após o encerramento do concílio, os trabalhos foram prosseguidos até 1566. Três dominicanos, Francisco Fureiro, Leonardo Marino, arcebispo de Lanciano, e Gil Foscarini, bispo de Módena, com Muzio Calini foram nomeados por Pio IV. Os irmãos pregadores tiveram o cuidado de fazer abstração das opiniões predominantes na sua ordem. O primeiro trabalho foi submetido a São Carlos Borromeu, e a revisão definitiva confiada ao cardeal Sirlet. São Pio V mandou colocar em bela latinização, por Júlio Poggiani e Paulo Manúcio, a redação feita em italiano. Os dois textos foram impressos paralelamente sob o título: Catechismus ex decreto concilii Tridentini ad parochos Pii V jussu editus, in-fol., Roma, 1566.
Este catecismo não é um livro simbólico ou uma confissão de fé que se imponha a todos os cristãos; é um livro de doutrina, não certamente um abreviado para uso dos fiéis, nem um manual destinado ao ensino da teologia, mas sim uma exposição doutrinal capaz de completar a instrução teológica dos padres e de facilitar-lhes a pregação e o ensino do catecismo. Está dividido em quatro partes, que resumem a doutrina católica e que tratam sucessivamente do símbolo, dos sacramentos, do decálogo e da oração. Foi aprovado por Pio V em 1566 e por Gregório XIII em 1583.
Leão XIII, Carta encíclica ao clero da França, de 8 de setembro de 1899, recomendou aos seminaristas a leitura frequente deste «livro de ouro». «Notável tanto pela riqueza e pela exatidão da doutrina quanto pela elegância do estilo, este catecismo é um precioso resumo de toda a teologia dogmática e moral. Quem o possuísse a fundo teria sempre à sua disposição os recursos com os quais um padre pode pregar com fruto, cumprir dignamente o importante ministério da confissão e da direção das almas, estar em condições de refutar vitoriosamente as objeções dos incrédulos.» Lettres apostoliques ou encycliques, brefs, etc., de S.S. Léon XIII, Paris, t. VI, p. 100-101.
Mais de vinte concílios provinciais ou sínodos diocesanos do século XVI recomendaram-no aos padres de sua circunscrição. A lista completa foi elaborada por A. Réginald, O. P., no Suppl., 1, De catechismo romani auctoritate, de Noël Alexandre, p. 377. Cf. concílios de Milão (1579), part. I, can. 2, Mansi, t. XXXIV, col. 348; de Ruão (1581), n. 13, col. 644; de Reims (1583), De curatis, n. 6, col. 706; de Bordéus (1583), can. 27, col. 781; de Aix (1585), col. 986; de Toulouse (1590), part. I, c. III, n. 2, 6, col. 1277.
As edições do texto latino são inumeráveis. Foi traduzido para várias línguas, inclusive para o árabe. Indiquemos apenas as principais traduções francesas. A primeira, que é anônima, apareceu em Bordéus, in-8°, 1567, 1583, 1598, 1602, 1620, 1633. A segunda, obra de Jean Gillon, foi publicada, in-8°, Paris, 1578. Louis Coulon deu outra, 2 in-8°, Paris, 1670. De Varet de Fontigny, advogado no parlamento, fez uma nova, in-12, Paris, 1673, 1686. A de Honoré Simon apareceu, 3 in-12, Lyon, 1683. As mais recentes são as de Doney, 2ª ed., 2 in-12, Dijon, 1840, de Gagey, 2 in-8°, Dijon, 1851, 1865, etc., e de Hallez, in-12, Paris, 1862. Cf. Janssen, L’Allemagne et la Réforme, trad. franc., Paris, 1895, t. IV, p. 438-439.
G. Eder, conselheiro de Estado, dispôs o catecismo do concílio de Trento em manual escolar para a instrução da juventude; dele fez extratos que dividiu por seções e subseções. A primeira edição de seu trabalho remonta a 1569; tem por título: Partitiones catechismi catholici, Colônia, 1571; a edição de Lyon, 1579, é intitulada: Methodus catechismi catholici, in-16, A. Sauli, geral dos barnabitas e bispo de Aléria (Córsega), fez um resumo do catecismo romano: Dottrina del catechismo romano ridotta a modo più simplice e facile per uso del clero, in-8°, Pavia, 1581; in-4°, Pavia e Milão, 1699.
II. CATECISMOS POSTERIORES AO CATECISMO ROMANO. — O primeiro livro irlandês que foi impresso é um Alphabetum et catechismus, in-8°, Dublin, 1554. No sínodo de 1571, o bispo de Besançon decidia que as fórmulas que todo cristão é obrigado a saber seriam recitadas no sermão de domingo. Para fazer cessar a ignorância religiosa, então universal, deviam-se ensinar os elementos da doutrina cristã. Nas paróquias rurais que não tinham escola, os párocos eram obrigados a reunir na igreja, num dia não feriado, as crianças de 8 a 9 anos para fazê-las recitar as fórmulas necessárias latine et gallice.
Onde existiam escolas, os pais deviam enviar seus filhos para que aprendessem os rudimentos da fé, e censuras atingiriam aqueles que não cumprissem este dever, n. 16-18. Concilia Germaniæ, t. VII, p. 189-190.
O bispo de Rennes publicou: Catéchisme ou instruction sur les principaux points de la religion chrétienne, catholique, apostolique et romaine, avec Instruction pour les curez de Gerson, Paris, 1582. O pequeno catecismo de Canisius foi traduzido para o bretão por Saisy de Keremphay em 1575. O jesuíta Brilmacher deu um Catechismus, Colônia, 1589. André Croquet, beneditino, extraiu suas Catecheses christianæ, in-4°, Lyon, 1593, das homilias catequéticas de Matth. Galenus. Uma Explication des commandements de Dieu aparecia em Paris, 2 in-12, 1594. O ritual de Sens, impresso no final do século XVI, continha o Opus tripartitum de Gerson para ser ensinado na diocese.
O concílio de Lima, realizado em 1582, aprova uma fórmula de catecismo, cuja impressão foi autorizada por Filipe II: Doctrina christiana ó cartilla, catechismo breve, catechismo major, etc., La Reyes, 1585, composta e traduzida nas línguas quíchua e aimará; 2ª ed., Lima, 1606; reeditada em 1773. D’Aguirre, Collectio maxima conc. Hispaniæ, t. IV, p. 234. Uma tradução em chileno foi impressa pelos cuidados do P. Louis de Valdivia, S. J., Lima, 1606. Outro catecismo em forma de sermões apareceu, La Reyes, 1585.
O concílio do México (1585), sem excluir o catecismo romano, decidiu fazer redigir um formulário curto e fácil, do qual uma cópia deveria ser tomada pelos párocos, tanto seculares quanto regulares, de toda a província; conteria a oração dominical, a saudação angélica, o símbolo dos apóstolos, a Salve regina, os doze artigos da fé, os dez mandamentos de Deus, os cinco da Igreja, os sete sacramentos e os sete pecados capitais. Uma tradução deveria ser feita para os índios em cada diocese. O texto deveria ser explicado nos domingos do advento e desde o domingo da septuagésima até o da paixão, inclusive. Os mestres-escola eram obrigados a fazer recitar todos os dias as fórmulas comuns. Exigia-se dos pagãos adultos, antes de administrar-lhes o batismo, o conhecimento do Pater, do Credo e do decálogo em sua língua. Os futuros esposos deveriam saber, antes do matrimônio, o catecismo inteiro. L. I, tit. 1, Mansi, t. XXXIV, col. 1024; d’Aguirre, op. cit., t. IV, p. 296-298.
Um catecismo espanhol: Cartilla para monstrar a leer y las cosas que conviene saber a qualquier christiano, s. d. n. 1., contém primeiro fórmulas de orações, depois os catorze artigos da fé, os dez mandamentos de Deus, os cinco da Igreja, os sete sacramentos, a distinção do pecado venial e do pecado mortal com a maneira de obter deles o perdão, os sete pecados capitais, as sete virtudes opostas, os inimigos da alma e as obras de misericórdia, enfim outras fórmulas de orações. Hézard, Hist. du catéchisme, p. 183-186.
J.-B. Romano, S. J., fez-se editor de um catecismo ilustrado: Doctrina christiana, nella quale si contengono li principali misteri della nostra fede rappresentati con figure per istruttione degl’idioti o di quelli che non sanno legere, Roma, 1587. A matéria é idêntica à da Cartilla espanhola, anteriormente indicada; as explicações são muito curtas. Outro catecismo ilustrado mais completo apareceu com as explicações de Canisius: Institutiones christiane, seu parvus catechismus catholicorum, precipua christianae pietatis capita complectens, etc., Antuérpia, 1589. As gravuras são da composição de Pierre Van der Boch; elas põem os mistérios em relação com os fatos bíblicos. Hézard, op. cit., p. 249-252.
L. Carbone deu uma Introductio ad catechismum sive doctrinam christianam, in-8°, Veneza, 1596. Ver col. 1712. Os catecismos de Belarmino, 1597, 1598, são célebres. Ver col. 584-585. Eles foram traduzidos para várias línguas, por exemplo, trad. francesa por R. Crampon, publicada por ordem do bispo de Avranches, 2ª ed., Ruão, 1601; aprovada por Richelieu, in-12, Toul, 1618; por Pacot, S.J., in-8°, Ruão, 1631, 1639, 1657; pelo abade Blanc, in-12, Lyon, Paris, 1889; por Guillois, sob o título: Théologie du jeune chrétien, in-12, Paris, 1852; trad. espanhola, por L. de Vera, in-8°, Barcelona, 1634; trad. árabe por J. Hessonite, in-8°, Roma, 1627; trad. siríaca do resumo, por J. Benjamin, in-8°, 1633. O pequeno é seguido ainda hoje nos países de missão: trad. grega, in-12, Turim, 1832; árabe, 2ª ed., in-12, Roma, 1844; caldeia, Roma, 1841; polonesa, 1855. Krawutzcky, Bellarmins kleiner Katechismus, Breslau, 1872, reeditou a versão alemã e a ela juntou um comentário. Impressou-se em Veneza, 1597, a Institutio christiana de J. Damhoudov.
Na Alemanha, os bispos continuaram a recomendar o ensino do catecismo e a regular a maneira pela qual deveria ser feito. O sínodo diocesano de Augsburgo (1567) ordena recitar em alemão, ao fim da pregação dominical, as fórmulas que todo fiel deve saber de cor. Para o catecismo maior, ele indica os manuais publicados na Alemanha e especialmente o dos concílios de Mogúncia e de Colônia. As fórmulas habituais deviam ser recitadas em latim e em alemão. Part. I, c. ix, Concilia Germaniae, Colônia, 1767, t. vii, p. 159-162. Cada paróquia devia possuir um exemplar do catecismo romano. Part. IV, c. 1, ibid., p. 206.
O sínodo de Vármia (Ermeland) de 1575 ordena explicar o pequeno catecismo de Canísio na missa uma vez por ano, seja durante a quaresma, seja em outra época conveniente. As catequeses, que tinham sido distribuídas em todas as paróquias, deviam ser lidas em dias fixos na língua vulgar, 31, ibid., p. 799. No sínodo de Breslau (1589), o bispo ordenava aos párocos ler e meditar o catecismo para explicá-lo no domingo, de modo a percorrê-lo por inteiro no ano. Ibid., p. 393. O sínodo de Vármia de 1582 impunha aos párocos pregar todos os anos a doutrina dos sacramentos segundo o catecismo diocesano ou outro catecismo católico. N. 3, ibid., p. 209. O sínodo de Olomouc, em 1591, recomendava explicar o catecismo romano nos sermões. As crianças deviam aprender de cor em boêmio ou em alemão o pequeno catecismo de Canísio, cujo preço não é elevado. Dever-se-ia recitá-lo na língua vulgar nas escolas. Durante a quaresma, era preciso explicá-lo aos adultos. C. vii, ibid., t. vii, p. 343. Dois novos catecismos apareceram então; eles foram reproduzidos por Moufang, Katholische Katechismen: os de J. Lorichius, 1582, e de G. Matthai, Catholische Catechismus, Mogúncia, 1597.
Gilles Dominique Topiarius deu um em flamengo, cujo título é em latim: Catechismus formandae in orthodoxa fide juventutis, una cum precibus vitae christianae, vel de rudimentis et mysteriis catholicae fidei, Antuérpia, 1576.
IV. CATECISMOS DAS PEQUENAS ESCOLAS E DAS CONFRARIAS DA DOUTRINA CRISTÃ. — Não é somente na igreja, é ainda na escola que os católicos rivalizaram com os protestantes pelo ensino religioso.
1° Na Alemanha. — O concílio de Colônia (1536) ocupou-se das escolas e da instrução das crianças. Ele estima que é preciso começar a reforma tanto pelos chefes, os padres, quanto pelas crianças. Ele regula a escolha dos mestres e reserva aos bispos o cuidado de vigiar o ensino religioso. Part. XII, Mansi, t. xxx, col. 1287. O sínodo de Augsburgo, realizado em Dillingen em 1548, proíbe a frequência das escolas protestantes, estabelece escolas católicas e ordena aos mestres que ali ensinem os primeiros princípios da vida cristã. Can. 26, ibid., col. 1320. O concílio de Tréveris (1549) ocupa-se das escolas secundárias, constata sua importância e estabelece regras para a escolha dos mestres. Can. 15, ibid., col. 1454-1455.
2° Na Itália. — Em 1536, um cardador de lãs, Francisco Villanova, reuniu na igreja de Santo André crianças de Milão para lhes ensinar a doutrina cristã; ele falava-lhes familiarmente das verdades necessárias a saber para a salvação. Ele participou de seu ensaio a Castellino di Castello, padre da diocese de Como. Este entrou plenamente nas visões de seu instigador. Ele publicou um pequeno catecismo no qual, sob forma de diálogo entre o mestre e seu discípulo, buscava tornar o ensino da religião mais claro e mais preciso. Ele pediu o concurso dos padres de Santa Corona e fundou com eles a Compagnia della riformazione christiana in carita. São Carlos, tornado arcebispo de Milão, deveria favorecer e desenvolver essa obra de instrução religiosa.
Contudo, um milanês, ainda leigo e sem letras, começava em Roma, em 1560, a organização da confraria da doutrina cristã. César Barônio foi um de seus primeiros colaboradores. A confraria foi aprovada por São Pio V, em 6 de outubro de 1571. Tornado padre, Marco de Sadis Cusani estabeleceu a congregação dos clérigos seculares da doutrina cristã, ou doutrinários italianos, que se fixaram em Santa Ágata de Roma e se consagraram à manutenção das escolas elementares. Eles foram mais tarde unidos aos doutrinários franceses. A confraria da doutrina cristã, enriquecida de indulgências, adotou por ordem de Clemente VIII o pequeno catecismo de Belarmino e foi erigida por Paulo V, em 1607, em arquiconfraria, tendo sua sede em São Pedro de Roma. Desde então, seus membros sempre se ocuparam e se ocupam ainda hoje dos catecismos das crianças.
O padre Jacques Ledesma, jesuíta espanhol, publicava em Roma, em italiano, em 1571, um catecismo semelhante ao do cônego Castellino. Ele publicou também, em 1573, em italiano, um método de catecismo. Uma tradução francesa apareceu sob este título: La vraie manière d’enseigner la doctrine chrétienne, Paris, 1624, ou: Instruction pour bien faire le catéchisme et enseigner la doctrine chrétienne, avec un Petit catéchisme ou sommaire de la doctrine chrétienne, Pont-à-Mousson, 1626. Versões, grega e espanhola, estavam reunidas no mesmo volume, Paris, 1657. O P. de Brébeuf traduziu para o canadense o catecismo de Ledesma.
São Carlos aperfeiçoou e desenvolveu a Companhia da doutrina cristã. As regras que ele lhe deu estão nos Acta Ecclesiae Mediolanensis, 2ª ed., Lyon, 1683, t. III, p. 741-842. Aos seus oblatos, ele juntou ursulinas, cuja uma das principais ocupações era o ensino da doutrina cristã às jovens em suas escolas. Ibid., p. 833. Ele instituiu no oratório do Sepulcro uma confraria especial de mulheres que, nos dias de festas, iam às escolas dar catequese às meninas. Ibid., p. 838. Ele tinha, com efeito, multiplicado as escolas em Milão e ordenara aos mestres que explicassem, se fossem capazes, o catecismo romano ou o de Canisius. Ibid., p. 692, 694.
Mas ele estendeu sua ação por toda a província eclesiástica de sua metrópole. No I Concílio provincial de Milão que ele realizou em 1565, recomendou aos seus sufragâneos que zelassem pela escolha dos mestres-escolas e impusessem aos párocos o ensino do catecismo, a cada domingo. Acta, t. 1, p. 3. No II, reunido em 1569, encorajou a ereção de confrarias da doutrina cristã para ajudar os párocos, e comprometeu-se a fazer um libellus para o uso dos confrades. Tit. 11, dec. 1, 11, Acta, t. 1, p. 52. Em 1573, insistiu nas escolas e nas confrarias da doutrina cristã. Part. I, ibid., p. 71. Em 1576, decidiu que era necessário estabelecer escolas nas aldeias. Part. I, De doctrina christiana, ibid., p. 107; Mansi, t. xxxiv, col. 215. No V Concílio provincial, o de 1579, decidiu que todo cristão deveria saber o Pater, o Ave, o Credo e o decálogo, e impôs aos confessores a obrigação de interrogar seus penitentes sobre estas fórmulas. Os párocos deveriam explicá-las seguindo o catecismo romano, e os mestres-escolas eram obrigados a juntar o libellus da doutrina cristã a todos os livros de gramática que entregassem nas mãos de seus alunos. Acta, t. 1, p. 171; Mansi, t. xxxiv, col. 348. No sínodo diocesano de 1584, São Carlos retornou ainda sobre o estabelecimento e a vigilância das escolas. Acta, t. 1, p. 320. Cf. Ch. Sylvain, Histoire de saint Charles Borromée, Lille, 1884, t. II, p. 98-111.
As mesmas preocupações existiam no resto da Itália. O concílio provincial de Ravena, reunido em 1568, recomendava escolher mestres-escolas de doutrina segura e ordenava aos párocos que dessem, todos os domingos, catequese às crianças. Mansi, t. xxxiv, col. 592, 612. Os bispos imitavam São Carlos e pediam-lhe mestres formados em Milão. O método estabelecido pelo arcebispo de Milão foi traduzido para o francês, in-12, Lyon, 1643, e era ensinado em Marselha em 1662: La doctrine chrétienne selon l’ordre et l’institution de saint Charles Borromée, Marseille, s. d. Cf. J.-B. Castiglione, Storia delle scuole della dottrina cristiana di Milano, ms. de l’Ambrosienne, B. S. VII, S. O Concílio de Salerno (1596) ordenava aos párocos que dessem catequese a cada domingo, recomendava o estabelecimento das confrarias da doutrina cristã e publicava as indulgências concedidas a estas confrarias. C. 11, Mansi, t. xxxv, col. 970, 971.
Já em 1579, o Concílio de Cosenza tinha obrigado os mestres de gramática a ensinar os preceitos de Deus e os artigos da fé, nos dias de festa; eles deveriam ler o catecismo na escola. Ibid., col. 954.
Os barnabitas em seus colégios, os somascos, fundados por São Jerônimo Emiliani para ocupar-se especialmente dos jovens órfãos, os clérigos regulares das Escolas Pias, estabelecidos em 1597 por São José Calasanz, podem ser postos na categoria dos catequistas da juventude. Alexandre Sauli, canonizado em 1904, publicava, no mesmo ano em que foi nomeado geral dos barnabitas, uma Istruzione breve delle cose necessarie alla salute, in-8°, Pavia, 1577; 2ª ed., aumentada, in-4°, Gênova, 1578. O método particular das Escolas Pias é ainda seguido hoje no México e na Espanha: Explicacion de la doctrina cristiana segun el metodo con que la enseñan los Padres de las Escuelas pias, Paris, México, s. d.; Cajétan de Saint-Jean-Baptiste, Catéchisme ou explication de la doctrine chrétienne a l’usage de la congrégation des Ecoles pies d’Espagne, trad. franç., por Pouget, in-18, Montauban, 1837. As religiosas que vivem sob a regra dos piaristas adotaram este método em suas casas de educação. O plano de seu catecismo expõe o que é preciso crer, pedir, fazer e receber. A forma é notável por sua simplicidade e clareza.
3° Na França. — A França participou do entusiasmo geral no século XVI em favor das escolas e da instrução popular. Nos Estados Gerais realizados em Orléans em 1560, o terceiro estado declarou que, nas pequenas comunas, os párocos deveriam tomar a iniciativa da doutrina cristã e começar, "desde os primeiros anos", a explicação familiar do catecismo. A nobreza pediu que o clero arrecadasse, sobre a renda dos benefícios, uma contribuição para estipendiar pedagogos e homens de letras, em todas as cidades e aldeias, para a instrução da juventude na religião cristã, outras ciências necessárias e boas aos costumes. Os pais seriam obrigados, sob pena de multa, a enviar seus filhos a estas escolas. Por sua vez, o rei desejava vivamente "a instituição da juventude", e ordenou aplicar às escolas o excedente das rendas das confrarias. Mas as prebendas preceptorais, que constituíram as escolas primárias, não eram, nos próprios termos da ordenança, tornadas obrigatórias senão nas cidades episcopais. G. Picot, Histoire des Etats généraux, Paris, 1872, t. 1, p. 97-98.
Nos Estados de Blois de 1588, os deputados queriam que, em todos os burgos e mesmo em todas as aldeias, os bispos instituíssem um mestre, preceptor de escola, para instruir a juventude, fosse o pároco ou outro, que fosse capaz, que tivesse sido examinado sobre sua fé e sua doutrina pelo diocesano e que seria estipendiado às expensas dos paroquianos. Estes seriam obrigados a fazer instruir seus filhos na religião e a fazê-los aprender a leitura, a escrita e o catecismo. Ibid., t. ii, p. 160-161.
Os fatos não correspondiam aos desejos do povo. Nos Estados de Paris, em 1614, os cadernos exigiam a execução dos editos, o terceiro estado queria constituir a instrução popular e regularizar sua ação; pedia que o clero não se limitasse a organizar o ensino do catecismo em todas as paróquias; prescrevia aos bispos o estabelecimento, nos grandes burgos e nas pequenas cidades, de escolas cujos mestres fossem católicos e de bons costumes. A ordenança real de 1629 não continha nenhuma decisão a este respeito. Ibid., t. ii, p. 477.
As escolas elementares não deviam ser fundadas na França inteira pelo clero senão no século XVII. Contudo, os bispos não permaneciam estranhos ao movimento favorável à criação das pequenas escolas, e vários sínodos provinciais do final do século XVI ocupavam-se destas escolas e do ensino religioso que nelas se dava. O de Bordeaux (1583) constata que a juventude é a esperança do futuro; impõe aos mestres-escola a profissão de fé de Pio IV e exige que os livros em uso sejam aprovados. Os mestres deviam explicar aos seus alunos, nos dias festivos, alguma parte do catecismo romano ou dos livros católicos. Can. 27, Mansi, t. xxxiv, col. 781.
No mesmo ano, o concílio de Tours ordena que, nas escolas, os alunos estudem, aos domingos e dias festivos, os preceitos divinos, os artigos da fé, os hinos e os salmos. Can. 21, ibid., col. 837. Charles de Lorraine, cardeal de Vaudémont, bispo de Toul, compõe em 1586 um catecismo segundo os dados do concílio de Trento. E. Martin, Histoire des diocéses de Toul, de Nancy et de Saint-Dié, Nancy, 1901, t. ii, p. 41.
O concílio de Aix de 1585 impõe também aos mestres-escola a profissão de fé de Pio IV. Ordena o estabelecimento de confrarias da doutrina cristã, formadas por homens e mulheres, para ensinar às crianças de ambos os sexos, aos domingos e dias festivos, os initia fidei. Nos hospitais, ensinar-se-á o catecismo às crianças doentes. Ibid., col. 939, 941. Este concílio era presidido pelo arcebispo Canigiani, discípulo de São Carlos Borromeu, e as confrarias a estabelecer deviam assemelhar-se às de Milão.
César de Bus, que era a alma deste concílio, tornara-se, após ter lido a vida de São Carlos, um catequista zeloso. Catequizou o povo humilde, primeiro na catedral de Cavaillon (Comtat Venaissin), sua pátria, depois nos vilarejos vizinhos, em seguida em todo o Comtat, no principado de Orange, na Provença e no Languedoc. Devia fundar logo após uma congregação da doutrina cristã.
No concílio provincial de Toulouse (1590), os bispos estatuiam que, nas escolas, o catecismo será feito pelos mestres, a cada domingo; recomendam o estabelecimento das escolas da doutrina cristã e dão aviso de que um catecismo será impresso para o uso dos hospitais. Part. III, 1924 c. mVII, n. 2, 4, 5, ibid., col. 1296-1297.
Contudo, em 29 de setembro de 1592, César de Bus e seu principal discípulo, Jean-Baptiste Romillon, reuniam-se em l’Isle, para estabelecer uma congregação sobre o modelo da de São Carlos, que seria «ordem dos catequistas». No ano seguinte, Tarugi, arcebispo de Avinhão e discípulo de São Filipe Néri, concedia a César a igreja de Santa Praxedes de Avinhão. César instalava-se ali em 29 de setembro e organizava três tipos de catecismos: o pequeno, com cânticos e disputas, para as crianças; o grande, conforme ao catecismo romano e consistindo em instruções dialogadas, curtas e precisas, para as pessoas grandes, e um terceiro mais elevado, que consistia em sermões populares.
César tinha dado a ideia e o método deste terceiro catecismo, mas deixava-o para os seus discípulos e entregava-se ele mesmo sobretudo ao pequeno e ao grande catecismo onde ele se destacava. O concílio de Avinhão (1594) encarrega os pais, as confrarias da doutrina cristã (estabelecidas por César de Bus) e os mestres-escola de ensinar às crianças os elementos da fé; deseja que uma fórmula de catecismo seja redigida em francês para o uso da província eclesiástica. Can. 8, ibid., col. 1385.
Clemente VIII confirmou, em 27 de junho de 1598, o Instituto dos doutrinários franceses, que contava então apenas doze membros. César foi nomeado superior. Quando, em 1600, quis impor os votos de religião aos seus confrades, o cônego Romillon separou-se dele e tornou-se oratoriano. Em 1604, César ocupou-se em fundar uma casa em Toulouse. Ajudou Romillon a estabelecer na França as ursulinas para a instrução das jovens. Morreu em 15 de abril de 1607. P. Dumas, La vie du vénérable César de Bus, fondateur de la congrégation de la doctrine chrétienne, in-4°, Paris, 1703.
Romillon adicionou aos estatutos de Aix uma pequena instrução sobre os sacramentos, etc., e compôs um pequeno catecismo para servir de modelo aos párocos sobre esta maneira de fazer o sermão. L. Batterel, Mémoires domestiques pour servir à l’histoire de l’Oratoire, édit. Ingold, Paris, 1902, p. 27-28. Os doutrinários franceses foram unidos em 1616 aos somascos. Os trabalhos e o método catequético de César de Bus não caíram no esquecimento. Suas Instructions familières sur les quatre parties du catéchisme romain apareceram, in-12, Paris, 1666, 1676, 1678, 1685. A segunda parte forma por si só 2 in-12. Uma nova edição, anotada pelo abade Bonhomme, forma 4 in-12, Paris, 1867. Seu método foi seguido em sua congregação e nas casas de ursulinas que dela dependiam. Uma tradução italiana, intitulada: Doctrina cristiana secondo il methodo et la pratica de PP. doctrinari della congregazione della doctrina cristiana d’Avignone, in-12, Viterbe, 1719, contém orações, um resumo da doutrina cristã, a explicação do símbolo, da oração dominical, dos mandamentos de Deus e dos sacramentos; ela termina com regras de pedagogia.
49 Nos Países Baixos. — Quando, em 1585, a sé episcopal de Cambrai foi transferida para Mons, François Buisseret, deão e cônego da igreja metropolitana, seguiu para esta cidade o seu arcebispo, Louis de Berlaymont. Instituiu ali uma escola dominical para dar aos fiéis a instrução religiosa que lhes faltava. Atribui-se-lhe geralmente uma Déclaration de la doctrine chrétienne em três partes, contendo os primeiros fundamentos da fé católica, os deveres de um bom cristão, a explicação mais ampla das coisas necessárias ao cristão. Ele a aprovou, pelo menos, e a «achou muito própria para a instrução da juventude». Tinha sido «feita a pedido dos superintendentes da escola dominical de Mons em Hainaut» e foi impressa nesta cidade em 1587, por suas expensas. Reedições foram feitas pelo autor com algumas adições, em 1601 e 1613.
Ao mesmo tempo em que continuava a ser utilizada nas escolas dominicais e nas escolas semanais de Mons e de Cambrai, foi adotada para as igrejas. Já no sínodo diocesano de 1604, o arcebispo de Cambrai, Guillaume de Berghes, obrigava os párocos a tê-la e a fazê-la recitar a cada dia, seguindo a ordem das festas. Seu sucessor, François van der Burgh, mandou reeditá-la em 1615. Outra edição apareceu em 1652 por ordem do arcebispo Gaspar Nemius. As reimpressões multiplicaram-se, mesmo fora dos Países Baixos; assim em Paris, 1628, e em Beauvais, 1632. Uma edição, aumentada por D. P., apareceu, in-24, Paris, 1654.
Aquelas que serviam nas escolas continham um alfabeto, um silabário e as fórmulas latinas e francesas das orações da manhã e da noite. Estas peças eram suprimidas dos exemplares para o uso dos catecismos feitos nas igrejas. O título variava, conservava-se o título primitivo, ou então substituía-se pelo seguinte: Catéchisme ou sommaire de la doctrine chrétienne em três partes. No título da edição de 1692, o arcebispo de Cambrai deseja que, doravante, este catecismo seja ensinado em sua diocese. Os sufragâneos também o adotaram para suas igrejas. Em 1726, o Monsenhor de Saint-Albin mandou revisá-lo "pela clareza da linguagem e a exatidão das expressões", e ordenou que fosse empregado com a exclusão de qualquer outro. Uma versão flamenga, feita em 1626, foi retocada a partir desta revisão de 1726. Como os impressores haviam acrescentado novas fórmulas de atos, o mesmo prelado fez uma edição em 1753, à qual todas as seguintes deveriam ser conformes. Um ensaio de revisão, iniciado em 1764, não foi concluído. Este catecismo foi empregado em Cambrai até a Revolução; foi retomado na Bélgica em 1801 e em 1814. Em 1843, o Monsenhor Labis mandou revisar a edição de 1753, e esta revisão ainda hoje está em uso na diocese de Tournai. Cf. Monsenhor Hautcœur, na Semaine religieuse de Cambrai, n. de 17 de agosto de 1889; Hézard, op. cit., p. 190-192, 324-325; Ms F. Hachez, Le catéchisme de 1585 de F. de Buisseret encore en usage de nos jours, no Bulletin de l’Académie royale d’archéologie de Belgique, Antuérpia, 1904, p. 99-105.
V. NO SÉCULO XVII. — I. NA FRANÇA. — As informações abundam sobre o ensino do catecismo na França durante este século. Os bispos deste país multiplicam os manuais para o uso de seus diocesanos. Eles os redigem eles mesmos ou os mandam redigir especialmente para este fim, ou então adotam obras usadas nas escolas. Os catecismos privados somam-se aos catecismos diocesanos.
1º Primeiros catecismos diocesanos. — Uns eram para os párocos, outros para os fiéis. Imediatamente após sua sagração (1602), o bispo de Genebra, São Francisco de Sales, organizava o catecismo ou a doutrina cristã na igreja de Nossa Senhora de Annecy, e ele mesmo se comprazia em catequizar as crianças com sua graça habitual. Explicava-se alguma parte do catecismo de Bellarmino. É, aliás, este catecismo que ele ordenou aos seus padres que ensinassem; ele lhes endereçou também um método para bem cumprir este exercício. Ch.-Aug. de Sales, Histoire du B. François de Sales, l. V, 5ª ed., Paris, 1870, t. 1, p. 342-343, 370-372; cf. Monsenhor Dupanloup, Méthode générale de catéchisme, 9ª ed., Paris, 1862, t. 1, p. 391-397. Ele estabeleceu também em sua diocese uma confraria da doutrina cristã.
Em 1602, o cardeal de Joyeuse, arcebispo de Toulouse, fazia imprimir para os párocos de sua diocese um Manuel ou guide brefve et facile des curés et vicaires contenant le formulaire de divers prônes... avec l’instruction des curés par Jean Gerson, ... plus instruction pour les confesseurs, Bordeaux, 1602. A Instruction des curés, impressa em 1601, é a tradução francesa do Opus tripartitum de Gerson. Hézard, p. 449-451.
O mesmo cardeal, tendo se tornado arcebispo de Rouen, publicava em 1607 uma Instruction... pour les curés de son diocèse, in-8º, Gaillon, 1607. Ibid., p. 433.
O concílio provincial que se realizou em Narbona, em 1609, ordena aos párocos que façam recitar as fórmulas ordinárias das orações e do catecismo na missa de domingo. Constata com satisfação que as escolas da doutrina cristã para a juventude estão estabelecidas na cidade e na diocese de Narbona há vários anos e ali produzem frutos. Ordena que, na noite de domingo, os pais e as crianças sejam reunidos ao som do sino e sejam interrogados sobre os rudimentos da fé seguindo a forma do catecismo. Por sua vez, os mestres-escola devem dar uma vez por semana a instrução religiosa aos seus alunos. Mansi, t. xxxiv, col. 1481.
Um irmão converso barnabita, Louis Bitost, que, desde 1608, foi um catequista zeloso na diocese de Oléron, traduziu do francês para o bearnês um catecismo cujo título é em latim: Catechismus pro dioecesi Lascurensi.
Em 1618, Richelieu, bispo de Luçon, escrevia uma Instruction du chrétien, que teve mais de trinta edições, Poitiers, 1621; Paris, 1626; Rouen, 1635; Paris, 1636, 1642, 1679. Ela compreende duas partes: uma, para o povo, contém 28 lições, destinadas a serem lidas do púlpito; a outra, para os párocos, encontra-se nas notas marginais. Monsenhor Perraud, Le cardinal de Richelieu, évêque, théologien et protecteur des lettres, Paris, 1882, p. 27; G. Hanotaux, Histoire du cardinal de Richelieu, 3ª ed., Paris, 1899, t. 1, p. 104, 108-110; L. Lacroix, Richelieu à Luçon, 2ª ed., Paris, 1898, p. 310-315. Este catecismo, muito claro e totalmente usual, explicando o Credo, os mandamentos, o Pater e Ave, foi traduzido para o basco, por Simon Pouvreau, in-8º, Paris, 1656. Hézard, p. 369-370, 485.
No mesmo ano de 1618, o Catéchisme et ample déclaration de la doctrine chrétienne, in-12, Toul, não era senão a tradução do pequeno catecismo de Bellarmino.
O cardeal Louis de Lorraine, arcebispo de Reims, mandou preparar "para os pequenos" um Sommaire de la doctrine chrétienne, in-24, Reims, 1621, que "contém o que os grandes e os pequenos devem saber, fazer e rezar". Hézard, p. 425.
No mesmo ano, apareceu em Bordeaux um Catéchisme et sommaire de la religion chrétienne selon les décrets du concile de Trente, e em Langres (senão antes) o Catéchisme de Sébastien Zamet. Marcel, Les livres liturgiques imprimés du diocèse de Langres, Paris, 1892, p. 175, nota 2.
Um catecismo está contido no Rituale de Soissons, Reims, 1622. A Doctrine chrétienne do P. Ledesma foi impressa em Sens, 1625, por ordem do vigário-geral Antoine-Charles de Ris; reimpressa em Tours, 1720; ela havia sido traduzida para o bretão em 1622.
Em 1629, aparecia em Rennes um Catéchisme ou abrégé de la foi et des vérités chrétiennes, do qual uma nova edição foi feita sob o pontificado de M. de Lavardin, 1678-1711.
Uma explicação francesa do Credo, do Pater, dos mandamentos e dos sacramentos estava compreendida no Sacerdotale seu manuale Ecclesiae Rothomagensis, in-4º, Rouen, 1640.
A primeira parte do Catéchisme de Comminges era impressa em francês e em gascão, Toulouse, 1640. A doctrine chrétienne mise en vers pour être chantée sur divers airs, in-12, Toulouse, 1641, estava redigida no patoá de Toulouse.
Em 1645, o bispo de Boulogne publicava um Catéchisme dogmatique, e separadamente um Catéchisme des fêtes. Louis Abelly, bispo de Rodez, publicava sua Institution chrétienne, in-32, Paris, 1645; in-18, 1682; e Alain de Solminhiac uma obra do mesmo título para sua diocese de Cahors, Tulle, 1647.
Isaac Habert, bispo de Vabres, editava um Catéchisme abrégé de la doctrine et instruction chrétienne du saint concile de Trente, traduit en langue vulgaire, in-12, Toulouse, 1648.
Um formulário de diversas instruções paroquiais, das quais os párocos podiam se servir para catequizar suas ovelhas, encontrava-se no Parochiale sive sacerdotale (quod manuale vocant) Ecclesie Rothomagensis, Rouen, 1651.
M. de Ligny, bispo de Meaux, mandou preparar para a instrução da juventude o Catecismo da diocese, 1652.
O Padre Maunoir, S. J., publicou, por ordem de Monsenhor de Cornouaille, em armórico: Le sacré college de Jésus, divisé en cinq classes, Quimper-Corentin, 1659. Hézard, p. 485.
2° Os catecismos das missões, das escolas e das paróquias. — A primeira metade do século XVII viu desabrochar na França uma rica floração de obras de reforma religiosa. Todos os chefes desse grande movimento de renovação foram pessoalmente catequistas e desenvolveram ao seu redor o ensino do catecismo e da instrução religiosa.
Um homem de grande iniciativa, Adrien Bourdoise, na véspera do seu subdiaconato, em 1612, formou uma comunidade de eclesiásticos, que ofereceu seus serviços ao Sr. Froget, cura de Saint-Nicolas du Chardonnet em Paris. O objetivo da instituição era ocupar-se da formação dos eclesiásticos e praticar na paróquia todos os atos do ministério. Os padres da comunidade dedicaram-se com um zelo especial aos catecismos paroquiais e à preparação das crianças para a primeira comunhão.
Quando Bourdoise constatou que os resultados dos catecismos eram pouco notáveis, abriu em 1622 uma escola, esperando fazer penetrar a religião nas famílias através das crianças. Os padres da comunidade deviam aplicar-se particularmente à instrução dos jovens rapazes nas pequenas escolas, que Bourdoise chamava de «os seminários dos cristãos». Ele confiou várias escolas de meninas às Filhas de Santa Genoveva, fundadas por Me du Blosset e Mme de Miramion. La vie de M. Bourdoise premier prestre de la communauté de Saint-Nicolas du Chardonnet, in-4°, Paris, 1714. Ele fundou escolas fora de Paris, e seu exemplo foi imitado em várias cidades, nomeadamente em Orléans e em Beauvais.
Ele tinha composto ele mesmo um catecismo, Les rudiments de la foi en faveur des simples fidéles, que não foi impresso. Seu método era claro, fácil, agradável e insinuante. Ele empregava as imagens para melhor gravar na memória as lições do catecismo. Os regulamentos que ele redigira para os catecismos da paróquia foram publicados após sua morte: Réglements et matiéres des catéchismes qui se font en la paroisse de Saint-Nicolas du Chardonnet, Paris, 1665, 1668. Esses catecismos ocorriam aos domingos após as vésperas; as crianças neles eram repartidas em cinco classes; a ordem das matérias e o método seguido diferiam para cada uma dessas classes.
Durante mais de 40 anos, este método não foi ensinado senão de viva voz. Desde 1622, imprimiram-se folhas volantes, de 4 ou 8 páginas, em papel de má qualidade. Essas instruções tratam de assuntos variados e nem todas são destinadas às crianças; algumas dirigem-se a categorias especiais de pessoas, por exemplo, às mulheres grávidas e aos «padres descolados», que retiravam seu colarinho para celebrar a santa missa. A forma ela mesma varia; ora são exposições seguidas, ora procedem por perguntas e por respostas; neste caso, são verdadeiras lições destacadas de um catecismo. Um padre do seminário Saint-Nicolas reuniu 41 sob o título: Recueil des abrégés contenant plusieurs instructions chrétiennes nécessaires a toute sorte de personnes, Paris, s. d. Mas elas estão ainda neste recuado no estado isolado, com seu título especial e sua paginação própria, tais como tinham sido primeiro distribuídas separadamente.
Outras publicações catequéticas foram feitas pelos padres do seminário Saint-Nicolas du Chardonnet: Catéchisme contenant l’ordre des matiéres qui s’enseignent dans les cinq classes différentes qui se font a Saint-Nicolas du Chardonnet (avec les fétes), in-32, Paris, 1657, 1664; Diverses instructions dressées en forme de catéchisme, in-12, Paris, 1659; Nouveau recueil d’abrégés contenant diverses matiéres pour faire prénes, catéchismes et instructions populaires, etc., in-12, Paris, 1669, 1686; Catéchisme servant de disposition pour faire avec fruit la premiere communion, divisé en trois parties, in-32, Paris, 1681; Catéchisme contenant les quatre parties de la doctrine chrétienne avec quelques instructions pour les principales fétes de l’année, in-32, Paris, 1687.
Um membro da comunidade, Simon Cerné, originário de Séez, publicou sob o véu do anonimato, em 1662, uma coletânea contendo a maior parte das antigas instruções, dispostas em uma ordem melhor, e mais de cinquenta novas instruções. Seu Pédagogue des familles chrétiennes, reeditado em 1671, e pela 5ª vez em 1684 (o privilégio desta edição revela o nome do autor), é dividido em quatro partes: 1° o que um cristão deve crer e saber; 2° os sacramentos; 3° as práticas cristãs; 4° os pecados, os abusos e os desregramentos a evitar. O autor afirma no prefácio que essa maneira de escrever resumos de instrução e de instruir assim as crianças e as pessoas idosas estava em uso há 40 anos e tinha produzido grandes bênçãos.
A influência de Bourdoise fez-se sentir além da paróquia Saint-Nicolas du Chardonnet. Em todas as missões que ele pregava, ele fazia o catecismo. Os eclesiásticos, que vinham se formar em seu seminário, eram aplicados aos catecismos. Nos começos, ele os dispersava no domingo nas aldeias vizinhas de Paris a fim de exercê-los neste ministério; mais tarde, ele os empregou na paróquia, e os enviava de volta para suas dioceses, cheios de zelo e habituados ao método de Saint-Nicolas, que propagaram por toda a França. Vários bispos recomendaram este método ou inspiraram-se largamente no catecismo de Bourdoise na redação de seus catecismos diocesanos, e o Catéchisme servant de disposition pour faire avec fruit la première communion, seguido dos catecismos das festas, ao uso das escolas, era ainda reimpresso, Paris, 1712; Amiens, 1789. As cerimônias das primeiras comunhões solenes, tais como são feitas na França, foram tomadas emprestadas da paróquia Saint-Nicolas du Chardonnet. La vie du vénérable serviteur de Dieu, messire Adrien Bourdoise, etc. (ms. 2452 de la bibliothèque Mazarine), l. IV, c. viii, p. 971-989; Hézard, Hist. du catéchisme, p. 204-205, 256, 257, 409; Id., Histoire du catéchisme français, dans la Revue du clergé français, 1903, t. XXXIII, p. 496-498.
São Vicente de Paulo trabalhou na expansão do catecismo como fundador dos padres da Missão, das damas e das filhas da caridade. O objetivo principal deste missionário zeloso no estabelecimento da «pobre pequena e frágil companhia» foi fundar, em 1624, uma reunião de missionários que se consagrariam à instrução, tão negligenciada então, do povo pobre no campo. Em suas missões, os padres de Vicente de Paulo deviam fazer cada dia dois catecismos. À uma hora da tarde ocorria o pequeno catecismo para as crianças. Os missionários permaneciam no meio de seus ouvintes e explicavam-lhes de maneira muito familiar os mistérios e os mandamentos. À noite, do alto do púlpito, expunham as mesmas matérias, bem como os sacramentos, o símbolo, a oração dominical e a saudação angélica, breve e familiarmente, segundo a capacidade dos camponeses. Interrogavam então as crianças durante um quarto de hora. Era o grande catecismo. Ao final da missão, as crianças bem preparadas faziam solenemente sua primeira comunhão. Louis Abelly, Vie de S. Vincent de Paul, l. IV, c. 1, Lyon, 1836, t. IV, p. 339-341.
São Vicente, tendo aprendido que um de seus sacerdotes havia substituído o grande catecismo por pregações, ficou muito contristado e escreveu-lhe que isso não se devia fazer, «porque o povo tem mais necessidade de catecismo e aproveita-se mais dele». Ibid. Restam dois manuscritos do Grande catecismo da Missão, ou de Saint-Lazare: ms. 686 dos arquivos da congregação; cf. A. Milon, Répertoire bibliographique de la congrégation de la Mission, Paris, 1903, p. 75; ms. francês 9765 da Bibliothèque nationale. H. Omont, Catalogue général des mss. français, Paris, 1895, p. 36. Este último, que é do século XVIII, segue o plano traçado por São Vicente. A instrução preliminar assinala o catecismo para a juventude entre as cinco coisas a fazer na missão, p. 4; mas as instruções da noite são verdadeiros sermões sobre as matérias catequéticas. Foi em 1617 que São Vicente estabeleceu em Chatillon, onde era pároco, a primeira confraria de caridade para o serviço dos pobres. Logo multiplicou as confrarias nos campos.
Ora, as damas que eram membros instruíam os pobres que socorriam e davam aulas às meninas. Em 1629, São Vicente introduziu essas confrarias em Paris e empregou Louise de Marillac, viúva Le Gras, na visita às confrarias de caridade da província. Louise de Marillac dava aulas regularmente, ou melhor, o catecismo, em todas as localidades por onde passava. Havia redigido para seu próprio uso, «isto é, para ensinar a crença aos pobres e às crianças em suas visitas de caridade», um pequeno catecismo cujo original, escrito de sua mão, está conservado nos arquivos da casa-mãe das Filhas da Caridade, e que foi reproduzido nas Pensées de Louise de Marillac (litog.), in-4°, s. l. n. d. (Paris), p. 102-122. De forma totalmente familiar, é a imagem e o eco vivo da conversa que a Sra. Le Gras tinha habitualmente com suas pequenas alunas das aldeias sobre as coisas de Deus. Mgr Baunard, La vénérable Louise de Marillac, Paris, 1898, p. 86.
Louise de Marillac fazia mais do que catequizar as meninas do campo; preparava e enviava-lhes catequistas. As primeiras Filhas da Caridade, desde 1633, propunham-se, com o cuidado dos pobres e dos doentes, a instrução religiosa das crianças, sobretudo das meninas. Instruíam-se a si mesmas e liam o Evangelho, «depois de terem feito recordar os principais pontos da crença em forma de pequeno catecismo». Ordre de la journée des premières filles de la charité, 1633, dans Pensées, p. 139; cf. Mgr Baunard, op. cit., p. 139.
Dirigiam escolas tanto em Paris quanto nas aldeias, mas apenas para as meninas, para instruí-las sobre suas crenças e os meios de viver como boas cristãs, ensinando-lhes principalmente o catecismo e a prática das virtudes. Deviam falar uma linguagem simples e fazer a leitura em vez do catecismo, limitando-se a explicar familiarmente o texto lido. Mgr Baunard, p. 491-492. Tinham, portanto, um livro de leitura ou, melhor, um manual de catecismo. As que cuidavam das crianças deviam reunir, cada dia a uma hora, as maiores para ministrar-lhes o catecismo e ensinar-lhes a conhecer as letras. Règlement, dans Pensées, p. 196.
As damas de caridade, elas também, catequizaram os doentes no Hôtel-Dieu de Paris, a partir de 1634, e para facilitar-lhes esse exercício de caridade, o Sr. Vicente mandou imprimir para seu uso um pequeno livreto que continha os principais pontos da instrução a ser dada aos doentes. Mgr Baunard, p. 159-161. Este livreto é obra de Adrien Gambart, antigo lazarista e então capelão das visitandinas de Paris. Seu título indica seu objetivo e seu método: Le bon partage des pauvres en la doctrine chrestienne et connaissance du salut, ou instructions familières pour les simples, distribuées par chaque semaine pour les douze mois de l’année en faveur des pauvres et de ceux qui ont zèle pour leur salut, in-24, Paris, 1652. O nome do autor é revelado apenas pela aprovação, dada por L. Bail, doutor da Sorbonne, em 1º de outubro de 1652, e o livro ali é intitulado: Le petit catéchisme pour tous les mois de l’année, p. 206.
A divisão adotada responde ao desígnio do autor: «Em certos lugares, comunidades, famílias ou hospitais, estas instruções são feitas regularmente todas as semanas», p. 4, e como não são sempre as mesmas pessoas, distribuíram-nas por semana, fazendo corresponder os principais assuntos aos mistérios e às circunstâncias do ano litúrgico. A distribuição dos pequenos catecismos para todos os meses do ano é precedida por um resumo da doutrina cristã e por uma instrução sobre a importância e a necessidade da doutrina cristã. Cada lição, redigida por perguntas e respostas, é seguida da indicação dos exemplos a citar, com remissão aos livros onde são relatados. O próprio autor deu, em 1663, uma 2ª edição, aumentada com uma instrução para a primeira comunhão. Após sua morte, ocorrida em 18 de dezembro de 1668, este livreto foi reeditado, in-18, Paris, 1673, com suplementos cujos principais são indicados na sequência do título: ensemble quelques avis et exercices particuliers pour la première communion et autres devoirs du chrétien, de onde os catequistas, mestres e mestras de escola podem tirar luz para a instrução das crianças.
O autor nos informa que seu livreto passou das mãos dos visitantes dos pobres e dos catequistas do campo, aos quais era primitivamente destinado, para as escolas dos pobres de Paris e da província. Ele louva essas escolas caritativas e indica aos mestres e às mestras um método referente ao uso de seu livro. Suas lições são seguidas de exemplos, citados sem remissão às fontes, e de reflexões em forma de discurso direto. Finalmente, o livreto de Gambart foi publicado em um terceiro estado. Os editores de suas obras fizeram preceder as perguntas de curtas instruções sobre o mesmo assunto e apresentaram tudo sob o título: Instructions familières sur les principales vérités du christianisme pour chaque semaine de l’année, como segunda parte do Missionnaire paroissial, 2 vol., 1674. Dela fizeram-se no estrangeiro várias falsificações; a mais difundida na França surgiu, in-12, Liège, 1677. Uma tradução italiana por Constant Grasselli, de Florença, foi impressa, in-4, Veneza, 1723. O abade Migne reeditou Le missionnaire paroissial, na sua coleção dos Orateurs sacrés, t. LXXXIX; a segunda parte, que compreende o catecismo, encontra-se col. 637-1264. Cf. Rosset, Notices bibliographiques sur les écrivains de la congrégation de la Mission, Angoulême, 1878, p. 263-268.
Um émulo de Bourdoise e de São Vicente de Paulo na catequização do povo e especialmente das crianças é Jacques Olier, fundador do seminário e da Companhia de São Sulpício. Desde 1636, ele mesmo ministrava o catecismo em suas missões, que terminava também pela primeira comunhão solene das crianças das paróquias, e comunicava o seu zelo aos eclesiásticos da Auvergne. Faillon, Vie de M. Olier, 4ª ed., Paris, 1873, t. 1, p. 184, 185. Tendo se tornado pároco da paróquia de São Sulpício, estabeleceu para o domingo, em 1642, diversos catecismos na igreja paroquial, e fez-se ele mesmo catequista. Organizou doze outros catecismos no arrabalde de Saint-Germain. Dois seminaristas iam a cada um dos seus agrupamentos e reuniam as crianças ao som da campainha. Outros catecismos eram ainda realizados nas escolas pelos cuidados dos eclesiásticos do seminário. Catecismos especiais, ditos de semana, preparavam as crianças para a primeira comunhão e para a confirmação.
Os outros párocos de Paris imitaram o zelo de Olier e multiplicaram os catecismos em suas paróquias. Em São Sulpício, houve, além disso, catecismos para os lacaios, os mendigos e os idosos, e, na igreja, outro para as pessoas adultas em linguagem mais elevada. Folhas impressas, com vinhetas, eram distribuídas nas famílias. Faillon, op. cit., t. 11, p. 54-55.
Em 1652, o Sr. Olier abriu escolas para as crianças pobres da paróquia. Os mestres eram especialmente encarregados de instruir os seus alunos na piedade, de fazê-los aprender o catecismo e de assistir aos catecismos públicos que ocorriam, nos dias de domingo e de festas, em diversos lugares da paróquia. O senhor pároco enviava lá de vez em quando um eclesiástico para ministrar o catecismo. Réglements pour ceux qui visiteront les petites écoles, em Remarques historiques sur l’église et la paroisse de Saint-Sulpice. Pièces justificatives, IIIª e IVª partes (1778), t. 11, p. 444-445. As escolas multiplicaram-se, dirigidas por religiosas para as meninas. Ibid., p. 484-491.
O Sr. Olier fez compor pelos padres de São Sulpício Le catéchisme des enfants de la paroisse de S. Sulpice. Apresentou-o ao prior da abadia de Saint-Germain-des-Prés, que o aprovou em 3 de fevereiro de 1652, em nome de Monsenhor Henry de Bourbon, bispo de Metz e abade de Saint-Germain. Registre de la juridiction spirituelle et quasi épiscopale de l’abbaye, de 1640 à mars 1642, Archives nationales, LL 137, fol. 188 v. Este catecismo foi reimpresso em 1665 e está reproduzido em Remarques historiques, etc., t. 11, p. 497-515. O prefácio adverte que ele não é senão um abreviado de um maior e mais extenso «que se explica aos domingos e festas na igreja da paróquia, às pessoas mais velhas e mais capazes de uma instrução mais forte». Compreende vinte lições e termina-se com orações para os exercícios ordinários do dia. Cf. Faillon, op. cit., t. I, p. 506-507; L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, Paris, 1900, t. I, p. 10.
Após a morte do Sr. Olier, os seminaristas continuaram a ministrar o catecismo nos arrabaldes. A instituição desenvolveu-se sob a direção dos párocos da paróquia, que eram, em sua maioria, catequistas eméritos. Ela teve métodos próprios; como os seminaristas tiveram ali sempre e têm ainda uma parte considerável, os catequistas que ali se formaram espalharam por toda a França e mesmo fora dela o zelo sulpiciano e as formas especiais dos catecismos de São Sulpício. Manuel complet des catéchismes de Saint-Sulpice, Paris, 1812; Directoire des associés, Paris, 1830; Faillon, Histoire des catéchismes de Saint-Sulpice, Paris, 1831; Id., Méthode de Saint-Sulpice dans la direction des catéchismes, Paris e Lyon, 1832; revista pelo Sr. Icard, 1856, 1874; Icard, Traditions de Saint-Sulpice, Paris, 1886, p. 312-320.
Um catequista de São Sulpício, Charles Démia, tendo retornado a Lyon, a sua diocese de origem, foi encarregado, em 1664, de visitar as paróquias de Bresse, de Bugey e de Dombe. Tendo constatado na juventude uma profunda ignorância das verdades cristãs, para remediar isso, pôs-se com zelo a organizar catecismos e escolas. De 1667 a 1672, fundou em Lyon cinco escolas, cujos mestres eram padres ou eclesiásticos nas ordens sacras. O objetivo principal destas instituições era ensinar a religião às crianças; a leitura e a escrita vinham apenas em segundo lugar. Démia agrupou os mestres de escola em comunidade sob o nome de seminário de São Carlos (1672). Em 1675, ocupou-se das escolas de meninas e estabeleceu uma companhia de senhoras, que formaram mais tarde uma comunidade que subsiste ainda: são as irmãs de São Carlos. Finalmente, tinha constituído uma confraria de jovens que, todos os domingos do ano, ensinavam o catecismo às crianças do seu sexo. Faillon, Vie de M. Démia, Lyon, 1829.
Ora, para facilitar aos mestres e mestras a sua missão, Charles Démia compôs, em 1666, o Catéchisme pour les écoles du diocèse de Lyon. A obra segue um plano particular. Está dividida em tantas lições quantas as semanas que o ano tem, e estas lições são ligadas aos mistérios que a Igreja celebra na sua liturgia. Serviam-se também de imagens representando estes mistérios. O regulamento das escolas de Lyon foi adotado e seguido em várias dioceses ou cidades da França, e o catecismo era ainda usado em 1730, em Lyon e em Gap. Nesta última diocese, foi mantido até 1850. Hézard, Hist. du catéchisme, p. 205-206, 245-246, 357-358, 373.
Félix Vialart, bispo de Chalons, tinha, desde 1640, estabelecido na sua diocese escolas para a juventude. Fez revisar o catecismo diocesano e ele próprio participou deste trabalho. No mandamento que o apresenta, recomendava um tratado que tinha feito redigir e publicar: L’école chrétienne où l'on apprend à devenir bon chrétien et à faire son salut, in-12, Chalons, 1660; 2ª ed. aumentada, 1662, 1664. As quatro primeiras partes são para os mestres, a quinta é para as crianças que se preparam para a primeira comunhão. Vêm depois os elementos da doutrina cristã para as criancinhas. Em 1675, tinha pedido mestres a Démia, que lhe enviou apenas os regulamentos da sua escola. Gouget, La vie de messire Felix Vialart de Herse, Colônia, 1738; Hézard, op. cit., p. 328.
Após terem surgido, por toda parte, congregações de religiosas especialmente dedicadas à instrução das jovens, um cônego de Reims, Jean-Baptiste de la Salle, forneceu mestres e métodos às pequenas escolas de meninos. Desde 1679, ele reunia mestres e, em 1682, fundava escolas e, pouco depois, o instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. Ora, em 1703, publicava: Les devoirs d’un chrétien envers Dieu, et les moyens de pouvoir s’en bien acquitter, 3 vol. Esta obra compreende três partes. A segunda, contida no t. II, constitui um catecismo por perguntas e respostas para o uso dos alunos. Embora tenha sido muito reformulado nas sucessivas edições que dele foram feitas, é autêntico e não deve ser confundido, como se fez, com o catecismo do bispo de Agen, Claude Joly, publicado sob um título análogo. O catecismo de São Jean-Baptiste de la Salle serviu para a instrução cristã de numerosas gerações de alunos dos Irmãos. J. Guibert, Histoire de S. Jean-Baptiste de la Salle, Paris, 1900, p. 421-423, 691; L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, Paris, 1900, t. II, p. 14.
Deve-se ligar ao mesmo movimento de ideias a obra de Henri Boudon, arquidiácono de Évreux e fundador de seminário: La science sacrée du catéchisme, ou l'obligation qu'un prêtre a de l'enseigner et les peuples de s'en faire instruire, in-12, Paris, 1649, 1749; Caen, 1825; reproduzido por Mons. Dupanloup, Méthode générale de catéchisme, 2ª ed., Paris, 1862, t. II, p. 3-96.
Os escritos catequéticos de Jean Eudes, fundador dos eudistas, eram mais especialmente destinados às missões: Diverses instructions pour prêcher et catéchiser populairement avec un catéchisme pour les missions, un abrégé des mystères, un exercice de la journée chrétienne, etc., in-12, Paris, 1649; Caen, 1650; Paris, 1667; Vie du chrétien ou catéchisme de la mission, Caen, 1655; Rouen, 1660; Caen, 1674. Assinalemos ainda A. Bavic, Le petit missionnaire dressé en forme de catéchisme, 5ª ed., in-32, Toulouse, 1644; Le catéchisme des peuples, por um missionário (J. Blanc), 9 in-12, Lyon, 1699-1701, e um Abrégé, in-16, 1698; Ecole paroissiale, por um padre de Paris, in-8°, Paris, 1654.
3° Outros catecismos diocesanos. — Chalons-sur-Marne tinha seu catecismo em 1660. Le grand catéchisme du diocèse de Langres, pour toutes sortes de personnes qui ont charge d’ames, ou qui auront dessein de s’instruire des mystères de la religion catholique et des principales cérémonies paroissiales, in-24, Dijon, 1664, obra de Gauthier, grande vigário de Langres e reitor da Sainte-Chapelle de Dijon, contém em 60 entrevistas a matéria ordinária com a explicação das festas e a distribuição dos pequenos catecismos para todos os meses do ano segundo a ordem litúrgica. Hézard, p. 207, 362; Marcel, Les livres liturgiques imprimés du diocèse de Langres, p. 188, nota 2.
Em 1664, Hardouin de Péréfixe, arcebispo de Paris, fazia imprimir uma Instruction de la doctrine chrétienne, reeditada em 1670, que compreendia três catecismos, um para as crianças mais jovens, outro para aqueles que se preparam para a primeira comunhão e o terceiro para os mais instruídos. Este catecismo deveria ser lido e ensinado nas igrejas, nos colégios e nas pequenas escolas. As lições estão ligadas às virtudes de fé, esperança, caridade e justiça. Le vray catéchisme de la doctrine chrétienne, impresso por ordem de François de Gondy, Paris, 1687, segue a mesma divisão. Hézard, p. 408-409.
Em 1666, Mons. de Gondrin, arcebispo de Sens, dava aos seus párocos um Catéchisme ou instruction chrétienne, 3ª ed., in-12, Sens, 1670, do qual um Abrégé surgiu em 1672. Hézard, p. 439.
Claude Joly, bispo de Agen, publicou sucessivamente: Doctrine des indulgences et du jubilé, dressée en forme de catéchisme, in-12, Agen, 1668, 1671; Paris, 1677; 1750, 1764; Paris, 1879; Les devoirs du chrétien, dressés en forme de catéchisme, in-18, Agen, s. d. (1672); 12ª ed., 1696; 14ª ed., 1751, etc.; Abrégé du catéchisme d’Agen dressé particulièrement pour ceux qui se disposent a la première communion, reimpresso em 1770 e modificado em 1843. Les devoirs du chrétien foram adotados por várias dioceses da Gasconha e do Languedoc, e, em 1728, Mons. de Caulet, bispo de Grenoble, juntou-os ao catecismo diocesano para as crianças que se preparam para a confirmação e para a primeira comunhão. Cazauran, Catéchismes de la province d’Auch, no Annuaire du petit séminaire de Saint-Pé, 23º ano (1897), in-8°, Bagnères, p. 303, 304; L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, t. II, p. 415; Hézard, p. 214, 276-277, 360.
A diocese de Besançon tinha, para o uso dos párocos e dos mestres de escolas, Le catéchisme, etc., fait d’après ceux de Lyon, Paris, Sens, Chalons et Agen; 4ª ed., Grenoble, 1673. Hézard, p. 308.
Mons. Malier, bispo de Troyes, publicava em 1672 um catecismo em latim e em francês. A tradução francesa, intitulada Instruction chrétienne, era destinada aos alunos dos colégios. Ela assemelha-se, pelo fundo e pela forma, ao catecismo de Bourdoise. Hézard, p. 457.
O Catéchisme pour l'usage du diocèse de Pamiers, in-12, Toulouse, 1672, segue uma ordem particular. Ibid., p. 404.
O bispo de Amiens dava à sua diocese, em 1673, um catecismo particular para que ele «seja a regra da conduta uniforme dos catequistas»; reimpresso em 1685. Fizeram, sem dúvida, um resumo dele, pois em 1699 um outro bispo, Henri Feydau de Brou, tinha mandado reduzir em um, pelo hebraísta François Masclef, os dois catecismos diocesanos; o grande tinha sido consideravelmente abreviado. Este último foi adotado em 1703 e de novo em 1740, em Boulogne. Hézard, p. 284-285, 315, 316.
O catecismo, dito dos três Henri devido ao prenome idêntico dos bispos de Luçon, de Angers e de La Rochelle que o adotaram, é célebre. O imprimatur é de 20 de dezembro de 1675 e a primeira edição é para as três dioceses, assim como as de 1677 e de 1679. Compreendiam três catecismos, um pequeno, um médio e um grande. Em 1684, uma nova edição do pequeno foi substituída pela primeira. Em 1693, uma fusão foi operada entre o pequeno e o médio, e essa edição mesclada foi desde então imposta pelos três bispos. Ela é a única em uso em Luçon de 1693 a 1714. Cessou então de ser empregada, assim como em La Rochelle em 1717 e em Angers em 1719. Este catecismo tinha sido atacado: Réflexions sur quelques propositions qu'il contenait, Paris, 1678. Como a doutrina estava um pouco infectada de jansenismo, Clemente XI tê-lo-ia julgado desfavoravelmente, e esse julgamento, levado aos bispos pelo Pe. Timothée de la Flèche, capuchinho, teria feito cessar o emprego do catecismo coletivo. O abade Faure fez com que fosse aprovado em Reims, no século XVIII, pelo arcebispo Le Tellier, e Mons. de Verthamon, bispo de Luçon, fez com que fosse reeditado em 1756 para sua diocese, aumentando-o consideravelmente. Atribui-se a Dubos. Hézard, p. 286-287, 370-371, 426, 429-430.
O Catecismo de Coutances, impresso em 1676 em Caen, também faz empréstimos a Bourdoise. Contém instruções para a primeira comunhão e para as principais festas do ano. Compreende três catecismos e devia ser ensinado às crianças pelos párocos, vigários e mestres-escolas. Esteve em uso até 1827. Hézard, p. 344-345. O segundo foi aceito em Laon em 1698. Ibid., p. 364.
Em 19 de agosto de 1676, os bispos de Périgueux e de Saintes aprovavam o mesmo Formulário de instrução ou método fácil para instruir o povo do campo. Hézard, p. 413, 436.
Em 1677, o bispo de Bazas fazia imprimir em Bordéus um catecismo com o sermão e as instruções sinodais de sua diocese. Hézard, p. 304. No mesmo ano, o de Metz publicava uma Instrução cristã. Ibid., p. 385.
Monsenhor de Tassy, bispo de Chalon-sur-Saône (1677-1711), inaugurou um método novo. O seu catecismo, dividido em duas partes, expõe sucessivamente a doutrina e a vida cristã. A segunda, intitulada: Catecismo dos mistérios, expõe por ocasião das festas o dogma e a liturgia. Ibid., p. 246-247, 331.
Um Sumário da doutrina cristã para instruir o povo simples foi redigido em 1679 por ordem de Monsenhor de Montchal, arcebispo de Toulouse. Mas o primeiro catecismo que foi elaborado para o uso desta diocese o foi em 1685 por Monsenhor de Montpezat, por meio de interrogação e resposta. Esteve em uso até 1806. Ibid., p. 451.
É preciso colocar em uma categoria especial os catecismos diocesanos, redigidos por diretores de seminário. O primeiro em data é o de um sulpiciano, Sr. de Lantages, que serviu às dioceses de Clermont e de Puy. Estas duas dioceses possuíam um Compêndio da doutrina cristã, in-4°, Clermont, 1666, destinado aos pobres que recebiam esmola na instituição de caridade fundada pelo marechal de Bellefonds. O compêndio da diocese de Puy é mais desenvolvido e segue uma ordem diferente. O bispo de Clermont fez juntar, em 1674, o Catecismo da fé e dos costumes cristãos, que compreende as duas primeiras partes da obra do Sr. de Lantages. A terceira e a quarta partes apareceram em Puy em 1679, e as duas primeiras foram reeditadas nesta última cidade em 1684. Reimpressões modernas: 2 in-12, Le Puy, 1845; in-8°, Paris, 1851, 1853, 1855, 1869, 1887. Um Compêndio, feito por dois diretores de seminário, apareceu, Paris, 1857. Hézard, p. 210, 340-341, 421-422; L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, t. 1, p. 97-99. O Catecismo de Clermont foi adotado em 1830 na diocese de Moulins; foi ali aumentado e modificado em 1880. Hézard, p. 392-393.
Outro sulpiciano, Sr. de la Chétardye, redigiu para a diocese de Bourges três Catecismos ou compêndios da doutrina cristã (pequeno, médio, grande), in-12, Bourges, 1688, 1690; 2 in-12, 1693, 1694, 1699, 1703; o pequeno apenas, 1707; 4 in-12, 1708; Paris, 1713; in-4° e 4 in-12, Lyon, 1736; 3 in-8°, Bourges, 1835; 2 in-8°, Lyon, 1836; na sequência do Catecismo do Império, Lyon, 1844, t. II, p. 246-647. Hézard, p. 317-318; L. Bertrand, t. 1, p. 182-186. O Sr. de la Chétardye não se havia proposto, a princípio, compor um catecismo completo; fazia imprimir de tempos em tempos em folhas separadas instruções divididas em bilhetes. Reuniu-as mais tarde, podando o que lhe pareceu supérfluo. Hézard, p. 210-211, 319. O seu catecismo serviu à diocese de Gap a partir de 1707. Ibid., p. 357.
O Sr. de la Noë-Ménard, diretor do seminário de Nantes, compôs em 1689 o Catecismo da diocese de Nantes, 2ª ed., in-12, Nantes, 1723. Aprovado pelo bispo de Vannes, foi adotado por Vincent-François des Marais, bispo de Saint-Malo (1702-1739), na diocese de Arras e até mesmo em Ferrara (Itália). Ibid., p. 210, 282, 292, 465.
Monsenhor de Suze, bispo de Viviers, havia feito imprimir em 1680 um catecismo para a sua diocese. Mas, como não era nem suficientemente metódico nem suficientemente claro, cada catequista julgava-se autorizado a escolher ou a compor um outro a seu bel-prazer. Para remediar esta situação, Monsenhor de Villeneuve fez dar-lhe, em 1740, uma nova forma que foi empregada sem alteração até 1802. A edição abreviada, retomada em 1802, ainda está em uso com as adições feitas em 1886. Hézard, p. 471-472.
Monsenhor de Forbin de Janson, bispo de Beauvais, querendo prevenir os inconvenientes do emprego simultâneo de diversos catecismos, fez imprimir em 1681 "um compêndio exato da doutrina cristã que fosse uma regra uniforme para as instruções" na sua diocese. Hézard, p. 305. No mesmo ano, o arcebispo de Tours apresentava um catecismo explicando, em quatro partes, a fé, a esperança, a caridade e os sacramentos, e em 1692 um compêndio para o hospital geral da sua cidade episcopal. Ibid., p. 453-454.
O ano de 1684 viu aparecer três catecismos novos. O de Mende, 2 in-12, era para os cristãos já instruídos e completava um catecismo elementar na língua do país para os habitantes da montanha. Ibid., p. 384. O de Reims, em 36 lições, foi aprovado com exclusão de qualquer outro. Ibid., p. 425. O de Verdun foi obra de Louis Habert e compreendia um grande catecismo e um compêndio. Ibid., p. 466.
Monsenhor Le Camus, bispo de Grenoble, fez ele mesmo um Catecismo da doutrina cristã com a explicação dos mistérios, mandamentos, sacramentos, orações e deveres particulares de cada um, com as citações às margens, da Escritura Sagrada e dos concílios, in-12, Lyon, 1685. Quase todos os assuntos ali são tratados em três perguntas. Ibid., p. 359.
Em 1687, Monsenhor de Pradel, bispo de Montpellier, publicou um compêndio para as crianças, depois uma teologia desenvolvida, contendo as quatro partes da doutrina cristã, para as pessoas instruídas. Ibid., p. 389.
No mesmo ano, Bossuet promulgava o Catecismo da diocese de Meaux. Atendia aos pedidos que lhe tinham sido feitos de todos os lados e, nomeadamente, por Raveneau, pároco de Saint-Jean-les-deux-Jumeaux, que desde 14 de novembro de 1682 declarava ao seu bispo que o catecismo em uso não era "nem metódico nem claro". Ele próprio encontrava o que criticar no antigo, em particular sobre o assunto da atrição, onde gostaria de ver "um começo de amor a Deus". Em 1684, já trabalhava no seu catecismo e recebia os ensaios de vários dos seus párocos. Tinha-o concluído em 1685, e a impressão foi terminada no mês de janeiro de 1687. Extratos da coletânea Raveneau sobre Bossuet, na Revue Bossuet, 1904, t. v, p. 245, 247-248, 252, 259, 267.
Este catecismo continha três: o dos principiantes, um outro mais desenvolvido com uma parte histórica, e o catecismo das festas. Em 1689, Bossuet juntou-lhe Orações eclesiásticas. Ver col. 1083. O cardeal de Bissy fez dele uma redução, e o catecismo de Bossuet foi usado em Meaux, sob uma ou outra das suas duas formas, até 1822. O bispo de Mâcon adotou-o em 1744, e a sua diocese conservou-o até 1828. A redução do cardeal de Bissy foi aceita em Chalons-sur-Marne em 1727. Hézard, p. 240-241, 329-330, 374-375, 381-383.
Em 1687, o bispo de Troyes, Bouthillier de Chavigny, publicava um compêndio que se assemelha aos catecismos de Bourdoise e de Monsenhor de Brienne para Coutances.
Em 1705, ele fornecia três deles seguindo o plano de Bossuet, os quais foram empregados até 1804. Ibid., p. 458-459.
Em 1687 ainda, Monsenhor de Harlay, arcebispo de Paris, impunha um catecismo diocesano, que teve grande sucesso. Composto "por pessoas muito doutas" e quase exclusivamente pelas palavras da Escritura, dos concílios e dos Padres, continha dois catecismos. Aumentado de diversas maneiras por vários arcebispos de Paris, esteve em uso até 1846. A edição de Monsenhor de Vintimille (1730) foi adotada em Dijon por Monsenhor d’Apchon em 1781 e utilizada até 1804. Um desses catecismos foi adotado na diocese de Alet.
O bispo de Autun, em 1693, deu à sua diocese um catecismo, imitado daquele de Paris e utilizado até a Revolução. O catecismo de Harlay foi ensinado em Versalhes de 1802 a 1882, em Troyes de 1804 a 1828, na parte da diocese de Cahors que pertencera à diocese de Vabres em 1814, e em Agde de 1822 a 1840. Hézard, p. 275, 295, 351, 409-411, 461, 467, 476.
Em 1691, Monsenhor de Clermont-Tonnerre deu à diocese de Noyon um catecismo que ainda era impresso em 1827. Ibid., p. 400.
François de Poudenc, bispo de Tarbes (1692-1716), fizera um catecismo que foi esgotado e substituído em 1726. Ibid., p. 446.
Em 1693, Autun e Lyon tiveram seus catecismos diocesanos. O de Autun perseverou ali até a concordata; o de Lyon foi abandonado no século XVIII e substituído em 1730 pelo catecismo das escolas de Lyon. Ibid., p. 295-296, 373.
Em 1694, Séez recebeu seu Grande catecismo. Ibid., p. 436.
Em 1695, Monsenhor de Tressan, bispo de Le Mans, dispunha em um plano particular os materiais do catecismo parisiense de Monsenhor de Harlay. Juntava-lhe um compêndio em sete lições. Ibid., p. 378-379.
Em 1696, os bispos de Soissons e de Béziers davam um catecismo aos seus diocesanos, ibid., p. 311, 443; o de Castres, em 1697, p. 327; os de Chartres, de Langres, de Nimes, Godet des Marais, Clermont-Tonnerre e Fléchier, em 1698 (grande e compêndio), p. 335, 362, 399; Pierre de la Broue, em Mirepoix, em 1699, um grande para os párocos e um compêndio para as crianças, p. 387. Monsenhor Basan de Flamenville, bispo de Perpignan (1696-1721), deu aos seus três catecismos proporcionados à inteligência das crianças, p. 415. A diocese de Lescar teve seu catecismo, Paris, 1699.
Catecismos privados. — A solicitude dos bispos pela instrução religiosa não entravava a atividade dos simples sacerdotes, e, ao lado dos catecismos diocesanos e oficiais, havia lugar para os manuais de ensino particular.
O Pe. Louis Richeome, S. J., redigiu para o delfim, filho de Henrique IV e de Catarina de Médicis, um catecismo, chamado Catecismo real, e diálogo entre o rei Henrique IV e o delfim, in-12, Lyon, 1607. A divisão responde às virtudes da fé, esperança, caridade, aos sacramentos, à justiça cristã e aos fins últimos. Um compêndio vem em seguida. As respostas estão em versos, e ilustrações acompanham o texto.
Um outro Catecismo real, in-8°, Paris, 1646, foi destinado à instrução do jovem Luís XIV. Ele compreende 95 gravuras em aço, emprestadas pelo Pe. Bonnefons, S. J., ao Pe. Georges Mayr sobre o texto de Canisius, Augsbourg, 1613. O texto versificado era obra do Pe. Le Blant. A biblioteca de São Petersburgo possui um manuscrito, que o Sr. Zaluski intitulou: Catéchisme ou briefve instruction du chrestien pour l’usage de Louis XIV, roi de France, 1645.
O grande delfim teve também seu catecismo ilustrado: Le guide fidèle de la vraie gloire, apresentado a Monsenhor o duque de Borgonha, instruindo este jovem príncipe das coisas que ele deve crer, pedir e praticar para ser rei durante os séculos, pelo Pe. André Thomas Barenger. Hézard, p. 256-264.
Outros catecismos privados eram destinados ou às pessoas adultas, ou às crianças. Jean Chapeauville editava: Catechismi romani elucidatio scholastica, Liége, 1600. O Pe. Berlaymond, S. J., publicava o Paradisus puerorum, in-8°, Douai, 1618; Colônia, 1619; é uma escolha de exemplos próprios para instruir as crianças. O Pe. Guillaume Baile, S. J., compunha um Catecismo e compêndio das controvérsias de nosso tempo tocantes à religião católica, Troyes, 1619. A edição de Poitiers fora truncada e foi desautorizada pelo seu autor. Hézard, p. 313-314. Traduziu-se para o latim este catecismo de controvérsia.
Ch. Thuet, La pratique du catéchisme romain suivant le décret du concile de Trente, dividida em três maneiras de instruir frutiferamente, a primeira em forma de sermões, a segunda por diálogos e a terceira em forma de meditações, in-4°, Paris, 1625, 1630; o Pe. d’Outreman, S. J., Le pédagogue chrétien, 2ª ed., Mons, 1625, 1628, 1629, etc.; Jacques Bayon, Institut. religionis christianæ l. IV (segundo o catecismo romano), in-4°, Paris, 1626; M. Bourlon, Instructions familières sur la religion chrétienne, in-32, Paris, 1633; 5ª ed., 1650; Homélies sur la doctrine chrestienne para serem lidas e recitadas na missa paroquial de domingo, etc., e próprias aos chefes de família para a instrução de seus criados e a todos aqueles que não têm comodidade para frequentar os sermões catequéticos, in-12, Paris, 1639; Ant. Roussier, Le bon catholique, Lyon, 1635; J.-P. Camus, bispo de Belley, Enseignement catéchétique ou explication de la doctrine chrétienne, in-8°, Paris, 1642; A. Bonnefons, S. J., La science du chrétien (o que ele deve crer, fazer, fugir), Paris, 1644; IIª parte, história de Jesus Cristo, da santa Virgem e de são José, Paris, 1646; Id., Abrégé de la doctrine chrétienne ou l'enfant catéchisé, em 3 partes, in-12, 1640, 1648, 1653, 1666; Id., L’enfant catéchisé répondant a son pére, 7ª ed., in-32, Paris, 1642; 16ª ed., 1646; J. Marcel, de la doctrine chrétienne a Aix, Le catéchisme chrétien, 1647; Petit catéchisme familier pour instruire les enfants aux fondements de la religion chrétienne, Vendôme, 1647; Berchet, de Langres, Elementaria traditio christianorum fidei (em grego e latim), Londres, 1648; S. Ammian Fanestre, eremita de Santo Agostinho, Institutio christiana, Paris, 1650; Exercice d’un vrai chrétien avec un abrégé de tout ce qu’il doit croire, savoir et faire pour son salut éternel, Paris, 1648; Péan de Croullardiére, Explication familiére du symbole et des commandements... des sacrements et de l’oraison dominicale, Paris, 1652; Michel Leconte, hieronimita, Catéchisme, Rouen, 1652; J. L., S. J., Le bon pauvre qui instruit son enfant, Paris, 1653; Déclaration de la doctrine chrétienne, Paris, 1654; Ch. Le Roy, O.
M., Le roy des enfants du catéchisme, Paris, 1656; Instruction familiére en forme de catéchisme pour les fétes et solennités paroissiales, 2ª ed., in-12, Paris, 1656; Catéchisme contenant en abrégé les quatre parties de la doctrine chrétienne et les fétes privées, in-32, Paris, 1656; Coquerel, Méthode facile pour instruire les pauvres et les simples personnes, Paris, 1657; P. Timothée Poujade, récollet, Institution chrétienne, Limoges, 1661; 6ª ed., in-12, Tulle, 1668; P. Guillery, Institution catéchétique des mysteres de la foi, etc., in-12, Paris, 1667; Id., Abrégé, etc., in-32, Paris, 1669; P. Campet, Pastor catholicus, in-fol., Lyon, 1668; ver col. 1448; Barthélemy Jehet, cura de Bures, Instruction familiére et briefve explication en forme de dialogue, sur les quatre parties de la doctrine chrétienne, colligée de divers catéchismes, in-8°, Toul, 1667; Gilles de la Baume, Catéchisme de la confirmation, Nantes, 1668; Francois Pomey, S. J., Catéchisme théologique, in-18, Lyon, 1664, 1678; em Migne, Catéchismes, Paris, 1842, t. 11, col. 155-266; N. Turlot, Le vray thrésor de la doctrine chrestienne descouvert, 11ª ed., Paris, 1653; 14ª ed., in-4°, Paris, 1664; Lyon, 1673; em latim, in-4°, Bruxelas, 1668; d’Heauville, Catéchisme en vers, dedicado ao delfim, in-12, Lyon, 1669; Riom, 1693; Orléans, 1700; J. Le Coreur, Les principaux devoirs du chrétien contenus dans l’explication: 1° du symbole des apôtres; 2° de l’oraison dominicale; 3° des commandements de Dieu et de l’Eglise; 4° des sacrements, in-12, Lyon, 1683; Paris, 1689; a 3ª ed. é intitulada: La théologie du chrétien et ses principaux devoirs, Paris, 1727; um resumo para as crianças mais jovens foi publicado por ordem do bispo de Lectoure, Paris, 1688, 1690; cf. Hézard, p. 365-366; C. Goussin, Catéchisme historique et dogmatique a usage du diocése d’Amiens, in-12, Paris, 1673, 1693; dom Gerberon, Catéchisme du jubilé et des indulgences, in-12, Paris, 1675; Simon, Catéchisme des curés, selon le concile de Trente, 1683; Explication de l’oraison dominicale, in-12, Paris, 1688; Explication du symbole des apôtres, de l’oraison dominicale et du décalogue, 2 in-12, Chalons-sur-Marne, 1691; La vie de J.-C. en forme de catéchisme, Troyes, 1688; abbé de Fourcroy, Catéchisme dogmatique, in-12, Paris, 1696; Le symbole des apôtres expliqué par l’Ecriture sainte, Blois, 1696; Abelly, bispo de Rodez, Les véritéz principales et les plus importantes de la foi et de la justice chrétienne, in-12, Rouen, 1688; in-8, Paris, 1696; Claude Fleury, Catéchisme historique contenant en abrégé l’histoire sainte, 2ª ed., 2 in-12, Paris, 1695; foi muito difundido e foi traduzido até mesmo em tâmil em Pondicherry; segundo Reusch, Der Index, t. i, p. 589, a tradução italiana de 1745 teria sido posta no Index, depois corrigida; Petit catéchisme a l’usage des colléges des jésuites, in-32, Paris, 1698.
II. FORA DA FRANÇA. — 1° Catecismos das igrejas e das escolas.
O sínodo de Tournai em 1600 decide que, nas localidades onde não há escolas, o catecismo deve ocorrer no domingo após as vésperas, mesmo que se apresente apenas uma ou duas crianças. Os curas devem ler pelo menos o catecismo se não souberem explicá-lo. Os meirinhos devem obrigar os pais a enviar seus filhos, seus empregados e suas criadas ao catecismo. O regime das escolas deve ser conforme àquele que foi regulado pelo II° concílio de Cambrai. Tit.iv, c. vi-vii; tit. xxi, Concilia Germanie, 1769, t. vii, p. 478, 494.
O sínodo de Brixen em 1603 recomenda a instrução da tenra idade e ordena realizar o catecismo na igreja e na escola, pelo menos em certos domingos. É preciso estudar de cor e recitar o pequeno catecismo de Canisius. Os outros catecismos não devem ser empregados senão raramente e apenas para instruir os adultos. Faz-se apelo aos pais e aos magistrados e aplica-se multa aos curas negligentes. Ibid., p. 556-557.
Se os concílios de Cambrai (1604) tit. I, c. v, ibid., p. 590, e de Praga (1605), n. 2, ibid., p. 677, limitam-se a ordenar a realização dos catecismos no domingo, mesmo se houver poucos ouvintes, ou o estabelecimento das confrarias da doutrina cristã e de escolas separadas de meninas e meninos, onde se ensinará o catecismo segundo Canisius, o sínodo provincial de Malines (1607), constatando que a diversidade dos manuais cria dificuldades in discendo et docendo, ordena seguir por toda parte a mesma e única metodologia que será em breve editada por ordem deste concílio. Tit. xi, c. v, ibid., p. 781.
Em 1609, o sínodo de Ypres ordena expor na cátedra a doutrina cristã a cada domingo, ou pelo menos catequizar o povo ou ler o catecismo, se não houver sermão. Ele recomenda instituir por toda parte escolas dominicais e paroquiais, nas quais os mestres ensinarão o catecismo. As escolas de domingo são para os pobres. É preciso ler o catecismo no domingo na igreja e nunca alegar como pretexto de dispensa o pequeno número de ouvintes. Tit. II, c. I, V, VIII; tit. III, c. I, VII, IX-XI, ibid., p. 803, 804, 809.
No sínodo de Constança, realizado no mesmo ano, decide-se que o catecismo será feito a cada domingo em língua vulgar, que se dará às crianças recompensas, que um sermão será feito de tempos em tempos na missa para as pessoas que não podem seguir os catecismos. Recitar-se-á sempre no aviso as fórmulas comuns. Os pais serão advertidos de que devem zelar pela assiduidade de seus filhos; os magistrados farão observar estes regulamentos e denunciarão os negligentes. Tit. XIX, ibid., p. 881-882.
O bispo de Antuérpia, no sínodo de 1610, regula que se ensinará nas escolas primárias após o alfabeto o pequeno catecismo episcopal e o catecismo provincial, e nas escolas latinas Canisius uma vez por semana. Faz-se ler e repetir o texto. O catecismo ocorre no domingo à tarde na igreja; é preciso um supervisor. Os mestres de escolas conduzem lá seus alunos. Se a hora fixada não for favorável, as reuniões podem ocorrer na manhã ou no momento mais propício. É preciso comprar catecismos para doá-los aos pobres. C. II-v, VIII, ibid., p. 984, 985.
Florent Conry, arcebispo de Tuam (1608-1629), redigiu um catecismo irlandês. O catecismo, dito de Malines, foi tornado obrigatório na diocese de Gante a partir do dia de Natal de 1613, assim como um grande catecismo redigido em língua vulgar para os catequistas, correspondendo ao precedente e intitulado: Den Schat van de Christelijcke Leeringhe.
O bispo recomenda muito insistentemente aos curas que façam seriamente o catecismo e suplica aos magistrados que zelem pela assiduidade das crianças. Tit. X, c. III-IV, ibid., 1774, t. IX, p. 250.
O sínodo diocesano de Augsburgo (1610) exorta os curas a fazer o catecismo a cada domingo por volta de uma hora da tarde. Ele constata, ele também, que a diversidade dos manuais é prejudicial e admite para o ensino do dogma e da moral apenas os catecismos de Canisius e de Belarmino. Para as explicações, indica o catecismo romano, o grande de Canisius, os do bispo de Merseburg, de Nauséa, de Pierre Michel, o de Tréveris com o método que lhe é anexo e as Institutiones christianae de F. Coster. Traça um método a seguir e ordena aos mestres e aos diretores de hospitais ou de outras associações que levem ao catecismo os seus alunos e os seus pupilos. Part. I, c. VI, ibid., p. 30-32.
No mesmo ano, o bispo de Vármia ordena ensinar todos os domingos do verão, da Páscoa à festa de São Miguel, os initia fidei. Como não existem em sua diocese mais do que duas ou três escolas, exorta a multiplicar, por causa dos protestantes, as lições catequéticas. Indica a ciência requerida para poder receber a absolvição, ordena repetir no sermão as fórmulas para que os mais ignorantes terminem por sabê-las, aconselha pregar de acordo com o catecismo romano, impõe a realização do catecismo na igreja e quer que os seminaristas sejam nele empregados. Ibid., p. 96-98.
François Buisseret, fundador da escola dominical de Mons, tornado bispo de Namur, no sínodo diocesano reunido em Geldon em 1612, pune com multa e penas canônicas os párocos que negligenciam o seu dever de ensinar às crianças a doutrina cristã. Ibid., p. 166.
O bispo de Liège, no sínodo de 1618, ordena aos párocos realizar o catecismo, nos domingos e festas, às crianças e aos adultos. Proíbe os teatros e os jogos em praça pública na hora do catecismo, promulga indulgências a serem ganhas assistindo aos catecismos e impele a abrir escolas nas quais se ministrará todos os dias o ensino religioso. Tit. IV, c. III, ibid., p. 291.
Em 1622, o bispo de Tréveris publicou uma Ratio et ordo tractandae doctrinae christianae. Os catecismos devem ocorrer, nos domingos e festas, sob pena de multa, após o meio-dia ou a uma hora conveniente da manhã. É necessário recitar no sermão, antes da pregação, as fórmulas que todo cristão deve saber de cor, e é necessário criar escolas. Ibid., p. 334.
O bispo de Sion (Valais), no sínodo de 1626, impõe o catecismo nos domingos do advento e da quaresma e, fora destas duas épocas, uma vez por mês. Recomenda advertir os pais cujo dever é velar pela assiduidade de seus filhos, traça um método e aconselha o emprego de recompensas para atrair as crianças. Nas escolas privadas de meninas e de meninos, aprender-se-á a ler e a escrever em latim e em alemão ou em francês. C. IV, § 4, 5, ibid., p. 375.
Em 1628, o bispo de Osnabrück expõe a importância do catecismo e ordena fazê-lo nos domingos e festas ou ao menos duas vezes por mês seguindo o método do catecismo romano. Quer que, durante o advento e a quaresma, os sermões sejam feitos sobre as matérias do catecismo; faz um apelo aos pais para assegurar a assiduidade das crianças e pede aos magistrados que proíbam os jogos públicos na hora do exercício catequético. O manual imposto é o catecismo alemão de Colônia. As meninas devem ser instruídas na igreja e na escola. Nas escolas latinas ou alemãs de meninos, é preciso fazer aprender o pequeno catecismo de Canisius em alemão ou em latim. C. V, ibid., p. 436-438.
O bispo de Ypres, em 1629, defende toda interrupção nos catecismos semanais e ordena aos decanos que examinem as crianças em suas visitas. Os párocos não devem negligenciar os pobres que são, ordinariamente, os mais ignorantes. As escolas dominicais devem ser instituídas. Seguir-se-á o método uniforme fixado pelo concílio provincial. As meninas serão separadas dos meninos, e no sermão recitar-se-ão as fórmulas que todos devem saber. Art. 5-14, ibid., p. 494-495.
No sínodo do ano seguinte, o mesmo bispo volta com insistência sobre as escolas a serem instituídas separadamente para meninos e meninas. O primeiro livro a ser lido será ABC oft Beghinsel der Wysheydt. As crianças aprenderão de cor o pequeno catecismo, depois o catecismo de Malinas. Na véspera do catecismo, os mestres farão recitar uma lição do pequeno catecismo. O bispo ordena às crianças que tragam o seu manual, entra nos mínimos detalhes sobre a boa conduta das reuniões e o método de ensino, e fala de um certamen catechisticum a ser organizado para excitar a emulação. Ordena ainda pregar sobre as matérias do catecismo e instruir os pobres. Ibid., p. 528-532.
O bispo de Namur, em 1639, aconselha aos párocos que preguem o catecismo em vez de fazer sermões e ordena lembrar aos pais que eles devem enviar seus filhos para lá. Tit. 11, ibid., p. 573. Pede que se restaurem as escolas que tinham sido estabelecidas em Namur em 1604. Nelas se ensinará, após o alfabeto, o catecismo de Namur, que os mestres devem explicar. Tit. xxiii, c. iv, ibid., p. 598.
Em 1641, o bispo de Culm ordena aos párocos do campo que recitem no sermão as fórmulas ordinárias e declara que é preciso recusar os sacramentos àqueles que não as souberem. Pede que se restaure a escola de Culm, destruída na recente guerra da Prússia. Ibid., p. 605, 613-614.
Se voltarmos aos Países Baixos espanhóis, vemos o bispo de Saint-Omer, Christophe de France, renovar no sínodo de 1640 os estatutos diocesanos de 1583. O catecismo nunca deve ser omitido no domingo. É preciso acomodar-se nele à inteligência das crianças e não tratar de altas questões. Recomenda o estabelecimento de escolas dominicais ou triviais, ordena realizar, para os empregados e as criadas, após a primeira missa, uma instrução catequética. O catecismo aos ignorantes pode ser feito fora da igreja e em particular. Deve-se recusar a esmola aos pobres ignorantes. É preciso vigiar o ensino religioso dado nas escolas dominicais e estabelecer, nos lugares importantes, escolas especiais para as meninas. Tit. 1, c. xiv, XVI-XXV, ibid., 1775, t. x, p. 782-784.
Em 1643, o bispo de Tournai ordena realizar o catecismo todos os domingos à tarde; seguir-se-á nele o método prático, editado em 1640, e lembrar-se-á com frequência aos pais os seus deveres. Ibid., t. ix, p. 620-621.
O de Gante, no sínodo de 1650, ordena realizar o catecismo na igreja, nas escolas e até mesmo, se necessário, em particular.
Ministrar-se-á uma lição ao menos aos domingos, e coletas especiais serão feitas para pagar as recompensas distribuídas às crianças. Os magistrados são convidados a velar pela assiduidade das crianças. Não se deve negligenciar a instrução dos mendigos. Tit. x, c. iv-viii, ibid., p. 712-713.
O bispo de Ruremond, em 1652, ordena que, na falta de catecismo, recitem-se antes do sermão as fórmulas que todos devem saber. Mas o catecismo deve, além disso, ocorrer, seja antes, seja depois do meio-dia. Para prover o tratamento dos catequistas, unir-se-ão vários benefícios simples, e os magistrados proibirão os jogos públicos durante a realização dos catecismos. Art. 21-23, ibid., p. 783.
No sínodo de Tournai, em 1673, o bispo decide que o catecismo francês que ele recentemente editou deve ser ensinado: Abrégé de la doctrine chrétienne pour l’usage du diocèse de Tournay, in-32, Lille, 1675 (a aprovação é de 17 de dezembro de 1672). Ele se propõe a fazê-lo traduzir em breve para o flamengo. Os sacramentos serão recusados aos ignorantes. Ibid., 1775, t. x, p. 45. Ele recorda esta ordenança no sínodo de 1678. Ibid., p. 87.
O de Antuérpia, em 1680, recomenda não omitir o catecismo, empregar nele um método conveniente, recompensar as crianças e interessar na obra os pais e os magistrados. Ibid., p. 98.
Em 1693, o bispo de Bruges ordena, para cada domingo, o sermão ou catechismus major na missa, e o catecismo ordinário antes ou depois das vésperas, mesmo nas simples capelas. O catecismo de Malinas é entregue às crianças e a doutrina do catecismo romano é exposta aos adultos. Os ignorantes serão privados dos sacramentos, e no campo, recitar-se-ão na missa as fórmulas em língua vulgar segundo o catecismo de Malinas. Ele recomenda as escolas dominicais, separadas por sexo. Tit. 1, vi, ibid., p. 190-191, 192, 201.
Se retornarmos à Alemanha, vemos, em 1652, o bispo de Münster ordenar em sínodo que, nos dias de domingos e festas, explique-se o catecismo de Canisius, cuja edição fora feita por seu predecessor. Ibid., t. ix, p. 790-791.
Em 1657, o mesmo prelado escrevia uma carta pastoral para recomendar a realização regular dos catecismos e impunha penas canônicas contra os delinquentes. Ibid., p. 838.
Em 1662, ele decidia em sínodo que as lições do catecismo seriam dadas todos os domingos, que as fórmulas comuns seriam recitadas ao final do sermão e que nas escolas se ensinaria o pequeno catecismo de Canisius e a maneira de se confessar. Ibid., p. 897.
No mesmo ano, o bispo de Colônia prescrevia ao seu clero que pregasse o catecismo e que preferisse este gênero de instrução ao sermão. A doutrina dos sacramentos devia ser exposta em conformidade com o catecismo romano. Era necessário seguir por toda parte, mesmo nas escolas, instituições tão úteis, o pequeno catecismo de Canisius em alemão, que fora aprovado, e comprar exemplares para os pobres. Part. I, tit. 11, c. iv, x; tit. ix, p. 933, 936, 1064.
O bispo de Münster, em uma carta pastoral de 6 de outubro de 1663, insiste novamente na realização regular dos catecismos. Ibid., 1775, t. x, p. 6. Em seu sínodo de 13 de outubro de 1671, ele volta ainda ao mesmo assunto e ao catecismo das escolas. Ibid., p. 35-36.
No sínodo de 26 de março de 1675, ele traça regras muito precisas. Ele recomenda, ele também, substituir o sermão pelo catecismo na missa. Mas o sermão pregado por religiosos não impede a catequese do cura. O catecismo deve ser feito todos os domingos e festas. Nas festas, ele ocorrerá nos povoados distantes para os camponeses que não podem frequentar os catecismos ordinários; os capelães e os religiosos devem ajudar e suprir o cura neste ministério. Ele obriga os fiéis a assistir aos catecismos e ordena manter o gado na estribaria nos dias de domingo, a fim de remover um mau pretexto para se ausentar. Os mestres-escolas são obrigados a assistir aos catecismos, durante os quais as estalagens são fechadas. Ibid., p. 51-52.
Em 1678, o bispo de Tréveris, para excitar a emulação, ordena distribuir recompensas às crianças e instituir um certamen. Ele recomenda empregar um método idôneo e convida a ler o catecismo romano, o catecismo diocesano, o Pédagogue chrétien, a Ecole du Christ de Cusanus, as Instructions d’Abelly, o Tractatus catecheticus do Pe. Philippe Scouville, S. J., e seu tratado da confraria da doutrina cristã. Ibid., p. 63.
Em 1687, o bispo de Estrasburgo declara que os curas devem ter o catecismo romano para nele haurir seu ensino. Ele o fez editar e oferece gratuitamente um exemplar a cada paróquia. Ibid., p. 184.
No ano seguinte, o de Paderborn trata da importância do catecismo, que é necessário fazer a cada domingo segundo o método do catecismo romano. É necessário fazer breves perguntas em língua vulgar. Os pais devem velar pela instrução religiosa de seus filhos, e os ignorantes são indignos dos sacramentos. Embora recomende aos curas seguir o mesmo método, parece que as crianças não possuem manual. Os jogos públicos são proibidos nas horas do catecismo. Os mestres-escolas devem fazer com que seus alunos aprendam de cor as fórmulas essenciais e assistam ao catecismo. Part. I, tit. IV, V, p. 128-129.
Em 1699, o bispo de Metz ordena fazer recitar as fórmulas após o sermão. Ele renova o estatuto de 1604, que fixava em uma hora a duração dos catecismos e obrigava a realizá-los mesmo nas capelas. Ele recomenda aos curas o catecismo romano. Os estatutos de 1633 impunham o estabelecimento de escolas em todas as paróquias e ordenavam nelas recitar as orações. Nos dias de festas ou no sábado pela manhã, os mestres deveriam fazer recitar a lição do catecismo. Proíbe-se-lhes a leitura de manuais heréticos. Tit. XIV, XVII, ibid., p. 249, 256, 257.
Um catecismo irlandês fora impresso em Douai, 1652, 1663, 1680. O concílio provincial de Tarragona (1685) ordenava ensinar o catecismo em língua vulgar. Can. 2, Collectio Lacensis, t. I, col. 743. Os concílios de Benevento (1693), tit. I, c. VI, e de Nápoles (1699), tit. I, c. II, recomendavam as confrarias da doutrina cristã, e este último recordava aos mestres-escolas o dever, imposto pelo concílio de Latrão, de ensinar uma vez por semana a doutrina cristã a seus alunos; tornava obrigatório o catecismo de Bellarmino. Ibid., col. 25, 159-160.
2° Na América Latina e nos países de missão: Antoine Araujo, S. J., compôs um catecismo brasileiro que foi impresso em Lisboa, 1618, e traduzido em outras línguas. O Pe.
Hyacinthe Vetralla, capuchinho, traduziu em latim uma Doctrina christiana, Roma, 1650, que é ela mesma o catecismo português redigido para as crianças pelo Pe. Jorges, S. J., e traduzido em conguês sob a direção de outro jesuíta, o Pe. Mathias Cardoso. Os quatro textos foram impressos juntos. Hézard, p. 188, 486.
Charles Nacquart, lazarista, permanecendo único missionário na ilha de Madagascar, apressou-se em compor em 1649 um abreviado da doutrina cristã em língua malgaxe para deixá-lo a seus sucessores. Mémoires de la congrégation de la Mission, t. IX, p. 118. Ele escrevia a São Vicente de Paulo, em 9 de fevereiro de 1650, para que fizesse imprimir uma centena de exemplares apenas. É verosimilmente a Instruction pour les nouveaux convertis a la foy (da ilha de Madagascar), in-8°, Paris, 1654.
Etienne de Flacourt, comandante de Madagascar em nome da Companhia das Índias Orientais, ao seu regresso à França, mandou imprimir em francês e em malgaxe um Petit catéchisme avec les prières du matin et du soir que les missionnaires font et enseignent aux néophytes et aux catéchumènes (da ilha), in-8°, Paris, 1657. Em uma carta a São Vicente de Paulo, ele diz que colocou em ordem este pequeno catecismo. Pareceria, com efeito, que era ainda obra do Padre Nacquart e que tinha sido aperfeiçoado pelos missionários seus sucessores. Cita-se uma outra edição de 1665. Hézard, p. 482-484; Rosset, Notices bibliographiques sur les écrivains de la congrégation de la Mission, Angoulême, 1878, p. 192-193.
O Padre Raymond Breton, subprior dos irmãos pregadores do convento de Blainville, compôs um Petit catéchisme ou sommaire des trois premières parties de la doctrine chrétienne, en caraibe, Auxerre, 1664; é a tradução quase literal do antigo catecismo de Paris. Hézard, p. 484.
3° Catecismos privados. — Jerónimo de Ripalda, S. J., publicou em 1616 um Catecismo com as ilustrações do Padre Georges Mayr; reedições, Guatémala, 1873; Madrid, 1890.
Jean Laurent Guadagnolo e Félix Astolfi redigiram: Tesoro della doctrina di Christo, em três partes, Milão, 1628.
Nicolas Cusanus, S. J., fez vários escritos catequéticos: Christliche Buchschul, in-16, 1627; in-8°, Lucerna, 1638, 1645; Colónia, 1656, etc.; Sapientia christiana (em alemão), 1626; Dux vitae (em alemão), 1642. Ele tinha dado uma edição ilustrada do catecismo de Canisius.
Caspar Astete, S. J., tinha publicado em espanhol uma Doctrina christiana, Pamplona, 1608, que teve numerosas edições e que ainda está em uso hoje na Espanha.
César Franciotti tinha composto em italiano: L’enfant chrétien qui conduit à l’amour de Dieu et se dispose à la première communion, trad. francesa por D. L. R. F., Paris, 1643; Kerver, O. M., Catechismus super omnes articulos professionis fidei catholicae, Paris, 1638; J. Andries, S. J., Necessaria ad salutem scientia, in-16, Antuérpia, 1653, 1654, 1658; trad. francesa: Ce qu’il faut savoir pour être sauvé, com ilustrações, Antuérpia, 1654; havia também uma edição flamenga; Hézard, p. 256-257; P. Wittfelt, Theologia catechetica, in-12, Munique, 1656.
Sobre o catecismo de Bellarini, barnabita, ver col. 559; ele foi reeditado, 2 in-8°, Paris, 1877, e tinha sido traduzido para o francês por N. Coulon, 2 in-12, Paris, 1661, 1669. Um outro barnabita, Pio Cassetta, publicou um grande catecismo: Catechismo cattolico in forma di dialogo, etc., Roma, 1663. O capuchinho Martin de Cochem fez aparecer um catecismo em 1666. Polch, Trésor caché au champ de l’Église, trad. francesa de uma obra alemã, Colónia, 1664; há também uma versão flamenga; J. Kedd, S. J., publicou um catecismo alemão, in-32, Colónia, 1650, assim como H. Krattman, O. P., Estrasburgo, 1694.
Uma Catechesi, overo istruzione del christiano composta da varie distinzioni cavate dal catechismo romano, dal Bellarmino ed a altri autori, con alcune brevi note, foi posta no índice, donec corrigatur, a 4 de setembro de 1685.
VI. NO SÉCULO XVIII. — I. NA FRANÇA. — 1° Catecismos diocesanos. — Eles multiplicam-se e não há um único ano do século que não veja aparecer algum. Os antigos são reeditados com ou sem modificações: desenvolvem-nos, se são abreviados; resumem-nos, se são extensos. Os novos são numerosos; refletem as doutrinas do tempo e dos seus autores: são jansenistas ou antijansenistas e quase todos tingidos de galicanismo; alguns permaneceram célebres.
Em 1700, Monsenhor de Camilly, bispo de Estrasburgo, publica um (pequeno e grande), que ele introduz em Tours em 1723, quando muda de sé. Hézard, p. 445, 454.
No mesmo ano, imprimem em Chalons-sur-Marne um pequeno que é adotado em 1709 por Monsenhor de Noailles, concorrentemente com a École chrétienne de Vialart. Ibid., p. 329.
Em 1701, Monsenhor de Coislin faz, para a diocese de Metz, um novo que, aumentado em 1736 e traduzido para o alemão, esteve em uso até à Revolução. Ibid., p. 385-386.
A pequena diocese de Saint-Pons tem o seu, in-12, Béziers, 1702. Ibid., p. 419-420.
No mesmo ano, Colbert, bispo de Montpellier, publicava as Instructions générales en forme de catéchisme, com dois catecismos, médio e pequeno, do oratoriano François-Aimé Pouget, Paris, 1702, 1707; 3 in-12, Bruxelas, 1752; 6 in-8, Nîmes, 1765; 5 in-12, Avignon, 1807; 3 in-12, Paris, 1821. Elas foram traduzidas pelo autor ele próprio para o latim: Institutiones catholicae per modum catecheseos, 2 in-fol., Veneza, 1761; Augsburgo, 1764; 12 in-8°, Paris, 1857. Elas foram postas no índice por decreto de 21 de janeiro de 1721, e a sua tradução inglesa, Londres, 1713, por Silvestre Lewis Lloyd, por um outro decreto de 15 de janeiro de 1725. As versões espanhola, Madrid, 1713, portuguesa, italiana, Veneza, 1717, não foram condenadas. Cf. H. Reusch, Der Index, t. II, p. 762-763, 894, 1225. Uma tradução polaca foi feita por Jakubowosky, lazarista, 4 vol., Varsóvia, 1791. Cf. Dupin, Bibliothèque, t. XIX, p. 360. O catecismo de Montpellier foi adotado em 1836 para a diocese de Saint-Pierre de la Martinique. Hézard, p. 478.
Em 1703, Henri de Thiard de Bissy, querendo estabelecer a uniformidade na diocese de Toul, deu um catecismo, dividido em três, «mais exato e mais bem redigido», diz ele, mas muito extenso, demasiado sábio e demasiado abstrato, com um método. Em 1763, Monsenhor Drouas fez uma nova edição mais clara e mais curta.
Ela foi empregada até à concordata, e mesmo posteriormente em algumas partes da diocese de Nancy. E. Martin, *Histoire des diocèses de Toul, de Nancy et de Saint-Dié*, Nancy, 1901, t. I, p. 372-373, 523, 550; Hézard, p. 448-449.
Em Bordéus, Monsenhor de Bezons publicou em 1704 um grande catecismo e um abreviado, que esteve em uso até 1855. Transportado para Rouen pelo seu autor em 1720, não se manteve lá senão até 1730. Foi imposto em 1767 à diocese de Luçon, e em 1826 à de La Rochelle, onde foi empregado até 1869; encontra-se em parte no de 1891. Em 1827, o bispo de Angoulême escolheu-o também; Monsenhor Sébaux retocou-o em 1881 e em 1888. Hézard, p. 213-214, 288-289, 314, 371-372, 434-435.
No sínodo diocesano de 1707, o bispo de Besançon ordenava aos párocos que lessem no sermão as fórmulas que todos os cristãos devem saber. O catecismo devia ser ensinado aos adultos ignorantes, mesmo fora dos dias feriados, e às crianças em dias fixados de acordo com o pequeno catecismo recentemente editado. Aos domingos e festas, estes deviam estudar um capítulo dele. A negligência dos párocos era punida com multa e suspensão, e levada a uma certa extremidade, tornava-se um caso reservado. O bispo lembrava aos pais o seu dever e recomendava a instituição das confrarias da doutrina cristã. Tit. XXI, a. 2, 7-10, 15, Concilia Germaniae, t. X, p. 346-348.
Em 1707, aparecia em Puy um novo catecismo. Hézard, p. 422. Évreux recebia um em 1708, cujo resumo foi publicado apenas em 1719. Ibid., p. 353. No mesmo ano, Cahors tinha um em francês e em dialeto local; a versificação tinha uma ampla participação nele. Ibid., p. 322. Limoges recebia o seu próprio que, após diversas retificações e adições, ainda é ensinado. Ibid., p. 366-369.
No sínodo diocesano de 1610, o bispo de Metz ordenava que se fizesse o catecismo nas paróquias e nas anexas. Nas vésperas, devia-se explicar o catecismo de Canisius e as fórmulas comuns, sobretudo nas localidades onde se encontravam hereges. Tit. IX, a. 1, 3, Concilia Germaniæ, t. VII, p. 960, 961.
Em 1709, Grenoble tinha um catecismo destinado a confirmar na fé os novos convertidos, Hézard, p. 360; Senlis possui o seu primeiro que permaneceu em uso até 1828, p. 438, e Orléans o seu, usado até 1855, p. 402-403. Em 1712, o bispo de Marselha, Dom de Belzunce, restabeleceu a uniformidade publicando um *Catéchisme ou instruction familière sur les principaux points de la religion chrétienne*, que é ensinado ainda hoje na diocese. Ibid., p. 380-381. No mesmo ano, Toulon tem *Instructions familières*, imitadas de César de Bus, p. 449, e Valence o seu catecismo que foi empregado até 1806, p. 463. Em 1713, Aix e Grasse são providos, p. 278, 359. Em 1714, um catecismo particular substitui em Luçon o dos três Henri, p. 371.
Em 1716, Dom Languet dota a diocese de Soissons de um catecismo, dividido em dois, diretamente oposto ao jansenismo. Empregado até 1756 apenas, foi retomado em 1815 e, após ter sido revisto em 1857 com base no catecismo de Paris, está ainda em uso. O autor, transferido para Sens, transportou para lá, em 1731, o seu catecismo que sofreu ali vivas contradições por parte dos párocos e não foi usado lá senão até 1753. Dom Languet respondeu com sucesso a todos os seus contraditores. O retumbante debate serviu para a propagação da sua obra. Dom de Forbin Janson adotou-o em Arles e Dom d’Anthelmy em Grasse (1733, 1736). Le Franc de Pompignan escolheu-o, em 1742, para a diocese do Puy, onde, após ter sofrido diversas retificações, ainda é empregado, e em 1777 para a arquidiocese de Viena, onde foi seguido até a Revolução. Os bispos de Boulogne e de Riez inspiravam-se amplamente nele de 1771 a 1773. Os bispos de Laon e de Fréjus (1779) também o tinham adotado e, nesta última diocese, foi retomado em 1832. O catecismo de Toulon tinha tomado emprestado a divisão e muitas fórmulas do catecismo de Soissons. Hézard, p. 212-213, 291, 316, 356, 359, 364, 422-423, 429, 443-445, 449.
Em 1717, Quimper tinha um catecismo bretão, e La Rochelle recebeu um resumo novo em três partes, para substituir o catecismo dos três Henri. Completado em 1768 e modificado em 1814, foi ensinado até 1869. Ibid., p. 424, 430, 431. Em 1718, Comminges e Pamiers têm os seus, usados um até 1895 e o outro até hoje. Ibid., p. 344, 404-406. Lisieux recebe, em 1719, o seu, que é muito desenvolvido, oposto ao jansenismo e foi seguido até 1842. Ibid., p. 369.
Angers recebe oficialmente uma reedição abreviada do catecismo privado, publicado em 1697 por oposição ao catecismo dos três Henri. Ela é adotada em Tours em 1781, retomada em 1804 e continuada com modificações até 1884. Ibid., p. 286-287, 454-456. Dom de Caylus, em 1720, deu a Auxerre um resumo exato, mas muito seco, que modificou em 1725 e 1728 e que foi imposto, com exclusão de qualquer outro, em 1755. Ibid., p. 297-299. Em 1721, Dom de Tourouvre ordena para Rodez aquele que, após melhorias feitas em 1873, ainda está em uso. Ibid., p. 431-433. Luçon recebeu em 1723 um novo catecismo que substituiu o de 1714 e que foi logo suplantado por uma reimpressão aumentada do catecismo dos três Henri. Ibid., p. 371.
Esta diversidade de manuais diocesanos impressionava os bispos da província eclesiástica de Avignon que, reunidos em sínodo em 1725, adotaram, por medida de uniformidade, para todas as Igrejas da província, um método único e um formulário francês, extraído do catecismo romano. Conc. Avenionense, tit. VI, c. 1, Collectio Lacensis, t. 1, p. 484. Este catecismo, editado em 1739 e em 1824, foi retificado em 1893 para Avignon. Hézard, p. 300.
O exemplo dos bispos da província de Avignon não foi imitado, e os outros prelados franceses continuaram a multiplicar os catecismos particulares. Dom du Cambout, em 1726, dá à diocese de Tarbes um que é feito em parte segundo o método dos doutrinários e que, reduzido em 1785, foi seguido até 1884. Hézard, p. 446-447. No mesmo ano, o bispo de Boulogne compõe um novo, retificado em 1771 por Dom de Pressy e impresso ainda em 1842. Hézard, p. 315-316. Em 1727, Dom de Tencin reconhecia a utilidade de um catecismo comum para a província eclesiástica de Embrun. Collectio Lacensis, t. 1, p. 658. Em 1727, Mende recebe um catecismo que, revisto em 1828, ainda é ensinado. Hézard, p. 384-385. No mesmo ano, Oléron tem um que é impresso em francês, em béarnais e em basco. Ibid., p. 401. Em 1728, Blois recebe dois, dos quais o primeiro, completado em 1788 e em 1820, foi mantido até 1843. Ibid., p. 342-343.
Tréguier tem um no mesmo ano, p. 456. Dom de Tressan, que tinha feito imprimir, em 1627, um catecismo para as crianças pequenas, publicou, em 1730, um maior que compreendia o catecismo das festas; ele foi modificado em 1769 e foi ensinado na diocese de Rouen até 1888. Mas ele teve uma grande expansão. Passou em 1747 para Cahors, onde perseverou até hoje; em 1750 para Bayeux, onde foi empregado até 1858; em 1753 para Sens, onde foi, após diversas retificações, conservado até 1845; em 1761 para Dijon, onde serviu até 1781, para ser retomado em 1796, e em 1763 para Le Mans, onde permaneceu sem mudanças até 1838. Hézard, p. 214, 301-302, 322-323, 351, 379, 435-436, 440-442; Marcel, *Les livres liturgiques imprimés du diocèse de Langres*, p. 284.
Em 1731, o bispo de Séez publica simultaneamente um grande catecismo e o seu resumo, um pequeno catecismo e o seu resumo. O resumo do grande foi retomado em 1819 e serviu até 1837, Hézard, p. 436-437.
No mesmo ano, Dom d’Antin, para regularizar o ensino na diocese de Langres, compõe *Instructions générales par demandes et par réponses sur la foi, l’espérance et la charité, les sacrements, les devoirs du chrétien et sur plusieurs pratiques de piété*. Elas compreendem três catecismos, dos quais o pequeno e o médio são para as crianças. Em 1734, Dom de Montmorin acrescenta-lhe instruções para a confirmação e, em 1782, Dom de la Luzerne aprova a obra de seus predecessores que, retomada em 1817 e modificada em 1834 por Dom Parisis, continua em uso. Hézard, p. 362-364; Marcel, p. 217, 229, 245, 252, 253. Dom Parisis transportou para Arras, em 1852, seu catecismo de Langres, que ainda é utilizado. Hézard, p. 293.
Ainda em 1731, o bispo de Bayonne faz para seus diocesanos um catecismo, retomado em 1814 e mantido até 1823. Hézard, p. 302-303. O de Chalon-sur-Saône publica, em 1732, um que só foi suprimido em 1828. Ibid., p. 332. O de Agde faz o mesmo em 1733. Ibid., p. 275.
Em 1734, o bispo de Auxerre mandava imprimir um novo catecismo que suscitou vivas reclamações e foi suprimido pelo conselho do rei, em 18 de dezembro de 1735. Ibid., p. 298-299. Massillon substituía em Clermont, em 1735, o catecismo de Lantages por um novo, que foi modificado em 1789, 1825, 1863 e 1888. Ibid., p. 342-343.
Em 1736, o bispo de Die oferecia aos seus diocesanos um pequeno catecismo precedido de duas instruções, uma sobre a conduta do cristão durante o dia, e a outra sobre a necessidade e a maneira de assistir ao catecismo. Ibid., p. 348. No mesmo ano, Dom Bouhier apressava-se em dar à diocese de Dijon um novo catecismo, obra do P. Devonce, jesuíta. O pequeno tinha sido publicado desde 1773. Eles foram criticados por dois párocos, Léauté e Gaudrillet. O bispo corrigiu seu pequeno catecismo, que foi suplantado em 1761 pelo catecismo de Rouen. Ibid., p. 350-351; Marcel, op. cit., p. 277-278.
Dom de Brancas, arcebispo de Aix, publicava, em 1737, dois catecismos, um pequeno e um grande, para as crianças, e em 1738 um maior para os mestres. Todos os três são antijansenistas. Foram empregados até 1806 e retomados em 1814. O pequeno, aumentado em 1835, foi oficialmente imposto e manteve-se sem mudanças até 1890. Hézard, p. 278-280.
Em 1740, a diocese de Dax tem seus dois catecismos conservados até hoje com algumas modificações na diocese de Aire. Ibid., p. 346-347.
Em 1741, o bispo de Arras acrescenta ao pequeno catecismo um segundo manual para os primeiros comungantes e um terceiro ainda mais desenvolvido. Eles coexistem com três outros catecismos publicados em 1757 por outro bispo da mesma diocese. Um destes últimos é retomado de 1814 a 1852. Ibid., p. 292-293.
Auch tem seu primeiro catecismo próprio em 1743; retocado sob o ponto de vista da forma, em 1765, foi retomado em 1821 e seguido até 1827. Ibid., p. 293-294.
O cardeal de Rohan que, em 1725, tinha dado à arquidiocese de Reims dois catecismos, publicou em 1746 um mais extenso que foi utilizado até 1877. Ibid., p. 426-427.
Dom de Saléon, arcebispo de Vienne (1746-1750), publicou um catecismo do qual Dom d’Hugues, seu sucessor, fez um resumo em 1767. Eles estiveram em uso até 1777; e o resumo serviu ainda de 1825 a 1836. Ibid., p. 469-471.
Em 1747, o bispo de Saint-Paul-trois-Châteaux estabelece a uniformidade no ensino religioso de sua diocese, ao promulgar um catecismo antijansenista que foi empregado até a Revolução. Ibid., p. 413.
Em 1748, Aire tem seu catecismo particular, que é retomado em 1825, aumentado em 1850 e empregado ainda agora. Ibid., p. 277-278. No mesmo ano, a diocese de Saint-Flour tem dois catecismos, cujo tipo é único em seu gênero. O autor relaciona as verdades religiosas à ordem natural, à lei antiga e à lei evangélica. Massillon o elogiou. Dom de Salamon o retocou em 1821, e ele só foi substituído em 1847. Ibid., p. 354-355.
Em 1749, o bispo de Béziers ofereceu aos seus diocesanos um pequeno e um grande catecismos, dirigidos contra o jansenismo, reimpressos em 1775 ou em 1784 e utilizados ainda de 1815 a 1840. Ibid., p. 311-312. No ano seguinte, o de Montpellier impõe às escolas e às paróquias um novo catecismo, tirado em parte do de Pouget e reimpresso ainda em 1814. Ibid., p. 390-391.
A uniformidade é estabelecida em Périgueux, nesse mesmo ano, por meio de um catecismo novo, precedido de um diretório e completado por duas instruções sobre a confirmação e a comunhão; foi utilizado até a concordata. Ibid., p. 414.
Por volta desta época, Vannes recebe seu primeiro catecismo bretão. Foi mais tarde traduzido para o francês, e os dois textos foram reproduzidos até hoje sem mudanças notáveis. Ibid., p. 465.
Em 1756, um novo catecismo substitui em Soissons o de Dom Languet; empresta seu método do catecismo de Montpellier. Ibid., p. 444.
De três catecismos que continha o manual impresso em 1757 por ordem de Dom de Bonneguise, bispo de Arras, dois eram originais. Este manual, retomado em 1814 com um suplemento, esteve em uso até 1852. Ibid., p. 292-293.
Em 1761, apareceu em Nantes um segundo catecismo, para os primeiros comungantes. Impresso com o primeiro para as crianças pequenas em 1781 e em 1793, é retomado oficialmente em 1815, completado em 1826 e em 1870 e ensinado atualmente ainda. Ibid., p. 395-396.
O bispo de Saint-Malo publicava em 1765 e 1776 três catecismos; o primeiro e o segundo, destinados às crianças, foram reimpressos em 1826. Ibid., p. 282-283.
Em 1765, o primeiro bispo de Saint-Claude dava à sua diocese um sólido catecismo.
Ao retomá-lo em 1824, Dom Chamon o modifica e o aumenta; permanece empregado sem grandes mudanças até 1889, época em que se dá uma edição modificada e ilustrada. Ibid., p. 337-340.
No mesmo ano de 1765, Montauban recebe seu primeiro catecismo, que é autorizado pelo bispo de Cahors em 1814, retomado em 1822 e ensinado até hoje. Ibid., p. 387-389.
Em 1767, Dom de Montazet dava à diocese de Lyon um novo catecismo que passa por pouco ortodoxo e que foi objeto de violentos ataques. O cardeal Fesch o retomou em 1814, mas depois de tê-lo corrigido, e ele ainda está em uso, após diversos remanejamentos. Hézard, p. 373-374. Em 1771, este catecismo foi objeto de uma Critique, s. l. n. d., que o bispo refutou em um Mandement do 6 de novembro de 1772. Foi traduzido para o italiano por Ricci, bispo jansenista de Pistoia.
Em 1769, Gap tem seu catecismo particular que contém, em quatro capítulos, «o que é preciso praticar, evitar, meditar e receber», e que foi empregado conjuntamente com o catecismo das escolas de Lyon. Ibid., p. 397-398.
No mesmo ano, Rennes teve um novo, que foi retomado em 1816 e conservado até 1840. Ibid., p. 427-428.
O primeiro bispo de Chambéry (1779-1793) publicou o catecismo diocesano, que foi retomado em 1816 e corrigido em 1840 e em 1855. Ibid., p. 332-333.
O bispo de Saint-Dié, Dom de la Galaizière, conservou em 1778 o catecismo de Toul; mas uma edição retocada pelo vigário geral, Gaudin de la Croze, foi dada em 1783. Uma terceira edição, pelo abade Gérard, pároco de Rambervillers, surgiu em 1787, com um Pequeno catecismo, reimpresso em 1797 em Rambervillers e extraído em parte do catecismo de Besançon. Ibid., p. 348; E. Martin, Histoire des diocèses de Toul, de Nancy et de Saint-Dié, Nancy, 1903, t. III, p. 26, 27.
Em Nancy, Mgr de Fontanges nomeia uma comissão para redigir o catecismo diocesano. Uma primeira edição é publicada em 1785; ela é criticada, submetida a uma reformulação, que surgiu em 1786. Mgr d’Osmond a retoma em 1814. M. Gridel a retoca em 1851; ela recebe algumas adições após o concílio e está em uso até 1904. Fez-se uma tradução alemã, seguida até 1874 na parte alemã da diocese. Hézard, p. 393-394; E. Martin, op. cit., p. 27, 306; Thiriet, L’abbé Gabriel Mollevaut, Nancy, 1886, p. 31-33; Revue ecclésiastique de Nancy et de Saint-Dié, 1841, p. 137-140; E. Mangenot, Mgr Jacquemin, évêque de Saint-Dié, Nancy, 1892.
Em 1785 também, Mgr de Bourdeilles dava à diocese de Soissons um Abrégé de la doctrine chrétienne, que segue um plano particular. Hézard, p. 444.
2º Catecismos privados. — P. Grégoire de Lyon, Le nouveau catéchisme théologique, Lyon, 1704; Ducos, O. P., Le pasteur apostolique enseignant les fidèles, 2 in-12, Lyon, 1730; Leroux, lazarista, Prières et instructions chrétiennes dans lesquelles se trouve renfermé ce que la religion veut que nous croyions, que nous pratiquions et que nous demandions, in-12, Paris, 1730 (catecismo dos pobres e dos ignorantes); Jacques de Guerville, Les vérités de la religion chrétienne, 2ª ed., Caen, 1734; Chevassu, Catéchisme paroissial, in-12, Lyon, 1726); G. H. Bougeant, S. J., Exposition de la doctrine chrétienne par demandes et par réponses, divisée en trois catéchismes (histórico, dogmático, prático), in-4°, Paris, 1744; 2 in-8°, Paris, 1844; Pierre Collot, Explication des premières vérités de la religion, 2ª ed., Paris, 1752; Rouen, 1782; Paris, 1827; Tours, 1834; em Migne, Catéchismes, Paris, 1842, t. 1, col. 603-722; Mésenguy, Exposition de la doctrine chrétienne, ou instruction sur les principales vérités de la religion, Utrecht, 1744; posta no índice por decreto de 28 de julho de 1755 e condenada por Clemente XIII num breve de 14 de junho de 1764; cf. Reusch, Der Index, t. 1, p. 763-765; P. Tranquille de Bayeux, capuchinho, Instruction théologique en forme de catéchisme sur les promesses faites à l’Eglise, etc., in-12, Utrecht, 1733 (não é por perguntas); Catéchisme sur l’Eglise dans les tems de trouble suivant les principes expliquez dans l’instruction pastorale de M. l’évêque de Senez (Soanen), por perguntas, impresso na sequência do precedente, é atribuído a Besoigne; P. Placide Olivier, terciário, Catéchisme évangélique, ou éclaircissements par demandes et par réponses, 3 in-8°, Nancy, 1755; de Villiers, Explications littérales sur le catéchisme de Paris (o de Harlay), in-12, Paris, 1768; Alletz, Les principes fondamentaux de la religion ou catéchisme de l’âge mûr, in-18, Liége, 1768; Paris, 1802; em Migne, Catéchismes, t. 1, col. 919-1014; Catéchisme historique et dogmatique sur les contestations qui divisent maintenant l’Eglise, 2 in-12, La Haye, 1729, 1733; Nancy (Utrecht), 1736; esta obra de Fourquevaux foi condenada por decreto do Santo Ofício, em 6 de fevereiro de 1732; sua continuação por Louis Troya d’Assigny, sacerdote de Grenoble, Catéchisme historique et dogmatique, 2 in-12, Utrecht, 1751, sofreu a mesma condenação em 8 de agosto de 1753; cf. Reusch, Der Index, t. 1, p. 754; Meusy, Catéchisme historique, dogmatique et moral des principales fêtes, 4ª ed., in-12, Besançon, 1788, em Migne, Catéchismes, t. 1, col. 405-604; abade Charles F. Champion de Nilon, Catéchisme pratique, in-12, Paris e Orléans, 1783; Feller, Catéchisme philosophique, 2 in-8, Paris, 1777; 3 in-12, Lille, 1825; em Migne, Catéchismes, t. 1, col. 11-440; Conduite pour la première communion, Paris, 1781; R.-A. Sicard, Catéchisme ou instruction chrétienne à l’usage des sourds-muets, in-8°, Paris, 1792; Mouchot, pároco de Gémeaux, Principales vérités de la religion chrétienne tirées des catéchismes de différents diocèses, Dijon, 1792; Philippe-Albert Caulier, lazarista, Catéchisme abrégé en la langue de Madagascar pour instruire sommairement ces peuples, les inviter et les disposer au baptême, in-12, Roma (1785).
O catecismo jansenista de Pierre-Etienne Gourlin, Catéchisme et symbole résultant de la doctrine des PP. Hardouin et Berruyer, 2 in-12, Avignon, 1762, tinha sido condenado pelo Santo Ofício, em 19 de julho e em 13 de agosto de 1764.
II. FORA DA FRANÇA. — 1º Catecismos diocesanos. — O sínodo diocesano de Eichstatt de 1700 ordena aos párocos que ensinem a doutrina cristã no domingo e traça um método. Os mestres-escolas são obrigados a fazer estudar na sexta-feira um capítulo do catecismo, diferente conforme as classes. Concilia Germaniæ, t. x, p. 268-270.
Novas ordenações são publicadas no mesmo local em 1713. Ibid., p. 381.
O concílio provincial de Albano, reunido em 1703, recomenda a realização regular dos catecismos. Deve-se explicar o Pater, o Ave, o Credo e os preceitos de Deus e da Igreja. O bispo propunha-se a fazer traduzir o catecismo de Bellarmin para o dialeto do país. Part. I, c. v, Collectio Lacensis, t. 1, p. 291-292.
Um concílio realizado em Bahia (Brasil), no ano anterior, decidiu fazer redigir uma fórmula de catecismo que explicasse o Pater, o Ave, o Credo, os sacramentos, os mandamentos e o ato de contrição. Ibid., p. 849-850, 855.
O sínodo de Roma, em 1725, impõe como manual o catecismo de Bellarmin e ordena fazer recitar na missa de domingo as orações ordinárias e o ato de contrição para que os ignorantes fossem instruídos neles. Tit. 1, c. IV, V, ibid., p. 347-348.
Uma instrução sobre a maneira de fazer o catecismo recomenda também o uso do livro de Bellarmin. Ibid., p. 401-403.
O sínodo diocesano de Munster, realizado em 1726, aconselha pregar por catequeses, renova os estatutos levados em 17 de maio de 1624, deseja que o catecismo inteiro seja explicado a cada ano nos sermões e ordena recitar após o sermão as fórmulas comuns. Concilia Germaniæ, t. x, p. 443-445.
O concílio provincial de Tarragona de 1738 recomenda a instrução religiosa das crianças e exige certificados de ciência competente para o recebimento dos sacramentos da ordem e do matrimônio. Can. 3, Collectio Lacensis, t. 1, p. 787-792.
O sínodo das duas dioceses de Culm e da Pomerânia, em 1745, indica os temas catequéticos a expor às crianças e aos adultos. Os mestres de escola devem ensinar o catecismo de Bellarmin e acompanhar seus alunos às reuniões de domingo na igreja. Concilia Germaniæ, t. x, p. 512-514.
O bispo de Munster, no sínodo de 13 de outubro de 1750, ordena fazer o catecismo às crianças, todos os domingos e festas sem exceção, nos burgos distantes nas grandes festas e aos pastores durante o inverno. Ibid., p. 583-584.
Em 3 de fevereiro de 1768, o bispo de Ypres, em uma instrução pastoral, decide que, no campo, o catecismo substituirá o sermão; ele recomenda aos párocos que sigam o catecismo romano. Catequizar é o ofício próprio dos párocos. Servir-se-á do catecismo de Malinas completado pelo bispo precedente, e de um novo catecismo abreviado, imposto por decreto de 16 de dezembro de 1766. No campo, recitar-se-á no sermão as fórmulas comuns em conformidade com os antigos estatutos. Nas escolas paroquiais, o catecismo será ensinado. Far-se-ão as escolas dominicais, mesmo na igreja, se não houver outro lugar conveniente. Os magistrados encontrarão o meio de as promover. Art. 40, 42, 46, 51-53, ibid., p. 612-619.
Após 1761, o cardeal Migazzi, arcebispo de Viena (Áustria), editou um catecismo que tem renome. O catecismo de Genebra era editado pela oitava vez em Annecy, 1788. Um Petit catéchisme à l’usage du diocèse de Genève, contendo dois abreviados (para as crianças pequenas e para os primeiros comungantes), apareceu em Annecy em 1792; Genebra, 1806.
Em 19 de abril de 1784, em uma carta ao vigário apostólico de Sutchuen, a S. C. da Propagação recomendava aos missionários o catecismo romano. Collectanea... ad usum operariorum apost. societatis missionum ad exteros, in-4°, Paris, 1880, n. 182, p. 77.
Em 24 de maio de 1787, Pio VI escreveu aos orientais unidos para lhes propor o catecismo árabe, editado e aprovado pela Propagação. Juris pontificii de Propaganda fide, part. I, Roma, 1891, t. IV, p. 318.
Um Catechismus pro Burmanis, aprovado pela Propagação, tinha sido publicado com sua tradução latina, Roma, 1786. O catecismo de Quebec, em francês, apareceu, Paris, 1702; Quebec, 1782. Seu abreviado em inglês: An abridgement of the Quebec catechism, foi impresso, Quebec, 1817, e Le petit catéchisme de Québec, Montreal, 1828.
2° Catecismos privados. — Donat Hoffmann, das escolas pias, publicou na Espanha: Doctrina christianæ institutio historica, dogmatica, ethica, 2ª ed., in-12, 1759. Nas escolas desse país, serviam-se do Caton christiano, Madri, 1784, que compreendia três tratados. É atribuído a Pierre Vivés, menor observante, e parece ser um abreviado da Cartilla do século precedente. Hézard, p. 186.
Manuel Correa Valente, lazarista português, publicou uma Instruccao da doutrina, in-8°, Lisboa, 1767. Spinola Doctrina christiana, Gênova, 1703; o Catechismo universale, de J. Simiolo, 3 in-12, Nápoles, 1776, dedicado à rainha das Duas Sicílias, foi traduzido para o francês por Gourlin, sob o título: Institution et instruction chrétienne, Nápoles, 1780. Esse catecismo, dito de Nápoles, teve 12 edições tanto na Itália quanto na França; foi colocado no índice em 20 de janeiro de 1783. Reusch, Der Index, t. I, p. 976-977. Um abreviado apareceu, 2ª ed., Nápoles, 1785.
Ver F. Gusta, S. J., Sui catechismi moderni, Ferrara, 1788; Foligno, 1793 (contra os catecismos jansenistas da Itália), Le Catechismo esposto in forma di dialoghi sulla communione dell’ augustissimo sacrifizio della messa per uso de’ parochi e de’ sacerdoti, 2 vol., 1770, do dominicano Michel-Marie Nannaroni, foi colocado no índice por decreto de 18 de agosto de 1775, assim como a Apologia del catechismo, do mesmo autor, 1771. Reusch, Der Index, t. II, p. 980.
O Catechismo per i fanciulli ad uso della citta e diocesi di Motola, composto pelo beneditino Ildefonse Ortiz Cortes, foi colocado no índice, em 9 de dezembro de 1793. No mesmo dia, inscrevia-se no catálogo do índice: Esame delle riflessioni teologiche e critiche sopra molte censure fatte al catechismo composto per ordine di Clemente VIII ed approvato dalla congregazione della riforma, 2 vol., Pavia, 1786, 1787, de J.-B. Guadagnini, condenado ainda pelo Santo Ofício, em 14 de janeiro de 1796; e também: Breve catechismo sulle indulgenze secondo la vera dottrina della Chiesa, 1787, de Nicolas Sciarelli, proposto pelo bispo Colle aos seus párocos para servir de instrução às suas ovelhas, condenado de novo em 6 de setembro de 1824. Reusch, Der Index, t. II, p. 965-966, 971.
Na Inglaterra, Alban Butler publicava seu catecismo em 1702. A catechism for those that are more advanced in years and knowledge, 1724, era condenado pelo Santo Ofício em 29 de dezembro de 1734. O Catechism, or abridgement of christian doctrine, 1725, tinha sofrido a mesma condenação em 7 de dezembro precedente. Cf. Reusch, Der Index, t. II, p. 415.
Citemos ainda The Poor man’s catechism, de Mannock, 1752; trad. franc., in-12, Langres e Nancy, 1860. Um catecismo irlandês tinha aparecido, in-8°, Roma, 1707.
Donlevy tinha composto um em inglês, e em irlandês, The catechism of christian doctrine, in-8°, Paris, 1742; Londres, 1819. Outro catecismo irlandês, s. d., é assinalado em Bibliotheca Grenvilliana, part. II, p. 96.
Na Alemanha, não se contentou mais com Canisius; quiseram reformar o catecismo e editaram novos manuais: J.-B. Kraus, O. S. B., Auslegung christkatholischer Lehr, 1733 (segundo Bossuet); Sittenkatechismus, 1788 (segundo Erhard); Exposition de la doctrine chrétienne et catholique, tirée de l’Ecriture, des conciles et des saints Pères sous la forme de controverses, traduzida do catecismo alemão do P. Heffel, S. J., in-12, Estrasburgo, 1756. O prior Benoit Strauch compôs um Römisch-katholischer Katechismus für die erste, zweite und dritte Klasse der Kinder in den Schulen, 1766, que foi tornado obrigatório na Silésia pelo abade Ignace de Felbiger e que foi imposto em seguida em toda a Áustria. Um Katechismus mit Fragen und Antworten zum Gebrauch in den Kaiserlich-Königlichen Staaten (Áustria), espalhou-se a partir de 1777; era redigido segundo Canisius.
Nas outras regiões da Alemanha, multiplicavam-se os abreviados de Canisius. Catholischer Haus-Catechismus, 6ª ed., Estrasburgo, 1781 (segundo a Escritura e os Padres); Licht in den Finsternissen, die Wahrheit catholischer Lehr, Estrasburgo, 1781; Jean Frédéric Batz, Lehrbuch der christkatholischen Religion in Fragen und Antworten, Bamberg, 1799, obra muito difundida na Alemanha do sul, conquanto seja impregnada do espírito do tempo, imprecisa, incompleta e inexata.
Um melhor catecismo alemão, redigido segundo um método particular, é conhecido na França sob o nome de Catecismo de Constança. Foi traduzido para o francês por um padre exilado naquela cidade, sob este título: Entretiens familiers en forme de catéchisme, d’un curé de campagne avec la jeunesse, in-12, Constança, 1795; Lyon, 1803, 1819; 4ª ed., Lyon, Paris, 1828. Vincent Allegri, de Viena, Catechesis orthodoxa, Augsburgo, 1708.
No seminário de Malinas, elaborou-se, de 1785 a 1794, um método catequético e três catecismos com explicações. Todo este trabalho faz parte das Conferentiæ ecclesiasticæ de officiis pastoris boni: Part. I, De methodo catechizandi, in-12, Malinas, 1785, t. 1; part. II, De catechismis puerorum, pequeno catecismo flamengo, t. 1, p. 53-177; trad. franc., p. 178-305; Catechismus provinciæ Mechliniensis, preparatione puerorum ad primam communionem adaptatus, 1786, t. III, p. 13-525; Uytlegginge van den Mechelschen Catechismus, 1793, 1794, t. IV, v.
O abade Dedoyard publicava: Développement du petit catéchisme (dos dioceses de Cambrai, Liége e Namur), 2 in-8°, Maestricht, 1788, 1789. Um extrato desta obra serviu de Grand catéchisme para dar seguimento ao pequeno, in-12, Mons, 1788.
Uma Compendiosa legis explanatio omnibus christianis scitu necessaria (em malabar) apareceu, in-8°, Roma, 1772. Uma doutrina cristã em grego moderno, para o uso dos jesuítas de Quios, foi impressa, in-12, Zante, 1754. Bigex, falecido arcebispo de Chambéry, publicou: Le missionnaire catholique, ou instructions familières sur la religion, s. l., 1797; 3ª ed., Paris, 1798.
VII. NO SÉCULO XIX. — I. CATECISMOS DIOCESANOS. — 1° Na França. — A divisão eclesiástica das dioceses foi completamente transtornada pela concordata de 1801. Com a reorganização do culto, a maioria dos bispos limitou-se a autorizar em suas dioceses os antigos catecismos. Como muitas dioceses novas eram formadas por partes de duas ou três dioceses antigas, resultou que, sob a mesma jurisdição, diversos catecismos eram ensinados simultaneamente.
Houve, contudo, algumas tentativas feitas com o objetivo de estabelecer a uniformidade. Mgr de la Tour du Pin Montauban substituiu, em 1804, nos antigos catecismos da diocese de Troyes, o catecismo de Paris, composto por de Harlay, em 1687. Hézard, p. 459. Mgr Reymond, bispo de Dijon, mandou imprimir, no mesmo ano, um Catéchisme provisoire, estendido a toda a sua diocese. Hézard, p. 351-352, 363; Marcel, op. cit., p. 244, nota 1. Mgr de Cicé, arcebispo de Aix, propôs em 1806 um catecismo novo, deixando aos párocos a escolha do momento oportuno para fazer uso dele. Hézard, p. 279.
A uniformidade no ensino do catecismo foi imposta por Napoleão, em 1806, a todas as Igrejas do império francês. O artigo 39 da lei orgânica de 18 germinal ano X (8 de abril de 1802) declarava que «não haverá mais do que uma liturgia e um catecismo para todas as Igrejas da França». A fim de afastar as dificuldades que poderiam vir de Roma, o primeiro cônsul havia primeiramente encarregado um teólogo italiano, que acompanhava o cardeal legado Caprara, de redigir o novo catecismo. Como este estrangeiro não estava a par dos costumes e hábitos e conhecia mal a língua, sua obra não pôde ser aceita em Paris. Aliás, parece bem que, examinado em Roma, foi declarado conter inexatidões e defeitos e necessitar de correções.
Uma palavra do abade Emery tirou o primeiro cônsul do embaraço: o superior de Saint-Sulpice teria dito que, ao escolher o catecismo de Bossuet, declinar-se-ia de toda responsabilidade. Bonaparte deu, pois, a Portalis, ministro dos cultos, em acordo com Caprara, a ordem de nomear uma comissão de eclesiásticos franceses. Ela tomaria como base de seu trabalho o próprio catecismo de Bossuet, sem levar em conta as modificações feitas pelo cardeal de Bissy. Portalis fez entrar o abade d’Astros, seu sobrinho, na comissão.
Os trabalhos preliminares desta estavam quase terminados perto do fim de 1803. Mas, então, Napoleão, cônsul vitalício, já pensava, ao que parece, em fazer-se nomear imperador. Diferiu, pois, a publicação do catecismo, querendo servir-se deste pequeno livro para assegurar sua dominação e fazer consagrar religiosa e dogmaticamente sua autoridade soberana. Seja como for, Portalis, em uma carta de 13 de fevereiro de 1806, propunha ao imperador substituir, no projeto de catecismo, as generalidades sobre a submissão devida às potências seculares, por uma lição particular visando expressamente Sua Majestade e seus sucessores.
Uma primeira redação apresentava como um dogma da Igreja a obrigação de deveres especiais para com o governo da França. O capítulo novo que a substituiu foi submetido ao imperador, pesado, revisto e reformulado por ele. O texto definitivamente adotado enumerava, em detalhe, os deveres «para com Napoleão I, nosso imperador», e aos motivos gerais acrescentava motivos particulares e a sanção da danação eterna.
Além disso, estes deveres vinculavam os franceses para com os sucessores legítimos do imperador. O cardeal Caprara, embora tendo recebido de Roma a ordem formal de opor-se à publicação do catecismo imperial, leu, discutiu com Portalis e aprovou o texto, inclusive a lição sobre os deveres em relação ao governo.
O despacho de Consalvi, cardeal secretário de Estado, significava ao legado, em 18 de setembro de 1805, as vontades de Pio VII. Embora favorável à uniformidade do ensino religioso, o papa não queria retirar dos bispos a liberdade de escolher eles mesmos o catecismo. Se o governo francês tinha a intenção de impor um, antigo ou novo, o papa considerava este ato como uma injúria feita ao corpo inteiro do episcopado que, sozinho, recebeu de Jesus Cristo o poder de ensinar. Não pertence ao poder secular escolher nem apresentar aos bispos o catecismo que ele tiver preferido, sobretudo se este for adaptado ao espírito do tempo, espírito de irreligião, de incredulidade, ou ao menos de indiferença. Era necessário, pois, impedir que um tal catecismo fosse publicado.
Caprara manteve o despacho secreto e anunciou a Portalis, em 13 de fevereiro de 1806, que estava autorizado a aprovar o novo catecismo. O imperador fazia questão desta aprovação, porque os padres da Bélgica haviam manifestado a intenção de não ensinar o novo catecismo se não fossem autorizados pelo papa ou seu representante. O clero do Piemonte e dos Estados de Gênova, de Parma e de Placência estava nas mesmas disposições.
No dia 30 do mesmo mês, Caprara deu, de fato, a aprovação canônica, e no dia 4 de abril, um decreto imperial tornava o catecismo obrigatório em todas as Igrejas da França. O jornal de l’Empire anunciou, em 5 de maio, esses dois atos e a publicação próxima do novo catecismo. Esta notícia causou em Roma um profundo espanto. Consalvi não queria acreditar em sua veracidade e exigia que o governo tomasse o parecer da Santa Sé. Caprara não comunicou a ninguém este segundo despacho. Pio VII, preocupado com assuntos mais graves, não desmentiu publicamente seu legado; mas este foi desde então considerado em Roma como o agente do imperador mais do que como o representante do papa.
Contudo, a publicação do novo catecismo era retardada pelas oposições que ocorriam no Império. Sabia-se seu conteúdo. O capítulo sobre os deveres para com Napoleão era especialmente criticado, ao menos em particular. Mgr d’Aviau declarou publicamente que a medida era uma usurpação do Estado sobre os direitos da Igreja. Aqueles que não ousavam atacar abertamente o capítulo relativo ao imperador criticaram outros pontos, nomeadamente a supressão da resposta concernente à máxima: Fora da Igreja, não há salvação.
Napoleão e Portalis estavam contrariados com essa oposição, que visava a fazer fracassar todo o projeto. O cardeal Fesch, retornando de Roma, preocupou-se com as críticas feitas ao novo catecismo; ele consultou vários teólogos, entre outros o abade de Boulogne, que redigiu algumas notas. Estas foram apresentadas pelo cardeal ao seu sobrinho que, para obter êxito, consentiu em preencher a lacuna e em reintroduzir no catecismo a resposta de Bossuet, que fora removida.
O novo catecismo foi colocado em circulação na primeira quinzena de agosto de 1806. O decreto imperial estava publicado no cabeçalho. Diversos ataques ocorreram contra ele; censuravam-no, sobretudo, por provir da autoridade civil. Apontavam-se as divergências que ele apresentava em relação ao texto de Bossuet, do qual era apresentado como um segundo exemplar. Espalhou-se à profusão um panfleto: Le véritable esprit du catéchisme publié par Buonaparte, obra de um padre dissidente da Bélgica. De fato, ele limitava-se a criticar a definição da Igreja, que era, contudo, a de Bossuet.
Os padres de Tournai endereçaram observações ao cardeal legado. Deram-lhes uma resposta que os bispos da Bélgica foram encarregados de comunicar ao seu clero. Em Namur, rejeitou-se, não obstante, o novo catecismo. O ministro dos cultos escreveu ao bispo para agir com sabedoria e lentidão e para não recorrer à coerção. Aconselhou aos outros bispos não forçar os fiéis, mas esclarecê-los. Ele supervisionava a impressão nas dioceses e tomou medidas extraordinárias para prevenir as falsificações. Todavia, acabou-se por deixar aos bispos uma certa liberdade para a impressão e a venda dos exemplares. O maior número dos bispos aplaudiu e os opositores resignaram-se. Assim, Mons. de Belloy, arcebispo de Paris, publicou o catecismo, embora declarando, em sua carta pastoral de 12 de abril de 1806, que não cabe «aos imperadores, mas aos pontífices pregar os dogmas da Igreja de Deus». Cf. J. Jauffret, Mémoires historiques sur les affaires ecclésiastiques de France, c. xvii, Paris, 1823, t. III, p. 158-171; conde d’Haussonville, L’Eglise romaine et le premier empire, 1800-1814, c. xxvi, Paris, 1868, t. II, p. 255-295.
Impresso em todas as dioceses, o catecismo do império foi traduzido para o flamengo, para o bretão e para o alemão. Alguns bispos conseguiram, apesar da vigilância dos prefeitos, nele introduzir modificações. Fizeram-se até, ao que parece, falsificações, nas quais erros haviam se infiltrado. O compêndio era formado pelas perguntas do grande, marcadas com um asterisco; foi publicado à parte em várias dioceses. Uma Explication du catéchisme à l’usage des Eglises de l’empire français, in-12 e in-8°, Paris, 1807; in-12, 1808; 5ª ed., in-8°, 1810, 1814, e na sequência do Catéchisme de Bourges, Lyon, 1836, 1844, 1852, publicada sob o véu do anonimato, é obra do sulpiciano La Sausse. O Pe. Lambert, O. P., fez-lhe a crítica: La pureté du dogme et de la morale vengée contre les erreurs d’un anonyme, etc., in-8°, Paris, 1808. Cf. L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, Paris, 1900, t. II, p. 84-85.
Quando o império caiu, a maior parte dos bispos apressou-se a abandonar o catecismo que a autoridade do imperador lhes impusera e a retomar os antigos manuais. O bispo de Bayonne, Mons. de la Vieux-Ville, proibiu o catecismo imperial em uma carta pastoral de 8 de agosto de 1814, emitindo publicamente a suspeita «de que cópias informes alteraram o que havia sido submetido à autorização do legado da santa sé, e que artigos estranhos à fé cristã foram ali adicionados». O arcebispo de Toulouse fez, em 1814, uma edição expurgada, que foi traduzida para o tolosano em 1817 e empregada até 1822.
Em 1835, o catecismo do império, refeito em parte, retornou a Toulouse com Mons. d’Astros, seu suposto autor. Hézard, p. 308, 411, 452.
Desde 1814, algumas dioceses tiveram um catecismo novo. Assim, em Metz, Mons. Jauffret substituiu de ofício o do império por um que, modificado em 1849 e em 1889, ainda está em uso. Existe naturalmente em duas línguas, francesa e alemã. Hézard, p. 386-387.
Mons. Bescherel compôs um novo catecismo que impôs a toda a diocese de Valence e que sofreu retoques em 1820 e em 1846. Ibid., p. 463-465.
Em Cambrai, Mons. Belmas inspirou-se no catecismo de Montazet. Seu manual, longo e difícil de aprender, foi simplificado e modificado em 1842 por Mons. Giraud. Foi traduzido para o inglês em 1856. Ibid., p. 325-326.
Avranches teve seu catecismo próprio, in-12, Caen, 1818; Avranches, 1824. Ibid., p. 301.
A unidade foi estabelecida em Autun, em 1821, por um catecismo que foi refundido em 1826 e em 1866. Ibid., p. 296-297.
O catecismo atual de Evreux data de 1824. Ibid., p. 353.
Em 1825, um novo catecismo extraído dos antigos foi imposto a Estrasburgo por Mons. Tharin. Foi traduzido para o alemão e permanece ainda em uso. Ibid., p. 445-446.
Em 1832, o bispo de Fréjus tornou obrigatório seu catecismo, tirado em grande parte do de Arles. Uma edição rejuvenescida e aumentada foi dada em 1895. Ibid., p. 356-357.
Em 1828, o bispo de Troyes, para estabelecer a uniformidade do ensino, reduziu a um único catecismo os dois antigos de Troyes e de Langres. Retocado e aumentado em 1864, ainda é empregado. Ibid., p. 459-460.
Mal nomeado para o bispado de Versailles, Mons. Borderies, que, como vigário em Saint-Thomas d’Aquin em Paris, 1802-1819, fora um catequista eminente, ver Mons. Dupanloup, La vie de Mgr Borderies, évêque de Versailles, Paris, 1905, p. 61-67, 89-185, trabalhou ele mesmo, de 1828 a 1831, em um catecismo que deveria, em 1832, tornar o ensino religioso uniforme em sua diocese. Ibid., p. 390-391, 413-414.
Permaneceu em uso em Versailles até 1868. Mons. Gallard adotou-o, salvo ligeiras modificações, em 1840, para a diocese de Meaux, onde foi ensinado até 1872. Mons. Mellon-Jolly, a quem Mons. Gallard dera a consagração episcopal, transportou-o em 1845 para a diocese de Sens, que o conservou até hoje, não sem adições e modificações. Outros catecismos fizeram empréstimos ao de Mons. Borderies. Hézard, p. 214, 383, 442-443, 468.
De 1833 a 1843, Mons. de Cosnac fizera o antigo catecismo de Sens sofrer reformulações contínuas e diversas, que multiplicavam as reformas. Ibid., p. 441-442.
Para estabelecer a uniformidade em um território que pertencia outrora a seis dioceses, o bispo de Grenoble, em 1836, impôs um catecismo pequeno, um catecismo médio e um catecismo das festas. Em 1889, o pequeno foi fundido no médio, e o conjunto formou um manual totalmente renovado quanto à forma. Ibid., p. 360-361.
Em 1838, Mons. Bouvier compôs para Le Mans um catecismo muito ordenado e bastante extenso, que foi notavelmente reduzido em 1886. Foi adotado em 1859 na diocese de Laval, onde continua a ser ensinado. Ibid., p. 364-365, 379-380. Ver col. 1119.
Em 1840, o arcebispo de Chambéry entregou aos seus diocesanos uma Doutrina cristã, para os párocos, os mestres e os pais, com uma nova edição do compêndio de 1816, que foi ela mesma corrigida em 1855. Ibid., p. 332-333.
No mesmo ano, o bispo de Montpellier apresentava um texto uniforme, quase inteiramente tomado de empréstimo ao catecismo de Mgr d’Astros em Toulouse. Uma redação mais simples e mais clara o substituiu em 1863. Ibid., p. 391-392.
No mesmo ano de 1840, Mgr de Lesquen impôs ao diocese de Rennes o texto uniforme que foi encurtado e tornado mais popular em 1857. Ibid., p. 428-429.
Em 1843, o bispo de Blois, para responder aos desejos dos párocos, publica um catecismo mais completo, que ainda está em uso. Ibid., p. 313.
Em 1849, o bispo de Luçon mandou imprimir um novo catecismo, que se divide em quatro cursos de instruções proporcionados à idade e ao progresso das crianças. A doutrina se completa de um ao outro. Ibid., p. 372.
No mesmo ano, um novo catecismo, ensinado até hoje, substituiu em Marselha o de Mgr de Belzunce. Ibid., p. 381.
Em 1846, Paris havia recebido um catecismo de tendências tradicionalistas, que compreendia três cursos, um pequeno catecismo, um catecismo para uso das paróquias e um grande catecismo para os colégios e as escolas de primeiro grau. Ibid., p. 412.
Contudo, a multiplicidade incessantemente renascente e a diversidade dos catecismos franceses impressionaram os espíritos, e desde 1849 delineou-se na opinião francesa um movimento em direção à unidade. O concílio de Paris emitiu o desejo "de fazer preparar e de adotar um catecismo, segundo o espírito e conforme a ordem das matérias daquele do concílio de Trento", ao menos para a província eclesiástica que representava. Mas antes de trabalhar na realização de seu pensamento, os bispos encarregaram o seu metropolita, Mgr Sibour, de escrever a todos os arcebispos franceses para pedir-lhes que se concertassem com os seus sufragâneos a respeito de um catecismo único para toda a França. A carta do arcebispo de Paris, datada de 12 de outubro de 1849, encontra-se na Collectio Lacensis, t. iv, p. 53-54.
Os outros concílios provinciais, realizados em 1850 e 1851, preocuparam-se também com o catecismo.
O de Albi recomendava a ordem do catecismo romano. Decret. vii, n. 3, ibid., p. 414.
O de Bordéus recomenda o catecismo de Belarmino e propõe reeditar a tradução francesa impressa em Lyon em 1839. Tit. i, c. iv, n. 7, ibid., p. 557-558.
O de Sens deseja ver estabelecer-se a uniformidade e emite o desejo de que não haja mais na França senão um único catecismo juxta formam concilii Tridentini. Tit. iv, c. ii, ibid., p. 902.
O de Bourges faz uma confissão idêntica. Tit. vi, decret. De catechizandis pueris, ibid., p. 1129.
O de Auch (1851) recomenda a forma do concílio de Trento. Art. 168, ibid., p. 1204.
Uma brochura anônima: De l’unité de catéchisme, Nancy, 1851, expõe os inconvenientes da diversidade dos catecismos e as vantagens da unidade de catecismo. Ela é o eco do pensamento dos párocos do campo naquela época. Os desejos do concílio de Paris não foram estéreis. Mgr Sibour fez preparar, durante dois anos, por teólogos, párocos e catequistas de sua diocese, um catecismo novo, que vários bispos da província eclesiástica examinaram e corrigiram.
Esforçou-se em juntar e conciliar nele a autoridade da razão com a da fé. Ele ainda está em uso em Paris e foi imitado em vários lugares. Em Orleães, em 1864, Mgr Dupanloup tomava dele emprestado seu plano e um bom número de suas fórmulas. Em Meaux, em 1872, ele foi reproduzido quase integralmente, salvo em duas lições preliminares e por algumas respostas. O grande catecismo de Reims, feito em 1877 por Mgr Langénieux, é tomado em maior parte daquele de Mgr Sibour. Em 1878, o grande foi adotado em Versalhes e em 1880 em Ajaccio. O catecismo de Annecy, feito em 1887 por Mgr Isoard, tomou dele emprestada a divisão geral assim como muitas fórmulas. Hézard, p. 214, 291, 383, 403-404, 442-443, 427, 469, 476.
Em 1857, Mgr Saint-Marc faz um catecismo novo para Rennes. Ibid., p. 429. Em 1858, Mgr Didiot remodelava o catecismo de Bayeux. Ibid., p. 302. Em 1859, Mgr de Salinis modificava o antigo da diocese de Auch. Ibid., p. 295. Mgr Sergent, bispo de Quimper, publicava em 1865 um compêndio da fé em francês, e em 1872 o mesmo compêndio em bretão, mas com explicações. Em 1879, Mgr Nouvel dava à mesma diocese um novo catecismo francês, que apareceu em bretão em 1884 com explicações. Ele se assemelha ao catecismo de Mgr Saint-Marc para Rennes. Ibid., p. 424-425.
Em 1869, La Rochelle tem um catecismo novo, composto sobre o plano daquele de Paris, ao qual empresta também a maior parte de suas fórmulas; mas ele é remodelado e encurtado em 1888. Ibid., p. 431. Após o concílio do Vaticano, em quase todas as dioceses francesas, modificam-se algumas respostas sobre a Igreja e acrescenta-se uma questão sobre a infalibilidade pontifícia. Em várias, tomou-se disso ocasião para operar reformulações mais completas. Verdun tem assim, em 1873, um grande e um pequeno catecismos novos. Mgr Turinaz (1873-1882) dá à diocese de Tarentaise um catecismo, que é sua obra pessoal, mas que seu sucessor, Mgr Pagis, abandona. Ajaccio recebe um em 1873. Saint-Dié faz, em 1880 e em 1884, duas reformulações sucessivas de seu antigo catecismo. Toulouse recebe um novo em 1881. No mesmo ano, o de Vannes é corrigido. O catecismo bretão de Tréguier é retomado em Saint-Brieuc em 1883. Tarbes tem um novo em 1884, e Tulle em 1885. Em Dijon, em 1888, compila-se o antigo catecismo com o de Mgr Sibour. Um Grande catecismo para uso da diocese de Toulouse é publicado em 1891. Em 1891, Mgr Rosset reformula o de Saint-Jean de Maurienne. Em 1902, Mgr Turinaz redige ele mesmo um, que é imposto à diocese de Nancy em 1904. A diocese de Meaux teve também um novo catecismo em 1904. A diocese de Saint-Denis da Reunião tinha tido, em 1860, seu catecismo particular.
Notemos um último incidente da história dos catecismos diocesanos na França. De 1888 a 1890, alguns bispos, entre outros o de Orleães e os arcebispos de Aix e de Rennes, acrescentaram aos seus catecismos uma lição ou algumas respostas sobre os deveres eleitorais dos cidadãos franceses ou sobre o divórcio. O governo atingiu-os como de abuso e ordenou a supressão das adições que não lhe agradavam.
2° Na Alemanha. — A Alemanha teve também, no século XIX, seus catecismos diocesanos; assim Constança, em 1806, Erlau e Augsburgo, em 1836; este último, redigido por Ch. von Schmidt, é imperfeito, não sendo quase nada além de uma má revisão de Canísio. Um Katechismus der christkatholischen Religion zum Gebrauch in den Kirchen und Schulen der Diözese Würzburg havia aparecido em 1823. Era obra de François Stapf; foi aprovado pelo rei da Baviera e pelo vigário-geral de Bamberg, mas colocado no Index por decreto de 5 de setembro de 1825. Outro catecismo, com o mesmo título e obra de S. Brendel, foi denunciado a Roma; mas sua ortodoxia foi reconhecida em 1827. Reusch, Der Index, t. II, p. 1086-1087.
Em 1842, J. B. Hirscher fez um catecismo, que foi utilizado durante trinta anos na arquidiocese de Friburgo em Brisgóvia. As edições são numerosas. Ele sai da marcha ordinária e expõe a extensão do reino de Deus. Foi explicado por Alban Stolz. Hirscher também fez um pequeno catecismo, reeditado de 1845 a 1862. Schuster, pároco württemberguês, redigiu um catecismo em duas partes, que foi reformulado em 1849 para a diocese de Rottenburg. Este catecismo de Rottenburg foi adotado nas dioceses de Coira e de São Galo, na Suíça.
A Alemanha do norte servia-se dos escritos de B. H. Overberg, Katechismus der christkatholischen zum Gebrauche der grösseren Schüler nach Anleitung des Religionshandbuchs, Münster, 1804; uma segunda edição foi feita para as classes pequenas; esta obra foi muito difundida; o Christkathol. Religionshandbuch, do qual segue o plano, apareceu ao mesmo tempo, 2 vol., Münster, 1804. Teve oito edições, foi adotado em Viena em 1824 e traduzido para o holandês, assim como os dois catecismos de Overberg. A atenção dos bispos alemães, reunidos em sínodo em Würzburg em 1848, deteve-se na multiplicidade e na divergência dos catecismos. A conferência dos bispos alemães, realizada em Freising em 1853, adotou para as escolas da Baviera um catecismo único, o do jesuíta J. Deharbe, publicado naquele ano. Ele compreende um grande, um médio e um pequeno catecismos e foi adotado sucessivamente em quase todas as dioceses alemãs.
3° Na Áustria-Hungria. — Em 5 de novembro de 1855, Pio IX escrevia a todos os bispos do império austríaco para recomendar-lhes o uso de um catecismo único nas escolas para a instrução religiosa das crianças pequenas. A multiplicidade desses livros de ensino era prejudicial, e não se deveria mudá-los continuamente, a menos que houvesse razões graves. Collectio Lacensis, t. V, col. 1239; cf. col. 1287.
É por isso que o sínodo provincial de Viena, realizado em 1858, decidiu que, de agora em diante, em toda a província, utilizar-se-ia apenas o catecismo redigido ad compendii Canisii normam e editado pelo cardeal Migazzi. Fazer-se-iam apenas as adições e as correções adequadas. Tit. V, c. IX, ibid., col. 211. O concílio de Estrigônia, reunido no mesmo ano, decretou que não se empregaria nas escolas e nas igrejas senão o catecismo que fosse designado pelo bispo diocesano. Tit. V, n. 6, ibid., col. 49. O concílio de Praga, em 1860, resolveu fazer redigir um catecismo único para toda a província. Tit. II, c. VI, col. 451. O de Colocza, em 1863, referindo-se à carta de Pio IX, emitiu o desejo de que os bispos impusessem um só catecismo para toda a província. Tit. VI, c. V, ibid., col. 701.
4° Na Suíça.
— Monsenhor Yeni publicou para as dioceses de Lausanne e de Genebra um Catéchisme ou abrégé de la doctrine chrétienne à l’usage de la jeunesse, in-8°, Friburgo, 1839. O Catéchisme du diocèse de Bâle apareceu em Einsiedeln, 1883; ele é ilustrado e compreende um resumo em quinze lições.
5° Na Irlanda. — O II concílio provincial de Tuam, reunido no mês de agosto de 1858, recomendava as confrarias da doutrina cristã. Para o ensino, era preciso seguir o catecismo romano e um pequeno catecismo para as crianças. A doutrina cristã deve ser explicada nas escolas. C. VI, IX, Collectio Lacensis, t. III, col. 877-879.
6° Em Portugal e na Espanha. — O lazarista Joaquim José Leite publicou um catecismo para o uso da diocese de Macau: Cartilha Macaense, Lisboa, 1850, e um resumo da doutrina cristã em algumas páginas: Compendio da doutrina christa, Lisboa, 1850.
7° Na Itália. — Os bispos da Úmbria, reunidos em Espoleto no mês de novembro de 1849, nomeiam uma comissão para redigir um catecismo ad normam catechismi romani; recomendam, enquanto isso, os opúsculos de Belarmino. Tit. I; tit. VII, n. 2, Collectio Lacensis, t. VI, col. 744, 749.
O concílio de Siena, em 1850, recomenda fazer o catecismo para as crianças e para os adultos. Para as crianças, seria necessário um pequeno livro contendo os rudimentos da fé e as verdades necessárias a serem conhecidas antes da primeira comunhão. Ibid., col. 259.
O sínodo de Pisa, realizado no mesmo ano, emite este desejo: Edatur brevior aliquis catechismus juxta ordinem et doctrinam catechismi romani; propõe também a publicação de um pequeno catecismo histórico. Sess. IX, c. I, n. 5, ibid., col. 237.
O sínodo provincial de Ravena, em 1855, quer estabelecer a unidade de método e de fórmula e ordena adotar o catecismo de Belarmino, após ter feito nele as adições adequadas. Part. I, c. V, n. 2, ibid., col. 150.
Os bispos da província de Urbino, reunidos em 1859, recomendam também o catecismo de Belarmino. Part. II, tit. VI, n. 205, ibid., col. 67.
Os da província de Veneza, no sínodo do mesmo ano, ordenam o emprego do mesmo catecismo, mas com as adições aprovadas pela Sé apostólica. Part. I, c. I, ibid., col. 292; cf. col. 364.
8 Na Inglaterra. — An abstract of the Douay catechism e Abrégé du catéchisme de Douai apareceram juntos, Londres, 1813. O texto inglês apenas foi impresso, Londres, 1827. Os bispos da Inglaterra e do país de Gales aprovaram um só e único catecismo para o uso de suas dioceses: A catechism of christian doctrine, Londres, 1898.
9 Na América do Norte. — Monsenhor Hay publicou: Abridgement of the christian doctrine, Baltimore, 1827. O I concílio de Baltimore, em 1829, quer evitar os inconvenientes que resultam do emprego de catecismos privados e ordena não empregar senão catecismos aprovados; deseja que se redija um segundo o de Belarmino. N. 33, Collectio Lacensis, t. III, col. 32.
O concílio plenário dos Estados Unidos encarrega, em 14 de maio de 1852, três bispos de redigir um catecismo inglês ou de escolher um já existente, referindo-se aos seus colegas. O catecismo novo será remetido ao arcebispo de Baltimore, que o submeterá à aprovação da Santa Sé. Far-se-á, ou escolher-se-á da mesma forma um catecismo alemão, e o projeto será comunicado aos bispos que conhecem essa língua. Ibid., col. 139.
O segundo concílio plenário, reunido em Baltimore em 1866, recomendou os exercícios do catecismo e as escolas da doutrina cristã. N. 435, ibid., col. 516.
As mesmas preocupações mostraram-se no Canadá. O I concílio de Quebec, em 1851, resolveu fazer um catecismo francês com vistas a estabelecer em toda a província a uniformidade do ensino religioso. Para os fiéis de língua inglesa, adotou o catecismo de Butler, que era aprovado pelos bispos da Irlanda e que já era difundido no Canadá. Regulava também os catecismos a serem feitos antes e depois da primeira comunhão. Can. 11, 12, ibid., col. 614-615.
O II concílio da mesma província (1854) renovava as recomendações sobre o número e a organização dos catecismos. Can. 15, n. 9, ibid., col. 653. Em 1857, o concílio provincial de Halifax ordenava que, para o ensino religioso nas igrejas e escolas, fossem preparados três catecismos, em francês, em inglês e em bretão, e que fossem submetidos à aprovação de Roma. Can. 11, n. 4, ibid., col. 737. Um catecismo algonquino foi impresso, Mondang, 1865.
10º Na América do Sul. — O sínodo provincial da Nova Granada, em 1868, ordena recitar, na missa de domingo, após o Evangelho, os atos das virtudes teologais, o Pater, o Ave, o Credo, os mandamentos de Deus e da Igreja e os sacramentos, para que o hábito de repeti-los grave a lembrança na memória dos ouvintes. O arcebispo preparará um pequeno livro adaptado à inteligência das crianças e isento de erros, que os párocos deverão fazer aprender. Tit. 11, c. III, Collectio Lacensis, t. VI, col. 491, 492.
O concílio da província de Quito, realizado em 1869, quer impor em toda parte o mesmo método catequético. Encarrega três eclesiásticos de elaborar três catecismos, pequeno, médio e grande, nos quais o ensino idêntico será proporcionado à capacidade das crianças. Os dois primeiros serão traduzidos para a língua quíchua para a instrução dos índios. A primeira edição será supervisionada pelo arcebispo, que consultará os seus sufragâneos; as reimpressões serão deixadas à solicitude dos bispos. Mas haverá na província apenas um catecismo único, do mesmo modo que as fórmulas dos atos de fé, de esperança e de caridade serão uniformes. Decret. 11, n. 11-14, ibid., col. 484-485.
O concílio plenário de toda a América Latina, realizado em Roma em 1899 (ver t. I, col. 1083-1084), recomendou aos bispos não alterar as fórmulas recebidas e não aprovar facilmente novos catecismos. Decidiu que, em cada paróquia, haveria exemplares do catecismo romano na língua vulgar. Tit. 11, c. v, n. 155, 156, Acta et decreta concilii plenarii Americae latinae in urbe celebrati anno Domini MDCCCXCIX, Roma, 1900, p. 76-78.
Lembrou que se devia seguir a forma do catecismo de Trento, assinalou os inconvenientes da multiplicidade dos catecismos e decidiu que, dentro de cinco anos, cada república, ou pelo menos cada província, teria, pelo parecer comum dos bispos, um catecismo único, com a exclusão de qualquer outro, com o pequeno sumário de tudo o que as crianças e os ignorantes devem saber.
Recomendou afastar prudentemente os catecismos feitos por leigos e geralmente pouco exatos. Os catecismos mais desenvolvidos poderão ser utilmente conservados, os de Belarmino, de preferência a qualquer outro. Finalmente, traçou o método a seguir no ensino do catecismo. Tit. x, c. 1, n. 706-710, ibid., p. 313-315.
Nas paróquias afastadas onde os catecismos não podem ocorrer, os padres deverão, na missa de domingo, explicar o Evangelho e fazer recitar as fórmulas ordinárias para que se gravem na memória dos mais ignorantes. Faz-se deles uma obrigação de consciência, cuja não observação mereceria penas canônicas. Tit. x, c. II, n. 711, ibid., p. 315-316.
11º Nos países de missão. — As missões católicas tomaram um grande impulso no século XIX. Os missionários multiplicaram os catecismos para o uso dos fiéis. Assinalamos acima diversas traduções modernas do catecismo de Belarmino. J. S. Milleradovic publicou um pequeno catecismo ilírio em 1811. Um lazarista publicou um catecismo árabe, em 1828, e um jesuíta, outro, in-18, Beirute, 1848. Um mequitarista, Baba Delliladan, traduziu para o turco uma Doctrina christiana (impressa em caracteres armênios), 7ª ed., 1849. Uma Christiana doctrina in lingua turcica, com tradução latina, apareceu, in-18, Jerusalém, 1860. O Catecismo de Constantinopla, por Murat e Poulin, é em francês. Outro foi redigido em árabe por ordem de Mons. Valerga, in-18, Jerusalém, 1865. Um Compendium (em árabe) apareceu, in-32, 1867. Jean Najean, lazarista, forneceu em árabe uma explicação do catecismo para o uso dos católicos do Oriente, in-18, Beirute, 1868, 1876. Outro lazarista, Antoine Poussou, assistente geral da congregação, havia publicado em árabe um catecismo cujo título apenas está em italiano: Catechismo christiano, in-18, Roma, 1850, e que era a obra de um bispo da Síria. Rosset, Notices bibliographiques sur les écrivains de la congrégation de la Mission, Angoulême, 1878, p. 206-207.
O Sr. Cluzel, lazarista, publicou: Doctrina christiane rudimenta in vernaculam Chaldæorum linguam Urnviensis provincie translata, in-18, Roma, 1861; Catechismus (em caldeu), in-12, Urmia, 1879; Paul Bedjan, lazarista, Doctrina christiana (em caldeu), in-18, Paris, 1886; no dialeto de Urmia, in-8°, Leipzig, 1885; Hillereau, vigário apostólico de Constantinopla, Katyynorc 7 exBeors tho yptotravexns didxoxadlag (em grego moderno), in-12, Constantinopla, 1844; trad. francesa, in-18, Constantinopla, 1851; Achille Helluin, lazarista, Micron enchiridion dia ta pedhia tis protis metabaseos, in-12, Paris, 1848; Catéchisme du diocèse de Smyrne (em francês), 4ª ed., in-18, Paris, 1866; Micra dhidhascalia pros chrisin ton micron pedhion (em grego moderno), in-18, Esmirna, 1874; um catecismo em bengali apareceu em Chandernagor em 1836; Mons. Laribe, lazarista, publicou um catecismo chinês que foi reeditado em 1847 por Mons. Rouger; Mons. Delaplace, da mesma congregação, redigiu na mesma língua: Doctrina necessaria ad intrandum in religionem, 1862; o Catecismo de Pequim é obra de Mons. F. Tagliabue, 1885; Mons. Bray, lazarista, publicou um catecismo chinês, do qual um sumário apareceu em 1875; Alexandre Provost, lazarista, missionário em Pequim, Catéchisme des vérités les plus nécessaires (em chinês e em francês), in-12, Pequim, 1889; Mons. Touvier, lazarista, vigário apostólico da Abissínia, redigiu em francês uma doutrina cristã que o Sr. Coulbeaux, seu confrade, traduziu para o amarínico, in-8°, Keren, 1880, e um Petit catéchisme, que o mesmo traduziu para o tígrinya, 7ª ed.; Mons. Le Roy, bispo de Alinda, publicou para as missões da congregação do Espírito Santo no Congo e no Daomé um Catéchisme de la doctrine catholique (com ilustrações); uma 2ª edição: Catéchisme de la foi catholique, em 2 vols., dos quais um contém apenas a letra, e o outro o mesmo texto com explicações históricas para o uso dos catequistas indígenas. Um catecismo italiano para as escolas das filhas da caridade em Alexandria foi impresso, in-18, Alexandria, 1885.
Em 30 de agosto de 1888, a S. C. da Propaganda escrevia ao vigário apostólico da Coreia para que fizesse redigir um catecismo que refutasse os erros dos coreanos em sua própria língua. Ordenava-lhe que enviasse um exemplar com a tradução latina para que fosse examinado e aprovado por ela. Collectanea... ad usum operariorum apost. societatis missionum ad exteros, Paris, 1880, n. 1157, p. 622.
Em 8 de dezembro de 1869, a mesma Congregação ordenava aos vigários apostólicos da Índia que redigissem um catecismo para os vicariatos que ainda não possuíam um, ou que adotassem um que já fosse utilizado. A Propaganda desejava que a uniformidade de ensino fosse estabelecida em todas as missões, e gostaria que os vigários apostólicos chegassem a um acordo neste ponto. Ibid., n. 59, p. 32.
II. O PROJETO DE UM PEQUENO CATECISMO UNIVERSAL NO CONCÍLIO DO VATICANO. — Muitos bispos haviam se queixado a Roma dos inconvenientes que resultavam da multiplicidade e da diversidade dos pequenos catecismos. Não apenas cada diocese tem o seu, mas vários empregam mesmo diversos manuais, quando os fiéis deveriam reter as mesmas fórmulas e as mesmas palavras. Clemente XIII, na bula In agro dominico, já havia constatado que essa variedade causava escândalos e provocava discussões.
Para fazer cessar os abusos dos catecismos múltiplos e impedir a composição de novos, era preciso promulgar um decreto que tornasse obrigatório em toda a Igreja um pequeno catecismo apropriado à pouca inteligência dos mais ignorantes. O soberano pontífice submetia, portanto, às deliberações do concílio um esquema muito curto que propunha o remédio. Ele mesmo faria redigir em latim um catecismo semelhante ao de Belarmino e que todos os fiéis do mundo inteiro deveriam estudar no futuro, sublatain posterum parvorumcatechismorumvarietate.
Como este pequeno livro não é destinado apenas aos padres, mas deve ser posto nas mãos dos fiéis, quast tessera fidei et pignus celestis beatitudinis que tis promittitur qui ex fide vivunt, os patriarcas e os arcebispos, com o parecer prévio de seus sufragâneos e dos arcebispos da mesma nação, o farão traduzir em cada província com cuidado e tão literalmente quanto possível.
Contudo, os bispos poderão publicar à parte lições catequéticas para dar aos seus diocesanos uma instrução mais ampla ou para refutar os erros correntes em seus meios. Quanto aos párocos, recomenda-se-lhes que tomem o catecismo romano como regra e modelo de suas explicações do catecismo.
Collectio Lacensis, t. vii, col. 663-664. Este esquema foi distribuído aos Padres do concílio em 14 de janeiro de 1870. Ibid., col. 719.
Em 8 de fevereiro, anunciou-se que na congregação geral do dia 10, começar-se-ia o exame e a discussão do projeto De parvo catechismo. Ibid., col. 725. Os presidentes pensavam que os debates não ultrapassariam uma semana. 41 oradores tomaram a palavra em seis congregações de 10 a 22 de fevereiro. Seus nomes estão publicados. Ibid., col. 725-728. O Pe. Granderath, S. J., Die ersten Debatten über den kleinen Katechismus auf dem Vaticanischen Concil, em Stimmen aus Maria-Laach, 1899, t. LVII, p. 379-398, resumiu seus discursos segundo os Atos ainda inéditos.
Alguns Padres, entre outros o cardeal Mathieu, arcebispo de Besançon, Dom Guibert, arcebispo de Tours, Dom Dupanloup, bispo de Orléans, Dom David, bispo de Saint-Brieuc, foram opostos ao projeto. Sem falar dos direitos dos bispos que acreditavam estar lesados, eles fizeram ressaltar a utilidade, a necessidade mesmo de catecismos diferentes. Ela decorre da natureza das coisas: os costumes, os espíritos diferem com os países e as categorias de pessoas. Por toda parte tem-se pelo menos dois catecismos para graduar a instrução religiosa. A variedade do ensino não é má, uma vez que há identidade do fundo. Um novo catecismo só resultará em aumentar as diversidades.
Mas a maioria dos oradores falou em favor do projeto. Não apenas fizeram ressaltar o direito do papa e do concílio de impor um catecismo universal sem ir contra o poder dos bispos, insistiram nos inconvenientes do estado atual. Os bispos podiam deixar erros se infiltrarem nos catecismos diocesanos, testemunhas os bispos jansenistas, observava o arcebispo de Toulouse, e Dom de la Bouillerie recordava os catecismos de José II e de Napoleão I. Quanto à diferença das situações e das idades, a explicação oral se acomodará a ela. Aliás, os bispos poderão acrescentar lições escritas ou redigir um catecismo maior. A dificuldade de impor o novo catecismo não será tão grande quanto se pretende. Os bispos conseguem introduzir catecismos em suas dioceses; o papa e o concílio fracassariam? Os fiéis o desejam; queixam-se das mudanças contínuas dos manuais e não podem zelar eles mesmos pela instrução religiosa de seus filhos, porque ignoram as fórmulas que estes aprendem. A obrigação do catecismo universal regulará a situação embaraçada das dioceses que ainda têm vários catecismos. A dificuldade de traduzir o catecismo latino não é tampouco insuperável. Ela não existe para a tradução do Evangelho? Por fim, segundo Dom Clifford, a reforma não deveria ser feita de uma só vez, mas por modificações sucessivas que os bispos preparariam nos concílios provinciais, trabalhando, por exemplo, sobre o texto de Canisius.
Quando a discussão foi encerrada, em 22 de fevereiro, os presidentes estimaram que não se podia aprovar o projeto. Em conformidade com as regras traçadas para o exame das matérias disciplinares, disseram que o esquema devia ser retocado pela deputação para que fossem levadas em conta as observações trocadas antes de novas deliberações. O esquema reformado foi distribuído em 25 de abril. Collectio Lacensis, t. VII, col. 740.
Ele era mais desenvolvido. Começava por um parágrafo, que recorda o decreto do concílio de Trento a respeito do catecismo dos párocos e as recomendações, feitas pelos papas, do catecismo de Belarmino para as crianças. As principais modificações do projeto em si incidiam sobre dois pontos: a versão, em vez de ser literal, será fiel somente, e os bispos poderão fazer adições, não à parte, seorsim, mas no texto mesmo, ita ut textus patenter distinctus appareat. Ibid., col. 664-665.
A deputação tinha juntado ao texto reformado uma summaria relatio das modificações. Ela tinha ela mesma acrescentado o parágrafo do início, como para atestar o direito do papa. Tinha levado em conta as dúvidas emitidas no curso da primeira discussão. A grande maioria dos bispos tinha aceitado a ideia, que já lhe sorria antes da realização do concílio, de redigir um pequeno catecismo universal. A maioria mostrou-se favorável ao desígnio de torná-lo obrigatório, e por causa dos inconvenientes da multiplicidade dos catecismos, a deputação era de parecer que era preciso fazer disso um preceito. Quanto aos detalhes, tomar-se-á como modelo, não somente o catecismo de Belarmino, mas ainda os que são os mais difundidos. Em conformidade com o desejo de alguns Padres, disse-se que a versão deveria ser fiel antes que literal e que as lições adicionadas pelos bispos poderiam ser inseridas no texto, mas distinguindo-as muito exatamente. Não se disse nada sobre o método a ser seguido nos catecismos, sobre o tempo de sua realização e sobre os conselhos práticos a serem dados; remete-se quanto a isso à Sé apostólica. Ibid., col. 665-666.
O exame do novo projeto ocorreu nas congregações gerais dos dias 27 e 30 de abril. Os nomes dos oradores estão indicados. Ibid., col. 740-741. Mons. K. Kirch, Der kleine allgemeine Katechismus des Vatikanischen Konzils, em Stimmen aus Maria-Laach, 8 de agosto de 1904, p. 121-142, resumiu seus discursos segundo as atas conservadas nos arquivos do Vaticano.
Alguns Padres repetiram os argumentos a favor ou contra a unidade do catecismo. O cardeal Donnet, arcebispo de Bordéus, desenvolveu três razões em favor do catecismo universal: assegurará a pureza do ensino religioso, uma mais forte unidade na fé, uma mais inteira dependência da Santa Sé. O cardeal Rauscher, arcebispo de Viena, replicou. Segundo ele, se a uniformidade no método é desejável ao menos para as diversas regiões como a América e a Espanha, o acordo nas palavras e nas fórmulas não é necessário. Cada língua tem seu gênio, e cada país sua maneira de apresentar a doutrina. É preciso levar em conta também as diferenças da disciplina eclesiástica e das práticas especiais das diversas regiões. Para introduzir o novo catecismo nas escolas austríacas, será necessário o consentimento do governo. Nessas condições, seria melhor deixar aos bispos a questão do catecismo.
As outras observações principais incidiram sobre a redação do futuro catecismo. O bispo de Guastalla pede que os bispos sejam autorizados a transmitir seus pareceres aos redatores. Mons. Verot, bispo de Santo Agostinho (Estados Unidos), deseja que se proceda como na América para os trabalhos preliminares. Mons. Gastaldi, bispo de Saluzzo, gostaria que o catecismo fosse não somente aprovado, mas redigido pelo concílio.
Ele propõe nomear uma comissão de doze membros que seriam encarregados da redação. O bispo de Parma é contrário à nomeação dessa comissão. Segundo ele, seria necessário mais de um catecismo a fim de proporcionar o ensino à capacidade intelectual das crianças. Ele insiste na dificuldade de fazer um bom catecismo; aquele que convier hoje não responderá mais tarde às necessidades do futuro. Ele conclui que é preciso deixar à Santa Sé o cuidado de compor o novo catecismo.
Mons. Ketteler, de Mogúncia, fala do conteúdo do catecismo e deseja uma Summa theologiae antes que um pequeno catecismo; para manter a unidade de espírito, ela seria obra de um só autor. Este deveria reunir quatro qualidades raras: ser ao mesmo tempo teólogo, pedagogo e catequista experiente, enfim, ser capaz de dar às suas expressões uma unção que, como a de Canísio, faça penetrar nas almas a virtude divina da doutrina. Os bispos comparariam esse trabalho, antes de aprová-lo, com os melhores catecismos publicados. O bispo de Tréveris não deseja senão um pequeno catecismo para o primeiro ensino elementar. Mons. Zwerger, bispo de Seckau, responde, em nome da deputação, que o concílio não tem tempo de ocupar-se pessoalmente da redação do pequeno catecismo.
O resumo das correções propostas nesta segunda discussão foi impresso e distribuído após o dia 30 de abril. As correções principais eram que o novo catecismo não seria imposto, que o voto não seria definitivo senão após o exame do catecismo, que uma comissão de doze bispos seria encarregada desse exame, que se acrescentaria a obrigação feita aos bispos de advertir os pais sobre o seu dever de zelar pela instrução religiosa de seus filhos. Collectio Lacensis, t. VII, col. 1743.
No dia 4 de maio, Mons. Zwerger expôs o parecer da deputação. O concílio, não tendo tempo de ocupar-se do catecismo (seriam necessários vários anos), deixará esse cuidado ao papa, a exemplo do concílio de Trento. Quanto ao exame do texto, será melhor confiá-lo a uma dúzia de bispos que o papa designará. Uma simples reedição do catecismo de Belarmino não responderia às necessidades atuais. O pequeno catecismo deve conter apenas as lições elementares do primeiro ensino a ser dado às crianças. Não se excluirão absolutamente os outros catecismos, e se houver, em alguns casos, razões particulares para conservá-los, poderá pedir-se ao papa a autorização necessária. Certamente, um grande catecismo seria muito útil para as classes superiores, e na Áustria, servem-se de três catecismos sobrepostos. Votou-se, naquele dia, sobre a adoção do esquema no conjunto e em geral: houve 491 placet, 56 non placet e 44 placet juxta modum.
No dia 9 de maio, um monitum advertiu os Padres de que o novo esquema, que lhes é enviado, está conforme as correções adotadas nas congregações gerais. Ibid., col. 741-742.
No dia 13 de maio, acrescentou-se o sumário das condições postas pelos Padres que tinham dito: Placet juxta modum. Elas incidiam sobre a redação, o exame e a obrigatoriedade do futuro catecismo, deixados ou ao concílio, ou a uma comissão, ou aos bispos. Os gregos unidos e os romenos pediam que se levasse em conta seus usos e seus ritos. Outros Padres pediam um grande e um pequeno catecismo. Outros não queriam senão o pequeno catecismo, maxima brevitate elaborandus, com a condição de que os bispos acrescentassem breviores aut ampliores institutiones. Ibid., col. 1744-1746.
No mesmo dia, Mons. Marilley, bispo de Lausanne, fez, em nome da deputação, o relatório sobre o novo projeto. Ibid., col. 743. Ele respondeu a três categorias de observações e concluiu que era preciso deixar a conclusão do assunto ao papa. Se em alguns lugares se apresentassem dificuldades especiais quanto à aceitação do novo catecismo, recorrer-se-ia à Santa Sé. A questão não foi retomada no concílio; o decreto não foi promulgado, e a Santa Sé, à qual o assunto foi remetido, não publicou o pequeno catecismo universal. Nem sequer ocupou-se em redigir um, e os bispos continuaram, como no passado, a compor novos catecismos particulares ou a revisar seus catecismos diocesanos. Os trabalhos do concílio do Vaticano sobre este ponto, portanto, não lograram êxito. Cf. C. Martin, Les travaux du concile du Vatican, trad. franç., Paris, 1873, p. 113-115; Granderath, Geschichte des Vatikanischen Konzils, Fribourg-en-Brisgau, 1903, t. 1, p. 202 sq.
III. CATECISMOS PARTICULARES E EXPLICAÇÕES DOS CATECISMOS DIOCESANOS. — São muito numerosos, e não temos a pretensão de dar uma nomenclatura completa deles.
— 1° Na França. — Instructions courtes et familières sur l’Eglise et le schisme, Estrasburgo, 1800; Catéchisme antischismatique, in-12, Aix-la-Chapelle, 1801; Aimé, Catéchisme raisonné sur les fondements de la foi, in-18, Paris, 1801, 1803; em Migne, Catéchismes, t. 1, col. 439-500; um missionário publicou Le catéchisme des peuples de la campagne et des villes contenant des instructions sur les commandements de Dieu, 2ª ed., 4 in-12, 1808; 3ª ed., 1844 (contém também instruções sobre o símbolo e os fins do homem); Exposition des trois principaux mystères de la foi, s. l., 1811; Monsenhor de la Palme, bispo de Aosta, Le bon catéchiste, ou manuel des moyens préparatoires et pratiques dont un catéchiste a besoin pour exercer dignement sa fonction, 2 in-12, Lyon, 1819; Jean Couturier, pároco de Léry, Catéchisme dogmatique et moral, 4 in-12, Dijon, 1821; 4ª ed., 1825; 7ª ed., 1834; um resumo foi feito por um cônego anônimo, 2ª ed., in-12, Dijon, 1830; Id., Explication de la doctrine chrétienne, 2 in-12, 1834; Girault, Les catéchèses d’un pasteur a ses enfans quelques semaines avant et aprés la premiére communion, in-12, Paris, 1822; Id., Entretiens d'un pasteur avec ses enfans, 3 in-12, Paris, 1824; Guillois, Nouvelle explication du catéchisme, in-12, Le Mans, 1827; 2ª ed., 1880; 3ª ed., Lyon e Paris, 1834; 6ª ed., Le Mans, 1851; Explication historique, dogmatique, morale, liturgique et canonique du catéchisme, 4ª ed., 4 in-12, Le Mans, 1860; 8ª ed., 4 in-12, Le Mans, 1856; Lyon, 1862; 12ª ed., Le Mans, 1875; trad. alemã, 4 in-12, Ratisbona, 1848; Id., Le catéchisme en chaire, in-12, Paris, 1859; J.-B.
Vétu, Explication pratique du catéchisme, 2ª ed., 3 in-12, Paris, 1826; Petit catéchisme pour l'instruction des petits Savoyards et Auvergnats, in-18, Paris, 1835;
Quevauvilliers, Explication nouvelle du catéchisme du diocese d’Amiens, 9ª ed., in-12, Amiens, 1836; Catéchisme par demandes et sous-demandes, mis a la portée des enfants les plus ignorants, ou manuel du catéchiste, in-12, Lons-le-Saunier, 1837;
Ed. Chassay, Catéchisme historique des incroyants, em Migne, Démonstrations évangéliques, t. xx, p. 10 sq.;
Martinet, Catéchisme catholique, in-8°, Paris, 1843; Science pratique du catéchisme, ou méthode facile pour instruire les enfants des vérités de la religion (apres les Conférences de Cossart), in-8°, Lille, 1839; 3ª ed., 1845;
Monsenhor Devie, bispo de Belley, Méthode pratique pour faire le catéchisme, adaptée a l'explication des premiéres lecons du catéchisme de Belley, 2 in-12, Lyon, 1837; 4ª ed., 1845; 1847; 1852; Id., Divers essais pour enseigner les vérités fondamentales de la religion aux personnes qui ne peuvent pas apprendre la lettre du catéchisme, etc., in-12, Lyon e Bourg, 1843;
Mougenot, Nouvelle explication du catéchisme de Nancy par demandes et par réponses (para as irmãs da doutrina cristã de Nancy), in-4°, Nancy, 1842; 2ª ed., in-12, 1853;
anônimo de Nancy, Le catéchisme des campagnes. Cours d’explication de la doctrine catholique, etc., 3 in-18, Mirecourt, 1854-1856;
Moitrier, Explication du catéchisme du diocèse de Nancy, 2 in-12, Nancy, 1839; 5ª ed., 3 in-12, Lyon, 1849;
du Clot, Explication historique, dogmatique et morale de toute la doctrine chrétienne et catholique contenue dans le catéchisme de l'ancien diocese de Geneve, 7 in-8°, Lyon, 1822; 4 in-8°, Lyon, 1837; Lyon e Paris, 1843;
L.-R. Moisson, Cours d'instruction morale et religieuse (para as casas de educação), 2 in-12, Paris, 1840, 1843; Catéchisme des peuples de la campagne et des villes, 2 in-12, Lyon, 1844;
Gaume, Catéchisme de persévérance, ou exposé historique, dogmatique, moral, liturgique, apologétique, philosophique et social de la religion depuis l'origine du monde jusqu'a nos jours, 6ª ed., 8 in-8°, Paris, 1849; 8ª ed., 1860; Id., Abrégé du catéchisme de persévérance, 7ª ed., in-18, Paris, 1849; 22ª ed., Paris, 1866;
Catéchisme de l'université, Paris, Lyon, 1845;
Sra. Mangin-Sizaret, Le guide de la jeunesse (explication du catéchisme), para os primeiros comungantes, in-12, Nancy, s. d. (1854);
Gridel, Soirées chrétiennes, ou explication du catéchisme par des comparaisons et des exemples, 7 in-12, Lyon, 1852-1854; 1856; 6 in-12, Lyon, 1861;
Noél, Nouvelle explication du catéchisme de Rodez, 3ª ed., 6 in-12, Lyon e Paris, 1856; 4ª ed., 1859; 5ª ed., 1863; 7ª ed., 1867;
Marius Aubert, Guide du catéchiste, ou méthode pratique pour bien faire le catéchisme, in-12, Paris, 1856, 1858;
Icard, Cours d’instruction religieuse, a l’usage des catéchismes de persévérance, etc., 2 in-12, Paris, 1846; 4 in-12, Paris, 1853, 1859, 1875; Id., Explication du catéchisme du diocese de Paris, 1857, 1874;
Pinard, Le catéchisme de persévérance des familles chrétiennes, ou recueil de conférences, in-12, Versailles, Paris, 1857;
Monnier, Nouvelle explication du catéchisme, 4 in-12, Lyon, 1861;
Catéchisme en histoires, Avignon (1861);
Lambert, Catéchisme a l’égard des sourds-muets sans instruction et des intelligences arriérées, 2 partes, Paris, 1865 (com imagens);
L. Marotte, Cours complet d'instruction chrétienne, ou exposition et preuves de la doctrine chrétienne, in-8°, Paris, 1864; 4ª ed., 2 in-8°, Paris, 1871; Id., Abrégé en forme de catéchisme du Cours complet d’instruction chrétienne a l’usage des catéchismes et des écoles chrétiennes, 9ª ed., in-12, Paris, 1875;
Dumont, Catéchisme catholique, ou cours de lectures sur la religion et questionnaire sur le catéchisme avec réponses, 3 in-12, Verdun, Paris, 1867, 1868; Id., Questionnaire général, complet et pratique sur le catéchisme, Verdun, 1869;
Bulteau, Nouvelle explication du catéchisme d’aprés S. Thomas, 3 in-12, Paris, 1859; 3ª ed., 6 in-12, 1865-1866;
Dupanloup, Catéchisme chrétien ou un exposé de la doctrine de Jésus-Christ offert aux hommes du monde, 5ª ed., Paris e Orléans, 1865;
Sergeot, Manuel du catéchiste, 4 in-12, Lyon e Paris, 1868;
Bouteillier, Catéchisme des grandes personnes, Beauvais, 1868;
[abade Dupuis,] Catéchisme ou exposition de la doctrine chrétienne mise a la portée du jeune age, Lyon, s. d.;
P. Janvier, Le catéchisme en exemples, 3ª ed., in-8°, Lille e Paris, s. d. (1868);
Luche, Catéchisme de Rodez expliqué en forme de prônes, 3ª ed., 3 in-8°, Paris, 1867;
Vidieu, Le catéchisme expliqué aux gens du monde et spécialement à la jeunesse, in-12, Paris, s. d.;
Le Clereq, Théologie du catéchiste. Doctrine et vie chrétienne, 5ª ed., 2 in-18, Paris, 1897;
F. Laveau, Questionnaire très étendu, raisonné, analytique et synthétique sur le catéchisme, 2ª ed., in-12, Paris, 1873;
Gayrard, Guide pour l'explication littérale et sommaire du catéchisme de Paris, 2ª ed., Paris, 1870;
P. Grenet, dito d'Hauterive, Grand catéchisme de la persévérance chrétienne, 12 in-12, Paris, 1872 segs.; 4ª ed., 1876;
Regnaud, La somme du catéchiste, Cours de religion et d’histoire sacrée, 8 in-12, Paris, 1876; 1883;
Bouvier, Le catéchiste de persévérance des maisons d’éducation, 2 in-8°, Paris;
A. Maudouit, Pratique de l'enseignement du catéchisme aux enfants qui n’ont pas fait leur première communion, 2 in-12, Paris, 1876, 1878; Id., Pratique de l'enseignement du catéchisme de la première communion, 4ª ed., 3 in-12, Paris, 1888;
Vincent, Nouveau catéchisme de persévérance ou catéchisme des pensions et des fidèles, Paris, 1875;
V. Bertrand, Catéchisme des petits et des grands, 2ª ed., 6 in-12, Paris, 1874;
Leblanc, Catéchisme liturgique, expliqué et développé, partie du maître, in-12, Paris, 1875; Id., Abrégé de catéchisme liturgique, in-18, Paris, 1875;
F. Loizellier, Explications sommaires du catéchisme, Paris, 1878;
Sylvain (autor de Paillettes d'or), Sommaire de la doctrine catholique en tableaux synoptiques, 6ª ed., 3 in-12, Avignon, 1884;
Turcan, Le directeur des catéchismes de première communion et de persévérance, 3 in-12, Paris, 1878, 1882; Id., Catéchisme sur l'histoire de la religion, Séez, 1885;
Cantin, Catéchisme historique en 50 leçons avec un questionnaire, Bourges, 1886;
Jonquard, Explication littérale du catéchisme de Nancy, in-12, Nancy, 1884; 2ª ed. ilustrada, 1886; P.
Girodon, Exposé de la doctrine catholique, 2 in-8°, Paris, 1884; Rambouillet, Catéchisme de première communion, Paris, 1885; Cauly, Cours d’instruction religieuse à l'usage des catéchismes de persévérance, etc., 4 in-8°, Paris, 1884 segs.; Portais, La doctrine catholique, exposée d’une manière simple, méthodique, complète, à l’usage des collèges, pensionnats, 2 in-8°, Paris, 1887; Courat, Le catéchisme en exemples, 2 vol., Paris, 1887; Moret, Le catéchisme expliqué aux enfants du peuple, in-12, Moulins, 1887; Guerret, Essai de catéchisme, in-12, La Chapelle Montligeon, 1889; Couderc, Catéchisme chanté, Lille, 1890; Schneider, Préparation à la première communion (pour les forains), in-12, Nancy, 1891; Harmand, Catéchisme à l'usage des sourds-parlants de l'institution de la Malgrange, in-12, Nancy, 1893; A. Guyot, Cours supérieur de science religieuse, in-8°, Paris, 1891; Id., Cours élémentaire de science religieuse, in-18, Paris, 1895; Vandepitte, Catéchisme de persévérance, 4ª ed., Cambrai, 1894; 7ª ed., 1897; Id., Catéchisme de première communion, Cambrai, 1889; F.-B. Guéret, Petit catéchisme historique, in-32, Paris, 1894; Id., Catéchisme élémentaire, in-32, Paris, 1897; Catéchisme de persévérance à l'usage de la jeunesse, in-12, Paris, Poitiers; G. Hervieu, Mot à mot du catéchisme, ou explication littérale et raisonnée, 2ª ed., in-12, Paris, Poitiers, 1891; Dassé, Manuel des catéchismes de première communion, in-8°, Paris, 1899; P. Sifflet, Cours de catéchisme étendu et familier, 2 in-12, Lyon, 1904 (colocado no Index); J.-B. Lagarde, Exposition et démonstration de la doctrine catholique par demandes et réponses, 3ª ed., in-12, Paris, s. d. (1898); Adam, Le catéchisme expliqué et illustré, in-12, Paris, 1902; Noisette, Le catéchisme sans maître, in-8°, Pau, 1902; Chapelon, Questions sur le catéchisme (de Lyon et de Paris), Saint-Etienne, 1904; Rabet-Vanblotaque, Le catéchisme des familles. Première partie. Le dogme, in-18, Mont-de-Marsan, 1904; Frère Philippe, Explication des épîtres et évangiles en forme de catéchisme, 2ª ed., in-8°, Versailles, 1864; Schouppe, S. J., Cours abrégé de religion, in-12, Bruxelles, 1874; Constantin, Manuel d'instruction religieuse (segundo Santo Tomás e Santo Afonso de Ligório), parte do aluno; parte do mestre, 2 in-12, Tours, 1904.
2º Nos outros países.
1. Na Alemanha. — Jais, O.S.B., Katechismus der christkatholischen Glaubens und Sittenlehre, Wurzbourg, 1807; publicou também um Handbuch, em 1813; J. Schmid, Hist. Katechismus oder der Katechismus in histor. wahren Exemplen, 7ª ed., 3 vol., 1852; trad. franc. por Belet, 4ª ed., 3 in-8°, Paris, 1856; 5ª ed., 1857; Id., Katechet. homilet. Repertorium, continuado por H. Schwarz, 7 vol., 1854-1865; trad. franc.; J. Schuster, Katechet. Handbuch oder Unterweisung der Jugend in die katholische Religion, 3ª ed., 3 vol., 1856-1860; Conrad Martin, bispo de Paderborn, Cours supérieur d’instruction religieuse, especialmente para o uso de colégios, seminários menores, etc., trad. Eicher, 2 in-8°; J. Schmitt, Erklärung des kleinen Deharbeschen Katechismus, 9ª ed., 1898; Id., Erklärung des mittl. Deharbeschen Katechismus, 9ª ed., 1898; Id., Anleitung zur Erteilung des Erstkommunikanten-Unterrichts, 10ª ed., 1899; Meg, Cours complet et détaillé de catéchèse pour l'instruction des enfants de la classe inférieure des écoles, trad. por Jules Gapp, 2 vol., Paris, 1877; H. Wedever, Lehrbuch für den katholischen Religionsunterricht (para as classes superiores), 3 partes editadas separadamente, Fribourg-en-Brisgau, 1885 segs.; Korioth, Katholische Apologetik (para as classes superiores), ibid., 1894; Habingsreither, Lehrbuch der katholischen Religion (para as classes médias), 4 partes, ibid., 1894-1898; E. Herbold, Beilage zum Katechismus, 7ª ed., ibid., 1898; Th. Dreher, Katholische Elementarkatechesen, 3 partes, 3ª e 4ª ed., ibid., 1898-1902; Id., Kleine katholische Christenlehre (para as escolas populares), 2ª ed., 1899; Id., Gottbüchlein oder kleinster Katechismus für katholische Kinder, 1896; Id., Kleine katholische Apologetik, 9ª ed., 1899; Id., Leitfaden der katholischen Religionslehre (para as classes superiores), 5 partes, 5ª ou 9ª ed., 1901-1903; P. Becker, Lehrbuch der katholischen Religion (para as classes superiores), 4 partes, 1897-1898; J. Schiffels, Der gesamte erste Religionsunterricht, 2ª ed., 1900; Id., Handbuch für den gesamten Religionsunterricht, 1900; A. König, Handbuch für den katholischen Religionsunterricht (nas classes médias), 11ª ed., 1902; Id., Lehrbuch für den katholischen Religionsunterricht (nas classes superiores), 4 cursos, 8ª e 10ª ed., 1902; F. Noser, Katechetik, 4ª ed., 1901; G. Mey, Vollständige Katechesen (para as classes inferiores), 11ª ed., 1902; M. Waldeck, Lehrbuch der katholischen Religion (para os mestres-escola), 5ª e 6ª ed., 1903 (explicação do catecismo diocesano comum a nove dioceses); Wilmers, S. J., Lehrbuch der Religion (explicação do catecismo de Deharbe), 6ª ed. pelo Pe. A. Lehmkuhl, 4 in-8°, Fribourg-en-Brisgau, 1904; trad. franc. pelo abade Grosse, Paris, 1877; Tours e Paris, 1897; Spirago, Catéchisme catholique populaire, trad. franc. por Delsor, Strasbourg, 1902.
2. Na Polônia. — André Pohl, lazarista, Catéchisme moral, 4 in-8°, Vilna, 1816; Id., Catéchisme dogmatique en deux parties, in-8°, Vilna, 1809; Id., Obligations du chrétien, ou catéchisme de mission, in-12, Vilna, 1814; uma doutrina cristã, dividida em lições, foi publicada em polonês, 3 in-8°, Varsóvia, 1826; Antoine Putijatycki, lazarista, Catéchisme de paroisse avec explications à l'usage des ecclésiastiques, Varsóvia, 1852; catecismo polonês, 2ª ed., in-12, Berlim, 1858.
3. Na Itália. — O Catecismo della doctrina cristiana e de’ doveri sociali ad uso dei licei i collegii reali delle scuole primarie del regno, Nápoles, 1815, foi colocado no Índice por decreto de 17 de março de 1817. Il catechista, ossia istruzione cristiana esposta in brevi dialoghi famigliari ad uso dei maestri del catecismo cattolico, de Louis Giudico, foi condenado pelo Santo Ofício, em 30 de julho do mesmo ano. Théodore Dalfi, lazarista, Manuale dei catechisti, in-8°, Turim, 1878; Cyriaque Ultimi, lazarista, Il catecismo ordinato e disposto per uno studio regolare e compinto della religione, in-12, Módena, 1874; Id., Manuale teorico-pratico per l'insegnamento primario della cristiana religione (méthode catéchétique), in-12, Roma, 1889; cardeal Capecelatro, Exposition de la doctrine chrétienne, trad.
franc., 2 in-8°, Paris, 1884; Mons. J.-B. Scalabrini, bispo de Piacenza, Il catecismo cattolico considerazioni, in-8°, Piacenza, 1877.
4. Na Espanha e em Portugal. — Santiago Jose Garcia Mazo, El catecismo de la doctrina cristiana explicado, 16ª ed., in-12, Valladolid, 1864; trad. franc. por Galtier, 3ª ed., Bar-le-Duc, Paris, s. d.; F. Maheu, Compendio o breve esplicacion de la doctrina cristiana, 2ª ed., Barcelona, 1848; F. Taforo, Catéchisme élémentaire de la doctrine chrétienne, trad. do espanhol por J.-B. Loubert, in-8°, Paris, 1870; Joseph Antoine de Magalhaes, lazarista, Catechismo da doutrina christa contro os errores do tempo presente, in-4, Lisboa, 1841.
5. Na Bélgica. — Um Catéchisme à l'usage des collèges foi publicado em 1844; 3ª ed., Paris, Tournai, 1862; um resumo foi feito, Tournai, 1847. O Grand catéchisme du diocèse de Liége apareceu em 1849.
6. Na América. — Em espanhol, os lazaristas, Antoine Damprun, in-32, Lima, 1867; Eusébe Fréret, Buenos-Ayres e Rio-de-Janeiro, in-16, 1867, 1872, 1875; Jose Vaysse, para a diocese de Guatemala, in-18, México, 1886; Mons. Bernard Thiel, para a Costa Rica, Catecismo de la doctrina cristiana, in-12, Friburgo, 1890; Id., Catecismo abreviado de la doctrina cristiana, in-16, Friburgo, 1896. Em português, Barthélemy Cardito, Compendio do catechismo ensino da doutrina crista, Rio-de-Janeiro, 1862; Id., Compendio da doutrina crista, in-32, Paris, 1854; Mariana, 1874; anônimo, Cartilha catholica, in-16, Rio-de-Janeiro, 1876. Citemos ainda Claret, Compendio de la doctrina cristiana, in-18, Buenos-Ayres, 1876; Exposição da doutrina crista (para o uso dos fiéis da diocese de São Paulo), 4ª ed., in-18, São Paulo, 1870.
7. Na Inglaterra. — Catéchisme pratique, traduzido do inglês por um padre francês durante o seu exílio na Inglaterra, 2ª ed., in-12, Rennes, 1820; R. Challoner, Catéchisme dogmatique et liturgique, ou le chrétien catholique, trad. sobre a 14ª ed. inglesa, 2 in-12, Paris, 1836; em Migne, Catéchismes, t. 11, col. 731-902; A manual of instructions in christian doctrine, 2ª ed., in-12, Londres, 1865; A. Devine, Le credo expliqué ou exposition de la doctrine catholique, trad. franc., Avignon, 1902. Conhecemos ainda um catecismo holandês, in-12, Gand, 1869, e um catecismo lapão, publicado em 1891.
Eder, Methodus catechismi catholici, Lyon, 1579; Grotius, Baptizatorum puerorum institutio, Londres, 1647; Schmidt, De institutione catechetica; Miscelle theses de catechizatione, Helmstadt, 1699; Schumann, Dissertatio historica de seminariis catecheticis veterum et recentiorum, Leipzig, 1718; Frickius, De catechizandi ratione veterum et recentiorum Ecclesiae, Ulm, 1729; Dithmar, Beiträge zur Geschichte des katech. Unterrichts in Deutschland, Marbourg, 1848; Gobl, Geschichte der Katechese im Abendlande vom Verfalle des Katechumenats bis zum Ende des Mittelalters, Kempten, 1880; Schöberl, Der katol. Schulkatechismus in seiner Geschichte, Kempten, 1885; F. Probst, Geschichte der katholischen Katechese, Paderborn, 1887; P. Wahlmann, Deutschlands katholische Katechismen bis zum Ende des 16 Jahrhunderts, Munster, 1894; F. H. Thalhofer, Entwicklung des katholischen Katechismus in Deutschland von Canisius bis Deharbe, Friburgo em Brisgóvia, 1899; Hézard, Histoire du catéchisme depuis la naissance de l'Eglise jusqu’à nos jours, Paris, 1900; J. Delplanque, Histoire du catéchisme du diocèse d’Arras, Arras, 1901; Kirchenlexicon, t. VII, col. 288-347; Burger, em Römische Quartalschrift, 1907, p. 159-197. Ver Ul. Chevalier, Répertoire, Topo-bibliographie, t. I, col. 615.
Autor original: E. Mangenot
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