CARYOPHYLLES (JOÃO MATEUS)

CARYOPHYLLES (JOÃO MATEUS)

2. CARYOPHYLLES Jean Matthieu (em grego Καρυόφυλλος ou mesmo Καριόφυλλος), teólogo grego católico dos séculos XVI-XVII. Nasceu em Canea, na ilha de Creta, por volta do ano 1565-1566. Após ter concluído seus estudos de humanidades em sua terra natal, entrou no colégio grego de Santo Atanásio em Roma, onde permaneceu durante 12 ou 14 anos. Durante 4 anos foi diácono da corte pontifícia para o rito grego, e em 14 de junho de 1595 tornou-se doutor em teologia e em filosofia. Ordenado sacerdote, em março de 1596, pelo cardeal Santorio, foi enviado na qualidade de vigário e administrador à diocese de Kissamos (Creta). Durante quatro anos, ali manifestou um zelo por vezes excessivo e teve desavenças com os dissidentes ortodoxos. Os gregos comoveram-se com isso e, por intermédio do famoso teólogo grego Mélétios Pigas, eleito posteriormente para a sé patriarcal de Alexandria, fizeram instâncias junto ao Senado veneziano para que Caryophylles fosse afastado da ilha. De retorno a Roma, foi empregado na Biblioteca Vaticana e deu lições de grego no colégio de Santo Atanásio. Seu protetor, o cardeal Luís Ludovisi, obteve-lhe o título de arcebispo de Icônio in partibus. Faleceu em 1633 e foi sepultado na igreja do colégio grego.

Caryophylles foi um escritor muito fecundo e um apologista fogoso da Igreja Romana contra os teólogos gregos ortodoxos. M. Legrand fornece a lista de suas obras inéditas, das quais várias são mencionadas por Allatius e Papadopouli-Comnéne. Citaremos apenas, dentre as suas obras impressas, aquelas que tratam da teologia:

1° Ἀντίρρησις πρὸς Νεῖλον τὸν Θεσσαλονίκην περὶ τῆς ἀρχῆς τοῦ Πάπα, Paris, 1626, reimpresso por Roccaberti, Bibliotheca maxima pontificia, Roma, 1698, t. XIV, p. 477-513; refutação das mais importantes objeções de Nilo, arcebiospo de Tessalônica (século XIV), De primatu pape romani, ed. de Saumaise, Hanôver, 1608;

2° Noctes Tusculane et Ravennates, Roma, 1621, série de epigramas e peças latinas ou gregas sobre os mistérios das festas litúrgicas do ano, das férias da quaresma e dos domingos do advento;

3° Ἀποδοκιμασία καὶ κατάκρισις τῆς ἐπ᾿ ὀνόματι Κυρίλλου Πατριάρχου Κωνσταντινουπόλεως ἐκδοθείσης ὁμολογίας τῆς πίστεως, εἴτουν ἀπιστίας τῶν Καλδινιστῶν ἣ συνῆτται καὶ ἡ τῶν ἀναθεματισμῶν παρ᾿ αὐτοῦ δὴ τοῦ Κυρίλλου πάλαι ἐκφωνηθέντων ἀπόρριψις, Roma, 1631, refutação da famosa confissão ortodoxa de Cirilo Lucaris, o instigador do protestantismo na Igreja grega do século XVI; Caryophylles publicou também uma tradução latina desta obra: Censura confessionis fidei seu potius perfidie calviniane que nomine Cyrilli patriarche Constantinopolitani edita circumfertur, Roma, 1631, e uma tradução em grego moderno: Κατάκρισις τῆς ὁμολογίας τῆς πίστεως μάλιστα τῆς κακοπιστίας τῶν Καλδινιστῶν, ὁποῦ ἐτυπώθηκεν εἰς ὄνομα Κυρίλλου Πατριάρχου Κωνσταντινουπόλεως, Roma, 1632;

4° Ἔλεγχος τῆς ψευδοχριστιανικῆς κατηχήσεως Ζαχαρίου τοῦ Γεργανοῦ ἀπὸ τὴν Ἄρτην, Roma, 1631, dirigido contra a Χριστιανικὴ κατήχησις de Zacarias Gerganos, metropolita de Arta, escritor grego do início do século XVII; termina com uma elegia sobre os infortúnios da Grécia e os resultados desastrosos do cisma;

5° Vita sancti Patris nostri Nili junioris scripta olim greece a contu- bernali ejus discipulo nunc latinitate donata, interprete Joh. Matthexo Caryophyllo, archiepiscopo Iconensi, Roma, 1624;

6° Note ad exercitationes Isaaci Casau- boni in Baronium, inseridas pelo jesuíta André Eudemon Joannes na Refutatio exercitationum Isaaci Ca- sauboni, Colônia, 1617, p. 125-135;

7° Collationes greci contextus omnium librorum Novi Testamenti cum XX codicibus antiquis manuscriptis ex bibliotheca Barbe- riniana, inseridas na Catena grecorum Patrum in Evangelium secundum Marcum do jesuíta Pierre Pos- sin, Roma, 1673, p. 460-528;

8° Caryophylles traduziu do grego para o latim os Atos do concílio de Florença: Ἡ ἁγία καὶ οἰκουμενικὴ ἐν Φλωρεντίᾳ Σύνοδος, 2 vol., Roma, s. d. (1629, segundo Zaviras p. 3055); o t. I contém a apologia do concílio de Florença por José, bispo de Metone, cuja tradução latina de Caryophylles é reproduzida por Labbe, Sacrosancta concilia, Paris, 1672, col. 734-824, e P. G., t. CLX, col. 1109-1394. Caryophylles sustenta, contra Allatius, que esta obra não é de Jorge Scholarios, mas de José de Metone, P. G., t. CLIX, col. 1107; t. CLX, col. 287. Este mesmo tomo contém a tradução latina da resposta de Gregório protossincelo (Mammas) a Marcos de Éfeso, reimpressa por Labbe, loc. cit., col. 734-824, e dos discursos De pace, atribuídos a Jorge Scholarios. Mansi, Concilia, t. XXXI, col. 1061-1120; P. G., t. CLXX, col. 381-524. A autenticidade destes discursos é muito duvidosa. P. G., ibid., col. 287. Caryophylles deu também uma tradução em grego vulgar da Defensio quinque capitum: Ἑρμηνεία τῶν πέντε κεφαλαίων ὁποῦ περιέχει ἡ ἀπόφασις τῆς ἁγίας καὶ οἰκουμενικῆς συνόδου τῆς Φλωρεντίας, καμωμένη εὐσεβῶς παλαιόθεν, καὶ μεταγλωττισμένη εἰς τὸ ἰδιωτικὸν μίλημα διὰ κοινὴν ὠφέλειαν· ἡ ὁποία ἦτον ἑλληνικὰ τυπωμένη ψευδῶς εἰς τὸ ὄνομα Γενναδίου Πατριάρχου, Roma, 1628;

9° Allatius e Sommervogel atribuem a Caryophylles uma versão em grego moderno do catecismo de Belarmino, e a Nouvelle biographie générale, não sabemos com base em quais dados, a tradução siríaca da mesma obra: Dottrina cristiana tradotta della lingua italiana nella siriaca, Roma, 1633. Caryophylles colaborou nos comentários de Michel Ghisleri sobre Jeremias. Dictionnaire d’archéologie chrétienne et de liturgie, t. I, col. 1221.

Allatius, Apes urbane, Roma, 1633, p. 162-163; Id., De Eccle- sie occidentalis atque orientalis perpetua consensione, Colônia, 1618, col. 999; Nicius Erythraeus, Pinacoteca imaginum illustrium doctrine vel ingenti laude virorum, Colônia, 1645, p. 223-224; Fabricius, Bibliotheca greca, t. XI, p. 446; Dosithée historique, Paris, 1740, t. II, p. 152; Rodota, Storia del rito greco in Italia, Roma, 1773, t. II, p. 165-166; Jöcher, Allgemeines Gelehrten-Lexicon, Leipzig, 1750, t. I, col. 1675; Nouvelle biographie universelle, Paris, 1853, t. VII, p. 228-229; Papadopoulo-Vrétos, Neoelliniki philologia, Atenas, 1854, t. I, p. 204-205; Pichler, Geschichte des Protestantismus in der orientalischen Kirche im 17 Jahrhundert, Munique, 1862, p. 208; Limmier, Scriptorum Græciæ orthodoxæ bibliotheca selecta, Friburgo, 1864, p. X-XI; Sathas, Neoelliniki philologia, Atenas, 1868, p. 264-265; Démétracopoulo, Orthodoxia kai diorthosis, Leipzig, 1874, p.

48-49; Legrand, Bibliographie hellénique du XVII siècle, t. I, p. 389; t. III, p. 196-203, 226-227, 521-522; t. V, p. 226-227; Hefele, Histoire des conciles, Paris, 1876, t. XI, p. 429; Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, Bruxelas, 1890, t. I, col. 1198; Evanghélides, Ierodikos B’ o Lykodikos, Atenas, 1896, p. 72-73; Lebedev, Istoriia greko-vostotchnoi tzerkvi pod viastiu Turok, Serghiev Posada, 1901, t. II, p. 670; Hurter, Nomenclator, t. III, col. 287, 447.

Os escritos de Jean Matthieu Caryophylles em favor da primazia do papa tiveram contraditores na Grécia, tais como Máximo do Peloponeso, cujo Exetasis kata tou aytomatos tou Papavou apareceu em Bucareste em 1690; Bianu et Hodos, Bibliografia romanesca veche, Bucareste, 1900, p. 297-298; 1902, p. 336-337; Meyer, Die theologische Literatur der griechischen Kirche, Leipzig, 1899, p. 103, e de Georges Corésios, Papadopoulo-Kérameus, Ierosolymitiki bibliothiki, São Petersburgo, 1899, t. IV, p. 46.

Na biblioteca Vallicelliana de Roma, encontra-se uma obra inédita de Caryophylles contra o monge calabrez Barlaam Martini, Catalogo dei manoscritti greci esistenti nelle bibliotheche italiane, Milão, 1902, t. I, p. 208,

Autor original: A. Palmieri

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