CARDENAS (Jean de), jesuíta espanhol, nascido em Sevilha em 1613, entrou aos catorze anos na Companhia de Jesus, onde teve de exercer durante longos anos os cargos de reitor e de provincial. Todavia, a sua maravilhosa facilidade para o estudo e a sua extrema flexibilidade de espírito permitiram-lhe consagrar-se, sem negligenciar em nada os seus deveres administrativos, a trabalhos intelectuais de ordem variada, que a todos lhe conferem grande honra e lhe asseguram, em particular, um lugar eminente entre os moralistas da sua época: foi inscrito por Santo Afonso no número dos autores «classici in re morali».
A sua principal obra é um exame crítico das opiniões morais das quais o cisterciense Jean Caramuel se fizera o advogado, muitas vezes demasiado indulgente: Crisis theologica bipartita, sive disputationes selectae ex morali theologia, in quibus pro votis illustrissimi D. D. Joannis Caramuelis, utque operi ejus interrogatorio respondeatur, quamplurimae ejus opiniones et argumentationes ad prefatam crisim vocantur, in-fol., Lyon, 1670.
Tomado como alvo, por este motivo, pelo dominicano francês Jacques de Saint-Dominique, Cardenas publicou, numa terceira parte da obra reeditada em Sevilha em 1680, uma defesa do probabilismo moderado, bem como um método preciso para distinguir as opiniões prováveis das improváveis. Após a morte do autor, ocorrida em Sevilha a 6 de junho de 1684, uma quarta parte, contendo notas e esclarecimentos sobre as 65 proposições condenadas por Inocêncio XI em 1679, foi acrescentada como Opus posthumum às três primeiras nas edições de Veneza de 1694, 1700 e 1710. Esta última parte foi frequentemente reimpressa à parte sob este título definitivo: Crisis theologica in qua plures selectae difficultates ex morali theologia ad Lydium veritatis lapidem revocantur ex regula morum posita a SS. D. N. Innocentio XI P. M. in diplomate damnante sexaginta quinque propositiones, in-fol., Sevilha, 1687; Colónia, 1690; in-4°, Veneza, 1693, 1696, etc.
A obra de Cardenas distingue-se sobretudo pela clareza da exposição e pela solidez dos raciocínios; mas confere demasiada amplitude ao seu pensamento e as digressões incessantes, que o levam a entrar em conflito a cada instante com os seus adversários rigoristas, Tagnan, Mercœur, Baron e Gonet, tornam a leitura muitas vezes penosa e embaraçada. Reprovam-lhe também, mas era o defeito da sua época, um controlo demasiado pouco severo na escolha das citações que apresenta como apoio aos seus princípios. Cf. part. IV, diss. VI, p. 47.
As suas outras produções são um tratado dogmático sobre «a infinita dignidade da Mãe de Deus»: Geminum sidus Mariani diadematis, sive duplex disputatio de infinita dignitate Matris Dei, atque de ejus gratia habituali infinita simpliciter, in-4°, Sevilha, 1660; opúsculos ascéticos tornados muito raros, como as Sete meditações sobre Jesus crucificado, Sevilha, 1678; biografias piedosas: Historia de la via y virtudes de la venerable Virgen Damiana de las llagas, in-4°, Sevilha, 1675; Breve relacion de la muerte, vida, y virtudes del venerable Cavallero D. Miguel Manara Vicentelo de Leca, in-4°, Sevilha, 1679.
Sotwel, Bibliotheca scriptorum Soc. Jesu, p. 438; Antonio, Bibliotheca Hispana nova, art. Joannes de Cardenas; de Backer et Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. II, col. 734-737; Hurter, Nomenclator, t. II, col. 595; Dellinger et Reusch, Geschichte der Moralstreitigkeiten, t. I, p. 39-41, 46.
Autor original: P. Bernard
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