BULLÁRIO. Coletânea de bulas pontifícias.
I. Bullários gerais. II. Bullários particulares. III. Outras obras contendo bulas pontifícias. IV. Fontes. V. Autoridade dos bullários.
I. BULLÁRIOS GERAIS.
1° Primeiras tentativas. Entre os incunábulos do século XV, assinala-se uma pequena coletânea de nove bulas que teve seis ou sete edições. Outras coleções de cartas pontifícias foram feitas por Wandelstein e Cochlée. Wandelstein publicou primeiramente as cartas autênticas da coleção de Dionísio, o Pequeno, sob o título: Canones apostolorum, veterum conciliorum decreta pontificum antiquiora de primatu romanæ Ecclesiæ ex tribus vetustissimis exemplaribus, Mogúncia, 1525; depois, Epistolæ decretales veterum pontificum longe ante concilium Nicenum promulgatæ a SS. martyribus Christi, sæviente adhuc persecutione, s. l. n. d., mas a epístola dedicatória é de 1526; estas cartas diferem daquelas do pseudo-Isidoro. Cochlée editou: Epistolæ antiquissimæ ac sacris institutionibus plenæ, Clementis, Anacleti et Evaristi Romanorum pontificum, item Dionysii Areopagitæ et Ignati martyrum Christi, Colônia, 1526. Bullários mais ou menos completos apareceram em Roma: um de João XXII a Paulo III, 1542; outro intitulado: Bullæ diversorum pontificum a Joanne XXII ad Julium III ex bibliotheca Ludovici Gomes, in-4°, Roma, 1550, compreendendo apenas 60 documentos; uma outra coleção, quæ incipit a Bonifacio VIII et desinit in Paulum IV, Roma, 1559, contém 160 bulas; o bullário de Gregório VII a Gregório XII foi publicado em Roma, em 1579, por César Mazzutellus, e contém 723 documentos. Os cinco livros das Decretais de Clemente VIII haviam aparecido em Roma em 1592; 431 cartas de Pio II haviam sido editadas em Nurembergue em 1481; as de Adriano VI em Colônia, 1535; as de Pio IV, Pio V e Gregório XIII em Florença, 1583; as constituições de Gregório XIII em Lyon, 1582.
2° Bullário do cardeal Antônio Carafa. — É o primeiro bullário completo que foi empreendido sob a inspiração de Sisto V; mas permaneceu inacabado. Devia reproduzir, com as bulas dos papas, todos os documentos que se relacionam com elas: as questões dos bispos, as cartas dos imperadores, as sinodais dos concílios, as diversas relações e consultas às quais a Santa Sé respondia. A parte publicada contém todas as bulas dos onze primeiros séculos da Igreja, desde São Clemente I até São Gregório VII (†1085): Epistolæ decretales summorum pontificum, 3 in-fol., Roma, 1591. Carafa morreu antes que a impressão fosse terminada. Antônio de Aquino, que fora colaborador do cardeal, prosseguiu a obra iniciada. Os exemplares deste primeiro bullário são muito raros. Carafa havia preparado suplementos e os materiais da continuação. Deste auctarium nada apareceu, nada mesmo foi conservado.
3° Coletânea de dom Coustant. — Dom Pierre Coustant, beneditino francês (1654-1721), começou uma nova edição das cartas dos papas, com a colaboração de dom Simon Mopinot; ele se propunha ir até Inocêncio III (†1216). O primeiro volume desta nova edição, dedicada a Inocêncio XIII pela congregação de Saint-Maur, apareceu isolado em Paris, em 1721, in-fol., sob este título: Epistolæ romanorum pontificum, et quæ ad eos scriptæ sunt, a sancto Clemente I usque ad Innocentium III, quotquot reperiri potuerunt, spuriis segregatis, tomus primus, ab anno 67 ad annum 440. Parava, portanto, no início do pontificado de São Leão Magno. Em uma longa e sábia prefácio, o autor prova com uma abundância de erudição a primazia da Igreja Romana através do estudo de numerosos documentos da mais alta antiguidade; depois, fala das antigas coleções de cânones e de decretais que submete ao exame da mais severa e luminosa crítica. Acompanha de notas as bulas reconhecidas como autênticas, expõe em que ocasião foram escritas e explica seu assunto. Tenta, em seguida, determinar as bulas que se perderam. Quanto àquelas que são falsamente atribuídas aos papas, remete-as a um apêndice ao final do volume. Sobre esta edição tão importante, consultar os Mémoires de Trévoux, 1722, a. 92, p. 1544-1563; a. 103, p. 1679-1700; Journal des savants, t. LXXI, p. 21-30, 166-176; Acta eruditorum Lips., suplemento, t. IX, p. 337. É muito lamentável que uma obra de tal mérito e de tão incontestável utilidade não tenha sido concluída. Dom Coustant havia terminado a preparação de um segundo volume sobre as cartas de São Leão, e muitos outros documentos estavam reunidos quando morreu, em 18 de outubro de 1721, sem ter tido tempo de dar-lhes o toque final. Este primeiro volume foi reimpresso com algumas omissões e adições por Schonemann, Epistol. roman. pontif... ex recensione P. Coustantii, in-8°, Gotinga, 1796, t. I. Esta segunda edição é ainda mais rara do que a primeira. As cartas de São Leão foram inseridas na edição das obras deste papa pelos irmãos Ballerini. Ver col. 131, e P. L., t. LVI. Um jovem sacerdote da diocese de Ermeland, André Thiel, empreendeu publicar novamente as cartas pontifícias. Utilizou os papéis de dom Coustant; mas o único tomo publicado vai apenas até 523 (de Santo Hilário a Santo Hormisdas): Epistolæ roman. pontif. genuinæ et quæ ad eos scriptæ sunt, a S. Hilario usque ad Pelagium II ex schedis cl. Petri Coustantii aliisque editis, in-8°, Brausberg, 1868, t. I.
4° Bullarium magnum Cherubinorum. — Os três primeiros volumes desta vasta coleção foram editados por Laércio Cherubini (†1626), sábio jurisconsulto romano. Encontram-se neles todas as bulas dos papas, desde São Leão Magno (440) até Sisto V (†1590), a quem o primeiro volume é dedicado, 3 in-fol., Roma, 1586. A 2ª edição apareceu trinta anos depois, 3 in-fol., Roma, 1617. Laércio Cherubini havia editado também as constituições de Sisto V, Roma, 1586, 1588. Ângelo-Maria Cherubini, beneditino do Monte Cassino e filho de Laércio Cherubini, de quem foi o principal colaborador, continuou, após a morte de seu pai, a obra colossal empreendida em conjunto com ele. De 1634 a 1644, deu a 3ª edição em 4 in-fol.: Bullarium romanum novissimum, a B. Leone Magno usque ad S. D. N. Urbanum VIII, opus L. Cherubini tertio nunc editum a D. Angelo Maria Cherubini, Roma. O 4° volume contém as bulas dos papas sucessores de Sisto V, até aquelas de Urbano VIII (1623-1644). Uma 4ª edição, levada até Inocêncio X, com um certo número de constituições relativas à ordem da Mercê em apêndice, forma 4 tomos em 3 in-fol., Lyon, 1655. Um Appendix ad bullarium apareceu, in-fol., Viterbo, 1659.
A 5ª edição, acrescida das bulas dos papas até Clemente X (1670-1676), é devida aos RR. PP. Ângelo de Latusca e João-Paulo de Roma, menores da estrita observância, que a publicaram, 5 in-fol., Roma, 1669-1672; Lyon, 1673, 1697. Dois volumes, os IV e V, da edição de Lyon, 1655, tinham sido colocados no Index, donec expurgentur, pela adição de uma bula falsa e por alterações feitas em outra. Uma última edição, continuada até Bento XIV, apareceu no Luxemburgo (Genebra), 19 tomos em 8 in-folio, 1741-1748.
5° Comentários e resumos do bulário. — O cardeal Vicente Petra (1662-1747), prefeito da S. C. da Propaganda e da Penitenciaria sob Bento XIII, publicou comentários de profunda erudição sobre todos os documentos inseridos no bulário dos Cherubini: Commentaria ad constitut. apostolicas, 5 in-folio, Roma, 1705-1726; Veneza, 1729-1741.
Um resumo dos três primeiros volumes do bulário foi publicado por Flavius Cherubini, outro filho de Laércio: | Flavii Cherubini compendium bullarii a patre editi, Roma, 1623; 3 tomos em 1 in-4°, Lyon, 1624; in-folio, 1638. |
Um outro resumo deste gênero e bem mais conhecido, pois é geralmente impresso na sequência do Corpus juris canonici, é o Septimus decretalium, dado a um jurisconsulto francês, Pierre Matthieu (1563-1621), historiógrafo de Henrique IV. O título primitivo era: Summa constitutionum sum. pontif. et rerum in Ecclesia romana gestarum a Gregorio IX usque ad Sixtum V, in-4°, Lyon, 1588. Em sua epístola dedicatória a Sisto V, o autor diz que tinha tido a intenção de continuar a coleção das decretais feita por São Raimundo de Penhafort, e aprovada por Gregório IX em 1234. Após o Sexto, publicado por Bonifácio VIII, em 1298, e revestido da autoridade pontifícia, seria importante compor um Septimus decretalium, no qual, seguindo a mesma divisão de livros e de títulos que nas coleções autênticas das decretais, far-se-ia entrar todas as bulas aparecidas desde então até o próprio Sisto V. É o que Pierre Matthieu fez, com efeito, dois anos depois, pela publicação de seu Liber septimus decretalium post Sextum, dedicado ao cardeal Caetano, Frankfurt, 1590, reeditado em 1592, em 1598, e com anotações e adições em 1610, in-folio.
Sua obra, contudo, jamais foi aprovada oficialmente pela Santa Sé, pois apresenta lacunas e até mesmo defeitos muito sensíveis. Apesar de suas promessas, o autor não segue sempre a ordem dos títulos tais como se veem nas decretais; ele subtraiu muitas e adicionou outras que, sem muito esforço, poderiam ter sido arranjadas sob alguns dos títulos empregados nas coleções oficiais que pretendia continuar. Além disso, negligenciou inserir extratos verdadeiramente úteis, para acumular em seu lugar documentos bem menos necessários. Sua compilação, aliás, não deveria chamar-se o Septimus decretalium, mas o Decimus decretalium. O Septimus, com efeito, é representado pelas Clementinas, como o próprio Clemente V tinha pensado; e o Octavus assim como o Nonus são-no pelas Extravagantes de João XXII, e pelas Extravagantes comuns. Em 1623, o Septimus decretalium de Pierre Matthieu foi colocado no Index; mas foi retirado depois, e, a exemplo dos editores de Lyon de 1661, os impressores tomaram o hábito de | colocá-lo como apêndice ao Corpus juris canonici, e isto ad plenam et perfectam juris apostolici cognitionem. Cf. Doujat, Praenotionum canonicarum, l. IV, c. XXVI, n. 2, 3, in-4°, Paris, 1687; Veneza, 1717, 1762, etc.; Devoti, Institutiones canonicae, proleg., c. vii, 2 in-8°, Roma, 1785, 1814; Veneza, 1838; Fagnan, Commentaria in quinque libros Decretalium, l. II, tit. 1, De judiciis, c. xii, 5 in-folio, Roma, 1661, a melhor das edições; e 5 in-folio em 3 vol., Veneza, 1697, 1742.
Assinalemos outros resumos do bulário: Compendium constitutionum SS.PP. a Gregorio VII ad Clementem VIII, por Jacques Castellanus, eclesiástico de Treviso, in-4°, Veneza, 1603; Summa bullarii, por Etienne de Quaranta, in-4°, Veneza, 1607; Lyon, 1622 (é uma tabela alfabética do bulário até Paulo V); In selectas summ. pontif. constitutiones epitome ac theoremata, por J.-B. Scortia, S. J., in-4°, Lyon, 1625; Bullarum, brevium et constitutionum quae in archivo impressoris cameralis existunt index, Roma, 1627; Bullarii collectanea, de Barbosa, Lyon, 1634; depois que esta coleção de constituições papais e de decisões das Congregações romanas foi colocada no Index, a 22 de janeiro de 1642, ela foi reeditada em Lyon em 1645 sob este título: Summa apostolicarum constitutionum; Expositio laconica omnium constitutionum a Gregorio VII usque ad Innocentium X, por Maurice de Grégoire, O. P., Nápoles, 1648; Aurea catena decretorum apostolicae sedis, conciliorum et Patrum, por Thomas Thomasson, Roma, 1654; Summa bullarum cum novissimis decisionibus S. Rotae, por J. Domitius, com as notas de Michel Justiniani, Roma, 1677.
6° Bullarium magnum de Jérôme Mainardi, contendo as bulas dos papas, durante treze séculos, desde São Leão o Grande (440) até Bento XIV, que subiu à cátedra de São Pedro em 1740, 19 tomos in-folio, ordinariamente encadernados em 12 vol., Luxemburgo e Roma, 1733-1768. Esta coleção, mais vasta que a dos Cherubini, é também de muito mais estima. Foi feito dela um resumo: Pontificiarum constitutionum... epitome, opera Aloysii Guerra, 4 in-folio, Veneza, 1772.
7° Bullarium magnum, seu novissima et accuratissima bibliotheca apostolicarum constitutionum, opera et studio Caroli Cocquelines, 14 tomos em 28 in-folio, Roma, 1739-1762. Os seis primeiros volumes têm um título um pouco diferente, a saber: Bullarium, privilegiorum ac diplomatum romanorum pontificum amplissima collectio. É uma excelente edição feita com cuidado sobre os originais conservados nos arquivos secretos do Vaticano; ela vai até ao fim do pontificado de Bento XIV (1758).
8° O advogado André Barberi e seus colaboradores, o conde Alexandre Spetia e Raynaldo Secreli, prosseguiram o cumprimento desta obra importante, publicando: Bullarii romani continuatio, seu Magnum bullarium romanorum pontificum Clementis XIII (1758), Clementis XIV, Pii VI, Pii VII, Leonis XII, et Pii VIII, constitutiones complectens, 19 tomos em 9 in-folio, Roma, 1835-1857. Ela contém também as bulas dos quatro primeiros anos do pontificado de Gregório XVI.
9° Bullarium Benedicti XIV, compreendendo todas as bulas publicadas por este papa durante seu pontificado, começado em 1740 e terminado em 1758, 4 in-folio, Roma, 1754-1758; 8 tomos em 2 in-folio, Veneza, 1768; 4ª ed., Veneza, 1778; 143 in-12, Malines, 1826-1827.
Na edição das Opera omnia de Bento XIV, 17 in-4°, Prato, 1839, o bulário forma os t. xv-xvii, 1845-1847. Vem a seguir a Bullarii romani continuatio, desde Clemente XII até Pio VIII inclusive, 6 in-4°, Prato, 1847-1856. Estes dez volumes são os t. iv-xiii da Continuatio, ou ainda os t. xviii-xxii das Opera omnia. Um complemento: Benedicti papae XIV acta sive nondum sive sparsim. editado agora pela primeira vez, coletado, por cuidado de R. de Martinis, 2 in-4°, Nápoles, 1894.
10° Sob os auspícios do cardeal Gaude, arcebispo de Turim, foi publicado desde 1857, nesta cidade: Bullarum, diplomatum et privilegiorum sanct. rom. pont. Taurinensis editio, 23 in-4°, Turim, 1857-1872, com um Appendix 1, Turim, 1867, t. 1. Esta edição foi continuada em Nápoles sob o patrocínio do cardeal San Felice e por cuidado de Tomassetti: Bullaruni, etc., Napolitana editio Taurinensis continuatio ac supplementum, seu magni bullarii series altera cum appendice, a partir de 1867. O t. v, publicado em 1885, compreende o bulário de Bento XIV.
11° Os Regesta pontificum romanorum. — Eles não reproduzem integralmente todas as cartas destes soberanos pontífices; eles dão somente o texto das mais importantes, ou daquelas que estavam ainda inéditas, mas contêm a análise de todas as cartas autênticas dos papas, organizadas seguindo a ordem cronológica e colocadas sob números distintos. Indica-se as obras que contêm o texto de cada documento. Existem duas coleções dos Regesta. A primeira é obra de Philippe Jaffé: Regesta pontificum romanorum ab condita Ecclesia ad annum post Christum natum MCXCVIII, in-4°, Berlim, 1851. Cf. card. J.-B. Pitra, no Correspondant, t. xxx, p. 515 sq.; t. xxxi, p. 317 sq. Uma segunda edição foi preparada sob a direção de Wattembach por Lovenfeld, Kaltenbrunner e Ewald e forma 2 in-4°, Leipzig, 1885. A segunda coleção é a continuação da primeira. Ela tem por autor Auguste Potthast e ela é intitulada: Regesta pontificum romanorum inde ab a. post Christum natum MCXCVIII ad a. MCCCIV, 2 in-4°, Berlim, 1874, 1875. O t. 1 contém as cartas de Inocêncio III, de Honório III e de Gregório IX; o t. 11, as dos papas que reinaram desde Inocêncio IV até Bento XI, com adições ao t. 1. Cf. P. Pressutti, I regesti de’ romani pontifici dal’ anno 1198 all’ anno 1304 per Aug. Potthast. Osservazioni storico-critiche, in-8°, 1874. Estas duas coleções de Regesta são muito importantes e prestam aos trabalhadores serviços de grande valor. E. Sol havia anunciado uma tabela metódica, que não apareceu.
12° Além destes Regesta, que abrangem vários pontificados, outros contêm apenas as cartas de um só pontificado e não reproduzem geralmente senão as peças que se encontram nos registros do Vaticano, seja por análises, por extratos mais ou menos extensos, seja, se necessário, pelo texto integral. Este gênero de publicação é honrado sobretudo desde que Leão XIII, em 1883, abriu ao público os arquivos secretos do Vaticano. Sábios de diversos países, mas sobretudo membros da École française de Rome e dos capelães de Saint-Louis des Français em Roma, já publicaram total ou parcialmente os registros de um certo número de papas. Indicaremos suas publicações e outras mais antigas seguindo a ordem cronológica dos soberanos pontífices. M. U. Robert publicou o Bullaire du pape Calixte II (1119-1124), 2 in-8°, Paris, 1891.
Os registros de Inocêncio III (1198-1216) tinham sido editados os primeiros de uma forma mais ou menos completa: Innocentii tertii pontificis maximi decretalium atque aliarum epistolarum, in-fol., Roma, 1543, t. 1; P. du May, Innocentii tertii pontificis maximi epistolae, etc., in-8°, Paris, 1625; F. Bosquet, Innocentii tertii pontificis maximi epistolarum libri IV, in-fol., Toulouse, 1635; E. Baluze, Epistolarum Innocentii III rom. pontif. 1. XI, 2 in-fol., Paris, 1682, e P. L., t. ccxiv-ccxvi, col. 9-308; Feudrix de Bréquigny e La Porte du Theil, Diplomata, chartae, epistolae et alia documenta ad res francicas spectantia, etc., in-fol., Paris, 1791, t. 1, Innocentii papae III epist. anecdot. Cf. L. Delisle, Mémoire sur les actes de Innocent III, na Bibliothèque de l’école des chartes, 19ª ano, Paris, 1858, 4ª série, t. III, IV, p. 1-78 (tiragem à parte); Id., Les registres d’Innocent III, ibid., Paris, 1885, t. xlvi, p. 84-94.
Aqueles de Honório III (1216-1227) foram, eles também, objeto de várias publicações: uma primeira edição foi feita por Innocent Cironius; J. A. de Rigger, Quinta compilatio epistolarum decretalium Honorii III, in-4°, Viena, 1761; Horoy, Medii aevi bibliotheca patristica, Paris, 1879, t. 1-11 (o 3° vol. é incompleto); P. Pressutti, I Regesti del pontefice Onorio III, Roma, 1884, t. 1; cf. Pitra, Étude sur les lettres des papes, em Analecta novissima, Frascati, 1885, t. 1, p. 181-236.
L. Auvray, Les registres de Grégoire IX, recueil des bulles de ce pape publiées ou analysées d’après les manuscrits originaux du Vatican, 3 in-4°, Paris, 1896, t. 1 (1227-1235); 1889-1902, t. 1 (1236-1237).
B. Hauréau, Quelques lettres d’Innocent IV extraites des manuscrits de la Bibliothèque nationale, em Notices des manuscrits de la Bibliothèque nationale, t. xxiv, 2ª parte; Elie Berger, Les registres d’Innocent IV, 1243-1254, 4 in-4°, Paris, 1884, 1887, 1890. Cf. K. Hampe, Aus verlorenen Registerbänden der Päpste Innocenz III und Innocenz IV, em Mittheil. des Instituts für österreich. Geschichtsforschung, 1902, t. xxiii, p. 545-567; 1903, t. xxiv, p. 198-237.
Bourel de la Roncière, de Loye e Coulon, Les registres d’Alexandre IV, 1254-1261, 2 in-4°, Paris, 1895-1902 (em curso de publicação).
L. Dorez e J. Guiraud, Les registres d’Urbain IV, 1261-1264, 3 in-4°, Paris, 1889-1900, t. 1. Registre dit caméral; 1892-1901, t. 11; 1901, t. 111, continuado em 1904.
E. Jordan, Les registres de Clément IV, 1265-1268, in-4°, Paris, 1893 (3 fascículos publicados).
J. Guiraud e L. Cadier, Les registres de Grégoire X, 1272-1276, suivis du Registre de Jean XXI, 1276-1277, in-4°, Paris, 1892-1898.
J. Gay, Les registres de Nicolas III, 1277-1280, in-4°, Paris, 1898 (em curso de publicação).
Sechnée, Puybaudet e Déprez, Les registres de Martin IV, 1281-1285, in-4°, Paris, fasc. 1°, 1904.
M. Prou, Les registres d’Honorius IV, 1285-1287, in-4°, Paris, 1888.
E. Langlois, Les registres de Nicolas IV, 1288-1292, 2 in-4°, Paris, 1886-1899.
G. Digard, M. Faucon e A. Thomas, Les registres de Boniface VIII, 1294-1303, 3 in-4°, Paris, 1884-1903 (ainda não concluído). Ch.
Grandjean, Les registres de Benoît XI, 1303-1304, in-4°, Paris, 1883 sq. — Regestum Clementis papae V ex Vaticanis archetypis, por beneditinos e às custas de Leão XIII, 9 in-fol., Roma, 1885-1888. — A. Coulon, Lettres secrètes et curiales du pape Jean XXII, 1316-1334, relatives à la France, extraites des registres du Vatican, 3 in-4°, Paris, 1900, 1901, 1904 (3 fascículos publicados). MM. Mollat e Dubrulle, capelães de Saint-Louis des Français, examinam os registros deste papa, para publicar suas cartas comuns. O fascículo 4º é intitulado: Jean XXII (1316-1884), lettres communes analysées d’aprés les registres dits d’Avignon et du Vatican, Paris, 1904.
— G. Daumet, Benoit XII, 1334-1342. Lettres closes, patentes et curiales se rapportant a la France, in-4, Paris, 1899, 1º fasc.; 1902, 2º fasc.; J.-M. Vidal, Benoit XII, 1334-1342. Lettres communes, 2 in-4°, Paris, 1902, 1903, t. 1 (3º fasc. en 1904). — E. Déprez, Clément VI, 1342-1352. Lettres closes, patentes et curiales se rapportant a la France, 4 in-4°, Paris (1 fasc. seulement). — O mesmo membro da Escola Francesa de Roma prepara uma publicação de mesma natureza para Innocent VI, 1352-1362. — P. Lecacheux, Lettres secrétes et curiales du pape Urbain V, 1362-1370, se rapportant a la France, in-4°, Paris, 1902 (4 fasc. parus). — A mesma publicação é preparada por M. Mirot para Grégoire XI, 1370-1378.
— Card. Hergenröther, Leonis X pontificis maximi regesta, 2 in-4°, Fribourg-en-Brisgau, 1884, 1891 (inacabado). — Mgr Balan, Monumenta seculi XVI. Clementis VII epistole per Sadoletum scripte, Roma. — O bulário de Innocent XI havia aparecido em Roma, 1697. — Os Clementis IX opera omnia compreendem os Clementis undecimi pont. max. epistole et brevia selectiora, in-fol., Roma, 1729, t. 1; o Clementis undecimi pont. max. bullarium, forma o t. 1 dos Opera, in-fol., Francfort, 1729.
— A. Theiner extraiu dos arquivos secretos do Vaticano: Clementis XIV, pont. max., epistole et brevia selectiora ac nonnulla alia acta pontificatum ejus illustrantia, in-8°, Paris, 1852. — Bernasconi, Acta Gregorii pape XVI, 4 in-4°, Roma, 1901-1904, publicados sob os auspícios do cardeal V. Vannutelli. — Lettres apostoliques de Pie IX, Grégoire XVI, Pie VII, encycliques et brefs, in-8°, Paris, s. d. — Recueil des actes de N.T.S. P. le pape Pie IX, texte latin et trad. frane., in-12, Paris, 1848, t. 1.
— Sanctissimi Domini nostri Leonis pape XIII allocutiones, epistole, constitutiones alaque acta precipua, 6 in-8°, Bruges et Lille, 1878-1900. — Acta Leonis pape XIII, in-32, Paris; Lettres apostoliques de Sa Sainteté Léon XIII, 6 in-8°, Paris, s. d.
A Academia Real das Ciências de Göttingen prepara uma edição crítica das bulas pontificais anteriores a Innocent III, de 604 a 1198. Desde 1896, M. P. Kehr dirige os trabalhos de pesquisa e de apuramento nos depósitos de arquivos e nas bibliotecas da Itália. Aguardando a publicação dos materiais recolhidos, o diretor expõe, em relatos de viagens, o resultado de suas pesquisas: Papsturkunden in Rom, em Nachrichten der k. Gesellschaft der Wissenschaften zu Göttingen, Philol.-hist. Klasse, 1900, p. 111-197; 1903, p. 360-436; in Salerno, La Cava und Napel, ibid., 1900, p. 198-263; in Piemont, 1901, p. 117-170; in Campanien, p. 286-344; in Mailand und Lombardei, 1902, p. 67-168; in Ligurien, p. 168-193; in Turin, 1904, p. 57-115; Ältere Papsturkunden in den päpstlichen Registern von Innocenz III bis Paul III, 1902, p. 393-558. Cf. Revue d’histoire ecclésiastique, Louvain, t. II, p. 702-704; t. IV, p. 777-781; t. V, p. 410-411.
II. BULÁRIOS PARTICULARES. — Ao lado dos bulários gerais que contêm todas as bulas dos papas, qualquer que seja seu objeto, outros bulários contêm apenas as cartas pontificais que concernem a uma igreja, uma ordem religiosa, um país ou uma categoria determinada de sujeitos.
1º Bulários de algumas igrejas.
1. Da basílica do Vaticano. — Collectionis bullarum, brevium, aliorumque diplomatum sacrosanctae basilicae vaticanae, preparado por três sábios e publicado pelo cardeal Annibal Albani, 3 in-fol., Roma, 1747-1752.
2. Da catedral de Palermo. — Bulle, privilegia et instrumenta Panormitane metropolitane ecclesie, por Mongitore, in-4°, Palermo, 1734.
3. Da cidade de Avignon. — Bullarium civitatis Avenionensis seu bulle ac constitutiones apostolice sum. pont. et diplomata regum continentia libertates, privilegia ecclesie inclyte civitatis et civium Aveniensium, in-fol., Lyon, 1657.
4. Da província eclesiástica de Reims. — Acta provincie ecclesie Rhemensis, publicados sob os auspícios do cardeal Gousset, 4 in-4°, Reims, 1842.
5. Inventário para Rodez. — Varia documenta que Ruthenensem et Valrensem dioceses respiciunt, pelo abade Calmet, in-8°, Roma, 1896. O mesmo autor publicou o Sommaire des bulles de Clément VI concernant le diocese de Rodez, nos Annales de Saint-Louis des Francais, 1902, t. VI, p. 201-248, 283-335; 1903, t. VII, p. 494-526.
6. M. Vidal publicou Documents sur les origines de la province ecclésiastique de Toulouse (1295-1818), ibid., 1901, t. V, fasc. 2.
7. J. Fraikin, Bulles inédites relatives a diverses églises d’Italie, Roma, 1900.
8. Taccone-Gallucci, Regesti dei romani pontefici per le chiese della Calabria, Roma, 1902.
9. E. Hauviller, Analecta Argentinensia, Vatikanische Akten und Regesten zur Geschichte des Bistums Strassburg im xiv Jahrhundert (Johann XXII, 1316-1334) und Beitraége zur Reichs-und Bistumsgeschichte, Estrasburgo, 1900, t. 1.
10. Monumenta romana episcopatus Vesprimiensis, 3 in-4°, Budapeste, 1902. — A biblioteca de Alby possui um Bullarium ecclesie Albiensis, doado por Clément XIV ao cardeal de Bernis e copiado sobre os documentos dos arquivos do Vaticano. O bulário de Poitou a partir de Jean VIII está quase reunido nos manuscritos de Fonteneau, e o de Anjou na coleção Husseau.
2º Bulários das ordens religiosas.
1. Dos franciscanos. — Bullarium franciscanum ab ordinis origine ad annum 1683, por Michel de Naples; Bullarium ordin. minor., 5 in-fol., Madri, 1744; Bullarium franciscanum, seu romanorum pontificum constitutiones, epistole ac diplomata ordinibus minorum, clarissarum et penitentium concessa, publicado por Jean-Jérôme Sharalea, dos menores conventuais, com um suplemento e notas por Flaminius-Annibal de Latere, da mesma ordem, 4 in-fol., Roma, 1758-1780; a continuação deste bulário foi publicada pelo P. C.
Eubel, Bullarium franciscanum sive Romanorum pontificum constitutiones, epistole, diplomata tribus ordinibus minorum, clarissarum, penitentium concessa, 3 in-fol., Roma, 1897, 1902, 1904, t. V, VI, VII; Archivium bullarum, instrumentorum et decretorum fratrum et sororum tertii ordinis sancti Francisci, publicado por François Bordoni, procurador-geral da terceira ordem regular de São Francisco, in-4°, Roma, 1658.
2. Dos capuchinhos. — Bullarium ordin. fratrum minor. S. P. Francisci capucinorum, seu collectio bullarum, brevium, decretorum, rescriptorum, oraculorum, etc., que a sede apostolica pro ordin. capucinorum emanarunt, publicado com notas pelo P. Michel, capuchinho suíço, secretário do geral, 7 in-fol., Roma, 1740-1752, continuado muito recentemente pelo P. Pierre Damien de Munster, 3 in-fol., Innsbruck, 1883.
3. Dos dominicanos. — Mare magnum, id est indulgentie et privilegia fratrum predicatorum, por Thomas Ripoll, 1498, 1499; Bullarium ordin. predicatorum, publicado com apêndice pelo R. P. Antoine Bremond, a partir dos próprios originais, 8 in-fol., Roma, 1729-1740, abrangendo do ano 1215 ao ano 1739; Bullarium confraternitatum ordinis predicatorum, in-4°, Roma, 1668. Nos Analecta fratrum predicatorum, t. IV, p. 494-512, foi publicado um Epitome bullarii ordinis predicatorum, 1234-1235; um asterisco indica os diplomas que não se encontram no bulário.
4. Dos carmelitas. — Bullarium carmelitarum, publicado pelo geral desta ordem, Elisée Monsignano, 2 in-fol., Roma, 1715; continuado pelo P. J. A. Ximénez, in-fol., Roma, 1768, t. II; Mare magnum in quo continentur privilegia ordinis carmelitarum, Veneza, 1477.
5. Da ordem dos eremitas de Santo Agostinho. — Bullarium ordinis eremitarum S. Augustini, pelo P. Laurent Empoli, procurador-geral da mesma ordem, in-fol., Roma, 1628; Littere apostolice, decreta, etc., pro congregatione patrum excalceatorum ord. erem. S. August., publicado pelo P. François Panceri, definidor-geral da mesma ordem e comissário especial para a Alemanha, in-fol., Roma, 1676, contendo bulas desde o ano 1592, data da fundação, até a do jubileu de 1675.
6. Dos beneditinos do Monte Cassino. — Bullarium casinense, seu constitutiones summorum pontificum, imperatorum, ...pro congregatione casinensi, por Corneille Margarini, abade titular, 2 in-fol., Veneza, 1650; 2ª ed., 1670. Esta publicação é notável pela profunda erudição do autor.
7. Da ordem da Mercê. — Bullarium celestis ac regalis ordin. B. Marie de Mercede, por Joseph Linas, da mesma ordem e arcebispo de Tarragona, in-fol., Barcelona, 1696.
8. Da ordem de São João de Deus. — Bullarium religionis B. Joannis de Deo, pelo P. Marc-Aurèle Scodaniglio, visitador-geral da mesma ordem, 1685; Bullarium totius ordinis hospitalaris S. Joannis de Deo, publicado com notas por Nicolas Cuygi, in-fol., Roma, 1724.
9. Dos jerônimos. — Bullarium ord. S. Hieronymi cong. B. Petri de Pisis, por J.-B. Gobat, 2 in-fol., Pádua, 1775.
10. Dos trinitários. — Bullarium ord. S. Trinitatis, pelo P. Christophe de Jésus, in-fol., 1594.
11. Da ordem de Cluny e de Cister. — Bullarium sacri ordinis Cluniacensis, por Symon, in-fol., Lyon, 1680; Henriquez, Regula, constitutiones et privilegia ordinis Cisterciensis, in-fol., Antuérpia, 1630.
12. Dos cônegos regulares. — Bullarium Lateranense, seu collectio privilegiorum apostolicorum a sancta sede canonicis regularibus ord. S. Augustini cong. Salvatoris Lateranensis concessorum, in-fol., Roma, 1727; Bullarium canonic. regularium SS. Salvatoris, seu collectio constitut. apostolic., decretorum SS. CC... in favorem ejusdem congregationis editorum, por Lupi, 2 in-fol., Roma, 1730, 1733.
13. Das ordens religiosas em geral. — Collectio privilegiorum mendicantium et non mendicantium, in-4°, Veneza, 1607; in-fol., Tournon, 1699; Rodericus, Nova collectio et compilatio privilegiorum apostolicorum regularium, mendicantium et non mendicantium, in-fol., Antuérpia, 1616.
14. De Vallombrosa. — Bullarium Vallisumbrosanum, in-12, Florença, 1729.
15. Da ordem do Espírito Santo de Montpellier. — Bullarium ord. S. Spiritus apud Montem pessulanum, in-4°, Paris, 1630; J. A. Toussart, Diplomata pontificia et regia ord. S. Spiritus Monspelliensi concessa, 2 in-fol., Paris, 1723.
16. Dos cartuxos. — Cartusiensis ordinis instituta antiqua et nova cum bullis pontificum romanorum, in-fol., 1570.
17. Os basilianos da Lituânia publicaram um bulário de cerca de 90 peças, do qual não se conhece mais nenhum exemplar na Europa: Bullarium ordinis S. Basilii congregationis lithuane, por volta de 1670.
18. Bullarium ordinis militie de Alcantara olim S. Juliani del Pereiro, por J. de Ortega y Cotes, F. de Brizuela e P. de Ortega Zunica y Aranda, in-fol., Madrid, 1759.
19. O bulário dos jesuítas faz parte do Institutum Societatis Jesu, apêndice, Antuérpia, 1665, 1709; 2 in-fol., Praga, 1757; 3 in-fol., Roma, 1869 sq.
20. O bulário da congregação da Missão foi publicado pelo lazarista André Pohl: Collectio bullarum et decretorum cong. Missionis concernentium, Vilna, 1815. Existe uma outra coleção intitulada: Acta apostolica, bulle, brevia et rescripta in gratiam cong. Missionis, in-4°, Paris, 1876. A biblioteca de Chartres conserva uma vasta coletânea em 5 volumes, n. 503 dos manuscritos, contendo um bulário da ordem de Grammont. Contém as bulas de quatorze papas e foi formada por um religioso, François Levesque de Troyes. O abade Cucherat possuía em Paray-le-Monial um pequeno bulário do priorado de Marcigny, fundado por São Hugo.
3º Bulários de certos países. — Várias regiões da Europa já têm os seus bulários particulares preparados, senão publicados. Assim, no Museu Britânico, manuscritos adicionais, n. 15351-15400, conservam-se 28 in-fol. de bulas inglesas, recolhidas nos arquivos do Vaticano por Marino Marini sob o título: Monumenta britannica ex autographicis romanorum pontificum deprompta. O Sr. Stevenson passou três anos em Roma para completar este bulário e entregou ao governo real as cópias das bulas papais que havia obtido no curso de sua frutífera missão. Cf. Bulletin critique, Paris, 1884, t. V, p. 37.
O Sr. Turgeneff publicou o bulário da Rússia em Historica Russiae monumenta, in-4°, São Petersburgo, 1841, t. I: Scripta varia e secreto archivio Vaticano ab an. 1075 ad 1584. Podem-se considerar ainda as volumosas publicações de Augustin Theiner como uma série de bulários para os Estados Pontifícios: Codex diplomaticus dominii temporalis S.
Sedis, 3 in-fol., Roma, 1862; para a Hungria: Vetera monumenta Hungariam sacram illustrantia, 2 in-fol., Roma, 1859, 1860; para a Polônia: Vetera monumenta Polonie gentiumque finitimarum historiam illustrantia, 4 in-fol., Roma, 1860-1864; para a Irlanda: Vetera monumenta Hibernorum et Scotorum historiam illustrantia, in-fol., Roma, 1864; para as províncias eslavas: Vetera monumenta Slavorum meridionalium historiam illustrantia, in-fol., Roma, 1863; para a Rússia: Monuments historiques de Russie, 1859.
A Alemanha tem o equivalente a um bulário nos Monumenta Germaniae historica. P. Ewald e L. M. Hartmann publicaram ali o Gregorii I pape registrum epistolarum, l. I-VII, Berlim, 1891, t. I; l. VIII-XIV, Berlim, 1899, t. II. Entre as Epistole carolini aevi figuram as Epistole selecte pontificum romanorum Carolo Magno et Ludovico Pio regnantibus scripte, por Hampe, Berlim, 1898, t. V a (Adriano I e Leão III), e as Epistole selecte Sergii II, Leonis IV, Benedicti III, pontificum romanorum, por A. de Hirsch-Gerenth, Berlim, 1899, t. V b. Rodenberg publicou as Epistole seculi XIII e regestis pontificum romanorum selecte, Berlim, 1883, t. I; 1887, t. II; 1894, t. III. Sauerland iniciou a publicação de Regesten zur Geschichte der Rheinlande aus dem Vatikanischen Archiv, in-4°, Bonn, 1901, t. 1; 1908, t. II. Ele também publicou: Vatikanische Urkunden und Regesten zur Geschichte Lothringens, Metz, 1901, t. 1. A Academia Real de Ciências de Göttingen prepara uma Germania pontificia, que compreenderá todas as bulas pontifícias endereçadas a destinatários alemães até 1198. O Sr. Brackmann já reuniu materiais, Papsturkunden des östlichen Deutschlands. Ein Reisebericht, em Nachrichten von d. Königl. Gesellschaft der Wissenschaften zu Göttingen, Philol. Hist. Klasse, 1902, fasc. 2, p. 193-224.
A França possui uma parte de seu bulário nas Lettres des papes d’Avignon se rapportant à la France, publicadas ou analisadas segundo os registros do Vaticano pelos antigos membros da Escola Francesa de Roma. Indicamos mais acima o estado atual da publicação. Aliás, o Gallia christiana pode ser considerado como uma edição parcial do bulário francês para todas as províncias eclesiásticas. Ver também, nos Documents inédits sur l’histoire de France, o volume intitulado: Privilèges accordés à la couronne de France par le saint-siège, in-4°, Paris, 1855, publicado por A. e J. Tardif. L. Guérard reuniu Documents pontificaux sur la Gascogne, Auch, 1896; e outros do pontificado de João XXII, nos Archives historiques de la Gascogne, 2ª série, Paris, 1903, fasc. 6.
Os Monumenta Ecclesiae Strigoniensis, 2 in-fol., Gran, 1874, 1884, apareceram às custas do cardeal Simor. Apareceram duas séries de Monumenta Vaticana Hungariae, 2 vol., Budapeste, 1884-1886; 6 vol., 1887-1891. O t. v dos Monumenta vaticana res gestas bohemicas illustrantia apareceu em Praga em 1903. Bernoulli publicou: Acta pontificum helvetica, t. 1; G. Wirz, Bullen und Breven aus italienischen Archiven, Basileia, 1902, que concernem à história da Suíça.
4º Bulário da S. C. da Propagação. — O Bullarium pontificium S. C. de Propaganda fide foi editado uma primeira vez em Roma em 1745, depois em 6 in-4°, Roma, 1839-1858. Mas foi refeito e continuado até o pontificado de Leão XIII pelo Pe. Raphaël de Martinis, Juris pontificii de Propaganda fide, part. I, 8 tomos em 7 in-4°, Roma, 1888-1898.
III. OUTRAS OBRAS CONTENDO BULAS PONTIFÍCIAS. — Numerosas cartas pontifícias são reproduzidas em muitas obras gerais. É preciso colocar em primeiro lugar as coleções universais e locais dos concílios. Ver CONCÍLIOS. Vêm em seguida os Decretais e as coleções de textos: Martène e Durand, Thesaurus novus anecdotorum, t. II; Veterum script. amplissima collectio, t. IX; d’Achéry, Spicilegium, 2ª ed., t. I, II; Baluze, Miscellanea; Zaccaria, Anecdota medii aevi, etc. Nomeemos a Patrologia de Migne; cf. para P. L., Vindex bullarum, decretorum a summis pontificibus emissorum, t. CCXIX, col. 1213-1282 (os papas ali estão dispostos segundo a ordem alfabética).
Seria preciso citar ainda os grandes acervos históricos tais como os Annales de Baronius, os Historiens de la France, os Foedera de Rymer, o Monasticon anglicanum, os Monumenta Boica, 38 in-4°, Munique, 1769-1866, etc., assim como a maioria dos cartulários. Renunciando a dar uma enumeração completa, assinalamos, ao menos, algumas publicações recentes contendo um número mais ou menos considerável de bulas pontifícias: Posse, Analecta Vaticana (1254-1372), Innsbruck, 1878; Pflug-Harttung, Acta romanorum pontificum inedita, Tubinga, 1881, t. I (documentos de 748 a 1198); Stuttgart, 1884, t. II (documentos de 97 a 1198); Id., Iter Italicum, em Göttingische gelehrte Anzeigen, 1885; Id., Die Bullen der Päpste bis zum Ende des XII Jahrhunderts, Gotha, 1901; Grisar, Diplomata pontificia medii aevi (antes de 1304), Innsbruck, 1883; Loewenfeld, Epistolae romanorum pontificum ineditae, Leipzig, 1885; Id., Bulles originales des papes conservées aux archives nationales, de Formose à Célestin III, em Neues Archiv, t. VIII; card. Pitra, De epistolis romanorum pontificum miscellanea, em Analecta novissima, Frascati, 1885, t. I, p. 462-622; E. Deprez, Recueil des documents pontificaux conservés dans diverses archives (XIIIe et XIVe siècles), em Quellen und Forschungen aus italienischen Archiven und Bibliotheken, 1900, t. III, p. 15-35, 255-307; A. Tallone, Le bolle pontificie degli archivi piemontesi, Pinerolo, 1900; F. Fita, Bullas inéditas de Silvestre II y Juan XXII, em Boletin de la real academia de la historia, 1891, t. XVIII, p. 477-484. Lembremos enfim que muitas cartas pontifícias são reproduzidas agora nas Revistas católicas, nomeadamente nos Acta sanctae sedis e nos Analecta ecclesiastica.
IV. FONTES DOS BULÁRIOS. — Os bulários gerais ou particulares foram constituídos reunindo as cartas pontifícias dispersas nos arquivos particulares, ou bem reproduzindo, integralmente ou em parte, os registros dos arquivos secretos do Vaticano.
1º As bulas pontifícias foram conservadas em original ou em cópia por aqueles a quem eram endereçadas.
Cada metrópole, cada abadia tinha seu bulário, fielmente conservado, várias vezes recopiado e frequentemente colocado no início dos cartulários. Independentemente das peças isoladas que encontramos ainda nos grandes depósitos públicos e por vezes com particulares, cf., por exemplo, P. Ewald, Die Papstbriefe der Brittischen Sammlung, em Neues Archiv, 1880, t. V, tinham se formado antigamente coleções manuscritas de cartas pontifícias. As primeiras dessas coleções remontam ao século VI e são, em sua maioria, coleções canônicas. Os autores dos bulários recorriam a essas fontes diversas, tomavam ali as peças conforme sua conveniência e formavam seus acervos de bulas.
2º Mas alguns, e sobretudo os mais recentes, consultaram, nos arquivos secretos do Vaticano ou em outros depósitos, os registros oficiais dos pontífices romanos. As origens certas dos arquivos pontifícios remontam ao século IV, a São Júlio I (337-352) que, ao testemunho do Liber pontificalis, edit. Duchesne, Paris, 1886, t. I, p. 205, instituiu notários públicos e escritórios eclesiásticos (scrinium sacrum). Não podemos sequer esboçar aqui a história desses arquivos. Digamos apenas que antes de Inocêncio II é feita menção aos registros de trinta papas. Infelizmente eles estão perdidos, à exceção de três acervos mais ou menos fragmentários:
1. O de São Gregório o Grande, cf. P. Ewald, Studien zur Ausgabe des Registers Gregors I, em Neues Archiv, 1878, t. III, p. 433-625; Pitra, Etudes sur les lettres des papes, em Analecta novissima, t. I, p. 51-79;
2. Fragmentos dos registros de Nicolau I e de João VIII; este último não é original, como se creu por muito tempo; não é senão uma cópia; cf. Guido Levi, Il tomo 1 dei regesti vaticani, em Archivio della Società romana di storia patria, Roma, 1881, t. I;
3. Um extrato em oito livros do registro em doze livros de Gregório VII; cf. G. Giesebrecht, De Gregorii VII emendando registro, Brunsvig, 1858; Jaffé, Monumenta gregoriana, em Bibliotheca rerum Germanicarum, t. II.
A partir de Inocêncio III, a série dos registros pontifícios nos arquivos do Vaticano é regular e compreende 2440 Regesta, dos quais 2038 são ditos Vaticana e os 402 restantes são os registros dos papas de Avignon. O registum de Inocêncio III é incompleto; o primeiro que é original e integral é o de Honório III. Todos os atos, mesmo os mais importantes, não eram inseridos nos registros das cartas pontifícias, e restam fora muitos outros documentos. «A inserção, inicialmente limitada, tornou-se cada vez mais usual. No século XII, um curto volume bastava para cada ano do pontificado; este in-fólio, de tamanho medíocre, torna-se enorme no século XIV, menos pela amplidão da escrita e das margens do que pelo número crescente dos atos. Os volumes mais magníficos e elegantes são os de Bonifácio VIII, de Clemente V e de João XXII. Além disso, a redação tornou-se mais prolixa à medida que os juristas, de preferência aos canonistas, invadiram a chancelaria. É assim que se chega a esses formidáveis registros de Alexandre VI e de Leão X, superando cem e duzentos volumes in-fólio: concebe-se que não se distinguem pela elegância da caligrafia.» Pitra, Étude sur les lettres des papes, em Analecta novissima, t. I, p. 170.
Cf. G. Marini, Memorie istoriche degli archivi della S. Sede, publicado pelo cardeal Mai, Roma, 1825; Palmieri, Ad Vaticani archivi romanorum pontificum regesta manuductio, in-12, Roma, 1884; Diekamp, Zum päpstlichen Urkundenwesen des XI, XII und der ersten Hälfte des XIII Jahrhunderts, Inspruck, 1883; U. Robert, Étude sur les actes du pape Calixte II, Paris, 1874; Gachard, Les archives du Vatican, Bruxelas, 1874; Munch, Aufschlüsse über das päpstliche Archiv, trad. alemã do dinamarquês, Berlim, 1880; Kaltenbrunner, Bemerkungen über die äusseren Merkmale der Papsturkunden des 12 Jahrhunderts, em Mittheilungen des Instit. für Öst. Geschichte, Inspruck, 1880, t. I, fasc. 3; Id., Römische Studien. Die päpstlichen Register des XII Jahrhunderts, ibid., 1884, t. V, fasc. 2; H. Denifle, Die päpstlichen Registerbände des 13 Jahrh. und das Inventar derselben vom J. 1339, em Archiv für Litteratur- und Kirchengeschichte des Mittelalters, Berlim, 1886, t. II, p. 1-105; Id., Zum päpstlichen Urkunden und Registenwesen des 13 und 14 Jh., ibid., 1887, t. II, p. 624-683; Specimina palaeographica regestorum rom. pontif. ab Innocentio III usque ad Urbanum V, in-fol., Roma, 1888; G. Digard, La série des registres pontificaux du XIIIe siècle, em Bibliothèque de l’école des chartes, 1886, t. XLVII, p. 80-87; J. de Soye, Les archives de la chambre apostolique au XIVe siècle, Ire partie. Inventaire, t. LXXX da Bibliothèque des écoles françaises d’Athènes et de Rome; L. Guérard, Petite introduction aux inventaires des archives du Vatican, em Annales de Saint-Louis des Français, 1900, t. IV, p. 479-508, e à parte, Roma, 1901; U. Berlière, Aux archives vaticanes, em Revue bénédictine, Maredsous, 1903, t. XX, p. 132-173.
V. AUTORIDADE DOS BULÁRIOS. — O bulário de Bento XIV, promulgado por este papa ele mesmo e revestido da autoridade pontifícia, deve ser considerado como uma coletânea oficial de leis eclesiásticas, ao mesmo título que as Decretais de Gregório IX, o Sexto de Bonifácio VIII e as Clementinas de Clemente V; mas os outros bulários, por mais importantes e úteis que sejam, nunca receberam dos papas essa aprovação especial que deles faria códigos eclesiásticos. Eles são, portanto, simplesmente obras privadas, não tendo nada de oficial e, por conseguinte, como coletâneas, são destituídos de qualquer autoridade canônica. As bulas que contêm, não estando lá senão como documentos históricos, não têm outro valor senão aquele que teriam, tomadas separadamente, desde que conste que são autênticas; que não foram revogadas no todo ou em parte por outras bulas mais recentes; ou, enfim, que não caíram em desuso. Schmalzgrueber, Jus canonicum universum, Diss. praemialis, § 10, n. 387-390, 5 in-fol., Nápoles, 1738, t. I, p. 46; Phillips, Kirchenrecht, Ratisbona, 1845, 1872; trad. Crouzet, Du droit ecclésiastique, 4 in-8°, Paris, 1850, 1852. t. I, Du droit ecclésiastique dans ses sources, § 33, p. 328-332; card. Soglia, Institutiones juris publici ecclesiastici, 5ª ed., in-8°, Paris, 1859, p. 128; Bouix, De principiis juris canonici, part. III, c. XVI, in-8°, Paris, 1852, p. 463; Hurter, Nomenclator litterarius, 4 in-8°, Inspruck, 1892-1899, t. I, p. 353; t. II, col. 180, 14105, 1533.
Autor original: T. Ortolan
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