BUFFIER (CLÁUDIO)

BUFFIER (CLÁUDIO)

BUFFIER Claude. — I. Vida. II. Obras. J. Viz.

Nascido em Varsóvia, de pais franceses, em 25 de maio de 1661, foi criado na Normandia, onde sua família havia se fixado, e naturalizado francês. Por isso, tinha o costume de dizer, sorrindo, que lhe custara quinhentas libras para se tornar normando. Completou seus estudos no colégio dos jesuítas em Ruão e ingressou no noviciado da Companhia de Jesus em 9 de setembro de 1679. Após ter ensinado brilhantemente gramática e belas-letras no colégio Louis-le-Grand, em Paris, foi provido com uma cátedra de teologia em Ruão.

Jacques-Nicolas Colbert, então arcebispo desta cidade, tendo recomendado ao seu clero diversas obras suspeitas de jansenismo ou de galicanismo, como a Morale de Grenoble, o Rituel d’Aleth, as Résolutions de M. de Sainte-Beuve, a Somme de M. de Merbes e, mais expressamente, a Théologie dogmatique et morale de Noël Alexandre, o Pe. Buffier publicou imediatamente um opúsculo destinado a suscitar vivas polêmicas, sob este título: Difficultez proposées a M. l’archevêque de Rouen par un ecclésiastique de son diocese sur divers endroits des livres, et surtout de la Théologie dogmatique du P. Alexandre, dont il recommande la lecture a ses curez, in-12, s. l., 1696. O Pe. Alexandre respondeu com seus Eclaircissements des prétendues difficultez proposées a Monseigneur l’archevêque sur plusieurs points importants de la morale de Jésus-Christ, s. l., 1696. Colbert, por sua vez, exigia uma retratação que Buffier se recusava a fornecer antes de ter submetido o litígio a Roma. Por meio de uma Lettre pastorale de Monseigneur l’archevêque de Rouen au sujet d’un libelle publié dans son diocese, intitulé : Difficultez proposées, etc., in-4°, Ruão, 1697, a brochura do Pe. Buffier foi condenada e o autor enviado a Quimper-Corentin por ordem do Pe. Guillaume Ayrault, provincial da França.

Esta última medida não implicava de forma alguma condenação. Ademais, para esclarecer este ponto de história bastante mal exposto pelos últimos biógrafos do Pe. Buffier, eis as principais proposições extraídas da Théologie dogmatique do Pe. Alexandre e submetidas pelo professor de Ruão a uma crítica cortês, porém solidamente motivada: «C’est un péché mortel que de recevoir la tonsure indignement», isto é, como explica o próprio Pe. Alexandre, sem estar em estado de graça. Theol. dogm., t. V, c. II, a. 14, reg. 21. «C'est un péché mortel a tout ecclésiastique de jouer ou de voir jouer aux dés, aux cartes, ou a tout autre jeu que ce puisse étre.» Ibid., t. V, c. V, reg. 4. «Pour que le péché nous soit imputé, il n’est pas nécessaire que nous ayons fait attention qu'il y avait du mal en ce que nous faisions.» Ibid., t. VII, c. IV, a. 1, reg. 65. «C’est un péché mortel que d’assister a la messe les jours de dimanche ou de féte, lorsqu’on a de l’attache a quelque péché mortel.» Ibid., t. IX, c. V, a. 5, reg. 9.

Buffier defendia também o probabilismo incriminado por Alexandre e salientava proposições como esta: «C’est une opiniatreté criminelle et un péché mortel que de préférer a une opinion vraie et plus probable celle qui est fausse ou moins probable et de la suivre dans la pratique. Car c’est s’appuyer sur son propre jugement sans vouloir croire le meilleur avis.» Ibid., t. VII, c. IV, a. 18, reg. 6.

Enquanto o grande público tomava vivamente partido na querela, até mesmo o público feminino, como se vê pela curiosíssima Lettre d’une dame de qualité a une autre dame scavante, au sujet des difficultés proposées a M. l’archevêque de Rouen, in-8°, Mons, 1697, o Pe. Buffier obtinha de seus superiores a autorização para fazer a viagem a Roma e pleitear sua causa perante os tribunais eclesiásticos. Não teve dificuldade em justificar-se plenamente e, após uma estadia de quatro meses, retornou a Paris, onde foi associado ao Journal de Trévoux, de 1701 a 1731. O Pe. Buffier era um homem espiritual e bom, muito apreciado no mundo culto e erudito. Morreu de falência natural e de uma leve apoplexia, em 17 de maio de 1737, aos setenta e sete anos de idade, com a reputação de um escritor hábil, elegante, fértil em erudição e de espírito.

II. OBRAS. — Além de um certo número de artigos publicados nas Mémoires de Trévoux, o Pe. Buffier deixou quase cinquenta obras sobre temas ascéticos, filosóficos, históricos, literários e artísticos. Convém mencionar especialmente e por ordem de matérias:

1° Obras de religião e de piedade. — Exposition des preuves les plus sensibles de la vraie religion, in-12, Paris, 1732, inserida no t. IX das Démonstrations évangéliques de Migne, Paris, 1844; Addition au traité du P. Buffier sur les preuves les plus sensibles de la religion, nas Mémoires de Trévoux, 1732, p. 957-972; Réflexions chrétiennes pour les jeunes gens qui entrent dans le monde, in-12, Paris, 1708, obra atribuída erroneamente ao Pe. Bretonneau (cf. Sommervogel, Bibliothéque de la Cie de Jésus, t. II, col. 346); Véritez consolantes du christianisme pour tous les jours du mois, in-16, Paris, 1710; 2ª ed., in-16, Paris, 1718; 4ª ed., in-24, Paris, 1718; 5ª ed., in-12, Namur, 1764; Le véritable esprit et le saint emploi des fétes solennelles de l’Église, in-12, Paris, 1712; Le bonheur du chrétien; Sentimens chrétiens sur les principales veritez de la religion, in-12, Paris, 1718 (ver o Journal des savants, 1718, p. 14-16); in-16, Evreux, 1730; Exercices de la piété chrétienne pour retourner a Dieu et lui demeurer fidélement attaché, in-12, Paris, 1718; in-16, Dijon, 1737; 6ª ed., in-12, Paris, 1737; Histoire du Nouveau Testament, avec de courtes réflexions, in-12, Ruão, 1719; La vie de l’hermite de Compiégne, décédé le 18 septembre 1691, in-12, Paris, 1692, 1732, 1737; La vie de M. l’abbé du Val-Richer, restaurateur de la discipline réguliére de ce monastére, in-8°, Paris, 1696; La vie du comte Louis de Sales, frére de saint Francois de Sales, modéle de piété dans l’état séculier, comme saint Francois de Sales l’a été dans l’état ecclésiastique, in-12, Paris, 1708; 19 edições francesas e 4 italianas.

2° Obras filosóficas. — É sobretudo como filósofo que o Pe. Buffier merece ser conhecido.

Pelo princípio novo que elas desvelam e desenvolvem, pelo teor de espírito acolhedor e liberal que denotam e que lhe valeu os elogios de Voltaire, *Catalogue des écrivains du siécle de Louis XIV*, nas *Oeuvres complétes*, Paris, 1878, t. XIV, p. 48, pela influência direta que exerceram sobre o desenvolvimento da escola escocesa e sobre a gênese do sistema lamennaisiano, suas obras filosóficas têm seu lugar marcado na história da filosofia francesa.

O Pe. Buffier iniciou com uma pequena obra de aparência jovial e espiritual, onde, sob uma aparência paradoxal e brincalhona, esconde-se um grande fundo de bom senso e uma alta razão: *Examen des préjugez vulgaires pour disposer l'esprit à juger sainement de tout*, Paris, 1704, 1725. É um estudo perspicaz das causas dos nossos erros, "um verdadeiro exercício de metafísica e de lógica, para olhar cada coisa sob os diversos aspectos de que é suscetível, e para fazer a análise mais exata de nossas ideias e de nossos juízos." *Op. cit.*, aviso. O autor, que dá provas de uma notável independência de espírito e da mais ampla tolerância, desenvolve, entre outras ideias originais, esta tese de que a censura é mais prejudicial que útil e "que se tem razão de se queixar da multidão de livros maus", isto é, no sentido do texto, de obras medíocres. O feminismo encontraria igualmente nele um precursor: a terceira proposição estabelece "que as mulheres são capazes de todas as ciências".

A lógica, sobretudo a lógica formal, retinha então inteiramente a atenção de Buffier. Em 1714, aparecem em Paris *Les principes du raisonnement exposez en deux logiques nouvelles. Avec des remarques sur les logiques qui ont eu le plus de réputation de notre temps*. Cf. *Mémoires de Trévoux*, 1714, p. 1550-1578; *Journal des savants*, 1714, p. 513-519. A obra foi reimpressa em 1724, sob este título: *Suite du traité des premières véritez, ou des véritez de conséquence*, Paris. É que o horizonte filosófico do autor havia se alargado prodigiosamente; de um ponto especial da dialética surgia uma concepção nova do pensamento, ou pelo menos da certeza, um método teórico e prático do conhecimento, em uma palavra, uma filosofia original, que se poderia chamar em um sentido elogioso a filosofia do senso comum, e que encontrava como naturalmente o seu lugar entre a metafísica expirante de Descartes e o empirismo nascente de Locke.

Buffier expôs seus pontos de vista e formulou suas teorias no *Traité des premières véritez et de la source de nos jugements, où l'on examine le sentiment des philosophes sur les premières notions des choses*, Paris, 1724, obra reeditada no mesmo ano e que se tornou imediatamente célebre. Cf. *Mémoires de Trévoux*, 1724, p. 953-957, 1460-1486.

É aceito hoje considerar o P. Buffier como um cartesiano, cf. Alexis Bertrand em *La grande encyclopédie*, t. VIII, p. 371, art. Buffier, mas um cartesiano moderado que se serviria de Locke para corrigir Descartes. Francisque Boullier, na *Introduction* que escreveu à frente de sua edição das *Œuvres philosophiques du Père Buffier*, Paris, 1843, não contribuiu pouco para vulgarizar este erro. É verdade que Buffier cita "os grandes nomes de Descartes, do Padre Malebranche e outros semelhantes", *Œuvres*, p. 4; ele declara que os "princípios e o método de Descartes foram de grande utilidade, pela análise que eles nos acostumaram a fazer mais exatamente tanto das palavras quanto das ideias", *ibid.*, p. 220; mas estes princípios, ele os rejeita geralmente, e o procedimento da dúvida metódica não é de modo algum o seu. Sobre a essência da alma e do corpo, *ibid.*, p. 183, 224; sobre a certeza da realidade do mundo exterior, *ibid.*, p. 49 sq.; sobre a prova da existência de Deus, *ibid.*, p. 19, 191 sq.; sobre a ideia do infinito, *ibid.*, p. 107 sq.; sobre a criação contínua, *ibid.*, p. 185; sobre a hipótese dos turbilhões, *ibid.*, p. 209; sobre os espíritos animais, *ibid.*, p. 184, Buffier pensa diferentemente de Descartes e não difere em nada dos escolásticos.

Bem longe de adotar no sentido cartesiano o critério da evidência, de professar estima pelo famoso: "Penso, logo existo", e de admitir as ideias inatas, como se lhe atribui em *Paris*, 1875, art. Buffier, sob a assinatura de Francisque Bouillier, ele repele expressamente as ideias inatas "ao tomá-las em sua significação verdadeira", *Œuvres*, p. 18, não admitindo senão uma "disposição" nativa a pensar de tal ou qual maneira e explicando a origem das ideias inatas pelo uso dos sentidos, ou da reflexão. *Ibid.*, p. 170. Do axioma cartesiano, ele diz formalmente: "Esta famosa consequência, Penso, logo existo, é no fundo verdadeira e legítima; mas no fundo também ela não mereceria muito a pena de ser feita, e mereceria ainda menos que a fizéssemos valer como uma descoberta." *Ibid.*, p. 8. Aliás, ela não é nem a primeira nem a mais certa de nossos conhecimentos. *Remarques sur divers traités de métaphysique*, p. 221. Quanto ao critério da evidência, ele o faz consistir, e é precisamente nisso que ele é original e inovador, não mais somente, como Descartes, no sentido íntimo, mas sim no senso comum: toda a sua filosofia repousa sobre esta base.

Não se vê, pois, muito bem em que o P. Buffier teria adotado "os princípios fundamentais" do cartesianismo, a ponto de fazer pouco caso desses "acidentes absolutos aos quais, segundo os jesuítas, todo filósofo estava obrigado a crer, sob pena de impiedade", *Ibid.*, introdução, p. VI, XI; *Dict. philos.*, *loc. cit.*, p. 217. Pois, sobre este último ponto, como sobre os outros, nada é mais claro que estas declarações: "Eu estou neste ponto muito afastado do sentimento dos cartesianos e de alguns outros, que negam absolutamente que possa haver acidentes absolutos, sob pretexto de que neles não compreendem nada: eu não compreendo nada mais que eles; mas não compreendo menos que eles se enganam manifestamente, visto que Deus pode fazer coisas acima daquelas que eles e eu podemos conceber." *Ibid.*, p. 147 sq.

Finalmente, é igualmente errôneo descobrir no *Traité des premières vérités* a condenação das ideias representativas. *Ibid.*, p. 169, 487.

Todos esses juízos superficiais sobre a filosofia de Buffier não são, portanto, aceitáveis, e como não ficar surpreso que se tenha podido não apenas formulá-los, mas dar-lhes curso até esta hora, durante mais de meio século? A influência de Locke não é mais bem estabelecida. Se o P. Buffier está frequentemente de acordo com ele, é sobretudo para combater Descartes; e se ele utiliza por vezes as suas opiniões, é "sem as procurar" que as encontrou no seu caminho. *Ibid.*, p. 4. De resto, toda a sua teoria do senso comum está em oposição irredutível com o sensualismo de Locke. Ver também as *Remarques sur Locke*, p. 225 sq.

É bem de si mesmo, e de si só, que Buffier retém a ideia mestra do seu sistema filosófico. Face ao ceticismo invasor da época e ao idealismo ameaçador de Spinoza, as armas antigas, os habituais raciocínios, já que as leis primeiras e a autonomia da razão individual eram desconhecidas, tornavam-se sem emprego. O P. Buffier foi o primeiro que protestou em nome do senso comum e ele empreendeu a luta sobre este terreno, que lhe parecia firme. Pois tratava-se de encontrar um princípio primeiro, portanto simples e ao alcance de todos, de conhecimento reflexo e de certeza, um rochedo sobre o qual viriam a se reunir por si mesmos os espíritos. Pareceu a Buffier que há um certo número de verdades primeiras, evidentes por sua própria luz, e ele acreditou descobrir no senso comum a clareza menos suspeita da inteligência. Ele denomina senso comum «a disposição que a natureza colocou em todos os homens ou manifestamente na maior parte deles, para fazê-los proferir, quando atingiram o uso da razão, um julgamento comum e uniforme sobre objetos diferentes do sentimento íntimo de sua própria percepção; julgamento que não é de modo algum a consequência de nenhum princípio anterior». *Ibid.*, p. 15.

Como exemplo de julgamentos que se verificam sobretudo pela regra e pela força do senso comum, ele fornece uma lista, aliás incompleta, de verdades primeiras, universais e necessárias, que se pode comparar, pelas analogias, com aquela que Reid deu sob o título de: Premiers principes de vérités contingentes, nas Œuvres de Reid, trad. por Jouffroy, Paris, 1818-1836, t. v, p. 93. Em nome dessas verdades primeiras do senso comum, o autor institui a crítica dos sistemas e decide das grandes questões de metafísica, de psicologia, de teodiceia, de direito e de moral, e até mesmo de física e de medicina.

A simples exposição do sistema, vislumbrado em suas linhas essenciais, mostra suficientemente que se trata menos de uma filosofia do que de uma maneira de filosofar nova, de um método de lógica óbvia e popular, cuja ambição não é de modo algum levantar problemas desconhecidos, nem modificar o antigo aspecto das coisas, mas de resolver para o uso de todos, ou melhor, de tornar cada um capaz de resolver por si mesmo as eternas questões, servindo-se apenas das clarezas de seu espírito. No fundo, Buffier não é de modo algum inovador; ele se vangloria apenas de trazer uma certeza nova a princípios inegáveis, fazendo-os aparecer como tais sob a luz plena da razão comum. Não se tem nenhum indício de que ele quisesse outra coisa e o resumo que publicou de sua grande obra intitula-se sem rodeios: Eléments de métaphisique (sic) à la portée de tout le monde, Paris, 1725. Ademais, seria injusto tomar este procedimento, como fez Francisque Bouillier, por um procedimento de eliminação da alta metafísica. Œuvres, introd., p. xxv. As pesquisas ulteriores e superiores estão implicadas, e não excluídas, para todos os domínios, para a metafísica como para a física ou a jurisprudência, uma vez que não se trata senão da existência dos princípios e dos princípios primeiros: o papel do senso comum é assim limitado ao mais estrito e os direitos do gênio não são de modo algum desconhecidos.

Deste método e de alguns dados particulares inspirou-se toda a escola escocesa a partir de Thomas Reid e de James Beattie. Reid, que intitulou sua principal obra: Recherches sur l’esprit humain, d’après les principes du sens commun, reproduziu frequentemente as ideias e até mesmo a argumentação de Buffier, por exemplo sobre a infalibilidade do testemunho dos sentidos, e ele emitiu sobre o Traité des vérités premières este julgamento: «Encontrei mais coisas originais neste tratado do que na maioria dos livros metafísicos que li. As observações de Buffier parecem-me em geral de uma perfeita justeza e, quanto ao pequeno número daquelas que não saberia aprovar de todo, elas são pelo menos muito engenhosas.» Œuvres de Reid, trad. por Jouffroy, Paris, 1818-1836, t. v, p. 178. Os empréstimos de Beattie e de Oswald são igualmente tão manifestos que o Traité des premières vérités, editado em inglês em Londres em 1780, denuncia em subtítulo «o plágio e a ingratidão dos doutores Reid, Beattie e Oswald».

Confundiu-se muitas vezes com o sistema de Buffier o de Lamennais, que dele não deriva em nada. O lamennaisianismo conclui, para o indivíduo, pela incapacidade radical de atingir qualquer espécie de certeza, e faz repousar na razão coletiva do gênero humano a fonte natural de toda verdade. Buffier defende, ao contrário, com toda a sua força, o valor representativo dos sentidos e a dignidade da razão: para ele, as verdades primeiras são imediatamente descobertas por um ato da razão pessoal, de modo que este ato reveste um caráter de necessidade. O que é comum a todos os homens, ou pelo menos à maior parte deles, é a tendência nativa da razão a formular, como que por instinto, esses mesmos julgamentos. Por isso, na edição, hoje muito rara, do Traité des vérités premières, destinada «a servir de apêndice» ao t. 0 de Essai sur l’indifférence en matière de religion, e portando este título: La doctrine du sens commun, ou Traité des premières vérités et de la source de nos jugements, par le P. B. D. L. C. D. J. Ouvrage qui contient le développement primitif du principe de l’autorité générale adopté par M. de La Mennais, comme l’unique fondement de la certitude, Avignon, 1822, o editor lamennaisiano teve o cuidado de suprimir a passagem onde o P. Buffier declara que o senso comum é uma regra de certeza, não para toda espécie de verdade, mas unicamente nas coisas cujo conhecimento está perfeitamente ao alcance dos homens que delas rendem testemunho. Cf. Sommervogel, Bibliothèque de la C. de Jésus, t. II, col. 355. Era denunciar da melhor forma a disparidade dos sistemas.

3° Tratados de moral ou de estética. — O P.

Buffier tentou, além disso, resolver diversas questões morais, sociais ou estéticas em tratados muito em voga em sua época: Traité de la société civile, et du moyen de se rendre heureux, en contribuant au bonheur des personnes avec qui l’on vit, Paris, 1726; cf. Journal des savants, 1726, p. 491-497; Mémoires de Trévoux, 1726, p. 1038-1070; Mercure, fevereiro 1726, p. 334-340; Traitez philosophiques et pratiques d’éloquence et de poésie, Paris, 1728; cf. Journal des savants, 1728, p. 500-509, 565-568; Mémoires de Trévoux, 1728, p. 1717-1730; 1729, p. 2043-2052; Cours de sciences sur des principes nouveaux et simples, pour former le langage, l’esprit et le cœur, dans l’usage ordinaire de la vie, Paris, 1722.

Este volume contém uma parte das obras do P. Buffier citadas anteriormente, com esclarecimentos, Discursos sobre o estudo e o método das ciências, Dissertações... sobre a natureza, a arte, as regras e as belezas da música, o câmbio, a equidade. Cf. Mémoires de Trévoux, 1730, p. 818-834; 1732, p. 1291-1309, 1682-1706; Journal des savants, 1732, p. 295-304; Journal de Verdun, novembro 1787, p. 350-357; Suppl. ad nova acta eruditor., t. II, p. 60-65.

Páginas inteiras do Cours des sciences foram inseridas na Encyclopédie, sem que o autor ali seja jamais nomeado. Cf. Tabaraud, na Biographie universelle, art. Buffier.

Como pedagogo, Buffier mereceria ser retirado do esquecimento. No Cours des sciences, ele é, em muitos pontos, o precursor de Condillac; ele recomenda especialmente o estudo da história e da geografia, ciências às quais aplica as regras de sua mnemotécnica, tais como se encontram expostas na Pratique de la mémoire artificielle..., Paris, 1701.

Publicou também um Mémoire sur la réforme d’une nouvelle orthographe, nos Mémoires de Trévoux, 1707, p. 1259-1266; 1719, p. 1325-1380. Em todos esses escritos, reencontra-se a sabedoria amável daquele que tinha tentado suavemente reconduzir a filosofia de seu tempo à filosofia do bom senso.

Além dos autores já citados, Mercure de France, setembro de 1724, p. 1949-1955; fevereiro de 1725, p. 278-289; julho de 1725, p. 1530-1583; Voltaire, Catalogue des écrivains du siècle de Louis XIV, nas Œuvres complètes, Paris, 1878, t. XIV, p. 48; d’Alembert, prefácio do 3º vol. da Encyclopédie; Destutt de Tracy, Éléments d’idéologie, parte III, Logique, Discours préliminaire, Paris, 1804; Rigault, Histoire de la querelle des anciens et des modernes, Paris, 1856, p. 484 sq.; Bouillier, Histoire de la philosophie cartésienne, Paris, 1868, t. I, p. 587 sq.; Compayré, Histoire des doctrines de l’éducation, Paris, 1885, t. II, p. 147 sq.; Sommervogel, Bibliothèque de la C.ie de Jésus, t. II, col. 349-358; Hurter, Nomenclator literarius, 1893, t. III, col. 1050-1051.

Autor original: P. Bernard

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