BONALD (FRANCISCO)

BONALD (FRANCISCO)

41. BONALD François, jesuíta francês, nascido em Mende em 1551, ingressou na Companhia em 1572, falecido em 1614. Ensinou teologia moral e foi reitor de vários colégios.

Sua obra principal foi uma Response apologétique a L’Anticoton et a ceux de sa suite... où il est montré que les autheurs anonymes de ces libelles diffamatoires sont attaints des crimes d’hérésie, leze majesté, perfidie, sacrilege, et tres enorme imposture, Pont-à-Mousson, 1610. Este livro, publicado sem nome de autor, foi atribuído por muito tempo ao próprio Pe. Coton; contudo, a edição de 1611 traz o nome do Pe. Bonald, e o Pe. Sommervogel demonstrou que nem o estilo, nem o caráter do livro permitem atribuí-lo ao Pe. Coton.

Este escrito é uma resposta a um libelo difamatório, L’Anticoton, no qual um panfletário anônimo, provavelmente César de Plaix, advogado no Parlamento, havia incriminado não apenas a conduta do confessor do rei, mas também a doutrina dos jesuítas a respeito do tiranicídio, que o Pe. Coton havia exposto e defendido em sua Lettre déclaratoire de la doctrine des Pères jésuites, conforme aux décrets du concile de Constance, Paris, 1610. O Pe. Bonald responde ponto a ponto aos ataques do libelo, bem como aos de vários outros panfletos publicados na mesma época. O livro causou alvoroço: «Semelhante a uma cigarra, diz um autor da época, ela (a resposta) gritava muito bem e era magra».

Em 2 de janeiro de 1611, André Duval, o ilustre professor ultramontano, bem como três doutores da Sorbonne, J. Forgemont, N. Fortin, R. de Gazil, pároco de Saint-Jacques-la-Boucherie, deram sua aprovação à reimpressão. Richer, pelo contrário, então síndico da faculdade de teologia, denunciou a resposta, em 1º de fevereiro de 1611, como contendo ainda máximas assassinas de reis e como tomando a defesa de Mariana. Nesse mesmo dia, sob sua requisição, a faculdade declarou que, sem querer infligir censura a esta apologia e apenas para fazer entender sua doutrina, declarava inconsiderada a proposição afirmando que Mariana nada havia ensinado que não fosse conforme ao concílio de Constança e aos decretos da Sorbonne. Um decreto do conselho interveio para impedir a confirmação desta conclusão em uma segunda assembleia; contudo, o deão e o síndico da faculdade apresentaram-se perante a regente e obtiveram a promessa de que seus privilégios seriam respeitados.

O Pe. Bonald ainda compôs: La divine économie de l’Eglise et le haut prix du bénéfice de la redemption et vocation au christianisme, Lyon, 1612; Pratique chrétienne ou moyen de bien vivre, Pont-à-Mousson, 1622. Sommervogel, Bibliothèque de la C.ie de Jésus, t. I, col. 1693-1696; les Annales de la société des soi-disans jésuites, t. II, p. 326, fornecem nas notas uma análise da Response do Pe. Bonald; Duplessis d’Argentré, Collectio judiciorum, t. II, p. 87 sq.; J.-M. Prat, Recherches sur la C.ie de Jésus en France du temps du P. Coton, Paris, 1876, t. II, p. 296 sq., 865 sq.; Reusch, Der Index, t. I, p. 344. H. Dutoilquet.

Autor original: H. DUTOUQUET

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