BOÊMIOS (OS IRMÃOS)

BOÊMIOS (OS IRMÃOS)

BOÊMIOS (os irmãos). — I. Origem e inícios, 1434-1471. II. Progresso, 1471-1526. III. Transformação e declínio, 1526-1627. IV. Doutrina.

I, ORIGEM E INÍCIOS, 1434-1471. — Na presença dos abusos e das desordens que pouco a pouco e sob influências diversas tinham se infiltrado no cristianismo, a necessidade de uma reforma se fazia imperiosamente sentir. Era o direito e o dever da Igreja, por intermédio do papa e dos bispos, de trabalhar nisso com autoridade, e a Igreja estava longe de recusar. Mas, ao invés de deixar a quem de direito o cuidado de cumprir este dever e de levá-lo a bom termo pelo estudo atento do mal, a busca dos meios mais convenientes e a aplicação progressiva e firme dos remédios mais bem apropriados, espíritos inquietos, impacientes e temerários, sem mandato como sem autoridade, empreenderam, desde o início do século XV, reformar a Igreja, trazendo-a, pretendiam eles, às suas origens e restaurando o puro Evangelho que se tornara, segundo eles, irreconhecível. A intenção era boa; mas o procedimento, contrário à ordem e à hierarquia, era revolucionário. João Huss e Jerônimo de Praga não hesitaram em servir-se dele.

Julgados, condenados e executados, tiveram vingadores entre os tchecos da Boêmia que, confundindo estreitamente a causa nacional e a causa religiosa, combateram pela reforma da Igreja ao mesmo tempo que pela "glória da língua eslava". Foi o início das guerras hussitas e também a fonte de infortúnios e de ruínas sem número para a Boêmia. Com efeito, dissensões intestinas, sequência inevitável de todo movimento anárquico, não tardaram a eclodir entre os partidários de Huss. Os quatro artigos de Praga resumiam primeiramente suas reivindicações, a saber: a comunhão sob as duas espécies; o retorno da Igreja à pureza do Evangelho pela supressão dos bens do clero; a repressão dos pecados e o direito para cada um de pregar livremente a palavra de Deus. Mas esses quatro pontos não bastavam mais ao partido avançado. Este, intransigente e sectário, leva aos extremos o rigor de seus princípios e toca já no protestantismo; rejeita as tradições e as cerimônias da Igreja romana, transforma a missa, a celebra em língua tcheca, etc. Os moderados contentam-se com o emprego do cálice ou da comunhão sob as duas espécies, donde o seu sobrenome de calixtinos ou de utraquistas; são tratados de desertores pelo partido que faz logo passar a questão religiosa para o segundo plano e acentua as reivindicações sociais.

O entendimento é impossível; as divergências se acentuam e a guerra eclode. Taboritas, órfãos e outros radicais hussitas são esmagados na batalha de Lipan, em 1434. Dois anos depois, os moderados obtêm do concílio de Basileia o direito de comungar sob as duas espécies, e os compactata são proclamados leis do Estado. Os chefes dos moderados, Rokytsana e Jorge de Podiebrad, exilados durante onze anos na sequência das desordens políticas que seguiram a morte do rei Sigismundo, terminam por se declarar pelo utraquismo oficial e legal. Hussitas de coração, procuram, sob o disfarce da ortodoxia, obter, um o consentimento do papa para o arcebispado de Praga, o outro a coroa da Boêmia. Mas, mal retornados, deixam-se vãmente solicitar por seus partidários, irritam-nos e, sem o suspeitar, lançam a Boêmia nas piores aventuras: um cisma vai eclodir.

Desde 1448, um cura de Praga tinha se posto a pregar com ardor a melhoria dos costumes e a prática de uma vida profundamente religiosa. Em 1453 e 1454, Gregório tinha fundado uma reunião de amigos que reclamavam bons padres para assegurar a eficácia do serviço divino. Alguns moderados, e com eles certos exaltados, mais impregnados do espírito hussita e sempre hostis a Roma, atacam a missa, atacam a oração pelos mortos e a intercessão dos santos, queixam-se de que os calixtinos romanizam em tudo e em toda parte, e se põem sob a condução do sapateiro Pedro Cheltchitsky, homem de pouca ciência, mas de convicções enérgicas e de um alto valor moral. Em 1457, obtêm de Podiebrad uma terra onde poderão se reunir em toda liberdade e tomam desde então o nome de Unidade dos irmãos boêmios. Trataram-nos de picardos; mas eles repeliram este título como uma injúria, pois tinham costumes muito mais puros.

Defenderam-se da mesma forma de descender dos valdenses, assim como o notam Camerarius, Historica narratio..., Heidelberg, 1605, p. 105, e Rudiger, De ecclesia fratrum..., Heidelberg, 1605, p. 147. Desautorizaram, enfim, toda origem taborita; pois, longe de serem os continuadores dos taboritas, deles se separaram na especulação e na prática. Denis, Annales de la Faculté de Bordeaux, 1885, p. 168. Rudiger, um dos irmãos, embora tivesse sustentado essa origem taborita, não pôde se impedir de culpar energicamente o taborita Ziska. Na realidade eram calixtinos, mas calixtinos dissidentes, como tiveram o cuidado de fazer notar em suas profissões de fé de 1532, 1558 e 1572, não querendo o utraquismo oficial porque faziam questão de não ter nada de comum com uma Igreja que acusavam de se ter distanciado de Jesus. Para se colocar ao abrigo da violência e do mal, fundaram uma confraria, onde acolheram os desiludidos, os descontentes, os místicos e os exaltados; seita à parte, "uma das mais audazes e das mais estranhas a toda superstição do passado que tenham jamais saído do cristianismo." Denis, loc. cit., p. 176.

Cheltchitsky foi o teórico da Unidade. Separado dos moderados, que conservavam ainda um resto de respeito pela Igreja católica, e dos taboritas dos quais repelia a explicação da eucaristia e dos quais culpava o fanatismo, protestando, além disso, contra os compactata, Cheltchitsky se impõe por seu desdém pelas coisas da terra e da opinião, por sua fé inabalável. Sua pouca cultura intelectual não o tinha impedido de escrever suas Postilla, que ele desenvolveu mais tarde em seu Filet da verdadeira fé. Algumas outras de suas obras, escritas em tcheco, o Discurso sobre a paixão de Jesus segundo o apóstolo João; A besta do Apocalipse; As bandas boêmias, etc., ajudam a fazer conhecer sua doutrina. Sua pretensão era fazer reviver a Igreja da Era apostólica antes que ela tivesse sido envenenada pelo sistema político-religioso inaugurado por Constantino. Do ponto de vista religioso, é, segundo Cheltchitsky, a graça soberana de Deus que salva, mas, na salvação, uma parte cabe à boa vontade e às boas obras. O abandono moral, a resignação fatalista são condenados.

E uma vez que Jesus Cristo é o nosso mediador, a Igreja teria errado ao lhe substituir a santa Virgem e os santos; imputação falsa, pois a Igreja não reconhece à santa Virgem e aos santos senão um poder de intercessão junto a Deus em favor dos cristãos. O Evangelho contém toda a doutrina da salvação; ora, ele é mudo sobre o purgatório e a missa pelos mortos; fazer, assim, da Escritura santa a única fonte do ensino revelado, com exclusão da tradição, é já erro protestante.

Renovando, enfim, o erro donatista, Cheltchitsky faz depender a eficácia dos sacramentos da dignidade moral daquele que os administra. A bem dizer, ele não admite senão o batismo e a eucaristia. Sem negar a presença real, uma vez que ele recrimina aos taboritas por não crerem nela, ele mesmo não crê na transubstanciação.

Do ponto de vista social, ele declara que há uma oposição radical, absoluta e irredutível entre o mundo e Jesus, que é preciso fugir das cidades e não se entregar a outra ocupação senão à da agricultura, a única favorável à humildade e à meditação. Ele censura a propriedade e pende para o comunismo. Ele censura o Estado, porque ele é baseado na força e na violência. Ele censura a Igreja, porque ela é a negação da ideia de virtude, porque seus ministros colocam sua vontade no lugar da de Jesus e estão cheios de escândalos e de vergonhas. Em suma, é um revolucionário de ideias. Seu sistema rompe todas as instituições sociais, políticas, religiosas, e é chamado a um grande sucesso.

Àqueles que formaram, os primeiros, a Unidade dos irmãos, teria sido necessário um credo uniforme, sob pena de recair no mal endêmico da Boêmia, a discussão religiosa; a dificuldade era compô-lo. Fizeram-se sujeitar, sem dúvida, no sínodo de Kunwald, as doutrinas picarda e taborita sobre a eucaristia; e o meio era hábil para romper toda solidariedade comprometedora com aqueles que haviam revoltado a opinião por seus excessos e haviam incorrido na condenação das dietas; mas deixou-se indecisa e flutuante a fórmula dogmática — e isto deixa a porta aberta às variações futuras — para colocar em primeiro plano a questão disciplinar.

Tratava-se, antes de tudo, de organizar a seita: este foi o papel de Gregório, sobrinho de Rokytsana, completamente imbuído das doutrinas de Cheltchitsky e decidido a fundar uma Igreja nova. Certas circunstâncias a isso se opuseram a princípio. Os irmãos não haviam rompido abertamente com os utraquistas; mas a singularidade de seus ritos e de suas opiniões não tardou a despertar suspeitas. Eles foram denunciados como verdadeiros hussitas, fautores de desordem, inimigos da sociedade. Podiébrad, coroado enfim rei da Boêmia em 1459, creu dever proteger o utraquismo oficial; ele expulsou, portanto, os irmãos, em 1461, da Boêmia e da Morávia.

Esta perseguição não deteve a propaganda da Unidade. Seus grupos, momentaneamente dispersos, escondem-se nas florestas e nas montanhas, celebram seu culto em cavernas, o que lhes valeu da parte do povo o sobrenome de jawnici; eles se multiplicaram e pensaram em se dar uma organização, baseada na pobreza voluntária.

Em 1467, setenta dos principais irmãos reúnem-se em Lotka, na Boêmia, para se darem um clero. Eles tiram a sorte seus candidatos. Mathias de Kunwald, Thomas Prelautsch e Elie Krenov são eleitos: a presidência é devolvida a Mathias. Restava fazê-los sagrar. Valdenses emigrados pretendiam possuir bispos legítimos, descendendo diretamente dos apóstolos por uma tradição ininterrupta. Isto não era de modo algum para desagradar aos boêmios, pois eles pretendiam não ter nada em comum com Roma e faziam questão de se ligar às origens apostólicas. Por isso, apresentaram seus eleitos ao bispo valdense Estêvão, que lhes conferiu a consagração episcopal.

Desde então, a Unidade está constituída; ela tem sua autonomia. Ela não aceita um membro novo senão após tê-lo rebatizado, Camerarius, loc. cit., p. 102, erro já condenado pela Igreja e do qual os irmãos, em 1558, confessavam não ter retornado senão há pouco. A Unidade é governada por um bispo, presidente vitalício, encarregado de deliberar com seus colegas sobre os assuntos importantes. Cada bispo governa uma diocese e administra a ordem; ele é assistido por coadjutores. Sacerdotes ou pastores, ajudados por acólitos e diáconos, preenchem as funções eclesiásticas e estão adstritos ao celibato.

Os irmãos leigos são divididos em três categorias: a dos principiantes ou aspirantes, a dos avançados ou eleitos e a dos perfeitos; é entre estes últimos que se escolhiam os anciãos ou juízes dos costumes, os ministros e os edis. Um conselho supremo de anciãos zela escrupulosamente pela boa conduta dos irmãos e pela prática da penitência. Todo delinquente, qualquer que seja, jovem ou velho, leigo ou eclesiástico, sacerdote ou bispo, é submetido primeiro a uma admoestação privada, depois a uma reprimenda pública, enfim à excomunhão ou exclusão da Unidade. As mulheres, em particular, são objeto de regulamentos muito severos.

Assim constituída, a Unidade não pode mais ser confundida com o utraquismo oficial. Por isso Rokytsana lança um mandamento contra ela, acusando esses picardos de anarquia, uma vez que simples leigos se arrogaram o direito de dispor do sacerdócio. Ele incita Podiébrad a agir rigorosamente. Os irmãos devem se esconder de novo. Mas Gregório conseguia, mesmo assim, compor tratados e fazer chegar respostas a Rokytsana, súplicas ao rei, apelos à opinião. Ele repele o sobrenome de picardos, que ele declara uma apelação caluniosa; ele sustenta que os boêmios permanecem de acordo com os utraquistas, pois comungam sob as duas espécies; e quanto ao resto, se eles estão em desacordo com o utraquismo, é porque passaram com razão ao Evangelho puro. Enquanto isso, graças à anarquia que grassa na Boêmia e à fraqueza da repressão real, eles escapam ao perigo de desaparecer e, em 1471, à morte de Podiébrad e de Rokytsana, respiram em plena liberdade.

II. Progresso, 1471-1526. — O novo rei da Boêmia, Ladislas II (1471-1516), é jovem e sem experiência; o utraquismo oficial é em parte reduzido pela pregação de santo João de Capistrano. Ora, esta mudança de reinado e esta decadência do utraquismo aproveitam à Unidade, que penetra na nobreza e invade todo o país. Mas, segundo a observação de Denis, loc. cit., não se suspeitava quase, à morte de Gregório em 1473, que, vinte anos depois, seus sucessores abandonariam suas doutrinas, condenariam seus escritos e engajariam a Unidade em uma via nova.

O sucesso foi, com efeito, mais temível do que a perseguição. O número de aderentes cresceu; sua qualidade baixou. Os recém-chegados desprendem-se do passado heroico; uma geração diferente aparece com Lukach de Praga, Tcherny e Laurent Krasonitsky; ela aproveita os lazeres da paz para se entregar ao seu gosto pelo exame e pela discussão. A atividade literária é intensa.

A questão dogmática é vivamente debatida e gira em torno da intervenção da graça e da liberdade na salvação do homem. Alguns irmãos continuavam a sustentar, com Cheltchitsky, que o homem é salvo pela graça; mas, contrariamente a Cheltchitsky, começam a pregar a resignação, a indiferença, a inércia moral. Tal ascetismo não estava isento de perigo; ele deveria condenar a seita à esterilidade e ao isolamento. Procope, um defensor do passado, entreviu essas consequências; retomando as visões de Cheltchitsky, ele defende a causa da vontade e a necessidade do seu concurso na obra da salvação e faz sancionar esse ensinamento pelo sínodo de Brandys em 1490.

O seu sucesso foi efêmero; pois, quatro anos mais tarde, no sínodo de Rychnov, os irmãos inovadores triunfam e fazem condenar os escritos dos dois primeiros chefes da Unidade, Cheltchitsky e Grégoire. Era romper com a tradição do partido e engajar a Unidade em uma via nova. O espírito de tolerância, que sopra doravante, abre uma porta mais larga e favorece, em particular, todos aqueles que exaltam a fé em detrimento das obras; é um passo adiante rumo ao protestantismo. Alguns velhos irmãos, fiéis apesar de tudo à doutrina dos primeiros dias, protestaram, mas em vão. Amos e Kubik foram excomungados e expulsos; os seus partidários dispersaram-se e, menos de cinquenta anos depois, tinham desaparecido.

A Unidade primeira tinha vivido. A Unidade nova prossegue o seu desenvolvimento orgânico e progride até ao aparecimento da Reforma luterana. À morte de Mathias de Kunwald, em 1500, ela nomeia seniores e quatro bispos, entre os quais Lukach. Este, para impedir a seita de se confundir e de se perder em alguma Igreja estrangeira à Boêmia, não se contenta em trazer de volta ao culto certas cerimônias proscritas; ele dá à Unidade uma organização mais estreita e um símbolo, conserva-lhe alguns dos traços da sua originalidade e impede-a assim de se deixar absorver mais tarde pelo luteranismo. A autoridade legislativa passa ao sínodo; o poder executivo ao conselho estreito, cujo presidente porta o nome de juiz; a ordenação dos padres é regulamentada. O pastor, assistido por um diácono, é rodeado por um conselho de anciãos; ele confere os sacramentos, recebe a confissão pública ou privada, conforme os pecados, e trabalha para subsistir. Nos primórdios, Mathias foi ao mesmo tempo bispo e juiz; mas após a condenação dos velhos irmãos, Mathias conservou apenas as funções próprias ao episcopado e Procope foi juiz; depois, quando Mathias morreu e Procope retirou-se, em 1500, confiou-se o poder a quatro bispos, Thomas, Elie, Ambroise e Lukach; o mais antigo teve o título e a função de juiz.

No dia seguinte às lutas do século XV e na véspera de entrar em contato com a Reforma, os irmãos aproveitam a trégua. A sua atividade manifesta-se sobretudo nos sínodos e traduz-se por uma série de ordenanças ou decretos que formam um código completo de disciplina pública e privada. Em particular, a questão das relações entre ricos e pobres não tem mais a acuidade irritante da época hussita; uns mostram-se menos duros, outros menos agressivos e, segundo a observação de Denis, os rancores dos uns e as cobiças dos outros adormecem. Todavia, a Unidade é impotente para formar uma Igreja; é mais propriamente uma comunidade de religiosos. A sua moral, visando demasiado à perfeição, exige um gênero de vida à parte, excepcional e fora ou acima da natureza humana; ela sacrifica a alegria tão recomendada pelo apóstolo para o serviço de Deus e rodeia-se de uma atmosfera de lúgubre tristeza: moral de ascetas, excessiva, minuciosa, regulando todos os atos da vida a cada instante do dia, mostrando o valor daqueles que podiam praticá-la, mas condenando estes a não formar senão um clã estreito e fechado. Por outro lado, é verdade, o símbolo não está ainda fixado numa fórmula definitiva; mas a sua elasticidade mesma compensa o rigor da moral e assegura o recrutamento dos irmãos.

O número dos recém-chegados aumenta sem cessar, de tal modo que, perto do fim do século XV, os irmãos contavam quase duzentas igrejas na Boêmia e na Morávia. Borowy fala de quatrocentas comunidades. O conselheiro íntimo de Ladislas, o poeta e orador Bohuslas Lobkowitz, podia escrever ao rei em 1497: «O que mais me aflige é que este erro, que não ousava mover-se sob o rei Jorge e o arcebispo Rokytsana, ambos suspeitos de heresia, enraíza-se sob um rei católico e estende-se tanto que não haverá quase força humana que...» (teologia católica, Paris, 1858, t. II, p. 176).

Roma inquietava-se com tão rápidos progressos; Alexandre VI ordenou ao inquisidor Henri Institoris que se dirigisse à Boêmia e à Morávia para combater os valdenses. Ladislas teve de tomar medidas severas e promulgou, em 1508, um decreto que visava os picardos, mas que atingia ao mesmo tempo os irmãos e era para eles uma ameaça constante. Estes compuseram uma apologia, endereçaram-na ao rei e conseguiram subtrair-se aos efeitos do decreto. Que valia esta apologia, onde atacavam a transubstanciação e mesmo a presença real? Erasmo, a quem tinha sido endereçada em 1511, contentou-se em responder que não havia erro chocante (sem dúvida para não desagradar aos irmãos), mas que não era nem prudente para ele nem útil para eles prestar publicamente testemunho disso.

A morte de Ladislas II e a ascensão de Luís asseguraram à Unidade um novo período de calma e de progresso. O utraquismo não contava quase mais, e o catolicismo precisava do apoio da lei. Esta era a hora propícia de realizar a ideia hussita, reconciliando todos os partidos tchecos e assegurando o triunfo do puro Evangelho na unidade nacional e religiosa. Os irmãos deixaram-na passar. Eles atingiram o seu apogeu. A ascensão dos Habsburgo com a eleição de Fernando da Áustria, o irmão de Carlos V, e a entrada em cena de Lutero vão deter a marcha ascendente da Unidade e fazê-la perder um pouco da sua originalidade e da sua independência.

III. Diciin, 1526-1627.

— Por um lado, o novo rei detesta os irmãos porque eles nasceram da anarquia, porque dela vivem e porque nada é pior para a tranquilidade de um Estado do que esse princípio dissolvente, negação de toda autoridade. Os Habsburgo recusar-se-ão a levantar completamente a Unidade da sua situação de fora da lei e, salvo algumas falhas passageiras, reduzi-la-ão à impotência, enquanto aguardam que se livrem para sempre dela na Boêmia e na Morávia.

Por outro lado, o luteranismo atrai para si, na Boêmia e na Morávia, os habitantes de origem alemã e ameaça contrabalançar a preponderância tcheca. Ele tem a seu favor a sedução do sucesso e exerce sobre a Unidade uma atração tão poderosa que está prestes a absorvê-la. O aparecimento de Lutero é saudado entre os irmãos como a realização de uma profecia de João Huss. Eles enviam uma deputação ao monge saxão e buscam inteirar-se do estado dos costumes na Igreja ressuscitada; mas percebem que a Reforma luterana não é nada menos que uma reforma moral e que ela rejeita o uso de rebatizar, o celibato eclesiástico e os sete sacramentos. Decepcionados, retiram-se e são tratados por Lutero como pessoas rígidas, de olhar feroz, que se martirizam com a lei e as obras, não têm a consciência alegre e não conhecem de modo algum a justiça imputativa.

De resto, Lukach, tornado juiz da Fraternidade, velava. Ele não se contentara em imprimir uma forte direção à Unidade, em organizá-la definitivamente. À frente de cada comunidade, ele havia colocado um sacerdote que devia sustentar-se pelo trabalho manual e remeter ao conselho restrito todos os legados que pudesse receber. O celibato não foi mais exigido de forma absoluta, mas praticamente ele foi observado durante muito tempo. Um diácono e alguns acólitos ajudavam o pastor no governo da comunidade, na administração dos sacramentos, no ofício divino, na pregação, na manutenção das escolas; um conselho devia velar pela boa conduta dos membros e pela execução das medidas disciplinares; uma delegação de viúvas e de mulheres não casadas velava, por sua vez, sobre as irmãs da Unidade.

Lukach fez mais; enquanto viveu, cuidou de conservar a autonomia à Unidade. Mas, em sua morte, em 1528, João Horn, João Augusta, Michel Weise e Sionsky tiveram a direção dos irmãos; Horn tornou-se juiz em 1532. Estes mostraram-se menos intransigentes em suas relações com os reformados. Lutero, mudando de tom e compreendendo que, para assegurar o sucesso de sua obra na Boêmia, os irmãos poderiam servir-lhe de úteis auxiliares, senão de partidários resolutos, busca conquistá-los. Escreve, consequentemente, um prefácio à apologia que eles acabavam de compor e publica-o em Wittenberg, em 1533. Depois, lança as bases de um entendimento.

No campo das doutrinas, os irmãos fazem concessões que lhes custam pouco: admitem que a fé somente justifica, que a eucaristia encerra o corpo de Jesus Cristo. No da disciplina, continuam a ser menos acomodados; obstinam-se em reclamar a introdução de sua disciplina entre os luteranos; mas cedem pouco a pouco nos pontos em litígio e terminam por firmar um pacto de união com Lutero em um banquete, em 1542; entram assim na esfera de influência do luteranismo e deixam-se infundir no movimento político-religioso da Reforma. Foi uma falta capital e cujas consequências deveriam ser mortais.

Quando Fernando I reclamou seu concurso contra a Liga de Esmalcalda, eles recusaram, para não terem de combater os protestantes alemães. Foram logo punidos por isso; pois Fernando aproveitou a vitória de Mühlberg, em 1547, para agir com rigor contra eles: suprimiu todas as mudanças que haviam introduzido no culto; fechou seus oratórios; lançou na prisão seu bispo João Augusta e seu coadjutor Jacques Bilik; perseguiu-os por toda parte. A maior parte foi obrigada a passar a fronteira e refugiou-se na Prússia e na Polônia.

João Augusta havia acariciado o projeto, desde 1540, de reunir os irmãos e os utraquistas em uma Igreja nacional. Seu encarceramento impediu-o de dar seguimento. Tornado juiz, em 1547, à morte de Horn, e restituído mais tarde à liberdade, ele tentou realizá-lo; mas as circunstâncias haviam mudado muito. O utraquismo estava em plena dissolução; os compactata não formavam mais uma confissão e seriam suprimidos em 1567; o partido da Reforma afirmava-se cada vez mais; e os irmãos, exilados ou dispersos, não responderam ao apelo de Augusta.

No estrangeiro, os irmãos boêmios fundaram novos centros de propaganda e, embora conservando ainda sua autonomia, não cessaram de viver em boas relações com os reformados. É assim que, em 1570, na reunião geral de Sandomierz, subscreveram o acordo dos símbolos da fé de Augsburgo, da Boêmia e da Suíça. Após vinte anos, desapareceram da Prússia. Quanto àqueles que se tinham refugiado na Polônia, foram combatidos pelos jesuítas, mas conseguiram manter-se e até mesmo progredir; em 1627, contavam ainda um certo número de comunidades e vários milhares de almas. Um de seus juízes, Nicolajewiski, abandonou-os para tomar lugar entre os antigos irmãos; o maior número acabou por fundir-se com os reformados; alguns persistiram; restam ainda na província de Posen, onde formam cinco comunidades e uma diocese. Cf. Roch, Die Senioratswahl bei den Unititsgemeinden der Provinz Posen, Lissa, 1882.

Muito outro foi o sorte dos irmãos que ficaram na Boêmia, apesar das perseguições de Fernando. Não esperavam senão um momento propício para se reconstituírem e retomar sua propaganda. Constatando que Maximiliano II era muito mais tolerante que seu pai sobre a questão religiosa, insistiram tanto junto a ele que obtiveram, em 1575, o direito de se reunir na Boêmia e de praticar livremente seu culto; mas é na Morávia que fixaram a sede principal da Unidade, donde o nome de Irmãos Morávios, sob o qual são algumas vezes designados.

Divididos entre a resolução bem determinada de conservar sua autonomia e o desejo de fazer causa comum com os reformados no terreno político-religioso, tentaram mais uma vez redigir um símbolo uniforme com os luteranos e os calvinistas. Não o conseguiram sem dificuldades; mas foi graças a um verdadeiro golpe de mestre que consiste, como sempre, em não precisar nada do que os dividia. Baniu-se resolutamente todas as sutilezas da escola; e, para não contrariar ninguém, deixou-se à fórmula toda a vagueza e toda a elasticidade desejáveis. De ora em diante, caminham de concerto com os reformados.

O sucesso ajudando, visam apoderar-se da universidade de Praga, multiplicam suas instâncias, agitam a opinião e terminam por conseguir, arrancando de Rodolfo II, em 1609, as famosas Cartas de Majestade que lhes entregam a universidade, proclamam a liberdade de consciência, concedem-lhes o gozo de seus templos e o direito de erigir outros em suas propriedades. Era um triunfo inesperado para o presente e a segurança para o futuro. Até lá, eles não tinham possuído escola de teologia e tinham-se contentado, à falta de melhor, em confiar a formação de seus futuros ministros às lições rudimentares dos veteranos do ministério. Dificilmente, em 1549, eles tinham conseguido reunir cinco estudantes sob a direção de Paul Speratus para que frequentassem os cursos da universidade. Mas, agora que a universidade de Praga está nas mãos deles e dos protestantes, fundam o colégio de Nazaré.

Conservando ainda a sua liturgia, marcham com os reformados sob o nome de utraquistas. Um administrador, assistido por onze conselheiros, está à sua frente. O primeiro dos conselheiros é um ancião da Unidade; cinco são padres utraquistas; dois, padres da Unidade; os outros três, professores da universidade. Ao lado deste conselho sentavam-se vinte e quatro defensores. Era menos uma união do que uma confederação, cuja existência e papel nos são revelados pelo decreto do sínodo de 1616, publicado sob este título: Ratio disciplinae ordinisque ecclesiastici in Unitate fratrum bohemorum.

Doravante, ao que parece, os irmãos não têm mais nada a temer; a Boêmia é deles. De fato, ousam tudo; falam e agem como mestres. Infelizmente, sob o governo de Matias, cometem a imprudência de lançar pelas janelas os representantes da autoridade real, e esta defenestração de Praga abre a Guerra dos Trinta Anos. A sua audácia suscita uma reação violenta. Fernando II, com efeito, sucede a Matias com a firme resolução de suprimir a heresia, suprimindo todos os privilégios de que gozavam os tchecos, reformados luteranos ou irmãos boêmios. Momentaneamente suplantado no trono da Boêmia por Frederico V, que aceitara a coroa que lhe ofereceram os Estados de Praga em 1619, recorreu às armas. Os seus tenentes encurralaram os tchecos revoltosos a oeste de Praga e decidiram para sempre a sorte da Boêmia, tanto do ponto de vista religioso quanto do ponto de vista político, pela sua vitória na Montanha Branca, em 8 de novembro de 1620. As Cartas de Majestade foram rasgadas, as concessões de que gozavam os reformados e os irmãos suprimidas; e sete anos depois, em 1627, um édito bania definitivamente quem quer que não aceitasse o catolicismo. Os irmãos boêmios tomaram o caminho do exílio, tendo à sua frente o seu bispo, João Amós Comênio, que, na sua Historiola, Halle, 1702, p. 44, considerou este desastre como um castigo de Deus. Era sobretudo a consequência da infeudação dos irmãos ao movimento político-religioso da Reforma.

Longe da sua pátria, os exilados continuaram a viver, independentes e dignos, sem mais se envolverem nas lutas civis, sem se fundirem em nenhuma outra seita, mas também sem deixar vestígios apreciáveis na história, a exemplo de tantas outras seitas isoladas que vegetam à margem do Evangelho. Aqueles que recusaram deixar a Boêmia tiveram de se manter escondidos e esperar dias melhores que não vieram. Perpetuaram-se apesar de tudo, e ao fim de um século os seus sucessores resignaram-se, na maioria, em 1721, a aceitar um refúgio na Lusácia nas terras do conde Zinzendorf e contribuíram, sob a direção do seu benfeitor, para formar a seita pietista, conhecida sob o nome de Irmãos Evangélicos ou Herrnhuters. Ver HERRNHUTERS. Quanto aos últimos sobreviventes, que tinham permanecido na Boêmia, ligaram-se por volta do final do século XVIII à confissão helvética, única autorizada com a de Augsburgo pelo decreto de José II de 1781; mas perderam assim o que os caracterizava e constituía a sua original fisionomia.

IV. DOUTRINA. — O erro capital dos irmãos boêmios foi acreditar que a perfeição, que não era senão um conselho evangélico e não podia dirigir-se senão a uma elite, era uma prescrição rigorosa de Jesus Cristo e de ordem geral. Aos seus olhos, a Igreja primitiva apenas tinha realizado este ideal da vida cristã; a Igreja católica dela se tinha afastado demais para representar verdadeiramente a obra de Cristo: daí a sua violenta antipatia contra Roma e os seus esforços generosos para fazer reviver a tradição gloriosa das origens. Por outro lado, a exemplo dos valdenses, condenavam o juramento e o uso da força, por conseguinte, qualquer participação em empregos públicos, porque implicam a prestação de juramento e o recurso à força. Teriam podido formar uma ordem religiosa a exemplo daquelas que existiam na Igreja romana; mas, impondo a todos sem exceção como uma regra imprescritível os seus princípios de vida cristã, perseguiram uma quimera e não formaram senão um partido de rigoristas; e graças aos seus princípios de vida política, colocaram-se fora da sociedade; de qualquer forma, interditavam a si mesmos a esperança de constituir uma Igreja.

Esta doutrina aparece primeiro numa carta dirigida a Rokytsana e num manifesto tornado público, onde fazem conhecer a sua crença no símbolo apostólico e nos sete sacramentos, depois numa confissão a Jorge de Poděbrady, onde exaltam a fé dos três primeiros séculos. Do ponto de vista dogmático, é a salvação pela fé. O símbolo apostólico serve de regra e se impõe à fé dos irmãos. Mas a fé pode ser viva ou morta, segundo se traduza ou não em boas obras e numa vida virtuosa, segundo a palavra de São Tiago; ela fornece o alimento da esperança, segundo a epístola aos Hebreus; ela se apega a Deus pelo coração, conta com a Sua graça assim como com o cumprimento das Suas promessas. Pela prática destas três virtudes teologais, o homem pode merecer o perdão das suas faltas e obter a recompensa futura, apoiando-se sempre no sacrifício expiatório de Cristo. A vida cristã, sendo assim essencialmente constituída, tendia naturalmente a suprimir entre Deus e o homem todo intermediário, o dos padres como o dos sacramentos. E, contudo, os irmãos guardaram-se bem de suprimir o clero. Visando estabelecer uma Igreja, fizeram questão de possuir um. Assim, preocuparam-se em ter bispos devidamente consagrados e padres devidamente ordenados, mas cuja consagração ou ordenação se ligasse às origens apostólicas.

Apenas, como os donatistas do século IV, fizeram depender a validade dos sacramentos da dignidade moral daquele que os conferia, e, em consequência, decretaram a exclusão de todo padre reconhecido indigno. Do mesmo modo, conservaram o uso dos sacramentos.

O batismo era visto por eles como o sacramento necessário que servia de entrada solene e de admissão na Unidade; mas não se contentaram em conferi-lo às crianças nascidas na Unidade, impuseram-no ainda aos estrangeiros, o que não era, alegavam eles, uma reiteração do batismo, dado que, aos seus olhos, todo batismo era nulo, mesmo o dos católicos. Além disso, exigiram da parte dos padrinhos um compromisso formal de educar os seus afilhados nos princípios da fé e nas práticas da vida cristã, sob pena de estes últimos não poderem ser promovidos a um posto superior. Assim, a fim de verificar se os iniciados cumpriam as condições exigidas, eles haviam instituído um exame especial; e, tão logo a prova era julgada satisfatória, faziam administrar a confirmação. Por meio dela, os candidatos eram admitidos à classe dos avançados ou dos eleitos e tinham o direito de, a partir de então, participar da ceia.

A comunhão era considerada a recepção de Jesus Cristo sob a forma do pão e do vinho consagrados. Mas, no início, os irmãos não se explicaram sobre o modo da presença de Jesus Cristo na eucaristia. Em 1468, contentaram-se em declarar que se atinham à letra do Evangelho e do apóstolo são Paulo; dois anos depois, em uma de suas confissões, afirmaram que o Cristo torna-se presente na hóstia tão logo o padre pronuncia com fé as palavras da consagração, e que todo irmão que comunga com fé recebe realmente o corpo e o sangue de Nosso Senhor; mas não aceitavam o ensino católico da transubstanciação. Um século mais tarde, Lukach precisou que a presença de Jesus Cristo na eucaristia não era senão uma figura; pois, da mesma forma que se lê no Evangelho que o Cristo é o caminho, a porta, o cordeiro, etc., expressões que devem ser entendidas no sentido metafórico, do mesmo modo o pão e do vinho consagrados figuram simplesmente o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Na sequência, esta doutrina eucarística sofreu cada vez mais a influência luterana.

Não ocorreu o mesmo com a doutrina penitencial; pois a penitência era tida em grande honra entre os irmãos, a título de prática ascética preparatória para a remissão dos pecados. Os pecados públicos eram submetidos a uma penitência pública e declarados absolvidos por toda a comunidade. Os pecados secretos deviam ser confessados ao padre; mas, mesmo nesse caso, a absolvição só era adquirida após um ato de humilhação pública; o penitente já confessado devia, de fato, na presença dos irmãos, reconhecer sua culpabilidade, expressar seu pesar, pedir perdão e rezar a Deus para que o perdoasse.

Muito mais severos que os protestantes sobre a questão matrimonial, em razão da austeridade de seus princípios, os irmãos não proscriveram o casamento como tantas outras seitas da antiguidade, mas permitiram-no a quem quer que não pudesse viver de outra forma e guardaram todas as suas preferências em favor da continência.

Finalmente, eles nunca vislumbraram a extrema-unção como um sacramento propriamente dito, mas apenas como uma cerimônia religiosa, assinalada por são Tiago, própria para satisfazer a piedade dos moribundos.

É sobretudo nos sínodos que se manifestou a atividade dos irmãos boêmios, e na parte disciplinar desses sínodos que explode sua incontestável originalidade. Decisões e decretos formam um conjunto de medidas legislativas, levadas por vezes até a minúcia, mas que são uma fonte de informações muito preciosas para o moralista e o historiador. Não se poderia dizer o mesmo de suas produções literárias ou teológicas. Mas é justo constatar que eles contaram em suas fileiras muitos escritores, dos quais alguns permaneceram célebres. Ao lado de comentários, de tratados e de homilias, é preciso assinalar sua tradução da Bíblia em língua tcheca, seus manuais de instrução religiosa sob a forma de catecismo e seu repertório de cânticos, compostos por Lukach, Augusta e Blahoslav. Este repertório foi muitas vezes editado desde 1501, data de seu aparecimento, e se acresceu continuamente até a edição que Comênio deu em 1659; foi igualmente traduzido para o alemão, publicado pela primeira vez por Michel Weise, em 1531, reeditado em várias ocasiões e completado por Comênio, em sua edição de 1661. Realencyclopädie, 3ª ed., Leipzig, 1897, t. III, p. 468.

Sobre as fontes, permanecidas manuscritas ou recentemente publicadas, ver a Realencyclopädie für protestantische Theologie und Kirche, 3ª ed., Leipzig, 1897, t. III, p. 445, no início do artigo Brüder böhmische.

Sobre os trabalhos que encerram uma exposição completa, ver: Blahoslav, Summa quaedam brevissima collecta de Fratrum origine et actis, 1556; Lasicius, De origine et institutis Fratrum libri VIII, Göttingen, 1568-1599; Camerarius, Historica narratio de Fratrum orthodoxorum in Bohemia, Moravia et Polonia, Francfort, 1625; Rüdiger, De ecclesiis Fratrum in Bohemia et Moravia historia, Heidelberg, 1605; De origine ecclesiae Bohemiae et confessionibus, Heidelberg, 1605; Amos Comênio, Historia Fratrum bohemorum, Halle, 1702; no início de sua Ratio disciplinae ordinisque ecclesiastici in unitate Fratrum bohemorum, Amsterdã, 1660, encontra-se um histórico intitulado: Ecclesiae slavonicae ab ipsis apostolis fundatae, ab Hieronymo, Cyrillo, Methodio propagatae, Bohema in gente potissimum radicatae et in unitate Fratrum bohemorum fastigiatae, brevis historiola; Buddeus, Principes de la constitution des frères moraves, nas obras de Zinzendorf, Francfort, 1740; Bost, Histoire de l'Église des frères de Bohême et de Moravie, Genebra, 1831; Gindely, Geschichte der böhmisch. Brüder, Praga, 1857-1858; Czerwenka, Geschichte der evangelischen Kirche in Böhmen, Leipzig, 1870; De Schweinitz, The history of the Church known as the Unitas Fratrum, Bethlehem, 1885; Kirchenlexikon, 2ª ed., Friburgo em Brisgóvia, 1883, t. II, p. 1334-1339.

Sobre alguns pontos particulares, consultar: Jafet, Geschichte vom Ursprung der Brüderunität, Herrnhut, 1614; Bossuet, Histoire des variations, l. XI; Jablonski, Historia consensus Sendomiriensis, Berlim, 1731; Koecher, Catechetische Geschichte d. Waldenser, Jena, 1768; Lochner, Entsteh. und erste Schicks. der Brüdergemeinde, Nurembergue, 1832; Köppen, Die Kirchenordnung und Disciplin der alten husit.

Brüderkirchen, Leipzig, 1845; Zezchwitz, Die Katechismen der Waldenser und böhmischer Brüder, Erlangen, 1863; Seifferth, Church constitution of the bohemians and moravians Brethren, Londres, 1866; Höfler, Geschichtschreiber der husitischen Bewegung in Böhmen, Viena, 1855-1866; Goll, Quellen und Untersuch. zur Geschichte der böhmisch. Brüder, Praga, 1878-1882; Denis, Annales de la Faculté des lettres de Bordeaux, 1885, p. 161-231; Müller, Bischoftum der Brüderunität, Herrnhut, 1889; Keller, Die böhmisch. Brüder, em Monatshefte der Com. Gesselsch., 1894, p. 471 sq.; Gindely, Geschichte der Gegenreformation in Böhmen, Leipzig, 1894; U. Chevalier, Répertoire des sources historiques, Topobibliographie, p. 431.

Autor original: G. BAREILLE

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