BENEDITINOS (Trabalhos dos). — I. Segundo a regra. II. Nos séculos VI e VII. III. No século VI. IV. No século X. V. No século X. VI. No século XI. VII. No século XII. VIII. Nos séculos XIII e XIV. IX. No século XV. X. No século XVI. XI. No século XVII. XII. Na universidade de Salzburgo. XIII. No século XVIII. XIV. No século XIX.
I. SEGUNDO A REGRA. — Após ter vivido alguns anos na vida eremítica, São Bento fundou doze mosteiros nas redondezas de Subiaco e havia, em seguida, se retirado para o Monte Cassino, onde estabeleceu uma célebre abadia que ainda subsiste. Foi lá que ele morreu em 543, após ter dado os últimos retoques na redação desta célebre Regra, notável entre todas por sua discrição e que muitos santos declararam ter sido diretamente inspirada pelo Espírito Santo. Nela, recomenda frequentemente aos seus discípulos a leitura das Santas Escrituras, leitura atenta e meditada onde encontrarão o alimento de sua vida espiritual. Ele quer que o abade seja escolhido dentre os religiosos mais recomendáveis não apenas pela santidade de vida, mas ainda pela pureza da doutrina. Regula, c. LXIV. Ele deve, além disso, ser «docte dans la loi divine, sachant ou puiser les maximes anciennes et nouvelles», Regula, c. LXIV, pois «seus ensinamentos devem se espalhar nas almas de seus discípulos como o fermento da divina justiça». Regula, c. II.
Trata-se de escolher alguns religiosos para vir em auxílio ao abade no governo de seu mosteiro? O santo patriarca exige que eles sejam designados, não segundo o posto que ocupam, mas segundo o mérito de sua vida e a sabedoria de sua doutrina. Regula, c. XXI. Destes poucos textos, é fácil concluir que um ensino doutrinário deve existir no mosteiro onde São Bento admite jovens crianças. Ninguém, com efeito, saberia adquirir uma doutrina segura sem a direção de um mestre experiente. Em toda abadia deve encontrar-se uma biblioteca contendo, com os santos Livros, os escritos dos Padres. Se em todo tempo o monge deve ocupar-se, durante algumas horas a cada dia, com o estudo ou com a leitura, ele o deve sobretudo durante o tempo da Quaresma; assim, cada monge receberá para este período do ano um livro da biblioteca, que deverá ler por inteiro e por ordem. Regula, c. XLVI. Ao terminar sua regra, o santo legislador remete aqueles que querem alcançar a vida perfeita aos ensinamentos dos santos Padres, cuja observação conduz o homem ao cume da perfeição. Regula, c. LXXII. Os filhos de São Bento mostraram-se fiéis observadores dos sábios preceitos de seu pai e, se colocaram de todo tempo sua glória em possuir ricas bibliotecas, tiveram não menos a peito estudar a doutrina contida nas Santas Escrituras e nos escritos dos doutores que os tinham precedido.
II. NOS SÉCULOS VI E VII. — 1° São Gregório o Grande, que professou a vida monástica no mosteiro que havia fundado no Monte Célio, subiu em 590 à cátedra de São Pedro e morreu em 604. Fiel aos preceitos da regra beneditina, não cessou de estudar as Santas Escrituras. Diversos comentários nos restaram deste santo doutor, e seu Expositio in librum Job sive Moralium libri XXV é como um vasto repertório dos conhecimentos teológicos de sua época. Um grande número de cartas deste papa chegaram até nós e são de grande utilidade para o conhecimento da disciplina eclesiástica nos diversos países da cristandade. Em um livro escrito por volta de 591 e dedicado a João, arcebispo de Ravena, o Pastoral, Liber regulae pastoralis, ele expõe os deveres do ministério sagrado, e nos Diálogos relata a vida e os milagres de santos personagens do século VI. Se não se pode inteiramente atribuir a São Gregório o Grande o Sacramentário que porta seu nome, não resta menos fora de dúvida que a liturgia da Igreja deve muito aos trabalhos deste grande papa. Ele enviou o monge Agostinho (+ 604) para levar a luz do Evangelho aos infiéis da Grã-Bretanha. Este tornou-se o primeiro bispo de Cantuária. Diversos mosteiros beneditinos não tardaram a se elevar neste país e a se tornarem ali, segundo o testemunho do Venerável Beda, focos de ciência e de doutrina. Dentre os religiosos que conduziram a este resultado, devemos mencionar São Bento Biscop (+ 690), o fundador de Wearmouth e de Jarrow, que estabeleceu nestes mosteiros ricas bibliotecas; Teodoro, arcebispo de Cantuária (+ 690); e Adriano, abade do mosteiro de São Pedro na mesma cidade.
2° A Ordem de São Bento espalha-se pelos diversos países: pouco a pouco, a regra do patriarca dos monges do Ocidente suplantará as outras regras, e seus discípulos trabalham para desarraigar os últimos restos do paganismo. Estabelecendo seus mosteiros no meio de populações ainda infiéis, fazem deles focos de onde a luz se espalha ao longe e em torno dos quais os novos convertidos vêm fixar-se. Ao fim do século inaugurado por São Gregório o Grande, outro beneditino ocupa a sé de São Pedro, Santo Agatão (+ 681). De acordo com o imperador Constantino Pogonato, ele reuniu em Constantinopla o VI concílio ecumênico, que fez presidir por seus legados, e endereçou-lhe duas cartas dogmáticas que permaneceram célebres e que levaram o golpe de morte ao monotelismo. Na Grã-Bretanha, Santo Aldelmo, abade de Malmesbury, depois bispo de Sherborne (+ 709), esforçou-se por reconduzir os bretões aos costumes da Igreja romana. Ele compôs, em verso e em prosa, diversos tratados, dentre os quais uma obra De laudibus virginitatis sive de virginitate sanctorum, um livro De septimano, um poema De laudibus virginum. Por sua ciência e sua santidade, adquiriu uma grande reputação e numerosos discípulos vieram agrupar-se em torno dele. Na mesma época, fizeram-se notar Oftfer (+ 692), bispo de Rochester, dois abades de Jarrow, Ceolfrid e Hucbert, e São João de Beverley (+ 721), bispo de Hagulstad, depois arcebispo de Iorque. Dentre os discípulos deste último, coloca-se frequentemente São Beda, mais conhecido sob o nome de Venerável Beda, e que Leão XIII colocou no número dos doutores da Igreja universal. Monge do mosteiro de Jarrow, não tinha nada mais a peito, diz-nos ele mesmo, do que meditar as Santas Escrituras e ensinar aos outros a doutrina que nelas está contida. Comentou quase todos os livros e resume fielmente o ensino daqueles que o precederam. É de notar que seu tratado sobre o profeta Habacuc foi escrito a pedido de uma de suas irmãs religiosas.
As monjas, então, com efeito, faziam, segundo as prescrições da regra, da meditação e do estudo da Bíblia uma de suas principais ocupações, esforçando-se por encontrar nelas o alimento de sua piedade. Devemos ainda nomear nesta época Tobias (+727), bispo de Rochester, e Britwald (+731), arcebispo da Cantuária.
III. No século VIII. — 1° Abandonando seu nome de Winfrid pelo de Bonifácio, um monge da Grã-Bretanha vai pregar a fé na Germânia. Seu primeiro cuidado é estabelecer neste país mosteiros para os quais ele reclama, da caridade dos amigos que deixou na Inglaterra, cópias dos Livros santos e os escritos do Venerável Beda. Tendo ido a Roma, lá recebeu a consagração episcopal e, em 738, Gregório II o criou seu legado na Germânia. Nesta qualidade, reuniu numerosos concílios, dentre os quais em 742 o primeiro da Germânia e, no ano seguinte, o de Liptine. Os cânones que ali foram levados regulam a disciplina eclesiástica nestes países recentemente evangelizados. Em 744, são Bonifácio reuniu o concílio de Soissons, que restabeleceu a autoridade dos metropolitanos e se esforçou para levar remédio aos males comuns da Gália e da Germânia. As cartas e os poucos escritos que nos foram conservados deste apóstolo são uma das fontes mais importantes para o estudo da disciplina eclesiástica do século VIII. Por volta de 747, estabeleceu sua sé metropolitana na cidade de Mogúncia, perto da qual fundou a abadia de Fulda, da qual seu discípulo são Sturme foi o primeiro abade. São Bonifácio foi morto em 755 pelos frísios aos quais pregava o Evangelho.
Quanto a Egberto, arcebispo de Iorque, que morreu em 766, devemos um Penitencial e diversos escritos, dentre os quais: Excerptiones e dictis et canonibus sanctorum; Canones de remediis peccatorum, e um diálogo De institutione catholica.
3° Na Itália, o B. Ambrósio Autpert (+778), abade de São Vicente de Volturno, comenta vários livros da santa Escritura, dentre os quais o Apocalipse, servindo-se sobretudo das obras de santo Agostinho e de são Gregório, e o livro De conflictu vitiorum et virtutum, colocado ordinariamente entre os Spuria destes dois doutores, pode ser-lhe justamente atribuído. De Paulo Warnefrido, mais conhecido sob o nome de Paulo Diácono, monge de Monte Cassino, morto ao final do século VIII, resta-nos uma coletânea, Homiliarium per totius anni circulo ecclesiasticum ex sanctis et antiquis Patribus.
4° Os diversos erros que haviam se infiltrado na Igreja encontraram, no curso do século VIII, adversários formidáveis na ordem de São Bento. O Venerável Beda, em diversos lugares de seus escritos, combate os erros de Pelágio, e são Bonifácio desmascara as doutrinas errôneas de alguns falsos padres ou bispos. A heresia do adotacionismo, difundida por Elipando, arcebispo de Toledo, e Félix de Urgel, é denunciada por Beato de Liébana, abade de Valcavado, Etério, seu discípulo, que se tornou bispo de Osma, e Félix, abade de Obona. Ver col. 517. Mas seu principal adversário foi então o célebre Alcuíno, que a combateu por suas cartas e por diversos tratados: Libellus adversus heresim Felicis; Adversus Felicem libri VII; Adversus Elipandum libri IV; e, no concílio de Aquisgrão (799), conseguiu triunfar sobre a obstinação de Félix de Urgel. Originário da Grã-Bretanha, Alcuíno havia dirigido em Iorque a escola episcopal. Sob o convite de Carlos Magno, veio para as Gálias e foi colocado à frente da escola palatina. O poderoso imperador deu-lhe o governo de diversas abadias, de Ferrières, de Saint-Loup de Troyes, de Saint-Martin de Tours. Fez profissão sob a regra de são Bento? Não se poderia afirmar com certeza; mas o que está fora de dúvida é sua influência sobre o ensino nos mosteiros, cujas escolas tiveram um grande desenvolvimento nos diversos países do mundo cristão. Ver t. 1, col. 687-692. Um bom número dos religiosos que teremos de mencionar no curso do século IX exerceram as funções de escolástico. Seu principal ensino era a interpretação dos Livros santos comentados com a ajuda dos doutores precedentes. Entre os conselheiros de Carlos Magno encontramos, com Alcuíno, são Bento, abade de Aniane, depois de Cornelimunster. Em 794, havia tomado parte no concílio de Francoforte, onde defendeu a pureza da fé contra Félix de Urgel. Foi o inspirador do sínodo de Aquisgrão em 817 e foi considerado o restaurador da disciplina monástica. Ver BENOIT D’ANIANE.
IV. No século IX. — 1° Teodemiro (+ por volta de 825), abade de Psalmodi, defendeu contra Cláudio de Turim o culto das imagens, que, alguns anos mais tarde, terá entre seus defensores Walafrid Strabo, abade de Reichenau, Dungall, monge de Saint-Denis, e Hincmaro, arcebispo de Reims. No diocesano deste último prelado, um monge da abadia de Orbais, Gottschalk, após ter estudado os escritos de santo Agostinho e de são Fulgéncio, havia deixado seu mosteiro para ir difundir por toda parte funestos erros, ensinando uma dupla predestinação, uma à beatitude, a outra à danação. Este novo herético foi condenado nos concílios de Mogúncia, em 848, e de Kierzy, em 849, e submetido a uma severa penitência. Foi, além disso, combatido pelos escritos de Rabano Mauro, antigo abade de Fulda, tornado arcebispo de Mogúncia, e de Hincmaro, arcebispo de Reims. Infelizmente, Escoto Erígena imiscuiu-se na controvérsia e, ao querer refutar as doutrinas do monge de Orbais, caiu em outros erros que tiveram, entre seus principais adversários, Lupo, abade de Ferrières, e Ratramno, monge de Corbie. Assim, estes últimos, bem como Remígio, arcebispo de Lião, encontrando-se em contradição com diversas asserções de Hincmaro, foram erroneamente considerados por muitos como partidários de Gottschalk. Os erros deste último, censurados por diversos sínodos, foram definitivamente condenados pelo concílio de Touzy, em 860. Ver t. 1, col. 2527-2530.
2° Na mesma época, o cisma de Fócio ameaçava se difundir nas Gálias e em todo o Ocidente, e o mosteiro de Corbie forneceu dois dos principais defensores dos direitos e dos costumes da Igreja romana na pessoa do monge Ratramno e na de Odo, que, de abade deste mosteiro, tornou-se bispo de Beauvais (+881). O primeiro destes religiosos, que já tivemos a ocasião de mencionar, escreveu a este respeito quatro livros contra os Objecta Graecorum. Deve-se a ele, além disso, uma obra De praedestinatione, composta por ocasião das controvérsias suscitadas pelos erros de Gottschalk, e um livro De nativitate Christi. Atribui-se-lhe, ademais, um tratado De corpore et sanguine Christi.
Encontra-se frequentemente, nestes diversos escritos, em contradição com um religioso do mesmo mosteiro, são Pascásio Radberto (+865), que se tornou seu abade e tornou-se célebre por seus trabalhos teológicos: De corpore et sanguine Domini; De partu Virginis, e De fide, spe et charitate libri III. Adrevaldo (+858), monge de Fleury-sur-Loire, escreveu igualmente um tratado De corpore et sanguine Domini, dirigido sobretudo contra Escoto Erígena.
38° Nas Gálias, Leidrade, arcebispo de Lyon, depois monge de Saint-Médard de Soissons onde morreu em 816, publica, por desejo de Carlos Magno, um tratado sobre o batismo. Ele restabeleceu as escolas da sua igreja catedral e nelas colocou como escolástico o diácono Florus (+859), que vestiu o hábito monástico na abadia de Saint-Trond e tomou uma parte ativa nas querelas teológicas nascidas da heresia de Gottschalk. Smaragde, abade de Saint-Mihiel na Lorena (819), é autor de diversas obras bem conhecidas na Idade Média sob os títulos de Diadema monachorum e Via regia. Hilduin, abade de Saint-Denis (+ 842), faz conhecer os livros célebres atribuídos a São Dionísio, o Areopagita. Um monge deste mosteiro, Hincmar, torna-se em 845 arcebispo de Reims. Ele toma, tal como dissemos, a parte mais ativa nas lutas contra os erros de Gottschalk. Devemos-lhe diversas obras, entre as quais tratados De praedestinatione; De una et non trina Deitate; De cavendis vitiis et virtutibus exercendis; Expositiones ad Carolum regem pro Ecclesiae libertatum defensione.
40 Na Alemanha, a escola monástica de Fulda brilha com um vivo esplendor sob a direção de Rabano Mauro, escolástico, depois abade deste mosteiro e arcebispo de Mogúncia. Além dos escritos compostos contra Gottschalk, este prelado é autor de comentários sobre um grande número de livros da Sagrada Escritura e deixou diversos tratados, entre os quais De laudibus S. Crucis; De institutione clericorum et ceremoniis Ecclesiae; De oblatione puerorum, e um Penitencial. Entre os religiosos que frequentaram a escola de Fulda, fez-se notar Walafrid Strabo, morto em 849, abade de Reichenau, autor de uma obra De ecclesiasticarum rerum exordiis et incrementis. No mesmo mosteiro tinha estudado Lupo Servato, escolástico, depois abade de Ferrières em Gâtinais, de quem não nos resta, além de um certo número de cartas, senão o De tribus questionibus, onde trata do livre-arbítrio, da predestinação e da redenção de todos os homens pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele combate diversas asserções de Hincmar, mas, como dissemos, não poderia ser classificado entre os partidários de Gottschalk. Entre os monges de Ferrières que viveram nesta época, temos de mencionar Adão, arcebispo de Viena (+874), célebre pelo martirológio que leva o seu nome. Ver t. 1, col. 401-402. Haymon, bispo de Halberstadt (+853), foi monge da abadia de Fulda. Além de comentários sobre diversos livros da Bíblia e homilias, restam-nos deste autor tratados De corpore et sanguine Domini; De varietate librorum sive de amore caelestis patriae. Nas mesmas regiões, Eginardo, o fundador de Seligenstadt (+844), compunha uma obra De cruce adoranda, que apenas conhecemos pelo elogio que dela faz Lupo de Ferrières, e Helfride, monge de Hirsau, segundo Trithemius, in omni genere doctrinam ad plenum instructus, escrevia diversos tratados, entre os quais um livro De sacramento altaris, que não chegou até nós.
5° Na Inglaterra, por volta do final do século IX, os estudos reergueram-se nos mosteiros sob o impulso de monges vindos das Gálias e alguns autores gostariam até de fazer remontar a eles os começos da universidade de Oxford. Entre os religiosos que se distinguiram então naquele país pela sua ciência e pela sua piedade, podem nomear-se os monges Neotus, João, Grimbald e Asserius.
V. NO SÉCULO X. — Os primeiros anos do século X são marcados por um fato importante na história monástica: a fundação da abadia de Cluny pelo santo abade Bernon e Guilherme, duque da Aquitânia. Este ilustre mosteiro vai ser, durante vários séculos, o mais sólido baluarte da ortodoxia romana. Ao B. Bernon, morto em 928, sucedeu na cadeira abacial de Cluny, Santo Odon (+949), a quem devemos um abreviado das Morais de São Gregório Magno e três livros de conferências. Sob o seu impulso benfazejo, a reforma introduz-se num grande número de mosteiros beneditinos. Nas Gálias, Remi de Auxerre (+ cerca de 908) tinha-se feito notar como gramático e como teólogo e, nesta última qualidade, compôs, além de homilias, um tratado De dedicatione Ecclesiae, e uma Expositio de celebratione missae. No fim do século, Adson (+992), monge de Luxeuil e abade de Montier-en-Der, escreve, entre outras obras, um Libellus de Antichristo, geralmente publicado entre as obras de Alcuíno. Ver t. 1, col. 463-464. Na Alemanha, as escolas monásticas são muito florescentes e devemos mencionar as de São Galo, de São Maximino de Tréveris, de São Matias na mesma cidade, de Echternach, de Corvey e de São Albano de Mogúncia. Da abadia de Lobbes saiu Rathier (+ 974), que se tornou bispo de Verona e lutou sem trégua pela reforma do seu clero e a pureza da doutrina, como testemunham os seus escritos, os seus sermões e as suas cartas. Na Itália, Gezon (cerca de 950), abade de São Marciano de Tortona, escreve um tratado De corpore et sanguine Domini.
VI. NO SÉCULO XI. — 1° No curso deste século, a ordem de São Bento divide-se em vários ramos. São Romualdo funda os camaldulenses, aos quais se unem as abadias governadas por São Pedro Damião, bispo de Óstia e doutor da Igreja; São João Gualberto estabelece Vallombrosa; São Estêvão de Muret, Grandmont; Roberto de Arbrissel, Fontevraud, e São Roberto de Molesmes inaugura a reforma de Cister, que São Bernardo ilustrará. Deixaremos de lado estas diversas famílias da grande ordem beneditina, apegando-nos ao ramo principal, que é o daqueles que foram chamados os monges negros e dos quais Cluny é, nesta época, a mais poderosa abadia. A reforma inaugurada neste mosteiro espalha-se por toda a cristandade sob a influência dos seus grandes abades São Mayeul, Santo Odilão e Santo Hugo. É nesta ordem de Cluny que os papas, aconselhados pelo cardeal Hildebrando, monge de Santa Maria do Aventino antes de cingir ele mesmo a tiara pontifícia, encontrarão o seu mais firme apoio na luta contra as investiduras e os desordens de um clero simoníaco e concubinário.
2° A ordem beneditina reivindica a justo título, como lhe pertencendo, vários papas que ilustraram a Igreja no século XI: Silvestre II, Leão IX, Estêvão X, Gregório VII, Vítor III e Urbano II. Todos lutam pela manutenção da disciplina e o respeito pelas leis da Igreja. Os decretos promulgados em numerosos concílios reunidos pelos seus cuidados, a sua volumosa correspondência, são as melhores testemunhas do seu zelo pela pureza da doutrina. A Silvestre II, célebre antes do seu pontificado sob o nome de Gerbert, monge de Saint-Géraud d’Aurillac, abade de Bobbio, arcebispo de Reims, que não ignorava nenhuma das ciências do seu tempo, devemos um tratado De corpore et sanguine Domini.
3º Numerosos são aqueles que, nesta época, escrevem sobre a santa eucaristia para refutar os erros difundidos naquele período e, em particular, a heresia de Berengário, arquidiácono de Angers. Durando († 1088), abade de Troarn, na Normandia, Lanfranco († 1089), prior de Bec, depois arcebispo de Cantuária, escrevem tratados De corpore et sanguine Domini, e este último, no concílio de Tours, em 1055, levou o herege a abjurar seus erros. Outro religioso de Bec, Ascelino, confunde Berengário na conferência de Briosne e dirige-lhe uma carta onde afirma a doutrina católica sobre a presença real de Nosso Senhor na santa eucaristia. Ver t. 1, col. 2036. Guitmondo († 1088), monge da Croix-Saint-Leuffroy e bispo de Aversa, compõe uma Confessio de sancta Trinitate et Christi humanitate corporisque ac sanguinis Domini nostri veritate, e um livro De corpore et sanguine Domini. Um monge de um mosteiro desconhecido trata do mesmo assunto em uma Epistola de veritate corporis et sanguinis Christi. O B. Wolphelmo († 1091), abade de Brauweiler, escreve uma carta sobre o mesmo assunto e publica regulamentos sobre a utilidade da leitura e da meditação das sagradas Escrituras. A obra intitulada De multiplici Berengarii damnatione é igualmente obra de um religioso da ordem de São Bento. Alberico († 1088), monge de Monte Cassino e cardeal, combate os erros de Berengário e de Pedro de Bruys em um tratado De realitate corporis Christi. Escreveu, além disso, um livro De virginitate B. Mariae Virginis. Mas nenhum desses tratados chegou até nós.
4º Na obra da reforma dos costumes do clero, na luta contra a simonia, na querela das investiduras, os papas encontram na ordem monástica seus cooperadores mais fiéis, seus conselheiros mais devotados, como Hugo († 1109) de Cluny, Ricardo († 1121), abade de Saint-Victor de Marselha, e os bispos saídos dos claustros beneditinos. Um prior da abadia de Nonantula, chamado Plácido (por volta de 1070), escreveu um livro De honore Ecclesiae, contra as investiduras. Um monge de Monte Cassino, Bruno de Asti († 1123), nomeado pelo papa São Gregório VII bispo de Segni, mostra-se o intrépido defensor dos direitos da Igreja. Em Roma, combate os erros contra a santa eucaristia e, entre seus escritos, notam-se tratados De incarnatione Domini et ejus sepultura; De sacrificio azymo; De sacramentis Ecclesiae, mysteriis atque ecclesiasticis ritibus; Cur corrupitur Ecclesiae status, e cartas a Pascoal II, onde reprova bastante vivamente a este papa as concessões concedidas às exigências de Henrique V. Humberto († 1063), monge de Moyen-Moutier, cardeal-bispo de Santa Rufina e bibliotecário da santa Igreja romana, é enviado por Leão IX a Constantinopla para combater as pretensões cismáticas dos gregos, que ele refuta em várias obras; escreve, além disso, três livros contra os simoníacos. Anselmo († 1086), bispo de Luca, defende por seus atos e seus escritos o papa legítimo contra o antipapa Guiberto.
5º Entre os outros beneditinos notáveis por sua doutrina e cujas obras chegaram até nós, temos nesta época: na Alemanha, Heriger († 1007), abade de Lobbes, autor de uma carta De diversitate quae inter Dionysium et Bedam occurrit; ele também havia composto um tratado De corpore et sanguine Domini, que não foi publicado. Burcardo († 1025), monge de Lobbes, depois bispo de Worms, deixou um Penitencial. A Bernon († 1048), monge de Fleury e de Prüm, depois abade de Reichenau, devemos alguns pequenos tratados que interessam sobretudo à liturgia, como o seguinte: Libellus de quibusdam rebus ad missae sacrificium pertinentibus; além disso, ele combate os erros de Cassiano em uma carta dirigida a um tal Frederico, muito versado nas questões teológicas. Othlon († por volta de 1052), monge de Tegernsee, de Saint-Emmeran de Ratisbona, de Fulda, onde exerce as funções de escolástico, compõe um diálogo De tribus questionibus, id est de divinae pietatis agnitione, judiciorumque divinorum necnon de varia bene agendi facultate, uma carta De permissionis bonorum et malorum causis e um Libellus metricus de doctrina christiana; autor ascético, escreve diversas obras De cursu spirituali; De admonitione clericorum et laicorum.
6º No fim do século X, a pedido de Santo Osvaldo, religioso de Fleury-sur-Loire, tornado bispo de Worcester, um monge deste mosteiro, Santo Abão, que deveria ser seu abade, dirigiu-se à Inglaterra para ali preencher as funções de escolástico, e mais tarde o B. Lanfranco († 1089), de abade de Bec tornado arcebispo de Cantuária, não teve nada mais a peito do que estabelecer em sua diocese escolas semelhantes àquelas onde ele mesmo havia ensinado antes de seu episcopado. Lanfranco teve por sucessor na sede de Cantuária seu discípulo Anselmo que, nascido em Aosta em 1033 ou 1034, havia, em 1060, revestido o hábito monástico na abadia de Bec, da qual não tardaria a tornar-se prior, depois abade. Em 1098, Guilherme, o Ruivo, escolhia-o para arcebispo de Cantuária. Anselmo não tardou a entrar em luta contra as pretensões sacrílegas do rei da Inglaterra, e sob este príncipe e sob seu sucessor, Henrique Beauclerc, não cessou de combater pelas liberdades da Igreja. Duas vezes teve de abandonar sua sede e vir buscar refúgio em Roma. Morreu em Cantuária, em 21 de abril de 1109. Santo Anselmo deixou numerosos escritos teológicos, como o Monologium, o Proslogium, o Cur Deus homo, nos quais, não se apoiando mais unicamente na Escritura santa e na tradição, aplica a razão com todos os seus recursos à meditação das verdades da fé. Por isso, é considerado com direito como o Pai da teologia escolástica.
No Proslogium, ao qual ele havia dado primeiramente este título significativo Fides quaerens intellectum, encontra-se o célebre argumento da existência de Deus ao qual Santo Anselmo deu seu nome. Quando foi conhecido, um monge de Marmoutier, chamado Gaunilon, levantou objeções em um escrito intitulado Liber pro insipiente, ao qual ele respondeu por um Liber apologeticus. Ver t. 1, col. 1327 sq.
Santo Anselmo teve por biógrafo Eadmer († 1124), religioso beneditino, depois bispo de Santo André, autor de diversas obras: De excellentia B. Mariae Virginis; De quatuor virtutibus quae fuerunt in B. Maria; De beatitudine celestis patrie; De sancti Anselmi virtutibus.
Na escola de Bec e sob a direção de Santo Anselmo formou-se Guiberto († 1124), monge de Saint-Germer de Flaix e abade de Notre-Dame de Nogent, na antiga diocese de Laon. [1] escreveu contra os judeus um tratado sobre a encarnação; devemos a ele, além disso, uma carta De bucella Jude tradita et de veritate Dominici corporis; quatro livros De sanctis et de pignoribus sanctorum; tendo de discutir sobre a autenticidade de certas relíquias de Nosso Senhor, foi levado a provar neles, contra Berengário, a realidade do corpo de Cristo na eucaristia; e diversos opúsculos De laude sanctae Mariae e De virginitate.
Arnulfo (†1124), monge de Saint-Lucien de Beauvais, depois de Cantuária, abade de Peterborough e bispo de Rochester, também havia estudado na abadia de Bec; devemos a ele uma Epistola de incestis conjugiis e as Responsiones ad varias Lanberti quaestiones de sacramento eucharistiae.
Gilberto Crispin (†1117), religioso de Bec, depois abade de Westminster, compôs uma Disputatio judei cum christiano.
Hugo de Boves ou de Amiens (†1164), monge de Cluny, prior de Saint-Pancrace de Lewes e abade de Reading, depois arcebispo de Ruão, deixou diversos escritos, entre os quais Dialogorum seu quaestionum theologicarum libri VII; De Ecclesia et ejus ministris libri III contra os hereges de seu tempo e um tratado De fide catholica et oratione dominica.
VII. NO SÉCULO XII.
1° Por ocasião das lutas de santo Anselmo pela defesa da liberdade da Igreja, um monge de Fleury-sur-Loire, Hugo (†1124), escreve um livro De regia potestate et sacerdotali dignitate, que endereça a Henrique Beauclerc, rei da Inglaterra, e no qual investiga, com mais ingenuidade do que felicidade, os meios de conciliar os direitos da Igreja com as pretensões do monarca. Na mesma época, Godofredo (†1132), abade da Trindade de Vendôme, ajudava com todo o seu poder os soberanos pontífices em suas lutas contra as investiduras, e o papa Urbano II nomeou-o cardeal do título de Santa Prisca. Além de cartas muito importantes e um livro De corpore et sanguine Domini, Godofredo de Vendôme compôs diversos tratados De ordinatione episcoporum et de investitura laicorum; De simonia et investitura laicorum; De possessionum ecclesiasticarum investitura quod regibus concedatur; Qualiter dispensationes in Ecclesia fieri debeant.
2° Após ter tido como mestres os chefes de duas escolas rivais, Roscelino e Guilherme de Champeaux, Abelardo ensinou em diversas cidades e, em 1113, foi colocado à frente da grande escola de Notre-Dame de Paris. Orgulhoso de seus sucessos, sustentava as opiniões mais temerárias e abandonava-se sem contenção a todo o ardor de suas paixões. Tendo de sofrer provas e humilhações de toda natureza, Abelardo foi pedir o hábito religioso ao mosteiro de Saint-Denis. Continuou a ensinar ali, assim como em Saint-Ayoul de Provins, e, ao combater os erros de Roscelino, fez reviver o sabelianismo. Seu opúsculo De Unitate et Trinitate foi condenado no concílio de Soissons. Após uma estadia forçada na abadia de Saint-Médard, voltou a Saint-Denis, onde negou a origem areopagítica do patrono de seu mosteiro. Retirou-se então para uma solidão chamada Paráclito, depois para Saint-Gildas de Rhuys, cujos monges o haviam eleito abade. Retomou então seu ensino, acrescentando novos erros aos antigos. Após sua condenação pelo concílio de Sens e pelo papa Inocêncio II, passou para Cluny, onde foi acolhido caridosamente por Pedro, o Venerável, que, pela doçura, levou-o a reconhecer sinceramente seus erros. Morreu no priorado de Saint-Marcel de Chalon, em 12 de abril de 1142. Suas principais obras teológicas, além do tratado De Unitate et Trinitate mencionado mais acima, são: Theologia christiana; Introductio ad theologiam; Epitome theologiae christianae. Ver ABELARD, t. I, col. 86 sq.
Um dos mais temíveis adversários de Abelardo foi, com são Bernardo, Guilherme, abade de Saint-Thierry, que renunciou à sua dignidade para seguir a regra cisterciense. Possuímos dele, entre outros escritos: Disputatio adversus Petrum Abelardum; Disputatio adversus dogmata Petri Abelardi e um tratado De sacramento altaris.
Outro beneditino, Abaudus, escreveu contra Abelardo uma dissertação De fractione panis, mas não soube manter-se ao abrigo de todo erro.
Pedro, o Venerável (†1156), abade de Cluny, que teve grande influência sobre Abelardo durante os últimos anos de sua vida, é autor de diversos tratados contra os judeus, contra os discípulos de Pedro de Bruys e contra os maometanos.
Bernardo de Morlas (†1140), monge clunisiense, compôs um livro De Verbi incarnatione e um tratado De contemptu mundi.
Na mesma época, um cônego de Liège, Alger († por volta de 1131), havia abraçado a vida monástica na abadia de Cluny e, entre seus diversos escritos, notam-se três livros De sacramento corporis et sanguinis Domini contra os erros de Berengário e tratados De misericordia et justitia; De gratia et libero arbitrio; De sacrificio misse.
Arnulfo (†1156), monge de Marmoutier, depois abade de Bonneval, é autor de várias obras, entre as quais um tratado De donis Spiritus Sancti; De cardinalibus operibus Christi.
Nos escritos de Pedro de Celles (†1183), abade de Saint-Remi de Reims e bispo de Chartres, encontramos opúsculos De disciplina claustrali e De conscientia.
3° Na abadia de Afflinghem, o abade Francion (†1185) compõe um tratado De gratia seu de beneficentia Dei, e em Saint-Martin de Tournay, o abade Hermann, que renunciou à sua dignidade em 1137, deixou um livro De incarnatione Domini.
O piedoso e sábio Ruperto (†1135), abade de Deutz, perto de Colônia, havia sido monge e escolástico de Saint-Laurent de Liège. Comentou quase toda a Escritura sagrada, onde se aplicou a reconhecer a obra das três pessoas da santa Trindade. Por isso, deu a uma parte de seu trabalho o título: *De Trinitate et operibus ejus*. Aquele, diz ele, que não conhece a Escritura, não conhece Cristo: sua fé não tem base sólida e o menor erro o derruba.
Notemos entre os outros escritos de Ruperto: *De glorificatione Trinitatis et processione Spiritus Sancti*; *De victoria Verbi Dei*; *De voluntate Dei*; *De omnipotentia divina*; *De meditatione mortis*; *De gloria et honore Filii hominis*; *Dialogus inter christianum et judeum*, e uma obra referindo-se sobretudo à liturgia: *De divinis officiis per anni circulum*.
Berengoso (por volta de 1112), abade de Saint-Maximin de Tréveris, compõe um tratado *De mysterio ligni Dominici et de luce visibili ac invisibili per quam antiqui Patres meruerunt illustrari*, e três livros *De inventione sanctae crucis*.
Pothon, abade de Prum, deixou cinco livros *De statu domus Dei*, que, segundo alguns autores, devem ser atribuídos a outro beneditino do mesmo nome, Pothon (†1152), monge de Pruyening.
De Eckbert (†1185), abade de Saint-Florin de Schonau, temos doze sermões contra a heresia dos cátaros e um pequeno tratado *De laude s. crucis*. Ele era irmão de santa Isabel (†1165), abadessa de Schonau, célebre por suas visões. Na mesma época vivia santa Hildegarda († 1179), abadessa de Bingen, cujas obras despertavam a admiração de são Bernardo. Os escritos destas duas religiosas testemunham eloquentemente a vida intelectual que reinava então, mesmo nos mosteiros de mulheres.
VIII. NOS SÉCULOS XIII E XIV.
1° As mudanças trazidas nos métodos de ensino fazem com que as escolas dos mosteiros sejam pouco a pouco completamente abandonadas em prol das universidades, onde se destacam sobretudo os religiosos das novas ordens, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos. A decadência dos estudos monásticos, da qual já se queixava vivamente Abelardo, não faz senão crescer durante os séculos XIII e XIV e é quase por toda parte acompanhada de um relaxamento da disciplina. Os capítulos gerais da ordem de Cluny, os concílios como o de Viena em 1311, os soberanos pontífices como Bento XII, esforçam-se por trazer um remédio a este duplo mal.
Henrique de Fautrieres, abade de Cluny, morto bispo de Saint-Flour em 1320, promulga regulamentos para os jovens religiosos de sua abadia e dos mosteiros que dela dependem, recomendando o estudo da Escritura sagrada, assim como da lógica e da filosofia, que lhes permitirão compreender melhor o texto sagrado e dele extrair todas as consequências. As mais ilustres e poderosas abadias fundam perto das universidades colégios onde enviam seus monges, a estudar sob os mestres mais célebres, recomendando-lhes que não se apeguem às ciências profanas senão tanto quanto for necessário para a inteligência dos Livros santos e o estudo da teologia. Vários beneditinos ensinam nestas universidades e entre eles Guy de Munois († 1318), professor em Orléans, depois abade de Saint-Germain d’Auxerre, e Erasmo do Monte Cassino, professor em Nápoles.
2° Na Inglaterra, os beneditinos têm de combater os erros de Wiclef e entre eles destacam-se Simão Langham († 1376), abade de Westminster, arcebispo da Cantuária e cardeal; Ultred Bolton († 1380), beneditino de Durham; João Wellys († 1388), de Ramsey; e Nicolau de Radcliff († 1390), de Saint-Alban. Neste mesmo país, Gautier Bederichwort (por volta de 1360) escreve comentários sobre o livro das Sentenças e Adão Eston († 1397), monge de Norwich, depois cardeal, compõe, além de numerosas obras sobre a Escritura sagrada, diversos tratados teológicos que não foram impressos.
3° Na Alemanha, Engelbert († 1331), monge de Admont na Estíria, foi enviado a estudar em Pádua e tornou-se em seguida abade de seu mosteiro. Deixou numerosos escritos entre os quais mencionamos: *De gratiis et virtutibus B. Marie V.*; *De rebus ad fidem spectantibus*; *De gratia salvationis et justitia damnationis humane*; *De libero arbitrio*; *De providentia Dei*; *De statu defunctorum*; *Utrum Deus adhuc incarnatus fuisset si primus homo non fuisset lapsus*. Não devemos passar em silêncio santa Gertrudes († 1342) e santa Matilde, que deixaram vários livros onde consignaram as revelações das quais foram favorecidas e que parecem ser, nesta época, a mais alta expressão dos ensinamentos da teologia mística.
IX. NO SÉCULO XV.
1° Este século foi uma época de renovação para a ordem monástica pelo estabelecimento das congregações beneditinas. Em 1404, Otão, abade de Castels, reforma sua abadia, à qual se associam vários mosteiros da Suábia e da Baviera. Alguns anos mais tarde, Luís Barbo, tendo sido provido da abadia de Santa Justina de Pádua, estabeleceu ali uma observância que foi abraçada por muitos mosteiros italianos; esta foi a origem da congregação do Monte Cassino. Em 1417, João de Meden começa, em Bursfeld, esta grande reforma das abadias alemãs que reunirá mais de 140 mosteiros. Sob o abade Nicolau de Mazen († 1425), a abadia de Melk reformou-se, arrastando atrás de si dezessete mosteiros da Áustria.
Ao mesmo tempo que a observância regular se restabelece, os estudos são postos novamente em honra, e os papas e os concílios encorajam todos os esforços tentados para este duplo objetivo. No concílio de Basileia foi promulgada novamente a constituição de Bento XII, e Martinho de Senging († por volta de 1485), abade de Melk, pronunciou ali um discurso *De reformatione status cenobitici*. Destacaram-se ainda Henrique de Guelpen († por volta de 1480), abade de Saint-Gilles de Nuremberg; João de Langdon († 1434), beneditino da Cantuária, bispo de Rochester, que durante algum tempo fora o superior dos religiosos enviados para estudar na universidade de Oxford; e Boldewin, que, de abade de São Miguel de Luneburgo, tornara-se arcebispo de Bremen.
2° Entre os teólogos desta época cujos escritos foram impressos, mencionaremos André d’Escobar (por volta de 1437), espanhol, bispo de diferentes sedes e penitenciário da Igreja romana; atribuem-lhe, com diversas obras que permaneceram manuscritas, um livro intitulado: *Methodus confitendi*, que foi frequentemente reimpresso.
Nicolau Tedeschi († 1445), jurisconsulto célebre, ensinou direito em Siena, em Parma, em Bolonha, e foi nomeado arcebispo de Palermo. Teve o infortúnio de seguir o partido do antipapa Félix V, que o criou cardeal. Entre suas obras, que quase todas se referem ao direito canônico, destaca-se um Tractatus de concilio Basileensi et de ejus potestate ac pape.
João Wischler ou de Spire († 1456), prior de Melk, zeloso pela observância regular, publica um tratado De studio lectionis regularis ejusque impedimentis.
Bernardo de Waging ou Baging († 1472), cônego de Santo Agostinho, depois beneditino e prior de Tegernsee, é autor das duas obras seguintes: Remediarius pusillanimium et scrupulosorum e De spiritualibus sentimentis et de perfectione spirituali.
A Jerônimo de Werden († 1475), prior de Monsée, devemos um opúsculo De profectu religiosorum, e um beneditino, originário de Cremona, escreve cinco livros De veneratione sanctorum.
Hilarião de Verona († 1464), monge da abadia dos Santos Nazário e Celso, traduz do grego para o latim a Sancti Dorothei doctrina de vita recte instituenda.
Bernardo de Placência († 1486), abade da congregação de Santa Justina, publica diversos tratados: De contemptu mundi et assumenda religione et de institutione novitiorum; Quomodo debeat religiosus in suo monasterio conversari et de modo orandi; De resurrectione Christi. À mesma congregação pertencem Lucas Bernardo de Brescia, que fez imprimir em 1508 as homilias de são João Crisóstomo traduzidas do grego para o latim, e o célebre jurisconsulto Bento de Castro Sangri ou Bento de Sangri († 1544), autor de um tratado De censuris ecclesiasticis e de um livro De heresibus et heresiarchis.
3° João Raulin († 1514), doutor em teologia, mestre no colégio de Navarra e monge de Cluny, comenta Aristóteles e, além de numerosos sermões, deixou diversos tratados entre os quais: Doctrinale mortis ou De triplici genere mortis e Collatio de perfecta religionis plantatione, incremento et instauratione.
Charles Fernand (1517), antes de abraçar a vida monástica, também professou em Paris. Ele escreveu: De animi tranquillitate; Speculum monastice discipline; Confabulationes monastice; De inmaculata Virginis conceptione.
O beneditino Jean de Marre (1521), bispo de Condom, empenhou-se por meio de suas obras e de seus escritos em reformar os mosteiros da Aquitânia. Ele é autor de um Enchiridion sacerdotale e havia, além disso, composto tratados De Trinitate e De penitentia.
4º Na Alemanha, Tritheme (1516), abade de Spanheim, é autor de um grande número de obras que Mabillon chama piissuma atque utilissima. Dentre elas, mencionaremos apenas as seguintes: De vita, moribus, et doctrina clericorum seu de vite sacerdotalis institutione; L. VIII questionum de polemicis ad Maximilianum imperatorem; Resolutiones dubiorum circa missarum celebrationem occurrentium; Curiositas regia seu liber VIII questionum, 1ª De fide et intellectu, 2ª De fide necessaria ad salutem, 3ª De miraculis infidelium, 4ª De Scriptura sacra, 5ª De reprobis atque maleficis, 6ª De potestate maleficorum, 7ª De permissione divina, 8ª De providentia Dei.
Simon Blich (1524), abade de Saint-Jacques de Pégau, escreve contra os erros de Lutero.
Alphonse Ruiz de Viruez (1545), monge de Eaumet, bispo das Canárias e conselheiro de Carlos V, combate os heréticos de sua época em Philippice disputationes XX adversus Lutherana dogmata per Ph. Melanchtonium defensa e um tratado De matrimonio regis Anglie.
X. No século XVI. — 1º Toda a Alemanha, assim como uma grande parte da cristandade, foi abalada no curso do século XVI pelos erros de Lutero e de seus discípulos que, sob o falaz pretexto de reforma, atacavam a Igreja romana. O concílio de Trento reuniu-se para opor uma barreira a esses perniciosos erros e, entre os doutores dessa ilustre assembleia, fizeram-se notar os beneditinos Grégoire Cortez, Augustin Loscus, Entychius Cordes e Isidore Clarius.
A Grégoire Cortez (1548), abade de vários mosteiros e criado cardeal por Paulo III, devemos, entre outros escritos, comentários sobre o Livro das Sentenças, tratados De theologie institutione; De peccato originali; De potestate ecclesiastica; De theologia et philosophia.
Isidore Clarius (1555), da congregação de Monte Cassino, foi abade de Saint-Jacques de Pontida e Paulo III nomeou-o bispo de Foligno. No concílio de Trento, teve de pronunciar diversos discursos, De justificatione hominis; De imputatione justitie et certitudine gratie e De gloria. Ele é sobretudo conhecido por seus trabalhos sobre a Escritura sagrada. Possui-se, além disso, dele uma Adhortatio ad concordiam, onde convida os heréticos a retornarem à Igreja.
Wolfgang Seidl (1562), monge de Tegernsee, assistiu como teólogo ao concílio de Trento. Entre seus escritos, deve-se notar: Cure pastoralis ratio brevis et dilucida; Isagoge studii theologici et modus studendi in theologia ex sancto Bonaventura.
2º A ordem de São Bento não faltou, aliás, à sua missão durante todo esse período tão agitado, e seus membros, quase em toda parte, sustentaram uma luta corajosa pela defesa da verdade e dos direitos da Igreja.
Nicolas Buchner (1548), abade de Zwiefalten, combate por seus escritos as doutrinas errôneas de Lutero.
O venerável Louis de Blois (1566), abade de Liessies em Hainaut, publica: Collyrium hereticorum; Defensio vere fidei; Lettre a une noble dame trompée par les hérétiques. Deve-se a ele, além disso, obras ascéticas entre as quais Psychagogia seu anime recreatio; Dicta quorumdam Patrum vere aurea ex quorum diligenti lectione anima humilis ineffabilem utilitatem consequitur; Instructio vite ascetice; Speculum monachorum, etc.
Um abade de Saint-Jacques dos Escoceses em Ratisbona, Jean-Jacques Albi (1588), faz-se notar nas discussões com os heréticos, e seu sucessor Ninian Wingetus Renfroo (1592), que, após ter lutado bravamente na Escócia pela defesa da verdade, fora obrigado a vir procurar refúgio na Alemanha, publica: Flagellum sectariorum qui religionis pretextu seditiones jam in Caesarem aut in alios orthodoxos principes excitari student.
Monge de Saint-Jacques de Mogúncia, Wolfgang Treflerus faz imprimir Declamationes theologice, e um religioso de Lorsch, Georges Flach, compõe uma obra intitulada: Duwe questiones de sacrificio misse et de sacra communione.
3º A perseguição sangrenta destruiu quase completamente as ordens religiosas na Inglaterra, e vários abades e monges da ordem de São Bento pagaram com as mais cruéis torturas a sua fidelidade à Igreja católica.
Um monge escocês, Quentin Kennedy (1563), abade de Crossraguel, publicou um tratado para a defesa da fé em seu país. O último abade de Westminster, Jean de Feckenan, morto na prisão em 1585, havia publicado um escrito Contra juramentum supreme authoritatis regie in ecclesiasticis.
4º Na Espanha, Pierre Alphonse (1552), religioso de Montserrat, renomado por sua ciência e sua santidade, é autor de diversos tratados: De inumensis Dei beneficiis et de tribus virtutibus theologalibus; De eucharistia; De vita solitaria; De religione tribusque votis religiosorum; De immortalitate anime, etc. Nesse mesmo mosteiro vivia, no início desse século XVI, Garcias de Cisneros (1510), autor ascético bem conhecido por seu célebre Exercitatorio de la vida espiritual. Um monge de Saint-Sauveur d’Oña, Jean de Castañiza, publicou um tratado De la perfection de la vida christiana, traduzido para o latim sob o título de Pugna spiritualis seu de perfectione.
5º Na França, Joachim Perionius (1559), monge de Cormery em Touraine, professa a teologia em Paris e escreve contra os heréticos de seu tempo: Topicorum theologorum libri II. Ele traduz, além disso, do grego para o latim Aristóteles e vários Padres da Igreja. Jean Doc (1560), abade de Saint-Denis de Paris, depois bispo de Laon, publica tratados De xterna generatione Filii Dei et temporali nativitate; De Domini resurrectione. André Croquet (1580), monge de Saint-Pierre d’Hasnon, escreve Catecheses christiane. Abade de Saint-Michel-en-l'Herm, Jacques de Billy (1581) compõe várias obras ascéticas e oferece edições de alguns Padres da Igreja: Interpretatio latina xvi priorum capitum libri II Irenxi adversus hereses; Isidori Pelusiote epistole greece et latine; S. Joannis Damasceni opera partim latine, partim grece et latine; S. Gregorii Nazianzeni opuscula quedam. Ele havia começado a impressão de uma edição das obras de São Gregório de Nazianzo, que foi terminada por Gilbert Génébrard (1597). Monge da abadia de Mauzac em Auvergne, este professou na Sorbonne e tornou-se arcebispo de Aix. Além de seus numerosos trabalhos sobre a Escritura sagrada, Gilbert Génébrard publicou diversas obras de polêmica e vingou a doutrina católica contra os centuriadores de Magdeburgo. Deve-se a ele diversos tratados, entre os quais: De Trinitate contra hujus evi trinitarios, antitrinitarios et antitheanos; Ad Lambertum Daneum sabellianismo doctrinam de S. Trinitate inficientem, e um escrito sobre o direito e a necessidade da liberdade das eleições dos bispos. Ele deu à luz uma edição das obras de Orígenes e de alguns escritos de outros Padres da Igreja, como Hilário de Arles, Euquério de Lyon, Fausto de Riez. Os comentários de Orígenes sobre São João já haviam sido traduzidos para o latim por Ambroise Ferrari (1550), abade de Saint-Bénigne de Gênes.
XI. No século XVI. — 4º Nos primeiros anos do século XVII, formou-se na Lorena a congregação de Saint-Vanne e de Saint-Hydulphe, aprovada por Clemente VIII em 1610. Mosteiros da França abraçaram sua observância e, assim, foi fundada para este país a congregação de Saint-Maur, aprovada pelos soberanos pontífices Gregório XV e Urbano VIII em 1621 e 1627. A uma observância rigorosa, os membros dessas congregações aliavam um grande ardor pelo trabalho intelectual. Dom Laurent Bénard (+ 1620), prior do colégio de Cluny em Paris, favoreceu com todo o seu poder a reforma introduzida nos mosteiros pela congregação de Saint-Vanne, e as numerosas obras ascéticas que ele deixou não têm outro objetivo. Dom Hugues Ménard (+ 1644) publica uma edição do Sacramentário de São Gregório Magno. Ele compõe, além disso, uma dissertação De unico Dionysio Areopagita Athenarum et Parisiorum episcopo. O mesmo assunto é tratado por dom Germain Millet (+1647): Vindicata ecclesie gallicane de suo Areopagita Dionysio gloria. Dom Claude Chantelou (+ 1664) publica as seguintes obras: Bibliotheca Patrum ascetica, seu selecta veterum Patrum de christiana et religiosa perfectione opuscula; S. Bernardi abbatis Clarevalensis Parenition; S. Basilii Cæsareæ Cappadociæ archiepiscopi regulæ fusius disputatæ. Dom François Delfau (+ 1676) anuncia a edição das obras de Santo Agostinho, que aparecerá nos primeiros anos do século XVII, e compõe várias obras para combater as comendas, fonte de decadência para a ordem monástica. Dom René Janvier (+ 1682) publica as obras de Pedro de Celles, abade de Saint-Rémi de Reims e bispo de Chartres. Dom Luc d’Achery (+ 1685) termina uma edição da epístola de São Barnabé, iniciada por seu confrade dom Hugues Ménard. Ele publica as obras de Lanfranc, de Guiberto de Nogent, um Spicilegium veterum scriptorum e um Asceticorum vulgo spiritualium opusculorum indiculus. Ele inicia a publicação dos Acta sanctorum ordinis S. Benedicti. Dom Joseph Meége (+ 1691), além de um comentário sobre a regra de São Bento, publica, entre outras obras: La morale chrétienne fondée sur l'Écriture et expliquée par les saints Pères. Dom Jacques du Frische (+ 1693) edita as obras de Santo Ambrósio, e dom Jean Garet (+ 1694), as de Cassiodoro, enquanto Louis Bulteau (+ 1699), além de suas obras históricas, compõe diversos escritos, entre os quais: Cura clericalis; Défense des sentiments de Lactance sur l'usure; Le faux dépôt ou réfutation de quelques erreurs populaires touchant l'usure. Dom Antoine Paul le Gallois (+1695) publica um Abrégé des controverses entre les catholiques et les protestants.
2º Na França também, mas fora das congregações nomeadas acima, Jacques du Breul (+1614) publica as obras de Santo Isidoro, bispo de Sevilha. Alard Gazet (+1626), de Arras, comenta as obras de Cassiano e o teólogo Jacques le Bossu (+1626), após ter tomado parte nas deliberações da célebre congregação De auxiliis, escreve suas Animadversiones in XXV propositiones P. Ludovici Molina S. J. de concordia liberi arbitrii cum gratiæ donis. Albert Belin (+1667), bispo de Belley, publica as Preuves convaincantes du christianisme ou principes de la foi démontrés par la raison, e um monge da ordem de Cluny, Alphonse Belin (1683), demonstra La vérité de la religion catholique, apostolique et romaine contre les assertions des calvinistes. Contra esses mesmos hereges, Corneille Colomban Uraux (1615), abade do Mont-Blandin, reúne em seu Malleus calvinistarum numerosos textos de São João Crisóstomo, de Santo Ambrósio e de São Cipriano.
É também aos discípulos de Lutero e de Calvino que se dirige Hubert d’Assonleville (1632), em seu Commonitorium ad errantes in fide omnes ut ad Ecclesiæ catholicæ unitatem omnes recipiant. Mencione-se ainda, na Bélgica, Benoit Hoeften (+ 1648), prior de Afflighem, autor de numerosas obras ascéticas e das Disquisitiones monasticæ.
3º Na Espanha, vários beneditinos ensinam na Universidade de Salamanca. Laurent Ortiz de Ibarola y Ayala (1610) é autor de um tratado De politia et immunitate ecclesiastica; Joseph de la Cerda (+1645), que se tornou bispo, publica diversas obras: De Maria et Verbo incarnato; Maria effigies et revelatio Trinitatis et attributorum Dei. François Crespo (1657), abade de Mont-Serrat, é autor de um livro que intitula: Tribunal theoricum de immaculato deiparæ conceptu. Joseph Saénz d’Aguirre (+ 1699), abade de São Vicente de Salamanca, presidente da congregação de Valladolid e cardeal, além de uma coleção dos concílios da Espanha, publica: Defensio cathedræ sancti Petri adversus declarationem cleri gallicani; Ludi Salmanticenses; Tractatus historicus de hæresibus circa naturam et gratiam. Mas sua principal obra é: De Anselmi archiepiscopi cantuariensis theologia commentariis illustrata. Ver t.1, col. 639-641. Mencione-se ainda, entre os teólogos espanhóis dessa época, Pierre de Murga (1658), monge de San-Milan, prior de Nossa Senhora de Hyarte, autor, entre outros escritos, de Disquisitiones morales et canonicæ, e de um tratado De beneficiis ecclesiasticis; Diego de Sylva Pacheco (1668), monge de São João de Burgos, depois bispo, comenta uma parte da Soma de São Tomás; André de la Moneda (1672), monge do mesmo mosteiro, abade de Yrache em Navarra, publica um Cursus philosophiæ, e inicia um Cursus theologiæ scholasticæ et moralis ad mentem sancti Anselmi et sancti Thomæ, do qual apenas um volume foi impresso.
4º Na Itália, a maioria dos autores que temos a mencionar pertence à congregação do Monte Cassino. Victorin Manso (+ 1611) ensina durante vinte anos a teologia em diversos mosteiros antes de ser criado bispo por Clemente VIII. Tem-se dele: Harmonia theologica Patrum et scholasticorum, e um tratado De ecclesiasticis magistratibus. Um monge de Pádua, conhecido apenas sob o nome de Fortunatus, publica uma obra de teologia sob o título: Decas elementorum mysticæ geometriæ. O milanês Ambroise de Rusconibus (1619) compõe uma história das heresias: Triumphus catholicæ veritatis adversus omnes hæreses ac eorum auctores. Doutor em ambos os direitos, Jacques Graffio (+1620) é autor de diversos tratados, entre os quais Decisiones aurex casuun con- scientie; Concilia vel responsa casuunr conscientiz; Practica quinque casuum SS. pontifici reservatorum; De arbitrariis confessariorum. Entre as obras de Afonso Villagut (+1623), presidente da congregação de Monte Cassino, podemos citar: Practica ca- nonica criminalis; De extensione legum tani m genere quam im specie. Maur Marchesi (1560), de Palermo, edita as obras de São Bruno de Asti, enquanto as de São Pedro Damião são publicadas por Constantino Cajétan (+1650). Devemos, além disso, a este último diversos escritos, entre os quais De singulari pri- matu sancti Petri; De romano S. Petri domicilio et pontificatu concertatio. Carlos de Baccis (+1683) publica um tratado De principiis universe theologixe moralis, e José Porta (1690), prior de Monte Cassino, uma Theologia scholastica secundum principia S. Anselmi. Mencionemos, enfim, o tratado De Ecclesia mililtante et triumphante de Pedro de Vecchia (+1695), bispo de Amalfi.
5º A perseguição continua a grassar na Inglaterra contra a Igreja Católica e os religiosos deste país são demasiadas vezes obrigados a procurar refúgio no continente, onde estão estabelecidos vários mosteiros destinados a recebê-los. Eduardo Maihew, que havia recebido o hábito monástico das mãos do P. Sébert, o último beneditino de Westminster, fez aparecer um tratado De funda- mentis veteris et nove religionis. Gregório Sayer (+1612), que entrou na congregação de Monte Cassino, publicou as seguintes obras: Theologi# moralis thesaurus; Clavis regia sacerdotum casuum con- scientie; Flores decisionum sive casuum conscientie; Summa sacramenti poenitentix, e De sacramentis in communi. Francisco Hamilton (+1617), abade de São Tiago dos Escoceses em Ratisbona, defende o culto dos santos por seu livro: De legitimo sanctorumr cullu per sacras imagines. Contra os calvinistas, Guilherme Giffart, ou Gabriel de Santa Maria (+1628), arcebispo de Reims, escreve seu Calvinoturcisnius. Leandro de São Martinho (+1635), presidente da congregação inglesa, dá, além de doutas obras sobre a Escritura Sagrada, uma edição de Arnóbio e um tratado que intitula: Otiwn theologicum tripartitum. Davi Codner (1647), nascido em Londres e membro da congregação de Monte Cassino, toma a defesa da Igreja Católica em sua Analysis compendiosa authoritatunr ex SS. Patribus adductarum pro xquali S. Pauli cum S. Petro potestate. Alexandre Baillie (+1655), escocês, abade de São Tiago de Ratisbona, faz o mesmo contra os heréticos de seu país, e Guilherme Johnson (+1663) ataca a Igreja Anglicana em um trabalho onde defende a autoridade dos cinco primeiros concílios gerais, o poder dos bispos, a Igreja visível de Cristo, etc. Ricardo Hodleston (1688) faz-se igualmente notar como teólogo e como polemista.
6º Apesar das divisões e das guerras suscitadas pela heresia, apesar das ruínas que delas foram consequência, nota-se nesta época um grande número de teólogos nos mosteiros alemães. Leonardo Rubenus (+1609), monge de São Martinho de Colônia, abade de São Pedro de Paderborn e presidente da congregação de Bursfeld, publica contra os heréticos Liber de falsis prophetis et lupis rapacibus, e De idololatria. Nonnosus Hackl (1624), monge de Santo Emerano de Ratisbona, compõe um tratado intitulado: Virlutum theologicarum regula fundamentalis. A Lourenço de Dript (1678), monge de Gladbach, devemos: Monita salutaria B. Virginis ad suos cultores indiscretos; Anti-decalogus eum refutatione Theodor Reinking de reginvine ecclesiastico. Beda Schwaller (1689), monge de Einsiedeln, é autor de Paradoxa thomistica-theologica e de Zona triplex triplicis philo- sophiz seu difficultates ex philosophia scholastico-tho- nristica, etc.
Basílio de Finkeneis (+1693), monge de São Lamberto na Estíria, publica: Theologia controver- sistica; Theologia polemico-mystica, atheo-controver- sistica; Theologia supernaturalis et naturalis.
Abade de São Galo, bispo de Novara e cardeal, Celestino Sfondrate (+1696) compõe diversas obras de teologia cuja mais célebre tem por título: Nodus predesti- nalionis. Em seu Gallia vindicata, ele defende os direitos do soberano pontífice contra as pretensões cismáticas da Igreja Galicana. Deve-se a ele, além disso: Regale sacerdolium romano pontifici assertunr; Disputatio de lege in presumpltione fundala, e Cursus philosophi- cus Sangallensis. Em 1670, os religiosos do mosteiro de São Galo haviam publicado seu Cursus theologicus in gratiam el utilitatem fratrum religiosorum sancti Galli ab ejusdem monasterii theologie professoribus compositus typisque sangallensibus impressus.
XII. NA UNIVERSIDADE DE SALZBURGO. — Em 1617, o bispo de Salzburgo deu aos beneditinos da abadia de São Pedro um colégio situado em sua cidade episcopal. Tal foi a origem da universidade de Salzburgo, que se desenvolveu rapidamente sob o impulso de Alberto Ketis- lin, monge de Ottobeuren, depois abade de São Pedro e primeiro reitor, e sob o de seu sucessor. Os professores pertenciam quase todos à ordem beneditina e vinham dos diversos mosteiros da Alemanha ou da Suíça.
Entre aqueles que deixaram alguns escritos teológicos, nomearemos José Burger (+1621), autor de um tratado De juramenti natura, obli- galione, interpretatione et dispensatione. Mateus Weis (+1658), monge de Elchingen, professor de filosofia e de teologia, depois reitor da universidade, é autor de dois tratados De Verbo incarnato e Panis divinus. Carlos Stengel (1647), monge de Elchingen, depois abade de Anhausen, escreve entre outras obras contra os he- réticos: Signaculum crucis; De reliquiarum cultu, veneratione ac miraculis. Carlos Jacob (+1661), monge de Andech e pró-chanceler da universidade, publicou tratados De gratia divina; De Verbo incarnato; De Deo m se et extra se; De Deo uno et trino; De jure et justi- tia; Theoremata ex universa doctoris angelici Summa; De artibus humanis, etc. Didier Schapperger (1666) compõe um Speculum theologicum circa varia prace- ptorum genera selectis et perutilibus questionibus illustratum. A Marien Schwab (+1664), devemos Questiones theologice ex Summa S. Thome, e Theoremata philosophize.
Após ter professado a teologia, Cristóvão Rassler (+1675) tornou-se abade de Zwiefalten; ele havia composto tratados De sacramentis in genere; De sacramento et virtute penitentie ad nen- tem D. Thome; De natura theologie; De visione bea- tifica. Henrique Heinlin publica em 1680 um escrito intitulado Medulla theologix moralis. Afonso Stadelmayer (+1683), que se tornou abade de Weingarten, compôs tratados De Deo et attributis Deo propriis; De legibus; De visione beatifica. Magnus Agricola (+1688) é autor de tratados De mysterio SS. Trinitatis e De acti- bus humanis. O monge de Prufening, Grégoire Dietl († 1690), compôs diversas obras, dentre as quais Clavis tripartita speculativo-moralis; Sacrum conscientiae directorium; De vitiis et peccatis; De sacramentis in genere et in specie.
A Augustin Reding († 1692), que se tornou abade de Einsiedeln, somos devedores de uma Theologia scholastica universa em 13 in-fol.; e de alguns escritos de polêmica: Controversiae scholasticae; Oecumenicae tridentini concilii veritas inexstincta; Oecumenicae cathedrae apostolicae auctoritas asserta et vindicata. À mesma abadia pertenceu Bernard Weibel († 1699), que publicou diversos escritos: De natura theologiae et de existentia et essentia Dei; De sacrificio missae. Grégoire Kimpfler, monge e abade de Scheyern, deixou uma obra: Tractatus theologicus moralis in decem Decalogi et quinque Ecclesiae praecepta, publicado após sua morte, ocorrida em 1693.
Maur Oberascher († 1697), que se tornou abade de Mondsee, mandou imprimir numerosas obras, dentre as quais De actibus humanis; De peccatis; De gratia divina; De virtutibus theologicis; De unione Verbi incarnati cum natura humana; De consequentibus unionem Verbi incarnati; De sacramentis in genere et in specie. Monge de Saint-Lambert, na Estíria, Benoit Pettsacher ensinou teologia e tornou-se reitor da universidade. Ele compôs um grande número de tratados que, reunidos, formam uma importante obra publicada em 1748, 3 in-fol., Theologia universa speculativo-practica.
Três irmãos, religiosos beneditinos, lecionaram na universidade de Salzburgo: Joseph Mezger († 1683) é autor de uma obra De Antichristo ejusque adventu et regno; François Mezger († 1701), entre outros escritos, fez aparecer um tratado De conscientia erronea et dubia; e Paul Mezger († 1702) uma Theologia scholastica secundum viam et doctrinam sancti Thomae. É uma obra análoga que publicou Charles Schrenck, tornado abade de Saint-Pierre de Salzburgo († 1704): Theologia dogmatico-scholastica. Honorius Aigner, morto em 1704 como abade de Kremsmünster, compôs um Directorium ad confessarii munus rite exsequendum.
Monge de Seitenstetten, Célestin Pley († 1710) entregou à impressão, entre outras obras, Theoremata theologiae angelicae benedictino-thomisticae, enquanto um outro professor, Michel Langbartner († 1715), monge de Michaelbeuern, escrevia sobre São Miguel e os anjos da guarda. Alain Pfeiffer († 1713) faz-se conhecer por escritos De charactere sacramentali Christi Domini et satanico Antichristi; Quodlibetum theologico-thomisticum; De Verbo incarnato et Christi sanguine. Jean-Baptiste Hemm († 1719), abade de Saint-Emmeram de Ratisbona, publica diversos tratados: De visione Dei; De incarnatione; De SS. Trinitate; De scientia Dei; De voluntate Dei; De vitiis et peccatis. A Placide Renz († 1723), monge de Weingarten, devemos uma teologia e uma filosofia ad mentem S. Thomae, e um outro religioso do mesmo nome, morto em 1748, abade deste mesmo mosteiro, publicou uma Philosophia aristotelico-thomistica.
Louis Babenstuber († 1726), monge de Ettal, professou sucessivamente a filosofia, a teologia moral, a teologia escolástica e a Escritura Sagrada; dentre seus numerosos escritos, mencionaremos apenas Philosophia thomistica Salisburgensis e Ethica supernaturalis Salisburgensis, mais conhecida sob o nome de Cursus moralis Salisburgensis. Ver col. 4.
De origem escocesa, Bernard Baillie publica, por volta de 1729, um livro de controvérsias para mostrar os males causados à sua pátria pelos erros de Calvino e de seus discípulos.
Charles Meyer († 1782), de Saint-Ulrich de Augsburgo, é autor de tratados De jure et justitia; De SS. eucharistia; De secundo Christi adventu; De statu futuri saeculi; e um abade deste mosteiro, Célestin Mayr († 1753), escreve diversas obras De jure et justitia; De venerabili eucharistiae sacramento; De fide divina; De Verbi divini incarnatione; De mysteriis Verbi divini, etc.
Alain Ritter († 1737), monge de Wessobrunn, publica Theoremata theologica; Selectae ex universa theologia quaestiones; Homo in triplici naturae statu theologice consideratus, e Mysterium incarnationis contra hereticorum errores.
Alphonse Wenzel († 1743), monge de Mallersdorf, é autor das obras seguintes: Controversiae selectae ex universa theologia catholica; Philosophia angelico-thomistica; Beata Virgo Maria quaestionibus theologicis illustrata.
A Benoit Schmier († 1744), monge de Ottobeuren, é devida uma Theologia scholastico-polemico-practica, e um bom número de escritos deste professor foram reunidos sob o título de Opuscula theologica, philosophica, canonica.
Monge de Kremsmünster, Ambroise Ziegler († 1754) manda imprimir tratados De incarnatione; De sacramentis in genere; De Deo uno; De Deo trino; De angelis; De gratia.
O bávaro Boniface Sanftl († 1758) é autor de duas obras intituladas: Ornamentum animae supernaturale seu gratia justificativa hominis theologico-scholastico-thomistica expensa e Genuina regula actuum humanorum seu lex et conscientia.
Grégoire Horner († 1760), que foi reitor da universidade, publicou Prima fidei catholicae principia contra os luteranos.
Romain Weixer († 1764), monge de Weihenstephan, compõe três tratados intitulados: Creatura ab aeterno possibilis; Creatura actu infinita possibilis; Creatura juxta angelicam permota.
Eberhard Ruedorfer († 1765) fez-se notar sobretudo como filósofo, mas foi obrigado a deixar a universidade por uma ordem do arcebispo de Salzburgo, motivada por suas doutrinas sobre a invocação dos santos.
Corbinien Thomas († 1767), monge de Elchingen, publicou, anotando-as, as obras de Tertuliano De praescriptionibus e De baptismo et paenitentia. Deve-se a ele, além disso, Theologiae dogmaticae prolegomena; Principia theologiae patristicae; Spicilegium theologicum de Ecclesia Dei; De Verbo Dei scripto et tradito, e De quaestione super celebrando paschate inter catholicos et acatholicos exorta.
Ruper Guthrath († 1777) aplicou-se sobretudo, em seus escritos, a discutir as questões que, naquela época, dividiam os espíritos. Suas principais obras são: Genuina indoles doctrinae ecclesiasticae ingenuae indoli scientiae mediae, probabilismi et gratiae efficacis opposita; De doctrinae augustinianae et molinistae antithesi; De locis theologicis.
Bennon Ganser († 1779) professou a teologia e a filosofia e deixou diversos volumes intitulados: Auctoritas Romani pontificis vindicata; Systema sancti Augustini de divina gratia actuali abbreviatum; Minister sacramenti matrimonii; De immunitate clericorum.
É igualmente da autoridade da Igreja que tratou Benoit Buecher († 1781) em dois escritos que têm por título: De facto Honorii summi pontificis in causa monothelitarum e Potestas legislativa Ecclesiae.
Frobenius Forster († 1791), monge de Saint-Emmeram de Ratisbona, publicou as obras de Alcuino.
Herman Scholliner († 1795), professor em Salzburgo, depois em Ingolstadt, fez publicar um tratado sobre o axioma: Facienti quod in se est Deus non denegat gratiam, e diversas obras entre as quais De merito vite eternae; De hierarchia Ecclesie catholice; De predestinatione hereseos ante Calvinum phantasmate; Ecclesie orientalis et occidentalis concordia in transubstantiatione; Historia theologie christiane seculi primi, e Prelectiones theologice para os jovens religiosos da congregação bávara à qual pertencia.
Anselme Ritter († 1804), abade de Weingarten, publicou as seguintes obras: Ecclesia Dei vivi cum conspectu universe theologie; Ecclesia credentium mundo cognita, e De eo quod synagogam cum honore sepeliri oportuit, e Michel Lory († 1808), monge de Tegernsee, Theologie dogmatico-theoretice institutiones.
No século XVIII. — 1° Entre os numerosos beneditinos que, na Alemanha e fora da universidade de Salzburgo, se destacaram por seus trabalhos teológicos, no curso do século XVIII, mencionaremos Candide Rotensheusler, prior de Saint-Paul na Caríntia († 1702), autor de um tratado De divinitate; e Maximilien de Sanvis († 1707), monge de Saint-Lambert na Estíria, que publicou uma obra De virtute prudentie.
Jacques Maur Corker († 1715), inglês de nascimento, teve muito a sofrer pela fé em seu país natal; tornou-se depois abade de Lamspring na Alemanha e não cessou de lutar pela defesa da fé católica. Seu principal escrito tem por objetivo indicar os deveres de seus compatriotas e correligionários vis-à-vis de Deus e do rei.
No mesmo mosteiro, na mesma época, outro inglês, Jean Towson († 1718) escrevia um Enchiridion confessariorum e uma Brevis expositio misse.
Romuald Frehel († 1719), monge de Ettal, é autor de uma obra intitulada: Fides divina in suis principiis examinata.
Félix Egger († 1720), de Peterhausen, reuniu as provas da terna devoção da ordem beneditina para com a B. Virgem Maria.
Abade de Saint-Trudbert em Brisgau, Célestin Herman († 1720) compôs uma Theologia selecta secundum Scoti principia scholastica.
O beneditino bávaro Jean Rottner († 1725) publicou diversos tratados De peccato formali, distinctione specifica peccatorum et macula peccati; De penitentia; De restitutione honoris et fame, e uma obra mais importante: Status religiosus ascetico-theologice expensus ad mentem SS. Augustini, Anselmi et Thome.
Célestin Rettmayr († 1729) é autor de um livro intitulado: Basis et fundamentum totius theologie moralis, id est, disputatio speculativo-moralis de conscientia.
Conhecido sobretudo por suas obras ascéticas, Gaspar Erhard († 1729), monge de Saint-Emmeran de Ratisbona, escreveu as duas obras seguintes: Habitus naturalis noviter expensus secundum antiqua thomisticorum principia; Habitus supernaturalis expensus secundum antiqua thomisticorum principia.
Querendo combater de uma forma direta os erros de sua época, outro monge do mesmo mosteiro, Jean-Baptiste Kraus († 1733), é autor de uma Expositio fidei ac doctrine catholice super quedam puncta controversa.
Dois irmãos, monges de Tegernsee, Bernard e Paul Schallhamer († 1732), fazem-se notar por seus escritos: ao primeiro devemos Lacryme Christi, seu de contritione; Aque vive seu efficacia, causalitas et effectus sacramentorum; De gratia ad mentem S. Augustini; De distinctione specifica, loco et motu angelorum; Vox tonitrui in rota seu legitima ac verior conscientia; o segundo é autor de um escrito intitulado: Tres congressus philosophici 1° cum scotistis, 2° cum recentioribus philosophis, 3° Labores Herculis scholastici.
Na mesma época (1732) Hyacinthe Péri comentou a primeira e a segunda parte da Soma de São Tomás. Charles Meichelbeeck († 1734), monge de Benedictbeuren, é sobretudo conhecido por seus trabalhos históricos; contudo, deixou um volume intitulado: Exercitationes philosophice et theologice.
Bernard Pez († 1735), monge de Melk, editou uma Bibliotheca ascetica antiquo-nova, coletânea de obras ascéticas devidas a beneditinos.
Religioso de Saint-Emmeran de Ratisbona, depois abade de Michelfeld, Henri Hardter († 1738) é autor de um tratado intitulado: De efficacia penitentie in peccata venialia.
Augustin Magg († 1736), monge de Weingarten, publicou diversas obras sobre questões de teologia moral. Reginald Perckmayr († 1742), de Saint-Ulrich de Augsburgo, fez imprimir um tratado De sacramentis.
Professor de teologia, Grégoire Kurtz († 1750), de Bamberg, é autor de uma Theologia sophistica in compendio detecta sive 587 propositiones in theologia christiano-catholica male notate.
Anselme Schnell († 1751), monge de Weingarten, publicou diversos cursos de teologia: Cursus theologie scholastice abbreviatus; Cursus theologie moralis abbreviatus; Cursus theologie polemice abbreviatus; Cursus philosophie aristotelico-thomistice abbreviatus.
A obra de Gérard Zurcher († 1752), monge de Saint-Gall, Historia penitentie, não se relaciona senão indiretamente à teologia.
François Pappus († 1753), abade de Merherau, em seu Scholasticum persone ecclesiastice breviarium, estuda diversas questões de direito e de teologia moral.
Emilien Naisl († 1753), monge de Weihenstephan na Baviera, conhecido sobretudo por suas obras ascéticas, refuta os escritos do luterano Louis de Seckendorf.
Engelbert Hoermann († 1754), monge de Attel, publica diversos escritos intitulados: Responsum Nicolai S. P. ad consulta Bulgarorum de baptismate in nomine Christi collato ab errore vindicatum; Dogmatica Romani pontificis Joannis XXII sententia de statu animarum ante universalem corporum resurrectionem vindicata; De humana Christi voluntate; Dogmata Ecclesie et schole de peccato actuali.
Além de uma obra de polêmica, Examen theologicum doctrine Quesnelliane, o escocês Marien Brockie († 1757), professor em Erfurt, publica Scotus a scoto propugnatus, seu principaliores questiones aristotelico-philosophice cum parergis ex universa philosophia ad mentem Joa. Duns Scoti.
Abade de Rotten na Baviera, Corbinien Graez († 1757) é autor de um tratado De alta clavium potestate circa materiam fidei.
Thomas Schmitz († 1758), monge de Brauweiller, publicou uma Theologia scholastica ad mentem D. Aquinatis.
Presidente da congregação bávara e abade de Tegernsee, Grégoire Plaichshirn é autor das seguintes obras: Questiones disputate thomistas inter et scotistas; Meritum reviviscens; De formale peccati; Gratia S. Augustini a diversis tam preterito quam nostro tempore imputatis erroribus immunis.
Célestin Oberndorfer († 1765) publicou diversos escritos teológicos dentre os quais Systema theologico-dogmatico-historico-criticum; De sacramento ordinis; De usu forme conditionate; Dissertatio de caritatis initio. Deixou inacabada uma Theologia dogmatico-historico-scholastica que seu discípulo, o beneditino Anselme Zacherl († 1806), terminou.
Romain Eftingen (+1766), monge de Rheinau, participou das controvérsias que agitaram o século XVIII com o seu Judicium D. Thome Aquinatis in causa maxime controversa, sive Concordia thonustica libertatis create in linea gratie et nature cum intrinseca efficacia voluntatis divine sine predeterminatione physica et scientia media.
Anselme Erb (+1767), abade de Ottobeuren, publica um tratado sobre os casos reservados: Tractatus theologico-canonicus de casibus reservatis in genere et in specie, e Bede Cachée (+1767), de Ochsenhausen, é autor de uma obra intitulada: Speculum in enigmate, id est de Deo et attributis ejus.
Otto Sporer (+1768) publica as Recollectiones morales super theologiam universam. Marien Pruggberger (+1770) estuda os lugares teológicos nas suas Fontes sacre doctrine.
O bávaro Virgile Sedlmayr (+1772), religioso de Wessobrunn, deixou um grande número de obras, dentre as quais: Cursus philosophie; Systema theologie dogmatico-scholastice jucta methodum S. Thome Aquinatis; Theologia mariana; Nobilitas B. Marie V. sine labe conceptae; Reflexiones practice in materiam de gratia; Predeterminatio infallibilitans ad unum; Catalogus heresum.
Além de vários tratados de filosofia, devemos a Lanfrid Henrich (+1778) um escrito sobre as hierarquias angélicas: Hierarchia angelorum ad mentem Dionysii, e uma obra intitulada: Joannes Cassianus pelagianismi postulatus a R. D. Prospero Prantner vindicatus.
Boniface Schrazenthaler (+1775) publica um tratado intitulado: Christus theologice expensus, sive dissertationes theologice dogmatico-polemico-scholastice de Verbo et Verbo incarnato.
Gall Cartier (+1777), de Ettenheimünster, deixou, entre outros escritos: Tractatus theologicus de sacra Scriptura; Theologia universalis ad mentem et methodum celeberrimorum nostre aetatis theologorum ac S. Scripture interpretum; Authoritas et infallibilitas SS. Pontificum in fidei et morum questionibus definiendis stabilita. Era irmão de Germain Cartier, religioso no mesmo mosteiro, conhecido pelos seus trabalhos sobre as Sagradas Escrituras.
Anselme Molitor ou Muller (+1778), abade de Deggingen, é autor de um tratado: De potestate Ecclesie legislativa, coactica et declaratoria.
Um monge de Weingarten, Martin Burgin (+1782), publica contra os protestantes um escrito: De secreta singulorum peccatorum confessione, e um religioso de Isnen, Willibald Lay (+1795), trata a mesma questão numa obra em língua alemã.
Meinrad Schwikardt (+1787), de Ottobeuren, manda imprimir uma dissertação De sacramento baptismi juxta doctrinam et disciplinam Ecclesie atque theologie scholastico-dogmatice placita.
Professor na Universidade de Ingolstadt, Emilien Reit (+1790) publica Systema theologie moralis christiane, e Boniface Schleichert (+1790), de Breunov e professor na Universidade de Praga, escreve as suas Institutiones historie literarie theologie e uma teologia apologética contra os incrédulos e os heréticos do final do século XVIII.
Martin Gerbert (+1793), abade de Saint-Blaise na Floresta Negra, deixou um grande número de escritos, dentre os quais: Theologia vetus et nova circa presentiam Christi; Demonstratio vere religionis vereque Ecclesie; De communione potestatis ecclesiastice inter summos Ecclesie principes, pontifices et episcopos; De legitima ecclesiastica potestate; De selectu theologico circa effectus sacramentorum; De eo quod est juris divini et ecclesiastici in sacramentis; Apparatus ad eruditionem theologican; De recto et perverso usu theologie, e uma série de obras sob os títulos de Principia theologie exegetice; Principia theologie dogmatice, symbolice, mystice, canonice, moralis, sacramentalis, liturgice.
Placide Sturmer (+1794) e Célestin Trunk (+1796) escrevem sobre o mistério da santíssima Trindade, mas o primeiro parece favorecer o triteísmo.
O bávaro Beda Mayr (+1794) quer encontrar um terreno de conciliação entre os católicos e os protestantes: publica diversas obras com esse objetivo, mas não sabe manter-se ao abrigo de todo erro.
Joseph Reindl trata a difícil questão das crianças mortas sem batismo num escrito intitulado: Justificatio parvuli sine martyrio et baptismate in re suscepto novis conatibus male defensa.
Além de obras de teologia: Compendium theologie dogmatice, scholastice et moralis; Institutiones theologie mystice, Dominique Schram (+1797), de Banz, publica uma útil obra de patrística: Analysis operum SS. Patrum et scriptorum ecclesiasticorum.
Romain Koegl (+1800), monge de Ettal, esforça-se por resumir a doutrina de São João Crisóstomo num escrito ao qual dá o título de Spiritus S. J. Chrysostomi, seu doctrina moralis ex ejusdem aureis operibus.
Jean-Baptiste Enhuber (+1800), de Saint-Emmeran de Ratisbona, tinha preparado uma edição das obras de Alcuíno; mas este trabalho não foi publicado e não resta deste autor senão uma dissertação De heresi Elipandi.
2º Na Itália, entre os religiosos da congregação do Monte Cassino que se distinguiram nas ciências teológicas, observamos Bernard Bissus (+1716), autor de vários tratados de moral sob o título de Decas ad moralem scientiam e obras intituladas: Hierurgia sive rei divine peractio; Crisis de probabilitate.
Arqueólogo, literato e historiador, Benoit Bacchini (+1721) publica uma dissertação De ecclesiastice hierarchie originibus.
Placide Caparelli (+1727) faz aparecer Synopsis ad sacram dogmaticam theologiam hebraicam greco-latinam.
Jean-Gaspar Beretta (+1736) faz-se notar como professor de teologia e de filosofia na Universidade de Pádua, e Placide Troici publica uma Theologia positiva, polemica, scholastica et historica.
Nicolas-Marie Tedeschi (+1741), monge de São Nicolau de Catânia, professor de teologia, membro de várias congregações romanas, bispo e depois arcebispo, aplica-se a fazer conhecer e apreciar a teologia de Santo Anselmo: Schole D. Anselmi doctrine, e Sacre theologie synopsis.
Presidente da congregação do Monte Cassino, Cyprien Benaglia (+1750) é sobretudo conhecido como filósofo: é autor de um Examen philosophie nove et veteris.
Ange-Marie Quirini (+1755), cardeal e bispo de Bréscia, publica um Enchiridion grecorum quod de illorum dogmatibus et ritibus romanorum pontificum decreta post schismatis epocham edita.
A Jean-Baptiste Federici (+1792) devemos uma dissertação sobre a Imaculada Conceição, e Nicolas-Antoine Giustiniani (+1796) faz aparecer uma edição das obras de Santo Atanásio.
3º Na Espanha, Jean-Baptiste Lardito (+1700) leciona na Universidade de Salamanca e publica várias obras onde se aplica a comentar a doutrina de Santo Anselmo.
Emmanuel Navarro (+1708) foi igualmente professor em Salamanca e tornou-se superior-geral da congregação de Valladolid. Publicou diversas dissertações De sacro-sancto Trinitatis mysterio; De angelis; De virtutibus theologicis.
Benoît Jérôme Feijoo y Montenegro (+1764) é autor de uma obra sobre os principais erros de sua época.
Em Portugal, um beneditino, Jean de l’Expectation, faz publicar seu Systema theologicum ad mentem S. Anselmi, e Antoine-Joseph Rodriguez publica Denonstratio religionis christianae, e Theologiae moralis et civilis tractatus.
No Brasil, Mathieu Pinna (1729) reivindica os direitos da verdade em um escrito intitulado: Defensio doctrinae S. Matris Ecclesiae in constitutione Unigenitus adversus errores P. Quesnelli.
Os religiosos da congregação de Saint-Maur continuam suas edições dos Padres. Infelizmente, o veneno sutil da heresia jansenista se faz sentir com demasiada frequência em seus trabalhos.
As obras de São Bernardo são editadas por Dom Jean Mabillon (+1707), que escreveu o prefácio da edição das obras de Santo Agostinho publicadas sob a direção de Dom Thomas Blampin (+1740).
Hildebert, bispo de Le Mans e depois arcebispo de Tours, teve por editor Dom Antoine Beaugendre (+1708); São Gregório Magno, Dom Thierry Ruinart (+1709), que fez também imprimir os Acta primorum martyrum sincera et collecta.
Dom Gabriel Gerberon (+1711) editou as obras de Santo Anselmo e publicou Apologia pro Ruperto abbate Tuitiensi, onde mostra que esse célebre abade jamais errou em sua doutrina sobre a Eucaristia.
As obras de Santo Irineu encontram um editor em Dom René Massuet (+1716); as de São Jerônimo são publicadas por Dom Jean Martianay (+1717); as de São Cirilo de Jerusalém por Dom Augustin Touttée (+1718) e Dom Prudent Maran (+1762), editor das obras de São Cipriano e de São Justino. Este último tinha sido, além disso, colaborador de Dom Julien Garnier (+1725) para a edição das obras de São Basílio. Dom Denis de Sainte-Marthe (+1725) publica as obras de São Gregório Magno; Dom Pierre Coustant (+1721), as de Santo Hilário, e tinha preparado uma grande coleção das cartas dos papas, da qual apenas um volume apareceu. Os padres Charles (+1739) e Vincent de la Rue (+1762) publicam as obras de Orígenes; Dom Bernard de Montfaucon (+1741), as de São João Crisóstomo e de Santo Atanásio; ele edita, além disso, o que nos resta das Hexapla de Orígenes, os Analecta graeca seu varia opuscula graeca hactenus non edita e o livro de Fílon sobre a vida contemplativa. Dom Charles Clémencet (+1778), com a ajuda de Dom Louvart (+1739) e de Dom Maran, publica as obras de São Gregório de Nazianzo. A esses trabalhos de patrística, é preciso juntar o Apparatus ad Bibliothecam maximam Patrum, de Dom Nicolas le Nourry (+1724), que tinha sido colaborador de Dom Jacques du Frische em sua edição de Santo Ambrósio e que publicou ele mesmo o De mortibus persecutorum de Lactâncio.
Além dessas grandes edições dos Padres, devemos mencionar alguns outros trabalhos dos beneditinos da congregação de Saint-Maur. Dom François Gesvres (+1705) tomou abertamente a defesa do demasiado célebre Arnauld em um escrito que intitulou: Defensio Arnaldina, seu analytica synopsis de correptione et gratia ab Ant. Arnaldo doctore et socio Sorbonico a. 1664 edita, ab omnibus reprensorum calumniis vindicata. Dom Hugues Mathoud (+1705) publica Roberti Pulli S. R. E. cardinalis et cancellarii, theologorum, ut vocant, scholasticorum antiquissima sententiarum libri VIII. Item Petri Pictaviensis... sententiarum libri V. Dom Claude David (+1705) é autor de uma dissertação sobre São Dionísio Areopagita e se esforça em estabelecer que este santo é o autor das obras que levam seu nome.
Entre os numerosos escritos do piedoso e douto Mabillon, notar-se-ão os prefácios dos volumes dos Acta sanctorum ordinis sancti Benedicti, contendo observações e dissertações muito úteis para a história do dogma e a disciplina eclesiástica; seu tratado dos Études monastiques; uma carta De cultu sanctorum ignotorum; outra sobre o discernimento das antigas relíquias; uma dissertação De pane eucharistico azymo et fermentato, e um livro intitulado: La mort chrétienne sur le modèle de Notre-Seigneur et de plusieurs saints. Ele publicou, além disso, uma importante coleção de autores antigos sob o título: Vetera analecta, seu collectio veterum aliquot operum et opusculorum. A essa publicação é preciso juntar o Museum italicum seu collectio veterum scriptorum ex bibliothecis italicis. Em um grande número de seus trabalhos, teve por colaborador Dom Michel Germain (+1694).
Além de alguns tratados contra os calvinistas, Dom Michel Fouqueré (+1709) compôs Celebris historia monothelitarum atque Honorii controversia scrutiniis octo comprehensa. Dom François Lamy (+1711) publicou numerosos trabalhos, entre os quais: Vérité évidente de la religion chrétienne; Le nouvel athéisme renversé ou réfutation du système de Spinosa; Lettre d’un théologien à un de ses amis sur un libelle qui a pour titre: Lettre de l’Abbé** aux RR. Peres Bénédictins sur le dernier tome de leur édition de saint Augustin; Lettres théologiques et morales sur quelques sujets importants; L’incrédule amené à la religion par la raison en quelques entretiens où l’on traite de l’alliance de la raison avec la foi.
Dom Gabriel Gerberon (+1711) foi um dos mais ardentes defensores das doutrinas jansenistas e sempre se recusou a submeter-se às condenações que as atingiam. Em quase todos os seus escritos, publicados na sua maioria em país estrangeiro e sem nome de autor, encontram-se esses erros e, muitas vezes, eles não têm outro objetivo senão querer defendê-los e justificá-los. Entre as obras desse religioso morto impenitente, mencionaremos: Avis salutaires de la B. Vierge Marie à ses dévots indiscrets; Dissertation sur l’Angelus; Le miroir de la piété chrétienne où l’on considère avec des réflections morales l’enchaînement des vérités catholiques de la prédestination et de la grâce de Dieu et de leur alliance avec la liberté de la créature; Mémorial historique de ce qui s’est passé en France depuis l’année 1647 jusqu’en 1653 touchant les cinq propositions tant à Paris qu’à Rome, e várias outras obras sobre o jansenismo.
Contra os socinianos e os protestantes, Dom Léonard Massiot (+1717) escreve um Traité du sacerdoce et du sacrifice de Jésus-Christ et de son union avec les fidèles dans ce mystère. Dom Denis de Sainte-Marthe (+1725), que foi superior-geral da congregação de Saint-Maur, toma a defesa da edição das obras de Santo Agostinho e escreve contra os calvinistas um Traité de la confession auriculaire. Dom Louis Pisant (+1726) publica um Traité historique et dogmatique des privilèges et exemptions ecclésiastiques.
Após ter-se mostrado ardente partidário das doutrinas jansenistas e ter apelado da bula Unigenitus, Dom Vincent Thuillier (+1736) tinha reconhecido sinceramente seu erro e se submetido às decisões do soberano pontífice. Para explicar sua conduta, ele publicou duas Cartas de um antigo professor de teologia da congregação de Saint-Maur que revogou seu apelo, a um outro professor da mesma congregação que persiste no seu. Fez publicar, além disso, uma História da nova edição das obras de santo Agostinho, e uma seleção de autores antigos sob o título: Vetus disciplina monastica, seu Collectio auctorum O. S. B. qui de monastica disciplina tractarunt. Havia preparado uma História da constituição Unigenitus, cuja publicação foi iniciada pelo abade Ingold.
Dom Norbert Jomart (+1738) publicou dois pequenos escritos intitulados: Avis touchant la crainte servile; Avis important touchant la conscience erronée.
Dom Edmond Martène (+1739) não se ocupou de trabalhos teológicos propriamente ditos: contudo, seu Comentário sobre a santa Regra, sua grande obra De antiquis Ecclesiae ritibus, e sobretudo sua Veterum scriptorum amplissima collectio devem fazê-lo ser colocado entre os religiosos que prestaram grandes serviços às ciências sagradas. Dom Edme Perreau (+1741) publicou um Tratado filosófico e teológico da verdade. Dom Louis de la Taste, morto bispo de Belém em 1754, publicou Cartas teológicas contra as convulsões e os milagres atribuídos ao diácono Paris. Dom Prudence Maran (+1762), que já tivemos ocasião de nomear, é autor de diversas obras de polêmica: A divindade de N.-S. Jesus Cristo provada contra os heréticos e os deístas pelas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento; A doutrina da Escritura e dos Padres sobre as curas milagrosas; As grandezas de Jesus Cristo e a defesa de sua divindade. É igualmente contra os jansenistas e os filósofos que dom Nicolas Jamin (+1782) publicou Pensamentos teológicos relativos aos erros do tempo presente. Além de uma edição das obras de Bossuet, dom Pierre Deforis, que morreu no cadafalso em 1794 — vítima da Revolução —, fez imprimir: Refutação de uma nova obra de J.-J. Rousseau, intitulada «Emile ou de l’Education»; Preservativo para os fiéis contra os sofismas e as impiedades dos incrédulos; A importância e a extensão das obrigações da vida monástica para servir de resposta aos inimigos da ordem monástica; Exposição da doutrina da Igreja sobre as virtudes cristãs.
5° Entre os beneditinos franceses estranhos à congregação de Saint-Maur, não temos a citar senão dom Hilarion Monnier, que em uma série de cartas se esforçou por provar que santo Agostinho é a regra que se deve seguir nas matérias da graça, e dom Charles Piettre (+1729), autor de um escrito intitulado: A verdadeira e falsa Missa por forma de entretenimentos entre um religioso e um protestante. Na congregação de Saint-Vanne, dom Mathieu Petit-Didier (+1739), abade de Senones, publica um Tratado da infalibilidade do Papa, uma Justificação da moral e da disciplina de Roma e de toda a Itália, e uma Dissertação histórica e teológica sobre o concílio de Constança e a infalibilidade do Papa. Não citaremos de dom Calmet (+1757), ele também abade de Senones, senão suas Dissertações inseridas em seus comentários sobre a Escritura sagrada. Dom Georges Toussaint (+1758) publicou um tratado De sacramento matrimonii. A dom Remi Ceillier (+1761) devemos uma volumosa História geral dos autores eclesiásticos, e a dom Bernard Maréchal (+1770) uma Concordantia Patrum Ecclesiae graece et latine. Abade de Gregorianthal, dom Sinsart (+1776) demonstra contra os protestantes A verdade da religião católica, esforçando-se por colocar suas provas ao alcance de todos; ele defende o Dogma católico sobre a eternidade das penas, e expõe contra os jansenistas Os verdadeiros princípios de santo Agostinho sobre a graça e seu acordo com a liberdade. Ele publica, além disso, uma Coletânea de pensamentos sobre a imaterialidade da alma, sua imortalidade, e um Ensaio sobre o acordo da fé e da razão tocante à Eucaristia. Dom Charles Chardon (+1771) é autor de uma História dos sacramentos muito estimada: infelizmente, o autor recusou obstinadamente reconhecer a autoridade da bula Unigenitus. Citamos, enfim, nesta mesma congregação, dom Jean-Baptiste Aubry (+1809), autor de diversas obras, entre as quais: Questões filosóficas sobre a religião natural; Questões aos filósofos de hoje sobre a alma e a matéria; O anti-Condillac; Teoria sobre a alma dos animais. Ele havia sido encarregado de continuar a obra de dom Ceillier, mas nada foi publicado deste último trabalho. Ver t. 1, col. 2264.
6° Todo o século XVIII havia sido agitado pelas querelas dos jansenistas em revolta contra a autoridade da Santa Sé e a ordem de São Bento não havia sabido sempre preservar-se do erro. As doutrinas ímpias dos filósofos conduziram à tormenta revolucionária que, da França, se espalhou por quase todos os países da Europa. Os governos nascidos da Revolução apoderaram-se dos mosteiros e expulsaram deles os habitantes, dos quais muitos, para permanecer fiéis aos seus votos, não hesitaram em enfrentar a morte, o exílio e os mais cruéis sofrimentos. Demasiado frequentemente os tesouros amealhados durante longos séculos nas bibliotecas das abadias beneditinas foram dispersos e retirados de seus legítimos possuidores pela força ou por uma legislação mais temível que a violência. A vida beneditina não desapareceu, contudo, completamente e, sobre o solo da velha Europa, os mosteiros não tardaram a se reerguer ou a retomar uma vida nova.
XIV. No século XIX. — 1° Entre os beneditinos alemães ou austríacos que se fizeram notar por seus trabalhos teológicos e morreram no curso do século XIX, devemos mencionar Godefroid Lumper (+1800), monge de Villingen, autor de uma Historia theologica critica de vita, scriptis atque doctrina SS. Patrum, que infelizmente para no século IX; Jacques Chmell (+1805), monge e abade de Breunoy, publica diversos tratados: De officio hominis erga Deum; Apologia singularis orthodoxae catholicaeque doctrinae de morali hominis impotentia solis naturae vitiatae viribus servandi legem naturalem, e das Vindiciae concilii oecumenici sexti; à frente deste último trabalho, o autor colocou uma dissertação histórica sobre a heresia dos monotelitas. Mais tarde, outro religioso desta abadia, Bonaventure Muller (+1880), far-se-á notar como apologista. Devemos a Lothaire Fortner (+1805), de Bamberg, um livro De articulis fundamentalibus et non fundamentalibus ab heterodoxis sine fundamento assertis. Marien Dobmayr (+1805), monge de Weissenohe, professor de filosofia, de história e de teologia, deixou uma Theologia dogmatica, que não apareceu senão após sua morte e da qual um resumo foi publicado em 1823 por Emmanuel Salomon (+1845), monge de Saint-Emmeran de Ratisbona, sob o título: M. Dobmayr Institutiones theologiae in compendium redactae. Entre os escritos de Placide Sprenger († 1806), de Bantz, nota-se o Thesaurus rei practicae. Marc Stattmuller († 1808), de Reichenau, deixou um Enchiridion theologico-practicum, e Vital Mésl († 1809), de São Pedro de Salzburgo, alguns trabalhos de patrística. Em 1809, morria Grégoire Kohler, autor de uma obra intitulada: Principia theologiae liturgicae.
Monge de Saint-Emmeran de Ratisbona e professor de teologia, Wolfgang Freelich († 1810) deixou diversos escritos, entre os quais: De libertate humana; De conjugio sacerdotibus permittendo; Jura S. sedis Romanae; Quis est Petrus?, etc. Ao mesmo mosteiro pertenceu Rupert Aign († 1813), autor de um Conspectus theologicus de vitiis et peccatis, de legibus et sacramentis. Antoine Reyberger († 1818), abade de Melk, publicou as Institutiones ethicae christianae seu theologiae moralis. Monge e prior de Petershausen, Udalric Pfeiffer († 1819) deixou um tratado sobre os deveres do homem para com Deus. Tobie Mollik († 1824), de São Martinho da Panônia, publicou numerosos escritos entre os quais: Concordia revelationis et rationis circa aeternae vitae vel mortis praedestinationem; Synopsis catholica de gratia actuali doctrinae hujusque applicatio; Diluitio errorum de votis et clericali caelibatu; An sit apostasis inter delicta civilia referenda; Incarnatio Redemptoris; Sacrosanctum missae sacrificium rite ac pie celebrandi ratio cum dissertatione de frequenti celebratione et fidelium sacra communione, e dissertações sobre a religião natural e a religião revelada, os sacramentos, o culto dos santos, a justificação, a Igreja, etc. Ao mesmo mosteiro pertenceram Isidore Ladislas Guzmics († 1839), morto como abade de Bakonybel, autor de uma Theologia christiana fundamentalis e de uma Theologia dogmatica, e Jean Molnar († 1857), das Institutiones religionis christiano-catholicae. Léonard Rueff († 1828), monge de Weingarten, publicou uma história dos dogmas sob o título Primae lineae historico-theologicae. O mesmo assunto era igualmente tratado por Vincent Graesbock († 1828), professor de teologia, em suas Primae lineae introductionis in theologiam dogmaticam christiano-catholicam. Maximilien Prechtl († 1832), monge de Michelfeld, foi eleito em 14 de janeiro de 1800 abade de seu mosteiro que, dois anos mais tarde, foi suprimido; ele publicou diversos escritos com o objetivo de reconduzir os protestantes à Igreja romana. Emilien Janitsch († 1838), monge de Gottweig, destacou-se como apologista. Célestin de Keenigsdorf († 1840) era abade de Santa Cruz de Donauworth durante a supressão desse mosteiro em 1802; publicou Theologia in compendium redacta systema. Monge de Elchingen, depois dos Escoceses de Viena, Romain Mittich († 1841) é autor de uma obra análoga: Systema universae christiano-catholicae theologiae. Em seu Das Verhältniss der Philosophie, Raphaël Genhart († 1841) expõe os fundamentos filosóficos da fé cristã e mostra a harmonia existente entre a filosofia e os dogmas da fé católica. Grégoire-Thomas Ziegler († 1852), monge de Wiblingen, após a supressão de seu mosteiro, foi professor de filosofia em Cracóvia, depois em Viena, e foi honrado com a dignidade episcopal; é autor de uma obra intitulada: Principium theologiae christiano-catholicae. Alphonse Sorg († 1874), monge de Admont, pronunciou-se em vários escritos contra as doutrinas de Gunther, que defendeu Théodore Gangauf († 1875), abade de Santo Estêvão de Augsburgo. Este, em 1850, renunciou à sua abadia para se dedicar mais inteiramente ao estudo de santo Agostinho e, entre seus escritos, mencionaremos: Ueber Glauben und Wissen; Metaphysische Psychologie des hl. Augustinus; Der hl. Augustinus speculative Lehre. Pius Zingerlé († 1881) faz-se notar como siriacizante e publica Actes des martyrs traduzidos do siríaco, S. J. Ephrem syri sermones duo; Monumenta syriaca. Dom Suitbert Bäumer († 1894), da congregação de São Martinho de Beuron, publicou um estudo sobre o símbolo dos apóstolos e uma história do breviário. À mesma congregação pertencia dom Benoit Radziwill († 1895), que, em 1872, havia feito publicar alguns escritos polêmicos: Die kirchliche Auctorität und das moderne Bewusstsein e Canossa oder Damascus.
2º Na Itália, temos a nomear Ange Luchi († 1802), editor das obras de Venâncio Fortunato, e Fraja Frangipani († 1819), que publicou alguns sermões de santo Agostinho. Louis Vaccari († 1887) é autor de um tratado De gloriosa B. Mariae V. assumptione.
3º Jean Brewer († 1822), presidente da congregação anglo-beneditina, publica uma obra intitulada: Religionis naturalis et revelatae principia, e Monsenhor Guillaume Ullathorne († 1889), bispo de Birmingham, é autor de numerosos escritos sobre as questões discutidas em sua época, como a imaculada conceição e a infalibilidade do papa.
4º Na Espanha, Bernard Sala († 1885), monge de Montserrat, publica um Compendium theologiae moralis.
5º Em 1833, dom Guéranger († 1875) fazia reviver na terra da França a ordem de São Bento no priorado de São Pedro de Solesmes, e em 1837, pela vontade de Gregório XVI, este pequeno mosteiro tornava-se uma abadia e a sede de uma nova congregação beneditina. Entre as numerosas obras do primeiro abade de Solesmes, muitas se referem às questões discutidas no curso do século XIX: Mémoire sur la question de l’immaculée conception de la très sainte Vierge; De la monarchie pontificale; Défense de l’Eglise romaine contre les accusations du R. P. Gratry; Réponse aux dernières objections contre la définition de l’infaillibilité papale a propos de la lettre de Mgr d’Orléans a Mgr de Malines; Considérations sur la liturgie; Les institutions liturgiques; L’année liturgique; Essai sur le naturalisme contemporain, e numerosos artigos publicados nas revistas e jornais. Entre os discípulos de dom Guéranger coloca-se em primeiro lugar dom Jean-Baptiste Pitra († 1889), cardeal da santa Igreja romana, morto bispo de Porto e Santa Rufina, e subdecano do sacro colégio. Seus trabalhos patrísticos foram publicados no Spicilegium Solesmense, os Analecta sacra Spicilegio Solesmensi parata, os Analecta novissima. Teve uma parte muito grande na publicação das patrologias grega e latina do abade Migne. A ele e a seus confrades de Solesmes devem-se, nessas coleções, as edições de Tertuliano, de Minúcio Félix, de são Cipriano e de são João Crisóstomo.
Esta congregação estava muito florescente na França quando a perseguição religiosa, levantada pela revolução que há um século agita este país, forçou seus membros a se refugiarem em regiões mais calmas onde, com toda liberdade, podem rezar a Deus e continuar, para sua maior glória, os trabalhos que haviam acreditado poder empreender no solo de sua pátria.
Ziegelbauer, Historia rei literarie ordinis sancti Benedicti, 4 in-fol., Viena, 1754; dom François, Bibliothèque générale des écrivains de l’ordre de Saint-Benoît, 4 in-4°, Bouillon, 1777-1778; Hurter, Nomenclator literarius theologiae catholicae, 4 in-8°, Innsbruck, 1892-1899; dom Philippe Le Cerf de La Viéville, Bibliothèque historique et critique des auteurs de la congrégation de Saint-Maur, in-12, Haia, 1736; Marianus Armellini, Bibliotheca benedictino-casinensis, in-fol., Assis, 1734; dom Tassin, Histoire littéraire de la congrégation de Saint-Maur, in-4°, Bruxelas, 1770; Scriptores ordinis S. Benedicti qui 1750-1880 fuerunt in imperio Austriaco-Hungarico, in-4°, Viena, 1881; dom F. Plaine, Series chronologica scriptorum ordinis sancti Benedicti hispanorum ab anno 1750 ad a. 1884, in-8°, Raigern, 1885; Bibliographie des bénédictins de la congrégation de France, in-8°, Solesmes, 1889.
Autor original: B. Heurtebize
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