BATISMO (ENTRE OS SÍRIOS)

BATISMO (ENTRE OS SÍRIOS)

BATISMO ENTRE OS SÍRIOS

3° Administração do batismo; 4° administração da confirmação pelo sacerdote. Para este último ponto, ver CONFIRMAÇÃO. Analisaremos os três primeiros.

1° Absolvição da mãe. — 1. Se a criança é do sexo masculino, a absolvição da mãe ocorre 40 dias após o parto. O sacerdote profere as ações de graças e oferece o incenso. Ele lê, então, Epistulam ad Philippenses, II. Depois, recita o salmo I, como oração preparatória para a leitura do Evangelho. Lê então o Evangelho de São Lucas, II, 21-39. Em seguida, recita as orações da consolação e três pedidos: o primeiro pela paz, o segundo pelo patriarca (de Alexandria), o terceiro pela assembleia (dos fiéis). Após isso, recita uma oração pela própria mãe, depois unge o rosto e as mãos da mãe e da criança. — 2. Se a mãe GEROU uma criança do sexo feminino, o sacerdote começa por dizer as ações de graças e oferecer o incenso; lê então a Epistulam ad Romanos, VIII, 14-17, depois recita o salmo LXXXVI, como oração preparatória para a leitura do Evangelho; finalmente, leitura do Evangelho de São Lucas, I, 38-42. O restante como no primeiro caso.

2° Admissão ao número dos catecúmenos. — O sacerdote recita longas orações pelos catecúmenos, seguidas da oração pelo óleo. Após isso, unge com o óleo [do exorcismo] o catecúmeno ou a criança no peito, nos braços, nas costas e no meio das mãos, fazendo o sinal da cruz. Depois, recita novas orações, então lê Tit., III, 4-7; I Joa., V, 6-10; Act., VIII, 26-39; Ps. XXVII, 1-3; Jos., III, 7-17. Após isso, recita os sete grandes pedidos: pelos enfermos, pelos viajantes, pelas águas, pelo rei, pelos defuntos, pelas oblações, pelos catecúmenos. — Tendo terminado, prostra-se diante da pia batismal e recita secretamente uma oração para si mesmo; depois diz os três grandes pedidos: pela paz, pelo patriarca, pela assembleia, e o Credo. Derrama então três vezes óleo no Jordão (= pia batismal) em forma de cruz e assinala a água; em seguida recita uma oração, depois sopra três vezes sobre as águas em forma de cruz. Novas orações, após o que derrama três vezes o santo crisma na pia em forma de cruz e agita a água com a mão ao recitar Ps. XXVII, 3, 4. Segundo o maior número dos rituais, recita também Ps. XXX, 6, 12; LXV, 12; L, 4, 12; CXXXI, 15.

3° Administração do batismo. — O diácono conduz então o sujeito para perto da pia batismal, à esquerda do sacerdote. Este pergunta seu nome, depois o mergulha três vezes na água ao recitar a fórmula que já citamos. Termina com a oração da absolvição da água. R. Tuki, Missale copto-arabicum, Roma, 1736; Id., Pontificale et eulogium alexandrinum copto-arabicum, Roma, 1761; Id., Rituale copto-arabicum, Roma, 1763; Renaudot, Liturgiarum orientalium collectio, Paris, 1716; Francfort, 1847; Denzinger, Ritus orientalium, 2 in-8°, Wurzbourg, 1863, t. I, p. 14-24, 191-235; A. J. Butler, The ancient coptic Churches, 2 in-8°, Oxford, 1884, t. II, p. 262-274; B. T. A. Evetts, The Rites of the coptic Church, in-4°, Londres, 1888, p. 17-38; A. de Vlieger, The Origin and early History of the coptic Church, in-12, Lausanne, 1900, p. 51-55; V. Ermoni, Rituel copte du baptême et du mariage, dans la Revue de l’Orient chrétien, 1900, p. 445 sq. V. ERMONI.

VII. BATISMO ENTRE OS SÍRIOS. — O batismo chama-se em siríaco: Ma‘midito’, ou por abreviação: ‘Modo’ (= imersão, ablução). Encontra-se também, mas mais raramente: Masbi‘ito’ (= ação de banhar; tinctio de Tertuliano). — I. Doutrina. II. Ritos.

I. Doutrina. — 1° Matéria empregada para o batismo ou matéria remota. — É a água natural; todos os documentos concordam neste ponto. Esta água deve ser consagrada. Uma rubrica do ritual dos nestorianos declara-o expressamente: Et notum sit, quod absque consecratione (aquae), non administrandus est baptismus, nisi in domo alicujus, in articulo mortis. Cf. Badger, The Nestorians and their Rituals, Londres, 1852, t. II, p. 212. Os mesmos nestorianos exigem, para a validade do batismo, que a água seja misturada com o óleo bento. Os sírios não conservam na pia a água batismal, pelo menos por muito tempo. Consagram a água todas as vezes que conferem o batismo; para os maronitas, cf. H. Dandini, S. J., Missione apostolica al patriarca e Maroniti del monte Libano, Cesena, 1655, p. 107; os nestorianos têm uma rubrica especial: Si ex alia persona veniat, ut baptisetur, eadem aqua adhibenda non est, sed recens afferenda est. Badger, ibid., t. II, p. 214. Parece, contudo, que se pode conservar a água batismal até o terceiro dia. Após o batismo, a água é absolvida. A oração da absolvição das águas no ritual maronita contém estas palavras: Sanctificate sunt aque iste in AMEN; eodem quoque AMEN solvantur a sanctitate sua et fiant juxta priorem suam naturam.

2° Aplicação da matéria remota ou matéria próxima. — Em regra geral, o batismo é conferido por imersão. Os nestorianos empregam apenas a imersão; os jacobitas e os sírios unidos empregam também a infusão. Entre os nestorianos, o sacerdote mergulha o sujeito na água até o pescoço; depois coloca sua mão sobre sua cabeça e o imerge três vezes na água. Entre os jacobitas e os maronitas, o sujeito permanece de pé no batistério; o sacerdote coloca a mão direita sobre sua cabeça, e com a mão esquerda verte água sobre o peito, sobre as costas, à direita e à esquerda, seja para traçar o sinal da cruz, seja para honrar a Santíssima Trindade. Santo Efrém celebra em termos entusiastas esta imersão na água: «Descendei, irmãos assinalados [com o óleo dos catecúmenos], revesti-vos de Nosso Senhor; misturai-vos na graça.» T.-J. Lamy, Sancti Ephrem syri hymni et sermones, in-4°, Malines, 1882, serm. IV, n. 1, t. I, col. 43. «Descendei, meus irmãos, revesti-vos do Espírito Santo nas águas do batismo; uni-vos aos espíritos que servem a Deus.» Ibid., serm. V, n. 1, col. 49. «As ovelhas de Cristo estão em jubilação e rodeiam o batistério. Nas águas, elas revestem a forma da bela e viva cruz pela qual o mundo é purificado, e do sinal da qual ele é marcado.» Ibid., serm. VII, n. 3, col. 63. «Moisés tirou [água] e dessedentou as ovelhas de Jetro, sacerdote do pecado. Nosso pastor mergulhou nas águas do batismo as ovelhas do grande sacerdote da verdade.» Ibid., serm. VII, n. 5, col. 65. A imersão não é necessária para a validade do batismo. Jacques de Edessa ordena ao sacerdote que batize a criança por infusão em caso de necessidade. Cf. Denzinger, Ritus orientalium, Wurzbourg, 1863, t. I, p. 18, 49.

3° Forma. — Os jacobitas e os nestorianos empregam a fórmula: N.

baptizatur. Quanto aos maronitas, eles possuem a fórmula ordinária: Ego te baptizo N.; mas parecem tê-la tomado emprestada dos latinos, pois ela não se encontra em nenhum ritual antigo.

Ejfels. — 1. Remissão de todos os pecados. — Segundo o ritual jacobita, o sacerdote reza assim: Dedisti [Salvator] nobis fontem vere purgationis, qui purgat ab omni peccato, aquas scilicet istas, que per tui invocationem sanctificantur, per quas emundationem suscipimus, que in sancto sanguine data est nobis. Denzinger, Ritus orientalium, t. 1, p. 274. Entre os nestorianos, o sacerdote expressa-se assim: ... Quemadmodum et hodie accessere isti famuli tui et ancille tue, et donum istud induerunt quod a peccati affectibus liberat. Ibid., p. 375. Sobre o ensino de Afraates, ver I, col. 1461. Santo Efrém retorna frequentemente sobre este efeito do batismo: «O batismo é maior que o pequeno rio do Jordão; por suas águas e óleo são apagados todos os pecados... Pelo batismo são apagadas todas as iniquidades escondidas da alma.» Lamy, Sancti Ephrem hymni et sermones, n. 5, 6, t. 1, col. 51, serm. V; cf. também col. 57, n. 9; col. 71, n. 10; col. 87, n. 20; t. III, col. 803, n. 2.

— 2. Infusão da graça santificante. — Segundo o ritual jacobita, o sacerdote diz: Ut illustrati, innovati et gratia ac virtute repleti, etc. Denzinger, ibid., p. 276. Para o ritual maronita, ibid., p. 345, 346; para o ritual nestoriano, ibid., p. 375. No hino para a festa da Epifania, Santo Efrém exprime-se assim ao dirigir-se aos batizados: «Vossa unção é mais excelente porque o Pai, o Filho e o Espírito Santo desceram para permanecer em vós... Vós sois vasos de graça; conservai com cuidado a justiça, porque não há uma segunda restauração.» Lamy, op. cit., t. 1, col. 35, n. 16; col. 36, n. 19; cf. col. 49, serm. V, n. 1; col. 57, n. 9; col. 107, serm. XII, n. 2.

— 3. Renovação interior do homem. — Lemos no ritual maronita: Venite, dilectissimi mei, estote filii Ecclesie et baptismi, qui vestram renovat vetustatem... Exuite vetustatem per aquas baptismi et induite stolam glorie in Spiritu Sancto ex aquis. Denzinger, ibid., p. 276, 347; cf. p. 373. Em seu hino XXI sobre a Igreja e a virgindade, Santo Efrém exclama: «Eis que o Senhor renovou no batismo teu velho homem; conserva a vida que adquiriste pelo seu sangue. Ele construiu para si um templo para ser sua morada; não habites, ó velho homem, no lugar de Nosso Senhor no templo que o Senhor renovou; ó carne, se habitares no teu templo de uma maneira digna de Deus, tu serás, também, a sede de seu reino.» Lamy, op. cit., t. 1, col. 775, n. 2.

— 4. Filiação adotiva. — Baptisma sanctificatur filiosque novos ac spirituales gignit. Denzinger, ibid., p. 274... Et adoptionem filiorum merearis per sanctum baptisma in secula. Ibid., p. 336. Quumque tempus illud... advenisset ad filiorum adoptionem in redemptionem corporum nostrorum, etc. Ibid., p. 375. — Todos estes efeitos são admiravelmente resumidos nesta oração do ritual jacobita, onde o sacerdote pede a Deus para mostrar que «as águas [do batismo] são águas de expiação que purificam de toda impureza da carne e do espírito, rompem os laços, remitem os pecados, iluminam as almas; que elas são um banho de regeneração, uma graça de filiação adotiva, uma veste de incorruptibilidade, uma renovação pelo Espírito Santo; águas enfim que apagam toda impureza da alma e do corpo». Ibid., p. 276.

5º Ministro. — É o sacerdote sozinho, mesmo em caso de necessidade. O batismo conferido por um leigo é inválido. No que concerne aos jacobitas, o cânone de Severo de Antioquia, século VI, relatado por Bar-Hebraeus, dá fé disto: Qui baptizati fuerint ab iis qui presbyteri facti non sunt, baptizentur ac si non fuerint baptizati. Denzinger, op. cit., t. 1, p. 21. Se há perigo de morte, e o sacerdote está ausente, é permitido ao diácono batizar. Para os nestorianos, cf. J.-S. Assémani, Biblioth. orient., Roma, 1719-1728, t. III, p. 241 seg. Os cânones jacobitas prescrevem também ao sacerdote que batize em jejum, fora do caso de necessidade.

6º Sujeito. — Antigamente batizavam-se os catecúmenos. Em seu hino VI para a festa da Epifania, Santo Efrém fazia evidentemente alusão a este uso: «A lã, diz ele, é uma coisa maravilhosa, que toma todas as cores, da mesma maneira que o espírito percebe todas as coisas. A lã recebe seu nome da cor pela qual é tingida. Assim vós, que antigamente vos chamáveis Ouvintes (Smia’, audientes = catecúmenos), após terdes recebido o batismo, sois chamados Recebedores [Nsibe’, accipientes [a eucaristia]).» Lamy, op. cit., t. 1, col. 57, 59, n. 41. Por isso mesmo, o sujeito ordinário do batismo eram os adultos. Sabe-se que o próprio Santo Efrém recebeu o batismo em Bet-Garbaia aos dezoito anos de idade. Compreendem-se assim certos cânones que proíbem batizar alienados e energúmenos. Hoje não se batizam senão raramente adultos. A prática ordinária é batizar as crianças, como na Igreja romana. Para ser batizada, a criança deve estar em jejum, porque recebe a comunhão imediatamente após. É proibido batizar nas mesmas águas crianças de ambos os sexos. Cf. [Gibert], Tradition ou Histoire de l’Eglise sur le sacrement du mariage, Paris, 1725.

7º Necessidade do batismo. — Os sírios sempre consideraram o batismo como necessário para todos os homens. Neste ponto, eles concordam plenamente com a Igreja romana. Que nos baste citar uma passagem do hino X de Santo Efrém para a festa da Epifania: «Quando Ele (o Cristo) houve cumprido na terra tudo o que era conveniente, Ele elevou-se [ao céu]. Se Aquele que purifica os outros foi batizado, quem não terá necessidade do batismo? Aquele que é a graça aproximou-se do batismo para apagar nossas chagas hediondas.» Lamy, op. cit., t. 1, col. 104, n. 12.

8º Defesa de reiterar o batismo. — Bar-Hebraeus conservou-nos um cânone de Tiago de Edessa (640-708) assim formulado: Christianum, qui Agarenorum aut ethnicorum religionem professus fuerit, deinde resipuerit, haudquaquam baptizamus, sed oratio dumtaxat penitentium a pontifice super eum fiat imponaturque ei tempus penitentie, quam cum expleverit, communicet. Santo Efrém retorna frequentemente a esta defesa: «Qualquer um que beba as águas que eu lhe dou, não terá mais sede. Joa., IV, 13. Tende sede do santo batismo, meus caros [irmãos], pois não tereis mais sede de outro batismo.» Lamy, op. cit., t. 1, col. 71, n. 21. «Vossos corpos não são suscetíveis senão a uma ablução.» Ibid., col. 81, n. 10.

«Aprendi, meus irmãos, pelas vossas vestes, como é preciso guardar vossos membros.» Se uma veste conserva a sua beleza porque pode ser lavada todas as vezes que é sujada, o corpo, que só é suscetível a uma ablução, deve ser guardado com tanta mais atenção quanto mais feridas pode receber.» Ibid., col. 95, n. 43.

II. Ritos. — Os sírios e os caldeus empregam, na administração do batismo, diversos ritos, dos quais os mais importantes são muito antigos e aproximam-se dos tempos apostólicos. Os nestorianos seguem a Ordem dos santos apóstolos Adeu e Maris, que foram os primeiros apóstolos de Edessa e da Mesopotâmia. No século VIII, o patriarca Iesuyab de Adiabena (650-660) fez uma recensão desta Ordem. Ela sofreu, posteriormente, outras mudanças. Os jacobitas seguem uma Ordem que atribuem a Tiago, o apóstolo; eles possuem também as Ordens de Tiago de Sarug, de Severo de Antioquia e de Tiago de Edessa. Quanto aos maronitas, eles servem-se das Ordens de Tiago apóstolo, de Tiago de Sarug e de são Basílio. Não podemos entrar em todos os detalhes destes rituais. Limitar-nos-emos a enumerar os ritos comuns a estas diversas Ordens.

1º Aqueles que devem receber o batismo são signados, métréshm; isto é, que o sacerdote traça três vezes sobre a sua fronte o sinal da cruz dizendo: Signatur N. in nomine Patris 4{ Amen, et Filii 4{ Amen, et Spiritus Sancti 4{ in vitam saeculi saeculorum.

2º Aqueles que vão receber o batismo são despidos; é então que ocorrem os exorcismos e que se pronuncia a fórmula do renascimento.

3º O sacerdote mergulha o seu polegar em óleo de oliva bento e traça três vezes sobre a sua fronte o sinal da cruz dizendo: «N. é signado com o óleo de alegria: métrshm b-mésho’ d-hadut’, a fim de que seja precavido contra toda operação de Satanás.»

4º Segue-se a bênção da água, após o que o sacerdote toma óleo de oliva na palma da sua mão e unge todo o corpo daqueles que recebem o batismo, enquanto o coro canta um ou vários hinos de santo Efrém, ou pelo menos algumas estrofes, conforme o tempo o exija.

5º O sacerdote submerge-os na água, coloca a sua mão direita sobre a cabeça deles e, com a mão esquerda, verte água dizendo: Baptizatur N. in nomine Patris 4{ Amen, et Filii 4{ Amen, et Spiritus Sancti 4{ Amen. Durante este tempo, canta-se o hino de santo Efrém que começa por estas palavras: «Descei, irmãos signados, etc.» Ver este hino em Lamy, op. cit., t. 1, col. 43.

6º Segue-se a administração da confirmação. Ver CONFIRMAÇÃO.

J.-A. Assémani, Codex liturgicus, Roma, 1749, t. 1, p. 174, 199, 204; t. II, p. 244, 214, 309; t. III, p. 186, 146, 184; Denzinger, Ritus orientalium, t. 1, p. 14-48, 266-383; Badger, The Nestorians and their Rituals, Londres, 1852, t. II, p. 195; Lamy, Sancti Ephrem hymni et sermones, t. 1, col. 28, n. 1; Synodus Sciarfensis Syrorum in monte Libano celebrata anno MDCCCLXXXVIII, Roma, 1897. Cf. Canoniste contemporain, 1900, p. 436-437.

Autor original: V. Ermoni

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