BARNABITAS. Esta ordem religiosa foi fundada em Milão, no início do século XVI, sob o nome de clérigos regulares de São Paulo, seu patrono, pelo santo Antônio Maria Zaccaria de Cremona e pelos veneráveis Bartolomeu Ferrari e Jacques-Antoine Morigia, gentis-homens milaneses. O Papa Clemente VII aprovou-a em 1533, Paulo III colocou-a sob a dependência imediata da Santa Sé pelas bulas de 1535 e 1543, Júlio III ratificou as confirmações precedentes em 1550. Em 1545, estes religiosos foram postos na posse de uma antiga igreja de Milão dedicada a São Barnabé: daí o nome, tornado popular, de barnabitas. Cronologicamente, chegam ao segundo lugar na ordem dos clérigos regulares, da qual compartilham, com poucas diferenças, o gênero de vida. O capítulo geral, composto pelos principais membros da congregação, reúne-se a cada três anos, decide as questões em última instância, nomeia os superiores e tem, sozinho, o poder de legislar. Suas regras foram aprovadas em Milão, em um capítulo presidido por São Carlos Borromeu.
— Primitivamente, deveriam ser os auxiliares do clero na luta contra o protestantismo, na reforma dos costumes. A pregação, a administração dos sacramentos, as missões no interior ou junto aos heréticos e infiéis, toda obra, enfim, que tende à santificação das almas entra em seu escopo. Assim, encarregam-se frequentemente de governar paróquias, estabelecem e dirigem patronatos e congregações piedosas, mantêm escolas públicas e casas de educação. Foram por vezes empregados em reformas parciais do clero regular e secular. São Francisco de Sales introduziu-os na Saboia, onde completaram a sua obra; Henrique IV chamou-os ao Béarn, que reconduziram à fé católica. Tiveram missões na Birmânia e na Suécia. Deve-se a eles um dos primeiros catecismos publicados, redigido pelo bem-aventurado Alexandre Sauli, bispo de Aléria (Córsega), depois de Pavia, traduzido por São Francisco de Sales.
Sua ação teológica é toda individual. Atribui-se ao seu fundador a instituição das Quarenta Horas. Um dos seus, o Pe. Lacombe, diretor de Madame Guyon, caiu no quietismo. Gerdil ergueu-se contra o sínodo de Pistoia, compôs a famosa bula dogmática Auctorem fidei, promulgada por Pio VI perto do fim do ano de 1794, fez frente quase sozinho ao movimento enciclopedista, refutou J.-J. Rousseau, Locke e Condillac, publicou suas Considérations sur la religion, que se recomendam por seu valor literário e doutrinal, desempenhou um papel muito grande na redação da Concordata de 1801 e na reorganização religiosa na França, como prova sua correspondência com M. Emery. Bilio, um dos cinco presidentes do Concílio do Vaticano, foi especialmente encarregado da comissão De fide.
— Pode-se citar, como tendo adquirido um grande renome nas ciências teológicas:
1º para o dogma: Joseph Cacherano (1535-1685), autor de uma Theologia assertiva, 4 in-fol.; Alexandre Ugo (1726-1795) de Nice, Institutiones theologice ad usum seminarii Bononiensis, 2 vol.; Fortunatus Venerio, de Udine (1695-1763), Cursus theologicus, 8 in-fol. dedicados a Clemente XII e a Bento XIV; Jean-Claude Pozzobonelli (1655-1718), Questiones selectae in Iam, Iam et IIIam partem Summae S. Thomae;
2º para a moral: François Rotarius, de Asti (1660-1748); Alexandre Maderno (1618-1685); Grégoire Rossignoli (1638-1715), a quem se recorre frequentemente nas questões espinhosas e que o Papa Bento XIV cita com louvor.
— É sobretudo nos manuscritos in-folio conservados nos arquivos das diferentes Congregações romanas, onde os barnabitas sempre tiveram consultores de grande talento, que se manifesta a ação teológica desta congregação. Barelli, Memorie, 2 in-fol., Bolonha, 1703-1707; Ungarelli, Bibliotheca scriptorum e congr. cler. reg. S. Pauli, Roma, 1836; Moltedo, Vita di S. Antonio-Maria Zaccaria, Florença, 1897; Dubois, Vie de S. Antoine-Marie Zaccaria, Tournai.
Autor original: C. Berthet
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