4. BARNES, BARNS Jean, beneditino inglês do século XVII. Depois de começar os seus estudos em Oxford, converteu-se ao catolicismo e veio para a universidade de Lovaina. Entrou, em seguida, para os beneditinos ingleses, forçados a ter os seus mosteiros no continente. Ordenado presbítero, passou à Inglaterra, mas não tardou a ser ali detido e foi deportado para as costas da Normandia, de onde os seus superiores o enviaram para Dieulouard, na Lorena. Lecionou ali teologia, assim como no mosteiro de Saint-Edmond de Douai.
Mais tarde, foi confessor das religiosas beneditinas da abadia de Chelles e tornou-se assistente do geral da congregação de Valladolid, da qual dependiam então os beneditinos ingleses. Mas estes obtiveram a permissão de formar uma congregação regida por um chefe da sua nação reconhecido por Roma. Barnes recusou-se a juntar aos seus compatriotas, atacou vivamente o breve de ereção e publicou contra os seus confrades: Examem tropheorum congregationis praetensae anglicanae ordinis S. Benedicti, in-8°, Reims, 1622, obra que foi refutada pelo beneditino Clément Reyner no Apostolatus benedictinorum in Anglia, in-fol., Douai, 1626.
Pouco depois, contra as doutrinas do jesuíta Lessius, a respeito das restrições mentais, publicou Dissertatio contra aequivocationes, in-8°, Paris, 1625, que foi imediatamente traduzido para o francês: Traicté et dispute contre les équivoques, in-8°, Paris, 1625. Esta obra, revestida da aprovação da faculdade de teologia de Paris, foi colocada no Index e o jesuíta Th. Raynaud atacou-a vivamente sob um nome suposto: Splendor veritatis moralis collatus cum tenebris mendacii et nubilo aequivocationis ac mentalis restrictionis addita depulsione calumniarum quibus J. Barnesius anglus O. S. B. monachus Leonardum Lessium S. J. theologum oneravit. Per Fr. S. Emonerium ord. min. convent. S. T. D., in-8°, Lyon, 1627.
Em outra obra publicada em inglês: De la suprématie des conciles, J. Barnes atacou com vivacidade as prerrogativas do pontífice romano. Não reconhecendo mais a autoridade do superior da congregação de Valladolid, não admitindo a nova congregação inglesa, não recuava diante das teses mais arriscadas e era acusado, não sem razão, de querer fazer uma singular mistura dos dogmas católicos e dos erros protestantes na Inglaterra.
Por isso, devido a queixas vindas de Roma, foi detido em Paris a 5 de dezembro de 1626, conduzido a Cambrai e encerrado no castelo de Weerden, perto de Bruxelas, de onde foi dirigido para Roma sob boa escolta. Morreu naquela cidade após ter passado cerca de trinta anos nas prisões da Inquisição ou, segundo alguns autores, numa casa de alienados.
Deixou em manuscrito uma obra, Catholico-romanus pacificus, que os protestantes fizeram imprimir em Oxford, in-8°, 1680, e que é reproduzida no apêndice da segunda edição publicada por E. Brown, in-fol., Londres, 1690, do Fasciculus rerum expetendarum et fugiendarum de Ort. Gratius. Atribui-se ainda a J. Barnes um tratado De antiqua ecclesiae britannicae libertate et privilegiis, publicado a seguir a dois opúsculos de Jacques Usserius, in-8°, Londres, 1681.
Ziegelbauer, Hist. rei literariae ord. S. Benedicti, 4 in-fol., Viena, 1754, t. II, p. 188; dom François, Bibliothèque générale des écrivains de l'ordre de S. Benoît, t. I, p. 93; Hélyot, Hist. des ordres religieux, in-4°, Paris, 1718, t. VI, p. 283.
Autor original: B. Heurtebize
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